
A violeta (Castro Alves)
Data 16/01/2011 12:21:15 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| A rosa vermelha Semelha Beleza de moça vaidosa, indiscreta. As rosas são virgens Que em doudas vertigens Palpitam, Se agitam E murcham das salas na febre inquieta.
Mas ai! Quem não sonha num trêmulo anseio Prendê-las no seio Saudoso o Poeta.
Camélias fulgentes, Nitentes, Bem como o alabastro de estátua quieta... Primor... sem aroma!
Partida redoma! Tesouro Sem ouro! Que valem sorrisos em boca indiscreta?
Perdida! Não sonha num tremulo anseio Prender-te no seio Saudoso o Poeta
Bem longe da festa Modesta Prodígios de aroma guardando discreta Existe da sombra, Na lânguida alfombra, Medrosa, Mimosa, Dos anjos errantes a flor predileta
Silêncio! Consintam que em trêmulo anseio Prendendo-a no seio Suspire o Poeta.
Ó Filha dos ermos Sem temos! O casta, suave, serena Violeta Tu és entre as flores A flor dos amores Que em magos Afagos Acalma os martírios de uma alma inquieta.
Por isso é que sonha num trêmulo anseio, Prender-te no seio Saudoso o Poeta! ...
Castro Alves, poeta.
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