
VIDAS DE PESCADOR
Data 15/01/2011 19:47:28 | Tópico: Poemas -> Saudade
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O navio já não volta ao cais, que já não existe para mais nada; terra de assombros e de mil e um escombros.
Há saudosos pescadores, de mãos severas e às dores, que foi a vida ao mar a sair, para no fim peixe repartir.
Tinham na pele o sal do mar, cobre e alva brancura, no ar: na força da juventude, à ré, devotavam vidas, à Santa fé.
Muitas lágrimas, lá ficaram, por entre ondas, ajuizaram, a pouca sorte que lhes levou: quem, a família, sustentou.
Mas o trabalho prosseguia, e, inda mal, raiava novo dia, lançados os barcos às águas, silenciosos, calavam mágoas,
e, remavam, a alto Oceano… a remar, remos, mano a mano, rapidamente desapareciam – na manhã do outro dia se viam.
Então a alegria não continha, ver os bravos, dar à Prainha, com as redes cheias de peixe: oh, minha vizinha: deixe, deixe!
E todos puxavam os batéis com ritmo, ingerindo pastéis, tenrinhos, da terrinha do mar, e aí mesmo, o peixe amanhar.
É uma vida de luta e entrega, feita por homens, de regra, que amam o que fazem, o mar, até que este os resolva levar.
Jorge Humberto 15/01/11
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