
FLOR QUEIMADA II
Data 15/01/2011 16:55:03 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Hoje, estou deveras contente. Em verdade, nada mudou. Este estar assim, de repente, é porque o verso, no verso rimou.
A poesia, é por isso, inconstante. Não que falsei, no quanto escreve, mas porque ainda vem distante, o que ela, a quem versa, bem deve.
Passa um navio: vai de viagem, para uma qualquer ilha, a se perder. Quando petiz, gostava de canoagem, como estou feliz, importa o dever.
Não; não quero vinho! Para festejar! Que a minha boca é seca, ao pecado. Ao néctar, dos deuses, irei pois olvidar, agradecendo, que sou bem-educado.
A tarde está fria; cai pungente, no rio. Um pouco mais longe, nutrido nevoeiro, às aldeias esquecidas, e atadas com lio, gretam os lábios das pessoas, com cieiro.
Então uma leve tristeza, se assoma de mim: eu que estava tão contente, e assas feliz. Estou infausto nesta hora; e eu, porque vim? Choram sentidas as flores, do meu jardim.
Tudo tem sua Razão de ser; vi na televisão! Criança subnutrida, em flor queimada mexia. Era seu único jogo: nas mãos deu-se a explosão, e, o menino, tripas no chão, sua voz gemia.
Jaz e arrefece o menino, por todos abandonado. Tudo por obra destas guerras, que não cessam, e deixam, ao acaso, engenhos, não cuidados, por obra e mão de peritos, que não se revezam.
Como posso continuar contente? Como? Como?... Quem mo dirá? Se há coisa que não sou é aparente – muito menos, o verso se subverterá!
Jorge Humberto 15/01/11
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