
Imunodeficiência
Data 13/01/2011 21:38:19 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Ouça-me... Um vê mais me ouça Os lampejos da hipocrisia passaram pelo vão da porta Ouça escapar das mãos a vida mesmo que tardia Ouça escorrer os conselhos de Jó Os provérbios de exilados profanos Poderão sustentar-me de pé? Ouça-me... Não a mim, mas a cegueira da minha loucura Os turbilhões nômades que penetraram as veias A estridente e suave nota, a mais alta pervertida nota ecoar os tímpanos Não posso parar de ouvi-la É decadente o estado destes ossos viventes Você não pode ouvi-la dentro de você Ela te surpreende de lamentos Usurpa a tua mente com silêncio ensurdecedor Mas eu, não posso parar de ouvi-la Faz parte de mim desde ainda menino Do convívio com minhas células Ainda posso rastejar como as serpentes Desejar como embrião um dia nascer E formar uma nova luz sem manchas Eu me descobri tarde demais As caravanas já haviam passado Olhe para mim e veja o projeto de quem desce as sepulturas Desarraigam as raízes da intolerância Fada-me de esperanças libertinas Fala-me se consegues entrar nos meus olhos e extrair as dores das minhas córneas Mais que minha carne está doente os meus pensamentos Olhe pelo vão da porta e não deixe escapar o vento Ouça-me por alguns segundos Não posso desistir da vida Ela me faz bem, não posso parar de ouvi-la.
(Poema Surreal)
Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 12
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