
CARTA DE AMOR
Data 12/01/2011 17:07:17 | Tópico: Poemas -> Amor
| Lá aonde a praia se encontra com o mar, e o sol é de amarelos e de louros, algas inertes vão dar à praia, paradas; e, como um possesso, ponho-me a guardar, meus sonhos – por sonhar – meus tesouros – serão ricos, serão pobres: Virgens Sagradas!
Não preciso de nenhuma gruta, para disfarçar minhas doutas riquezas; como os Mouros, quando faziam das Rainhas, suas empregadas. E se necessário for, me porei toda a noite a velar, descalçando as botas, feitas de coros, para molhar os pés cansados, nas águas geladas.
Tudo será a bem-se-ver, sem leis a incomodar… que o maior sonho é ter nada, e negar o ouro – valência, que nos faz tolos: às gentes desesperadas, que de entressonho em entressonho vão parar, a um qualquer manicómio, ou bebem do Douro, o requintado vinho, que as vinhas, estão saturadas.
Meu pensamento aturado, à ilha, quer voltar… depois que as geadas vieram – e eu não sou besouro. (É tão fácil regressar, quando as pupilas ficam alumiadas). Quero de novo a sensação, de na areia branca pisar, rever, com moderada imaginação, meu tesouro, que são meus sonhos, minhas Virgens Sagradas!
Mas, depois, de muito pensar, e de ponderar, num último soslaio, vejo, sem que o veja, meu tesouro; e as Virgens Anunciadas, afundam-se, bem afundadas, com as ondas cavalo, nas crinas, trazendo o mar, para levar tudo de volta, para os seus confins, anil e ouro – digamos que preferi, pelas tuas mãos, acariciadas.
Jorge Humberto 12/01/11
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