
MEUS SONETOS VOLUME 145
Data 04/01/2011 10:30:50 | Tópico: Sonetos
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1
Saudade diz do amor que inda resiste Embora tão distante, estás aqui. Mostrando-se agridoce, alegre e triste, Diz com total firmeza que eu vivi.
Se ainda sobrevive e sempre insiste, Mal virando as costas, estás ali Gritando no silêncio: amor existe! E mesmo que não vens; não te esqueci.
Durante alguns momentos; Paraíso, Noutras inferno que vem sem dar aviso Trazendo um dia manso e merencório.
Viver tanta saudade se traduz Na luta em desespero pela luz, Representando, em vida, o purgatório. Marcos Loures
2
Saudade destes tempos, outras eras Aonde uma ilusão demais querida Trazendo uma alegria em nossa vida Dizia florescências, primaveras.
As horas que hoje passam tão severas Prevendo em agonia, a despedida Estrada feita espinho, sem saída Legando ao coração frias esperas.
Olhando vagamente, pensativo, Do sonho de poder estar contigo Cevando novamente este jardim,
De uma lembrança em paz, eu sou cativo, Felicidade! Tanto eu te persigo... Apenas o vazio encontro, em mim... Marcos Loures
3
Saudade deste tempo tão feliz Jogado nos porões de um existência. Voltar para o passado, um aprendiz Seria um ato simples de clemência.
Um coração marcado em cicatriz Levando um sonhador a tal demência, Vagando bar em bar... Tanto te quis! Agora só me resta a penitência
Das noites pelas ruas, avenidas... Dos meus sonhos desfeitos; nada, nada.. Somente as noites frias, as calçadas...
Ao longe... Nossa música a mostrar Quão foram diferentes nossas vidas... Só me restam sarjetas... Boulevard...
4
Saudade deste tempo em que viver Já parecia fácil com certeza. Nem tive tempo, amor; de me esconder Saudade me tomando de surpresa
O vento na janela vem bater Trazendo em tanto frio, uma tristeza. Lembrando deste nosso bem querer Que a vida assim levou, em correnteza...
As lágrimas caindo no meu rosto, Só mostram para mim o teu olhar. O coração vazio segue exposto
E nada, meu amor, de te encontrar. Mostrando-me a cruel realidade Eu sinto o tempo inteiro, uma saudade... Marcos Loures
5
Saudade deste amor que tanto quis Guardado nas gavetas da lembrança Dizendo quanto outrora fui feliz Num tempo feito em glória e temperança.
A voz de quem desejo inda me alcança Reaviva no peito a cicatriz Renova a cada dia esta esperança De ter o que o amor há tempos diz.
Decifro os seus sinais, Amor pungente, Por mais que o coração siga plangente Eu tenho esta alegria de poder
Sentir o teu perfume em minhas mãos, Os dias que eu julgara todos vãos Prometem, no futuro o meu prazer... Marcos Loures
6
Saudade deste amor que procurei Por toda uma existência e se acabou. A sorte que pensara, já salguei E o gosto da amargura, o que sobrou.
Nos veros sentimentos, dura lei Que diz que quase nada me restou Senão esta saudade. Pouco sei Do vento que te trouxe e te levou...
Amor quando termina; o que fazer? Viver sem ter sentido, caminhar Na busca deste eterno bem querer
Sabendo que jamais tu voltarás? Ah! Não... Eu não consigo mais lutar, Apenas a saudade me traz paz...
7
Saudade desta moça, doce senha Que pude desvendar no Paraíso. Por mais que solidão nada contenha Da volta deste sonho, traz aviso.
De uma acre sensação que não mais biso Depois de quantas vezes, já se ordenha O amor que tem no toque mais conciso Preciso de teu corpo, brasa e lenha.
Mecânicas palavras vão ao léu Enquanto o sentimento em carrossel Gerando sentimento nega aborto.
Se eu quis o que tu queres deste agora, A mão que vai ousada quer e explora Do fogo precioso, mesmo torto...
8
Saudade desta casa onde nasci; em Minas... O cheiro do café de manhã, bem cedinho. A boca desdentada em formas femininas De minha vó cansada... Um vôo, passarinho... Olhando pra janela, abertas as cortinas; Percebo há quanto tempo abandonei o ninho, Em busca do futuro, alcanço minhas sinas, Mas vejo que hoje estou, por certo mais sozinho... O tempo foi cruel, venceu as esperanças, Minas tão distante, a casa abandonada... Mas inda ouço o barulho, o correr de crianças
9
Saudade dessa moça, o peito roça Fazendo tantas cócegas maltrata Incendiando em mim floresta e mata O que encontrar de frente já destroça.
A seca que se deu na minha roça Aos poucos toda planta seca e mata O nó de nosso amor quando desata É lágrima/goteira que se empoça.
Eu quero simplesmente um cafuné, Sem nada que me prenda, vou a pé Atrás da bela prenda que não quis
Beijar a minha boca nem ser minha, Lembrança sempre dói quando avizinha Não deixa um coração bater feliz... Marcos Loures
10
Saudade de teus lábios no aconchego Da nossa casa simples de sapé, Agora quando em sonhos, volto e chego Sentindo o doce aroma do café
Revejo a nossa cama que desfeita Revive num momento, este passado, Enquanto a fantasia se deleita Procuro e não te vejo do meu lado...
Aonde te encontrar? Amor, responda, À praia o mar retorna e mostra em onda Que ainda posso ter o teu carinho...
Porém o vento diz de tua ausência, E o tempo traduzindo em inclemência Informa que serei sempre sozinho...
11
Saudade de sentir tua presença Que há tanto desejara, mas perdi. Liberto pensamento chega a ti, Ternura inestimável, rara, imensa.
Quem sabe a poesia te convença E venhas derramar teu brilho aqui. Se em plenas ilusões, tolo eu vivi, Espero ao fim da vida a recompensa.
Saber do intenso amor que inda carrego, Depois de caminhar trôpego e cego Guardando o teu retrato nos meus olhos.
Sonhar com teus carinhos, com teu lume, Sentindo bem mais próximo o perfume Da flor que nasce bela em meio a abrolhos...
12
Saudade de quem Um dia partiu, Deixando este bem, Que sempre pediu,
A sorte que vem, Depressa fugiu, Amor pegou trem, Meu mundo caiu.
Agora a saudade Batendo na porta Amarga maldade,
Mais nada me importa, Tanta falsidade, Minha alma está morta...
13
Saudade de quem tive há tantos anos... Estrela soberana de meus dias. Agora na mudança desses planos Apenas me restaram agonias.
Na catedral das dores, desenganos. As noites invernais, bastante frias. Meus olhos em vazios desumanos Refletem tão somente as fantasias...
Quem sabe tu virás mais distraída, Num sonho que parece uma miragem Percebo que esta sorte já perdida
Talvez retorne em última viagem, E traga quem pensei estar perdida... Mas sinto: isto não passa de bobagem...
14
Saudade de quem quero estar comigo O dia vai passando lentamente. A vida que eu sonhara e que persigo Se mostra em solidão, tão diferente.
Parece que fiquei em desabrigo Ao vento, num relento, descontente. Às vezes quero crer, mas não consigo E a dura tempestade se pressente...
Mas ouço a tua voz, mesmo distante E o tempo recomeça a clarear O céu desanuvia e se azuleja.
Tudo se modifica neste instante A noite com certeza é de luar Num brilho em que este sonho sempre almeja... Marcos Loures
15
Saudade de quem fui, Num tempo tão distante, A vida mansa flui Mas mostra-se inconstante,
Meu paletó se pui, Quem fora deslumbrante Em meu castelo rui, Morrendo num instante...
Apenas garatujas Deixadas na parede, As mãos deveras sujas
Rasgando antiga rede, Espero que não fujas, Pois matas minha sede...
16
Saudade daquilo Que um dia perdi, Viver sem estilo Distante de ti,
Depressa eu vacilo, Não encontro aqui Sequer um asilo, A sorte, esqueci...
Quem vê o meu rosto Em lágrimas tantas, Sofrimento exposto,
No frio sem mantas, Amor em desgosto,
17
Saudade crocitando no meu peito Em lástimas e lágrimas se fez. Alcançando ideais, insensatez Matando pouco a pouco do seu jeito.
Sobrepesa e desfaz o que foi feito Marcando minhas carnes, minha tez, Deixando este cadáver que já vês Deitado sem motivos no meu leito.
Saudade preparando um golpe atroz, Ferrenho, sem defesas, mais profundo. Um lobo que se mostra assim feroz
Com dentes afiados. Eis saudade. Escárnio em que me afogo e assim me inundo. Num irônico riso, a tempestade...
Não mais tu me encantas... Marcos Loures
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Saudade contemplando da janela O que passou e foi tão importante, Enquanto o sentimento se congela A vida pede o brilho fascinante
Que este retrovisor logo revela, Retorna o que vivemos num instante, É barco que numa âncora se atrela, Temendo caminhar para adiante.
Mas isso quer dizer que amor valeu, E sabes disto tanto quanto o meu Coração que te busca a cada dia,
Vencendo esta distância, entre pólos, Cevando eternamente suaves solos Trazendo em paz suprema,a fantasia... Marcos Loures
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Saudade como faca penetrando Rompendo o que se fora carapaça. Aos poucos sem que eu veja, me tomando, Uma agonia imensa que não passa. O tempo corre lento, se arrastando, Toda alegria morre e se esfumaça, O mundo que sonhara desabando, O que restou de mim, a dor esgarça... Talvez essa saudade inda se cure, Chegando um novo amor. É, pode ser... Por mais que o mundo caia e me torture Um dia, no meu peito, nova dança, Que possa me encontrar e me trazer O vento tão suave da esperança...
Marcos Loures
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Saudade bicho matreiro De tocaia não se cansa, No seu bote derradeiro, Envenena uma esperança
Toda noite, amor teu cheiro, Vem de longe e aqui me alcança Sentimento verdadeiro No meu peito de criança
Coração feito fornalha Vai morrendo enquanto abrasa Sem te ter em minha casa
Cada dia, uma batalha, E a saudade toma conta De minha alma que anda tonta... Marcos Loures
21
Se a terra não produz ainda as flores Que um velho jardineiro imaginou Cevando com ternura mil amores, Nos jardins e canteiros que plantou, Mas mesmo assim irei por onde fores A cor destes teus olhos me guiou...
Amiga quando aramos esperanças As horas são mais mansas e tranqüilas, Porém quando negadas novas danças As carnes se apodrecem, velhas vilas, Os mares navegados nas lembranças Espalham suas ondas se destilas
O canto mais preciso que persigo. Insisto em te dizer: sou teu amigo...
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Se a tarde não nublasse o pensamento, As casas não seriam espiãs, As horas que se perdem, tolas, vãs Aumentam com certeza o sofrimento.
Desejos e infortúnios, um lamento, Antúrios esquecidos nas manhãs, As águas vão seguindo os seus afãs, As nuvens não se movem, falta o vento...
Talvez se ela não fosse tão distante Se amor pudesse ser, simples amante, Riria feito um frevo. Morto o blues
Porém querência tanta que agonia, Tornando a tarde ausente, amarga e fria Esqueço que nascemos todos nus... Marcos Loures
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Se a noite tomar conta do cenário E a vida se tornar escuridão, Olhando firmemente pra amplidão Enfrentarás temível adversário
Sabendo quanto Deus é necessário, Tu verás no teu próximo este irmão Que ajudando a plantar no solo o grão Florescerá além do imaginário.
Ao enfrentar tormentas, vendavais, Em ti existe a força da bonança. Ao fazeres co’o Pai esta aliança
Terás a calmaria como cais. O mundo com certeza será nosso, Em quem me fortalece? Tudo posso!
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Se a mente já desperta nova mente Tu mentes; as sementes não vigoram. Transcendem as serpentes simplesmente Se mordem e se picam, não afloram...
Desperto em meu desejo o teu reflexo Que tramo sem ter senso, simples, sempre... O rumo deste amor que não tem nexo É templo que te peça e te contemple.
Janelas vão se abrindo, quebro as portas, Importo meu epílogo sem medo. Nos portos onde amor que tenho, aportas, Os vasos se quebraram muito cedo.
No sonho tão gostoso de viver Será vai meu amor apetecer?
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Se à flor da pele eu planto um jasmineiro Decerto, mais cheiroso o meu sovaco, Cansando de cair o tempo inteiro, Catando pelas ruas o cavaco,
O amor que tu me deste não tem cheiro, Não quero mais cair neste buraco. Juntando os meus pedaços, saio inteiro, Querida não terás nem mais um caco.
Eu tento e te asseguro, até garanto, Secar em outras flores o meu pranto. Fazendo mais sortido, o meu jardim.
Que faço se não posso com o aroma, Daquela que c.gando tanta goma Na ceva do canteiro deu um fim... Marcos Loures
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Se a faca tem dois gumes Prefiro nem a ver, Buscando em teus perfumes Delicias e prazer
Falena quer dos lumes Um sonho a se perder. Conforme estes costumes Eu quero em ti viver.
Deixando para trás Quem jamais soube amar, O coração audaz
Começa a disparar Amor que satisfaz É quando feito em par... Marcos Loures
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Se a bunda da sobrinha é muito grande, ( compete com a bunda melancia ) Desbunde que abundância agora cria Bem antes que esta história já desande.
Sem ter regra que impeça ou que comande Verdade é que o país abundancia Protuberância enorme sem quem mande Balança na tevê, pois, todo dia.
História sem igual, tão nauseabunda Redunda na cultura nacional. Enquanto a poesia só se afunda
Eu creio ser somente um vil boçal Amor já desdentado e até corcunda, Pensando no capítulo final... Marcos Loures
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Se a bola não embola nem rebola A cargo deste embargo sou assim, Enquanto o pranto adoça, o vento assola À Roma vou chegando, até que enfim!
Quem sabe e reconhece cada escola Esquece do tesouro no jardim, Soneto sem ter métrica descola Realidade tosca, é jeans sem brim.
Amor sem ter sequer carinho e beijo Macarronada pede molho e queijo Cadência é necessária neste bolo.
Quem faz da poesia o que bem quer, Maltrata com certeza uma mulher E mostra-se em verdade, bobo e tolo... Marcos Loures
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Se a boca diz de Baco e vai audaz, Eu bebo cada gota deste vinho, Enquanto a gente quer, amor se faz Decerto com ternuras e carinho.
Esfaimada, glutona e tão voraz Percorre o repetido e bom caminho. Não tendo explicação, amor assaz Profano traz o porto em que me aninho.
Não quero e nem precisa explicação, No gêiser borbulhante, imenso gozo. O amor embora às vezes caprichoso
Conhece e recomeça este refrão Dizendo da alegria que adentra a alma, Um manso furacão que nos acalma... Marcos Loures
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Se a barca do babaca não abarca Se a tenda no deserto estende areia No rio que se deu em tanta cheia Joãozinho vira trinta e quer Petrarca
Caindo num volteio amor embarca Na boca sem comida, porém cheia O fogo que gelando invade a veia Querendo sempre assim a sorte é parca.
Arcando com defeitos mais singelos. Depois da tempestade vêm os gelos. Remendos desta calça mostram bunda.
Abunda no Brasil a pita, eu sei. Tatu perde buraco e noutra grei Moderna poesia já me afunda... Marcos Loures
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se a baba do nababo diz tesouro tesoura vai cortando cada verso não quero ser decerto boi ou touro apenas vasculhar teu universo
no sol que na verdade não me douro metade do que falo está disperso a vida não promete bom agouro a quem segue outro rumo mais diverso
confesso que em temática moderna a gente quando dorme não hiberna apenas vasculhando o concretismo
beijando cada seio do erotismo soneto se aposenta e não diz nada, prefiro a poesia desnudada... Marcos Loures
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Se já te procurei pelos altares, Nada encontrarei, nunca mais te vi... Se já te procurei pelos luares, Onde mais irei, nunca, nem ali...
Constelações, estrelas, sol, Antares... Realmente estou certo, te perdi... Não vou mais te buscar nesses lugares. A dor que me legaste vive aqui.
Oprimido, perdido não te vejo... Se nada mais espero, meu desejo É poder renascer num novo parto...
O futuro esquecido, tenebroso... O mundo me carrega, pavoroso... Fantasma perambula no meu quarto...
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Se já sei paraíso nessa vida, Como posso almejar o paraíso? Em teus seios, de fato enfim querida, Encontrei sem temor o que preciso.
O carinho que cura todo tédio, A canção que professa o meu desejo, Tudo isso bem sei, santo remédio, Nesse amor que mirei e que dardejo...
Transmitindo total, manso, sossego, Longamente procuro sem fastio, Amor que se imantando já carrego, Sem loucuras, ciúme ou desvario...
Querida que chegou, tão oportuna, De tudo que sonhei, minha fortuna...
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Se já nem sei meu nome, o que fazer? No limiar do amor e da loucura... Nas danças da alegria e do prazer, Amar demais tortura que me cura...
Não tenho mais palavras pra dizer Do quanto o nosso amor me traz ternura. Espero todo dia; quero ver Teus olhos quais cristais na noite escura.
Se te vejo nos sonhos e nas ruas, Se te sinto chegando com o vento. Ao te ver logo sinto que flutuas
E me perco em teus rastros, ganho o céu. Tua presença em cada pensamento A minha mente roda, um carrossel... Marcos Loures
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Se já não me interessam teorias Que falem deste amor ou algo mais, Tornados derrubando fantasias Inundam o meu porto, matam cais.
Se bem que nas manhãs que estão mais frias Fazem falta estes sonhos matinais. Mas além de todo amor que não querias, Amor, broa e café. Vem logo e traz...
Depois tem tanta coisa por fazer, Correndo sempre ganho o novo dia, Adormecendo sempre o meu prazer.
Se Deus quiser, à noite estou aqui; E qualquer coisa, finge que sabia Do amor que foi demais e que perdi...
36
Se in vino veritas, sei Das orlas deste oceano, Dos reinados deste rei Que tem a morte por plano.
No que resta mergulhei. Encontrando ledo engano. Meu passado, exorcizei, Meu futuro é soberano.
Tais tropas estropiadas, Em mentiras santificas Urtigar mães acoitadas
Nada mais contigo implicas Tens obras glorificadas Tuas Igrejas tão ricas...
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Se houvesse alguma chance, pelo menos, Eu tentaria o bote no final. O velho que se fez transcendental Morrendo com seus próprios, vil, venenos.
Empenhos que talvez fossem serenos, Rastreiam cada passo pelo astral, E a moça que guardara no bornal Fora uma hipotenusa sem cossenos,
Caladas noites frias sem ninguém, Melancolia é coisa costumeira, Quem dera lamparina, mas não tem
Sequer o brilho fosco da mortalha, Que serve para os sonhos de bandeira E foge enfim, do campo sem batalha...
38
Se fossemos o mar que tal a lua? Rodando pelos céus vai nua em pelo, Descendo em nossa cama continua Tramando seu desejo sem apelo...
Amada, em nosso sonho, uma promessa De termos doce lua sobre nós. À noite delicada se confessa Atando em raios claros, nossos nós.
Reparte seus luares sem cessar, Deitando mansamente, já te abraça; Te enlaça e me convida a flutuar. A lua maviosa em plena graça...
Espero desta lua o mesmo encanto Dos mares dum amor que quero tanto...
39
Se fosse mar, seria maremoto... Não teria momentos de calmaria, As marés loucas ondas, num remoto Ilhéu sobrevivi tal fantasia...
Qual fosse tempestade e terremoto, Não sobrando sequer um novo dia, Jamais deixei de ser simples vinhoto Restolho venenoso da alegria...
Se fosse planta, urtiga, com certeza... Espinho perigoso da roseira, Nada me revelara, enfim, beleza...
As cruzes que carrego sempre ferem... A noite que te vi foi derradeira, Os rumos que previ que se craterem! Marcos Loures
40
Se forem teus desejos que eu me perca Da sorte que prenúncios adivinho. Amores que vivendo vêm acerca De tudo que perdi, humilde ninho.
Vencido por quem sabe ser não manso Esparso minha voz por alamedas. Deveras teu desejo eu não alcanço Sem olhos, pois os meus há muito vedas.
Definho sem ter pasto, em desamor. Calçado desta estúpida saudade O fato de tentar viver sem por Meus dedos na ferida, falsidade.
No manto que em espaços viverei Amar demais será sempre uma lei. Marcos Loures
41
Se foi felicidade, hoje, agonia... A chuva derradeira já não tarda A sorte prisioneira, esta bastarda. Me deixa... Mal a tarde inda morria...
A noite que se mostra gela, fria... Melancolia chega, fera parda. Minha esperança morta, grão, mostarda... Lá fora, soprava o vento... Chovia...
Ilusão, devorada pelos vermes... Neste esgoto, tão meu quanto dos ratos. Plutão espera um velho... Julguei Hermes,
A mocidade cospe nestes pratos... Minha alma apodrecida pede paz... Quem m’ouve? Tão somente Satanás! Marcos Loures
42
Se fico e me permito um rito audaz Atrás do trio elétrico não vou, Goleiro em agonia sofre o gol, O tempo em contratempo não me apraz.
Apresso cada passo o frio traz O quanto a tarde em pânico nevou Quem sabe encontrei quem desejou O velho coração cego e mordaz.
Caminhos que percorro, sendo limpos, Garantem com certeza bons garimpos, Extinguem os perigos que adivinho.
Fintando em claro drible a solidão, Estendo da esperança este pendão, Suplico feito louco o teu carinho... Marcos Loures
43
Se falsos foram passos que já dei, Em cadafalsos turvos fui trancado. De tantas discussões participei Ações sem emoções, o meu recado.
Escapo destas vastas amplitudes Imensas as escarpas e falésias... Amores revigoram juventudes, Melhor? Passar por férias polinésias...
Eu sinto que virás, cedo ou mais tarde, Aqui terá repouso, amor, guarida... Amor que nunca faz sequer alarde, Revigorando os passos desta vida...
E, mesmo que pareça passo falso, Amor já me livrou do cadafalso...
44
Se falo de boceta ou de piroca Parece que xinguei a mãe de alguém Vergonha puritana se desloca E nos palpos de aranha, é o que vem.
Porém se falo falo ou cunilíngua Ninguém vai reclamar do que eu falei. A língua pátria morre então à mingua. Infelizmente, amigo, disso eu sei.
Quando a bela Pandora percebeu Uma boceta assim tão diferente, Abriu e se mostrando curiosa
Os males deste mundo; concedeu. Assim também procede certa gente O que salva? Boceta esperançosa...
45
Se falas deste tempo sem discórdia Não sabes que depois veio o regaço O mundo que te trouxe traz espaço E tudo se termina em mixórdia.
Nas hordas e nas bordas da piscina Amanso meu amor nesta delícia Que traz o meu desejo na malícia E dorme em sua lua de menina.
Forjamos uma estrela a cada dia Depois nos esquecemos nem queria Agora sem ter hora peço chuva
Depois de tanto medo sem sentido, Depois de termos tudo resolvido Quero estar no teu leito de viúva! Marcos Loures
46
Se falas desta moça tão gostosa Que fala com meu falo o tempo inteiro. O gozo mais gozado de quem goza Enquanto pinta tinta o meu tinteiro.
No pinto que te pinta sente o cheiro E faz do verso torto sua glosa Eu vou ficando aqui bem mais cabreiro Se a moça se mostrar assim fogosa.
Cutuco no teu cu com vara curta Causando no circuito confusão Perfuma a perereca com a murta
Deixando esta menina bem mais puta. Vagando e engolindo um vagalhão A porta que oferece está hirsuta. Marcos Loures
47
Se falas como eu falo ou com meu falo Embalas os meus sonhos mais audazes, No quanto me desejas, não me calo E tramo novas noites, novas fases.
Eu quero que tu faças como fazes Comendo da maçã, engoles talo Colhendo cada fruta que me trazes A gente vai passando neste embalo.
E nada do que temos já se esgota A roupa da ilusão ficando rota Perdendo a direção não quero rota
Invado sem juízo cada grota, Tristeza se tornando então remota O amor que a gente faz, além da cota... Marcos Loures
48
Se eu verso sobre o verso que me dás Qual mote que remoto não alcanço, Por mais que a vida, sonhos falsos, traz Eu quero seguir sempre claro e manso.
Não tento ser cativo ou capataz, Apenas sem ter pena o meu remanso. Amor nunca saindo de cartaz Expia quem espia; falsos lanço.
Mas tendo alguma tenda que me abrigue, Senzalas arrebento, vou liberto Não vejo na verdade quem obrigue
A gente a caminhar olhando o chão, A seca que se deu neste deserto Deságua no teu frágil coração... Marcos Loures
49
Se eu venço e não convenço perco o jogo. Um gol não representa quase nada O amor jamais se mostra como rogo A história deve ser melhor contada.
Não boto a minha mão mais neste fogo Palavra na garganta anda entalada O quando se queria desde logo Morrendo sem destino, na calada.
Não quero ter na vida, mais sufoco, Vontade de viver eu não sufoco, Mudando a direção em outro foco
Deste velho arvoredo sobrou toco, Enquanto a poesia; ainda toco A casa da emoção? Não tem reboco... Marcos Loures
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Se eu vejo o meu retrato em teu olhar, Reflexos de minha alma mergulhada Nas ânsias de nós dois; mesma balada, Ensine como irei me libertar...
Sem leme não consigo navegar, Tampouco prosseguir na caminhada Que após tua saída dá no nada Falena; sigo os rastros do luar...
Do meu corpo incrustado em tua pele Qual fora tatuagem, cicatriz... Como serei então, sem ti, feliz?
Se ao teu delírio o meu tanto compele Sorvendo somente o ar que tu respiras Unindo as emoções, atando as tiras...
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Se eu trago em minhas mãos velhos engodos, Eu tenho a sensação de que perdi. A vida se mostrando em tolos modos Retrata o que busquei, outrora em ti.
Açudes da esperança já secaram, Das águas nem notícias nem mais rastros. Os barcos da ilusão que naufragaram Deixaram noutro porto antigos lastros.
Por ser intuitivo, eu sofro tanto, Seguindo cada passo que tu dás Colhendo em teu caminho, o raro encanto Que a tua poesia já me traz.
Permita, minha amiga que eu exponha Minha alma inutilmente tão tristonha... Marcos Loures
52
Se eu trago dentro em mim a velha ermida, Não sou este eremita que pintei. Algema há tantos anos foi rompida E agora desafino noutra grei
Aonde uma alma atreve-se fingida Moldando a mais espúria e frágil lei. O sangue não se faz boa bebida E dele, assim jamais eu beberei.
Eu quero cada gota da saliva Que trazes minha louca companheira, Manter a chama acesa e sempre viva
Fazendo desta noite, uma cigana Que dança entre a palavra corriqueira E a lua dos insanos, soberana... Marcos Loures
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Se eu trago bem mais firmes minhas mãos Eu agradeço ao Pai que é libertário Por mais que o mundo seja temerário Os dias não serão; por certo vãos.
Caminho entre os penhascos e os penedos, Sabendo ser meu passo mais audaz, Pois tendo em Ti, Bendito, imensa paz, Concebo da existência, os seus segredos.
Erguendo o meu olhar ao infinito, Percebo quanto o mundo é tão bonito, Presente deste Deus perfeito e Santo.
Mas quando vejo os homens com tal fúria, Dilapidando os bens, suprema incúria, Resisto bravamente ao desencanto...
54
Se eu tento e não consigo, não desisto, O amor não merecia este registro. Se eu teimo e me consolo, pois existo, O vento que virá será sinistro.
Se habito este planeta: solidão, Cenário de outras tantas poesias, Esqueço do meu verso e sem refrão Metáforas tramando alegorias...
O copo que quebrei não foi cristal, De extrato de tomate, eis a verdade. Rasgando a fantasia, o carnaval Transmite até o fim, sensualidade...
Regime não farei, e mesmo obeso, Jamais terei decerto, o rabo preso... Marcos Loures
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Se eu te pego de jeito! É gozo certo... Encaixes tão perfeitos noite afora. Vem logo sem juízo e sem demora, Caminho pro infinito segue aberto...
Eu quero esta nudez aqui por perto, Quem sabe não pergunta e fazendo a hora Com estrelas; cometas; já decora Quarto quando adormece: em ti desperto.
Molejo nos quadris devoradores, Engole meu prazer sem ter perguntas, As almas sendo assim, unidas, juntas
Mergulho por espaços multicores. Te quero bem cheirosa e mais safada A ninfa tão gulosa e tão melada...
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Se eu te peço tanto amor Tanto amor eu posso dar Nos caminhos onde for Te darei sempre o luar Que carrego no meu peito Sobre as nuvens que choveram Nosso amor tem o direito De tantas dores sofreram.
Quero teu beijo molhado Nos meus lábios ressequidos Nosso amor que foi formado Por tantos dias doridos. Encontrou agora o rumo, Nos teus passos o meu prumo...
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Se eu te amo? Muitas vezes me pergunto. Bem sei quanto te quero aqui comigo. Olhar para teus olhos, seguir junto Contigo... Mas às vezes eu nem ligo E mudo bem depressa pr’outro assunto. Prevejo novamente este perigo..
Mantenho dentro em mim este segredo Tantas vezes negado. Sim querida; A culpa talvez seja deste medo Que aos poucos dominou a minha vida. De mim, dentro de mim, o meu degredo, A porta que tranquei não vê saída...
Talvez, quem sabe, um dia com coragem O nosso amor não seja só miragem... Marcos Loures
58
Se eu tanto percebesse o que querias, Jamais eu abriria este portão Se as noites solitárias são mais frias, Não quero o teu calor no meu colchão.
Pois tudo o que pensavas não dizias, Fazendo no meu peito, confusão. De que valeram tantas poesias Se o amor que tu me deste... Nada não...
A culpa disto tudo é toda minha, Que teima em procurar amor perfeito, Enquanto está vazio, não me deito
Embora esta esperança se avizinha. Velório de ilusões, o que restou, Mostrando em contraponto o que hoje sou... Marcos Loures
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Se eu sirvo de chacota pouco importa, Serenas emoções fazem das suas. As moças que desejo estando nuas Jamais imaginei na minha porta.
A faca sem ter fio já não corta, As honras na verdade não são tuas, Enquanto tu descansas e não suas Desenho a natureza vaga e morta.
Açudes da ilusão secam depressa. A mão se fraturada o peito engessa, Confesso os meus pecados. Mesmo assim
Não quero o teu perdão nem teu sorriso, Só necessito ter algum juízo, Porém sem ser arcanjo ou querubim...
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Se eu sei ou se me perco de repente Esgarço o que já fui e não contive. Aonde se prepara o que não sente É lá que na verdade eu sempre estive.
Na virulência torpe que propagas As chagas todas pagas já faz tempo. As bagas e as baganas seguem vagas As horas se fizeram passatempo.
Do feito sem feitio e sem modelo Apenas reviver o que sabê-lo No gelo que enxugaste vida afora.
Amigo como é bom poder revê-lo Revelo o que singelo nunca veio, Morena expondo o seio revigora! Marcos Loures
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Se eu rio ou se risoto não me importa A boca não mais morde quem acode Depois de ter aberto peito e porta Situação periga e vai dar bode...
Serpente tanto em bote quando aborta Depois do reboliço de um pagode A moura dos meus sonhos anda torta Comigo, se enveneno ninguém pode.
Melancolia e cólica não quero, Decifro cada folha do açafrão. Com fome sem juízo e com esmero
Nos mares que pescara, quero mero Mas nada disso muda a sensação De ter em nosso amor, apenas mero... Marcos Loures
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Se eu quero o que não teimo, eu não consigo Se eu teimo o que não quero, o que será? Vivendo toda forma de perigo Não sei aonde a vida chegará.
O beijo da pantera diz abrigo? O que mais necessito desde já Mudando o meu discurso tão antigo Quem sabe meu amor capotará?
Não quero tão somente um holocausto Nem mesmo algum banquete lauto, fausto, Eu sei que não mereço o sortilégio
De ter uma mentira como mote, Por mais que uma esperança ainda bote Amar não significa privilégio... Marcos Loures
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Se eu pudesse, ao luar, cantar teu nome, Te dando assim um doce, ardente beijo. Sentindo a maciez que nos consome Vibrando meu amor, nosso desejo...
Erguer os meus castelos mais festivos, Dançando de alegria, me embriago. Momentos de carinho, sempre vivos, Em meio a tantas ondas, tanto afago.
Beber de tua boca a fantasia, Sorver de teus desejos lindo sol. Incendiando o mundo de alegria, Buscando te encontrar, qual girassol...
Um helianto tonto de prazer, Procura a claridade p’ra viver...
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Se eu perco o bonde e digo outro bom dia A quem tão bendizia e não benzera O berro da bezerra já sabia Do leite que nas tetas não espera
Tentando a tentação que não tivera Teimando, pois é tanta teimosia, A boca desbocada beberia Bandeira desfraldada é dada à fera.
Jazigo de poeta é poesia Portanto não concebo estrebaria Esbarraria sempre no meu erro.
Se a gente vai contente e atenta o tema Sou próximo; o profético problema Esbarra na burrice que ora berro...
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Se eu peco ou se, sapeca ela me nega Repito a mesma velha ladainha Não quero que você seja mais minha Enquanto em outro mar ela navega.
Meu verso, disso eu sei, é mesmo brega, Porém o meu amor diz o que tinha O coração em lágrimas se aninha E a cola dos meus lábios não tem pega.
Meu sentimento morre, tão chinfrim, O telefone esquece e sem um trim A noite vai passando sempre assim.
Beleza que encontrei? Longe de mim. Sem água já desanda o meu jardim, O chifre foi apenas o estopim... Marcos Loures
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Se eu peco ou se sapeco um pescoção Atalhos percorridos não me impedem Enquanto as maravilhas se concedem Encontro em teu amor, pura ilusão.
O verso necessita de um refrão Distâncias desiguais jamais se medem. As pernas e os desejos que se enredem Provocam novamente um turbilhão.
Se eu tento ou se, detento, não consigo, Prenunciando assim qualquer perigo O beijo não serviu sequer de abrigo.
O amor diz do poema mais antigo, Unindo nossos corpos, mesmo umbigo, No fundo, meu amor, eu já nem ligo... Marcos Loures
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Se eu peco ou se sapeco nada esterco E vivo este momento por viver. No gozo da morena se me perco Encontro depois disso o bel prazer.
De tantas falsidades eu me acerco E morro a cada instante sem saber Que a dor já vem fechando assim, o cerco Depois não tenho nada pra dizer.
As garras da menina em minha pele Marcando tanta vez amor repele, Assíduas ilusões fazendo a festa.
Devoro a tua boca pouco a pouco, Reclamo se no fim, ficando louco Apenas poesia é o que me resta... Marcos Loures
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Se eu nada poderia, o que fazer? Seguir o meu destino, simplesmente Por mais que a gente lute, ou mesmo tente, A vida não se dá sem ter prazer.
Nas praças, nas calçadas, posso ver A multidão caminha inutilmente, Trazendo uma esperança tão somente De um tempo, em belo amanhecer.
Apenas passageiro da ilusão, O sonho que eu buscava sempre em vão, Observo que cada alma vai sem rumo.
Amores e negócios, filhos, crias... Sentimentos sem nexo ou serventias, Tomando desta fruta todo o sumo... Marcos Loures
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Se eu me completo em ti por que partir? Jamais seguimos rumos paralelos, Somos, por certo, pares, dois alelos Numa incessante busca do porvir.
Das almas gemelares; posso ver Sem sombras, os destinos já traçados, E assim, seguimos juntos, mesmos Fados Atados num só sonho, único ser.
Tu conheces de cor, cada vontade Assim como eu conheço tudo em ti, Aos poucos, este dom; reconheci.
Por mais que procuremos liberdade Nós somos mais felizes desta forma, Sem medos, sem limites regra ou norma...
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Se eu gago ou se sou fanho, enfronho sonhos, E trago o que não ganho no final, Afago o que restou no meu bornal, Alago o coração, versos risonhos.
De tantos testemunhos, o milagre, Servindo para a caixa do pastor, A boca desdentada de um amor Decerto leva a vida pro vinagre.
Não sou bagre nem mesmo lambari, Apenas um cascudo sem destino, Amar é ter ferrões feito um mandi.
No quase se quasar não quis pulsar, O sol nascendo tarde, mas a pino, Mormaço também sabe bronzear... Marcos Loures
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Se eu fosse uma andorinha Iria procurar Beijar tua boquinha Gostosa de provar.
Serias toda minha, Jamais irei deixar Estou aqui, Aninha Sozinho a te esperar.
Menina, eu te desejo Não nego esta verdade. Da boca quero o beijo,
Matando esta vontade Amor estou aqui, Ó flor, sou colibri... Marcos Loures
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Se eu fosse um passarinho, meu amor, Iria da janela; te dizer, Faz tempo que deixei de ser cantor, A dor já fez morada no meu ser. Nas mudas destas penas, sofredor, Querendo só poder ter teu querer, Vivendo tão sozinho, um sonhador, Procura no teu ninho o meu prazer. E te veria, amor, todos os dias, Se um passarinho fosse, minha amada, Meu mundo se encheria de alegrias. Porém uma esperança em mim nasceu, Abriste essa janela assim fechada. Quem sabe esse teu ninho será meu?
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Se eu fosse essa serpente assim sedenta, Que toca no teu corpo invade tocas; Vivendo essa paixão tão violenta, Caçando meus caminhos, tantas locas.
Virias com delírios ou rancores, Saberias vontades de te ter. Explodirias tantos estertores, Cevando nossa vida em teu prazer.
Enrosco minhas pernas, tuas coxas; Nos olhos revirados, flamejantes. As marcas das mordidas, rubras, roxas, Nas ânsias, nos carinhos latejantes...
E a serpe louca e quase sem juízo, Por certo levaria ao paraíso...
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Se eu fiz parte com o Demo O problema é todo o meu, Se nem Satanás eu temo, Tendo o coração ateu
Num carinho bom eu gemo, A vergonha se perdeu, E a morena logo espremo O suquinho é todo meu.
Só te peço ter cuidado, Sou um cabra bem safado, Recolhido na sarjeta,
Mas não quero ser chifrudo, Morena venha com tudo, Para os braços do Capeta!
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Se eu fico ou se não fixo, sigo em frente Repastos encontrando noutros pratos. Rescindo com certeza estes contratos Resíduos que inda trago em minha mente.
Nefasta e tão irônica serpente, Momentos que pensei te fossem gratos, Apenas amarelam os retratos Que guardo enquanto a vida não desmente.
Olhando pelas gretas das janelas, Nesta nudez sublime que revelas, As marcas do que fomos, e perdi...
Depois de tanto tempo em temporal, A barca da esperança bem ou mal, Esgueira-se no quarto e chega a ti... Marcos Loures
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Se eu fico imaginando alguma frase Que possa traduzir com maestria Este amor sem igual que assim nos guia E encara sem temor diversa fase
Sentir tal emoção, tremer na base, Sabendo desfrutar no dia a dia Do vento que me move e me arrepia Até que a realidade nos descase.
Pegando uma carona nesta estrela Eu sei que qualquer hora vou revê-la E mesmo que tardia, irá trazer
Alento ao velho estúpido poeta Que tendo a fantasia como meta Encontra no vazio algum prazer...
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Se eu fico e não me explico perco o barco E azar de quem ficou solto sem vela, O amor que tanto quis se fez tão parco Não tendo quem me leve, o nada sela.
Apalpo os meus cadáveres retintos, E vejo este infinito refletido Aonde imaginara agora extintos Nas mãos deste vazio já me acido.
E amanhecido gozo não permite Que ainda permaneça sem feridas, Enquanto vou beirando o meu limite, Esgueiro pelas pálidas ermidas
Das velhas paliçadas quando ergueste, Apenas o vazio que me deste...
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Se eu fico e não me explico estou ferrado. A moça não endossa a solução Daquele que se deu em tentação Deixando o sentimento assim de lado.
Às vezes mal disfarço e de bom grado Espalho novamente cada grão, A seca vai tomando o meu sertão O resto? Simples cena do passado.
Bendigo cada noite solitária, Mas sei que esta emoção é necessária, No fundo não sou nada sem você
Procuro meus fantasmas pela sala, A voz de uma saudade não se cala, Aguardo uma resposta, mas cadê? Marcos Loures
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Se eu falo deste sonho e nada mais Parece que isto foi há tanto tempo, Enquanto o teu cabelo embaraçais Nas algas dos meus gozos, contratempo.
Contrapartidas vejo em cada afeto Embora sigas sempre tão sisuda. Se em ti, por vezes tento e me completo Saudade do que fomos não ajuda.
Jangadas atravessam oceanos? Decerto o meu caminho quer um porto. O amor mostrando medos, desenganos Sonega cada foto que recorto
Deixando este fantasma aqui rondando, Saudade diz do sonho desabando... Marcos Loures
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Se eu falo da saudade que não tenho Do amor que na verdade não valeu, Palavra que te dou em falso empenho Não diz do que passou e já morreu.
Se às vezes quase triste, eu fecho o cenho, Não mostro com certeza quem sou eu, Já não me importarei nem de onde venho, Saudade há tanto me esqueceu.
Encare a realidade. Mesmo dura, Melhor do que comprar uma ilusão, O que vivemos, simples aventura,
Amar e ser feliz? Pura balela, Semente se abortou em frio chão, Corcel das emoções, perdeu a sela... Marcos Loures
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Se eu faço o que desfaço nada traço Emendo o que não sei com maestria; A mão vai destruindo a poesia E mesmo assim eu sigo ereto, o passo.
Não tendo qualquer forma de compasso, Eu peço a proteção ao velho guia, Cadáver que se fez em caquexia Permite que eu não tenha um embaraço
Fingindo ser demais o muito pouco Não quero que me mostres nem tampouco Clareie com verdades este sol.
O filho modernista de Camões, Aflora em versos tortos aos milhões, O neto do soneto é o besteirol? Marcos Loures
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Se eu faço do soneto brincadeira Querendo ser mais simples nos meus versos, Talvez por ter amor como bandeira Juntando mil dizeres tão dispersos.
Na inspiração vou dando uma rasteira Sabendo dos seus botes tão perversos, Quando ao correr da pena vai ligeira, Recolho os cacarecos mais diversos.
Um bêbado coleta cada trago E neles vou fazendo algum afago, Só sei que no final, vira poema.
O amor da poesia, um esqueleto, Nos braços do vazio eu me arremeto Girando sobre o mesmo e velho tema... Marcos Loures
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Se eu dou uma bicuda no lirismo E chuto o baldo, rasgo a fantasia, O amor que falsamente me queria, Agora vem falar de revanchismo.
Se eu falo de carinho, um cataclismo, Procuro decifrar filosofia, Que enquanto me sonega a fantasia Reclama e diz: não tenho romantismo.
Porém quando romântico sou brega, O vinho se avinagra nesta adega E o amor vai pelo ralo, rio abaixo.
Não tendo mais caminho ou direção, O beijo não demonstra uma intenção, O fogo se apagou, mas quer o facho... Marcos Loures
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Se eu der um bico, agora, na saudade Meu verso não terá mais um motivo, Da vida que não deu motricidade Eu bebo cada gota e disso vivo.
Nas praxes costumeiras, liberdade É tudo o que desejo e não me privo. Se amor não me trouxer felicidade Irei pelas calçadas, sou esquivo.
Só posso agradecer ao Deus supremo, O leme deste barco, quatro filhos. Por mais que rompam velas, tombadilhos,
As tempestades morrem. Nada temo Colhendo em cada porto, uma bonança Jamais desperdiçando esta esperança... Marcos Loures
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Se eu deixo de pensar na voz amável Que há tempos me dizia deste amor. A noite se anuncia após sol-pôr Na fúria de um vazio interminável..
Um campo que pensara cultivável Se perde pelas mãos do lavrador, Que embora se entregasse à rara flor Não soube te cevar. Sou execrável!
Atento aos meus enganos, eu te juro Que tendo em mãos o que procuro Serei de certa forma, cuidadoso...
Porém a tua face transtornada Responde: no final não terás nada, Somente um mar longínquo, tenebroso... Marcos Loures
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Se eu deito meu cansaço em teu regaço, No abraço que me dás, a redenção. Pois, mais perto do teu, meu coração, Se encontra, no calor do nosso abraço.
Eu sei que a solidão num vil andaço Derruba em temporais, o barracão, E a boca escancarada da paixão Causando no final, dor e embaraço.
Rechaço os velhos temas e liberto O peito amargurado de um poeta, Um dia simplesmente quis asceta
E agora segue em rumo tão diverso. Orgástica manhã trazendo a festa, O amor da meretriz, o que me resta...
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Se eu brigo e não te abrigo não me obrigue A ter o que querias como veste. Por mais que da verdade eu me desligue O tempo em podridão já se reveste.
Se todo o descaminho não me leva À casa dos meus sonhos, Eldorado, Da noite que se faz em plena treva Eu vejo refletido o meu passado.
Perímetros, quadrados e triângulos Esquadros e compassos, nada além Da vida que se vendo em vários ângulos
Desmente cada passo que inda possa Fazer sem perceber que a morte vem E gargalhando, acinte vira troça...
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Se eu bêbado bebia cada gota Da boca que é saveiro enquanto porto Às vezes se o prazer demais esgota Sem cota quero agora ficar morto.
A porta quando esconde algum mistério Em vãos já se demonstra mais arguta, Ao passo que viver é caso sério Nem mesmo algum silêncio inda me escuta.
Teclando cada letra sou apenas Aquele que se fez revés insosso, Não largo enquanto pulo em teu pescoço
Mereço ter no fim as duras penas Enceto uma palavra, e sou inseto Aquele que se fez em sonho incerto... Marcos Loures
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Se eu ando assim cambota pesa o peito De tanto que carrego dentro em mim. O amor que sei decerto não tem fim, Mas vivo, na verdade satisfeito.
Se eu tento ou se eu atento não tem jeito Coleto cada rosa de onde eu vim Até que a morte chegue e trague enfim Descanso pra quem faz do amor seu eito.
As marcas, cicatrizes, tatuagens Traduzem descaminhos e paisagens Viagens deste insano sonhador
Que sabe desfrutar das estalagens Bebendo mansamente tais aragens, Um velho repentista, um cantador...
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Se esvaecendo o fumo altivo de minha alma, Nesta alquimia louca, ardência me consome... Sozinho procurando a seletiva calma A noite que sonhava, espreita mata e some...
Convulsa tempestade espectro de meu trauma, A morte, cavernosa, a carne podre come... Não resta nem a face, a mão estreita, a palma... A luta pela vida: a dor, angústia e fome...
Na substância fatal, rasgando horrendo cerne, Aterradora noite: amantes demoníacos... O pouco que me resta, enfim não me concerne.
Orgástico fantasma explode de prazer, O cheiro de tal morte, os ossos meus, ilíacos, Na dança derradeira, angústia de viver... Marcos Loures
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Se estás tão solitário Em meio a tempestades, De um mundo temerário, Tantas adversidades, Um sentimento vário Demonstra as qualidades
Que um homem deve ter, Seguido esta viagem, Distante do prazer Sem ter sequer miragem, Nunca pode perder, Por certo essa coragem
Que é tudo o que nos resta, Na luta que se empresta... Marcos Loures
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Se essas ruas fossem minhas Eu mandava ladrilhar Com brilhantes, mil pedrinhas Pra poder te namorar.
No meu peito quando aninhas Logo vens me conquistar, Queimando as ervas daninhas, Fazes tanta flor brotar.
Eu sou teu, jamais neguei, Minha moça tão bonita, Amar passou a ser lei,
Quando o coração se agita, Em teus braços mergulhei, Meu tesouro, uma pepita... Marcos Loures
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Se esperava um cantar mais macio, Não te posso falar, pois bem sei, Quanto tempo desejo teu cio Neste vício que já virou lei.
Quero o gosto da boca sedenta Mordiscando meus lábios sem dó. Quero amor que quase me arrebenta Sem segredos, não deixe-me só.
Quero afeto divino e seguro De quem sabe, sem medo, o que faz. Um destino que fora mais duro, Nos teus braços encontra-se em paz.
Meu cantar é de tantos desejos Revirar o teu corpo em mil beijos!
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Se esperança de amor se faz perdida Em versos mais singelos te direi. Encontro em teus braços a saída Do mundo que, disperso, nunca sei.
Volteio tantas vezes sem coragem Recebo o forte vento da saudade. Falar amor nunca é falar bobagem, Amor sempre reflete claridade.
É fogo que me queima e não percebo É gozo que persigo sem descanso. De amores, farto amor quando recebo, No fundo, em tempestades, vive manso.
Remanso que se encontra no tufão, Quem quer do amor calor, vira vulcão.
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Se entanto eu não consigo decifrar Sequer os meus segredos quanto mais, Vencer os pesadelos, temporais E ter nos braços teus onde aportar.
Avesso às maravilhas deste mar Ancoro em fluvial distante cais, O vento que roçando os meus umbrais Transporta nos seus braços o luar
De quem se faz canora fantasia, Fantasmas dos meus erros se acumulam, E os versos que me mandas estimulam,
Porém realidade propicia O tombo em que me aderno, tolo e frágil... Perdoe se carrego em mim, naufrágio... Marcos Loures
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Se enfim recomeçarmos sem ter medo Talvez nós poderemos descobrir Da vida, o dom maior, este segredo Que possa a caminhada permitir. O amor que se perdeu, desfaz o enredo E mata o que decerto inda há de vir.
Eu tento procurar outra saída Do imenso labirinto/solidão. E mesmo que a tristeza ainda agrida, Encontro nos Teus braços, solução... Estrada há tanto tempo dividida Ermida de esperança, uma ilusão...
Tua presença amiga e companheira, Do Amor e do Perdão, leme e bandeira... Marcos Loures
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Se encurtas o caminho com carícias Vicias quem venceste com sorrisos. Os toques mais moleques e precisos Sem siso vão em busca de delícias.
Não quero nem saber de outras notícias A noite vem sem tramas ou avisos. Estilos diferentes, mas concisos No fundo o que conquista são malícias.
À vista é mais barato, tem desconto, Eu falo deste amor que nem te conto É tudo o que desejo e muito mais.
Versando sem conversa verso ou rima, O amor que a gente sonha sempre prima Por ter momentos loucos, sensuais... Marcos Loures
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Se empaco e não prossigo, a culpa é tua Que finge não querer o que mais quer, Na leve inconseqüência da mulher O coração desaba enquanto atua.
Minha alma que em tua alma se tatua Espanta tudo aquilo que vier Metendo neste amor, minha colher Colhendo vou sentando a minha pua.
E beijo o que desejo mais ardente O fogaréu queimando de repente Repito a refeição e a sobremesa.
Gerando o que jamais esqueceria Embarco nesta nau com alegria Sabendo no final ser tua presa...
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Se embalde tanta dor, inda sorrio A causa da suprema bizarrice É toda esta ilusão que já desdisse Deixando sempre em seca o velho rio.
De todos os poemas angario Um quadro que se mostre em vã tolice. Ofício de poeta, o sonho disse, Viver sem ter remédio? Remedio...
Acaso se vieres noutro dia Talvez possa colher do meu pomar. Quarando o que me resta num varal
Ainda solfejando a fantasia Colheita que se faz mais devagar Permite um resultado sem igual...
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Se em branca neve nascem rosas belas Se em árido deserto nascem flores, Amor quando impossível me revelas, Nas horas insensatas, bons humores, Se tramas sentimentos coerentes Mil vezes estarás sem ter sentido. Às vezes nos momentos envolventes Se perde totalmente o concebido. Amor/incoerência se equivalem, Trazendo no non sense uma razão, Tão perto e tão distante não me falem Do manso sentimento em supetão. Um coração caótico abrandado, Que renasce ao morrer apaixonado...
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