
MEUS SONETOS VOLUME 144
Data 04/01/2011 10:29:04 | Tópico: Sonetos
| 1
Sabendo que encontrei paz, temperança Derramo farto amor em nossa mesa Tomado pelo vento da esperança Bebendo amargo vinho da tristeza,
A voz de quem desejo já me alcança Realça ao pôr do sol, sua beleza. Quem sabe nosso amor, nossa aliança Ainda venha à noite em sobremesa...
Não fale mais, amor, na despedida. Amor vai redimir a nossa vida! Tornando esta alegria farta e plena.
O amor que nos transforma em um segundo Tomando na bonança todo o mundo Expressa uma palavra mais amena. Marcos Loures
2
Sabendo que em teus braços, sorte abriga; Pretendo caminhar sempre contigo, Vislumbro uma alegria tão amiga No rumo em que sem medo, vou, prossigo.
Ternura desejada e tão antiga Protege contra o mal, cessa o perigo, Da vida, uma amizade é como a viga Na qual fica mais forte um bom abrigo.
Sabendo que por vezes, sofri tanto, Tu trazes com certeza em teu encanto, Palavras que consolam, verdadeiras.
Eu tenho, pois assim, todo momento Um laço que se fez em sentimento, Erguendo para sempre estas bandeiras...
3
Sabendo que ao final, nada terei, Ainda este andarilho, segue tolo, Na serra dos meus sonhos, quero o colo, Porém no imenso abismo mergulhei.
E tendo uma ilusão, quem fora rei Deitado sobre o duro e amargo solo Encontra nos teus olhos, frio dolo Matando o que deveras cultivei.
Ferido pelas setas da paixão, Cupido preparara esta armadilha. Enquanto tão distante, a lua brilha,
Apenas encontrei a escuridão. Nos dedos engelhados se esvaindo O amor que imaginara raro e lindo...
4
Sabendo quanto é bom, decerto, amar Eu quero ter o gozo feito em glória, Mudando novamente a minha história Eu singro uma esperança com vagar.
Nas ondas que eu pretendo navegar Esqueço do que fui, simples escória. Amor virá pagando a promissória Depois de tantos olhos a mirar.
As farpas que trocamos, corte fundo, A bêbada esperança deste mundo No canto em que me encanto, o mais perfeito.
Os ossos fraturados dos meus sonhos, Em meio a risos francos e medonhos, Vivendo plenamente satisfeito. Marcos Loures
5
Sabendo o quanto em mim, iluminaste Deixando uma saudade sem ter rumo, A vida se passando em um contraste Permite que se beba todo o sumo Negando toda forma de desgaste, Amor que tanto quero, eu sempre assumo.
Querências e vontades espalhadas Toando melodias divinais. Adentram serenatas, madrugadas, Em jogos que desejo, sensuais. As mãos quando em carícia entrelaçadas, Expressam cantorias magistrais
Eu quero ser apenas passageiro Do sonho que se mostra por inteiro. Marcos Loures
6
Sabendo dos espinhos, ganho as flores, Recebendo os aromas sigo em frente. Enquanto a solidão não atormente Trazendo os seus tenazes estertores
Estendo em nossas mãos fartos louvores No sonho que se faz freqüentemente Que os dias não se cansem de repente Deixando amanhecer com seus alvores.
Não posso conceber estrada vã Nem mesmo uma palavra que malsã Possa nos machucar. Esteja certa
Que todo bem da vida se confessa Nos olhos de quem sabe da promessa Enquanto esta alegria nos desperta... Marcos Loures
7
Sabendo do que somos, não mais temo O quanto não pudemos ser felizes. Não tremo mais perante teus deslizes, Amor é bicho insano, mas supremo.
Cabelo desgrenhado traz o remo Depois das noites vagas, onde dizes Intimidades querem que tu bises E assim depois de tudo, amor eu gemo.
Nas gemas de teu corpo, lapidadas, Nas tramas mais audazes e safadas, Os rodopios tantos, todos meus,
À parte do que temos, vamos fundo, Amor faz coração ser vagabundo E os olhos mais sacanas, são ateus...
8
Sabendo destruir qualquer abrigo Encaminhei meus sonhos e perdi. Lavoura dos meus dias seca o trigo E o vento que me embala eu sinto aqui.
Por vezes caminhar, já não consigo E tento vasculhar o que vivi. Andores que quebrei vento e perigo Invento o que desejo e sei de ti.
Mas nada do que entranho vale à pena Apenas os resíduos dos escombros A faca penetrando entre meus ombros
Mudando no final a mesma cena. Fagulhas incendeiam cada peça, No coração saudade inda tropeça. Marcos Loures
9
Sabendo da colheita prometida, Eu mostro as minhas mãos sempre vazias, Promessa tantas vezes esquecida Estende suas dores e agonias.
Durante tanto tempo amargo sonho Calando a nossa voz, negando a paz. O monstro soerguido, vil medonho, Mostrando o quanto pode ser capaz.
Capachos desta insânia; perseguimos As falsas impressões em lumes frágeis. Na manta das mentiras nos cobrimos, Os inimigos sempre são mais ágeis.
Quem sabe se lutarmos... Mas esqueça, Amortalhado amor, pregando peça...
10
Sabendo deste amor que também trago E falo em cada verso que dedico, Dizendo tão somente que aqui fico Na busca por carinho e por afago.
Bebendo a calmaria deste lago, Não falo, nem pergunto e nem explico, Um sentimento nobre, faz bem rico Aquele que recebe o gesto mago.
Contigo num convívio mais sereno Compartilhando sempre da emoção De termos um futuro que se faça
Em doce sensação de ser tão pleno Amor que se mistura em tentação Deixando toda a dor virar fumaça... Marcos Loures
11
Sabendo desde já, não terei nada Em fingimento esboço reações. Nos trâmites comuns, as negações Não sabem provocar nem enxurrada.
A boca que se fez bem mais beijada Agora vai beijando as ilusões, Calvário sepulcral das emoções Cotidianamente o tempo enfada.
A fantasia dorme no porão O tempo naufragou a embarcação. Da forte ventania? Sequer brisa.
Olhando a nossa vida cara a cara A solidão a dois já se escancara A morte sorrateira vem e avisa... Marcos Loures
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Sabendo decifrar os teus sinais Não temo mais procelas nem tempestas, Do quanto eu necessito e quero mais Delícias deslumbrantes tu emprestas
Depois de tanta busca, quase ao léu, Entre ilhas tão distantes, mil atóis, Amor como um sublime e belo ilhéu Derrama sobre nós divinos sóis.
O encanto que este sonho determina Permite um caminhar bem mais suave Na boca delicada da menina Moldura que se mostra sem entrave
Um riso mais gostoso e tão amável, Tesouro de valor inestimável. Marcos Loures
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Sabemos desfrutar deste tesão Que tantas vezes causa alguma inveja Dois seres encontrando a direção Que o coração sem nexo sempre almeja
Enquanto o dia-a-dia nos despeja Do gozo percebido, uma união Que em força insuperável se preveja O cais quer do navio, atracação...
Molejo tão gostoso vai e vem Encaixes que perfeitos, paraisam... Nem sei se existe mundo, perco o trem
Mas quero este derrame prazeroso, Que enquanto estrelas belas se divisam Espalha em nossa cama, farto gozo...
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Sabemos da alegria, os fartos méis Que tanto procuramos vida afora Por isso galopando estes corcéis Penetro em esperança desde agora.
Teu corpo, um delicado ancoradouro Permite que se pense eternidade, No amor que se faz lume duradouro Encontro a mais sublime claridade.
Deitando nos teus braços, cachoeiras, Cascatas, corredeiras da emoção. Desfraldo num momento estas bandeiras No teu corpo encontrei atracação.
Mensagens recebidas traduzindo Um canto que se dá, maior e lindo...
15
Sabe que esta riqueza é mais certeira Quem vive sem trazer o seu passado Às costas, velho peso que assim atado Impede uma manhã mais altaneira.
Por mais que ainda enfrente a cordilheira O gozo de um momento desfraldado Nos olhos de um poeta enamorado, A luz de uma esperança derradeira.
Seria muito fácil ser feliz Se a gente não quisesse muito além Do quanto o coração mais simples diz,
Despido de desejos e ambições Quem sabe valorar o bem que tem Encontra a paz além de vãos cifrões...
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Sá dona, me arresponde por favô Aonde a gente póde tê descanso, O coração se agita e dispois manso Bateno em disparada, tanto amô.
Seu corpo tem o chêro da fulô Nas márge desse rio, quano danso Estrelas lá do cé, os passo tranço Viveno sem tê medo ou dissabô.
Chegano devagá, bem de mansinho, Posano como fosse um cutelinho Bêjano essa muié maraviosa.
Merancuria dêxo ansim, de lado, No fogo dos seus ói, vévo quemado Arranco esses espim e chêro a rosa... Marcos Loures
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Santuário divino, sensual. Seu sal, meu sal, sentidos, languidez; Destino-me em querer, consensual, Insano, sou servil, sem lucidez.
Delitos cometidos, comensais. Começo, recomeço, sempre vício. No doce precipício amaros sais Salgando nossos mares, desde o início.
Campeio no profano santuário, Vertendo totalmente essas enchentes Que morrem com as tuas, no estuário Das águas sempre mornas, quase quentes.
Vencido pela noite, nossa prece, Já quer recomeçar, corpo obedece...
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Saúdo uma saudade como ao sal Tempero inestimável, com certeza. Trazendo o seu sabor garante à mesa O amor como um sublime ritual.
Independendo sempre do seu grau Lembrança mostra o quanto se embeleza A fantasia em tal delicadeza, Guardados com carinho no embornal.
As roupas no varal, o vento frio, A lua no quintal, o cheiro doce, Parece, meu amor como se fosse
Não terminar jamais o terno estio. Por mais que o dia-a-dia nos remoce Futuro segue preso num pavio... Marcos Loures
19
Saúdo esta saudade que também Acerca-me em acordes e canções. Distante das saúvas d’ilusões Os ventos venturos vagam, vêm.
Bebendo desta boca de meu bem, Usando em estribilho meu bordões Abordas com benesses tais sertões Aporto o meu passado e vejo alguém
Aquém do que talvez não fosse mais, O barco se fadara a tal naufrágio. Porém amor pagando este pedágio
Aprende a ver ao fim um novo cais, E mesmo numa movediça areia Transfundo nossos sangues, mesma veia..
20
Saúdo esta saudade que chegando Te traz em plena noite solitária O vento do passado me tomando Imagem delicada, fera e vária.
Estás dentro de mim e desde quando Tu foste para a terra imaginária Do sonho mais temível, frágil, brando Tornando cada imagem necessária.
Sou teu e embora estás tão longe assim, Saudade reflorindo o meu jardim Permite que hoje eu sinta o teu perfume.
Do sol que nascerá, em cada brilho, Vislumbro a maravilha feita em trilho, Na qual cada tristeza, amor exume... Marcos Loures
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Saudando as minhas dívidas divido O tempo entre saudade e bem querer. Urgente vendaval traz em gemido O risco tão gostoso de correr.
Amor quando em saudades é relido Por vezes transbordando faz sofrer O beijo que te dei, não esquecido Nos lábios inda dizem do prazer.
Vem logo que a lembrança não se cansa De ter uma esperança, dança e riso. O verso que em saudades nos alcança
Ao mesmo tempo diz do paraíso Enquanto num inferno traz a vida, A sensação de eterna despedida... Marcos Loures
22
Meus últimos momentos, com certeza Trarão cada sorriso que me deste, Sentindo o forte vento do Nordeste, Ouvindo a bela voz de Fortaleza.
Teu verso tem um quê feito em nobreza, Enquanto o meu cantar amargo e agreste, E ao agradeço a Deus porque vieste; Minha alma ao te sentir, fica indefesa
E sabe que tu tens raro talento. Teu canto para mim, é como um ungüento Que ajuda a dirimir a dor imensa
De quem teve mil sonhos e os perdeu, E agora quando imerso em farto breu, Escutar o teu canto é recompensa...
23
Saudades que eu herdei de Portugal, Nos pesadelos tristes, tão medonhos... A sorte que carrego no embornal, Traduz-se fragilmente nos meus sonhos...
Nos mares que navegas, perco o sal, O sal da terra, brilhos tão tristonhos... Amásio da saudade, um ser carnal, A se despetalar, perfis bisonhos...
Crateras esmiúço procurando Um rastro que me leve ao deus Plutão... O tempo vai passando, devorando
Meu reino coroado, qual Creonte, Perdido... Não concebo teu perdão. O tempo se nublando no horizonte... Marcos Loures
24
Saudades que carrego pela vida Pesando o coração – eu vou capenga. Da infância que perdi, já tão querida, Das lutas e derrotas, tanta arenga.
Do gostoso das frutas no pomar Café pela manhã, broa e quintal. Do sonho adolescente a me tomar, Do amor que veio louco e passional.
Saudades de quem fui e não voltei Do tempo que passou e ludibria. Da boca carmesim, que não beijei Da lua se espalhando em fantasia...
Saudades, tantas são que nem me conte... Cada vez mais nuvens no horizonte... Marcos Loures
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Saudades eu senti de teu perfume, No fogo do desejo me consumo. Ausência de teus lábios, sem o lume A noite se perdeu; também meu rumo.
Andando giramundo, um vaga-lume Buscando os rastros claros, perco o prumo Nem mesmo a lua cheia ouve o queixume Sem ter tua presença, esvaio em fumo.
Do teu jardim recebo agora a flor Que em sutilezas mostra quanto é bela A sensação perfeita deste amor
Que toma a minha vida e me faz ágil. Eu saberei cuidar da rosa-estrela, Sublime, iluminada e sei tão frágil... Marcos Loures
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Saudades entranhando cada verso Que faço na procura que não cessa Roçando em nossa pele esta promessa De um dia tão complexo e mais diverso
Não quero seguir sempre assim disperso, Ausente de teu braço, amor confessa Além do que pensara e que se expressa Ganhando em maravilha, este universo
Vontade de beijar a tua boca, A lua sem teu brilho se desloca Vagando sem destino pelos céus.
Na doce fortaleza, teus carinhos Encontro o que sonhara: bons caminhos Cobrindo nosso corpo, belos véus. Marcos Loures
27
Saudades do que fui, tempo querido, Que morre em todo dia até o final; Retrato no meu peito envelhecido, Até chegar o abraço que é fatal
Daquela que em verdade já tem sido Uma presença próxima. O sinal Do fim já pode ser reconhecido; Quem sabe encontrarei paz, afinal.
Saudades do que nunca tive, enfim, Estranhas sensações de aborto e morte, Guardando a triste ausência dentro em mim,
Aprofundando o vago e velho corte, Do nada que criei e que perdi, Saudades do que nunca conheci..
Marcos Loures
28
Saudades do que fui e se perdeu Na extensa caminhada pela vida. O quanto que inda resta, sendo meu, Transcende a própria história concebida
O rio noutras fozes se verteu, Sem ter mais direção busca a saída, Porém o sonho nunca esmoreceu Tentando refazer cada partida
Que possa traduzir-se em luz. Quem sabe... Bem antes que esperança já se acabe Encontro no passado a força imensa
Moldando com ternura, amor e garra Rompendo sem limites, cada amarra Promessa de alegria em recompensa...
Marcos Loures
29
Saudades do que fui e já perdemos, Nas curvas do caminho. Bem fechadas, Meu barco naufragou, sem ter os remos, As horas que se foram; as guinadas.
No meio destas pedras, urze, espinho, A sorte foi maldita e me deixou, Depois de tantos sonhos, vou sozinho E quase nada amiga, aqui restou.
Somente uma vontade de chorar, Deixar correr em lágrimas a dor. Embora este vazio, vou buscar As sombras do que fora, um dia, amor.
Mas trago uma quimera no meu peito, Saudade, me tornando contrafeito...
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Saudades do que fui... Ah! Quem me dera Poder não me lembrar deste rosal Que morto já levou a primavera Deixando este vazio sem igual.
Agora a solidão terrível fera Tomando toda a casa, este quintal As roupas não mais quaram no varal, Lembrança me ferindo, uma quimera...
A sombra passeando pela casa Daquela que se foi pra nunca mais. Relógio devagar, também se atrasa
E a morte já não vem... sofrer demais, Ardendo o coração em fria brasa Eu sei não voltarás – amor – jamais!
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Saudades deste tempo em que a lua Entrando na janela do meu quarto Deitando em minha cama, plena e nua Num plenilúnio raro em amor farto.
Janela escancarada continua Aguarda da esperança um novo parto, Saudade que tão mágica flutua Quando o carinho intenso, enfim reparto
E nada do que fui de novo invade Deixando a sensação de algoz vazio. Meu sonho já se foi, morreu de frio,
Restando tão somente em tempestade Um sonho onde me douro e nada crio Senão um verso triste de saudade... Marcos Loures
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Saudades deste bem que Deus me deu Na chuva, em cada gota uma lembrança Do amor que nos tomou e se escondeu No frio desta tarde. Uma esperança
Se mostra desejosa ao canto teu Que trama eternidade em aliança. Meu coração, querida não é meu, Pertence a quem se deu em louca dança.
Em cada flor que nasce no jardim Mostrando com certeza este canteiro Aguado com o bom que insiste em mim
Dizendo que a saudade que me invade Do amor que sei sincero e companheiro Na volta de quem amo, irá bem tarde...
33
Saudades deste beijo que marcou A minha vida inteira, num momento, O amor que tantas vezes foi lamento Ao ter este sabor se transformou,
Depois de tudo aquilo que passou Minha alma acostumando-se ao tormento. Transforma a tempestade em manso vento E bebe do horizonte que criou.
Nos lábios carmesins, doce desejo, E o sol em plenitude; agora vejo, Trazendo a meu caminho, poesia
Na boca delicada, uma resposta A mesa, com certeza recomposta Explode num banquete em harmonia...
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Saudades deste amor que não vivi. A boca que sonhei, depressa some. Por vezes imagino que esqueci, No fundo preservei, decerto a fome...
Distante estás de mim, te vejo aqui, O brilho dos teus olhos não consome... Palavras sem sentido, eu não te vi. Impedem que meus rumos, eu retome.
Ando preso a carinhos que não vejo. Doidamente procuro por teu colo... Me resta sombreado, este desejo...
Desejo de viver a claridade... Levito, mas meus pés presos ao solo, Não me deixam senão sentir saudade...
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Saudades desta terra que foi minha, Nascido nos rincões do meu Nordeste, Minha alma cabisbaixa vai sozinha, Tristeza que eu carrego é inconteste.
No aboio do meu gado, da vaquinha Lamento de quem, vítima da peste Um sonho, uma esperança ainda tinha Apenas a saudade que isso ateste
Falando no meu peito, que tangido Partiu para jamais poder voltar. Destino entre os espinhos; lacrimejo,
O coração seguindo retorcido, Matando sem ter pena, devagar, Voltar seria um último desejo... Marcos Loures
36
Saudades de teus lábios, das palavras Que calma, dedicavas para mim. Arando em precisão perfeitas lavras, Aguando todo o amor que sei sem fim
Nós somos passageiros deste barco, Atados pelos sonhos e vontades Amor que sinto tanto quando abarco Teus versos em total sinceridade.
Velejo em esperanças por espaços Além deste infinito que prevejo. Alçando com certeza nossos laços, Tu tens a maravilha que eu desejo.
Não quero te perder de forma alguma, Minha alma pros teus braços já se ruma.. Marcos Loures
37
Saudades de teus lábios junto aos meus, Das noites tão fantásticas, delírios. O amor jamais concebe um triste adeus, Ausente de teus braços, vis martírios.
Sentir o teu perfume. Ah! Quem me dera, Vivendo pro viver longe de ti, Inverno anunciando a primavera Trará de novo aquilo que perdi.
Beijar a tua boca, ser teu par Neste caminho imenso pela vida, Vontade de contigo desfrutar Sem ter que sofrer mais, sem despedida.
Aguando este canteiro com ternura, Colhendo a fantasia que nos cura... Marcos Loures
38
Saudades de teus lábios carmesins, Vontade de tocar o teu sorriso. Outrora fui feliz, hoje impreciso Caminho solitário em meus jardins.
Os meios justificam tolos fins? Embora a vida trague tanto aviso, Os erros cometidos, ora biso, Tristezas me consomem, vis chupins
Retratos esquecidos na gaveta, Amareladas, tais lembranças têm A imagem distorcida de um cometa
Que volta e meia invade todo o céu. Agora, tão distante e sem ninguém, Mergulho neste imenso carrossel... Marcos Loures
39
Saudades de te ter bem junto a mim, Ouvindo aquelas velhas melodias, Aonde com carícias me dizias Do amor que imaginei jamais ter fim.
Mergulho no passado e posso ver Teu rosto delicado me sorrindo, O quanto nosso caso foi tão lindo, E agora morre só, Eu custo a crer...
Tentando desvendar aonde errei, Distante da emoção que desejei, Só resta caminhar sem eira ou beira.
Saudade provocando terremoto, Falando deste sonho tão remoto, Acende vez em quando esta fogueira...
40
Saudades de te ter aqui comigo, Sentir a tua boca junto à minha. Às vezes quero crer, mas não consigo Que faço tão distante? O tempo vinha Sem ter tua presença, meu abrigo. Saudade no meu peito quando aninha,
Lembro-me, cada beijo que te dei, Suspiros tão profundos; noites vãs, Por ruas mais escuras eu vaguei Na espera de outros sóis, outras manhãs. Agora finalmente te encontrei As horas não serão jamais malsãs.
E quero que tu saibas disso, amada A vida sem te ter é quase um nada...
41
Saudades de quem trouxe uma esperança A um pobre coração que desandara. Há tempos bem guardado na lembrança Amor que um dia foi-se, jóia rara.
Porém ao perceber que em contradança Um outro amor, em força assim chegara, Pensando já propor uma aliança Na qual a minha vida se antepara.
Quem teve, em dura angústia tal procura, Achando que teria em noite escura Final de tantos sonhos que vivi.
Encontra na metade da batalha Um amor tão perfeito que não falha Somente minha amada, dentro em ti... Marcos Loures
42
Saudades de quem foi pra nunca mais, Deixando esta amargura por legado. Teus olhos, como estrelas sensuais Brilhando eternamente, triste Fado.
Viajo por caminhos abissais Voltando sempre assim ao meu passado, Esperança se tornando um duro cais, Meu barco há tanto tempo naufragado...
Renunciar, talvez, a solução, Porém a ventania da paixão Não deixa que se apague de minha alma
A chama que consome pouco a pouco. Morrendo de saudades, fico louco, Nem mesmo um sonho-amigo já me acalma...
43
Saudades de quem foi e não voltou, Estrela que perdi há tanto tempo. Apenas a tristeza aqui deixou A vida se tornando um contratempo.
A cada noite angústia recomeça E assim já vou perdendo o velho rumo, Quem dera se passasse mais depressa O amargo que me invade e impede o prumo.
Saudade de você, amada amante Que um dia se fez triste solidão, Ao apagar a luz tão deslumbrante Fechou de uma esperança o seu portão
E agora, tão somente resta o canto Vazio em desafino, sem encanto...
44
Saudades de outros tempos, outras eras, Aonde uma esperança tão querida, Ganhava com certeza altas esferas, Em redenção perfeita, plena vida.
A noite depois disso, dolorida, Secando num deserto, as primaveras, Uma alegria aos poucos esquecida, Em dores e tristezas tão severas.
Olhar perdido eu sigo sendo vago, Buscando o teu olhar, longe de mim, Apenas solidão faz seu afago
Mordaz em ironia, trama o fim. Quem dera a placidez de um manso lago, Ou mesmo a morte venha logo, enfim...
45
Saudade, esta abelhuda virulenta Vasculhando as gavetas tudo expõe Passado num segundo recompõe, Depois o coração já nem agüenta
E volta a tempestade violenta Que todo o meu passado logo põe Em cima desta mesa que compõe A fria sobremesa que alimenta
Os medos e temores do futuro. Inferno que carrego e até depuro Transforma-se num céu iridescente.
Cambalhotas de uma alma sonhadora, Saudade, por favor; vá logo embora Preciso ser feliz. É tão urgente...
46
Saudade vem prender respiração E marca com sorrisos velhos sismos Provoca num incréu mil cataclismos Travando a mais total revolução;
Saudade é renegar de novo o não E mergulhar sem asas nos abismos, Saudade é remoer em reumatismos Momentos que se foram. Negação!
Saudade é ser o sal que tanto adoça Espelho desfigura em água, poça. Desabrochando a flor mais temporã.
Saudade é vicejar o já desfeito, Bater retroagindo, o velho peito, Embora muitas vezes, vaga, vã...
47
Saudade vem cobrar a antiga conta Que um dia fiz em noite sem juízo, Chegando sorrateira num sorriso, A algema do passado sempre apronta.
Minha alma se perdendo, velha tonta, Pensara num momento mais preciso, Porém não tendo tudo o que preciso Do que julguei defunto, a noite conta.
Incrível que pareça, me completa A voz da moça morta pelo tempo. Talvez isso só seja um contratempo
Ou mesmo algum delírio de poeta, Mas eis que esta figura se aproxima, E novamente há seca na vidima...
48
Saudade vem chegando e já se entorna Tomando minha casa e coração, É como que o passado que retorna Viesse novamente em sedução.
A vida que se vai e quando torna Transborda em perfeito turbilhão Aquece a tarde fria e quase morna Madorna que passei, ao furacão
Em um momento gira, cata-vento, Noutro momento vem um girassol, Amor virando logo um carrossel,
Não deixa e nem sossega o pensamento, Tomando toda a força em arrebol, Virando tempestade açoda o céu.
49
Saudade vai tomando em fundo corte, Na vastidão da dor que sei imensa, Minha alma em outra coisa já não pensa, Senão na redenção que traz a morte.
Quem dera se eu tivesse quem convença A renovar um sonho que me aporte No cais das esperanças, bem mais forte, Talvez inda pensasse em sorte intensa.
Porém meu canto é sempre de tristeza, A própria morte, eu sinto, me despreza Deixando-me a agonia como herança.
Meu mundo vai disperso e na verdade, Apenas vento frio da saudade, Em noite tão vazia inda me alcança...
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Saudade vai rondando a minha casa, Tocando em cada parte, quarto e sala, Queimando mansamente assim me abrasa, E grita ao mesmo instante em que se cala...
Saudade do que tive e não possuo, Saudado do que fui e já perdi, O tempo se pudesse num recuo Talvez já te trouxesse para aqui.
Mas nada do que tenho faz meu canto Ser mais liberto e alçar eternidade. Aos poucos me tomando o desencanto Não deixa mais pensar em liberdade
Se as asas que eu pensara um dia ter, Morreram tão distantes do querer...
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Saudade vai queimando no meu peito Arromba as coronárias causa infarto. Quem partiu me deixou de qualquer jeito Sozinho sem parede, cama ou quarto.
Rolando nos lençóis, estreito o leito Em quadros tão vazios me reparto. Barulho na janela; eu sempre espreito Não vejo mais ninguém, então descarto
E bebendo outra dose, a mente gira. Ressaca de amanhã já vale a pena? O telefone toca novamente.
Amores! Nem que seja de mentira Quem sabe mudariam toda a cena. Eu te amo! Minto verdadeiramente...
52
Saudade vai pesando no meu peito, Carrego tantas coisas do passado. Resisto, mas de novo esse danado Resolve as coisas todas do seu jeito.
Esquece de quem foi qualquer defeito, Distorce o que vivi. Meio de lado, O andar vai se tornando mais pesado, Acompanhando mesmo quando eu deito.
E assim, ao reviver velhos momentos, Sorrindo em meio a tantos sentimentos, Faz tudo parecer um paraíso.
Saudade, velho espelho sem juízo, Olhando para trás, vive comigo, Parece a redenção feita em castigo...
53
Saudade vai e volta qual cometa, Comenta sem juízo o coração, Retorna sobre nós a mesma seta Que um dia veio em nossa direção.
Das águas que passadas inda movem Moinhos persistentes e venais. Os olhos inda agora se comovem Ao verem maravilhas infernais.
A paz se distancia enquanto chega O vento da saudade em ventania. Por mais que além do cais, lembrança cega Mantém este desmonte da alegria.
Mergulho novamente neste poço, O amor que antes de tudo, foi só nosso...
54
Saudade transbordando no meu peito Causando inundação, faz reboliço, Revive do passado o imenso viço, E deixa o coração mais satisfeito.
Se tudo fosse assim teria um jeito O amor que mergulhou em mar mortiço, Deixando para trás um compromisso, Mas sangra solidão quando me deito.
Por estares tão forte dentro em mim, Jamais me libertei deste destino, Embora por herança o desatino,
Eu quero manter vivo, mesmo assim, O imenso sentimento que em verdade, Agora se transforma na saudade...
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Saudade toma o rumo, a direção Do barco que se fez em tempestade, Vivendo tão somente a negação Quem dera se encontrasse a liberdade
Promessas esquecidas no caminho Já são somente marcas, cicatrizes. Depois de tanto tempo andar sozinho, Esqueço de outras cores ou matizes.
Mosaico de emoções que se desnudam, Expressam o que eu quis e não contive. Por vezes ilusões chegam e ajudam Assim uma esperança sobrevive.
Dementes os meus dias sem ninguém. Apenas a saudade, amarga, vem... Marcos Loures
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Saudade toma conta dos meus versos Enxugo em cada lágrima teus beijos Que andando por carinhos mais diversos Deixaram no meu peito só desejos
De morte e de agonia em triste canto, Mortalha que carrego no meu peito A cada novo sonho, o mesmo pranto, Será que amar ainda é meu direito?
A tarde se aproxima, o dia passa, Mais uma madrugada em desalento. Sorrindo, um velho só, quando disfarça
Parecendo feliz por um momento, Não mostra a quem conhece o que se passa No peito feito em dor e sofrimento...
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Saudade sorrateira chega mansa Aos poucos já domina toda a cena, A vida que eu pensara doce e plena Ressurge a cada toque da lembrança.
Enquanto o tempo passa e a tarde avança E a noite se aproxima mais amena, Recordação ao longe vem e acena Trazendo aos temporais; clara bonança...
Beijar teu corpo nu, beleza imensa, E ter o teu prazer por recompensa, É tudo o que mais quero, não duvide...
Retorne, eu tanto peço, venha logo, Distante dos teus lábios eu me afogo No mar da solidão que tanto agride...
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Saudade sentinela que não falha Não deixa de fiar a sua teia. A vida que passava se avacalha A dor que nunca deixa minha veia..
O gosto mais feroz dessa batalha, Espero traduzir nessa sereia. A lua não me prende em sua malha, Mesmo quando renasce lua cheia...
Boca que tanto cospe não me abriga, O vento que passava não refresca. Quem gosta de polêmica e de briga,
Se abriga nas palavras que não sente. A flor de tal mentira gigantesca. Morrendo cedo, já nasceu doente... Marcos Loures
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Saudade se maltrata, já vicia De um vício delicado embora fero, Trazendo o que eu vivera em outro dia, Nos olhos da saudade sempre espero
Momento que se foi pra nunca mais Renasce em virulência inigualável, No quanto muitas vezes maltratais Agora com perfume mais amável.
Por vezes o meu verso segue fútil, Falando do que tive e não retive. Do todo que se fez agora inútil, Ainda algum resquício sobrevive.
Lembrando desta foto na gaveta, Saudade vai e volta qual cometa...
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Saudade se derrama aos borbotões Vontade de ficar... o tempo passa... O sonho se perdendo na fumaça, Oculta estrelas, muda as direções...
Tomado por ingênuas ilusões Somente restará nuvem que embaça O coração entregue a tanta traça Não traça nem sequer as soluções.
Não peço mais perdão. Prossigo só, Pretendo renascer do mesmo pó Jogado nas estradas, nos caminhos.
O quanto é solitário o bem querer Estampa na parede o que fiz crer Amarelada flâmula: carinhos... Marcos Loures
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Saudade se derrama aos borbotões Vontade de ficar... o tempo passa... O sonho se perdendo na fumaça, Oculta estrelas, muda as direções...
Tomado por ingênuas ilusões Somente restará nuvem que embaça O coração entregue a tanta traça Não traça nem sequer as soluções.
Não peço mais perdão. Prossigo só, Pretendo renascer do mesmo pó Jogado nas estradas, nos caminhos.
O quanto é solitário o bem querer Estampa na parede o que fiz crer Amarelada flâmula: carinhos... Marcos Loures
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Saudade que se mostra uma esperança Amiga é coisa bela e salutar. Não guardo o sentimento de vingança Apenas novamente quero amar.
Tornando bem mais forte esta lembrança Do dia que se foi noutro luar Acordo com o sonho de outra dança Desta saudade louca que a bailar
Invade o pensamento e já me abriga Nos braços da mulher que não ficou. Por isso te procuro amada amiga
Juntando todo caco que restou. Renasço em alegria, e te agradeço. Conselhos que me dás eu obedeço...
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Saudade que me invade, de repente Num átimo se torna mais cruel, O quanto se permite reticente Nublando num momento todo o céu.
Assíduo, freqüento os seus espaços E neles bebo farta inspiração. Distante dos amores, dos abraços, Saudade se transforma em lampião.
Na luz bruxuleante se deforma A face do que outrora eu conheci. Sem nexo, sem juízo e sequer norma, Ao longe eu me encontro sempre aqui.
Sorvendo da tristeza em alegria, Saudade se maltrata, já vicia... Marcos Loures
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Saudade que me invade o coração, Maltrato destruindo o que sonhei... Não quero nem preciso do perdão Apenas vou saber o que não sei...
A vida se perdendo na ilusão. Fogueira dos teus olhos me queimei. Das estradas perdi a direção Nas lembranças a mulher que eu beijei...
Saudade tem seu nome, minha amada... O teu corpo moreno e tão safado, Tem o gosto suave madrugada,
Tem o jeito de quem me trouxe o fado, Esquecido das horas mais vadias.. A saudade partiu... Minhas mãos vazias... Marcos Loures
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Saudade que maltrata e que me beija, Nas cordas de meu pinho seresteiro. A lua enamorada me deseja, Assim como eu desejo o mundo inteiro...
Eu quero ser feliz, amada estrela, Não deixe que a saudade seja dura. Permita, por favor, amor, revê-la Que a noite sem estrelas, queda escura.
Se geme na viola uma saudade Do tempo que se foi, não volta mais, Vivendo teu amor, felicidade, Meu canto, sem demora, quer demais...
E sinto que virás, depois da curva, Assim como este sol, após a chuva! Marcos Loures
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Saudade quando ataca; o peito mói Tornando em cacareco o que foi forte; Não tendo quem resista ou quem suporte Enquanto a desgraçada nos corrói.
O pensamento em vão tudo remói Clamando muitas vezes pela morte, Quem sabe esta ilusão assim se aborte, Num parto frio e fútil. Quanto dói.
Viver do que passou e não sentir Que ainda existe um bem que no porvir Trará ao caminheiro uma mudança;
Olhando pelo tal retrovisor, Esqueço o meu futuro, perco a cor E a vida sem sentidos, leda; avança...
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Saudade qual chupim faz de minha alma Espectro caminhante pela vida. Às vezes tal fantasma vem e acalma, Porém a direção segue perdida.
Não falo da lembrança como um trauma, Por mais que ela em verdade não decida, Em pleno desespero ganho a calma E volto sorridente desta ermida.
São lábios que beijei faz tanto tempo, Agora vem em quando, passatempo, Nas várias serventias da saudade
Eu tenho este prazer que é meio fútil De tornar necessário o que é inútil Voltando a reviver gaiola e grade... Marcos Loures
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Saudade num vazio se traduz Vontade de pular do precipício O quanto a vida nega em força e luz Não deixa que se entenda a dor em vício.
Crisântemos morrendo em meu jardim, Hemorragias lentas e constantes Matando o quanto a vida trouxe assim, Os olhos penitentes e farsantes.
Não quero mais viver tanta saudade Espinhos que espalhaste em cada andança Viúvo de mim mesmo, a treva invade Cruentas sensações, desesperança.
Ao ver a tua foto sobre a mesa, O rio nega a foz e a correnteza... Marcos Loures
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Saudade neste palco, cedo atua, Atriz quase mambembe, inexpressiva Avermelhando em lágrimas, a lua, Matando no jardim a sempre-viva.
No beijo traiçoeiro, um louva-deus A luz deste impotente vaga-lume. Saudade prolifera em cada adeus Negando o bom cultivo, cega o estrume.
No girassol da vida, um carrossel Perdendo sempre o rumo, vai à toa. O dia se mostrando em tom pastel Sem remos, naufragando esta canoa
Quem bebe do saber de uma saudade Quer do buraco negro, a claridade... Marcos Loures
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Saudade moleca Aqui acampou, Menina sapeca Tanto maltratou
Na lágrima seca O peito que amou, Quem ama não peca, Saudade deixou...
Voltando ligeira De noite pra mim, Uma feiticeira,
Boca carmesim, Menina faceira, Saudade sem fim...
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Saudade me tomando o pensamento Em sonho quase vão, e sem cuidado, Deixando um coração despedaçado Distante de qualquer esquecimento.
Quem tem na vida a sombra de um tormento Percebe quando amor sacrificado, Embora já pertença ao seu passado, Não deixa respirar um só momento.
Antes que cresça a dor, vital perigo, A sorte benfazeja já me acena, Deixando mais longínqua quem condena
A vida ao dom cruel do desabrigo, Mudando totalmente a triste cena Nos braços benfeitores de um amigo...
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Saudade me queimando feito lava, Ardendo assim me invade o coração, Durante todo o tempo em que pensava Na força deste amor, na tentação
Felicidade então, a sorte trava Mudando em tempestade a direção Qual fosse a fera imensa, firme e brava Rasgando a minha pele mostra então
O tempo em que sozinho eu te buscara, Estrela radiante bela e rara. Dos sonhos, os mais claros, coloridos.
Agora que a saudade faz a festa Apenas, com certeza inda me resta Raivosa a noite imensa em seus bramidos. Marcos Loures
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Saudade me levando em outras eras De um tempo mais feliz que se acabou. Outonos valorizam primaveras Depois de que a bela flor morreu, murchou... Restaram só saudades... Tais quimeras São marcas de um desejo que passou, Nas lágrimas o sal que me temperas, Distante, bem distante... Amor ficou... Mas sempre é muito bom lembrar de tudo, Da boca tão macia e perseguida. Coração apressado fica mudo... No cheiro do desejo, ingenuidade... Aos poucos descobri que em toda a vida, É bom ter destes tempos, a saudade...
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Saudade me consome e não perdoa... O mundo desabando pouco a pouco, O grito na garganta quase rouco, A minha asa, quebrada já não voa...
A voz desta saudade, triste ecoa E solta nos espaços, fico louco. E nada me consola nem tampouco A liberdade que sonhei revoa...
Vivendo do que fomos, vou morrendo. O manto que me cobre, se perdendo A vida me maltrata num momento.
Espero tua volta meu amor, O teu braço será meu redentor. Alívio para todo sofrimento..
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Saudade mata a paz, beligerante; Estende suas minas no caminho. Incansável, terrível, dominante Arrasta um coração sempre sozinho.
Ouvindo nos porões o burburinho, Correntes arrastadas; claudicante, Não posso mais seguir o meu caminho, Apenas do que fui; eu sigo amante.
Defronte de meus olhos, um sorriso, Irônico permite ser aviso Do quanto não terei vagando assim.
Buscando o meu remédio no vazio, Do nada, simplesmente o nada crio, Arrasto o que inda resta dentro em mim... Marcos Loures
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Saudade maltratando o coração Procura lenitivo na esperança, O vento quando muda a direção Noutro momento, às vezes nos alcança.
Cansado de escutar o mesmo não, Guardados que carrego na lembrança No prometer sincero, a solução Quem sabe nos trazendo a temperança
Permita que se veja novamente Aquilo que se foi pra nunca mais. O vento que partiu e ora se sente
Acende o fogaréu dos meus desejos, Embora na verdade, são lampejos Trazendo do passado vendavais... Marcos Loures
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Saudade futucando o velho peito Fazendo uma arruaça sem tamanho. Cansado da danada, vou sem jeito, A perda representa amargo ganho.
Por vezes vem batendo e, satisfeito, Durante algum tempinho enquanto apanho Eu sinto novamente ter direito Nas águas que passaram, tomo banho.
Soluços nunca dizem solução Chorando sobre o leite derramado, Eu trago tua imagem sempre ao lado.
Velhaco este pilantra coração Que gosta de viver o que não tem, Espera na estação, o antigo trem...
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Saudade faz da brusca ventania A mansa sensação que não descansa Gerando novamente a cada dia A praia que se deu outrora mansa.
Vislumbro o que buscara em calmaria Numa robusta senda em que se lança O resto do que fora uma sangria E agora, sem destino vaga e trança.
Oferecendo a mesma recompensa Na qual o coração ainda pensa Sagrando o que passou, mas teima e resta.
A barca noutro cais já se ancorou A vida volta e meia debandou Incêndio interminável na floresta... Marcos Loures
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Saudade faz batuque no meu peito, Disfarça e logo traz a ansiedade Depois de me negar a claridade Meu mundo se perdeu, não tem mais jeito.
Amor parece não dizer respeito A quem perdeu o sonho e a liberdade. Sobrando para mim contrariedade, Pra amar, eu realmente não fui feito.
Menina levantando a sua saia Usando este tomara sempre caia. Nas coxas adivinho o meu tormento.
A carne em juventude já me chama, Porém de que adianta tanta chama Se o coração batuca em ritmo lento?
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Saudade faz bagunça no meu peito E deixa em polvorosa o coração, Viagem que mudou de direção Restando aqui sozinho e insatisfeito.
Não posso crer no amor como um direito, Pois vejo naufragada a embarcação Por mais que ainda tenha devoção Não vejo quem consiga dar um jeito
E trago tatuada a tua imagem, Qual fora no caminho, uma miragem Vislumbre que jamais irei rever.
Pecados cometidos? Já paguei, Agora a noite escura toma a grei Negando a quem sonhou o amanhecer...
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Saudade faz a festa em meu querer, Nas madrugadas, preso em tais senzalas Buscando a fantasia pelas salas, Perfume se perdeu. O que fazer?
A lembrança de um tempo onde viver Trazia toda noite pompa e gala; Agora a solidão no peito cala Procuro sempre em vão. Nada irei ter...
Quem aprendeu amor; felicidade, Não pode perceber que esta saudade Refaz apenas sombra já perdida.
O duro é perceber que despedida Palavra tão cruel de ser sentida Em pleno amanhecer, na mocidade...
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Saudade em esperança é lenitivo Que ao menos mitigando o sofrimento Permite que eu caminhe mais altivo, E sinta mais feliz, o manso vento.
Dos sonhos de te ter, eu sobrevivo, E chego a ser feliz por um momento. Ao menos vou passando pelo crivo Num agridoce e louco sentimento.
A pele emurchecida inda deseja Contato com a pele amorenada. Embora a solidão, peito preveja,
Um resto de ilusão traz o perfume Daquela que mostrou-se quase nada, No final deste túnel, frágil lume... Marcos Loures
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Saudade em dura voz, amargurados Os dias que se foram, revertidos Em doces sensações, claros legados Revendo estes momentos já perdidos
Distantes na memória que não cala, Em bênçãos benfazejas, mentirosas O vento vai batendo em minha porta Deixando as sombras antes andrajosas
Em faiscantes lumes, fantasias, Chamando por teu nome, em ermo quadro, Moldando em minha mente alegorias De tempo morredouro em que me enquadro
E canto com saudades desta voz Que um dia se tornou gemido atroz...
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Saudade é um trabuco, é um fuzil Que mata enquanto adoça um infeliz, E quando a nossa vida se desdiz, O que era mansidão é fogo vil
Distante do que o sonho em vão pediu, Apaga-se a emoção, um frágil giz, A moça desejada? Mera atriz Que torpe preparou, cruel ardil.
O caso é que desejo novamente Aquilo que pensei ter sido bom, Porém não reconheço mais o tom
E tudo se transforma de repente, O quadro desenhado no passado, Por mãos muito mais hábeis foi pintado...
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Saudade é um recheio para a vida, Remoça quem sonhou e agora- nada. Recuperando a senda em perdida Rompeu em novo dia uma alvorada.
Saudade se resume na comprida Estrada que não teve outra saída Senão a sina amarga assim cumprida, No vago feito em dor e despedida.
Saudade é como um rastro benfazejo, Pegadas que deixei neste deserto Lembrando deste oásis do desejo
Que um dia, satisfeito, foi tão meu. Saudade é como um óstio sempre aberto Ligando o que sobrou ao que morreu.
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Saudade é um joanete, eu te garanto Lateja vez em quando e me incomoda O tempo disparando tanto roda No fim da tarde chega o velho pranto.
Eu sei que na verdade não fui santo, O amor deu a colheita, mas fez poda Enquanto esta lembrança ainda açoda A vida vai passando, haja quebranto!
Um gole de café de manhã cedo O cheiro da saudade ora segredo Degredo de mim mesmo, vago à toa.
A boca que beijei ficou na estante Paixão tão decidida e galopante Chorando dentro da alma, qual garoa...
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Saudade é melindrosa e faz das suas Enquanto a vida passa, volta o tempo. E quando mais atroz, mais te recuas, Revive com vigor, um contratempo...
Pecado é não viver nosso presente, Tampouco se esquecer de algum futuro, Ao retornar aos erros a alma sente O quanto foi difícil saltar muro.
Eu sei que vou morrer; e que se dane O que deixei pra trás e o que vivi. O motor não demora, e vai dar pane Não quero carregar o abacaxi
Que tanto descasquei e não deu suco, Os passos sendo a esmo. Eu já caduco...
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Saudade é gororoba que, indigesta, Nem mesmo um anti-ácido resolve. Gaveta do passado ela revolve E muda num segundo a velha festa.
Se a roupa de palhaço ela me empresta, O quanto ainda tenho se dissolve, Antigo apartamento, uma alma volve, E vende o que de bom ainda resta.
Se a vaca foi solene para o brejo, Momento em preto e branco; eu quero e almejo, E o terno amarrotado cheira mal.
Usando na emoção, a naftalina, O sol vai se escondendo da cortina E molda um carnaval residual... Marcos Loures
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Saudade é feito bicho carpinteiro Fazendo uma arruaça, toma a cena. Enquanto a realidade se faz plena Passado se revolta e vem ligeiro.
Porém meu coração de garimpeiro Bagunça a minha vida tão serena, E volta e meia o tolo ainda acena E traz do que vivi aroma e cheiro.
Inquieto, pois não posso caminhar Com este sentimento na guaiaca, Eu tento prosseguir, minha alma empaca
E o dia vai passando devagar... Chegar ao novo dia e ser feliz; Porém saudade volta e me desdiz...
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Saudade é como fosse cicatriz Que ampara o caminheiro pela vida. Lembrar que um dia eu fui muito feliz Ajuda a perceber uma saída
E quando a solidão; o amor desdiz, E o dia-a-dia azeda, o mel acida, A marca mesmo tênue deste giz Clareia a negritude de uma ermida
Que amargo, cultivei com os meus erros. Deixando as esperanças nos desterros Distantes onde eu pus a minha história.
Bendito o Deus que trouxe a claridade Suprema desenhada na saudade, Lampejo soberano da memória...
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Saudade dos teus olhos... num instante; Meu rumo se perdendo em luz imensa. Por mais que eu te procure, até me encante, Não tenho mais sequer a recompensa.
Pensando o quanto a vida já me deu Eu vejo que inda posso ser feliz, Porém meu barco outrora se perdeu Deixando tão somente a cicatriz
Que trago tatuada em minha pele, Marcada a ferro e fogo e sem perdão, Destino em outros olhos que se sele, Mas nada vai calar meu coração.
Arcando com tais dívidas, passado, Caminhando comigo, lado a lado...
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Saudade dos meus tempos de menino Da aurora tão distante, da alvorada, Correndo pelas ruas na calçada Do tempo que passou diamantino
Distante destes dias me alucino E busco uma esperança resguardada, Promessa de manhã iluminada, Bebendo deste rio cristalino.
Olhando para trás sigo com fé Vou nas margens do Rio Muriaé Descendo para o mar que eu não sabia.
O tempo trouxe seca para o peito, Agora vivo só e insatisfeito Sonhando o renascer do mesmo dia...
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Saudade dos meus ermos e distantes, Ao escalar antigos montes e mortalhas As horas em que voltas, cordoalhas Amarram-se turvando estes semblantes.
Olhares que julgara penetrantes, Apenas vislumbrando velhas tralhas, Enquanto tu me cortas, me navalhas, Sorrisos tomam faces dos farsantes.
Disfarces que guardei numa gaveta, Espelho que quebraste tantas vezes, Se os sonhos se perderam, ledas reses,
O fim passando a ser última meta, Esgueiro-me entre escombros e tijolos, nem mesmo me contenho entre dois pólos...
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Saudade dor ferrenha que alivia Trazendo sempre à tona este abissal Momento que vagara sideral, Eterna fome atroz que me sacia.
Revigorando assim a cada dia Aquilo que é deveras, mel e sal, Refaz o inesquecível ritual Ao renovar em mim tal fantasia.
E quando sinto enfim esta presença Por mais que a vida esteja dura e tensa A fonte borbulhante, o chafariz
Inunda até fartar-me deste encanto, Que um dia abandonado em frio canto Fez o meu coração tão infeliz...
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Saudade dolorosa e tão sombria De um dia em que pensava ser feliz, Depois de tantos anos; ledo dia Ainda vive além do que eu bem quis.
Um rosto feminino emoldurado Moldado nos teares da lembrança. Revejo cada sonho, amargurado, E apenas solidão, inda me alcança.
Vencido pela inércia, dissabor, Andando qual zumbi em noite densa, Não tenho quase nada a te propor Senão triste vazio em recompensa.
Tristeza, a companheira predileta Que em torno da saudade, me completa...
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Saudade doce amaro Que traz em alegria Um sentimento raro Ardendo com magia.
Na dor em que me amparo Perfuma a fantasia, Apurando meu faro Além do que eu sabia
Batendo o coração Em total descompasso, Adoça uma aflição
E tropeça meu passo. Saudade com paixão, Da loucura faz traço...
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Saudade do quem nunca veio aqui Bebendo deste nada, o nada eu crio Rasgando a fantasia que não vi, Encontro no meu peito tal vazio.
Saudade tão gostosa deste bem No beijo que esperei e nunca veio. Roçando a sua pele, sei que alguém Tocou sua beleza, boca e seio.
Agora na procura cega e vã Prossigo noite inteira num capricho. Talvez na minha cama no amanhã, Encontre esta nudez, divino nicho.
Mas tenho esta saudade que domina, Tesouro de um amor que me extermina...
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Saudade do que nunca tive ou tenho, Medonhas garatujas me acompanham. Enquanto os velhos medos inda entranham A morte servirá como um empenho.
O pouco do que soube não retenho, Nem mesmo as fantasias inda assanham Os olhos nebulosos que não ganham, Perdidos como o resto que contenho.
Eu bebo da cicuta da esperança, Vadia criminosa, que iludindo Dizendo de um momento falso e lindo,
Roubando o pirulito da criança. Deixe que eu mergulhe neste abismo, Matando o que sobrou do romantismo... Marcos Loures
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Saudade do que fui e se perdeu Nas curvas dolorosas do caminho. A sorte há tanto tempo me esqueceu, Na solidão cruel em que caminho
Apenas o que resta inda sou eu, E pouco a pouco – só- eu me definho. O tempo tão cruel me emudeceu Avinagrando assim o que era vinho.
Nos dedos engelhados pelo tempo, As marcas indeléveis do cigarro, Andando sem destino no meu carro,
Encontro tão somente o contratempo Do vago que carrego dentro em mim, A vida se esvaindo, chega ao fim...
14400
Saudade do que fomos e inda temos Em versos, sentimentos e ternura. A vida proporciona barco e remos E ajuda, com certeza, na procura.
Por mais que muitas vezes recebemos O vento tão terrível da amargura, Nós sabemos que juntos venceremos Trazendo nos poemas, a candura.
Na força que se emana da amizade Poder inesgotável da alegria Caminho para a santa liberdade
Abrindo o coração deciframos A sorte de viver com maestria Sem termos mais algemas, versejamos... Marcos Loures
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