
MEUS SONETOS VOLUME 137
Data 02/01/2011 08:59:04 | Tópico: Sonetos
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Quem vive descontente, em tal desgosto, Não sabe nem sequer felicidade... O vento vai soprando no meu rosto, Promessa de terrível tempestade...
A glória de sonhar que não conheço, Invade o pensamento, num repente... Pois sei que ser feliz eu não mereço, Quem dera se vivesse mais contente...
As preces que me fazes, minha amiga, Por certo ajudarão quem tanto pena... Nas curvas dessa vida se periga Ao longe uma esperança inda me acena...
Eu sei que tu desejas só meu bem, Como é bom se saber que existe alguém...
2
Quem vive descontente não percebe Que a luz eternamente vai brilhar Naquele que amizade já concebe Levando pelo braço como um par. Amigo é como irmão que Deus nos deu Um anjo que protege nas tristezas. Um lume que clareia quando o breu Esconde no porão tantas belezas. Amigo é sempre mais que companheiro Amigo compartilha nossas dores, Embora nos defenda é verdadeiro, Nos fala sem mentiras ou pudores... Amigo, como é bom saber que estás Trazendo esta harmonia, plena em paz...
3
Quem viu este unicórnio que voava Por entre as gargalhadas dos burgueses. Procuro pelo menos, fazem meses, Encontrando algum cisco, esqueço a trava.
Maré que tantas vezes se fez brava Agora não enfrenta mais reveses, O amor não participa de tais teses, Por isso me esqueci de quem me amava.
O corvo que me disse: nunca mais, Voltando vez em quando sobre o bronze. Perdi último trem, penso o das onze
Ao repetir meus cantos sempre iguais Que faço se não tenho outro amanhã Já nem encontro enfim, meu Jaçanã. Marcos Loures
4
Quem vem com sutileza me dizer Do quase capotado a cada curva Deixando a vida amara e sem prazer Imagem do horizonte em névoas, turva.
Não quero ter nem lucro ou dividendo, Apenas liberdade nos meus versos. Os dias solitários vou vencendo Cerzindo com mentiras, universos.
Nos trópicos dos sonhos, calor, luz. Antártica verdade sempre pune. Pensara, antigamente, estar imune
Ao tiro de canhão, fuzil, obus, Mas quando veio gélido este inverno, Eu descobri a neve num inferno. Marcos Loures
5
Quem veio deste mundo delirante Embrenha-se na senda dolorosa Que mata uma ilusão, em duro instante, Secando fonte rara e fabulosa.
Por mais que uma emoção seja constante, Por mais que se perfume, maviosa A vida traz espinhos mais que rosa Em lança pontiaguda e penetrante.
Num circo que se mostram tais horrores Profundos e terríveis pesadelos, É triste, minha amiga, concebê-los
E ver morrer à míngua belas flores, Por falta de cuidado e claridade, Distante do farol de uma amizade...
6
Quem veio de um caminho tão incerto Depois destes tropeços já percebe A sorte desejada, agora, perto, Dourando em alegria a sua sebe.
Estive tantas vezes noutras rotas Perdido sem saber onde encontrar As soluções outrora tão remotas, Tomando a minha vida, devagar.
Por mais que as ilusões e as esperanças Deixassem suas marcas, o receio Cravando em minha pele frias lanças Negavam o caminho, rumo e veio.
Em ti encontro enfim, paz prometida Nas andanças diversas desta vida Marcos Loures
7
Quem veio de cismar em outras eras Num lírico desejo inatingível, Aguarda a solução de primaveras Que tragam novo dia mais tangível.
As dores, minha herança, mais severas Se fazem quase um muro intransponível. A sorte em passarela, noutro nível, Com garras afiadas de panteras
Deixando o meu olhar incerto e vago. Invejo a placidez de um manso lago, Espero que a tempesta chegue ao fim.
Mas nada do que vejo me traz calma, Vazios se sucedem em minha alma, As lágrimas porejam dentro em mim...
8
Quem veio da pobreza e da miséria, Conhece muito bem a fome ingrata. A fome não é mito é coisa séria; A muitos vai ,trucida e já maltrata.
Quem conta ao fim do dia, com a féria, Não sabe nem conhece como mata. Pobreza carregando uma bactéria Doença que doutor algum a trata...
Quem sabe das desgraças a viveu, Distantes esses homens no escritório, Não sabe desta fome quem comeu,
Quem teve uma certeza pela frente. O pobre é sim, da vida, meritório, Merece ser tratado como gente!
Eu sei que muitos pensam ser esmola Eu sei como importante é uma escola. Mas também sei que a fome é mais urgente! Marcos Loures
9
Quem vê belas montanhas sob o sol, Os rios derramando suas águas. A lua prateando este arrebol Deitando poesia em suas fráguas,
Bucólica paisagem perpetrando Imagens divinais, raro pendor. Beleza sem igual se adivinhando Convite para a paz, clamando amor.
Sol-pôr entre matizes tão diversos, Aurora multicor, maravilhosa... Encantos que irradiam tantos versos Vislumbre desta cena fabulosa.
Quem cria a fantasia de um castelo, Não sabe da dureza de um rastelo. Marcos Loures
10
Quem vê a criatura tão cordata Não sabe do passado da menina Que agora desfilando, moça fina, Outrora freqüentava qualquer mata.
O nó que quem conhece não desata Foi dado quando um dia atrás da tina A bela que se chama Josefina Sentiu subir às pernas u’a barata
Que entrando no buraco sempre aberto Embora arrepiasse a molhadinha O rumo transformou. De um passo incerto
Agora ela desfila tal pureza Fingindo-se talvez de coitadinha. Porém se alguém tentar: bela surpresa! Marcos Loures
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Quem vai sem crença entre árvores desnudas Deixando por pegada um quase nada, Espera que o amor trazendo mudas Refaça um arvoredo nesta estrada
Vazia em noite dura sem ajudas Apenas por tristeza demarcada, Quem dera se esperança em enxurrada Mudasse estas andanças, cegas, mudas.
Porém em curvas feitas nesta andança Premissas de momentos bem diversos, Meus olhos vagarão por universos
Uníssono desejo de esperança De ter um acalanto que em verdade Traduza amor ou mesmo uma amizade...
Marcos Loures
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Quem traz um sonho sempre inacessível, Não cansa de cantar esse mistério. Um sentimento nobre e mais possível, Aos poucos se tornando tão mais sério.
Seria essa amizade a salvação? Seria essa certeza nosso porto? Deito no travesseiro uma emoção, E sinto que, deveras, andei morto...
Crescendo o que se fora brincadeira, Vivendo o que pensei mas não ampara. Correndo sem sentidos, verdadeira, O coração sem rumo se dispara...
Mas sei que não concebes tal verdade, Firmando puros laços de amizade!
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Quem traz um mal terrível, se concreto, Não sabe da esperança um só pavio. O mundo se derrama no concreto Que nos deforma, duro, triste e frio. Talvez se houvesse assim, algum afeto, Viver já não seria tão vazio...
Colhendo no canteiro, belas rosas, Um riso sem disfarce estamparia O rosto noutras formas mais vaidosas Esta tristeza imensa não teria. As mãos jamais seriam belicosas A vida permitindo a poesia...
Amigo; não se esqueça que um abraço, Adoça esse amargor de alga e sargaço...
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Quem traz o coração ermo e fechado Refém das madrugadas sem destino. Em cada gole sendo destroçado Apodrecendo em vida, me extermino
Qual pária que jogado nos esgotos, Bebendo frias bocas desdentadas. Esperanças e sonhos; todos rotos, Deitando a solidão nestas calçadas.
Encontro ao fim do túnel, uma luz Representada em ti. Teu abandono Necessitando a mão que enfim conduz E que acalante, amanse o duro sono,
Na frágil e tão sofrida criatura, Encontro o meu remédio e minha cura...
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Obrigado amigo Marcos Pra mim isso é demais, bem mais da conta E, te conto, tremeu até meu marca passo Homenagem maior que cem abraços E que ao meu velho coração, só encanta. Já vais na foz, quando eu remo na nascente; Viajam em outros planos, os teus versos Tua forma de tratar, sempre decente, Tua verve a pautar teu estilo manso, Um espelho refletindo a tua calma! Querido irmão, amigo e companheiro Orgulha-me versarmos como parceiros, Escola onde lapido aprendizado; Além de me sentir gratificado, Abraço-te no alcance de tua alma. Josérobertopalácio
Quem traz o coração em liberdade Deixando assim fluir sem pôr um freio Vencendo estas barreiras, ganha o veio Aonde encontrará felicidade.
Transpondo facilmente qualquer grade Usando da palavra como esteio Encontra ali, amigo, um manso meio Para reconhecer tranqüilidade.
Tu tens esta magia, caro amigo, E sabes seduzir como ninguém; É muito bom poder contar contigo
Cerzindo com brandura, a noite calma, O verso que tu fazes cai tão bem, Pois nasce bem no fundo de tua alma...
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Quem traz as mãos em límpida atitude Aduba em esperanças cada dia. Sabendo recolher farta alegria Mantendo dentro da alma a juventude.
O Amor enfrenta o medo, belo açude Que impede qualquer seca e que recria No peito de quem ama em harmonia A lúdica paisagem que não mude
Nem mesmo quando em dura provação Sabendo eternizar esta criança Que aos olhos do Senhor em glória alcança
Certeza de encontrar a Salvação. Assim com a alma em festa, num sorriso Eu possa vislumbrar o Paraíso! Marcos Loures
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Quem torna a nossa vida bem mais leve Usando o próprio corpo como escudo. As mãos de uma tristeza já deteve Mudando em nossos rumos quase tudo.
No canto em alegria enfim se atreve E deixa o coração deveras mudo, Amor que em amizade, mesmo breve, Promessas de esperança, sem ser rudo.
Uma amizade traz a quem se ufane Um dia feito em glória, soberano. Jamais permite a sorte em que se engane
O mundo mais cruel e desumano Tomando pouco a pouco quem queria Ver renascer em paz um novo dia...
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Quem teve uma ilusão à qual seguia Tentando ser feliz, vai tolamente Andando pelas ruas, não teria Senão a dor que sangra e que se sente
Ao ver uma esperança que escorria Por entre multidões, ignobilmente, Quem vive tão somente a fantasia Percebe o quanto errara, de repente.
As almas que se sentem aviltadas Escorrem pelo chão, perderam asas, Restolhos do que fui vagam nas casas
Deixadas sem ninguém, abandonadas. O resto do que tenho, na verdade, Aguarda simples mão de uma amizade...
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Quem teve uma esperança como guia, Adentra o mar imenso feito em luz, O vento da mais pura poesia Beleza de teus olhos reproduz.
De todo sonho, o bem que eu te propus, Semblante extasiado em alegria, O canto feito em glória me conduz Aos braços deste amor que me queria.
Somemos nossos cantos, primavera, Ergamos belas taças de cristal Ao bem que se mostrando sem igual
Amor fazendo amor, prazeres gera. Em minhas mãos contendo a maravilha Um novo alvorecer, meu canto trilha. Marcos Loures
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Quem teve qual deserto O mundo que sonhara, Ao ver amor por perto Coração escancara
Em ti, quando desperto, Encontro a pedra rara. Futuro fora incerto Agora já se ampara...
Vencendo as tempestades, Surgindo do vazio, Percebe as qualidades
Do sonho em que me crio, Por ruas e cidades, Pressinto um novo estio...
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Quem teve outrora um sonho assim diverso Daquele em que se perde, todo dia, Fazendo do meu canto, a fantasia Recebo com carinho cada verso,
E verso sobre o tema, vou disperso, Alimentando aos poucos primazia De ter nos braços teus; o que eu queria, Deixando já de lado o que é perverso.
Na dádiva divina que diviso No corpo desejado, sem fronteiras, Tendo em felicidade, tantas graças
Louvando a maravilha em paraíso, Espero que no fundo inda me queiras Mesmo que tantas vezes já disfarças...
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Quem teve nesta vida um puro amor Que foi e que jamais retornará Já sabe quanto pesa o dissabor Nas costas de quem, ledo, sonhará
A vida inteira tendo a seu dispor O gosto que pra sempre amargará. Apenas num detalhe recompor A dor que percebeu, deveras lá.
Mas tenho como antídoto perfeito, A todas as angústias mais cruéis. Eu falo dos apoios tão fiéis
Aonde possa ter, mais satisfeito, Alento para toda tempestade, Abrigo que terás numa amizade.
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Quem teve em seus sonhos um império E morre sem ter nada além do medo, Não sabe decifrar qualquer segredo, E vive tão somente sem critério.
A sorte vacilante assim confere-o O fogo desdenhoso do degredo, Prossigo sem saber qual foi o enredo Nem mesmo se resiste ou se ele é sério.
Apenas da sereia quero o canto, E mesmo que inda venha ter quebranto, Não posso disfarçar quando eu desejo
Sentir a minha pele arrepiada, Minha alma assim se exaure, mas diz nada, E imita um pirilampo em seu lampejo...
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Quem tenta um novo intento bebe o vento, Enfrenta; peito aberto o que não sabe, Às vezes este terno não te cabe, Do riso não sobrou nem pensamento.
Se eu erro ou se divido o sentimento, Vou antes que isto tudo em vão acabe. Bem antes que o teu mundo já desabe, Perceba se vier pressentimento.
Atento a cada passo, sigo em frente, Por mais que a tempestade ainda atente A gente não se perde se trouxer
O coração distante das mentiras, Comigo, meu amor, tu já te atiras E encaras com firmeza o que vier... Marcos Loures
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Quem tem uma saudade como herança De um tempo que julgara ser feliz E encontra na saudade seta e lança Já dista do que outrora sempre quis.
O beijo traiçoeiro da lembrança A morte se aproxima e a cicatriz Que a vida tatuou sem temperança Deixando o entardecer tristonho e gris.
Olhando da janela, no horizonte Sem sol que sobre as nuvens já desponte Espalho o canto triste pelos ares.
Não vejo outra saída e o labirinto Revive o que eu pensara agora extinto; Pesando como cruz, por onde andares...
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Quem tem no seu amor toda a fiança Reveste o seu caminho em plena glória, Ao sonho mais sublime já se lança, Mudando o rumo incerto desta história.
Voltando num momento a ser criança, Garante para si toda a vitória, Rompendo com a vida merencória Agora com um Deus faz aliança
O amor torna mais brando um cavaleiro E mostra um mundo novo e verdadeiro Em vozes, pensamentos repartidos.
O trovador prossegue se mostrando E mesmo em desafino vai cantando Meus versos que serão sempre esquecidos. Marcos Loures
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Quem tem amor exige lealdade Daquela que se encharca deste amor. Por certo tanto amor que na verdade Se forma quando trama um vencedor.
Nas guerras da paixão, eu me perdi. Nas terras da ilusão, não sei meu rumo. Nos montes da emoção eu prossegui, Nos versos da canção eu me acostumo.
E sinto que virás, louco corcel, Voando sobre igrejas, catedrais, Vencendo essas imensas deste céu, Sabendo que te amar nunca é demais.
O mar que me invadiu, num beijo teu, Nos abissais castelos, se perdeu...
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Quem tem a sensação de luz primeira Nascendo no seu peito em claro dia, Já sabe quando a sorte é mensageira De um tempo renascido em alegria.
Vencendo a tempestade derradeira, Fazendo de seu peito a fantasia, Que tantas vezes, manso; me dizia, Seria da esperança uma bandeira.
Vagar entre loucuras, incerteza, É quase penetrar em duro inferno, Tomado de surpresa sem defesa,
Procura reviver amor materno Que encontra tão somente na verdade, Nos braços bem mais firmes da amizade...
29
Quem tanto já cantara não encanta Nem canta mais falando deste canto Que sempre toca e quase sempre espanta, Ficando tão sozinho no meu canto...
Vieste sem pedir sequer licença Tomando tanto espaço que nem sonhas... Amar demais passou a ser doença, Daquelas cujas dores são medonhas...
De quem me queixarei se tudo mente, Em quem colocarei as esperanças... Tragando minha sorte totalmente Não restam nem as sombras das lembranças...
Cativo já procuro liberdade, Buscando um novo amor pela cidade...
30
Quem tanto imaginou doces palavras E frases carinhosas; agoniza. Um velho agricultor sabe das lavras, Porém a vida traz pura ojeriza
Por mais que a porta ainda teime ou abras Desabo num fatídico segundo. As frases que me cercam são macabras, Do gozo amortalhado em vão me inundo.
Minha alma em podridão já se esvaindo, Deixando tão somente este molambo Que um dia imaginou um prado lindo E agora em passo trôpego, descambo
Funérea mansidão que, num espasmo, Promete em ironia, intenso orgasmo...
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Quem tanto comovera não percebe Que tudo foi somente uma ilusão. Amarga esta semente, mata o grão, E torna mais escura a sua sebe.
Por rude que pareça, assim, a plebe; É nela que se mostra a solução, Manjares da igualdade e da união, Delícia que nos farta; alma se embebe.
E vejo ao fim do túnel, claridade. Realizar meu sonho de igualdade Tornando esta ganância, estupidez.
O sol que em negritude já se fez Realizando os sonhos da Bastilha, Transforma em continente o que foi ilha...
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Quem tanto amou a vida morrerá Deste jeito? Sozinho neste quarto, Os amores deixei distantes, lá! A morte, companheira é novo parto!
Inimigos perdi, bem acolá! Da vida, simplesmente fiquei farto... A morte nunca mais me deixará, A fiel camarada, antigo trato!
Quem tanto amou percebe traição! Vida feroz, mordaz, vil traiçoeira! É justo ouvir assim tão duro não?
Vida, cigana atroz, por que me deixas? Fingiste companheira, a vida inteira... Somente a morte sabe minhas queixas! Marcos Loures
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Quem tantas vezes sonho me deixou, Distante da emoção, sem companhia, Aos poucos meu caminho dardejou Com toda a sensação voraz e fria
De quem, eu reconheço, nunca amou, E sei que na verdade não queria Seguir este caminho aonde eu vou Buscar o renascer de um novo dia.
Temendo cada passo que se fez Na falsa sensação de ser feliz, Mantendo tão somente esta altivez
Bem sei que na verdade sempre quis Amor que em sua senda alumiasse Um solo onde esperança repousasse..
Marcos Loures
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Quem tantas vezes dores contornou Fazendo da amizade o seu timão, Um mundo deslumbrante vislumbrou, Mais nobre e mais serena sensação
Que a vida, em esperanças nos tomou, Recende a paz perfeita em união. De tudo o que queria e sei que sou Eu agradeço a ti tal emoção.
Poder que uma amizade sempre tem Na qual a vida mostra um raro bem Que traz uma esperança renovada;
A mão que se demonstra abençoada Aquece o coração outrora frio, Vencendo toda a dor, em desafio...
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Quem souber que me responda Por onde anda a poesia Que falava de Maria, Carregada por uma onda
Coração corsário sonda Noite inteira ganha o dia, E nos bares, fantasia, Ao fazer soturna ronda.
Se Maria já soubesse Deste amor que é feito prece Talvez desse alguma chance
Ao meu peito enamorado, No vazio, mergulhado, Procurando quem a alcance...
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Quem sou? Por tantas vezes me pergunto, O que Deus quis, fazendo-me tristonho, Do desamor foi feito cada sonho Não temo o tempo, fujo desse assunto;
Quisera ser semente, morro junto Com todos os pomares, sou bisonho... Meu barco, no oceano, nunca ponho; Nas lamas de tais almas, me besunto.
Fracassos foram formas de reclame, Quintais, jardins, nas flores, sou estame; Procuro por comparsa, gineceu...
As farsas tomam todos os meus dias, Recebo em troca, setas, vãs, vazias... Quem sou? Alguém que em vida, feneceu... Marcos Loures
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Quem somente uma vez amou na vida Espera que esse amor nunca se acabe... Por isso te esperando, vem querida, Tristeza no meu peito não mais cabe...
Eu quero tuas mãos, tão mansas mãos... Nas minhas, me trazendo maciez Não deixem que se tornem, vagos, vãos, Os dias em que tanto amor se fez...
Somente por um dia não me basta, Amor que quero sempre, por inteiro... A vida não seria essa vergasta Que corta com prazer tão costumeiro...
Quem sabe nosso amor possa me dar, Razão para entender o que é se amar...
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Quem sempre se escondera em tal redoma Que finge proteção e nos maltrata, Agora ao perceber que amor é soma, Adentra mergulhando a densa mata
Flutua em cada verso, soberana E ri felicidades, alegrias. Amada, como é bom amor que explana Vibrando em nosso peito tais magias...
Eu quero ser e estar sempre contigo, E sempre e mais, sem tréguas desfrutar De toda a fantasia que persigo, Bebendo desta fonte, devagar....
Chegando extasiado ao bel prazer Que marca doravante o meu viver...
39
Quem sempre ri por último é boçal Na certa não entende uma piada. Minha alma até que andara apaixonada, Sofrendo na maior cara de pau.
Depois de ter passado muito mal, Pior que catapora, deu guinada, Agora já não quer saber de nada, Vivendo em pleno agosto, o carnaval.
Só tenho que pensar como é que posso Tirar este sorriso do meu rosto. Não quero mais viver dor ou desgosto
Nem vou mais me sentir como num poço. No riso de um babaca, amor se esgota E como eu disse atrás: sou idiota!
40
Quem sempre procurou a liberdade Pensando ser feliz sem ter ninguém, Ao perceber que a noite fria vem, Encontra a solidão que amarga invade.
Quem dera se tivesse a tempestade Que um dia foi só minha, perco o trem Amor descarrilado, nada tem O céu estando aberto, em mim a grade.
Que posso desejar da vida assim, Sem ter tua presença junto a mim, A seca jamais cessa, vou deserto.
Quem dera estar cativo de quem amo, Escravo sem destino buscando amo Sozinho no meu leito, em vão desperto... Marcos Loures
41
Quem segue seu caminho Em trilhas diferentes Talvez encontre ninho No sonho de outras gentes,
Não sei andar sozinho, Meus versos vão contentes Quando contigo aninho E gosto quando sentes
Meu passo a te seguir. Porém querida amiga, Meus erros não repito,
Prefiro perseguir Um passo que prossiga, Por outras mãos escrito...
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Quem segue este caminho tão deserto Brandindo em solidão, quase transido, Na busca de alegria em peito aberto, Ao mesmo tempo inerte e condoído Em cada novo dia sempre alerto, Que o passo que foi dado, sem sentido.
Um sonho que se mostra bem mais justo Premissa, com certeza, de guinada, Trazendo um tempo bom- garanto- augusto Mudando sempre o rumo desta estrada. Não quero na tristeza estar combusto, Por isso é que perfaço a caminhada
Nos laços da amizade, sem receio, Que o vento da esperança trouxe, veio...
43
Quem se fez em sorrisos morre só; Distante picadeiro, nada mais... Talvez uma esperança, deste pó, Para onde voltaremos; ledo cais... No circo inda se escuta um forte dó Num eco que a saudade, triste, traz. A vida qual moinho, em pedra, em mó, Devora todo sonho e traz a paz Que nunca se deseja. Mas virá. As máscaras da sorte se calaram, Riso que contagia, morrerá Nos braços de quem fora sempre um laço, Doces recordações que se amargaram; Num último sorriso de um palhaço....
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Quem se exila, vai só por toda a parte E não percebe nem a solidão Amar é conceber estar destarte Atado aos fortes laços da ilusão.
Não deixe que esta vida já descarte Os sonhos desejosos da emoção, Por isso quando eu quero declarar-te O quanto eu te dedico esta paixão
Aguardo por resposta benfazeja, Depois das tempestades que passei, Nos mares onde amores eu cruzei
A paz deste teu cais, o que deseja Um coração que vive esta esperança De poder finalmente ter bonança...
Marcos Loures
45
Quem se esconder atrás do anonimato, Na vida sempre um zero se fará. A face do imbecil que sem retrato Somente este vazio estampará;
Por isso, minha amiga eu sigo grato A quem o meu caminho mostrará, Sabendo que o amor pra ser um fato Precisa da verdade desde já.
No teu aniversário, companheira, Eu venho agradecer o teu amparo, Diferes desta escória costumeira,
Mostrando a tua face sem mentiras. Meu agradecimento, eu te declaro, Por seres muito além de simples tiras... Marcos Loures
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Quem sabia dos mares, timoneiro, Se perdeu; tantas foram calmarias, Sem vento pelas noites, pelos dias, No mar, silenciado por inteiro...
Não pudera vencer o verdadeiro Amor que nunca traga ventanias, Que nunca queimará loucas orgias. Nas ante-salas, morno e pasmaceiro...
Amor é na verdade, tempestade; Vagando sem ter medo, nem que tarde, Consumir-se feroz, nessas procelas.
E não teme castigos e nem celas, Sabe dores cruéis até singelas, Amor sem ter tempestas, falsidade... Marcos Loures
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Quem sabe, assim, talvez a dor te traga O gosto tão amargo da saudade. A boca que te beija, que te afaga, A mesma que te cospe, na verdade...
Amigo, não discuta com a morte, A sorte de quem vai, a de quem vem, Dependem desta fúria, deste corte, Da vida que levamos, sem ninguém...
Mas saiba que te resta uma ventura. A noite sem estrelas trama o sol. Depois desta doença, morte ou cura, A louca desventura, teu farol...
Amigo, uma esperança que morreu, Do amor que dentro em ti, já se escondeu... Marcos Loures
48
Quem sabe te terei sempre a meu lado? A dúvida decerto me avassala Minha alma de teu corpo qual vassala Açoda cada passo vislumbrado.
Amor que não coleta mais enfado Adentra o coração em larga escala A voz que me inebria enquanto embala Escreve em verso manso e delicado.
Capaz de sempre dar prosseguimento À lenda que floresce em meu jardim, Não guardo nem sequer ressentimento,
Bebendo a ventania que me alcança Reflexo da mais nobre temperança, Espelhas todo amor que trago em mim. Marcos Loures
49
Quem sabe tanto amor nunca duvida Do sentimento imerso em águas calmas, Porém ao carregar antigos traumas, Esboço nos teus braços, a saída.
Montando esta esperança tão querida, Entrego o coração, buscando as almas Saveiro que em tempesta logo acalmas, Palavra entre remendos dividida.
Esgarça os meus olhares, firmamento, No cálice dos sonhos, pensamento Galgando espaço livre, sideral.
Tua nudez, delito insano e claro, Sentindo o teu perfume, eu já disparo Desejo mais profundo e sensual. Marcos Loures
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Quem sabe se talvez, já poderia Falar desta amizade que nos leva Trazendo para a vida a cantoria, Deixando para trás terrível treva.
Agora que percebo esta alegria Na luz desta amizade faço a ceva Que me trará de novo em novo dia Calor que não existe enquanto neva.
De todos os meus sonhos, eu garanto, Felicidade é sempre o principal. Cobrindo em amizade, calmo manto,
Embora o mundo seja desigual, Aguardo com certeza todo o encanto Do sentimento nobre, e maioral!
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Quem sabe se romântico poeta Esboço de ilusões eu carregasse. Na mira mais perfeita desta seta Não resta nem aresta até disfarce.
Vasculho outro sentido, em nova meta; Gerando tolamente um novo impasse; Na sorte que não tenho e se completa Na oferta que te faço: uma outra face.
Mas louvo o nosso amor em novo cântico. Encontro-te comigo em sala e bar. No fundo, bem quisera ser romântico.
Bebesse gota a gota o vasto mar. Amar já não seria assim tão tétrico Meu verso não viria escravo métrico.
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Quem sabe se eu vislumbre depois disso Um último recanto, uma esperança. A vida refará então seu viço, Deixando para trás toda lembrança.
O verso que se fez já tão castiço Agora em outra estrada enfim avança O quanto que te quero e te cobiço Fornalha onde alegria em festa dança.
Tua beleza imensa, um arquipélago, Vagando uma procela sobre o pélago Adentro em infinitos; Eldorados.
Os dias que virão serão marcados Deixando alma sombria estupefata Vitorioso amor, em serenata... Marcos Loures
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Quem sabe se eu seria o que tu pensas Invés de ser somente o que inda sou. Espero que talvez disto convenças, Deixando dentro em mim o que restou.
Crateras/solidão são mais imensas E nelas, com licença, eu não mais vou. Não quero mais ouvir tuas ofensas, Quem ofegante, em gozo, me provou.
Provoque os meus sentidos se quiser, Atice com teu fôlego, mulher Depois sem dar desquite, então desfrute.
Do quanto posso ser em poço fundo Vertente de – quem sabe – um novo mundo, Querida, pense nisso, enfim, me escute...
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Quem sabe se eu ganhar na Mega-sena Eu possa ter a moça que desejo. O vento transformando em relampejo Mudando num momento antiga cena.
O beijo que seduz e me envenena Premissas de um futuro em que prevejo O bem que se mostrando num lampejo Permita um novo tempo, vida plena...
Mas sei que não consigo tal proeza, A vida sem te ter perde a beleza E vira tão somente este marasmo.
Metaforicamente quero ter Depois da loteria, o teu prazer, Prenúncios no cartão dizem de orgasmo... Marcos Loures
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Quem sabe quanto o mundo, em si, é fero, Usando por defesa a solidão, Tentando ter nas mãos o seu timão Buscando caminhar com tanto esmero,
Fantasma que hoje em dia crio e gero Adentra a minha casa e no porão Transforma a calmaria num tufão Levando ao mais completo desespero...
Arcando com meus erros, inda tento, Seguir a direção do forte vento, Entregue aos meus delírios e desejos...
Porém ao perceber minha fraqueza, O amor tomando o prato põe a mesa, Arrasta-me em pavores sem ter pejos... Marcos Loures
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Quem sabe poderei me libertar De todas as algemas que carrego Às quais com devoção e raro apego Meu corpo eu sinto, aos poucos se entranhar.
E nesta simbiose, devagar De tanto que me dou e assim me entrego Qual fora dentro da alma, um firme prego Não deixa nem coragem de lutar.
Saudade de quem foi e não voltou Revolta e volta e meia vem à tona. Ferida que não sai nem abandona
Na luta tão insana o que restou De um horizonte morre em cores gris, Embora em agonia, eu sou feliz... Marcos Loures
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Quem sabe perpetrar em fina glória Depois de tanto tempo nos horrores Dos duros e terríveis dissabores, Mesmo que traga a dor em sua história,
Deixando a solidão qual podre escória, Ao refazer a vida, com penhores Percebe quanto salvam os amores E logra num momento esta vitória.
Assim já refazendo em tal encanto A vida num momento em claridade, Perfaz o seu caminho, e seca o pranto,
Pois sabe que a vital felicidade, Nos doces, mansos braços da amizade, Recebe um forte abrigo, feito em manto...
58
Quem sabe pela dor, por certo, eleita, A vida não prossegue em claridade. Inspiração terrível, mas perfeita Mostrando a face negra da verdade.
No leito; transtornada, ela se deita, E mostra as garras frias da saudade. Na pele em cada ruga, vai desfeita A sorte que julgara imensidade...
Não vendo mais caminhos neste mundo, Mergulha num segundo em mar profundo; Ali percebe um riso mais jocoso.
Quem fora primavera já se vai, Em cada nervo o rosto se contrai, E paradoxalmente, vem o gozo...
59
Quem sabe noutro tempo em novo espaço Eu possa pelo menos vislumbrar, Distante do oceano e sem luar, Apenas da ilusão, um fino traço.
A morte me convida ao seu regaço, E nada do que eu quis soube me dar, Espelho refletindo o meu olhar, Demonstra tão somente este cansaço...
No céu as nuvens dançam dissonantes, As andorinhas migram sob os cúmulos, A vida se perdendo e por instantes,
Concebo o meu final, em noite fria. Viajo para dentro destes túmulos, E o vento toca a lápide e assovia... Marcos Loures
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Quem sabe noutro dia nasça o sol? Preâmbulos diversos anunciam Enquanto os vãos desejos se saciam, A luz já se antevê neste arrebol.
A fantasia serve de farol? Eu sei que falsos guizos já nos guiam, As dores que estes prismas sempre ampliam Nas lágrimas que são seu girassol.
Amiga, nada impede que se tente Crer no amanhecer que, sei virá. Se o peito em esperanças desde já
Tomado de emoção for mais contente, Vencendo em mansidão a adversidade, Usando este poder, o da amizade.
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Quem sabe no final do jogo eu tenha Além da sensação de um tolo empate? O amor quando se mostra um disparate Acende inutilmente úmida lenha.
Não ter aquilo tudo que convenha A quem não quer apenas um embate Sem ter algum prazer que me arrebate A senda mais escura, uma alma embrenha.
A sorte de ser teu e seres minha Apenas se mostrou torpe e daninha, Alinho o pensamento noutra história.
O quase ser feliz não vale o risco, E tendo o coração bem mais arisco Não quero ser somente escombro, escória...
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Quem sabe não se perde, vai atrás. Por isso não permito que tu vás; Quem corre tão depressa alma não traz Em meio à tempestade eu perco a paz...
Eu sei quanto te quero, não duvide, É todo o meu amor, não diga adeus. Amor é quem escolhe e quem decide, Povoas, meu amor, os sonhos meus...
É feito uma esperança que não cessa, É feito uma alegria que disfarça, Amor não é somente uma promessa, É dança noite e dia em plena praça...
Ao dedicar amor, recebo amor, Um eco deste peito cantador...
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Quem sabe irá chegar uma princesa Depois do baile, nua em tua cama. Na esquina da ilusão, farta beleza, Abaixo da cintura, cone em chama.
Orgástica emoção de correnteza Vagando sobre o céu mergulha em lama, E chega tão voraz, estende a mesa E o fogo da paixão, logo reclama
Adentra no teu quarto, faz a festa, Algemas, espartilhos, lingeries, Princesa mezzo santa e meretriz.
Poreja com vigor, abrindo a fresta, Numa sucção bem feita, chega ao cume, E foge, num instante, vaga-lume...
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Quem sabe fazer versos hoje em dia? A métrica morreu de inanição Inveja do imbecil sem poesia Amarga feito mel em podridão.
Na fresta que se abriu à valentia Poeta sem ter rumo ou direção Abaixa logo o nível e se cria Fumando um baseado, está doidão...
Inveja é uma merda! Nada além, O cão mordendo o rabo quando vem Fazer a serenata na janela
Demonstra uma pobreza sem igual, A tal publicidade tão boçal, Que o vômito do ignaro me revela... Marcos Loures
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Quem sabe faz agora o que bem quer, Não tema, pois estou sempre contigo, Terás eu te garanto, o que quiser Unidos, siameses, pelo umbigo
Não temos;eu te juro, amor qualquer É mais do que tu pensas, sem perigo A deusa que hoje em forma de mulher Traduz o que, faz tempo, eu já persigo.
Paixão que nos devora e lambe a testa, Te quero da cabeça até os pés, Pois cada verso feito sempre atesta
A essência do que falo em cada verso, Não olhe desse jeito, de viés Jamais meu sentimento foi disperso... Marcos Loures
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Quem sabe faz agora e tendo a sorte De ter a fantasia nos seus dedos, Enlaçando os desejos, cria enredos Que mudem com certeza, o antigo Norte.
E mesmo que a tristeza ainda aporte Conhece dos prazeres os segredos, Matando com delírios velhos medos, Nem mesmo lembrará que houve tais cortes.
No encaixe em perfeição, dois corações, Aprendem do viver estas lições E geram da unidade, o Paraíso.
Tu tens em tuas mãos, os meus anseios, Na mágica delícia de teus seios Encontro a proteção que ora preciso...
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Quem sabe desta vida, o seu engenho Percebe quão são duras as andanças Embalde tantas vezes, esperanças Resumem, no final, de onde eu venho.
Se toda uma alegria assim mantenho Pensando nas noturnas, boas danças, Percebo que talvez as temperanças Demonstrem ou resumam o que eu tenho.
Embora tantas marcas dos desgostos Uma esperança ainda resta na alma. Promessa de talvez, tranqüilidade...
Ao ver serenidade em alguns rostos, E pressentindo um sonho que me acalma Encontro lenitivo na amizade...
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Quem sabe decifrar estes sinais Deixados pelos sábios de outras eras Apascentando enfim, duras panteras, Encontra o seu caminho, porto e cais.
Momentos tão sublimes, magistrais Palavras que em doçura tu temperas, Na glória da alegria sei que geras, Sentimentos assim, fundamentais.
Vivenciar o amor a cada dia, Vencendo os temporais dos teus desejos Encantos sem limites são lampejos
Mais fortes os poderes da alegria Fazendo de um amor, o seu farol, Raiando sobre nós o eterno Sol. Marcos Loures
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Quem sabe com amor enfim em transformismo O mundo possa ter um pouco de esperança. A força com que luto, às vezes nada alcança Porém espero a vida em lógico exorcismo
Ao afastar pecado, através do batismo Aonde possa haver amor e temperança Invés de tanto obus, invés de tanta lança Amizade será – quem sabe – um cataclismo
Que venha permitir sorriso de um infante E o tempo não trará mais noites sem afagos Àqueles que sem nada, apenas fome e frio.
Podendo adivinhar em lua deslumbrante Um dia alvissareiro, em carinhos tais, magos, Que a vida possa andar sem ser só pelo fio...
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Quem sabe com a morte, eu tenha enfim, Algum sorriso franco, pelo menos... Os dias que pensara mais amenos, Tempestuosamente vão assim...
O quanto que não trago dentro em mim De sonhos mais felizes e serenos, Em dores e amarguras seguem plenos, São falsas alegrias. De festim...
Cansado de lutar por quem jamais Um dia poderia me querer, Os risos da esperança são fatais
O velho marinheiro que sem cais, Encontra no naufrágio seu prazer, Exausto de esperar já não quer mais... Marcos Loures
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Quem sabe cochichar, o rabo estica E virando um demônio, enchendo o saco Levando todo mundo pro buraco, Secando a fonte, a mina, fecha a bica.
Esconde o marinheiro na barrica E deixa o capitão mostrar seu taco, Por isso em descaminhos, eu empaco Mesmo que esta mistura seja rica.
Menina delicada, patricinha, Mostrando no seu site uma calcinha Posando de putinha lá no Orkut
Casando com Mauricio, este babaca De dama puritana, logo ataca Por mais que um vibrador ainda embute...
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Quem sabe assim, trepando noite e dia, Garanto ser melhor que um cigarrinho, A gente só na santa putaria, Na boca, na xoxota e no cuzinho,
O leite esparramando te alimenta, E traz um vício bom, eu nunca falho, Eu peço, meu amor: me experimenta, Que aqui te espera duro, este caralho.
Que louco quer entrar na bocetinha Depois na tua boca, no rabinho, Te quero nesta cama peladinha, Eu juro que penetro de mansinho.
E quero no teu gozo me esbaldar, Até que no teu fogo, eu viciar...
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Quem sabe assim eu poderei sonhar Beber a sorte em fartos goles, luz. Em plenas trevas vivo amor conduz Quem reconhece deixa o sol brilhar.
Na força do astro quererá banhar No fogo insano que este amor produz Cobrindo de ouro o que se fez em cruz Decerto encontra o que buscou: amar.
O canto livre torna o peito aberto E granará o que pensei deserto Com toda força multiplica cores
Após tempesta enfim virá bonança No encanto vívido que a luz alcança O tempo se repleta nos amores. Marcos Loures
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Quem sabe alguma luz inda me queira E venha organizar a minha vida. Por vezes minha mão vai distraída E quebra esta promessa derradeira.
Do quanto que perdi, faço a bandeira Capaz de se mostrar mais decidida A sina dever ser sempre cumprida, Mas quero outra saída, lisonjeira.
A vida vai seguindo o seu caminho, Prossigo sempre em paz, mesmo sozinho Não tendo outro destino, mundo afora
Embora cabisbaixo, sem porém Comigo, com certeza, tudo bem. Apenas solidão vem e deplora Marcos Loures
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Quem sabe a solução feita amizade Permita amanhecer uma alegria Que possa traduzir felicidade Além do que em sonhos eu previa.
Numa expressão que mostre a liberdade Meu verso de ilusões se fantasia Ao perceber possível claridade A noite se converte em belo dia.
Parâmetros diversos fontes várias Moldando estas palavras necessárias Trazendo a mansidão para os meus versos.
Juntando estes caminhos tão dispersos Pressinto uma alvorada mais bonita, Vencendo em pleno amor, tanta desdita... Marcos Loures
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Quem sabe a peste; enfim, me deixe em paz, Não tenho paciência, se esgotou, O esgoto que o suíno chafurdou, Cheiro característico já traz.
Deixado há tanto tempo para trás O barco na tempesta soçobrou De tudo o que pensavas só sobrou A fala de um estúpido incapaz.
Chacotas pelas ruas. Tenho pena, Não posso relembrar a mesma cena Mostrando a tua face de imbecil.
Enfia a tua cara num buraco, Da gorda silhueta nem um naco Que sirva para assar; esqueço o grill...
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Quem quiser se casar com a princesa Pensando na coroa que é dourada Espere que ao findar da correnteza O rio vai secar numa invernada.
Escondida detrás da realeza Não sobra, na verdade quase nada, Quem vive neste mundo por riqueza Já perde, num espinho, meia estrada.
O bom da vida, amigo, é liberdade É um valor sem preço, vem de graça Quem se vende passando a ser cativo
Não sabe o que perdeu na realidade A realeza é porta da desgraça Amigo é bom ficar com o olho vivo...
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Quem quer os sacrifícios do cordeiro Esquartejando uma alma em sangue frio Não sabe quando amor é verdadeiro, Mostrando-se cruel e mais sombrio.
Deixando por herança um podre cheiro Que exala o ser humano, cão vadio, Matando já de cara o seu herdeiro Na profusão do nada e do vazio.
Nós somos agiotas desta Terra Tão extorquida em saques violentos. Porém, dentro do peito já se encerra
A solução que mostre esta verdade: Os dias não serão tão virulentos Somente se reinar uma amizade... Marcos Loures
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Quem pode livre ser sem ter amigos? Trazer a vida inteira sossegada. A sorte muitas vezes é privada E não vai proteger contra os perigos.
E assim, ao caminhar sem ter abrigos, A faca que nos corta, demonstrada Na ponta que virá; bem afiada, Refazendo os cortes mais antigos.
Jardim que em pleno inverno brota em flores Cercando com afeto contra as pragas. Assim a vida acalma e; leve, passa
Guardada das tempestas, dos horrores. Amigo verdadeiro; sana a chaga Futuro com mãos limpas; vem e traça.
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Quem pode em levar ao teu remanso? Procuro nas estrelas, teu caminho. Na lua que beijara sem descanso, No tempo que sonhava teu carinho...
Por vezes a minha alma se enamora E busca tanto amor, delícia e fado. Sabendo que o amor; amor adora, No gesto mais viril e delicado...
Nos raios mais dourados deste sol, Os crespos destas ondas, nosso mar. Fazendo dos teus olhos meu farol, Sonhando tanto amor que quero amar...
Nos prismas dos meus sonhos, multicores; Matizes tão diversos dos amores...
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Quem pensa tão somente em hierarquia Pensando ser assim superior Não sabe quanto a campa se faz fria Depois da morte nada tem valor.
A solidão futura, mais sombria Última companheira a te propor Um pouco de saudosa nostalgia Distante de quem fora o teu amor.
Apraza- te um vazio tão profundo? Pois saiba que na terra mais mesquinho Encontra esta igualdade noutro mundo
Banquete para os vermes. Pequenez. Por isso, quem viveu sempre sozinho Carinhos que terá: primeira vez...
Marcos Loures
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Quem pensa que o amor é tirania Se perde sem amor por toda a vida. Amor não se traduz em vilania, Em luz se reproduz e dá guarida...
Eu sinto nosso acaso como um caso Que foi abençoado por um deus. Não temo nem tremores nem ocaso, Meus olhos não permitem teu adeus...
Por mais que sempre fomos inconstantes, Diante deste amor somos concretos. Sabemos que invejaram; delirantes, Por isso estamos sendo mais discretos.
Mas veja que assim mesmo vamos fundo, No grito deste amor, maior do mundo!
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Quem pensa que o amor é simples jogo, Não sabe da potência que ele emana, Quem brinca sem juízo, com o fogo, Ardendo totalmente já se engana.
Pois amor nunca admite sequer rogo, É força que nos doma, soberana. Nos lagos deste sonho que me afogo A sorte sem limites, já se explana.
Na chama em que se faz tal sentimento, Aos poucos nos domina e, assim, clareia. Teu nome não me sai do pensamento,
Embora me apavore, estou te amando. A brincadeira agora me incendeia, Não sei nem responder mais até quando...
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Quem pensa que em amor, cedo padece Não sabe divisar a divina arte. É como se, querida eu já pudesse, Alçar em pensamento qualquer parte
Do espaço em que o prazer assim se tece, Alçando uma alegria sem descarte. Agradecer a Deus, em louca prece, Alvíssaras risonhas que reparte
Amor em nossos corpos, cada vez Que a noite nos impele, insensatez Ao espalhar a luz numa alvorada
Amor em tentação, tão sensual, Na multicor aurora boreal Percorro com vigor tal bela estrada. Marcos Loures
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Quem pensa que da sorte mais perfeita, Recebe com fulgor a claridade, Em cama feita em louros sempre deita
Ao perceber do céu imensidade, Ao ver a vida assim tão satisfeita Conhece toda a força da amizade
Que é pura inspiração em verso solto, Tramando uma emoção que, sem igual, Apascentando um mar antes revolto, Perfaz uma alegria em festival.
Ao garantir potência na passada, Permite que vislumbre no futuro A vida por um sol iluminada, Num mundo que jamais será escuro...
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Quem pensa que aprendeu, na vida a amar, Se engana totalmente, minha amiga, Amar não é saber nem ensinar, Esta verdade, embora tão antiga, Quase ninguém jamais quis escutar. Amar não tem porque nem como o diga Se faz sem pelo menos perguntar, Amor, quem não conhece desabriga É sentimento livre e sem esporas Cavalga sem destino e não se esconde Titubeante nunca quer escoras. Se faz no dia a dia, sem perguntas, Amor jamais pergunta: como? Aonde? São almas diferentes que andam juntas...
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Quem pensa em ser poeta tem que ter O pensamento livre, sem amarras, Não pode se deixar mais submeter Ao egoísmo torpe em tristes garras. Vivendo a poesia como um todo; Quem ama sempre a vida vai buscar, Mesmo na ostra que vive em pleno lodo, Inspiração liberta p’ra cantar... Amada, por favor, não tolha o sonho Que nunca se deixou ser um cativo, Por vezes meu cantar é mais risonho Que a dura realidade onde estou vivo... Não queira confundir a poesia Com vagas sensações do dia a dia...
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Quem nega amor jamais será querido Vinhedo em podridão não dá bom vinho. Se fosses por caminho conhecido Por certo não virias mais sozinho.
O vento que ventaste bem sofrido Aborto que negou qualquer carinho. Depois não reclamar quando esquecido, Jogado na gaiola, passarinho
Morrendo sem ter canto sem ter nada, Vivendo do vazio que plantou. A cor da fantasia acinzentada
O gosto do aguardente queima a boca, Só sobra o que soçobra e não gozou, A paga desta dívida é bem pouca.
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Quem nega a claridade de luares, Deixando as garras sempre demarcadas E traz nas frias mãos, duras pancadas, Fornalha onde incendeia tristes pares.
Veneno em sobremesa nos jantares O vento da tristeza em mil lufadas, Escorpiões caminham almofadas Sorrisos de ironia ao beijares.
Lençóis abandonados sobre a cama, Vagas emoções, loucos delírios. Sobrando simplesmente meus martírios,
E a voz que solitária te reclama. Mas deixo a vida agora, morte chama, Já pode encomendar cravos e lírios...
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Quem não leva a beleza dentro da alma E segue simplesmente sem pensar Que a vida se enobrece e só se acalma; Entregue na alegria de sonhar... Quem deixa-se levar pela frieza E não se entrega à vida totalmente, Se condenando a um mundo sem beleza Não vive; está morrendo tolamente. Amigo, não permita que isso ocorra, Permita-se sorrir, pois num sorriso Quem sabe a nossa alma se socorra E tenha uma visão de paraíso... Vivendo com ternura, em harmonia, Pintando mesmo a dor, com poesia...
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Quem não leva a beleza dentro da alma E segue simplesmente sem pensar Que a vida se enobrece e só se acalma; Entregue na alegria de sonhar... Quem deixa-se levar pela frieza E não se entrega à vida totalmente, Se condenando a um mundo sem beleza Não vive; está morrendo tolamente. Amigo, não permita que isso ocorra, Permita-se sorrir, pois num sorriso Quem sabe a nossa alma se socorra E tenha uma visão de paraíso... Vivendo com ternura, em harmonia, Pintando mesmo a dor, com poesia...
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Quem não chora não mama; isto é verdade, Por isso é que eu te peço de joelho Que traga teu amor sem falsidade, Não quero olhos tingidos de vermelho.
Parece inusitado, mas sem grade Eu quero nosso amor sem ter espelho, Um rio sem ter mar já não se invade Nem segue com certeza um mau conselho.
Um par quando se faz em dois distintos, Razão sobrevivendo a tais instintos, Permite caminhadas paralelas.
Mas quando o sentimento faz a festa Daquilo que já fomos nada resta Misturas estragando raras telas... Marcos Loures
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Quem não amar a vida vai sentir O fogo desdenhoso em solidão. Deixando num momento de pedir As cores maviosas da emoção.
A morte é benfazeja para quem Não pode perceber tanta beleza Que a vida nos mostrando sempre tem, Nem sabe desfrutar da natureza.
Tolice é não viver cada momento Deixando pra depois, felicidade, Carinhos que trocamos, sentimento Que mostra toda a força da amizade.
Amiga, vem comigo. A vida chama, Acenda em todo verso a tua chama...
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Quem medra é simples merda, sempre mente Demente, enfrento o vento e não engulo. Bebendo a tempestade de repente, Se não sinto firmeza, eu logo pulo.
A dor que me sufoca? Dor de dente. Jamais me encontrarás, decerto, fulo. A cobra que dá bote? Se, presente, Preparo minha amiga, cada pulo.
Varizes de minha alma a sangue frio Queimadas com reveses e surpresas. As velhas jararacas perdem presas,
Mordiscam qual carinho, e assim desvio Não temo cascavel que cega, xinga, Mas tiro, minha amiga, o da seringa...
95
Quem me vira em plena graça Ao me ver abandonado, Coração que se esfumaça, Pelos cantos vai jogado,
Nos botecos, a cachaça, Companheira, de meu Fado, Vida vem e o tempo passa, Mas ninguém vai ao meu lado.
Minha amiga, eu te pergunto, “Como pode um peixe vivo Viver fora da água fria”
Passo a passo iremos junto, O meu peito segue altivo, Na amizade que eu queria...
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Quem me dera Eu pudesse Primavera Eu tecesse
Numa espera Sem prece A pantera Eu bebesse,
Mas afio Canivetes Meu estio
Sem estilo. Sem confetes Isso? Aquilo...
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Quem me dera tivesse os teus carinhos, Ausência de alegria, morte à vista. Os dias seguem tristes e daninhos, Felicidade esvai sem deixar pista. Beber das esperanças raros vinhos, Quem sonha, por momentos já despista.
Aonde há tanto tempo eu pensara Houvesse a fantasia que, dispersa A cada novo dia desampara. O amor que vai além de uma conversa É jóia fabulosa, porém rara, E o coração sofrido, desconversa...
Cerzindo a solidão, fiel herdeira Do amor que se perdeu sem eira ou beira... Marcos Loures
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Quem me dera viver eternamente Quem me dera saber felicidade Quem me dera o prazer sempre presente Quem me dera o querer da mocidade.
Quem me dera este brilho dos teus olhos Quem me dera este trilho dos teus passos. Quem me dera os perfumes, flores, molhos Quem me dera o calor dos mansos braços.
Quem me dera o teu corpo junto ao meu Quem me dera o sorriso da vitória Quem me dera esta luz em pleno breu Quem me dera esta lua merencória...
O bom Deus escutando um sonhador Presenteou-me com nosso imenso amor...
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Quem me dera viver como um cipreste, Arvoredo da vida me deu prazo... Ser eterno tal qual um velho vaso, Espreitar tanta coisa que não deste...
Ir retirando, louco, tua veste E deixar-te sem rumo, norte ou leste... Quem me dera seguir não ter atraso, Quem me dera, sentir o nosso caso...
A cortiça da vida me levita. Na vital sensação de ter errado... A morte que não quero se habilita
Nas montanhas da sorte que não subo. Pelas cotas completas sobra um tubo, Que me leva ao meu túmulo, meu fado... Marcos Loures
13700
Quem me dera um violeiro Pra cantar amor perfeito, Ser eterno companheiro, E viver tão satisfeito
Tendo amor; pra que dinheiro? Vou levando deste jeito, Com um amor verdadeiro, Sem achar nenhum defeito.
Caminhando, de repente, Encontrando a solução Que se dá pra toda gente,
Nas cordas de um violão Tanto amor que se pressente Nos braços de uma paixão!
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