
MEUS SONETOS VOLUME 135
Data 02/01/2011 08:51:01 | Tópico: Sonetos
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1
Que quer de toda forma ser constante Eu sei e até aplaudo esta vontade Enquanto em descaminho vou adiante Jamais encontrei felicidade.
Mas sinto que a constância talvez seja Deveras a perfeita solução. Uma alma se mostrando sempre andeja Não pode reclamar de solidão.
Hereges, os desejos que me tomam, Delírios simplesmente, nada mais. Vazios se em vazios já se somam Não deixam que se veja, perto, o cais.
Coajo inutilmente as ilusões Que abrem enquanto fecham os portões... Marcos Loures
2
Que possa nos salvar do precipício É tudo o que desejo deste amor. Saber quanto é preciso recompor Um sonho além que não permita um vício
Apenas vejo na beleza ofício Tramando uma alegria com vigor Num sonho sem igual encantador. O meu amor nunca será fictício.
Não quero luz por ser somente luz, Magia encontro em corpos seminus Em viagens sutis, meta astronáutica
Dourando estrelas, te bebendo inteira. Quando sozinha, insana e derradeira Minha alma, dura, fria, atroz, basáltica. Marcos Loures
3
Que os tempos não traduzam tais retardos Que os velhos inda trazem sobre as costas. As balas guerrilheiras nas encostas Os templos feitos sonhos; negros, pardos.
Nos olhos e nas peles, os petardos, As mãos sobre os joelhos, ora postas, Futuro desdenhando tais apostas, Apenas por herança, os mesmos cardos.
Antigas baionetas e fuzis, O corpo da pequena meretriz Servindo de estandarte a quem deseja
Um novo alvorecer neste planeta, Olhando o que passamos pela greta, Apenas liberdade inda se almeja...
4
Que os louros desta luta digam paz, Assim já valerá cada contenda. Não quero saber mais quem é capaz, Apenas que se arranque agora a venda
Que impeça, no final, clarividência Que encontro tão somente nos amantes, A sorte se mostrando em evidência Permite tais vislumbres fascinantes.
Não tenho mais pudores em dizer O quanto é necessário o bem de amar. Se nele eu imagino sempre ver A força imensurável deste mar
Que um dia esteve em nós, ventre materno, Num manso turbilhão salgado e terno...
5
Que os Céus nos iluminem neste dia De festa para os homens cá na Terra. Rebimbam tantos sinos da alegria O sol se embelezando lá na serra. O mundo se mostrando em fantasia Numa felicidade que descerra
Sorrisos de quem sabe ser feliz, Num canto sem igual, minha querida. O céu vai desfilando seu matiz Rebrilha nossa sorte pela vida. Parece que um bom anjo já me diz Que a sorte se mostrando decidida
Nos mostra que este amor tão solidário Reflete em nós no teu aniversário...
6
Que o verde de teus olhos se esparrame Em todos estes campos tão sofridos. Que o amor que já nos toca se derrame Tornando nossos bosques mais floridos, Que a sorte nos invada como enxame E torne nossos dias coloridos...
Que o canto da amizade e da esperança Nos lábios deste povo injustiçado, Transforme uma pureza de criança Num dia que virá mais consagrado, Que em todo este país a nossa dança Transborde qual florada em todo prado.
Menina; tua força em liberdade, Cevando todo o bem de uma amizade...
7
Que o tempo que te trouxe não te leve, Espero que teu braço sempre acolha Por mais que seja o tempo pouco e breve Dure mais que o cair de simples folha...
Que a flor do sentimento que plantaste Renasça em cada dia mais formosa. Se tudo nesta vida traz desgaste Por mais que tenha espinhos, vale a rosa.
Que nunca se desdenhe uma esperança; Nos alimenta e salva da tempesta. E não mate jamais essas criança Que vive no teu peito, em tanta festa.
Não beba da saudade tão antiga, Procure ser feliz, enfim, amiga...
8
Que o sonho da amizade não refaça Os erros cometidos no passado, Do gosto desleixado vire farsa Do tempo destruindo em triste fado Aquilo que jamais a luz disfarça: O vaso da amizade já quebrado.
A base em que se faz, a confiança, É tudo o que um amigo necessita. Se a sorte não se vê, e não se alcança Se perde sem valor, esta pepita. Ajuda a destruir uma esperança, E mata ao mesmo tempo em que conflita..
Não deixe que o caminho em desconcerto Afogue um sentimento no deserto...
9
Que o sol já se promete bem mais forte Pra quem se permitir amor profundo, A cada novo sonho giro o mundo Mudando em alegria minha sorte.
Por mais que esta saudade venha e corte, O coração sobejo vagabundo, Nas sendas deste encanto eu me aprofundo, Não temo nem mais dores, frio, morte...
Eu quero ter nas mãos teu corpo inteiro, Tornando este prazer tão corriqueiro, Além do que buscara, sigo em frente.
Receba com carinho cada verso, Vagamos pareados no universo Cevando esta emoção que nos alente... Marcos Loures
10
Que o sofrimento seja sempre breve Idílio aprofundando tanta dor. No peito esfumaçado fome e neve Resquício de quem fora um sonhador.
Que o vento da ilusão distante leve Fornalha de esperanças, onde for A mão de quem queria não se atreve E deixa amortalhado um grande amor.
Sonhara em noites claras; um insone. Aguardando o chamar do telefone Mas nada, nada vem e nem virá.
As chagas vou expondo pouco a pouco, E sinto: ficarei por tanto louco, Apenas a amizade restará?
11
Que o pólen que emanaste, minha flor. Nos traga uma promessa original. Na forma delicada deste amor Que quero em nossa cama, sem igual.
As carnes desejosas se imantaram Unidas fortemente se invadindo, Qual barcas que nos mares penetraram Aguando este deserto pleno e lindo.
Indefiníveis sons soltos no ar Mistura de gemidos e de sinos. Nas horas deste ocaso luz solar Iluminando calma, esses destinos...
Eu sinto em nosso amor, um caso sério, Só quero desvendar cada mistério...
12
Que o perfume divino nos envolva Fomento de alegria e de esperança. Que o novo amanhecer sempre devolva A força pra quem luta e não se cansa
De ter a fantasias em suas mãos, Vencendo os odiosos dissabores, Na luta em que se entregam meus irmãos O manto do perdão trama os louvores
Dos quais eu concebendo a fortaleza Do amor inesgotável de Jesus. Ao sonho que se mostre com firmeza Certeza de deixar, distante, a cruz.
Assim os caminheiros desta vida Concebem nesta fé, uma saída... Marcos Loures
13
Que o corpo do mendigo não te cale, Nem mesmo o meu cadáver pelas ruas. Não deixe que esta vida já te empale Sanguinolentas carnes, podres, cruas...
Permita que esperança inda te embale Na imagem de ilusões belas e nuas. Permita que tua alma sempre fale, Estrelas na verdade não são tuas
Porém em cada brilho uma esperança E o retrato fiel da eternidade. Acalente , querida esta criança
Que grita em nosso peito: liberdade! Não se prostitua minha amiga, Na luta sem descanso, pois, prossiga!
14
Que o pão de cada dia seja farto, Que o amor nunca se afaste de quem sonha. Penumbra repousante deste quarto Nos traga uma manhã sempre risonha...
Que a vida nos transforme a cada dia Em seres mais felizes, mais amados. Trazendo tanta paz em harmonia, As dores e os demônios derrotados...
Que tudo seja assim, querido amor Os olhos no futuro os pés no chão. Não seja nosso verso sonhador, Tampouco seja em vão nossa paixão
Que a noite traga em si, felicidade E sonhos pra encarar a realidade...
15
Que o dia seja bom para você; Não se deixe levar pelo cansaço. Coragem é preciso pra viver; Desânimo desenha um outro traço. Um pouco de otimismo não faz mal, Não deixe que essas pedras do caminho Te impeçam de vencer. É natural Querermos um bocado de carinho Por isso é necessário acarinhar Quem ama de verdade. Um bom amigo Antes de ser amado quer amar. Trazendo, se possível, uma alegria Que contagie a todos. Vem comigo Com esperança sempre de um bom dia!
16
Que o coração feliz agora abriga Os sonhos mais audazes; disso sei. Por quanto tempo, tolo, eu esperei, E a casa se mostrou sem base e viga.
Por mais que a solidão se mostre antiga Ainda imaginara nova grei, Vestindo a fantasia, quis ser rei. Andando em descaminho, reza e figa.
Mas quando, enfim, julgara algum sucesso, Os erros recomeçam e confesso O quanto desejei amar. Em vão...
Mascaro com sorrisos de ironia Erráticos meus passos negam guia E perco em teimosia, a direção. Marcos Loures
17
Que o bem desta amizade seja eterno, Vibrando o coração de quem deseja. Um sentimento puro, enorme e terno É tudo o que na vida já se almeja. Aquece em fogo brando, o frio inverno Em força mais suprema relampeja
Uma amizade imensa sempre traz O vento benfazejo da esperança, A cada novo dia mais capaz Mostrando esta firmeza em aliança Nos braços da amizade, tanta paz, Decerto um mundo novo já se alcança
Louvando, pois assim uma amizade Sabemos desfrutar da liberdade... Marcos Loures
18
Que o bem desta amizade seja eterno, Vibrando o coração de quem deseja. Um sentimento puro, enorme e terno É tudo o que na vida já se almeja. Aquece em fogo brando, o frio inverno Em força mais suprema relampeja
Uma amizade imensa sempre traz O vento benfazejo da esperança, A cada novo dia mais capaz Mostrando esta firmeza em aliança Nos braços da amizade, tanta paz, Decerto um mundo novo já se alcança
Louvando, pois assim uma amizade Sabemos desfrutar da liberdade... Marcos Loures
19
Que o amor nos traga em flor, a primavera Nos enfeitando sempre em mil carinhos, De tudo que bem sei, amor espera, As flores também querem passarinhos, Nos beijos nesta flor, um colibri Se mostra em primavera, mil fulgores, Assim como te vejo bem aqui, À espera desses beijos, como as flores, Como prova de amor me dou inteiro, Nos versos, nas cantigas, nas canções, Fazendo o coração como um canteiro, Aberto às mais divinas emoções... Espero que possamos cultivar Com toda uma alegria, o nosso amar...
20
Que o amor nos locuplete e nos permita Servir a tais desígnios: sorte e glória. Sabendo lapidar esta pepita Talvez possamos crer numa vitória.
Fazendo a vistoria de história Que às vezes molda a dor, mas é bonita Volátil coração criva a memória Que os mais profanos sonhos; exercita.
Acasos; desconheço, nem os quero, No amor que jamais foi nem será mero Perene sensação de plenitude.
Não sou e nem te quero um meteoro Se às vezes em teus sonhos me decoro Não mudo nem desejo outra atitude...
21
Que não sobre de ti sequer indício, Nem mesmo alguma sombra do que fomos. A fruta apodrecendo faz dos gomos Veneno que se mostre mais propício
E mate quem pensara ter no sumo A doçura enganosa e prometida. E quando encontra uma alma distraída, Eu farto-me em vis goles, e a consumo.
Assim minha carcaça contamina Quem teve alguma luz, mesmo distante. Meu canto tantas vezes torturante
A morte feita em vida descortina E traz a escuridão como uma herança Do corpo podre e frágil da esperança. Marcos Loures
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Que nada mais indique teu perdão Eu sei e nem precisa me lembrar, Jogado junto aos ratos no porão, A porta tu fechaste devagar
Não quero mais usar velho jargão, Cansado dos clichês, volto a sonhar, Enquanto o vento vira embarcação Um náufrago se perde em alto mar.
Mas veja se é possível crer na sorte Que muda a todo instante o meu destino, Fazendo da tristeza um novo norte
A morte talvez trague algum alento, A quem coleciona, de menino, Apenas tão somente, dor, tormento... Marcos Loures
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Que meus olhos te falem deste adeus, Já que meus lábios nunca falariam, Momentos que vivemos, teus e meus, Dificuldades tantas já me criam,
E quando acaricio os teus cabelos, Olhando para longe, nada vejo. Delírios do passado; ainda vê-los, Carregam os encantos do desejo
Que embora sobreviva, é muito pouco, E tudo o que mais quero é ser feliz. Cansando de sonhar, perdido e louco, Meu coração se cala e se desdiz.
Enquanto o corpo pede tua pele, O Amor que se esvaiu, foge e repele...
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Que jamais algo impeça a caminhada, Por mais que se anuncie a tempestade, Quem usa por bandeira uma amizade Prepara a cada dia esta escalada.
Vencer as cordilheiras, custa nada Aos olhos que contemplam liberdade, E mesmo que a distância ainda enfade A vida será sempre iluminada
Pra aquele que se entrega sem temores, Aos templos erigidos por amores Enquanto a dor profana a fantasia.
Amigo, estar contigo é um prazer Permites a vitória se prever Tornando mais sublime o dia-a-dia... Marcos Loures
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Que importa ser feliz? A vida não promete... Um rasgo de saudade invadiu o meu quarto. De tanto que sofri, eu ando meio farto. A lua já fugiu, intrépida vedete...
Depois que já se foi o amor de Elisabete, Meu coração não quer saber de novo parto Na parede, jurei, não quero mais retrato. No carnaval da vida, em cinzas meu confete.
Versejo e não me caso; amores vêm e vão! O que ficou aqui? Vadio coração! A mentira do amor, te juro, não me engana!
De fraudes ando cheio, agora vou vazio. Sossego meu cantar, não quero um novo cio... Mas eis que em ti, reparo e embarco em Luciana! Marcos Loures
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Que guardas dentro em ti, querida amada? Um pélago gigante de esperanças? Noite solitária enluarada? Mil festas e delírios, bailes, danças?
Uma manhã gelada e orvalhada? Um poço tão escuro de lembranças? Uma roseira morta, abandonada? Um resto da alegria de crianças?
Procuro conhecer-te por inteiro, Em tal profundidade, já me perco. Amiga, amada, sonho verdadeiro
Ou quem sabe miragem num deserto. De todas as opções sempre me cerco. Difícil conhecer, mesmo de perto....
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Que fosse por um dia, minha amada! Somente em poucas horas, se pudesse... Não peço em minha vida, quase nada. Cantando em oração, fazendo prece.
Te juro, me esconjuras, mas te quero, Te curo, não me aturas, mas te peço. Te imploro, não me curas, mas te espero. Te venero, me negas, nem despeço...
Apenas quero o colo que prometes, Apenas quero um dia prá te ter. Apenas aos desejos que remetes, A noite nos teus braços, meu prazer...
Te quero minha amada, pela vida; Sem dia de chegar a despedida...
28
Que forjem a beleza em cada praça E façam do descrédito a ilusão. Enquanto o tempo célere compassa O verso se perdendo sempre em vão.
Do quarto tão sombrio esta fumaça Tragada com seus laivos de paixão A dor quase incontida agora grassa Mudando toda a graça em negação...
Nas roupas do passado a velha traça Puindo e desbotando uma emoção. O espectro de quem foi quando me enlaça,
Do féretro que é feito em procissão, Apenas resumido, o tempo traça Do nada ao mesmo nada, a direção... Marcos Loures
29
Que fazer senão podres testemunhas Sequiosas sorvendo cada gota? As noites tenebrosas que compunhas, Aspergindo teus cancros, viva, rota...
O cérebro e meus olhos, decompunhas, Cada qual removido cota a cota; As tuas mãos ferinas sim, expunhas Do meu crânio, ossos, tecas, calota...
Emulsificar todos elementos! Transformar tudo em pasta digerível... Os óleos, tuas presas, meus tormentos...
Amar quem me destrói, é fato incrível. Mas do que poderão meus pensamentos: Renovação? Fator indiscutível! Marcos Loures
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Que faço meu amor se meus saveiros, Aguardam teu comando de partida. Meus sonhos insensatos, derradeiros Procuram por teus braços, minha vida.
Te quero em meus delírios verdadeiros, Em ti os meus caminhos, a saída. Da sorte que nos fez tão companheiros, A sina deste amor a ser cumprida.
O vento que me toca, traz teus lábios, Meu barco a te buscar em mar imenso. Numa rosa dos ventos, astrolábios;
Indicam o meu norte: Portugal. Em outro rumo, amada já não penso, Destino em maravilha, sem igual...
31
Que fazer deste sonho que não passa, Persegue cada passo e não se espanta. A sombra de teu corpo não disfarça, E na soma diuturna se agiganta. Parece que minha alma sempre caça Na fúria desejada, sempre tanta...
Infernos que se fazem paraíso, Em lendas se ministram meus temores. O verso mais rotundo e mais preciso, Se embala nestes círculos de horrores. Restando tão somente meu sorriso Que sente, entre os demônios, meus amores...
Arcanjos e diabos sem perdão Revezam nos domínios da paixão...
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Que faz com que se pense sempre em festa O gozo interminável da loucura, Versátil fantasia que me cura Enquanto o coração não desembesta.
Ao receber a cota que me resta Eu vejo nada além desta amargura, O vento que em lufadas me tortura Levanta esta poeira tão funesta.
Assino com meu sangue o compromisso, De um jeito mais lascivo, até mortiço, Erguendo no deserto a catedral
Dos sonhos entre trevas e fulgores, Recebo por benesses dissabores, Aguardando o naufrágio desta nau...
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Que faço se procuro e não me calo, Embora saiba: amor, uma mentira Na qual por ilusão, eu tanto falo. A doce solidão fazendo mira Trazendo em minha vida, o seu regalo. Amor sem ter limites, verdadeiro? Bem sei que não. Amor é corriqueiro
E morre mal começa no meu peito. Um sonho assim imaterializado Em nada se mostrando satisfeito, Matando toda flor de simples prado Desmente-se sem nexo em cada preito, Resquícios de emoções do meu passado.
Amor quando demais, da dor o fulcro Prepara em ironias, meu sepulcro!
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Que faço se esta Musa anda cambeta? Não quero que ela seja toda minha, Cansado de tamanha picuinha Rasguei o rabo inteiro do cometa.
Minha alma no vazio se completa E trama outra verdade que não vinha, Ser padre, sacristão ou coroinha, Não deixa a refeição ser mais seleta.
Olhando a minha avó já pela greta, Grisalha fantasia a que convinha. Não posso me dizer sequer poeta
Se tudo, no final, nunca se alinha. Um coração vadio busca a meta, Porém a Musa abusa e vai mesquinha... Marcos Loures
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Que faço deste amargo coração Que dorme o tempo inteiro e nada diz, Do quanto eu desejei ser mais feliz, Apenas recebendo a negação
A sorte de quem pensa em solução Estampa com certeza a cicatriz Marcada pelo medo e solidão, O céu amanhecendo sempre gris.
Agrisalhando o sonho que pensara Pudesse transformar em riso o pranto, Porém a treva impede a noite clara
E o verso desafina em desencanto, Do amor que um dia quis, o fim declara Distante do que sempre imaginara...
36
Que faço da inconstância Com que falas de amor? Perder-se na distância Matando um sonhador
Que deu tanta importância Ao canto sedutor, Se existe discrepância, Perdoe por favor.
Há tempos te busquei Morena sensual Porém nunca pensei
Que eu te fizesse mal, De tanto amor que dei, Só peço amor igual...
37
Que faço com meus olhos, meu amor? Ao ver bela menina se perdeu. Na busca deste brilho encantador Refletem os meus olhos, olhar teu.
Uma alegria imensa e sem juízo Pedindo este reflexo radiante. Menina meu olhar no teu sorriso Aos poucos, se tornando apaixonante.
Menina dos meus olhos na menina Que me nina e, depressa vai embora. É dona de uma luz tão cristalina, Vivendo no meu canto a qualquer hora.
Meus olhos vão pedindo uma clemência Menina; venha logo! Impaciência?
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Que faço agora, amada, com meu peito? Depois de semeares tanto sonho, Sozinho, vou vivendo insatisfeito. Um amor que me cure, te proponho...
Talvez não tenha tido esse direito, Meu mundo parecia mais risonho, Intenso, tão feliz, quase perfeito. Porém um pesadelo tão medonho
Rondando o coração, já me desarma. Saudades! Que saudades de te ter Será que a solidão virou meu karma?
Menina; tanto quero o teu amor... Por teus olhos, a vida eu quero ver, Preencha este vazio, por favor!
39
Que eu possa enfim vencer os meus demônios Que trago dentro da alma, tentadores. Meus dias tragam força de campônios Cevando em alegria, frutos, flores.
Fazer do Amor além de uma palavra, A enxada que cultiva em alegria. Usando o coração sublime lavra Colheita feita em paz, em harmonia.
Que eu possa ter minha alma bem mais leve, Tocada pela glória do Perdão, Enfim que eternidade sempre eu ceve Arando com ternura o duro chão.
Que mesmo nos momentos de vitória Meu peito não se perca na vanglória. Marcos Loures
40
Que eu possa amar assim, tão amiúde Que eu sinta essa paixão que me avassala. Minha alma se tortura e já se ilude, Vivendo tão cativa, alma vassala...
Renovo o coração na virgindade De cada novo amor que possa ter. Sabendo que te amar, ter liberdade, Eu sonho todo dia te saber.
Da liberdade intensa, ser cativo, Vivendo neste amor, a dor e gozo, De tanto que perdi, eu sobrevivo, Imerso nas riquezas, andrajoso...
Amor me cativando, me liberta Adormecendo o peito, sempre alerta!
41
Que eu não caia; querida, em teu rancor Palavras que tu soltas a ferir Quem teve insanidade de pedir Tua clemência feita em puro amor.
Janela que entreaberta vem propor Tua presença, alheio e sem fugir Do sol que um dia veio refulgir E este cenário raro a se compor.
Bem sei que voltarás e num instante Repleta de vinganças odiosas Podando as esperanças; frágeis rosas
Que cismam em tentar sobreviver E o fogo em crueldade, delirante, Virás em descaminhos, acender...
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Que entorna sobre nós felicidade; O mar de imensidade em plena glória Disso eu já sabia e na verdade É nisso que eu prevejo uma vitória
Mergulhos delicados e profundos, Os beijos se buscando, bandeirantes. Naufrágio desejado, alguns segundos Nos corpos desnudados, provocantes.
Paixão que nos inspira e se respira, Aragem sem igual, sempre procura Acende em nossa vida, fogo e pira Na lira feita em versos, gozo e cura.
Marcando com delírio este compasso, O quanto eu te desejo, não disfarço... Marcos Loures
43
Que é feito da beleza em fantasia, O sonho mais perfeito, disso eu sei. O quanto que, decerto eu te queria Em cada poesia mergulhei.
A chuva vai caindo mansamente Desejo umedecendo os teus sorrisos Amar e ser feliz se faz urgente Vontades desabando sem avisos
Formando vendavais em tempestade Rugindo em nossos peitos, fera insana, Riscando todo o céu desta cidade No gozo que em prazeres cedo emana
O fogo tão guloso, intensa chama Tua presença amor logo reclama... Marcos Loures
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Que dizer de esperança quando o medo Da morte imediata bate à porta? Nascimento feito em sorte, no degredo Da sorte desdentada e semi morta. A farsa desenhada desde cedo E o canto sem sentido logo aporta.
Na mão tão delicada da criança A boca da pistola e do fuzil. A bala achada ecoa na lembrança Como um confeito amargo e tão “gentil”. A vida se fazendo em confiança Da proteção do tráfico, sutil.
Culpar cada criança é muito fácil, Em toda esta ironia amor é grácil?
45
Que dizer da promessa que fizeste? Farsa, falsa, cinismos me ensinaste... Meus dias num saveiro, rumo leste, As luas que me trouxe, cabalaste...
Das mãos que me percorrem, trazem peste, Mereço, por acaso, tal contraste? Amar quem nunca amei, rasgar a veste Que me cobre, quebrando essa fina haste...
Finaste e nada fazes, só flutuas... As ruas que percorres deixas nuas... Os olhos que te caçam ficam cegos...
Os dias que persigo são nublados, Amores esquecidos descontados. Nos castelos gentis derramas pregos...
46
Que dirás esta noite, amada minha; Que dirás coração mais sem cuidado. Voando, arribação, uma andorinha, Procura nas distâncias, o seu fado.
Emprego meu orgulho em te querer. Entôo tantas loas ao teu vôo, Percebo que emolduras o meu ser, Nas vozes que te chamo, e não ecôo...
Que não seja mais noite de tristeza Aquela em que te foste, minha amada. Sabendo voltarás, tenho certeza, Tal qual uma andorinha desgarrada.
Espero teu retorno em breve ninho, Salvando o coração d’um passarinho...
47
Que Deus proporcione nesta data Um brilho muito além do imaginário. Pois toda esta alegria se constata Comemorando o teu aniversário.
E saibas que decerto estou feliz Por ter tua amizade; é meu presente. Meu verso já se encanta quando diz Da maravilha rara que se sente
Estando do teu lado, companheira, Que a luz que me irradias já prossiga Na glória que se fez tão costumeira, Pessoa fabulosa, minha amiga.
Que os anjos te protejam, dia-a-dia, Trazendo em pura paz, farta harmonia... Marcos Loures
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Que Deus permita o passo mais preciso Daquele que se deu em plena glória. Quem ama tem decerto uma vitória No incenso de sua alma, o Paraíso...
A mansidão traduz-se num sorriso, A plenitude impede uma vanglória, Por mais que a vida esteja merencória No verde da esperança, eu me matizo.
E sinto que serei um vencedor Tocado pelas bênçãos do Senhor Que tanto nos amou quanto nos chama
A amar quem tantas vezes nos magoa. Palavra que em meu peito sempre ecoa Jamais se apagará divina chama! Marcos Loures
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Que Deus permita eu chegue aonde quero, Fazer da poesia um instrumento Que possa transfundir este tempero Aplacando- quem sabe? – o sofrimento.
Eu tento usar o verso com esmero, E sei que isto me traz algum tormento, A fúria que se mostra em brado fero Já não me importa mais. Resisto, agüento...
Fazendo da poesia a companheira Diuturnamente em versos eu me exponho, Realizando assim, o antigo sonho
Usando da palavra por bandeira. São vinte mil sonetos, minha meta Aí, enfim serei, talvez, poeta... Marcos Loures
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Que Deus não me permita a sensação De ter seguido a vida em triste volta, Sem ter sequer alguma atracação Ao barco que se fez pura revolta.
A vida sem amor, sempre em senão, Uma imaginação que não se solta, A morte protegendo e dando escolta No fundo traz sabor de salvação.
Que a vida inda sorria, pelo menos Alguns segundos antes da partida. Cansado de tragar tantos venenos,
Eu busco em ledo amor, uma saída, Que enfim redima a vida que resiste, Mesmo saudosa; absorta e sempre triste...
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Que Deus esteja sempre com quem ama Trazendo o coração em plena paz. Do AMOR quando se acende a intensa chama, Demonstra a cada ser do que é capaz.
Maior do que o poder, que a própria fama, Este dom que é magnífico nos traz Toda a felicidade se derrama Que ao mesmo tempo acolhe e satisfaz
Amar é libertar o pensamento, Romper velhas algemas imbecis. Viver a plenitude do momento
Deixando para trás o sofrimento, Distante dos grilhões austeros, vis, É caminhar de encontro ao manso vento... Marcos Loures
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Que dera se eu pudesse adivinhar Olhando pros teus olhos tão somente O que se passa, amor em tua mente, Sem medo deste brilho me ofuscar.
Tu trazes a beleza que é sem par, Na força que hipnotiza, tão luzente. Prismático raiar iridescente Entornas maravilhas no lugar.
São reflexos desta alma rara e pura, Domínios da alegria e da ternura, Divina fantasia em que me embebo.
Num átimo, eu mergulho e sem defesas Descendo como em claras correntezas Um templo feito em luz, assim concebo. Marcos Loures
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Que bom te namorar, moça sapeca, Brincar com tuas pernas, tua boca. Matreira em brejeirice, esta moleca Na cama me incendeia e fica louca...
Passeio minhas mãos sem ter rodeios E deixo esta vontade se aflorar. Mordisco levemente os belos seios Depois... já vou descendo devagar...
A gente não tem mesmo nenhum siso, Não temos mais vontade de parar. Não queremos ficar no prejuízo
Por isso, esta menina melindrosa Comigo, não se cansa de jogar, E em toda brincadeira do amor goza.. Marcos Loures
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Que bom ser tua presa predileta Sentir teus lábios densos me sugando. Na fome que sacias se completa A noite que, contigo, desfilando Tendo assim nossos clímaces por meta Amor que nos entorna extasiando...
Enlanguescente fêmea aqui deitada Entregue às variantes sensações Me devorando enquanto é devorada Tocada pelos dedos das paixões Rainha mais profana, minha fada Causando em nossa cama convulsões...
Não deixa que esta noite morra à míngua; Marcando sua presa, boca, língua.
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Que bom saber que existes companheira A cada novo tempo mais amiga. Além de toda a glória costumeira Palavra que nos fala já mitiga
A dor que na verdade é corriqueira, Mas queima em nossa vida qual urtiga, Tua presença é sempre alvissareira Eu peço, encarecido, assim prossiga...
Por isso nesta data em mais um ano Eu venho agradecer pela existência De um anjo com seu passo soberano
Que faz com que eu consiga ser feliz. Que seja sempre bela a convivência Com quem tanta amizade eu sempre fiz...
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Que bom saber que estás dentro de mim, Embora me escondeste tolamente. Amor quando em amor se faz sem fim, Não deixa que isso ocorra, de repente.
Mas sei o quanto quero o teu querer. Mas sei que te desejo em cada dia; Entranhas tua vida no meu ser, Embora eu, meramente fantasia...
Espero; uma ousadia da esperança, Que venhas desfrutar desta ternura, Mais forte do que pensas, a aliança, É feita deste amor, em amor cura.
Não quero ser somente aborto em grão, Preciso desfrutar nossa paixão!
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Que bom que tu vieste, minha amada, Há tanto te esperava em minha vida, Agora que te tenho, quero nada; Senão esta paixão por ti, querida...
Meus versos são meu canto de esperança Que a vida seja sempre esse remanso, Quem sabe quanto amor é nossa dança, A cada dia, um pouco mais avanço.
E sei que somos sempre dois cativos, Do sentimento imenso que nos toma. Por isso nos mantemos, stamos vivos, Juntando nossos corpos, alma soma.
E quero ser eterno nos teus braços, Unimos nossas vidas, fortes laços...
58
Que bom que tu chegaste a minha vida! Por vezes eu pensara estar no fim. Agora que te encontro, ressurgida, Outra esperança nasce dentro em mim...
Dançarmos pelas noites mais felizes, Vivermos e brindarmos sem temor. No palco, tantas luzes, as atrizes Refazem espetáculo do amor.
Não deixe que esta noite degenere Nas tais ingratidões e desventuras. O brilho de minha alma se confere Nos olhos que te enlaçam com ternuras...
Amiga, revivamos fantasia Neste festim divino da alegria!
59
Que bom que retornaste à velha casa; A porta do meu peito sempre aberta Sentia a tua falta. És fogo e brasa, A fonte dos desejos descoberta.
Vieste com poder de liberdade No canto mais feliz em sintonia. Deixaste amargo gosto da saudade A noite se prolonga e mata o dia...
Num palacete imenso, ou na tapera, Numa floresta densa ou no quintal, A vida sem te ter não se tempera O bom de uma existência perde o sal.
Sem horizonte, o tempo não mais passa, E tudo vai morrendo na fumaça...
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Que bom que enfim chegamos, A ter este consenso, É certo, nos amamos, Amor que sei imenso,
Bons mares navegamos, Em ti, eu sempre penso, Agora, aqui estamos, Acenando alvo lenço...
Vem logo não demore, Eu quero me embrenhar, Na mata que se explore
Sereno e devagar, Prazer que em nós aflore, Demais até fartar.... Marcos Loures
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Que bom poder saber que tu voltaste, Depois de tanto tempo sem notícias. As ilusões por serem tão fictícias Com a realidade têm contraste.
Eu sei que em tua vida fui um traste Entregue aos desatinos, das carícias Formando este rosário de sevícias Por isso, agora eu sei, tu te arribaste.
A porta que eu mantive escancarada Trazia a tua imagem na fachada; Pensara impossível teu retorno,
Bem mais que imaginaste vago em torno Destes sinais que a vida ao longe acena, De ti fui simplesmente uma falena...
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Que bom o renascer depois de tudo... As cinzas do que fomos; vento leva... Por vezes, me sentindo só e mudo, Buscando a minha luz em meio à treva...
Mas, depois de certo tempo, tão sozinho, Aprendi me virar sem teus grilhões. Aberta essa gaiola, passarinho, Aprende a conviver com tais paixões...
Já sei não voltarás; mas nem preciso. Os teus passos são teus, os meus? Invento! Encontrarei talvez meu paraíso, Pelo menos, decerto, sempre tento...
Amor, pra ser sincero: renasci, Da morte que encontrava, AMOR, em ti!
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Que as mágoas não te tragam desencantos, Que os versos não pareçam mais cruéis. Os dias se passando somam tantos Desejos quanto estrelas, um revés.
Se amor é desgraçado e fere, e mata. Não temo tal prenúncio de vingança. Quem beija tantas vezes arrebata E forma da tristeza uma esperança.
O sol quando raiado já me esquenta E trama um novo dia mais feliz. Uma onda nesta praia se arrebenta E faz da nossa vida o que bem quis.
Eu vejo uma alegria em nosso amor. Imersa neste verso a ti propor...
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Que as flores selem primaveras Nos corpos em feitiços e desejos, Nos viços de quem sabe que as esperas Valorizam sorrisos, loucos beijos.
Primaveras nos canteiros de nossa alma, Vagante pelos céus sem ter limites... A noite vem chegando e nos acalma, Não cabem mais temores ou palpites.
Tão simplesmente o riso em cada olhar, Tremores nessas mãos que se procuram, Vasculham cada ponto e vão buscar As fontes que nos tocam e nos curam,
Rejuvenescendo sempre quem já sabe Da vida em primavera que nos cabe... Marcos Loures
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Que as cracas e os corais rosas te matem Devorem a carcaça que tu és. Liberta finalmente das galés Que as noites solitárias te maltratem,
E rotos, os escombros que inda afagas Apodrecendo aos poucos deixem rastros, Arrancando os teus olhos, sem os lastros Entregues ao sabor das fortes vagas.
Que tua pele exposta ao sol e sal Decomposta em pútridas fornalhas Traduzam o teu fétido final
Enquanto os vermes comem teus resquícios Na boca este sorriso qual navalha Convida para insanos precipícios...
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Que aquela a quem desejo sempre e tanto Partiu, disso eu já sei e nem mais ligo, Se o tempo me condena ao desabrigo A dor se pondo à mesa? Eu quero e janto!
Gerindo o que talvez fosse quebranto O quadro é bem mais manso, até consigo Falar com ironia. O meu umbigo Decerto eu o deixei em outro canto.
A pulga atrás da orelha que incomoda Mudando de lugar, entrou na roda, E o jeito foi dançar conforme a música.
A dança que eu julgara calma e lúdica Perdendo o seu compasso virou zorra, Só quero é não cair desta gangorra...
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Que amor nunca traduza solidão, Nem mesmo uma amargura tão somente. Vibrando bem mais forte o coração Espalha em nossa vida esta semente.
Cevando em alegrias toda a gente Do trigo da esperança faço o pão, E sinto que tu chegas de repente Da praia de Iracema ou do sertão
Moldando com firmeza a fortaleza Que enfrenta a tempestade sem temor, Marcando com ternura e tanto amor,
Mostrando ter em ti tanta destreza, Contigo uma certeza inexorável Da vida com beleza interminável... Marcos Loures
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Que amor não se traduza em solidão, Serenos, os caminhos que vierem. Por mais que as ilusões inda se esmerem O mundo naufragando a embarcação
Mudando a cada instante a direção Enquanto as esperanças regenerem Tramando novos sonhos que quiserem As vítimas e agentes da paixão.
Porém mesmo em soturnas caminhadas, Andanças entre trevas, nevoeiros, Os ventos dizem tempos benfazejos
Trazendo boas-novas, alvoradas, De um belo amanhecer são mensageiros Os trâmites divinos dos desejos...
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Que acenda, na fagulha, imensa chama Que faça nosso amor mais envolvente, Aos poucos, devagar, tudo se inflama, A noite se devora mais ardente... Na proporção exata de quem ama, O templo da paixão, se mostra quente, Maravilhoso altar em nossa cama, Paraíso em pecado, de repente... Amar não é nenhum erro ou defeito, É simplesmente a cura da tristeza, Lutemos sempre, amor, pelo direito Deixarmos nos levar na correnteza Que faz do nosso amor, a cachoeira Num véu de tal beleza verdadeira...
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Que a voz do trovador sempre te exalte Em versos mais singelos ou mordazes. Que a vida de quem canta já se paute Por sonhos mais felizes ou audazes.
Tantas noites passadas nestes bares Sonhando com justiça e com amor. Em cada companheiro mil altares Em cada novo canto o meu louvor.
Que a voz tão insegura de quem canta Não deixe de calar a sensação Que toda essa alegria seja santa Que traga para nós uma emoção
Distinta da ilusão que nos castiga, Que emane da cantiga a voz amiga!
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Que a vida, minha amiga, te sorria Em cada novo canto de esperança. Que o brilho renascendo em novo dia
Te mostre, com certeza esta aliança Que traz a quem conheces alegria Convite para a festa e para a dança.
Prazeres que espalhaste pela Terra, Em todos que conhecem teu caminho, Nesta felicidade que se encerra, Jamais deixaste alguém sofrer sozinho.
Que tenhas para sempre amor sincero Eu peço, para ti, todos os bens. Feliz como nos fazes, o que quero, No teu aniversário, Parabéns...
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Que a vida sempre armou numa cilada Pra quem deseja ter a solução E sabe que terá no fim o nada É fato que guardei no meu porão...
Se o beijo da mulher antes amada Causar ainda em ti, revolução O gosto da paixão antes mofada Agora te causando confusão.
Marcando tua pele, a velha chaga, A boca que pensaras ser a draga Devora teus sentidos num momento.
Voltar ao mesmo passo que tu destes, Cercando estes caminhos quando agrestes Expondo-se ao furor dos velho vento...
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Que a vida se permita em pleno amor E nele uma emoção a cada dia. Sabendo que se temos bom humor Decerto vamos ter sabedoria.
Vivendo plenamente, um sonhador Conhece totalmente esta alegria De termos a certeza de compor Um mundo delicado em poesia.
Há tanta discrepância nesta vida, Viver com elegância é ser feliz. Permita-se sonhar, enfim, querida
Terás, pois finalmente o que bem quis. Amar é realmente uma saída Ouça o que o coração agora diz...
Marcos Loures
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Que a vida se mostrando soberana Acalme toda a dor que nos destrói. Que o tempo enfastiado não engana, Pois toda uma alegria ele corrói. Uma vitória plena que se ufana Nem sempre depois dela se constrói.
O fogo tão feroz de uma paixão, Às vezes nos derrota; sem defesas, O gosto desta enorme sedução Se mostra qual a fera em tensas presas, Viver sempre contigo é tentação Que mata enquanto mostra tais belezas...
Mas sei que estou contigo p’ro que for Um náufrago de um mar de imenso amor...
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Que a vida se mostrando não mais caia Na fácil tentação de ser levada Por terra nunca dantes explorada Que ao final de tudo venha e traia.
O barco quando chega à mansa praia Esquece simplesmente da jornada, Perdida numa insone madrugada. Que a sorte conseguida, nunca saia
Deixando a tempestade como herança, Prefiro prosseguir nesta bonança, Vivendo simplesmente, tenho tudo
Daquilo que julgara harmonioso. Porém inda prossigo temeroso: Nos olhos de quem quero eu não me iludo. Marcos Loures
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Que a vida não te trague além deste horizonte A tempestade atroz que vibra em eloqüência Assoreando a sorte e secando esta fonte Mostrando a dor cruel imersa na inclemência
Causando à fantasia o temível desmonte. No caudaloso rio, amor em evidência Deslumbre ao qual se expõe quem atravessa a ponte E ganha como prêmio o poder da ciência.
Persiga, minha amiga, a estrela que luzindo Invade a noite escura e traz em esperança Perfume benfazejo imerso na bonança.
Querida companheira, aos poucos vou sentindo A brisa me roçando o rosto, num carinho, Como a dizer: - Amigo, encontraste o caminho!
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Que a vida não se acabe neste estado Em que meu coração se encontra agora, Amor que fora sempre descuidado Não teve nem juízo nem demora. Viver este meu canto apaixonado É tudo o que não quero. A dor aflora...
Não tenho mais segredos, sou cativo, Não tenho resistência, estou aqui. No sentimento atroz em que hoje vivo O resto de esperanças; não perdi. A dor me conheceu lento e passivo, Agora meu futuro está em ti...
Um dia, sei que vais pensar direito, Meu mundo, neste dia, satisfeito...
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Que a vida não permita o desabrigo De uma prisão escura triste e forte Que nos detém o rumo, muda o norte, Da perda de um fiel e bom amigo.
Contigo, companheiro, eu já nem ligo Se vem uma agonia em duro corte, Sem ter a mão querida que conforte, A vida se tornando um só castigo.
Qual fogo que se perde sem ter pira, Uma amizade morta é fim de linha. Uma alma que se perde e vai sozinha,
Somente a dor e mágoa assim transpira. Por isso ao perceber esta verdade, Eu valorizo sempre uma amizade...
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Quem dera uma canção que apascentasse Trouxesse algum sorriso, uma esperança. Um vento mais macio anunciasse Trazendo para todos a bonança.
Quem dera uma canção que me mostrasse O rumo necessário, uma mudança. Que em doce melodia se entornasse No sorriso gentil de uma criança.
Cantiga de amizade, paz e amor, Tocando o coração, mesmo o mais rude, Que o meu destino, assim, logo transmude
Deixando para trás este amargor Matéria principal da qual me farto, Canção que fosse enfim, um novo parto.
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Quem dera um trovador cantando à lua Em doce serenata. Mas não creio Que o amor quando se deu sem ter receio Trouxesse esta verdade amarga e crua.
A moça delicada, bela e nua Expondo com desejos cada seio, Ao desbravar dos sonhos rumo e veio, Fechara o meu caminho para a rua...
Boêmio coração que não tem jeito, Saudoso das loucuras salta ao peito Olhando de soslaio na janela
Ao ver a multidão nesta calçada Liberta alma que fora encarcerada Mergulha neste mar, abrindo a vela... Marcos Loures
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Quem dera tua força, na batalha. O brio de teus olhos, ó princesa. A morte sem sentido nunca atalha Os motes que cantaste, sem tristeza!
És livre e esse teu vôo nunca falha, Dispara teus desejos, realeza... Não há dor nem quimera, tens navalha Pronta p’ra cortar essa incerteza.
Quem vive neste mundo e nunca vê O brilho da rainha dos meus dias. Não sabe nem conhece fantasias.
No fundo reconhece bem por que Independência crias, nas coxias Do teatro desta vida... Forte Aidê!
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Quem dera timoneiro deste sonho, Vestido de ilusão, sangue e mentiras. O rosto que se espelha é tão medonho No tanto que disparas, corta em tiras.
Meu verso, tantas vezes enfadonho Demônios que carrego, velhas piras, Imagem refletida – um ser bisonho Que ri enquanto, irônica me atiras.
Virás sempre comigo, punhal e lança, Constelação de farpas em banquete. Na chaga por herança, se repete
Os erros cometidos. Vã criança Vencida por fantasmas, lendas velhas Que a cada gargalhada mais espelhas...
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Quem dera teus carinhos receber Atando nossos corpos, entrelaces, Rolando nesta cama com prazer Eu caço enquanto quero que me caces.
Da fera que ronrona enlanguescida As garras afiadas me acarinham. A presa deve ser bem dividida Prazeres e vontades se avizinham.
Formando em mesmos laços unigênitos Unidos em loucura e tentação Dos corpos conjunção em tantos frêmitos Causando a mais completa ebulição
Nas velas que se dão; um só pavio Espalha sobre a cama, em
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Quem dera teu amor tocasse o meu. Um simples desejar talvez bastasse. Qualquer pequena luz clareia o breu. Como seria bom se, enfim, me amasse!
Permita que eu te toque um só momento, Descubra teus segredos, mostro os meus... Amor que não me sai do pensamento Meus sonhos te vasculham, são ateus...
Mas nada do que canto te fascina, Mas nada do que digo já te basta. A noite em que desejo descortina A velha cantilena demais gasta...
Um dia, pois quem sabe faz agora, Meus braços dormirás, e não demora...
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Quem dera ter nas mãos; rédeas do tempo, Pudesse ser além de um frágil grão, Vencendo em calmaria; um contratempo, Saber que o sofrimento é tolo e vão.
Nascer após as mortes que concebo Vestir a fantasia e seguir solto, Edulcorar o amargo que hoje bebo, Navegar neste mar calmo ou revolto,
Sem mapa ou astrolábios; ir sem rumo, Ignorar os percalços, fronte ereta, Beber intensamente todo o sumo, Ter alma libertária e ser poeta.
Quem dera; finalmente ser capaz De em plena tempestade, ver a paz.
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Quem dera te envolver entre meus braços E aos poucos no entrelace sensual Invadir teus recônditos espaços Numa troca de fluidos magistral.
Quem dera te tocar sob os lençóis, E penetrar teus mares abissais Nos brilhos de milhões de raros sóis Nas fontes flamejantes e termais.
Violo teus segredos, os penetro, E formo meus castelos, sou o rei, Tocando teu prazer, invado, cetro... Fazendo do desejo nossa lei.
Na conjunção de côncavo/convexo, Delícias e loucuras perdem nexo...
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Quem dera sonegasse o sofrimento, Mergulharia em mar mais sossegado, A vida sorriria de bom grado, E o dia por si só traria alento.
Poeira tomaria então assento Meu verso não seria desgraçado, O quarto; aonde eu durmo: iluminado; Embora inutilmente, insisto e tento.
Resisto ao temporal que não domino, Ancoro o pensamento no menino Que há tempos vi; sem paz, adormecer.
Resíduos desta infância mais feliz, Enquanto a realidade já desdiz, Agrisalhando assim, o amanhecer...
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Quem dera ser teu par. Ah! Quem me dera! Dançarmos noite inteira sem parar, De par em par, prazeres; sempre espera Aquele que se queima no luar... Sei dos teus seios nus em minhas mãos; Sei desta sede imensa em sua boca, Sei dos meus sonhos mortos, todos vãos, Sei dessa saudade imersa, em ânsia louca... Mas sei dessa esperança que se alcança Na dança que seremos, nossos céus... Sentindo essa emoção de ser criança Desnudo, nessa danças, laços, véus... Tomando esta nudez em minha cama, Desvendo cada passo dessa trama...
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Quem dera ser lascivo passarinho Que canta conquistando sua fêmea; Assim com a viola e com meu pinho Eu busco, no sereno, uma alma gêmea...
Distantes dos meus cantos não me escuta, Sonhando com seu príncipe encantado. De músculos bem feitos, força bruta, Que pena que estará desencantado...
Princesa, me desculpe tal franqueza, Não falo por inveja nem me escapo. O dono de tal força e de beleza, Aos poucos, virará terrível sapo...
Mas deixo que o futuro se apresente, Apenas não te quero penitente...
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Quem dera ser criança novamente, Brincar em seus jardins, em seus canteiros. Correndo pela casa livremente. Meus dias mais felizes, verdadeiros...
Da fruta que roubava no quintal; Da roupa que quarava sob o sol... De cores, minha vida, um festival. No rio, uma esperança feita anzol...
Agora que te vejo assim, meu filho, Noutros jardins, as mesmas brincadeiras; Brilhando como o sol, me maravilho, E vejo renovarem-se tais bandeiras
Do amor que me mostrou como é possível Ser feliz. Renovar um sonho incrível...
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Quem dera ser cantor para exaltar Amor assim tão nobre e mais divino. Poder entre as estrelas divagar Tomando em minhas mãos o meu destino..
Quem dera ser poeta e em ti sonhar Meus versos num soneto em que te nino, Vertendo em fantasia este luar, Voltando eternamente a ser menino.
Quem dera se eu pudesse te dizer De toda esta paixão que enfim me move, Os teus desejos todos conhecer,
E ser além da vida, companheiro Teu canto enamorado me comove E toma o sentimento por inteiro... Marcos Loures
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Quem dera ser amigo deste amor Que não me deixa nada senão mágoas, Vasculho os universos sem rancor, As lágrimas desbotam, turvas águas...
Quem sabe se esse amor, sendo meu par Pareça e se despenque nessas tramas, Que trazem minhas luas ao teu mar E nossas amplitudes, mesmas chamas...
Beijando quem se beija por desejo Ensejo neste beijo meus guardados, Se versos não concebo nem versejo, Os olhos que me deste, bem amados...
Quem dera se soubesses do perigo, Fazer de louco amor, um seu amigo...
Marcos Loures
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Quem dera ser amante da esperança Dançar em plenitude tal prazer Que sempre vai dançando nunca cansa Na dança que começa a reviver.
Cobiças que deixamos no passado São fardos que carrego mas não tento Amor que sempre dói deixo de lado, Senão eu não suporto, me arrebento...
A vida já me deu tanto presente Que sinto que ao final irá cobrar. A dor que enfim terei já se pressente Na ausência dessa lua e desse mar...
Te quero mesmo assim, dance comigo Antes que essa noite traga o castigo...
Marcos Loures
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Quem dera ser além do duro cais Da noite que não veio e nem virá. No porto mais vazio em nunca mais No sol que se escondeu, não brilhará.
Quem dera ser aquém da dura paz Vergada sobre o peso que trará O gosto do quem dera ser demais A mão que nunca trouxe, foice e pá.
Quem dera gota esparsa chuva mansa Na idade da ilusão que já passou... O resto do quem fora não me alcança
Mas deixa esta impressão do nada sou. Quem dera se essa espera me trouxesse Amor que renovasse a vida, a prece...
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Quem dera se Vinicius fosse deus. Talvez inda existisse a galhardia Poeta escravizando a poesia A fantasia queima em himeneus.
No quadro desenhado sem adeus Minha alma incandescente rodopia Enquanto o violão teima magia Os erros e os acertos morrem meus.
Mandingas e metáforas, pleonasmos, Sarcasmos sem marasmos nos orgasmos E pasmos corações seguem silentes
Atenciosamente volto ao rumo O medo soerguendo-te; me aprumo E o canivete trago entre meus dentes...
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Quem dera se viesses, primavera, Trazendo a flor bonita do desejo, Bebendo em tua boca, quem me dera, Matando a minha fome a cada beijo.
Apascentando a fúria feita fera Desta vontade louca, onde latejo, Querendo-te desnuda à minha espera, No gozo deste amor que tanto ensejo.
A vida não seria mais tão pálida Corada em teus olhares, teus matizes, A borboleta vale esta crisálida
Que, temerosa foge de meus braços. Um dia nós seremos mais felizes, Unindo nossos corpos, firmes laços.... Marcos Loures
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Quem dera se viesses prenda bela, Galopo em pensamento e chego a ti. Montando em meu cavalo, arreio e sela, Buscando esta esperança que perdi...
Beleza que em teus olhos se revela, Em um segundo, enfim, estou aí, Estrela que me guia o sonho atrela Guria, és a mais guapa que já vi.
Mateando co'a amargura da saudade, Nas coxilhas procuro esta alegria, Ninguém sabe dizer; amor quem há de
Informar ao mineiro sonhador Somente o minuano é quem me guia Aos braços desta prenda, meu amor...
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Quem dera se viesses nesta noite, Trazendo; na chegada, o teu sorriso. Matando a solidão- um triste açoite- Com braço mais amável e conciso.
Deitado sob o vento da esperança, Abraço um travesseiro e durmo só. Coberto pelas sombras da lembrança Teu corpo tão distante; resta o pó
Deixado em meu passado, qual poeira De um tempo mais feliz que se acabou. Porém a cada frase alvissareira, Parece que quem amo; enfim chegou,
Nas asas do meu claro pensamento, Matando num segundo, este tormento... Marcos Loures
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Quem dera se tivesses a minha alma, Amar-te não teria esse empecilho... Quem fora minha amante me quer filho, Quem fora tempestade pede calma...
A dor que nos machuca não acalma, No canto que me trazes, o estribilho, Reflete da saudade, o mesmo brilho... A vida que quisemos, velho trauma...
Quem dera se tivesses roda viva, Na morte que me deste, mais altiva, O pranto que não sei, de novo encerra...
Amor que tropeçando, pede o ronco, Minha alma sertaneja, queda o tronco, Respira tumular, por sob a terra...
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Quem dera se tivéssemos o canto Que já foi esquecido pelo povo... Justiça envergonhada fecha o manto, Os velhos rapineiros estão de novo
Tentando exterminar dentro deste ovo Abortam simplesmente todo encanto, Pois tentam ressurgir com velho estorvo, Espoliando tudo, nosso espanto...
Quem foi tão massacrado, noite escura; Às vezes se esquecendo o que passou, Juntando-se aos servis da ditadura,
Que fazem? Por que tanto se lutou? Procuram na doença a sua cura, Esquecem do dragão que a causou...
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