
MEUS SONETOS VOLUME 128
Data 30/12/2010 13:34:35 | Tópico: Sonetos
| Marcos Loures
1
Por falar em casamento Caso o acaso inda permita Vou viver do sentimento Que ora invade em louca grita
Não me sai do pensamento A lembrança da pepita Que polida num momento Não tem sol que não reflita.
Juntando nossas metades Muito além de um simples um Sem te ter não sou nenhum
Destas noites magistrais Um retalho de saudades Simplesmente e nada mais.
2
Por fora um espetáculo, Por baixo decepção, Vivendo sem oráculo, Vou sem premonição.
Mas alço meu tentáculo, Na busca da emoção, Usando este vernáculo Morrendo de tesão...
Assim eu não me engano, O meu olhar estico E palpo, soberano,
Prazer aonde fico, Mulher tal qual um circo, O bom vai sob o pano...
3
Por ironia, eu sei ser teu direito O riso que sarcástico entoaste. Serpente que se entranha no meu leito Causando com a lua este contraste.
Os vermes que carrego dentro em mim, Aos poucos devorando o que me resta. Na pútrida agonia, chego ao fim, Meu corpo apodrecido tudo empesta.
Os olhos arrancados, as galés Atado a tais correntes, pés em chama, O corte se aprofunda e de viés, Escara dentro da alma já se inflama.
O beijo cadavérico da sorte, Expõe como saída, o frio, a morte...
4
Por isso é que te falo de um insólito Desejo que nos toma; um bem diverso. Tão forte quanto mágico, um monólito Que solto vai vagando no universo
Até depositar-se em terra firme, Causando uma total revolução. Por mais que qualquer tolo ainda afirme Amor é que nos move, uma paixão.
No fogo em que se mostra nosso chamego, Não nego e também jamais neguei. Não peço e não quero o teu arrego, Apenas na loucura me entreguei
Vibrando em cada verso com vontade, Permito-me sonhar felicidade... Marcos Loures
5
Pousando minha mão tão dolorida Em busca de um carinho maternal, Encontro teu abraço sem igual, De minha alma, no amor; compadecida.
Ouvir a tua voz que é tão querida, Amiga e companheira, em bom astral Afastas de meu rumo todo o mal Ajudas a vencer a dor da vida.
Quem dera se tivesse mil espelhos Ungüentos de esperanças mais suaves. Deitar minha cabeça em teus joelhos
Sentindo teus carinhos docemente, Dos olhos a visão sem ter entraves Um mundo se fazendo alegremente!
6
Povo ibitiramense não sabia Que aquela caricata garatuja Mantendo cada mão pra sempre suja Sua alma a Satanás, logo vendia.
Quem sabe da metade, em agonia Vendido a cem mil réis, e de lambuja No bico sanguinário da coruja Morando com capeta em luz sombria.
Depois de certo tempo, cria nova, A bosta se refaz e se renova. Cangalha se acostuma com pescoço.
Depois de ter comido a carne inteira Esta ave vagabunda e rapineira Continua sugando querendo o osso...
7
Pouco me importa o sol que tanto brilha Nas estradas que levam ao passado. O futuro que espero maravilha E mostra quanto é bom ser tão amado...
Trouxeste uma esperança mais serena De ter um novo dia bem contente. Te quero e te desejo assim, morena, Paixão que nesse peito se arrebente.
Não sinto mais temores que sentia Nem quero mais a dor que é tão tirana. A boca que me emprestas, mais macia, Abrigo que encontramos na cabana
De amores mais serenos e felizes, Surgido nessas duras cicatrizes...
8
Pousando no meu peito um passarinho Aos poucos, devagar, me dominando Formando com carinhos, o seu ninho, Ardendo em mansa chama, em fogo brando. Mudando assim meu rumo, com carinho; Aos Céus e ao Paraíso desviando.
A mão deste menino me guiava Aos braços da mulher que Deus me deu, Quem tanto quis e nunca mais contava Em tantas alegrias converteu O gelo, a neve em chama, brasa e lava; Fornalhas que incendeiam todo o breu.
Nas mãos desta criança, fui ferido, Pelas setas certeiras de Cupido.
9
Pousando na janela, um sabiá Cantando a tarde inteira, tanto encanto... Dizendo que meu bem já chegará Calando com certeza, este meu pranto... Beijo que tua boca me trará Com esse sabiá de lindo canto...
Amada, eu necessito de carinho, Distante de teus braços, sou ninguém, Meu mundo sem te ter, vai tão sozinho, Que faço, dessa vida, sem meu bem? Sou triste como um pobre passarinho Quem dera se quisesse vir também...
Abri minha janela e minha vida, Vem logo, meu amor, minha querida...
10
Potranca que se abrindo ao garanhão Remexe suas ancas, seus quadris, Engole com vontade e com tesão, Querendo sempre mais pedindo bis.
Abertas suas ocas, locas, furnas, Rebola e sente o fogo se adentrando. No gozo desfrutando tais loucuras, Nos ocos, todos eles, penetrando.
Vem logo, minha puta, que eu te quero Ardendo de vontade de fuder. Comendo o teu rabinho, eu sempre espero Na tua bucetinha o meu prazer.
Só peço que não fujas nem que corras, Da noite feita em méis, motéis e porras...
Marcos Loures
11
Potável tentação que nos espera, Reinando sobre nós, divina musa, Expressa a solidão temível fera, Recende tantas vezes à recusa.
Cristalizada voz que nos domina, Emana a libertária fantasia. E quando a vida em mágoas desatina Saída a cada instante mostra ou cria.
Arrebentando em paz velhas fronteiras, Adoça o coração, aplaca a dor. Por mais que as vidas sejam traiçoeiras Expressa um novo rumo, encantador.
Se nela toda a sorte já se encerra, A poesia é o vero Sal da Terra!
12
Posso agora, enfim, recomeçar Depois de tanto tempo sem destino, Alçando um canto livre vou ao mar E sigo sem tempesta ou desatino.
O riso se fez festa, e qual menino Sentindo uma esperança a renovar, Ouvindo o gargalhar, dor extermino E canto a liberdade de voar.
Amiga sê sincera, pois comigo, Não tendo mais temor de desabrigo Eu posso, finalmente renascer.
E tento qual noctâmbulo vadio, Rever depois de tudo um bom estio Transido pelo gozo do prazer. Marcos Loures
13
Posseiro dos desejos, dos anseios Grileiro das vontades mais audazes, Venenos delicados e vorazes Expressam fartos, belos, os teus seios.
No quanto em desespero sigo os veios, Enquanto com prazer me satisfazes, Guardando pro final, coringas, ases, Deixando os temporais, além, alheios.
Querer-te faz tão bem, isso não nego, E quando em mar tranquilo, em paz, navego, Descendo as mais sublimes cachoeiras,
Adentro os mais recônditos lugares, Fazendo dos teus portos, meus altares, Viagens divinais e corriqueiras...
14
Portal do paraíso, em paz, aberto, Delícias em banquetes bem servidos. Depois de tanto tempo em rumo incerto; Prazeres e desejos divididos.
Ouvindo a tua voz, tua presença Tomando a minha vida em plenitude, Não quero e nem procuro desavença Que o vento do passado se transmude
E mostre em calmaria e tempestade Bonança após a forte ventania, Bebendo enfim total felicidade, Eu vejo tão somente a poesia
Que emanas em teus olhos, tua tez, Na insânia que se dá em lucidez...
15
Portal do mais sagrado paraíso Aberto aos corações enamorados, Bastando tão somente algum sorriso, Os rumos vão decerto transmudados.
Amor que vem chegando sem aviso, Deixando bem distantes os passados, Nos laços desse amor, desorganizo Destinos desde antanho demarcados.
Não tendo o puro amor, pobre beócio Não sabe distinguir rosa de espinho. Dos gozos deste bem, quero ser sócio
Vivendo a cada dia mais feliz. Quem segue solitário o seu caminho, Será eternamente um aprendiz... Marcos Loures
16
Porque tu demoraste a retornar? Estava angustiado. A solidão Que tanto nos maltrata o coração Fazendo uma esperança desabar
Matando a gente aos poucos. Devagar. A noite assim passando e sempre em vão Buscando no vazio a solução Distante, com certeza, o meu olhar.
Mas quando tu chegaste na manhã, Na luz que mesmo sendo temporã Mostrou quanto é possível ser feliz.
Agora que te tenho junto a mim, Eu posso já dizer do amor que, enfim, Trouxe, num momento, o que eu mais quis... Marcos Loures
17
Porque pensas assim querida amada? Sou teu,somente teu de mais ninguém... Se encontro minha sorte abandonada Na noite que te espero e nada vem,
Envolto em solidão, na madrugada, De tanto que queria ter meu bem, Somente o frio chega e nada, nada. Procuro então por colo de outro alguém..
Não sabes quanto quero o teu carinho? Às vezes mal percebes quando a chamo. Não quero mais ficar assim sozinho.
Meu coração deveras sempre quis O amor de quem sonhei, tanto reclamo, Mas, somente contigo eu sou feliz...
18
Porque ninguém cala esse nosso amor Eu ando tão feliz ultimamente, O mundo vai sorrindo e de repente Eu vejo o meu jardim coberto em flor.
Um riso de menina, encantador, Chegou e vindo manso, calmamente Trazendo essa alegria que se sente Em cada novo verso a se compor.
Num êxtase absoluto, nem pergunto; Encontro no teu corpo mil respostas, Amar-te é ser completo. Eu desconverso
E mudo se preciso, até de assunto Pois sei o quanto amada, também gostas E canto o nosso amor em cada verso... Marcos Loures
19
Porque foste assim? Vândala e cruel... Tragaste, em um momento, toda a essência. Cravaste, sem te pena nem clemência, Os punhais, tuas garras... Beijas fel,
Atemorizas sonhos, vida, céu... Percebo que perdeste a paciência, Viver não é sequer coincidência... Os restos que vivemos, num tropel,
Seguem. Acolherei as tuas presas, As dores que sentimos, vão acesas, A morte que sonhaste, me pertence...
Das flores que reguei, só tu, Florence Não deu senão espinhos, cortas fundo... Nas ondas que serpeias, vai meu mundo!
20
Porque foge de mim, assim, querida... Beber o teu prazer é meu desejo. Tentando em nossa vida, uma harmonia Rastreio no teu corpo, marco a beijo.
Eu sigo teu caminho, no infinito, Escuta o doce canto destas fontes. Nosso caso de amor, puro e bendito, Estampa coloridos horizontes...
Não quero te perder, tenha a certeza. Na divindade plena deste amor Encontro lenitivo p’ra tristeza, Encontro a maravilha sem temor.
Se foge deste amor, pois é demais, Não sabe que te quero, quero mais...
21
Porquanto em falsas sendas nós andamos, Enquanto a fantasia inda nos rega, Distantes deste mar que navegamos, Uma ilusão minha alma quer, navega,
E mesmo que a razão já não saibamos Verdade de um amor, não se sonega. Florindo da esperança velhos ramos, A vida não será decerto, cega...
Ao ver de uma emoção, tantos sinais, Avanço em passos firmes, flóreas sendas, Servindo ao vencedor com alegria.
Não temo tempestades, vendavais, Do amor que tu desejas e desvendas O gozo em plenitude, uma alquimia... Marcos Loures
22
Porém sinto que vens, até que enfim, Depois de tantas lutas e batalhas, Tornando a minha vida bem mais clean Sabendo superar as minhas falhas.
Enquanto em maravilha, amor entalhas Permite florescência em meu jardim, A chama do desejo quando espalhas O vento revolvendo tudo em mim...
Assim ao ter a sorte de sentir O quanto amor nos pode resumir, Eu vejo alvorecendo uma esperança.
Na vida que se fora em vagos lumes, Agora que conheço os teus perfumes, Eu vivo em plena paz e temperança... Marcos Loures
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Porém os sentimentos pouco mudam. Amor que se procura quer amor. Na cura destroçando a velha dor, Que mesmo depois disso, tanto abundam.
Mudanças que fazemos neste mundo, Não sabem destruir essas quimeras Que desde as mais antigas, priscas eras, Derrubam as mudanças, num segundo!
Eterno movimento de ida e vinda, Porém o sentimento forte, ainda, Expressa esta vontade com firmeza.
Vencer as tempestades e as desgraças Enquanto em fantasias foges, passas, As pedras enfrentando a correnteza... Marcos Loures
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Porém numa amizade irão voltando As pombas que se foram noutro dia. E aos poucos meus desejos retornando, Mudando num momento a ventania,
Amiga, com teus braços, demonstrando Que ainda é bem possível a alegria. A fantasia surge decorando O céu que em esperança se tingia
Meus olhos nos teus olhos refletidos, E os dias mais felizes, percebidos Permitem que eu caminhe satisfeito
Sentindo a mansidão já refletida Na cena que se faz tão repetida: A maciez das mãos sobre meu peito Marcos Loures
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Porém eu encontrei, emocionado, um sol de uma alegria mais ardente. Depois do canto triste demonstrado, Promete ressurgir alegremente,
Matando esta tristeza do passado, Mudando deste mar, fria corrente, Meu canto nos teus cantos ecoado Já vê tranqüilidade, simplesmente.
Quem sabe neste amor, firme e perene, A vida finalmente, enfim, se acene... Deixando de ser tola e caprichosa.
Tornando mais palpável, sentimento, Permite que se veja num momento A sorte que já fora vaporosa, Marcos Loures
26
Porém em teu amor, eu já me aninho Presença feita em paz, consoladora, Vencendo a solidão vil opressora Que há temos vem chegando de mansinho
Tomando minha casa, rouba o ninho, Voltando ao meu passado se assenhora. Amor que tanto amansa quanto escora Promete a mansidão plena em carinho.
A sorte transmudada me permite Um dia mais sereno. Sem limite A vida não trará seus girassóis.
As águas se expandindo, inundação, E mesmo em torpes versos, ilusão Ainda nos demonstra seus faróis... Marcos Loures
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Porém dentre as belezas, céu azul, As cores mais sutis, mansa cadência, Mudando como as cores duma hortênsia Que nasce nas estrelas, mar do sul.
As várias faces tantas das estrelas, Os brilhos e matizes da esperança As luzes que não posso mais contê-las, Delícias e delírios de uma dança
Arranco os meus pedaços livremente, Nas ruas e luares, oceanos, Vivendo o que se quer e se pressente, Mudando noutro bálsamo, meus planos.
No coração feroz de um sonhador, Havia de chegar, enfim, o amor... Marcos Loures
28
Porém ao caminhar meus pés tão mancos Propensos ao tropeço inevitável, Os dias que eu sonhara, calmos, brancos Encontram tempestade interminável.
O quanto foi louvável recomeço Não pude prosseguir, um ato falho, Virando o sentimento pelo avesso, Insanamente teimo e até batalho
Usando da palavra qual fuzil, Resgato os meus momentos mais felizes. Há tempos o meu sonho se encobriu Deixando os dias sempre frios, grises.
Caindo dos andaimes da ilusão, Recebo como herança o duro chão... Marcos Loures
29
Por vezes vasculhando o meu passado, Ao ver quantos momentos de agonia, Vislumbro desde agora um novo dia, Vivendo esta ternura do teu lado.
O Amor que nos domina, de bom grado, Trazendo com certeza esta alegria, O rumo do destino já desvia Além do que eu tivera imaginado.
Cevar cada emoção é conceber Num rito em sedução e bem querer, Um mundo todo feito em plena paz.
Velejo nos teus mares, grande amor, E encontro em teu sorriso sedutor, Beleza que, divina, satisfaz...
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Por vezes tenho feito alguns sonetos Falando sobre amores tão diversos. Pressinto na expressão destes meus versos O quanto se mostraram incompletos.
Às vezes meio torpes, pobres fetos, Imersos noutros vários universos, São trágicos dementes ou perversos, Entretanto são filhos prediletos.
Eu beijo a boca insana da manhã Teimando em procurar a poesia, Estrela sem juízo que me guia
Um velho menestrel em louco afã. Quem sabe noutro tempo? Mas, agora, Apenas a ilusão não vai embora... Marcos Loures
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Por vezes te procuro em noite clara Durante a minha vida tua imagem Saltando sobre o muro em que se ampara A sorte percebida, qual miragem.
Por mais que se mostrara o chão tão duro A bela paisagem nega ermida Afigura-se rara em ar tão puro As luzes interagem dor se olvida.
Sonhar com teu prazer, me satisfaz Sentindo tanta paz, posso beber A glória de viver que o sonho traz.
Um velho capataz não pode ver Nem mesmo irá se ater, louco voraz Ao sol que por detrás irá nascer... Marcos Loures
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Por vezes te pareço até acídico, Deveras me detenho em tantos ermos... Os erros que cometo, nem causídico Defenderia. Tétricos, enfermos,
Desejos se transbordam. Pico, ofídico. Embora tanto amor assim não termos, Bem sabes que pretendo ser fatídico. Palavras tão venais são simples termos...
Sobre este amor, sincero, meu tripúdio. Empáfias e falácias, simples medo... Bem sei quanto me dói o teu repúdio!
A dor de amar demais é meu segredo, Sou qual sonata morta no prelúdio. Amor, em teu carinho, meu degredo...
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Por vezes tão fundos Os fossos da sorte, Em sonhos profundos Prenúncios da morte
Nos restos que vês De minha existência, Nos livros que lês Sequer a clemência
Mas veja querida A morte não vem, Enquanto na vida
Existir alguém Que encontre a saída Que amizade tem...
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Por vezes sei que falam mal de mim, Inventam ou aumentam o que fiz. A vida, companheira, é mesmo assim, Mas nada impedirá de ser feliz...
Vivendo com carinho e paciência, Não deixo que isto tudo contamine. Nossa amizade é feita de clemência Pois nada impedirá que eu sempre estime...
Perdoe quem magoa, assim, amada... Não dê razão a quem tanto te ofende. Depois de cada curva desta estrada Nas quedas, no cair, é que se aprende.
Sou teu amigo sempre e todo dia, Não ouça, por favor, quem calunia...
35
Por vezes quis Carminhas e Dolores Bizet já descobrira no passado, Quando La Violetera trouxe flores, Eu aceitei deveras de bom grado.
São tantos, com certeza meus amores, O coração desaba de pesado, Diverso do que dizem os pastores, Amor não se reveste de pecado.
As armas escondidas sob os ternos, Mais fácil é vender vários infernos, Aprendo a percorrer o carrossel
Do louco balançar destes quadris, Aonde com certeza fui feliz, Descobrindo os caminhos para o CÉU.
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Por vezes paisagens desoladas Campeiam nas estradas desta vida. Em fotos tão mal feitas, desfocadas A caminhada extensa é mal cumprida.
As mãos que nos ajudam ocupadas A morte parecendo ser saída. Porém outras surpresas bem guardadas Clareiam toda senda já perdida...
Criança que cresceu em ilusões Voando por espaços, soltos laços, Às vezes encontrando outros portões
Fechados, não vislumbram liberdade. Mas tendo um bom amigo, em seus abraços Já sabe do poder de uma amizade...
37
Por vezes nossa vida sem venturas Esvai em simples sombras do passado, Quem teve a cada dia atormentado Um sonho feito em paz, vitais ternuras,
Esquece a bela tela sem pinturas, Qual fardo que se torna mais pesado, Vestindo esta quimera, descuidado, Percebe tantas dores sem as curas.
Aos poucos vai tomado por fraqueza, Sem forças seu caminho se desvia, Não vê mais em ninguém quem oriente.
Perdido sem destinos, incerteza. Procura em outro céu estrela guia, Buscando na amizade esta nascente...
38
Por vezes nossa vida é tão penosa, Enfrentamos gigantes penedias, As noites solitárias são mais frias Palavra assim distante e belicosa.
Cada passada resta temerosa, Distante das promessas e alegrias, Matando de tristeza nossos dias, Não resta nem sequer espinho ou rosa.
Mas logo quando chegas, de manhã, Trazendo um belo sol mais deslumbrante A vida modifica e num instante
Já deixa de mostrar-se tão malsã. Amiga, eu te agradeço a rara luz Que em noite tenebrosa, nos conduz...
39
Por vezes minha vida parecia Perdida em mil caminhos desolados, A tua mão amiga me trazia A força pr’estes dias malfadados.
Com fé, com esperança e alegria Levava-me por outros belos prados, Ensinando que amor em harmonia Supera toda a dor dos pés cansados,
Da luta por um sonho de igualdade, Trazendo com carinho imenso e paz, Verdadeiro sentido da amizade.
Contigo uma esperança enfim se abriu, Fazendo do meu braço mais capaz, Felicidades nesse onze de abril...
Parabéns Osilia Mannarino Loures, pelos seus 75 anos de idade. Que Deus nos permita continuarmos por muitos anos a mais usufruindo de sua maravilhosa companhia TE AMO, MÃE
40
Por vezes minha estrada vai perdida Deixando a sensação de um labirinto, Vagando sem ter rumo em minha vida, A morte dolorosa eu já pressinto, Porém numa amizade, esta saída, Nos olhos da esperança então me tinto.
Distantes os caminhos que deixaram São ermos, na verdade, disto eu sei, As dores e tristezas demarcaram Estrada que conheço e que passei, Andanças bem diversas demonstraram Que o amor em amizade, é sacra lei.
Que em calmaria traz a feroz turba, Refém da solidão, tudo conturba...
41
Por vezes me procuro inutilmente Não tendo uma resposta, sigo em vão O fim que a cada dia se pressente Tomado por terrível solidão...
Tentara um novo rumo; de repente Abrindo sob os pés, a terra e o chão, Angústia vai minando a minha mente, E o vento naufragando a embarcação...
Quisera conhecer minhas defesas, Quem dera conceber tais fortalezas Que possam proteger da tempestade...
Mas não me reconheço e sigo assim, Matando cada flor deste jardim Aonde ousei plantar felicidade...
42
Por vezes espalhastes as demências Arcanjo que se fez em tentação, Nas coxas, nas virilhas, as ardências, Abrindo em teus segredos, sedução.
Nos lábios se buscando em inclemência A simples e cruel constatação De mares inundados, florescência Formando na borrasca esta explosão
De corpos retorcidos, na luxúria; Nas tépidas insânias, fome e fúria Asteróides vagando em livre espaço.
Nas sendas maviosas, belas, flóreas Misturas de prazeres peremptórias Batalhas entre furnas, lanças, aço....
43
Por vezes eu me encontro num dilema, Sabendo que talvez não venha nada, A vida não permite que outro lema Transforme a direção da bela estrada,
Apenas resolver qualquer problema Não traz a garantia que foi dada Rompendo em calmaria a fria algema Em mãos que se procuram, sempre atada;
De uma felicidade esplendorosa, Que exige mão mais firme e caridosa Minha alma se aproxima e não deserta.
Falando da tristeza em solidão Que aflora vez em quando em nosso chão Meu verso é tão somente um triste alerta, Marcos Loures
44
Por vezes esquecemos de que temos Direito de tentar felicidade, A vida traz o barco e dando os remos Permite não haver jamais ou tarde.
Do quanto que lutamos, percebemos No fogo da emoção que nos invade Que tudo está perfeito se queremos Na busca que se faz em liberdade.
Amar e ser amado, um gozo pleno Que enfim remoçará o coração. Trazendo em canto livre e mais sereno
A plenitude feita em emoção. Amor atrai a eterna juventude, No brilho que se faz tanto e amiúde...
45
Por vezes esperei felicidade, Tantas manhãs perdidas sem ninguém! Queria teu amor; isso é verdade, A paz tão esperada nunca vem...
Olhava para os lados... Quero alguém! Mas a vida negava a claridade; Meus olhos procurando, nada além! Não posso nem sequer sentir saudade?
Embalde, tantas noites sem perfume, Quem dera te sentir doce lavanda. Repetindo, a toda hora, meu queixume...
Meus olhos esperando na varanda, Uma violeta resta sob o lume. Mas quando enfim virá a minha Iolanda? Marcos Loures
46
Por vezes esmaltada uma tristeza Nos olhos carcomidos da saudade, O verme que se encharca da certeza Sacia-se na pútrida verdade.
Estorvo de mim mesmo cuspo à mesa, E mostro meu perfil de insanidade, Vestido de vestal, roubo esta alteza Que mente ao me mostrar sinceridade...
Eu não suporto o vômito da fera Que me carcome um pouco a cada dia, Abrindo no meu peito tal cratera
Que teima em ser abrigo, hipocrisia, Depois deste tormento, nada espera, Senão a gargalhada em ironia...
47
Por vezes egoísta; outras nem tanto Cerzindo com palavras o meu mundo, O pensamento leva em um segundo Vagando entre alegria e desencanto.
Se às vezes vou feliz, então eu canto De luzes e de sonhos já me inundo, Porém o coração tão vagabundo Esquece num minuto o claro manto
E volta a procurar sombrias sendas, O olhar já acostumado com tais vendas Entende este clarão como ameaça
Preparo outro soneto, mais um verso, Que possa me trazer este universo Senão a vida foge, vai e passa...
48
Por vezes disfarçava o sofrimento Com risos elegantes, farsa pura. Aonde se mostrava uma ternura Ouvia-se distante o meu lamento.
O amor que se fez dor por um momento, Vencido por tais máscaras, agrura, Enquanto a noite passa em amargura, Eu sinto bem mais forte chuva e vento.
Abrindo estas janelas do meu peito, Agora destemido, dei um jeito Já sei sofrer, por isso sigo em frente
Mascaro cada lágrima em sarcasmo, Aprendi a fingir até no orgasmo Até no amor perfeito, eu ando crente... Marcos Loures
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Por vezes disfarçando a timidez Fingi ser cavaleiro, forte e audaz; Deitando em meu olhar a insensatez Mostrando futilmente ser capaz.
O sonho que em teus braços se desfez, Demonstra a fantasia em que se traz A verdadeira face, minha tez, Do coração cordato em plena paz...
O dia-a-dia simples, rotineiro, Sob máscara escondido, corriqueiro Não deixa sequer dúvida, sou manso.
Alimentando assim uma ilusão, Um velho trovador faz da emoção Disfarce pra esconder frágil remanso... Marcos Loures
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Por vezes descuidada nem percebes Os olhos desejosos que te ponho. Nas ruas onde andaste, nestas sebes, Marcada essa presença no meu sonho...
Tereis notado tanto quanto encanta Quem segue; extasiado, teus caminhos? Amor que em forte brilho não se espanta E faz ser importante criar ninhos...
Quem ama sabe as dores em que vive E busca em muito amor as alentar. Lembro-me dessas noites onde estive Nas ruas por amor novo buscar...
Te digo que é por isso que assim ando, Persigo cada passo, te adorando...
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Por vezes descaminhos que nos tomam Causados por palavras descabidas. Ovelhas que se perdem e se domam Às vezes são logradas e perdidas...
Deuses tão temerários que se somam Vinganças sanguinárias levam vidas E sombras mais terríveis nos assomam Fechando várias portas e saídas...
Deturpam cada frase sem respeito A quem nos ensinou amar demais... Olhando para o lado o meu defeito
O cisco em meu olhar é reparado. Na chaga que esta história sempre traz A trava que o pastor tem disfarçado...
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Por vezes amizades, quando as tinha, Entrando em minha porta, nos batentes, Com olhos mais tranqüilos logo eu vinha, A faca bem distante de meus dentes.
Porém algumas vezes, percebia, Embora não falava quase nada, Que tudo se mostrava fantasia, Em louca tempestade soçobrada.
Agora já concebo uma amizade Em termos bem diversos, companheira. Não falo tão somente em majestade, Nem quero que ela venha mais inteira,
Apenas que permita o meu caminho. Às vezes é preciso andar sozinho...
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Por vezes a desgraça em nossa porta chega. A dor vem e maltrata, arrasa nosso sonho! O rosto da quimera espreita-nos, risonho. É maldição divina, uma tortura cega.
O peso que a saudade, em lágrimas, carrega, Deixando nosso rumo em vão e tão medonho, Deixando nossa vida, um mar só e tristonho... Em qualquer porto ou cais, a vida não se apega...
Assim, por tanto tempo, observei minhas dores, Minha esperança morta, assim como os amores. Outono, em minha vida, ensina que o fatal
Sofrimento me ensina e, sendo um aprendiz Atento já percebo: um homem que é feliz Das dores erigiu a perfeição moral!
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Por uma estrada plena de perfumes Depois de caminhar em solidão Percebo no final, suaves lumes; Que fazem desta estrada um firme chão.
Encontro finalmente o meu abrigo Depois de tantas curvas do caminho. Eu já sobrevivi, farto perigo; Agora não irei seguir sozinho.
Decerto tenho em ti, amor dileto; A força com que posso, enfim, contar. Meu mundo sem teu braço é incompleto. Envolto em teus carinhos, navegar.
Eu sinto que virás por onde eu for; Por isso é que te chamo; vem amor!
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Por um momento o canto de minha alma Se faz ouvir mais forte e mais constante... Um aroma suave vem, acalma, O meu medo se torna mais constante.
Jardins de Santa Rita, a bela palma, No rastro dos ladrilhos de brilhante... Nos olhos, minha amada, a dor se espalma... Amar foi meu critério e meu desplante...
Esvai-se sofrimento, etéreo fumo... No meio deste mar perco meu rumo.. Carrego as ansiosas ventanias,
Não canto nem furor nem valentias... Quem se quedou bem cedo acerta o prumo. Por tanto esquecimento, as fantasias...
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Por todos os jardins do divino Éden Percorro quando bebo tua pele. Vontades e desejos se concedem Enquanto a solidão, amor repele.
À meia noite, Expresso busca a sorte Vencendo tantos trilhos, se liberta. Amor, para o futuro, um passaporte Tornando a nossa vida enfim, desperta
Alertas espalhados pela vida Dão conta, com certeza desse fato, A mão que se demonstra mais querida Permite da alegria este retrato.
Soletro em quatro letras a esperança De Deus a mais sublime semelhança.
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Por ter te amado assim, além da conta, Dos termos do contrato que fizemos, Talvez a minha culpa esteja pronta Nos dias mais serenos que tivemos.
O tempo que vivemos não se conta Apenas o que nunca mais sabemos; Do fogo dos teus olhos, cada conta, Perdida nos olhares que morremos...
Ancoradouro frouxo, o nosso cais, Vencido pelas brisas costumeiras. Um até logo vira nunca mais
Das hóstias comungadas nem sinal, Palavras desabando em corredeiras, Eu te amo, nada mais, foi tudo igual...
58
Por te amar demais, calo meus tormentos, Meus dias são fantásticas magias, Transformo esses ruídos, melodias... Transporto para longe meus lamentos.
Por te amar tanto, todos os momentos, Minha vida virou, nas alegrias, Não quero nem preciso dos alentos, Toda dor tem me dado uma alergia...
Quero sapatear no paraíso E dançar toda dança dos mortais Já sabendo que tudo o que preciso
Eu tenho, nem preciso mais de paz, Eu não quero mais medos nem avisos, O meu barco atracado no teu cais...
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Por tanto tempo quis lhe procurar, Nas ruas, nas estradas, sem destino... Nas estrelas, nas montanhas, no luar... Buscando sem parar, desde menino...
Por vezes eu pensei ter encontrado Aquela que seria minha amada. Mas, depois de alguns dias: tudo errado. Voltava à minha espera. No fim, nada...
Algumas vezes penso não mereço. Ao vê-la aqui do lado, carinhosa De tanto que sofri, eu já me esqueço Que a vida possa ser maravilhosa!
Meu coração alegre, agora crê; Minha amada, nasci para você!
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Por tanto tempo andei sem ter ninguém, Nas ruas, nas bodegas, botequins, Cansado destas noites de meu bem, Ou outras melodias mais afins. A noite em polvorosa vai e vem, Minha alma carcomida por cupins Olhando para os lados perco o trem E morro nessas saias, puros brins. Depois de tanta saia procurando, A azul e amarela quis meu beijo, Aos poucos, devagar foi me encantando. Agora está deitada aqui comigo, Passando as várias fases do desejo, Agora em outra saia peço abrigo...
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Por tanto que te quis , bem sabes quanto Espantos e tempestas, afastei. Ao ver tua nudez eu me agiganto E passo imaginar que, enfim, sou rei...
Nas cores com que em festas, comemoro, A vida que prometes delirante. No corpo em que passeio já demoro, Sorvendo e decorando cada instante.
Amante do que, bela, representas, Adoro te saber, deveras, minha... Paixões quando sinceras, violentas, Não sabem que a saudade se avizinha.
Mas deixo que este amor flua tão lento, Nas fantasias todas que eu invento!
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Por tanto que sonhei com venturosa Vida; nada passou de coincidência... A mão que se mostrava calorosa, Agora me demonstra virulência
Odor que recendia bela rosa, Não deixa de mostrar tanta indolência... Esperança sonhei, maravilhosa, Não passa de venal incoerência...
Não passo nenhum dia sem delírio, O mar que naveguei, mais cedo seca... Cegueira que não tem sequer colírio,
Escrevo loucos versos num papiro... Quem quis amor agora vai e peca Me resta tão somente esse suspiro...
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Por tanto que eu te amei e não voltaste, Deixando um duro inverno no meu peito. O amor que com tristezas faz contraste Revolta o pensamento quando deito.
Alento. Quem me dera, mas levaste Minha última ilusão, e contrafeito Caminho sem apoio, perdi a haste Que um dia pensei fosse meu direito.
Agora, nada resta senão isso A flor se despetala e perde o viço, O risco de viver se torna inútil...
Num frágil barco eu ponho o coração, Toda a esperança esvai, arribação, Deixando como herança um sonho, fútil...
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Por tanto que conheço cada nó E sei deste caminho vacilante Subindo a escadaria, vou sem dó, Mas creio ser o cume, um vão farsante.
Queria a salvação que teve Lot Ser um sobrevivente, e num instante, Mesmo que prosseguindo a estrada só Perceba um horizonte fascinante.
Ao fim da cordilheira, vejo que Somente me restando este cadê Que sem respostas volto a proferir,
Olhando para frente, vejo a sombra Da imensa fantasia que me assombra Negando qualquer forma de porvir...
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Por tanto que confunda o verso tolo Não vejo qualquer culpa em procurar Fazer de uma receita prévia o bolo, Tampouco com talento improvisar.
Apenas não suporto qualquer dolo Que possa sem motivos empanar Poema onde sonhar, nem decompô-lo Mudando assim as coisas de lugar.
Tropeço nas palavras, muitas vezes, Porém meus pensamentos não são reses Encontram no infinito, a liberdade
Que é sal, alho e pimenta pra minha alma Teimosa. Na amplidão ela se acalma Sem conceber a algema que me enfade...
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Por tanto ou por um canto que não trago Recebo teu perdão de sobremesa. O rosto que se esconde, da princesa Não deixa nem sequer mais um afago.
Na doce mansidão perdi meu lago Agora se me banho é de tristeza. Vencido por querer a realeza O mundo não me deu sequer um trago....
Não deixe que a saudade te machuque A morte sim, permita que caduque E não venha falar de coisa séria.
A força que te move me remove O beijo que me deste me comove Me deixa alucinado: amor – Valéria! Marcos Loures
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Por tanto amor, querida, na emoção De te saber comigo, singro mares Vivendo a delicada sensação De dar amor pra sempre desfrutares.
Vibrando com certeza, de emoção, Na busca pelo céu, nossos luares... Eu quero ter perfeita ligação Que faz um só daqueles que são pares.
Estás dentro de mim a cada instante, No gosto da maçã, no meu desejo. Tu tens todo este brilho, um diamante
Que em amor lapidado é cristalino. Agora que de perto, enfim te vejo; Desnuda de teus medos, me alucino!
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Por tanto amor que tive em minha vida Vivendo uma emoção desconhecida. Recebo teu carinho enfim querida Com sensação de paz, já esquecida...
E trago, nos meus versos, emoção De quem viveu, por certo uma ilusão Que sempre coroou meu coração Na busca desta incrível sensação...
Eu quero teu amor, de puro encanto, Trazendo, para a vida, um novo canto. Vivendo sem ter medo, sem espanto. Cobrindo essa saudade, belo manto...
Eu quero essa alegria de sonhar, Na doce fantasia de te amar!
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Por tanto amor que tenho, ando perdido Em busca desta vida que perdi. Não posso suportar tão dolorido O mundo que em teus braços recebi.
Minha alma, eterno luto e sofrimento, Passando pelos astros sem recanto. O canto que dizia do tormento, Agora se renova em cada pranto.
Talvez seja a visão desta mortalha Que trago, fielmente a cada dia... O gosto tão amargo que se espalha Espanta o que seria uma alegria.
Morrendo em tanto amor, assim prossigo, Pois se nem respirar jamais consigo...
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Por tanto amor que tenho em minha vida, Eu sei que sou escravo das paixões, Os sentimentos fortes, quais vulcões Dominam minha sorte, eis a saída...
Um lavrador que adora sua lida Já sabe quanto valem os perdões E vive a derramar nos corações Canção que parecia estar perdida...
Bem sei que poderia usar um mote Que fosse doloroso, em sofrimento. Porém se tenho amor, e assim fomento
A vida que recebo como dote De um Deus que nos amou tal como filhos, Sou tão feliz por vires nestes trilhos...
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Por tantas vezes tive minhas Tróias, Ulisses que escapou às tempestades... As dores que me esfregas foram jóias Falsificas cordões negas verdades...
As tuas gargantilhas são jibóias... Os teus sorrisos, mostram crueldades... Naufragando escondeste minhas bóias, Adoras cultivar tantas maldades...
És coronel sertão explorador, Tens a mentira certa e desumana. Agora vem de novo, por favor,
A podridão feroz que tanto emana, Não mate tanto pobre sonhador, Vives intestinal sugas da membrana
Cada gota de sangue teu delírio, Adoras penetrar fundo martírio. Os óculos já quebras, nem colírio... Marcos Loures
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Por tantas vezes sonho, mas reluto, E sei que no final não restará Senão no coração o eterno luto Que aprendo a cultivar. E desde já...
O olhar da solidão, um velho astuto, Chegando de mansinho tomará Todo o cenário. E triste, nada escuto, Apenas o silêncio falará...
E mesmo que inda venha alguma luz, No lusco-fusco, sombras, nada mais. Errônea caminhada me conduz
Ao fim intempestivo desta estrada. Das tolas fantasias, meus bornais, Somente, no final, a derrocada...
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Por tantas vezes somos maltratados Pela vida... Perdemos nossos rumos; E, depois disso tudo, disfarçados Sentimentos, nos tirando do prumo...
Tempestades caindo sobre a tarde Trazendo nessas nuvens, solidão... Nas preces, peço a dor que se retarde Mas ouço tão somente o mesmo não...
Vencido pelas dores, indefeso, O manto da tristeza já me abraça... O medo que temia, vive aceso, Nem lágrima perdida, se disfarça...
Porém u’a mão sincera já me abriga, Nos braços que me deste, minha amiga
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Por tantas vezes sinto que entristece Um peito em que sozinho já se humilha Buscando noutro peito nova trilha, Que ao se perder de fato assim padece.
Pudesse ouvir talvez última prece, Quem sabe então teria a maravilha De ter como esperança o não ser ilha Viver a vida em paz. Não apetece...
Eu sei quanto tu sofres, minha amiga, Estou sempre ao teu lado, não esqueça, Se a mão desta tristeza desabriga
Eu te ofereço o braço em todo apoio. Assim, talvez, quem sabe não padeça Aquela que conhece o trigo e o joio.
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Por tantas vezes mudo meu caminho Sem mesmo perceber onde vai dar. Cansado de viver e ser sozinho Enfrento um oceano e morro mar...
Nas ondas mais distantes desta areia Que sei não será minha nem seria Se singro as esperanças não sereia Se rio se sou sério não se ria...
Soltando teus cabelos, milharal, Sentindo o brilho flavo deste sol. Num favo de teu mel, sinto meu mal E morro sem saber sequer farol...
Mas quero lambuzar-me na delícia Do doce da garapa e da malícia...
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Por tantas ilusões embebedado, Busquei no belo colo da morena, Amor que sempre tive em mim guardado, E agora, um bom caminho já me acena...
Concedes a quem ama tal destino Que sempre me levou em manso enleio. Bebendo deste amor tão cristalino, Deitando esta paixão sobre teu seio...
Eu sinto tanto amor em harmonia, Sem medo de encarar a realidade. Jamais terei sequer a noite fria, Vivendo teu amor, profundidade...
Um coração audaz deita em torrentes, Mistérios dos amores, envolventes...
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Por tantas fantasias e sorriso Abismos vou criando no caminho. Elétrica emoção sonho daninho, Vagando em toque incerto ou impreciso.
O solo em que derrapo, sendo liso, Esgota a solução sem burburinho. O beijo da mulata atado ao vinho Promete a simples perda do juízo.
Mortalhas arranquei e na nudez Do amor que em tanto amor já se refez Dos tombos e das quedas mais sutis.
Prefiro não falar mais do que farpa Sobejo coração ao var a escarpa Escapa quase sempre por um triz... Marcos Loures
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Por tantas emoções que a vida trouxe Ao velho caminheiro, um andarilho. Seguindo de uma estrela o farto brilho, À dor este insensato acostumou-se.
Nas fotos do passado emoldurou-se Sorriso quase alegre, falso trilho. Agora na tristeza um estribilho Amarga realidade nega o doce.
Amores que encontrei na caminhada, Apenas ilusões e nada mais. Perdoe pelos versos tão banais
Retratam o vazio desta estrada Aonde cismo estúpido a vagar Colhendo cada cardo que encontrar... Marcos Loures
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Por sobre estes lençóis rubro cetim, A lua se esparrama em noite clara, O amor que seduzindo se declara Aclara o velho sonho dentro em mim.
Carinhos mais audazes, o estopim Que ao mesmo tempo acende-se e me ampara A perolada imagem, nobre e rara, Por sobre este cenário carmesim.
Ouvindo uma canção que vem de dentro Dos corpos que se entregam em luxúria, Paixão ao se mostrar em plena fúria
Nos jogos do prazer eu me concentro E roubo cada raio do luar, Sorvendo gota a gota, devagar.... Marcos Loures
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Por sobre essa montanha tão divina Caricatura imerge com sarcasmo, Deixando o coração ficar mais pasmo O jeito é perseguir quem me domina.
O beijo da morena desatina? E causa no teu peito algum espasmo? Não deixe-se levar pelo marasmo, Vontade nem o tempo determina.
Batendo nesta tecla, assim repito, Fumaça se elevando do meu pito Faz tipo quem deseja ser alguém.
Bebendo a poesia que me deste, A peça não se fez, faltando o cast, No fundo nunca vem pra quem não tem... Marcos Loures
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Por sobre as cordilheiras vai minha alma Abrindo os céus imensos da esperança. Enquanto à noite, a lua já me acalma O frio se espalhando por vingança.
Dos olhos da morena, resta a calma Que nada impedirá, nem a lembrança, Ceifeiro da ilusão, terrível trauma O amor sonega a paz e a temperança.
Ferrenhas as batalhas, eu as perco, A morte do prazer serve de esterco Que possa nos trazer bela colheita.
Imerso no vazio que me deste, A vida preparando um novo teste, Enquanto a solidão já se deleita... Marcos Loures
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Por sobre águas escuras, és a ponte, Contigo enfrento o mar em turbulência, Enquanto a vida mostre uma inclemência Clareias, tornas belo este horizonte.
Tu sabes o caminho em que se aponte A direção da paz; luminescência Que é do nosso viver, a pura essência, De todos os meus sonhos, rara fonte...
E, se por um momento, a paz se esfuma, A tarde se tomando pela bruma, Tua palavra pacífica azuleja
O zênite. Divina criatura, Um sinônimo exato de ternura Que a cada gesto teu, farta poreja...
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Por ser botafoguense eu aprendi Que a vida não se faz somente em flor Coração persistente encara a dor Com toda a paciência. É por aí...
Enquanto em pesadelos eu vivi O sonho tão distante a se propor, Em preto e branco existe toda cor No prisma esta verdade, eu conheci.
Quem sabe e reconhece a teimosia Não cansa de lutar no dia-a-dia Vencendo os mais difíceis dos obstáculos.
Sabendo que é pedreira ser feliz, Um dia terei tudo o que mais quis, Confirmando os meus sonhos, meus oráculos... Marcos Loures
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Por ser a flor que sempre preferiste Cultivo essa roseira no meu peito. A pétala que cai me deixa triste Em cada broto que sai vou satisfeito...
Tens perfume de rosa, minha amada, Tens a cor do botão mais enfeitado, Eu te quero nascendo na alvorada Vivendo no cantar apaixonado...
Roseira, minha roseira da saudade, Por que não trazes flores para mim. Amar pra ser direito e de verdade Precisa ter perfume bom, assim...
Teu coração procura pelo ninho, Eu te ofereço o meu, tão pobrezinho...
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Por sendas mais floridas caminhamos Estradas marginadas pela paz. Estradas coloridas que sonhamos Somente a mão do amor, decerto traz.
Há tempos que esta sorte nós buscamos Felicidade enfim, nos satisfaz Por isso é que bendigo o quanto amamos. Um passo a cada dia mais capaz.
Amor que é feito em glória, em alegria, Deixando uma tristeza adormecida. Rendidos a tal força, esta magia,
Não temos outro rumo a percorrer. Tu és o sol que inunda a minha vida Trazendo para sempre, o amanhecer...
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Por quem dobram os sinos? Sim, por todos. Espécimes são unos, e é por isso Que mesmo que se encontrem pelos lodos Transportam em si mesmos, farto viço.
Cada um tem as glórias e os engodos O olhar irradiante ou tão mortiço, Sorrisos e tristezas, gestos, modos, A cada novo ser, um ar noviço.
Mestiças fantasias, vida e morte, A mão que acaricia, o fundo corte Nos Nortes tão diversos, maravilhas.
Matizes que transformam velhas cores, Pecados e perdões, ritos e amores, Um continente feito em tantas ilhas... Marcos Loures
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Por que zombas amiga dos amores? São frágeis, são loucuras tentadoras... Nos guizos dos palhaços, seus atores, Alegrias febris, mas redentoras...
Desprezas as mortalhas, santas dores. Macabros sentimentos... Amadoras Noites, nas gargalhadas dos horrores, Vestidas de luares, sonhadoras...
Não zombes deste amor, é crueldade! Por certo não concebes melodias. Detrás deste descaso, uma verdade.
O medo te conteve, teu fiasco... As noites que se passam, tão vazias, Esperas perfumar teu lindo frasco! Marcos Loures
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Por que zombar assim dos meus amores Loucuras e desejos se misturam, Ao mesmo tempo causam tantas dores Ao fim da noite vêm e já nos curam...
Não zombes do que sinto, podes ver Nos olhos que te adoram, tantas luzes... Amada quanto bem tem te querer Não peço que suporte minhas cruzes.
Apenas não te peço nada mais Que estar na minha noite mais feliz, Da lua que trouxeste sem jamais Roubar deste luar qualquer matiz...
Não deixe que o amor cedo desfaça Dancemos nosso amor em plena praça!
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Por que tu me provocas tanto assim? Requebras teus quadris, e me convidas Teus lábios num sublime carmesim, As pernas torneadas, tão queridas.
Excitas meus desejos, mas no fim, Tu dizes: já são horas de partidas, Quem dera se pudesse ter enfim Vontades prometidas e cumpridas.
À noite entre mil sonhos eu te sinto, Sorvendo cada néctar, um absinto Que tanto me inebria e me sufoca.
Não vês quanto eu te quero por inteira, Depois de tanto tempo, a feiticeira Atiça o meu querer e não me toca... Marcos Loures
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Por que tardas, querida? Eu te amo tanto Quanto jamais queria ter amado. Estrelas que se entornam sobre o manto Da noite neste céu iluminado,
Não mostram precisão tamanho encanto Que sinto. Sou um velho enamorado À espera de, quem sabe, ouvir o canto Mesmo que em ermo pátio abandonado.
Beijando a sensação de estares perto De mim. Qual tresloucado vago à toa, Trazendo a solidão como estandarte.
Em noite alta, madrugo e mal desperto, Enquanto a dor no peito inda ressoa Vasculho por teu rastro em toda parte...
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Por que sofrer saudades nessa vida, Se não conseguirei jamais saber, Porque somente foste despedida. Ir me matando, aos poucos, sem querer...
Sem rumo, vai a vida, nau perdida, Em meio a tempestades, me perder, Sem conceber por onde está vencida, A batalha e poder sobreviver.
Eu quero ter somente teu sabor, Embora nada mais consiga ver, A não ser despedida nesse amor,
Nada além do que pude conhecer, Nada além desse pouco que restou, Somente a solidão diz bem quem sou...
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Por que não me disseste; enfim, adeus Se todos os meus dias foram teus, E os olhos lagrimando a solidão São desta fantasia a tradução.
Quisera pelo menos crer em Deus, Porém sonhos pagãos; no fundo ateus, Mudando a trajetória e a direção Repetem tão somente o mesmo não.
Deixaste enganadoras esperanças Que criam ilusões, temíveis lanças Num paradoxo senso indescritível.
Vasculho nas gavetas, e nada acho, Mirando o meu passado, vejo um facho E um som enganador, quase inaudível...
93
Por que me desdenhaste se te quis? Nunca mais me deixaste, pensamento... Quem me dera pudesse ser feliz. A vida não seria sofrimento...
Tento escapar...Atiras... Qual perdiz Ferida, me levanto. Caio... Tento... Em vão... Tu conseguiste... Que fiz? Destino não permite mais invento...
Por que me desdenhaste tanto assim. A noite tenebrosa cai em mim. Os olhos lacrimejo num delírio...
Os clarins vão tocando seu dobrado... Amor que me deixou desesperado. A vida deixará o seu martírio!
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Por que me chamas bonzo? Acaso te maltrato? Expresso-me maldoso em busca do pavor... Por vezes não consigo, é culpa do retrato Que me deste querida... Omites teu amor.
Muitas vezes, bem sei, escarras no teu prato, Eu sei que teu carinho esconde muita dor, Por quantas vezes quis te propor simples trato. Não me traga teu sonho, em vão fui sonhador...
A flor carrega espinho, eu sei que isso é verdade. É tanta dor que trago, esqueça o meu passado. Não quero e não permito esta tal de saudade..
O meu cantar distante estranha esta eloqüência. Eu não te quero aqui. Pois, saia do meu lado... Hipócrita? Demente! É tudo coincidência... Marcos Loures
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Por que me acostumaste a ser feliz? Depois que tu partiste, o que sobrou? O amor que tantas vezes me chamou Agora, que distante, nada diz...
Como viver sem ti? Nem sei quem sou. Restou do que tivemos: cicatriz, Seguir o meu caminho em noite gris, O sonho com certeza, terminou...
Tu me mostraste a luz que existe em mim, Cevando com ternuras meu jardim. Ao fim da longa estrada eu te perdi.
Tu me ensinaste tanto, mas que faço Distante de teus olhos,teus abraços. Ensina-me a viver, amor, sem ti...
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Por que me abandonaste simplesmente, Deixando tão tristonho o meu caminho, Inútil procurar algum carinho Mudaste o meu destino totalmente.
A dor que agora o peito sofre e sente Avinagrado em dores cada vinho, Seguindo pela vida; tão sozinho, O fim da minha história se pressente...
Confesso que chorei, isso não nego, Um caminhante vaga em rumo cego, Andarilho do amor, sem ter ninguém...
Apenas este frio e esta vergonha, Terrível solidão, dura e medonha, Durante a madrugada, voraz, vem...
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Por que falas de amor em despedida? Tu sabes que não vivo sem te ter. De nada adiantou amar na vida Se tudo sem teus braços, foi perder...
Estrada sem carinho tão comprida, Sem tréguas nem descansos, vou sofrer. A sina em duras urzes dolorida, Distante do que fora o bem querer...
Morena; me deixaste tão sozinho, Sem rumo e sem destino, vou ao léu. Meu coração batendo, pobrezinho,
Procura por teus olhos, nada vê, Estrela que fugiu nublando o céu, Por que falas adeus; Meu Deus, por quê?
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Por que choras? Imploras acaso ar? Casaste com contratos com meus trapos... Os partos que tiveste por matar. Nas portas que deixaste teus farrapos.
Nos abortos absortos naufragar, Os cacos que cortamos nem fiapos... Bastam somente botes, quero o mar! As lágrimas esgrimam guardanapos.
Nos bares se bastaram bebedeiras. Os cachos se confundem cabeleiras. Choraste tanto traste que fizeste.
Os mártires não mentem nem desfazem... Os mantras que me cantas não comprazem... Nas postas me provaste que eras peste! Marcos Loures
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Por quanto tempo; amor, eu te esperei em vão. Julgara que jamais eu poderia vê-lo. O tempo ia passando e tão somente o não Repetitivamente, à noite em neve e gelo.
O quanto que sonhara – amor em sedução, E nada de poder; ao menos conhecê-lo. Tudo parecia uma imensa ilusão. Invés de um sonho manso, apenas pesadelo.
Porém ao perceber tua presença aqui, O amor que eu tanto quis; depressa eu percebi Rondando o pensamento. Abrigos; encontrei
E agora a noite fria ao perceber o sol Que trazes num abraço, imersa em meu lençol Permite que eu proclame – amar é minha lei!
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Por quanto tempo uma alma viveria Sem saveiros, sem mares ou cavalos, Quem sabe com certeza não diria A sorte se escorrendo pelos ralos.
Passarei todo o tempo, em cada dia, Perdido sem meus sonhos, vou buscá-los Embora saiba até da zombaria Minhas mãos necessitam destes calos.
Será que tenho tempo de voltar? Rever a mocidade que se esgota, Minha alma se perdendo, devagar,
Meu sangue se escorrendo além da cota, Porém numa amizade a vislumbrar, Quem sabe encontrarei, de novo, a rota?
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