
MEUS SONETOS VOLUME 127
Data 30/12/2010 13:33:49 | Tópico: Sonetos
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Por eu te amar assim sem ter medida, Amor não me perdoa e me tortura, Não quero mais saber se tem saída Apenas vou viver santa loucura
Que, por te amar assim, ‘stá me salvando Dos erros que cometo, sem sentir. Nas vezes que declaro estar te amando, Sem nada que consiga me impedir;
Eu sinto desta brisa o beijo calmo... Meus versos em louvor ao que mais sinto, Prometem cada dia um novo salmo, Palavras me inebriam qual absinto.
És tudo que procuro e tenho enfim, Sou feliz por te amar. Te amar assim...
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Por esta estrada límpida e divina Vieste derramando o teu perfume. Na senda maviosa e cristalina Teus passos magistrais são de costume. Tua beleza rara me fascina O teu olhar de deusa, um mago lume...
Quem dera se pudesse ter abrigo Nos passos que desfilas no caminho, Andando a vida inteira assim, prossigo Por certo não serei jamais sozinho. Um sonho tão feliz e tão antigo Se mostra em cada gesto de carinho...
Meus olhos te buscando vacilavam... Teus pés longe do solo flutuavam...
3
Por esses doces toques que me embriagam, Percebi tal distância que deixaste... As noites que passamos, nos afagam, As horas que vivemos num contraste...
Os ranços de que fomos não estragam As vidas que pensamos, forças, haste! As dores simplesmente já se apagam! Pois todos os tormentos carregaste...
Não temo teus segredos, cortesã. Apenas peço nunca mais me deixe. Não tenho outro temor nem outro afã,
Senão pensar em teu tocar feliz... Embriagado peço a bela atriz Que desse doce amor, nunca se queixe! Marcos Loures
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Por essa solidão que não consinto Lavrada em duro amor sem ter descanso. Não posso mais beber sequer absinto Senão a madrugada nunca avanço.
Dos olhos tentadores me recordo, Da boca tão suave que atentara Deitado do teu lado vou a bordo Da vida que, sem paz, me premiara.
Nas ilusões trazidas, vivos sonhos; Nas mãos macias, colo transparente, Sorrisos tantas vezes tão medonhos, Tramando uma incerteza, estou carente....
Amiga dos teus olhos sinto o lume Que invade minha vida em bom perfume...
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Por decurso de prazo deu-se o fim Daquele sentimento interminável. O corpo que de noite era inflamável Deixou fora da casa um estopim.
Estava em Cochabamba, eu em Pequim Criou u’a carapaça impenetrável E embora parecesse tão amável Não quis saber dos versos nem de mim.
Desbaratando a trama, nada sobra, O barco que, teimoso inda soçobra Não pode suportar uma marola,
Voltando cada qual para o seu canto, O amor não superando tal espanto, Olhando a liberdade, vê gaiola... Marcos Loures
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Por coisas que não fiz e sei, não devo Jamais eu pagarei a conta e o pato, Amor que tu me deste, não longevo, Enquanto me maltrata, já desato.
Teria alguma chance se, no fim, Ainda resistisse algum carinho. Quisera ser açu, mas sou mirim Tumulto se resume em burburinho.
Gerando em contra-senso, a solidão, Num paradoxo tolo e tão cruel. Sonega, no sufoco, a atracação E o barco se perdendo, segue ao léu.
Um sentimento reles, vagabundo, Não vale mais sequer um só segundo....
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Por certo uma amizade é pedra rara, Difícil de encontrar na nossa vida. Nas quedas que sofremos, nos ampara. Não deixa nossa nau restar perdida...
Se somos tão iguais, nas diferenças; Nas crenças e nos medos, antagônicos... Nos sonhos e desejos, o que pensas; Diversos; mas de perto, são harmônicos...
Amizade como a tua; nunca mais. Não cobra e nunca lembra quanto custa. Amiga... tanto amor assim, demais, Em qualquer diferença já se ajusta...
Não tema mais sequer os descaminhos, Pois saiba que jamais vamos sozinhos...
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Por certo tive noites mais felizes! As dores nunca foram companheiras... Dançava pelos bares, meretrizes, Amantes tão febris e “verdadeiras”!
Mentiras e verdades são atrizes, Que brincam nestes leitos, nas esteiras. A vida multiplica-se em matizes. Joguei a sorte pelas ribanceiras!
Nas noites conheci felicidade, Tantos copos de rum na minha mesa! Nos brindes mais ferozes da saudade,
Restou-me pouca coisa ou quase nada! Morrer não causaria-me tristeza Se não fosse vazia a madrugada! Marcos Loures
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Por certo esperarei pelos teus beijos... Esperarei refeito da tristeza Esperarei com força dos desejos Esperarei das matas tal beleza...
Esperarei a morte nos cortejos Esperarei gritar a natureza Esperarei lunares, seus lampejos Esperarei, do amor, a realeza.
Esperarei teus braços de princesa Esperarei as cores, azulejos. Esperarei a flor desta fineza
Esperarei da noite, relampejos Esperarei comida e sobremesa... Por fim, esperarei pelos teus beijos... Marcos Loures
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Por certo é sempre forte e derradeira, Paixão que se transforme em amizade Regada com carinho e liberdade, Invade mansamente, sorrateira.
Erguendo o meu olhar sobre a viseira Avisto mais distante a tempestade, Cerzindo com total tranqüilidade Dos sonhos e delírios, a bandeira.
Eu perco as minhas garras, mas mantenho Sereno e bem suave, o rosto e o cenho Sabendo destas senhas vejo o cais.
E deixo para trás os vendavais Desta destemperada procissão De dúvidas compostas na paixão... Marcos Loures
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Por anjo sapientíssimo, imantados, Teus olhos num tropismo fabuloso Levando o meu olhar ao lado, atado, Transindo meus sentidos, pleno gozo...
Salvando-me do inferno da saudade, Conduzem os meus passos, rumo à vida. Ensinando à minha alma, a liberdade, Na chama de teus olhos, adormecida...
Celebram tantos dias de ventura; Recendem aos espaços divinais. Produzem despertar da noite escura, Forjando dos meus versos, tais cristais...
Teus olhos eu bendigo e não me canso, Espelham meu futuro, que esperanço...
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Por ande tu andaste na cidade Que em versos te mandei um telegrama Voando nessas asas da saudade Ardendo sem temer sequer a chama.
Andaste por acaso tão distante Que nada me importava nem o mundo... Em busca do carinho, minha amante, Meu todo se desaba num segundo...
Vieste por acaso, disso eu sei. Não posso permitir que não mais voltes, De todos os caminhos que passei, As ondas desses mares, não revoltes...
Agora que encontro tão sozinho, Por onde é que tu andas, qual caminho?
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Por amor, insensato caminheiro, Andarilho dos astros, da esperança, Além do que meu sonho enfim alcança Navego, se preciso, o mundo inteiro.
Florindo, em primavera, meu canteiro Perfuma em suas mãos a temperança, Pois sei que chegará, mesmo em tardança Em mágicas palavras, feiticeiro.
Por amor, morreria até mil vezes Se pudesse renascer nos braços seus. E que nada nos trague, em triste adeus,
A morte verdadeira, sem saída. Mal sabe quanto espero, amor. Há meses... Em ânsias, lhe falar de nossa vida..
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Por amar tanto, além do que podia, Singrando vários mares tão diversos, Vivendo a fantasia nos meus versos, Imerso nos seus braços; poesia.
Amar e desejar, leda agonia Tornando os meus caminhos mais dispersos; Herdando os descaminhos que, perversos, Impedem que se entenda a melodia
Da voz inebriante da mulher. E quando o novo dia não vier Apenas reviver o que passou,
Saudando o quanto tive e já perdi, Retorno num segundo; Amor, a ti, Cristal que o sentimento lapidou...
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Por amar assim, sendo verdadeiro, Jamais conseguirei viver liberto Amando de tal sorte, por inteiro, Sem perceber que andei mais incompleto.
Amor sugando, tudo, meu ceifeiro, Não restando, portanto, nem meu teto, Sem ter início, sequer paradeiro. Amor o precipício deste afeto...
Num desejo cruel, sou seu escravo, Noutro momento cego, sou vazio, Meus passos, indecisos, logo travo,
Quem me dera pudesse não ser cio, talvez inda tivesse amor perfeito, Mas cego sigo estando satisfeito.
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Por amar além do que devia Ou mesmo poderia imaginar, Afogo-me distante deste mar Que à lua em claros raios, quer e guia
Quem dera se eu tivesse a poesia Que encontro tão somente em teu olhar, Veria o novo tempo despertar Na imensa maravilha de outro dia
Imerso nestas tramas traiçoeiras, Vencido por sobejas armadilhas, Errante caminheiro segue trilhas
Que há tanto imaginara; verdadeiras. Mas quando despertar do pesadelo. Amor; queria tanto revivê-lo...
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Ponteios da viola enluarada, Fumaça de neblina sobre os montes, A lua que se emerge em horizontes Trazendo uma esperança desfraldada.
Na frágua da ilusão, uma alvorada Ultrapassando os rios, margens, pontes Palavras do passado que remontes Não dizem muitas vezes quase nada.
Da boca dessa noite insaciável O beijo da manhã se quer amável Porém a tempestade se anuncia
Distante dos teus braços, meu amor, O vento revoltoso com vigor Nublando, mal começa; o novo dia... Marcos Loures
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Pomba rola voando vai distante, Escapando, veloz, da atiradeira. Por esse tempo todo, galopante, Meu coração fugindo, vida inteira...
Nas cordas do meu pinho, delirante, Procuro te encantar; és a primeira Que me tomou as rédeas, dominante... Quem dera se dormisse em minha beira!
Traços livres, desenho teu retrato. Resenho nossos livros sem prefácio. Estilos contrapostos; insensato,
Difícil entender se fosse fácil. Mas quero me afogar no teu regato, No amor que a gente faz, intenso e grácil... Marcos Loures
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Pomba branca da saudade Apascentes meu sofrer Quem já fora vaidade Nunca mais vou esquecer
Vivendo sem poder ter Da lua; luz, claridade. Quando poderei viver Minha plena liberdade
Quando me vi tão sozinho, Lembrei-me que fui feliz Eu vi perdido meu prumo,
Chegava devagarzinho, Procurei por meu aprumo, O que menti, nunca fiz!
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Polimórfico sonho mortifica Luares entre trevas e neblinas, Soturna paisagem em que se explica Metamorfose vária. Frágeis minas...
Miséria se mistura com fartura, Na boca do flagelo, dentes de ouro, Erráticos profetas na procura Insana pelas ilhas sem tesouro.
As indolentes feras de tocaia, Os lírios espalhados pelos campos, Pululam pela noite, pirilampos.
Quasares e pulsares, sol desmaia, Desaba suas luzes trás os montes, Estonteantes brilhos. Horizontes...
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Polimórfica imagem que reflito De tantas formas, louco e mesmo vão. Minha alma se envolvendo em tal conflito Confusa, já nem sabe a direção
Aonde um coração se expondo, aflito Permita-se às desordens da paixão. Quem dera se o amor não fosse um mito Que rega com veneno, a solidão...
Talvez pudesse crer em algo além, Mas quando a poesia perde o trem Na ausência de ternuras, sigo só.
O gesto carinhoso nunca vem, E teimo dia-a-dia sem ninguém Buscando renascer, espalho o pó...
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Pois “tem que ser agora ou nunca mais”, Não deixe mais o tempo te levar... Distante de teus braços perco a paz Areia que perdeu braça de mar. Não quero a liberdade que me traz A triste solidão sem ter amar.. Não vejo a solução de não ter cais Prefiro sem juízo, naufragar. Vivendo simplesmente nosso caso Me caso e não terei felicidade? Amor quando é demais morre em ocaso? O prazo que me deste não findou O rosto, a boca, o gozo; na verdade Demonstram que este tempo não passou...
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Pois tudo que escrevi, a ti pertence, Em cada verso meu vivo esta história De amor que a dor medonha já convence E trama nosso amor em fina glória.
Meu beijo que sonhei depositar Na boca mais divina que Deus fez, Roçando em tua pele devagar Ao mesmo tempo bruto e tão cortês.
Não sei se tu pressentes ou notara Que sempre mergulhando em tanta luz Amor que, lapidando, é jóia rara De gemas preciosas, se produz...
Eu amo teu amor belo e diverso, Com todas essas forças do universo!
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Pois tudo é ilusão - vã, passageira... há tantas armadilhas numa estrada. Quem dera se esta sorte feiticeira mostrasse solução que nunca é dada.
A vida se mostrando tão ligeira se perde em desatino na alvorada. Quem sabe do valor da companheira percebe que sem ela a vida é nada.
Não deixe que se perca, minha amiga, o rumo que traçamos já faz tempo, por mais que sempre surja um contratempo.
Pois quem, tão temerário, desabriga, é como retratasse uma esperança Qual brinquedo quebrado da criança.
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Pois sempre que te vejo em ti percebo O sol que nestes olhos se sepulta, Do brilho desse amor sempre recebo A lua que em silêncios nada ausculta.
Nos círculos descritos pela teia Da lua encantadora em alvos brilhos, Por vezes, santas horas, me incendeia A chama que me queima, belos trilhos...
Neblina tão suave que se cai, Por sobre essa macia e calma relva. Enquanto a tempestade já se esvai, Tramando sob a lua, imensa selva.
O sol, tão mansamente, vem tomando A terra; em teu olhar também amando...
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Pois pode me bater que eu não me entrego, Eu sei que é teimosia, não importa Cordato coração vagando cego Abrindo mansamente cada porta.
Não tenho à poesia mais apego, Eu sei que ela morreu. Amor exorta Enquanto a realidade que navego Demonstra claramente que está morta.
Pisando nas carcaças deste fútil, Que eu sei ser na verdade sempre inútil, Não mata nossa fome nem sacia.
Quem sabe noutro tempo, noutro espaço, Termine em calmaria este cangaço Dando um significado à poesia?
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Pois nosso trem do amor nunca se atrasa, Porém se não cuidarmos, descarrila, Veneno em ironia se destila E muda com certeza toda a casa.
E quando o cano entope sempre vaza, Se o amor foi feito apenas de uma argila, A solidão furando então a fila Apaga o que pensei ser chama e brasa.
Por isso não comporta este marasmo, É necessário a fúria de um espasmo Num gozo que me deixe aceso e pasmo.
Quem sabe com carinhos, num orgasmo Vencendo o teu sorriso de sarcasmo “Te amo” será, talvez, um pleonasmo?
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Pois Lara se fez morta há muito tempo Guardada na gaveta das lembranças. Quem teve um amor em contratempo Percebe quão difíceis, novas danças.
Tempero minha vida em abandono. Das marcas que carrego, cicatrizes. Mas sinto-te rainha deste trono Nos versos em que embalas e predizes
Futuro que bem sei alvissareiro De amor e de esperança revestido. Um sonho delicado onde a ternura,
Promete ser meu canto derradeiro, Quem teve um descaminho e foi perdido, Ao ver tua beleza enfim se cura...
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Pois Deus quando criou Adão e a Eva Sabia muito bem o que fazia, Casal quando semeia traz na ceva Além de uma ventura, esta alegria.
Outrora sem a luz, somente treva, Agora a claridade enfim nos guia, E quando o coração sofrido neva, Na moça se completa uma alquimia.
Decerto, quis o Pai ser mais perfeito, Porém o homem carrega este defeito Que traz desde o princípio, a Criação.
Seguindo procurando uma alma gêmea, O macho cortejando sempre a fêmea, Pior, fosse ao contrário, Eva e Adão...
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Poetizando sonhos minhas liras, Concretizando farpas sem ter lupas. As novas certidões nunca confiras As cândidas mortiças servem culpas...
Se tendo a não te termo, temo termitas . Se não castro astros rastros me permitas, As pontes levadiças são sagazes, As contas que me bisas sei vorazes...
Não sei se não senão seria sim Se sim fosse senão não caberia, Assim peço perdão por ser vazia
A cuba que não cabe mais em mim... A culpa de não ter mais serenata, É do mata... É da mata, é de quem mata! Marcos Loures
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Poetas que do amor fizeram suas cevas, Colhendo o belo fruto em rara profusão, Forraram com certeza em luzes torpes trevas, Fazendo da alegria a mais nobre canção.
Gibran Kalil Gibran, Tagore entre outros tantos Mostrando a maravilha imersa em cada ser. A poesia vive envolta nestes mantos Que trazem fantasia, ajudando a viver...
O amor, ensinou Cristo, imensurável dote Que devemos legar aos que virão depois. Multiplique-se então, a voz que de nós dois
Aguarda por resposta, e não seja um só lote, O riso da criança, o beijo de um velhinho. Pois quem espalha amor, jamais irá sozinho..
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Poeta tendo a rima por labuta Não cansa de buscar palavra certa, E quando a fantasia, ele liberta, Percebe na ilusão tola permuta.
Não sendo nem querendo ser da puta, Sou filho que o caminho já deserta Na muda, um passarinho estando alerta Invade sem saber errônea gruta.
Terreno acidentado, terremoto, A fonte; mal construo; logo esgoto Mais cedo que devia, morro à míngua
Não sendo melindroso, não sou místico, O dote que recebo não artístico Só serve neste beijo se é de língua...
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Poeta se disfarça em qualquer fato, O beijo amordaçado, o riso franco, Cavalo galopando; em trote, ou manco, A velha alegoria paga o pato.
E quando nas palavras eu desato Ou mesmo se decerto assim desanco, O céu jamais será escuro ou branco, Adoro qualquer quebra de contrato.
O chato é ser careta ou idiota, Além do que me cabe em qualquer cota Arroto os meus versejos por aí.
Que tudo permaneça diferente, O vento muda a rota de repente E chego sem saber de novo a ti...
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Poeta que se preze não despreza A presa que se mostre mais audaz. Surpresa nos meus olhos a beleza Que em versos poesia sempre traz
Vivendo atrás dos sonhos, ponho a mesa E nela a maravilha satisfaz Destreza que compõe, molda em leveza Deixando uma avareza para trás.
Eu admiro os poetas, pois não tenho A verve necessária para sê-lo Embora não precise deste selo
Queria ter quem sabe o raro engenho, No qual bordar estrelas e cerzi-las Compondo em ilusões, suas argilas... Marcos Loures
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Poeta quando faz seus devaneios, Apreende com buris, as esculturas, E mesmo nas palavras mais escuras, Estampa; libertário, mil anseios.
Não quero mais saber se existem meios, Nem mesmo o que desejas ou procuras; Cansado de viver as amarguras, As máscaras; escondo sem receios.
Versando sobre o que bem me apetece Fazendo do puteiro o meu altar, Vendendo falsidades na quermesse
Viajo sem querer velhas algemas, Não sei de outra maneira de sonhar Seguindo ou enfrentando as piracemas...
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Poeta pantaneiro; um grande orgulho Poder estar contigo e te abraçar, A vida nos prepara o pedregulho, Porém a poesia faz voar,
Quem tem a liberdade do mergulho Domina as maravilhas do luar; Neste país imerso em tanto entulho, As estrelas são feitas pra brilhar.
Eu tenho; sábio amigo, esta vontade De ver o amanhecer em liberdade, Vencendo os dissabores e tempestas,
Estando pareado com teus passos, Estreitando com força; firmes laços, As Musas se encontrando agora em festas.
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Poeta é um sujeito muito chato, Normalmente um babaca disfarçado Usando da palavra, o seu recado É sempre malcriado ou mesmo ingrato.
Cuspir sem ter vergonha neste prato Aonde já comera; o debochado, Melhor que faço então, ficar calado, Senão irei pagar, bem caro, o pato.
É dor de cotovelo, uma fofoca, Riacho vai virando pororoca E a rima necessária, no sufoco.
Fazendo da alegria uma breguice, O amor então é pura pieguice, Moldura sem igual, um simples toco...
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Poesia perene companheira, Portas, porteiras, partos procissões... A parte principal, sempre primeira, Primazia potência nas paixões..
Pó, pólen, precisão... Na companhia Perfaz a perdição. Minha promessa. Perpétua companheira, a poesia, Pregando por mil vezes, pronta peça...
Trapo, tropo, tempesta e temporal. Termo, trama temor e tempestade... Parto, pronto, perola pantanal...
Às vezes me reveste ventania... Serena solidão, sinceridade... Pó, poeira pomar e poesia...
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Poentes da alegria, quem perdeu Durante as tempestades do caminho. Areias e desertos, concebeu Aquele que pensara estar sozinho.
O canto esvaecido trouxe o breu Negando qualquer forma de carinho, O dia da esperança anoiteceu E o mundo adormeceu bem de mansinho...
Porém uma amizade enaltecendo O quanto fomos ricos, não sabíamos. O tempo de bonança em que vivíamos
Aos poucos novamente percebendo. E assim uma alvorada ressurgida Demonstra nova luz em nossa vida...
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Poeira no meu peito toma assento O vendaval agora se faz brisa Bisando eternamente o sentimento Que em plena sintonia já me avisa
Do quanto se faz caro este querer, Mudando totalmente este cenário. Vazios no meu peito; vem preencher Amor muito maior que imaginário.
Aquários multicores da alegria, Dourando o dia a dia em raro sol. O quanto te desejo em harmonia Estende a fantasia em arrebol.
Cometa irradiante da esperança, O peito de quem ama é só festança! Marcos Loures
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Poeira levantando, vou inteiro, Atrás de uma alegria, vã, falsária. Uma alma que pretende ser corsária Trazendo um paraíso corriqueiro.
O gesto de carinho é lisonjeiro, Mas manifestação só temporária No quanto uma ilusão é temerária Não posso ser mais franco e verdadeiro.
Jogando pra vencer, eu reconheço A cada novo passo outro tropeço, Amor não condizendo com verdade.
Depois do diamante que me deste Do vidro que se quebra, simples teste Mostrando ao fim de tudo, falsidade...
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Poeira levantando no salão As noites sertanejas; inda guardo, Depois da meia noite, o gato é pardo, E a dança pega fogo no bailão...
Se o amor da minha vida; eu não aguardo, A moça mais gostosa do salão Delito cometido: outra paixão E o coração carrega mais um fardo...
O forró invadindo a madrugada Mistura de aguardente e de suor, A música tocada; sei de cor,
Segunda feira; volto para a enxada, No sábado que vem, eu quero bis, Garanto: do meu jeito eu sou feliz...
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Poeira em calmaria toma assento, Enquanto a chuva cai tão mansamente. Ouvindo a tua voz, decerto eu tento Mudar este destino totalmente.
A mente te buscando já percebe O quanto que lagrimas nesta tarde. De lágrimas o chão em dor se embebe, Pedindo que o amor não mais retarde.
Eu gostaria agora de poder, Estar do lado teu, te consolar, Não sabes quanto é grande o bem querer, Tampouco quanto eu quero, enfim te amar...
Das lágrimas que, inúteis, tu derramas, Quem dera se eu pudesse arder em chamas... Marcos Loures
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Podridão emanada dos teus versos, Nas versões inauditas, podre aspecto. Mostrarei meus caminhos mais diversos, Te cobrirei, inteira, puro afeto...
Por mais que pareçam mais dispersos, Meus desejos formaram ser completo. A rainha de todos universos, O meu sonho feliz e predileto.
Mas tais bocas febris purificantes, Esgueiraram-se enfim, deixando chagas. As angústias outrora delirantes,
Indefinem perfil de minha amada Teus caminhos venais, distantes plagas. Dos teus versos a dor surge, emanada... Marcos Loures
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Podia te dizer destas estrelas Quais pirilampos livres lá no céu. Prazer de perceber e de contê-las Forjando no infinito um raro véu.
Podia te dizer que ao percebê-las Eu lembro-me, querida, de teu mel, Dizer das alegrias ao revê-las, Montado por desejo, o seu corcel...
Podia te dizer do mar imenso Aonde em profusão, belas sereia, De um sonho divinal, pra sempre intenso
Que não permitirá cativo ou amo, Mas só devo dizer em frase cheia Somente que eu te adoro, enfim, que eu te amo! Marcos Loures
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Podes guardar as sobras do que fomos... Se nada mais me resta o que fazer? A vida se reparte, tantos tomos... Onde e porque tentar sobreviver?
Das delícias passadas, sequer gomos, Nunca mais poderemos reviver! Totais desconhecidos, hoje somos... Nada posso falar, senão sofrer....
Nãos se tornaram todas as palavras Que, teimosos, fizemos um refrão... Então, como podemos, nossas lavras
Desérticas... Jamais te esquecerei... Me dê, por fim, teu último perdão. Nossas portas fechadas, tua lei... Marcos Loures
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Poderes dos canhões sobre crianças Cadáveres e flores tomam praças, Nos corpos destroçados, fogo e lanças Milhares se misturam, formam massas.
E quando distraído; ao longe passas Estendes tua oferta e das bonanças A roupa tão puída traz as traças, Mendigas e canalhas esperanças...
As cenas se repetem vez em quando, Enquanto o velho lobo devorando Passeia entre as esquinas e destroços...
E o moleque que um dia quis sorrir, Num porre sem presente e sem porvir Expõe na carne aberta, expostos ossos...
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Poder transformador, o da amizade, Trazendo ao andarilho um manso cais. Um canto em que se mostre a liberdade, Grilhões de outros momentos, nunca mais!
Por mais que surja intensa tempestade, Na força da amizade que é demais, Bonança com certeza nos invade, Vencendo em calmaria os vendavais.
Assim, querida amiga, vou em frente, Sem ter o que temer, sempre a teu lado, Encanto deste amor glorificado
No qual a mansidão tomando a gente Permite-nos dizer desta alegria, Que torna mais suave o dia-a-dia... Marcos Loures
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Poder tocar teu corpo e te sentir, Estar enfeitiçado pelo canto Que agora, aqui bem perto, posso ouvir Levando-me à loucura. Teu encanto.
Tocar-te e te beijar... Em ti fugir De tudo o que passei; tristeza e pranto. E nada neste mundo há de impedir O meu desejo imenso. Quero tanto!
Serei o que quiseres; minha amada. Enlouquecido sigo cada passo Na areia, nesta praia tão molhada
Por ondas de prazer que nos devoram. Descubro em teu olhar; paixão e laço: São os materiais que nos decoram...
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Poder ter, num momento, o beijo ardente Daquela que se deu, imaculada, Percorro em ilusões, a mesma estrada Que há tempos, vislumbrei, iridescente.
Estrela do meus sonhos, fluorescente Derrama cada raio sobre a estrada Minha alma na tua alma emoldurada, De duos somos unos de repente
Seguimos geminares vida afora, Nessa eugenia rara de um amor Que enquanto nos domina, estende à flora
Perfeita sincronia. Do jardim, Marcando com sorrisos, trama a flor Suprema, da esperança dentro em mim... Marcos Loures
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Poder te namorar sem ter segredos, Vencer as tempestades com sorriso, O amor jamais respeita qualquer siso Mudando com certeza, estes enredos.
Deixando solitários dias ledos Receba sem temor o doce aviso, No toque mais sutil, farto e conciso Dos corpos que se entregam, bocas, dedos...
Eu quero estar contigo a cada instante Sabendo quão divino e fascinante O fato de poder ter teu carinho
Não deixe que este sonho, assim se perca, O amor já não respeita grade ou cerca, Forrando em fantasia cada ninho... Marcos Loures
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Poder te desejar a cada instante Ardentes, as palavras que me dizes, Tocando o teu prazer inebriante Qual fossemos crianças, aprendizes...
Na fome que me torna um navegante, Buscado a proteção, velhas marquises, Mergulho no teu corpo, delirante, E somos como nunca, tão felizes...
Abrindo tua blusa, à luz da lua, Beijando cada seio, devagar, Aos poucos vais ficando toda nua...
No fogo do desejo, de repente, Consigo num segundo desculpar Àquela seduzida p’la serpente...
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Poder te dar um beijo, prenda amada, Sedento, carinhoso e lambuzado Sentindo na manhã toda orvalhada O bom da vida estando do teu lado.
O frio que chegou da madrugada, O gosto de teu beijo serenado, A manta que nos cobre temperada Pelo calor benquisto e desejado.
A vida que lá fora recomeça, Aqui, em nosso canto, continua. Que o mundo em seus tormentos não impeça
Que o dia recomece uma rotina. Esqueça que lá fora existe a rua, Se achegue. Venha aqui, minha menina..
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Poder te amar, querida, em noite fria; No outono deste amor que a vida trouxe. Não sabe há quanto tempo eu te queria Num sonho tão fantástico, tão doce...
Amor que foi crescendo dia-a-dia Distante da tristeza como fosse Um poço de alegria e fantasia. As dores já se foram. Acabou-se
O canto mais atroz que me tocara. Agora estou feliz, além de tudo. A vida se passando... Coisa rara:
O nosso amor aumenta e, em disfarce, Não liga pro talvez, porém, contudo. Não há nada no mundo que o embace...
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Poder te amar o tempo que quiseres, Sem nada que contenha essa vontade. Tomados por volúpia em mil ampéres, Vibrando até chegar saciedade.
Mais bela e desejada entre as mulheres, Amor já nos mostrou felicidade. Banquete que desfruto, seus talheres, Além do que concebe a realidade...
Poder estar contigo o tempo inteiro, Numa manhã, na tarde ou madrugada. Teu corpo, o meu eterno companheiro...
Sozinhos, isolados deste mundo, Sem perguntas, sem medos ou mais nada, Apenas nosso amor, cada segundo...
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M ágico com as palavras A s mais belas poesias R asgam nossa alma C oisas assim, que passam energia O stentam a beleza do poeta S ob a profundidade da sua cria L ar onde habita a percepção O ndas que afogam o coração U na-se a isso toda habilidade R uindo emoções que brotam de verdades E is nosso querido poeta S alve mais um ano que completa (que de felicidade sua vida seja repleta!) Parabéns Marcos Loures!!! Um grande abraço pela data festiva. Taciana Valença.
Poder te agradecer tanta ternura Fazendo dos meus versos um buquê A vida sem carinho é sem porquê; Somente na emoção encontro a cura.
O tempo vai trazendo marcas grises, A neve se espalhando em meus cabelos, Os dias se confundem quais novelos, Modificando velhas cicatrizes.
O velho coração apascentado, Resiste às tempestades do passado E crê num novo dia, mais feliz.
Festejando amizades me liberto, E o peito se mantendo assim aberto Da luz do fim do túnel já me diz...
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Poder ser livre é tudo o que desejo, Fazendo deste anseio a minha luta. A sorte desdenhosa e tão astuta Transforma a minha vida sem ter pejo.
E quando a poesia faz do ensejo O riso pela dor, louca permuta, A voz do meu Senhor, meu peito escuta E a luz após as trevas, logo vejo.
Ó Pai que tanto dá sem cobrar nada, Seguindo cada passo desta estrada Que leva aos Teus caminhos: redenção.
Permita a adoração de um velho insano, Que tanto errou na vida, pois humano, E agora vem pedir o Teu perdão...
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Poder ser frágil e ter a fortaleza Que expressa uma amizade soberana Enquanto a solidão nos desengana O rio segue contra a correnteza
No quanto é ser possível com certeza Entrego o coração que inda se ufana De crer que a natureza dita humana Permite que se creia na beleza.
Aonde procurar uma leveza E nada além do quanto a vida insana Aguarda por algum fim de semana
No quadro que expressa tal fineza. Seria o quanto posso sem grandeza Pensar na tempestade mais temprana...
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Poder sentir querida, o teu respiro Roçando minha pele, um arrepio. Tu sabes o carinho que prefiro Eu sei quanto te alago num estio.
Pulsando bem mais forte cada artéria Fazendo o coração destrambelhar A boca que te busca, brusca e séria Não deixa de querer te lambuzar.
As pernas que se enroscam noite afora, Num ato extasiante; uma loucura, Sentindo-te explodir, e quero agora
Num gozo violento em convulsão. Depois de tanto tempo de procura Achei o que procuro: esta paixão... Marcos Loures
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Poder sair correndo sob o sol Criança retomando os pensamentos Olhando para um belo girassol Correndo desfraldando cata-ventos
Brincando livremente no quintal Sem medos sem pecado e sem juízo A roupa vai secando no varal Tão perto do que penso paraíso...
Menina vai descalça, pés no chão, O vento levantando a micro saia Batendo bem mais forte o coração,
É pena que esta tarde um dia acabe, Que estrela da esperança nunca caia, Pois a vida, de bela já não cabe...
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Poder saber que existe tanto amor No coração sereno e tão bonito É crer que para o mundo há solução, Na voz que corre solta no infinito.
O peito bate forte e sonhador, Na força tão eterna deste grito Percorrendo todo espaço, com ardor, Promessa de chegar num novo rito
O dia em que alegria vencerá As dores tão profusas que nos tomam. No olhar que com tal força brilhará,
Espero te encontrar, tanta alegria... Amores que pra sempre já se somam, Tornando realidade, a fantasia...
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Poder saber de todos os caminhos Que levam para a fonte do desejo. Cumprindo meu destino em belos ninhos, Na umidade sedenta de teu beijo.
Na festa de luxúrias, tantos vinhos, Bacantes tempestades, eu prevejo. Nesta lubricidade, mil carinhos Em formas variadas relampejo.
Nos rumos, rotas, grutas, minas boas. Afogo-me nos lagos da paixão. Comigo, asas abertas, também voas
Na múltipla e uníssona explosão Que faz de nossos corpos; alagados, Depois desta viagem, tão suados...
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Poder que uma amizade sempre tem De ser alentadora em nossa vida. Quem passa pela vida sem ninguém
Encontra uma esperança adormecida. Deixando, sem saber o grande bem, Que exprime em qualquer dor uma saída...
Amigos; sei que são poucos e raros. Porém, valendo a pena garimpar, Neles encontraremos os amparos Que permitem sorrir e até sonhar
Não deixe que a amizade esmoreça, É como um triste aborto da esperança. Sabendo que bem antes que aconteça, Mantenha sempre firme esta aliança...
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Poder inesgotável da amizade Ajudando a transpor qualquer obstáculo Trazendo para a treva a claridade, Fazendo desta vida um espetáculo Difícil de esquecer, pois de verdade, Previsto em fantasia por oráculo
A liberdade assim já se prevê Com todo forte apoio que me dás. Um mundo mais bonito em que se vê Uma esperança toda feita em paz. Nos olhos de um amigo a sorte lê O canto que se mostra e satisfaz
O sonho de quem sabe que será Mais forte e que ninguém o calará... Marcos Loures
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Poder estar contigo sem demora, Alçar a minha mão até a ti. Distância num segundo se evapora No laço onde mais forte me prendi.
Eu vejo nosso amor assim, sem hora, Vibrando nos teus braços, estás aqui; Tu presença sempre revigora Uma evidência clara que vivi...
Estar sempre contigo, uma fortuna Da qual não abro mão; amor, jamais. Amada, nos teus mares, rara duna
Mostrando uma beleza que incendeia. Da luz que nos clareia, quero mais, O brilho de uma lua, sempre cheia... Marcos Loures
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Poder de um pleno amor, em amizade; Não deixa nossa vida tão exposta. Na força que se mostra em liberdade, A sorte de perdida vai reposta. No amor que Deus nos deu, tranqüilidade Trazendo para a dor, firme resposta.
No altaneiro sonho que eu trago, O rosto da alegria eu já concebo. Tomando da amizade cada trago, Felicidade imensa, eu sei que bebo. Na mão que acaricia; manso afago Promessa desta luz que enfim percebo.
Distante do calor da mão amiga, Eu sei que a chuva forte desabriga... Marcos Loures
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Poder compartilhar sonhos e dores, Arando com ternura as fantasias, Vibrando na ilusão das poesias, Jardim feito em recanto diz mil flores.
Vencendo os oceanos, onde fores Terás das emoções que agora crias As doces e sagradas companhias, Formando um céu sublime em multicores.
Somando cada grão, imensa praia Aonde o sol imenso já desmaia Crivando com belezas, o horizonte.
Expressam-se os sentidos mais diversos, Usando como arado prosa e versos, De tantas maravilhas, berço e fonte...
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Poder assim chamar: minha mulher A quem se fez rainha e cortesã Ao mesmo tempo Musa e até vilã Do jeito que se sonha e que se quer.
Ouvindo cada sonho que disser Do gozo dos sabores da maçã, Não temo as tempestades do amanhã Encaro, do teu lado, o que vier.
A cada brilho ou treva, vou em frente Amor às vezes manso, outras ardente Esfinge delicada, fera e nua.
Seguindo esta calçada vida afora, Espreito de tocaia, desde agora Do lado que me cabe desta rua Marcos Loures
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Poder alçar meus vôos tão livremente Sem ter velhas amarras que me impeçam. Meus passos, sempre tímidos tropeçam, Porém cabeça ereta, sigo em frente.
Percalços que apareçam de repente, Em dores conhecidas que regressam, Meus pecados e enganos se confessam A face enrubescida jamais mente...
Se às vezes eu me mostro quase um tolo, Romântico paspalho alienado, Escondo a minha face, pois a temo...
O peito em explosão, terror e dolo, Contém a duras penas este brado Que exponha sem as máscaras meu Demo... Marcos Loures
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Poder acarinhar os teus cabelos, Deitado no teu colo, bocas, seios... Envolto na beleza dos novelos Que tecem nossas teias sem rodeios...
Na lua que rebenta, lume e céu, O brilho se reflete nas melenas, Prateando de beleza, como um véu. Meu coração registra tantas cenas...
Nas sombras desta lua e desse manto, A cama onde dormimos tão cansados Depois de tantas noites neste encanto Depois de tontos sonhos bem amados...
Prá que dormir, pergunto... Nada dizes, Verei outra aquarela em tais matizes
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Podendo enfim dizer: eu sou feliz, Depois deste infindável maremoto, Carrego no meu peito a cicatriz Do sofrimento, agora tão remoto.
Meu verso embevecido já te diz Deste horizonte aberto, aonde eu boto Meus olhos na procura de outro bis Libertando-me em paz. Não mais vou roto.
Acordo entre teus braços, alegria, E bebo em tua boca este porvir De uma magnificência inenarrável.
Alegre sensação, incontrolável, Sem nada que se mostre a impedir Felicidade vem e aromatiza... Marcos Loures
73
Podendo te tocar no pensamento Beijando a tua boca, seios, face. Meu verso na verdade, qual tocasse Teu corpo com ternura em manso vento.
Fazendo com teus olhos, movimento É como se contigo, amor falasse, Roçando com desejo o sentimento, Trazendo no prazer o desenlace.
Embora te pareça virtual Estou a te tocar, inteira agora, No cheiro, na palavra, sensual.
Na fome de te ter que cedo aflora, Eu quero ser deveras natural, Sorver de tua fonte sem ter hora... Marcos Loures
74
Podendo declarar: enfim, feliz Meu verso faz a festa e te conclama, Deixando no passado este céu gris, À dança em que se entrega a nova trama.
Eu sei que tantas vezes fomos tolos, E nisso não deixo surpreender Pelas sementes podres de outros solos Cevadas sem desejo e sem prazer.
É claro que talvez ainda venha A noite costumeira e nebulosa Após nossa paixão queimar a lenha Sendo a sorte assim, sempre caprichosa.
Mas saiba que decerto já valeu O amor que quem encontra se perdeu...
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“Podemos ser amigos, simplesmente?” Depois de tudo aquilo que vivemos, Ao beijar outra boca, de repente, Será que o nosso amor já esquecemos?
Plantamos com vigor nossa semente E sei que disto tudo inda tivemos Momentos em que fui bem mais contente. Muitas vezes, contudo, arrependemos
E tentamos mudar nossos destinos Em outros pensamentos, outros mares. Cometemos milhões de desatinos.
Disso tudo, querida; uma verdade; Procuro o teu amor noutros lugares... Eu te amo, mas aceito esta amizade!
Marcos Loures
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Podendo assim dizer: tenho uma amiga Eu me sinto, decerto mais feliz. Vencendo a paranóia feita intriga Do quanto se deseja já se diz.
A par desta vontade soberana Que nada impedirá, tenha a certeza, A mão que nos abriga não se engana Percebe esta alegria com clareza.
Nem mesmo a correnteza assaz mais forte Detêm o nosso barco e sua sanha. Cicatrizando em paz temível corte Amizade remove uma montanha
E sabe conquistar a cada dia, Sabendo todo o bem que propicia... Marcos Loures
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Pode falar de mim o que quiser. Qual fosse um marginal sem ter saída, Meus olhos estarão onde estiver Esta ilusão do amor, que é tão querida...
Vivendo da maneira que puder, Sangrando sempre a dor da despedida, Vibrando neste corpo de mulher Assim irei levando a minha vida.
A corrente carrega e me transporta Sem sequer perguntar se sou feliz... Mas eu prefiro ser a folha morta
Abandonada neste velho rio Do que ser tão somente um aprendiz Que morre, devagar, triste e vazio...
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Pocando de desejos, noite passa E vejo a tua imagem refletida No espelho que traduz a nossa vida, Um fogaréu intenso que me embaça.
Na sala, corredor, calçada, praça Estrela em tanta luz transforma a lida, E a constelar beleza distraída, Recantos variados, tudo abraça.
Não quero outro refúgio senão este, Exposto à maravilha que tu és, E mesmo quando olhando de viés
Qual fosse um belo enxame que me infeste Profusa onipresença sensual, Englobas nos teus olhos, todo o astral...
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Pobre pescoço andava tão sozinho, Em busca de quem desse uma atenção, Depois de tanto tempo sem carinho, A cervical estúpida região,
Aos poucos se mostrando em desalinho, A todos resolveu vir dar lição. Ladrando e se mostrando podre linho Só quis aparecer, o pescoção.
Cansados de tamanha pescocice Alguns pediram mais educação, Que a cervical dizia em asneirice...
Assim passaram meses, anos dias, Pescoço continua em profusão Só Pedindo um colar de melancias...
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Pobre de quem jamais teve esperança. Parece com castelo abandonado, Na vida se esqueceu dessa criança Embora permaneça sempre ao lado...
Não merece sequer virar lembrança, A morte sem notícias é seu fado... Essa alma tão vazia já se cansa, O tempo se passou desesperado...
O corpo que sepulto não tem peso, Nem pode ser cremado nem é lixo. Na vida sempre foi um contrapeso.
O que pensou ser alma, carrapicho, Não teve dor, amores, quis ileso, No fundo não foi homem, simples bicho.. Marcos Loures
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Plantei uma enxurrada no meu peito Desfeito foi teu pleito meu penar... Estampo minhas dores, satisfeito. Apenas sem ter penas, solto ao ar.
Nos bancos tantas ancas mais morenas, Acenas com retalhos, alhos, dentes. Serpentes e correntes tantas cenas. Em pântanos caminhos previdentes.
Plantel de tontos sonhos sou decerto O certo que querias duvidoso Nodoso coração vira deserto Desperto meu amor em pleno gozo.
Plante uma enxurrada, tanto amor... Brotou a madrugada em mansa flor...
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Plantei o meu desejo em teu canteiro, Aguando noite e dia com cuidado. Depois de certo tempo, um verdadeiro Caminho do prazer foi encontrado. O sonho que é dos deuses mensageiro Me trouxe bem aqui, para o teu lado...
Na festa deste amor que se completa A cada novo canto em poesia, A sorte e o privilegio me repleta De ter em nosso amor, tanta harmonia. Que faz de minha vida mais dileta E mostra o quanto quero todo dia
Morena, doce sina que encontrei, De tanto que sofri, e te esperei... Marcos Loures
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Plantei minha esperança no jardim Das flores mais cheirosas deste mundo. Batendo uma saudade dentro em mim, Viajo nos teus braços, num segundo.
Na rosa que colhi, cor carmesim, Perfume delicado e mais profundo. Canteiro de ilusões morrendo assim, Sangrando um coração tão vagabundo...
Somente o teu sorriso brotará Em meio a tantas plantas sem semente. Perfume de mulher, de resedá,
Beleza que me fez ser mais contente. Espalhas teu sorriso o tempo inteiro, Certeza que valeu fazer canteiro... Marcos Loures
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Plantei meu coração regando uma horta. Esterquei com adubos de mentiras, Aguados com a vida dura e torta Lagartas espalhadas, flor em tiras
Reguei com minhas lágrimas. Remota Uma certeza louca em que me miras. As ericas colhidas; tudo exorta A não pensar nas pragas que me atiras.
Nos abrolhos eu fiz estas colheitas, Tuas culpas, decerto já as rejeitas Trazendo pro jardim só penitência.
Perdendo totalmente a paciência Meus dedos não estancam tal sangria, Dos medos e tristezas numa orgia...
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Plantando no teu peito belas rosas Eu sei que colherei felicidade Sorvendo cada gota da saudade Estrelas que virão são radiosas.
Palavras muitas vezes melindrosas Não deixam vislumbrar a liberdade, Porém se amor se faz sinceridade Estradas surgirão maravilhosas.
Meus olhos te buscando pelas ruas, Pegadas não encontro, pois flutuas, Teus rastros divinais, doces perfumes
Os astros eu recolho em meu bornal E vago livremente pelo astral Seguindo em noite imensa, belos lumes. Marcos Loures
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Plantaste, com espinhos, meu caminho. As farpas e penetrantes me maltratam. As dores que me causas já retratam Tristeza de tentar viver sozinho...
A vida que prometes, puro espinho, Destas urzes terríveis sempre matam Aqueles que t’as ordens não acatam. Eu busco nesta vida por um ninho
Onde tenha descanso na batalha Da vida que por si já corta e talha. Não vou perseverar com quem é falsa.
Um amor misturado com ciúme Tantas vezes destrói todo o perfume. Não plante tanto espinho: andas descalça! Marcos Loures
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Plantando margaridas no meu peito Colhi a rosa rara da emoção Amor falsificado deste jeito Provoca, depois disso, a sensação
Do nada transtornando o nosso leito Mata no nascedouro, esta ilusão. Percebo desde sempre este defeito Afeito ao que sobrou: a negação.
Jogando desde já esta toalha Enquanto a lua triste me avacalha A rosa se desmancha totalmente
O beijo gargalhando em ironia Amor não quer saber de hipocrisia Precisa que se dê, completamente...
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Plantado em meu quintal, maracujá Dando ramas, subindo uma mangueira Promete que depois me acalmará No suco que dará, Deus assim queira...
Aguardo esta florada, com certeza, E espero não demore não senhor. Cansado de enfrentar a correnteza, Tentando deste baque; recompor,
Somente com mil litros desta fruta, A vida voltará quase ao normal, A voz de um trovador ninguém escuta, O amor não durou mais que um carnaval
Apenas solidão, tudo devora, Minha esperança está na passiflora...
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Planície tão vazia Ao nada a nos levar, Sem dor ou alegria, Não vale nem tentar, Na adversidade fria O novo a se buscar.
Amiga; estou contigo, Não deixo de seguir, Pra sempre assim prossigo, Sem medo de partir, Na certa assim consigo Um mundo a repartir.
No apoio dos teus braços, A força dos meus passos...
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Pior que a solidão do sempre tive É a negra calmaria que se faz Da tempestade morta em dura paz, Do amor que tanto quis e não retive.
A sensação dorida de onde estive Deixada qual saudade, e que desfaz O quanto que perdi, não satisfaz, Lateja o já morreu que em vago vive.
Penumbra me acompanha, passo a passo, Fantasmas que percebo: eternidade, Feridas redivivas, morte a prazo.
Um grito de agonia corre o espaço E a dura sensação que sempre invade Da noite que se foi em puro ocaso...
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Pior do que imundícies que produzes Jamais eu conheci; querido otário. Te escondes, imbecil, das claras luzes, Tinhoso capetão corre pro armário.
O fato é que não pude perceber Sequer algum talento no babaca, Perdoe, mas me fez tão mal te ler, Ainda sinto em mim, a tua inhaca.
Vá procurar; malandro, a tua turma, E deixe quem conhece, agora em paz, Se não tens que fazer, então vá, durma, Não suporto o futum que sempre traz
Aquele que perturba todo mundo Com verso sem valor e vagabundo..
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Pior analfabeto com certeza Aquele que não sabe traduzir, Fingindo ter decerto uma destreza Só vive baboseira a repetir.
Meu saco já se encheu desta pobreza Deste analfa que entrando sem pedir Se esconde como um cão por sob a mesa, E ladra simplesmente por latir.
Aquele que jamais entrou na escola É vítima, decerto do sistema, Vivendo a estupidez da torpe algema
Que em lamas o país, afunda atola, Mas, por favor jamais me entenda mal Eu falo do ignorante cultural. Marcos Loures
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Pintando o meu desejo além de um simples cais Enquanto sigo só escuto a antiga voz Falando sem segredo o que eu pensara; nós, Palavra e sentimento, apenas tão banais...
Azulejado céu, matizes magistrais, O risco de viver é sempre um duro algoz, Às vezes sei do sonho e vejo o nada após... Atento a cada engodo eu penso ser demais.
Errático cometa, a busca nunca cessa. O amor que tanto quis. Estúpida promessa... E a gente não se cansa e teima na procura
De um dia em que talvez perceba esta aquarela Que a face da ilusão falseia, mas revela Deixando em minha boca o gosto da ternura...
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Piegas na verdade é não souber Que a vida sempre é feita para quem Se dá sem ter vergonha do prazer E sabe que amar só nos faz bem.
O risco tão gostoso de viver Transporta uma alegria quando alguém Sem medo de sonhar e de querer Percebe quando a sorte chega e vem
Deixando para trás ressentimentos, Mostrando a fantasia que, em momentos Ajuda na difícil caminhada.
Vem logo, vem comigo, minha amada Que a noite prometida é feita em festa E amar e ser feliz? O que nos resta... Marcos Loures
96
Piegas na verdade é não souber Que a vida sempre é feita para quem Se dá sem ter vergonha do prazer E sabe que amar só nos faz bem.
O risco tão gostoso de viver Transporta uma alegria quando alguém Sem medo de sonhar e de querer Percebe quando a sorte chega e vem
Deixando para trás ressentimentos, Mostrando a fantasia que, em momentos Ajuda na difícil caminhada.
Vem logo, vem comigo, minha amada Que a noite prometida é feita em festa E amar e ser feliz? O que nos resta.. Marcos Loures
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Pião entrou na roda da lembrança Aonde deveria sempre estar; Vontade muitas vezes de voltar, Fugindo do presente e sua lança.
Quermesses e benesses da esperança, Ainda havia , à noite algum luar, O coração mineiro busca o mar, Rodopiando, sonha, quer e alcança.
Do meu primeiro amor, sequer notícias, Os beijos em delícias sem malícias, O tempo derrotando o cavaleiro
Que um dia quis ser Robson Crusoé, Voava libertário mesmo a pé, Tocado pelo amor, velho lanceiro... Marcos Loures
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Por isso não se deixe mais levar Sem isto nem aquilo o que nos resta? Vencer cada delírio devagar Vangloriada luta vira festa.
A boca desdentada da floresta Há tempos se deixando desmatar, Fornalha que o tormento agora gesta Gerando a solidão no meu pomar.
Ao homem nada cabe senão isto, Então noutro momento eu mal avisto O que restou: surdez sonega alerta.
Enquanto este vazio como herança Biodiversidade ao fim já dança Deixando a poesia, assim, deserta...
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Por isso não me deixe que magoe Amor que enfim, recebo, sem cobranças, Faremos deste mal, as alianças E as asas, com as quais, nosso amor voe...
E ainda que a saudade vã ressoe Prazeres que nos tomam, boa herança De um tempo mais feliz, rara pujança, Do qual nossa alegria não destoe.
Acima dos rancores e dos traumas, Amor ao entranhar em nossas almas Permite que se veja um novo tempo,
Aonde ao não temermos contratempo Sabemos desfrutar de cada estrela Que o sonho interminável nos revela...
12700
Por isso minha amiga, a nossa luta Pra que um dia sejamos mais felizes, Vencendo com certeza a força bruta Ao evitar pecados e deslizes.
A voz da consciência que se escuta Permite que tenhamos bons matizes. Embora a solidão se mostre astuta Amizade não cede mesmo em crises.
Fazer de um lindo sonho; a realidade Com passos bem mais firmes, alço o céu. A lua deslumbrando em alvo véu
Demonstra que o caminho da verdade É feito mesmo em mundo tão cruel À base do carinho e da amizade...
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