
MEUS SONETOS VOLUME 123
Data 29/12/2010 09:36:53 | Tópico: Sonetos
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1
Os segredos contidos nessas mãos Que procuram delícias e carinhos... Nos dias que perdemos, fomos vãos, Um passarinho chora por seus ninhos...
Esperança traduzem nunca o não... Os segredos que trazes, leva o mar... No meu cais esquecido, coração... Conjuga, taquicárdico, adorar...
Tua maciez, brilho e fantasia... Necessito saber onde estará A dona dessas mãos tão carinhosas..
A vida então, será u’a nau esguia, Que nevoeiro algum, por certo irá Naufragar-me. São mãos maravilhosas!
2
Os sofrimentos mortos, renegados Jamais impedirão que no futuro, Os dias que virão; iluminados Outorguem ao passado, o céu escuro.
Deparo-me com olhos radiantes Após a noite em trevas que passei. Bem mais do que sonhara por instantes Amor se faz princípio, meta e lei.
Mortalhas esquecidas; não as vejo Tampouco uma saudade bate à porta. Neste horizonte feito em azulejo A brisa tão suave já se aporta.
Regando em emoções, ledo deserto, Terei felicidade aqui por perto Marcos Loures
3
Os sentimentos formam espirais Tomando o pensamento, carrosséis. Trazendo em desventura tantos féis Em meio a doces tramas sensuais.
Mergulho no vazio e busco um cais, Porém estes caminhos infiéis Sonegam suprimento aos meus farnéis E o vento me responde: nunca mais!
Neste redemoinho, eu me perdi, No centro do universo encontro a ti, Sorvendo toda a luz que passa ao largo,
Como um buraco negro, o amor atrai Minha alma sem destino, tomba e cai Prevendo no epicentro um fim amargo...
Marcos Loures
4
Os rumos que encontrávamos, descidas, Levados em terrível turbilhão As horas se passavam, consumidas, Levando nosso amor para exaustão.
Dois nautas cujas metas já perdidas, Riscavam tanto céu, caíam chão. Na negatividade enfim vencidas, Sabíamos da luta, triste, em vão...
Caminho sem certezas é nefando; Amor que não constrói morrendo a esmo. A mesma que acarinha vem matando,
Não sabe que vivemos velho astral. O mundo que trazemos sempre o mesmo, A solidão enfim, universal! Marcos Loures
5
Os rostos das crianças, envolventes, Moldando num sorriso, a liberdade. Sinônimo que encontro, claridade, Caminhos que percebo mais contentes.
Unindo em força e fé diversas gentes, Concebo fielmente que a verdade Tramando com real sinceridade Unindo forças várias, congruentes
Formando um novo tempo em que se possa Vencer com mansidão a força fera. Promessa de uma flórea primavera
Aonde a maravilha seja nossa, De todos os que sonham e batalham, Colhendo estas benesses que se espalham...
6
Os risos se derramam cachoeiras, Num gozo tão profano quanto intenso, As hordas das bacantes feiticeiras Rasgando a noite em mar perdido, imenso.
As horas se parecem derradeiras Neste bordel dos sonhos, sempre tenso, Ao ver tanta loucura eu me convenço Das hostes em orgásticas bandeiras
Num escaldante sol congressual, Os olhos em vendeta sensual, Prostíbulos insanos, meretrizes.
O povo tão distante não percebe E o crocitar estúpido recebe Dos bicos destas putas, más atrizes...
7
Os rios vão seguindo mansos leitos Deixando as cachoeiras para trás. De todos os problemas já refeitos Colhemos toda a luz que amor nos traz.
Celestes movimentos são eternos E neles nosso amor se refletindo. Distantes, bem distantes os invernos No sol que sem limites vem surgindo
Forrando estas manhãs em claridade, Nos lumes de teus olhos, meus faróis. Além do que sonhei, tranqüilidade Espalha em nossos dias, girassóis.
Um carrossel de sonhos anuncia O amor que se refaz a cada dia...
8
Os ratos devoraram sensatez... Nas retinas queimadas pela luz... Os ratos mortos pedem sua vez, A carcaça inebria... Me seduz.
Olores decompostos, pequenez, Abro a boca, escancaro velha cruz... Nauseabundos seus beijos, mal me fez... Os ratos devorando um avestruz...
Nas salas, nos meus quartos, meu sofá, Roedores vorazes fazem festa... Procurando carniça chegam lá.
As portas não resistem, abrem fresta. A lua escancarada trava já Os ratos devorando, pouco resta... Marcos Loures
9
Os rastros luminosos de uma estrela, Confesso que perdi; mas desde agora Na poesia intensa que se aflora Divina e soberana; posso vê-la.
Centelhas espalhadas; flor tão bela Que o céu de um sonhador toma e decora, Permite que eu responda sem demora Fonte tão sedutora, é bom bebê-la.
E assim me inebriando o coração, Na argêntea maravilha do luar, Mergulho sem defesa; hipnotizado.
Retomo a soberana direção Da estrela que domina céu e mar Num reino em poesias, encantado...
10
Os raios deste sol que não te alcançam Se cansam de buscar o girassol, E dançam simplesmente e se esperançam Fazendo de seus braços novo sol.
Nas plêiades encontras outras chamas Armadas sem saber de tantas luzes. Embrenhas nas escoltas que reclamas E matas sacrifícios vãos das cruzes.
No sonho que me dono e tu medonhas Adornas os destinos, abandonos... E sabes que nas noites que não sonhas Amores com rumores querem donos...
E vamos transtornados ao futuro Sombrio que navega em mar escuro... Marcos Loures
11
Os raios deste sol adentram fortes Tomando a cama vaga, acariciam... Na pele seminua beijam cortes E os olhos tão sedentos deliciam
Acordam quem dormia, sem sentido... Fazendo deste dia o seu desejo. Recordam fantasia em quase olvido Na sensação divina deste beijo
Que faz se renovar a noite imensa De tantas melodias, vozes mansas... No relaxante mar que recompensa, Lembranças de delícias, festas, danças...
Inebriante vinho matinal Da transparência bela e sensual...
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Os raios da esperança rutilavam, Em campos revestidos de boninas, Perfumes e belezas encontravam, Amores se espalhando nas esquinas, Os olhos tão alegres vigiavam As curvas das estrelas peregrinas.
Aurora sensual, já marchetada Espalha sobre a terra o seu matiz, Seguindo cada passo, sobe a escada, Adentra no meu quarto. Sou feliz. Mortalha que eu vestia; desbotada, Abandonada, mostra o que eu não quis.
E agora, deslumbrado pela aurora Eu quero o teu amor, mas vem agora...
13
Os potes dos prazeres esvazio, Criando o descampado no meu peito. Os erros que cometo, sempre aceito, O sentimento segue em rodopio.
O tempo de sonhar inda recrio, Embora da verdade vá desfeito. À noite a solidão tomando o leito Deixando o quarto vago e tão sombrio.
Arcar com meus defeitos e pecados, Ouvindo do passado os seus recados, Tentando ser melhor, me corrigir.
As cores da manhã, suave aurora, Soturna madrugada me decora Negando bruscamente o meu porvir... Marcos Loures
14
Os planos que eu pensara estarem certos Na poeira da estrada, nunca mais. Caminhos tantas vezes entreabertos Mostraram velhos portos infernais.
Relógio que desperte, sem as pilhas Titânica vontade que se esvai. Distante dos extremos que tu trilhas Perdido neste amor sem mãe ou pai.
Cabelos, caracóis, mares e praia. O vento corrobora minhas senhas. Lambendo por debaixo dessas saias, Aguarda após a chuva que tu venhas.
Mas ao te ver passar pelas esquinas, Descubro por que ganhas e dominas... Marcos Loures
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Os pés apoiarás no mesmo chão Aonde este andarilho se perdendo, Mudando o seu enredo, ceva em grão O que pensara ter, mas não desvendo Os ritos da borrasca/solidão, Tentando recolher um dividendo.
Marasmos entre passos mais macios, Os trastes do passado pesam tanto! Errático procuro por estios Que morrem nesta casa em cada canto. As velas se esquecendo dos pavios, E coisa do destino, eu me agiganto.
Girando assim em círculos, não vejo O amor sem senhorio num despejo... Marcos Loures
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Os peixes escondidos neste mar Depois das tempestades, maremotos, São restos de esperança de voltar. Amores que se foram tão remotos...
Depois de tanto tempo sem sonhar, Vivendo meus amores sempre rotos Buscando nos teus olhos encontrar O quando que vivemos boquirrotos.
Não deixe que se torne mais incrível Repasto que deixei tão simplesmente. Amando o que parece mais possível,
Derramo meus desejos totalmente, Vivendo tanto sonho mais cabível, Meu canto que suprimo, de repente...
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Os peitos tão gostosos, de romã, Na boca uma cereja delicada, Nas formas bons pecados de maçã, A fúria sem limites aplacada.
As mamas generosas da morena Que faz todo malandro se encantar. Cabeça sem juízo concatena? Quem sabe se ela chega devagar
E escorra todo o sumo em minha boca, Das frutas do pomar matando a fome, Vontade de te ver, sedenta e louca. Sussurrando baixinho: Vem e come!
Não deixo pra depois em devaneios Abarco com meus lábios, róseos seios...
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Os passos prosseguindo, torpes, falhos Resumem tão somente o meu cansaço, As trevas me servindo de agasalhos Rompendo da esperança cada laço.
Um arvoredo em seca, mortos galhos A cada amanhecer eu mais me esgarço Nas costas entre ardências, cortes, talhos Nos braços da ilusão eu me desgraço.
Seráfica emoção em meio a círios, Certeza feita em cravos, morte, lírios Sonega o que se quis perpetuidade,
Outrora em fantasia um ser liberto, Agora ao perceber ledo deserto, No cadáver, talvez, fecundidade... Marcos Loures
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Os passos com firmeza sendo dados, Permitem uma certeza mais exata. Assim ao decidirmos os sagrados Caminhos onde a força que nos ata
É feita sem lançarmos sorte em dados, E cada vez mais firme se constata A glória de seguirmos conjugados. Assim a vida, amor já não maltrata...
Eu sei que às vezes temos ousadias, Pois são bem necessárias, eu não nego. O bote quando traz loucas magias
Protege contra o medo e contra enfado. Na mansidão exata em que navego, Permito-me dizer apaixonado... Marcos Loures
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Os óvulos dos sonhos e fantasias Fecundam-se em terrível realidade. Disforme pesadelo onde cobrias Mortalhas de total iniqüidade!
Anóxias que provocas, t’as sangrias, Anêmicas vertentes. Claridade? Sou esmo e sigo só. Das alegrias Que tanto me incomodam, liberdade!
Aceito os meus demônios, deles bebo E lavro estes espectros com o esterco Da podre companhia em que me acerco,
Desesperança! Enquanto eu a concebo Eu vejo em plenitude o desabrigo, Carpindo desde sempre em meu jazigo...
21
Os ossos são decerto o meu ofício, Tendões, músculos, fáscias e torções Poeta é um sujeito que, fictício Trabalha com desejos e emoções.
Quando ando nos beirais do precipício Usando o bisturi, vejo as lições Que a vida propicia desde o início A quem sofre as mazelas e os senões.
Eu sou médico e disso eu já me orgulho, Sabendo me livrar de um pedregulho Jogado bem no meio de uma estrada.
É minha profissão, e dela eu vivo Dos versos, eu não quero ser cativo, E sei que na verdade valem nada... Marcos Loures
22
Os ossos quando expostos em fratura Parecem com mil dentes gargalhando. Uma amizade feita com fartura Não sabe nem pergunta como ou quando.
A mata que deixei por ser escura Aos poucos de manhã vai clareando. Um pássaro sozinho; nunca dura, Agora quero ver andando em bando.
No bico estraçalhando todo inseto, Assim amor se faz sendo correto E mostra assim poder em união.
Os ossos em conjunto? Sem adendo. Os pássaros voando e percorrendo As milhas em minutos lá se vão...
23
Os ópios de teu corpo me entorpecem, Em lívidos olhares, gozo insano. Mecânicas diversas obedecem Prazer além dos sonhos, sobre-humano.
Arranca a minha pele, unhas e garras, Vergastas feitas dentes cravam fundo As mãos, pernas e coxas, como amarras Rocio que profanas, eu me inundo.
Desejo tripudia e nos algema. Pecados e juízos sonegados, Enlouquecidos, nada mais se tema Ribanceiras, barrancos destroçados.
Nos céus buracos negros e quasares, No quarto latejares e pulsares...
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Os olhos tão tristonhos da quimera Que aguarda calmamente pelo fim, Matando pouco a pouco o meu jardim Sonegam o que um dia, primavera.
A boca escancarada desta fera Demonstra em ironia o que há em mim Dionéia se escondendo no jasmim, Tocaia meu futuro em vil espera.
Talvez se inda tivesse num momento Augúrios deslindando o sentimento, Pudesse ter o riso como prêmio.
De todos os licores desejados, Os olhos em espinhos perfurados Sonegam meu prazer e sigo abstêmio... Marcos Loures
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Os olhos tão formosos de quem amo Emprestam a beleza para o céu. Olhando para estrela sempre chamo, Teus olhos são pintados a pincel
Por um artista raro e talentoso, Um deus que imaginou coisas de amor, Por certo tal artista vaidoso Também de ti tornou-se adorador.
E sinto a tentação de Akenaton, Vivendo este desejo sem limite. Na formosura imensa, todo o tom Que sei, faria inveja à Nefertiti...
Teus olhos sedutores são sinais Divinos deste amor que imploro mais...
26
Os olhos que pediam inocência Deitados sobre o manto da saudade Ao longe desta seiva, florescência; Transitam pelas luas, claridade...
Perdida, sem pedir sequer clemência, Esgueira-se sedenta mocidade, Dormita sobre dores da existência Embarca nesta nau: felicidade!
Na ramaria, flores e perfumes, Os cantos mais sonoros revigora. As noites empapuçam-se, ciúmes,
O manto da vaidade logo aflora, Nos rastros dos amores, os queixumes, Amada, se desmancha toda agora... Marcos Loures
27
Os olhos que mirara em noite fria, De tanto que diziam nada foram, O corte nunca veio, foi vazio Apenas os fantasmas inda agouram.
Olhares que trouxeram mil martírios, Matando os que pensaram ser felizes. Rasgando em podridão velhos colírios Dos dias que vieram; só deslizes.
Enfáticos venenos nas retinas, Mordazes espelhando esta carcaça Exposta aos poderosos e rapinas
Olhares se mostraram qual trapaça. Matando um grande amor em nascedouro, Presságios tão cruéis em mau agouro.
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Os olhos que lavei em prantos tristes Agora são faróis tão reluzentes. Felizes por saberem já que existes E me olhas com desejos envolventes.
No cimo destas árvores dos sonhos, Dourando tanta areia em minha praia, Tramando tantos víveres risonhos Qual lua que em meu mar sempre desmaia.
Guardando a sete chaves nosso amor, Caprichos e sorrisos, diamantes, Eu sinto tal vontade em louco ardor De sermos, brevemente, mais constantes.
Numa canção sonora, minha amiga, Nos templos da alegria, amor é viga...
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Os olhos que eu adoro, quando vejo, Nos brilhos os meus trilhos são formados, Criando uma afeição plena em desejo, Meus rumos são por isso, alavancados... Adoro o teu olhar, moça bonita, É guia que me traz eternidade, Não deixa, por favor, minha alma aflita, Não negue ao sonhador, felicidade... Aguardo esta resposta que me deves, Com ânsias de menino apaixonado, As noites são vazias, puras neves, Sem ter o teu amor, em mim cerrado, Vem logo sem demoras, por favor, Em pleno estio, morro sem calor...
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Os olhos quando em lágrimas regavam Jardins que as ilusões deixaram secos. Andando pelas ruas encontravam Encruzilhadas frias, ledos becos.
Abelhas sem ter mel, só ferroadas No sangue em sua boca, riso e dor. Sarjetas convidando, nas calçadas Apenas o vazio a se propor.
Ao nada desde o nada, conduzido, Somente um braço amigo poderia Trazer à vida um sonho já perdido Há tempos bem distante da alegria.
Seguir na direção de outro cardume, Fazendo da amizade um vago lume...
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Os olhos procurando estrelas mortas... A nebulosa da saudade veio... Trazendo porcelanas, ruas, portas. Nas ondas dos desejos, ponta e meio...
A mão tão delicada medos cortas, Calmamente desnuda o belo seio, As dores se passaram, morrem tortas... O olhar voa distante, a tudo alheio...
Sonhando com fantasmas irreais, Beijando a própria imagem, seu espelho... Os dias a transportam, morrem ais...
A divindade exposta em seu sorriso... Batom, penteadeira, mar vermelho... Amar é desfrutar do paraíso! Marcos Loures
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Os olhos pranteados, já vermelhos Demonstram todo amor que nos envolve Seguindo do desejo os seus conselhos, Poeira do que fomos não revolve.
Mirando firmemente no horizonte Deixando o que vivemos para trás, Do amor que agora bebo; mansa fonte, Uma esperança viva já se traz.
Algozes sofrimentos que tivemos, Estúpidas mentiras que enfrentamos, Nas mãos das ilusões decerto lemos, O quanto que em prazeres nós tramamos.
Assim enamorados mais fiéis, Sabemos da alegria, os fartos méis...
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Os olhos penetrantes da pantera Que sempre me conquistam, multiplicam As cores que procuro se triplicam Prometem o fulgor da primavera.
Apaixonadamente me torturam E beijam minha boca, sem perdão. Nos olhos multicores tal clarão Nem mesmo nas estrelas se procuram.
O fogo derramando sobre a terra, Pantera que me fez sonhar demais. O gozo de teu gosto satisfaz Desejo que em teu gozo já se encerra.
Sincera e mansamente te declaro. Beleza sem igual, cristal tão raro.
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Os olhos melancólicos, profundos, Sulcos demarcados, cicatrizes De antigos desenganos oriundos De tempos doloridos, infelizes.
As vozes do passado ainda ecoam, Fardo insuportável lanha as costas, Velhas lanças terríveis que te arpoam Penetrantes verdades, porém gostas.
Remoendo tais joios, impoluta, Tua alma resistindo quer e luta, Mas trazes a tristeza original.
E quando a solidão se faz mais forte, Lambendo esta ferida, vês no corte Tão somente um momento triunfal.
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Os olhos mareados pela insônia Delírios entremeiam madrugadas, O amor que se escondeu na Patagônia Palavras sem sentido, degradadas.
Degredos como herança, nada além Do quanto mereci, tenho certeza. Depois de tanto tempo sem ninguém A mão já desconhece uma destreza.
E o verso vai saindo de fininho, Pereço a cada curva desta estrada, Se desconheço as tramas do caminho, Perdi a minha chance na cartada
Que outrora imaginei a mais certeira, A fantasia tola e derradeira...
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Os olhos mais formosos que já vi Pertencem a você, minha querida. Se dentro dos seus olhos me perdi, Neles encontrei a minha vida...
Eu sinto que jamais a perderei, Enxergo com seus olhos, minha amada. No mundo tão bonito que sonhei, Sem seus carinhos, juro, não sou nada...
Eu quero vasculhar o meu desejo Nas ruas, nas estradas, nos espaços. Olhando, por seus olhos azulejo O mundo tão perfeito dos seus passos...
Levando meu olhar junto co’o seu. Vou cego, nada além é negro breu...
37
Os olhos furiosos da pantera Que espreita, desdenhosa um ser que sonha, Buscando a direção, em luz se enfronha Teimando em aguardar a primavera.
Aonde a poesia se tempera Cenário que alegria em paz componha Tornando a caminhada mais risonha, Um frágil sentimento agora gera.
Nas mãos de um Ser supremo, a direção, Na senda que espinhosa, nos liberta, Das ervas que tu cevas, cada grão,
Frutificando a glória de saber Que a estrada mais difícil, a mais certa. Da qual, o Paraíso eu possa ver...
38
Os olhos embotados não percebem A decomposição do amor eterno. Olores nauseabundos já recebem Aqueles que mergulham neste inferno.
Qual passo fugidio em vaga senda, Nenúfares morrendo em água podre, Os olhos se entregando à triste venda Os vinhos avinagram-se nesse odre.
Na derrocada imensa deste sonho, Apenas um resíduo de esperança. O canto de agonia, mais medonho, Ao som destes lamentos rege a dança.
Quem ama titubeia e logo cai, Amor em podridão, cedo se esvai...
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Os olhos da manhã recebem luzes Distintas da amplidão feita alvorada. Distantes tempestades em obuses Matando a gente frágil, desgraçada.
Aqui a sensação que reproduzes Das flores em rocio bem molhadas, Às hordas dos prazeres me conduzes Em frases e delícias mais safadas.
Brincando de serpente e paraíso, Mil Édens encontramos entre as coxas. Antigas violetas, brancas roxas,
No toque mais audaz e bem preciso Enquanto a guerra faz as bandalheiras Na cama violentamos as bandeiras...
40
Os olhos ariscos Arranhando o céu, Fugindo dos riscos Lambuzo de mel
Os doces petiscos, Distante e cruel, Quebrando meus discos. Rasgando este véu.
Sozinho não canto, Nem sou mais ninguém, Perdendo esse encanto,
Vivendo sem bem, Secando o meu pranto, Amiga já vem... Marcos Loures
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Os nossos corpos juntos... Que loucura! A terra com certeza vai tremer, Envolta em alegria e com prazer, Querida, nosso amor ninguém segura.
É feito de um desejo que matura Deixando uma delícia a se saber Gostosa de provar e de comer, Em ritmo alucinante de aventura.
Vem logo, moreninha que eu te espero Eu quero teu cheirinho tão faceiro, Teu corpo alucinante, assim, trigueiro
Já sabe, meu amor quanto eu te quero. Não deixe pra depois, o amor da gente, Que causa, em plena seca, tanta enchente... Marcos Loures
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Ouvir teu coração, amor intenso, Num louco palpitar tão desejado. Não sabes como em ti, querida eu penso, Vontade de ter sempre ao meu lado.
Se às vezes te pareço meio tenso, No fundo é por que por ti apaixonado, Espero o teu carinho; me convenço De quanto amor te tenho, sonho e fado.
Seguindo cada passo, sem descanso, Nas praças e nas ruas, teu encanto. Sorriso delicado amor tão manso
Que traz felicidade por refrão, Ouvindo noite e dia, suave canto, Que embala minha vida, uma paixão...
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Ouvir teu coração batendo forte Convite para a festa da emoção, No amor que se mostrou ser nosso norte Decifro o meu caminho, a direção.
Encontro finalmente a minha sorte Num destemido passo, esta amplidão Fazendo da esperança esta consorte Que toca bem mais fundo, sedução.
Na noite abençoada, a lua mansa Transborda em claridade e nos alcança Forrando em rara prata estes lençóis.
Olhando o teu reflexo no meu rosto, Meu barco nos teus braços, quando posto Estende sobre a praia seus faróis... Marcos Loures
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Ouvir o teu lamento, cara amiga, Que é feito em desencanto, descontente. Permita que eu te fale, que eu te diga De tudo que bem sei, já se pressente.
Ternura que se foi, há tempo, antiga, Resiste no teu peito, impertinente. Que a luz que se irradia assim prossiga Deixando o mundo sempre mais contente.
Matando esta lembrança do passado; Passo importante saiba que foi dado Na busca de um futuro em glória plena;
Meu verso neste canto engalanado Promessa de outra história mais amena Tua amizade imensa, enfim me acena...
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Ouvir o que nos diz o coração, Sentindo o manso vento de um amor Que quando em temporal vira paixão Depois vem calmaria nos propor.
Tocado pelas garras, pelo arpão Daquele que se fez arpoador, Seguindo cada estrela em procissão, Buscando num tropismo por calor
Que encontro nos teus braços, que incendeia, No encanto sedutor desta sereia Nas praias nordestinas, a mais bela.
Amor/areia sempre movediça Ao mesmo tempo mata e logo viça E quanto mais se esconde mais revela...
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Passeio minhas mãos nestes caminhos Em busca do tesouro, tuas minas. Mal sabes quanto assim tu me dominas, Um pássaro procura por seus ninhos...
Da rosa sei perfume e sei espinhos; As curvas delicadas e tão finas, Cavalgas teu corcel, seguro as crinas E vamos em buquês de mil carinhos.
Depois, ao ter chegado em enxurrada, Ao ápice, querida, um bom descanso. Porém tu queres mais, de novo avanço
E tudo recomeça na manhã. Vibramos os desejos neste afã E a vida continua, abençoada... Marcos Loures
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Passeio meus desejos pelas ruas Onde desfilas; bela criatura. Tuas pernas delicadas seminuas, Formando uma delícia, uma loucura.
Percebendo querida que flutuas, Envolto em cada passo, com ternura, Quem dera fosse o sol onde tu suas, Sorvendo tua pele com candura...
Tocando tuas coxas sob a saia, Vestindo tua pele, insensatez. Sentir a tua sanha que se espraia,
Vencendo assim a minha timidez. Expondo meu desejo neste instante Contigo a vida inteira, amada amante..
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Passeias pelo campo mais florido... Os bosques e pomares, a lavoura... Um belo olhar, puro azul, decidido, Sob uma cabeleira trigal, loura.
O sol fica feliz por ter surgido E em raios carinhosos já se estoura. Nas pastagens, o sol amanhecido, O gado, aos belos raios, também doura.
A dona desse olhar vai distraída, Mal percebe meus olhos sonhadores. Encontro noutros olhos, minha vida.
A natureza absorta, mansa e sábia, Respeitando esta cena, manda as flores Perfumarem teus passos, bela Fábia!
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Passando por estrelas, embebido Nos sonhos em que moldo um dia escuro, Bebendo da ilusão perco o sentido E trago esta paixão em verso duro.
Calando o que sentia, decidido, Aguardo num momento o ar mais puro Embora tanto medo já vivido Não deixa o meu andar seguir seguro.
Somando o que nós fomos, resta o nada, Meus olhos se perderam sem farol. Minha alma vai sozinha ou rebocada
Sem nexo, vai sem brilho, cadê sol? De tanto que apanhou, tomou porrada, Apenas interroga, vira anzol.
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Passando por caminhos em tormentas Vestígios de ternura que não vejo As chuvas desabando violentas Desfazem a dentadas meu desejo...
Trovejo essas palavras que não tento Que tentam este sol intensamente, Amores que em ciúmes sempre invento Derivam dos espúrios desta mente.
Que mente sempre omite meu amor Em versos irreais as cicatrizes, Vertidas num sorriso sem rancor, Vencidas pelas noites infelizes
Que dizem que jamais tu voltarás, Amor que, em minha vida, pede paz...
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Passeia essa beleza em tal frescor Que mansas caminheiras nada falam. Vivendas onde vive o meu amor As ruas, alamedas, nos embalam...
Talvez neste desterro sem tristezas Os mares que roncando tramam sons, Em versos encantados, naturezas Misturam com meus sonhos novos tons...
As nuvens estampadas neste céu, De tanto que chovera não voltaram, Amor que se precisa, no papel, Nas bocas mais delícias encontraram...
Sem ti sentindo pejo me aborreço, Sem teu amor, querida, me entristeço...
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Passei pelos salões sem ter receio Dançando uma esperança feita em valsa A sorte destronada, toma um veio E mostra-se, rainha que descalça Prepara um novo dia, que não veio E os sonhos mais airosos, inda calça.
Atravessei as turbulências, calmo, E par em par contigo, eu prossegui. Depois de conhecer fui palmo a palmo Buscando o de melhor que encontro em ti. Amor em louvação, perfeito salmo Que embalde não conheço ou conheci.
Passei pelas quimeras da paixão, Aguando nosso amor com emoção... Marcos Loures
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Passando por caminhos em tormentas Vestígios de ternura que não vejo As chuvas desabando violentas Desfazem a dentadas meu desejo...
Trovejo essas palavras que não tento Que tentam este sol intensamente, Amores que em ciúmes sempre invento Derivam dos espúrios desta mente.
Que mente sempre omite meu amor Em versos irreais as cicatrizes, Vertidas num sorriso sem rancor, Vencidas pelas noites infelizes
Que dizem que jamais tu voltarás, Amor que, em minha vida, pede paz...
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Passando pelos campos, arvoredos Em alamedas raras de cristal Na fonte deslumbrante e natural Encontro uma aridez nestes penedos.
A vida se mostrando em mil segredos Às vezes inconstante e desigual. Fazendo da alegria; vir o mal Na virulência imensa tantos medos...
Os dias se tornando frios, tristes, Lembranças de outras eras maviosas. Porém somente o medo, faz refém.
Amiga como é bom saber que existes E trazes nestas mãos, perfeitas rosas. Durante a tempestade traz o bem...
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Passeávamos rua mais sombria... Encontramos saudade soluçando. Dissecamos feroz anatomia, Tanto sangue escorrendo, gotejando.
Desespero, incontida hemorragia. Saudade sem destino, vai chorando, A noite se apodera, vã e fria. Pouco a pouco, saudade se matando, (No olhar mais triste, traz melancolia...)
As lágrimas vazias da saudade, Derramadas no pó da velha estrada, Deixavam o seu laivo de verdade...
Ao perguntar por que tanto pavor, Olhando assim perdida para o nada, A saudade apontou pro nosso amor!
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Passeando em teu corpo, mar e mel, Vencendo cada etapa da conquista, Depois ir descansar profano céu, Numa beleza rara que se avista No belvedere ser o teu corcel Passando todo o corpo por revista.
Imagens fantasiosas; seios, sela, Corcel com amazona agalopando. Neste delírio solto se revela Caminhos se aprofundam, penetrando... Vislumbro desejoso a bela tela Que a mão do sábio amor está pintando
Em corpos misturados e sedentos, Carinhos delicados, violentos...
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Passando pela vida simplesmente Durante tanto tempo emudecido. Ao sol que me abrasa de repente Evaporando sinto-me vencido.
Descendo pelos rios da saudade, Sentindo tal bafejo desta fera, Amor que se fingira liberdade Sem pena minha vida destempera.
Deixando uma emoção deveras pálida Deixando um coração sem solução. A vida que corria mansa, cálida, Depressa se tomando, ebulição.
Me rendo ao tal amor, sem ter defesa, Eu me sinto indefeso, simples presa...
58
Passaste em minha vida qual cometa Deixando um claro rastro no horizonte. Das águas, divisora; foste a ponte Presença mais sublime e tão dileta.
Daquele adolescente temeroso Fizeste um homem forte, e destemido, Sabendo qual meu rumo, o meu sentido Levando a um mundo novo e prazeroso.
Eu vejo as tuas marcas neste céu, Em luzes fascinantes, bela lua, Cobrindo minha noite com teu véu, Beleza sem igual que continua
Servindo em minha vida de farol, Que sigo, mesmo à noite- girassol... Marcos Loures
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Passando pela rua eu percebia Os seios vantajosos na janela. O rosto, na verdade, até não via, Apenas belos seios, fartos. Dela.
Motivo de prazer e de alegria Sozinho no banheiro se revela Amor que a gente faz à revelia, A sombra juvenil; pra sempre bela.
Depois de tanto tempo, resta imagem Da moça na soleira, o seu decote. Ficando tão distante qual miragem...
Eu me lembro do dia em que mudou, Pra longe, outra cidade, mas sobrou Ainda na memória o mesmo mote... Marcos Loures
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Pássaros cantarolam seus amores, Buscando por parceiras noutras plagas... Assim como cantei as minhas dores Que, distante, querida não afagas...
Por jardins impossíveis, mortas flores, Saudade penetrando traz adagas Terríveis, neste circo dos horrores! Deixando cicatrizes, marcas, chagas...
Quem prestar atenção nestes jardins Perceberá as tristes cicatrizes... Repare bem são tristes os jasmins...
Lavanda não perfuma, quiçá rosas... As cores não refletem seus matizes, Cantigas destes pássaros, chorosas... Marcos Loures
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Passarinho que canta na janela, Sabiá laranjeira, companheiro... Me responda se acaso o mundo inteiro, Alguém pode falar onde está Bela?
Belinha, abelha, bela bel tinteiro Das cores que roubei nada restou Responda passarinho companheiro Por quê que minha Bela me deixou?
Os fios da meada eu já perdi. As chaves destes cofres eu não tenho No medo de viver, assim morri
Somente amor imenso inda retenho. Que faço, meu amigo passarinho, Sem Bela nunca mais farei meu ninho...
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Passando pela estrada vi roseira Imensa e tão florida no jardim, Depois de procurar a vida inteira, Roseira tão bonita e rara assim, Descobri que a rosa derradeira Nascera há tanto tempo dentro em mim...
Ao falar da beleza destas flores, Percebo como Deus foi delicado Trazendo para a terra seus olores, Tornando um coração extasiado, Assim também já fez com meus amores, Por isso estou por ti, apaixonado...
Falando dessas flores vejo a vida, Tão perfumada e rara em ti, querida...
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Partindo, já retorna, qual cometa, Às vezes vem em voz, noutras perfume, Voltando em carrossel a mesma seta Trazendo esta lembrança de costume...
Quem dera se eu pudesse te esquecer! Quem sabe noutro tempo em nova vida. Porém a roda viva me faz crer, Esperança adormece, e vai perdida.
As ondas não se olvidam mais da praia, A areia se tornando movediça. Talvez a solidão já se distraia Mudando a realidade tão mortiça.
O barco que soçobra, de repente, Encontre o seu aprumo e siga em frente.
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Passando nos subúrbios de minha alma Em frente da estação as casas baixas. Domingo transcorrendo em plena calma Fogueira da esperança busca as achas.
A praça e o jardim, vizinhos passam Sorrisos, boa noite, e durma bem. Os olhos cabisbaixos mal disfarçam Desejo assim demais, tamanha trem.
As horas do domingo em marcha lenta, Segunda recomeça a ladainha A lua embevecida sem tormenta Beijando tuas pernas, lua minha.
É tempo de voltar, amor, pra casa, O trem tomou juízo e não atrasa...
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Passarada cantando em liberdade Dá saudade do tempo que passou Passarinho buscando a claridade Nas mãos de quem sonhara já pousou...
Eu vivo só por que tenho saudade De quem em solidão triste deixou Aquele a quem amava de verdade, Buscando um outro ninho já voou...
Agora minha amada quê que faço? Deixaste um coração tão sem cuidado Morrendo só por falta de um abraço
Em meio a tanta seca no sertão. Batendo devagar, descompassado Vai preso na gaiola da paixão!
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Passar pela janela enquanto sonhas, É como viajar pelos espaços, Sentindo o teu perfume nestas fronhas, No travesseiro solto, tantos laços... As noites em promessas tão risonhas, Terminam sem poder te dar abraços...
A lua que em teu quarto sempre via A tua transparência que revela, O mundo mais bonito em fantasia, Na luz bruxuleante de uma vela, Compondo no teu corpo a poesia, Que sempre desejei fazer, mais bela...
Na rua, caminhando tão sozinho... No teu quarto, tão próximo, um carinho...
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Passando no sertão, o sol a pino, Calor irresistível, sufocante. A dor da solidão traça o destino Daquele que sonhou com este instante Dos tempos esquecidos de menino, Ninando um sonho leve e aconchegante...
Espero minha força pra dançar A dança deste amor febre ligeira, Neste aguaceiro imenso a me tomar, A paz que procurava, derradeira. Vestido deste sol a me abrasar, Aguardo a cada dia a companheira
Que sei que surgirá logo que veja A lua da esperança, sertaneja...
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Partindo de distantes horizontes Em busca de uma estrela feita lua. Olhando para os altos, belos montes, A senda de quem sonha continua.
Atravesso caminhos, tantas pontes Chegando na cidade, em cada rua. Nascentes, maravilhas feitas fontes Nas horas tão divinas que são tuas.
Encontro depois disso um calmo porto No corpo da mulher que eu amo tanto. Oásis de beleza em puro encanto.
Depois, louco prazer me deixa morto E os mares, eu esqueço. Meu navio Abandonado fica só. Vazio... Marcos Loures
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Participo de todo este cenário, Na procura de nova solução Se eu vivo, não sou canto nem canário. Nem quero ser problema, sou senão...
Sou vertigem; sentido e campanário, Muitas vezes prendi porta e porão, Não temo e nem sequer sou temerário... Calha quebrando encalha o coração...
Vate sem termos; tento ser poeta, Nessa busca incansável pela Musa, Minha noite sem horas, sei completa,
Nos cabelos- ser pente da Medusa Nos teus olhos, carpidos, sangue injeta. Que delícia: Tiraste a tua blusa...
Marcos Loures
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Partícipes da festa imorredoura Convivas deste amor, anfitrião Que entorna sobre nós a sensação Na qual nossa alegria já se doura.
Nem mesmo uma tristeza nos agoura, Fazemos deste sonho vinho e pão, Arando com ternura o duro chão Teremos a alegria, duradoura.
Tu sabes quantas vezes na distância Quisera um sentimento que em constância Pudesse permitir a caminhada
Na busca desta estrela radiosa, E ao ter esta mulher maravilhosa Encontro a sorte tanto procurada... Marcos Loures
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Passando na peneira dos enganos, Sobraram tantas falhas e mentiras, Abortando por certo velhos planos, Expondo o coração; agora em tiras.
Tiaras constelares, bens insanos, Rolando entre os espaços quando giras Nos nômades quereres dos ciganos O cálido fulgor de frágeis piras.
Expiram-se os anseios, volto à tona, O amor que enfim hiberna; mal ressona, Recarregando as forças: desde já
Perguntas sem respostas, novo tempo? De novo tempestade e contratempo; Ou quem sabe; outro dia chegará?
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Passando mais um dia de janeiro, A madrugada traz esta agonia, E enquanto morre à míngua, a poesia, Dos sonhos sou apenas o coveiro.
Marcado pelo gozo derradeiro, Adormecendo em plena fantasia, Acordo e nada tendo, esta sangria Derrama uma esperança no cinzeiro.
Por onde caminhar se estou perdido? Apenas espinheiros, pedregulhos, Arranco do meu peito estes entulhos,
E sigo sem remédios, desvalido. A natureza esconde a claridade, Na névoa interminável que me invade...
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Passando em Santo Antonio da Patrulha Nas terras do Rio Grande, uma lagoa Que encanta quem de noite inda vasculha Na busca pela caça, ou vai à toa.
Nas ondas deste lago encantador, As Ninfas deslizando com corcéis Ouvindo-se o seu canto, em louco amor Qual fosse um vento envolto em doces méis
Um coração decerto se apaixona Pela beleza rara e tão sutil. Uma Ninfa assemelha uma amazona
Fazendo uma procela em água mansa. Depois deste galope, já se viu, A quietude suprema então se alcança...
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Paraísos contigo eu sempre alcanço, Sentindo o teu calor aqui comigo. Amor que a gente faz e sem descanso Transborda em gozo pleno o que eu persigo
Orgástica emoção, eu te afianço, No mar de fantasias eu prossigo, Trazendo contradança enquanto eu danço, O tempo de sonhar; vivo contigo.
Marcando cada passo com encantos, Requebras tuas ancas, teus quadris, Amor vem borbulhando em chafariz,
Matando sem remédios os quebrantos
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Passando com meus passos tua porta Aberta não permite minha entrada. A noite se aproxima e cai tão morta Depois da curva; sinto, não há nada...
Nem mesmo o gosto fero da pantera Que em garras afiadas me sorrira. De mim quase que nada já se espera, Nem mesmo um fogo brando, quiçá pira...
Sou neve, não aqueço ou determino, Sou frio, nunca fui e nem serei. Do sonho que vivera esse menino Morrendo na vontade que passei.
Meus olhos; adormeço, sem futuro. Meu canto se esvaindo, quieto, escuro...
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Passado tatuado em nossas almas Dizendo do presente que vivemos. Futuro benfazejo o que queremos, Cevando a cada dia belas palmas.
Do quanto carregamos, velhos traumas, Transcendem sobre agora, trazem remos Com os quais o futuro concebemos, Enquanto isto traduzes já te acalmas.
Surpresas que terminam com a morte Determinam guinadas nesta senda. Porém quando escondidos sob a venda
Os olhos perderão decerto o norte. Colheita se prevê, mas quem garante? A vida se transtorna num rompante...
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Passar a vida inteira junto a ti, Todas as estações de nossa vida. De todos os amores que vivi, Tu és a companheira preferida.
O bem do amor, eu sinto, estava aqui Ao lado da menina tão querida Estás em cada verso que escrevi, Em cada novo dia; em minha lida...
Outonos, primaveras, do teu lado, Invernos e verões, o ano inteiro. E saibas que eu estou enamorado,
Não sinto o minuano me cortando, Amor que é de janeiro até janeiro, O tempo inteiro; amor, te namorando...
Marcos Loures
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Passado tanto tempo, ao recordar Amor em que tivemos toda sorte. É como mergulhar em fundo mar Sem medo de rever prazer e corte.
Não posso me esquecer de te falar Que o coração dispara e bate forte, Somente por te ouvir, me faz lembrar. Espero que minha alma inda suporte
Saudades que se assomam no meu peito Dos beijos e carinhos que perdi. Mas digo, meu amor, vou satisfeito
Somente por dizer que conheci Alguém que me mostrou que amanhecer É feito de alegria e de prazer...
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Passado nunca move nem moinho, Se fomos o que somos tenho chance E quero renovar nosso romance, Por isso, não me deixe mais sozinho...
Ouvindo, da esperança, um burburinho, A vida a me mostrar cada nuance, Aonde a poesia em luz avance, Na rara claridade eu já me aninho.
Crepúsculos de outrora na alvorada, Canteiro se embeleza em tal florada Aonde colherei farta beleza.
Paisagem deslumbrante na manhã, A fruta mesmo sendo temporã Fartura, enfim, garante em minha mesa.
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Partícipe da festa que enaltece Os sonhos e desejos mais profundos. Dos gozos e prazeres oriundos Da terna maravilha feita em prece.
O coração sensato te obedece E segue sem limite vários mundos Em meio a tantos astros vagabundos A senda mais perfeita busca e tece.
Inteiro sem partilhas; sigo teu, Bem mais do que este louco mereceu Coleto a poesia que derramas.
Esquinas encontradas, seus enigmas, Amor em tatuagens, meus estigmas Envolto pelos braços, tênues tramas...
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Partícipe da festa em que louvamos O dia em que nasceste; anjo sublime, No canto que te faço que se estime O tanto quanto, amiga já te amamos.
Desejos e vontades; entoamos Carinhos que tu trazes nos suprime E mostram perfeição que não deprime Alento para os dias que passamos.
No teu aniversário eu te bendigo Só peço que permitas ser amigo De quem em amizade fez a vida.
Permita que agradeça, pois, querida, O fato de poder compartilhar Caminhos com quem sempre soube amar...
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Parti num raio pálido e sem brilho, Servindo como palco num triste ato, Porém o nosso laço não desato, Pois nele encontro um manso e doce trilho.
Nas mãos de um passageiro, um andarilho, As cores tão diversas que retrato Usando da emoção, sublime prato, Minha alma ultrapassando um empecilho.
Encilho o meu corcel e vago estrelas, Delírios desejos quando ao vê-las Decifro o meu destino, vou ao léu.
As asas que partidas negam anjos Das liras as canções pedem arranjos Diversos do que outrora fui, cruel..
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Passado esse momento, a boca espreita O beijo que promete, mas não vem... A carne tão sedenta, insatisfeita, Procura a companhia d’outro alguém.
Que sei me negará tal primavera Nas seivas prometias meu deleite... Depois de tanto tempo nesta espera Duvido que teu corpo inda me aceite.
Mas tento, sem nenhuma garantia, E peço teu carinho; estou tão só. Te sinto revoltosa em rebeldia, Em vão; te peço então que tenhas dó.
De quem tanto partiu quanto voltou, E saibas, quanto tempo, sempre amou
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Paródia quando é feita com talento, Agrada, com certeza a quem escreve. E deixa o coração assim bem leve, Fazendo muito bem ao pensamento.
Porém o que, em verdade eu não agüento É quando inspiração fazendo greve Permite que um boçal que já se atreve Destrua simplesmente o que eu invento.
Sarcástico poeta faz estrago E muda a direção da correnteza, E nesse, meu amigo, faço afago
Reconhecendo sempre a qualidade Daquele que dialoga com destreza. Só não suporto, enfim, boçalidade...
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Parido em uma noite distraída Segui a minha sina, tal e qual Amor que perdeu no vendaval Deixou já maltrapilha a minha vida.
Etapa que tentei e vi vencida Jogada pelos cantos, sem bornal. O dia se fartando traz, boçal, A noite sempre feita em despedida.
Resíduos que carrego dentro em mim, Escombro, finalmente eu chego ao fim Talvez por um momento entenda a chama
Que um dia prometeu um fogaréu. Recolho caminhando sempre ao léu, Mentiras espalhadas nesta trama. Marcos Loures
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Paremos com as tolas picuinhas, Sejamos mais amigos, companheiros. Palavras não são tuas nem são minhas, Nós somos, tão somente feiticeiros
Literatura expõe em suas vinhas Os vinhos mais gostosos, verdadeiros, Não quero cultivar ervas daninhas, Do barco da esperança, timoneiros.
Cultura no Brasil, é simples luxo? Um escritor, no fundo como um bruxo Propaga as mais fecundas alquimias
Palavra, com certeza, o seu cadinho, Mistura de respeito com carinho Aguça com palavras, fantasias... Marcos Loures
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Passa o vento, tempestas e brinquedos. Passatempos, florestas e velórios... Nunca mais passariam meus segredos, Nas escadas escritas, escritórios...
Às margens de viagens, pajens, medos... Cerros, berros, meus erros são notórios. Aços, ázigos, álibis, degredos... Olhos chorosos, tristes, merencórios!!!
Nas asas colibri beijando a flor... Passa tempo passando o vento triste.. Haja o que houver, minha solidão.
Nas asas vão batendo o meu amor. Esse amor qualquer coisa não resiste... Meu canto, passarinho coração! Marcos Loures
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Parelhos corpos buscam sem limites Momentos em perfeita sintonia Enquanto em ilusões eu sei que insistes Um raro amanhecer, teu sonho cria.
Vestindo a fantasia que te cabe Usando da palavra como arado, Quem vive com ternura sempre sabe Colher o que com calma foi plantado
Avesso aos temporais, eu te acompanho E faço do meu verso o companheiro, E tendo esta certeza, amor tamanho, Enfrento, se preciso, o mundo inteiro.
Desejo- te a sublime mansidão E que tenhas, feliz, teu coração!
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Passa boi e boiada na porteira Bandeiras arriadas, tempo é fogo! Aniversariar? Uma besteira Há tempos que deixei gramado e jogo.
Mentira que se faz tão corriqueira No quanto sem espanto não me afogo. Depois de certo tempo, costumeira A vida não permite qualquer rogo.
Os dentes que caíram? Nem implante. Seguindo cambaleio e vou em frente As horas não respeitam nem instante.
Assim em pandarecos, sei que tens Os risos mais farsantes; e inclemente Ainda vem dizer-me: parabéns? Marcos Loures
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Pareço; disso eu sei; tão inconstante A marca tão feroz de uma tristeza; Na vida sempre tive, minha amante, Não sei como vencer tal correnteza.
E a vida que insensível me despreza, Ao mesmo tempo insana e provocante Prepara ao de tudo uma surpresa, Momento formidável e fascinante.
Solene servidor de falsas amas, Durante tantas noites, solitário. As trevas sonegando o lampadário.
Porém quando tão tenra tu me chamas A luz toma a fenestra e enfim clareia, Deitando sobre mim, qual lua cheia...
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Pareço meio bruto, sem cuidados; Às vezes te maltrato sem sentir. Meus braços; sei que são demais pesados, Mas tenho tanto amor a repartir....
Um sonhador com corpo tão disforme Merece a placidez desta princesa? Na vida cada coisa tem conforme, Não posso conviver com tal beleza!
Mas saiba que eu te adoro mesmo assim. Da forma mais sutil e delicada. No fundo, o que há de belo e guardo em mim, Entrego de bandeja à minha amada.
Desculpe, quero dar a primavera Àquela que é tão bela... Mas sou fera...
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Parágrafos distintos, mesma história. Viemos em momentos diferentes. Mordaça não impede que estes dentes Penetrem nos meus olhos. Luta inglória...
Amor que não buscou dedicatória Agora faz dos olhos indigentes, No quanto que não quero sei que sentes A vida sem futuro, merencória.
Lateja no meu peito uma vontade De ter alguma paz, tranqüilidade, Porém o teu sorriso é mais audaz.
E vestes de mentiras nossa vida, A sorte que se quis, apodrecida, Apenas solidão, afinal, traz... Marcos Loures
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Parabolicamente vago ao léu, Em círculos diversos e concêntricos, Riscando em temporal e fogaréu Os dias serão sempre mais excêntricos.
Meus dendritos, axônios se conturbam Ao ver a bunda imensa da morena. Os olhos esfaimados me perturbam E desejo sobre-humano já me acena.
Na cena preparada em minha mente, Galopes e lençóis, mistura em fogo. Depois do tudo, o nada novamente, Repete sem querer o antigo jogo
Do pó que ao pó retorna novamente, Matando no futuro o meu presente...
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Palavreado usado, universal Na cama, lama, grama ou nos motéis. As vozes em ruído gutural Espalham molhos, rios, quentes méis.
Nas margens as roseiras, os florais, Os ritos se repetem, noite adentro. O tanto que desejo e vejo mais Amor rondas nas beiras e eu concentro
Nas ondas pensamentos vão e vem. As águas, corredeiras, ancas, pernas. O quanto tanto espero deste bem As fantasias ânsias sempre ternas.
A direção que bebe o cata-vento Mudando toda a sorte em um momento
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Palavras, versos, frases, nada falam Nem sons ou melodias... nada disso; Mais fortes que o que sinto, nem resvalam. Nem flores mais sublimes têm tal viço.
Os prados verdejantes... rios, trilhas.. Montanhas, vales, luas, constelares... Por mais que se demonstrem maravilhas, Não chegam, meu amor, teus calcanhares...
E como definir tua beleza Se nada que conheço se equipara. Estás além de tudo, com certeza, Numa exclusividade mais que rara...
Falar de perfeição... tenho o direito? Simplesmente dizer: sim. É perfeito!
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Palavra que não corta nem machuca Porém tanto incomoda quanto coça. A faca penetrando em minha nuca O fogo se espalhando na palhoça;
A vida pode ser meio maluca, Mas quem sabe lavrando a minha roça Enquanto esta palavra assim cutuca Gotejo de esperança já se empoça.
Amiga, eu sou sincero- estou cansado. Porrada que levamos todo dia Chupa cabra na Igreja e no Senado
Matando a cordeirada pobre e crente Ao ver tal canalhice em miopia. Podia corrigir a minha lente.
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Paixão é sentimento tão selvagem Que trama uma loucura enquanto corta, Permite ao pensamento tal viagem Que arromba qualquer casa e qualquer porta.
Paixão que nos treslouca e alucina É quase convulsão em tempestade. Nos toma a liberdade e nos domina, Nos matando em fatal ansiedade.
Sentir tão fascinante e doentio Flambando o coração em doce amaro, Promessa de calor que traz o frio, Derruba enquanto quer dar todo amparo.
Paixão é negação do próprio ser Tortura e dá vontade de viver...
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Palavra que me dizes é bem vinda E muda minha vida num segundo, Perceba que na lua que deslinda A prata vai tomando todo o mundo.
No quanto que eu pressinto transparência Com toda esta elegância em sentimento. Aos poucos neste lume tanta ardência O fogo da paixão queimando lento.
Se eu tento a cada intento, atento bem Explodindo as intensas emoções O vento abençoando sempre vem Gerando inundação nos corações.
Padrões eu nem respeito, sou teu par. A par do quanto é bom teu caminhar
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Paixão alucinante me domina, Sem medo de viver felicidade. A boca tão sedenta da menina, Vibrando na total saciedade...
Adentro meu desejo em tua mina, Buscando teu carinho, quem há de Ajudar na procura, minha sina, Sabendo que de tudo, uma verdade
Maior que todo canto que fizer, Maior que todo sonho que chegar No corpo desejado da mulher
Que tanto procurei e não achava; Agora em ti consigo deslumbrar Beleza de vulcão, calor e lava...
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Palavras vão ao vento; se espalhando Por todos os caminhos que eu andar. Nas ruas, nas esquinas, céu e mar, Em versos, confissões, vão até quando?
Por mais que o sentimento seja brando, Não canso de pedir e de esperar A força de teu nome a me tocar Nos sinos, nas igrejas, rebimbando.
Na aldeia em que, faz tempo, eu conheci A moça mais bonita e mais faceira, Sorriso de menina, feiticeira,
Depois disso, jamais eu te esqueci Guardando esta lembrança doce, atroz, Espero que tu ouças minha voz... Marcos Loures
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