
Protoplasma
Data 29/12/2010 00:27:52 | Tópico: Poemas
| Cidade calada… sepulcral Sangro nas pedras mortas absorto do sopro eterno O teu silêncio catastrófico é poluente Lembrei-me ao acaso de parar os relógios e sair para rua nu… Estou a dançar num campo de lírios onde caíram os meus amores Um universo de fantasmas cegos celebra a catarse do mundo Esta cidade está seca de sentir como os espectros cegos de olhar Indiferente ao ruído estou de repente deitado, com os fantasmas num esbugalho de olhos amedrontado Sangro agora nas pedras mortas absortas do sopro eterno O chilrear, as buzinas e todos os lírios esmagados Acordam-me do delírio do abandono da cidade Desço agora uma avenida num elogio á vida Os ardinas, engraxadores, proxenetas, varinas Realidade reincidente que sopra transpiração Os barcos o musgo no cais humedecido Grito, partem-se os espelhos que nos fazem iguais Já não estou mais perdido no meio dos fantasmas Sou os carris do comboio o maquinista do sonho Um campo de lírios na cidade é medonho Grito o mundo para matar os fantasmas A cidade é de gente, é protoplasma.
|
|