
MEUS SONETOS VOLUME 122
Data 28/12/2010 14:21:02 | Tópico: Sonetos
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1
Os meus dias mais tristes, invernosos... Não permitem meu sonho, vil quimera! Meus tolos pensamentos, andrajosos, Procuram acalmar aguda fera...
Os olhos que choravam, lacrimosos, As cordas que jogaste, minha espera! Os traços que negaste, radiosos, Os beijos tão mortais desta pantera!
Não quero nem pressinto solidão, A vida não me deu, mas não tirou... As cordas que ponteiam a canção,
O tempo mais feroz nunca negou. A vida num silêncio, catedral, Minha esperança jogo num bornal! Marcos Loures
2
Os bardos e poetas reunidos, Buscavam solução definitiva. As portas escondiam seus ouvidos, A noite veio ver meio cativa...
A lua, embevecida, tão ativa, Lembrava-se dos velhos tempos idos. A musa, devagar, contemplativa. Desmaia-se, perdendo seus sentidos...
Depois de tanta luta e discussão, As horas foram todas debeladas... Ditaram morte e vida ao coração.
As noites mais calientes e geladas. Abriram e fecharam o portão, Raiou o sol em plena madrugada.
São todos vendedores de ilusão!
3
Os barcos vão abrindo novas velas, Jogando os velhos trapos em teu mar. O quanto tu me queres e revelas Ensina que inda posso, enfim, sonhar.
Ondeio tuas praias, vou arisco, E bebo cada gota de teu sal. Não quero mais saber de correr risco, Riscando do passado todo o mal.
Amalgamando o sonho benfazejo, Esculpi teu retrato no meu peito, Agora que percebo o quanto almejo Estendo o meu olhar, já satisfeito
Desfeito este quebranto, sigo em frente, Vivendo o teu encanto, novamente... Marcos Loures
4
Os baques que enfrentamos no caminho Servindo de lição ao caminheiro Quando enveredo um sonho alvissareiro Recebo da esperança, algum carinho.
O mar se anunciando em burburinho, Deitado sob o sol, belo luzeiro Qual fora da ilusão dono e posseiro Alaga o coração antes sozinho.
Eu te amo e nada irá conter os passos Rumando em alegrias para a areia Dourado sol ou prata em lua cheia
O amor invadirá vastos espaços Tornando o dia-a-dia bem mais grácil, Viver não tem segredos, faça-o fácil... Marcos Loures
5
Os astros perderei sem ter saudades No destino feroz que sempre espero. Os olhos embaçados veleidades Amor que já penei desconsidero.
Andávamos distantes suavidades Os medos onde fomos, onde impero, Nas cândidas manhãs são claridades. Salamandra disforme, regenero...
As velhas carpideiras dos astrais, Passeiam luminosas agourentas... As bocas das estrelas, canibais,
Flechando meu futuro não reluzem. Noturnas serenatas passam lentas, Ao pélago, teus olhos, me conduzem... Marcos Loures
6
Os ares venenosos das vinganças Espalham-se em searas mais diversas, Os olhos lacrimejam esperanças Heranças de outras eras tão perversas.
Enquanto em fantasias ora versas Refúgios quando os tem, meras lembranças Dos dias em que as luzes que dispersas Encontram do passado vãs andanças.
Do corpo que apodrece, larvas tantas, Imagem tenebrosa em noite pálida, Porém virá depois rara crisálida
E delas borboletas em que encantas O claro amanhecer em luz solar, Voando em liberdade ganhando ar... Marcos Loures
7
Os anjos que me beijam, compassivos; Nas trevas e tabernas, tabernáculos... Nas horas, orações, hordas, oráculos... Deitados, languidez, os faz lascivos...
Os anjos, com seus seios, meus cativos... Eu tento novo intento, seus tentáculos! Eu espero espreitando os espetáculos. Carinhos, meus caminhos decisivos.
Os anjos se guardando para a festa, Idílio, novo exílio, quero a fresta Por onde todo amparo faz-se trágico.
Os anjos penetrando os sentimentos, São banjos, seus arranjos, meus momentos. Encantos de esperança, canto mágico!
8
Os anjos enviados por Javé Para Sodoma, terra de pecados Chegando a Ló, um puro homem de fé Tão logo para outrem; anunciados.
Quiseram sodomitas relações, Causando aos pobres anjos tal pavor, No fogo de terríveis explosões Pesando firme a mão do Vingador,
Poupando tão somente o pio Ló, Transformando a cidade em simples pó, Ceifada por total iniqüidade,
Apenas a mulher de Ló, venal, Destruída em estatua feita em sal Pagando por seu mal: curiosidade...
9
Os anjos do passado me rondando, Nas asas entreabertas, os sinais Penumbras adentro os meus umbrais, Castelos, fantasias, desabando..
Por mais que um vento venha quase brando Os olhos destes anjos canibais Esgares demoníacos, letais Sombrias criaturas me sondando...
Eflúvios que se emanam dos demônios Desordem absoluta em meus neurônios Convulsas gargalhadas, agonia...
Arrancam os meus olhos e em cada unha Além do que eu quisera e não supunha No cérebro sarcástica ironia... Marcos Loures
10
Os amores gentis procuram lumes Nos olhos mais sinceros que se acendem. Tal qual todas as flores e perfumes Que em tua bela tez já se recendem.
E todos meus desejos sequiosos Procuram em teu corpo uma candura. Sabendo que teus olhos luminosos Irradiam as formas da ventura...
Nos céus que me promete, minha amada; No colo em que busquei delírio e gosto. Da força que me traz doce cilada, Beleza formidável do teu rosto....
Nestes amores nossos, tão gentis, Por certo encontro um fim: ser mais feliz
11
Os abutres preparam a ninhada A fim de eternizar a confraria Num jogo feito em carta demarcada, Eternidade segue a cada dia
Na pútrida canalha demonstrada Nas novas eleições a velha orgia. A chaga cada vez aprofundada, Poder; tenho certeza que vicia...
Espalham o deserto sobre a terra, De amores, amizades e esperanças. O quando do vazio assim se encerra
No peito dos abutres tão gulosos, Comendo das gentalhas as crianças, E o corpo dos que sobram; andrajosos...
12
Orvalho que bebi nesta manhã, Roubado desta relva tão macia... Forjado em teu desejo, nosso afã, Tragando meu prazer, minha sangria...
Nos cálices noturnos, me inebrio, No vinho tinto, mato minha sede. Penetro tantas locas, aqueço o frio, Mergulho de cabeça em tua rede...
Aos poucos despetalo e te desperto, Desnudo mansamente, cada toque. Deitando em teu deserto, estou tão perto Amor te quero inteira, sem estoque...
Depois adormecer, no nosso quarto, Tão cansado, esgotado, louco e farto...
13
Orvalho beija flor de manhã cedo Deixando um colibri mais enciumado, Vadia; a rosa entrega sem segredo O cofre de seu gozo arreganhado.
Abelha que chegou entra no enredo Bacante, o roseiral belo e safado, Não tem sequer juízo e não tem medo Se mostra numa orgia, deslumbrado.
E néctares voando pelo vento Que ao ver tanta alegria também quer A rosa topa tudo o que vier,
Sorrindo se abre toda e sem lamento, Se deixa carregar na correnteza Com pose de rainha ou de princesa...
14
Orvalhada manhã, um vento tão suave. O sol emoldurando esta cena fantástica. A mão de um deus artista, a cena, bela plástica. Meu coração amante a bordo desta nave...
Um passarinho livre, uma apaixonante ave, No trilho desta luz minha alma fica estática. Vento em minha narina, uma essência aromática Num átimo embriaga. A vida sem entrave...
Delícia desta paz, é tudo que preciso. No orvalho da manhã, decerto, o paraíso. Na maciez do canto, um sonho de pelúcia...
Um beijo da alvorada, o coração desmaia... Debaixo deste sol, a onda em minha praia, Amor tão transbordante: a luz que me traz Lúcia... Marcos Loures
15
Orquídeas e bromélias no jardim, Hortências entre crótons e dracenas, As flores representam para mim Paisagens deslumbrantes, belas cenas.
Mil cores; violeta, carmesim, Em plena florescência mil verbenas Cactáceas e crisântemos... Assim As tardes se tornando mais amenas.
Por entre rosas, dálias, nos florais, Momentos que seriam divinais Houvesse primavera no meu peito,
Porém se estás distante; solidão, Nublando a mais sublime floração, Agrisalhado sigo, insatisfeito...
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Orquestro uma sonata sob luar Às margens deste mar incandescente Formado pelo amor que vem da gente E que jamais termina de minar.
Percorro tua carne e devagar Clamando por desejo inconseqüente Vibrando em sensação audaz e quente Sentindo o coração descompassar.
Atado no teu corpo em laço firme, Não sei se vou sequer sobreviver. Por isso é que te peço: reafirme
O que tu sentes, bela e doce amada. Tomando com firmeza este meu ser Que sem amor não vive, não é nada... Marcos Loures
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Orgulho não sustenta o caminheiro, Tampouco uma mentira nos dá base E o tempo que se escorre tão ligeiro Não tendo quem contenha nem atrase.
Contando a minha vida no ponteiro Das horas do relógio, cada fase Aguarda novamente outro janeiro Sem nada que sustente ou que me embase.
O chão vai se partindo, e num mergulho, Encontro tão somente pedregulho, Orgulho não serviu de quase nada...
E assim após a curva do caminho, Eu sei que continuo enfim sozinho, Comendo o pó, poeira desta estrada...
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Orgástica emoção que assim se entorna Tornando a nossa fonte incandescente. Ateia fogo à noite; outrora morna, A fome de prazer é sempre urgente.
No passo assim jamais cadenciado A vida em vai e vem, redemoinho, O dia que em delírio anunciado Expõe a divindade do carinho.
Convulsas expressões de gozo e riso, Fantástica explosão que nos domina, Decerto quem conhece o paraíso Não cansa de beber da insana mina
Vertendo sobre nós, farta delícia, Na boca que sorri, santa malícia... Marcos Loures
19
Orgasmos e delícias, gozo pleno No corpo desta deusa mais sacana, O fogo do desejo é doce aceno Molhando intensamente a bela cana
Recebes meu baralho em tua cota Balanças; esfaimada, teus quadris Semente que plantamos logo brota Deixando a nossa vida mais feliz;
A boca deslizando qual cometa Percebe o paraíso e vai sedenta. Roçando com vontade esta porpeta Penetra e vai contínua, forte e lenta
Até que em espasmódica emoção À gruta vem chegando inundação...
20
Ordena, o meu destino, que te siga Por tantos universos quanto existam. Cantando nos meus versos, minha amiga, Que os medos de menino não resistam.
O fado de ser teu, já me condena Feliz alegoria da esperança. Maravilhosamente quero a pena, Que é feita toda em paz e em temperança.
Olhar que já te alcança de saída, Na dança da alegria a que se expõe Por mais que te pareça destruída, A paz no teu sorriso recompõe
No passo mais preciso que persigo, Quem dera meu amor, viver contigo!
21
Oráculos prevejam nossa sorte Se vimos ou não temos solução Servimos com certeza de suporte Ao forte vendaval desta paixão.
Não deixe que a tristeza nos aborte Parindo esta maldita solidão. Obrando com desejo bem mais forte Osculo tua boca tentação.
Escusos os caminhos que seguira Sentira tão somente o vento frio, Amor que me aquecera feito pira
Expira e vai deixando este vazio. O mundo que em verdade sempre gira, Às vezes ilumina ou vai sombrio.
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Oposto do que outrora quis verdade Não vejo o meu retrato em teu espelho. Canalha se vestindo de vermelho No fundo, um impostor sem qualidade.
A fome tagarela que degrade Não ouve e nem conhece algum conselho, Metendo seu nariz e seu bedelho Jamais conheceria a liberdade.
Usando da mentira e da falácia, Sua alma vagabunda, uma crustácea Vivendo neste podre e ledo mangue
Expõe-se caricato, garatuja, Tal criatura fétida e tão suja Decerto morrerá sozinha e exangue...
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Opalescente lua que chegou Trazendo no seu bojo o meu passado, O que de tanto amor pouco restou Caminha, quase um peso, do meu lado.
Não quero descobrir nem mais se eu sou A sombra do que tive, amargo fado. Por isso é que pesando tanto eu vou Buscar o que sobrou, restos e enfado.
Estendo cada olhar pela amplidão Talvez, quem sabe, um rastro de teus pés. Na frágil esperança, solidão,
Repete que não vens, mas eu te aguardo O amor que acorrentaste, vis galés, Semeia no meu peito, abrolho e cardo... Marcos Loures
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Opalescente amor jóia tão rara Que nunca poderei me desfazer... Silenciosamente a vida é cara, Nos meus sonhos, jamais irei perder
A mansa praia; a noite, lua, clara... Demoro tantas vezes compreender Que a vida sem amor, machuca, escara... Nas mãos que me acarinham, vou morrer..
Nos sinos que se dobram de saudades, Nos olhos delicados de crianças, A jóia opalescente, liberdades,
As cores fantasias das lembranças. O grito que hoje solto, tempestades, Amor se resumindo em esperanças! Marcos Loures
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Ondulas tua língua em meu desejo Tocando com saliva cada ponto. Na profusão confusa deste beijo, Aos poucos me enlevando, fico tonto, O fim deste caminho já prevejo Chamas-me pra batalha, eis-me, estou pronto.
Depois, vou divagando em teus caminhos, E subo devagar, bocas molhadas... Tocando o mar salgado destes ninhos, As hordas invadindo, delicadas... Ao desfrutarmos juntos dos carinhos, Nas ondas deste mar convulsionadas
Deitamos descansando em plena areia Tritão apaixonado por sereia...
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-Onde vai este pobre sonhador? Tantas vezes perguntavas, sem respostas. As noites que vaguei atrás do amor Nas mesas das vontades nunca postas.
As lágrimas correndo, no pavor De ter minhas entranhas tão expostas. A vida se esvaindo sem calor, Palavras e esperanças decompostas.
Mas tendo um leve brilho de alegria, Depois deste negrume em treva e breu. Abraço com ternura a fantasia
E penso ter enfim felicidade. Coração que sem rumo se perdeu, Encontra algum consolo na amizade...
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Onde fui teu naufrágio peço ajuda. No porto abandonado desatino... A dor que te causei deixou-te muda, O medo de sofrer fez peregrino
O coração servil... Vem e me acuda Não posso permitir novo destino, Novo mar, novo porto, a vida estuda... Diante de teus olhos, eu me inclino.
Os limos, tantas cracas e corais, Morrendo simplesmente não ancoro... O sangue extravasando cada poro,
O medo de morrer, perder meu cais... Meu barco naufragado, rompe a quilha... Permita-me viver nesta tua ilha... Marcos Loures
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Onde estiveste filho tão querido? Andei te procurado por montanhas Embora eu te perceba distraído Vencemos no conjunto tantas sanhas.
A tua mãe investe na libido Querendo me vencer com suas manhas, Pensara que era assunto resolvido Mas sinto; as novidades são tamanhas.
A sorte se mostrou encurralada, Na boca esfomeada da pantera. Amor se fez distante em alvorada,
Por isso minha estrada foi diversa. No meu outono; em tua primavera Meu filho, em outro amor, outra conversa.
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Onde estava o amor? Por quanto tempo... Procurava nas noites mais sombrias, Passando por gigantes contratempos Sabendo destas noites, vagas, frias...
Estendo-te meus braços, não percebo Teus olhos escondidos nestes breus... Nos flocos de esperança não concebo Saudades doloridas, tanto adeus...
Banhado nesta argêntea, clara lua, Amor se transformou em pesadelo. Mas sinto que tu vens, bela e nua. Amor, como é difícil percebê-lo!
E deito no teu colo, minha amada, Sabendo que virás na madrugada...
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Onde estás meu amor que não te vejo, Procuro-te nos céus, até na lua, Tu és o pensamento que desejo Na cama, madrugada, amada e nua... Quando escrevo meus versos, meu amor, Empresto o sentimento mais profundo, Quero-te em cada canto, um sonhador; Busco-te até no fim de um vasto mundo. Minha amada; tem pena de quem sonha Todo o tempo querendo o que se diz; Contigo, minha vida vai risonha, Escrevo estes meus versos, sou feliz... A pena que caiu; se foi ao chão, Tem pena, meu amor, de um coração!
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Onde estão esses bondes peço o trem! Não me fujas, falsária sem fronteiras... Nas algas que naufrago peço alguém. Abutres vivem biltres brincadeiras...
Nos cortes que me deste sou acém, Nos portos que morreste, vis bandeiras... Te caço por espaços sem ninguém. As urzes deram luzes, fusos, beiras...
És pústula e postulas altos tronos. Não queres das esferas novo brilho. As hostes que enfrentei nos abandonos.
Não sabes nem talvez nem bem por certo. O que restou de ti, joguei no trilho Onde deixei meu bonde, no deserto! Marcos Loures
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Onde couber meu braço e meu desejo Estarei lá. Sou insensato traste... Canto que trago, velho mar, arquejo... O sangramento mais atroz negaste...
Nunca mais te darei sequer um beijo, O mar do não me queres navegaste O bem que me quiseste, nunca vejo... O rumo desta vida: perder haste...
Mais alto canto mas jamais ouviste... Amor que não pretende morre triste. Quem pode querer sabe que não vens...
Os olhos que procuram por tambéns, Não sabem onde encontram nossos bens, Agora que não vens, já vou em riste... Marcos Loures
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Onde anda essa menina linda, pálida? Os meus olhos buscando nada encontram... Onde anda essa garota magra,esquálida? Vou perguntando a todos, não me contam...
Tua tarde chegando, linda, válida, Trazendo novos ventos que me espantam... Transmuda-se, tão bela, na crisálida Deixando para trás, tempos remontam...
Libertária terás as suas asas... Borboleta, teus olhos sonhadores, Aquecendo esse mundo, tuas brasas;
O tempo te trará prazeres, dores... Das lágrimas felizes, terás casas, Mesmas das tristes lágrimas de amores! Marcos Loures
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Ondas do mar, sereias e serpentes... As bocas se procuram, em torturas. De todo este calor que sei que sentes A vida se transborda, tantas ternuras.
Os dias tropicais, deveras quentes, Promessas de desejos e loucuras. Fazendo dos caminhos mais urgentes Um mar em descaminhos e tonturas...
Nas grutas onde escondes teu tesouro, As águas invadindo toda a praia, Sorriso diamantino, em prata, em ouro.
A lua nos cobrindo, cheia, intensa... Deitando sobre o mar, mansa desmaia, E vê o nosso amor, por recompensa...
35
Ondas deste mar Ausente de nós, Pude te encontrar Neste céu atroz
Que vence o luar Deixando sem voz, Quem tentou buscar Dos sonhos, a foz.
Volto a te perder Em meio às tempestas Farto de prazer,
Fonte de ilusão, Coração em festas Muda a direção... Marcos Loures
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Omite a direção, rouba o sentido, O Amor em sua força indescritível Provoca em nossa vida tal desnível Que ao final eu persisto combalido.
Dia após dia eu sigo distraído Amor que torna um sonho sempre crível Pois mesmo que se tenha um incabível Destino; no amor sempre concebido.
Fecunda procissão de gozos tantos, Entregue aos seus presságios sigo em frente. Na eterna sensação de uma procura.
Vencido por Amor e seus encantos, Na vida cada passo se pressente, Tramando um doce sonho em amargura... Marcos Loures
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Olímpicos senhores perguntavam Donde entre as estrelas elas vinham, Quem eram, quando amores entranhavam Quais os sublimes sonhos que continham.
Por mais que meus destinos já guiavam, Os passos vez em quando desalinham, As luzes do horizonte desnudavam Enquanto na verdade, nada tinham.
O ventre que pariu esta esperança, Fomenta a luz que em paz nos oriente O amor que tem amor onisciente
Percebe quanto é frágil a aliança Se não cevar-se em glórias o canteiro, Efêmero mordaz e passageiro... Marcos Loures
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Olhos verdes espalhados Pela plantação divina. Fecundando esses cerrados Vida bela e cristalina
Desfazendo tristes fados Uma luz se descortina Nossos cantos compensados A seca morre, ladina...
Mas os olhos que sorriram De novo podem chorar. Os belos dias que viram
Teimosos podem secar... Querem cortar olhos asas. Trazem as lenhas e brasas! Marcos Loures
39
Olhos incendiados iluminam Sentidos que renascem nos quilombos. Deveras tanto sangue em vão se minam Nos cortes penetrantes, pobres lombos...
Os gritos esvaídos me alucinam, Escadarias mostram velhos tombos, Os cheiros podridão me contaminam. No peito me enfartando, tantos trombos...
Quem dera a liberdade fosse palco Atrizes principais as esperanças... Nos sonhos, santas luzes que desfalco.
Na boca um forte grito já me invade... O podre nunca trai minhas lembranças. Tardia mas que venha a LIBERDADE! Marcos Loures
40
Olhos formosos belos luz e lume. São cores dos amores mais profanos. Das flores dos desejos teu perfume Dos sonhos e dos cantos, desenganos...
Por vezes te desejo toda nua Deitada em minha cama, tão bonita, Porém o que fazer se continua A boca em tua boca sempre agita...
Mas temo que isso seja só um tema Não seja amor tão verdadeiro assim... Trazendo a cor do amor no teu emblema A fome de te amar morre no fim...
Olhos formosos roubam sanidade Mergulho nesses olhos a saudade...
41 ] Olhos estranhos, sôfregos, abertos Ocupam neste quarto, seus espaços, No gelo que transmitem; frios aços, Indefinidas formas de desertos.
Quais fossem, distraídos, descobertos, Arranham na parede sombras, traços, Perfilam negritudes, ocos, baços, Vigiam cada sonho, estão despertos.
Maculam minha noite solitária, Acendem as tristezas, meus delírios, Apenas os amores, quais colírios
Transformam esta forma temerária. Mas sinto que persisto ledo, pária Restando ao meu cadáver, cravos, lírios...
42
Olhos esmeraldinos, bandeirantes. Nas mãos a cristalina juventude. Aurífero pendão trazem brilhantes Diamantina forma e atitude.
Qual turmalinas finges delirantes, Vermelhidão rubi, dama e quietude, Coralinas belezas mais constantes, Nos píncaros prateias, atitude...
Refaço meus caminhos velha fênix Em busca de teus seios de marfim. Na moldura descreves um belo ônix.
És a contradição do âmbar, perfumes.... És a melhor porção que guardo em mim... Responda: como não sentir ciúmes? Marcos Loures
43
Olhos distantes, mares que não tenho... Amores que passaram sem perdão. Os ventos, as procelas, meu empenho Em tentar conquistar teu coração,
Está tudo tão longe... De onde eu venho, De terras mais longínquas, d’outro chão , Saudade de tudo me fecha o cenho Causando no meu peito uma erupção...
Fomos felizes? Certo que fugiste E levaste contigo as esperanças Deixando aqui um homem morto, triste.
Por onde andas, pergunto ao velho mar... Saudade desses tempos, nossas danças... Ah! Fabíola, Fabíola! Onde buscar?
44
Olhava-te... Tão bela deusa pálida... Na aldeia morta, triste sem sentido. Meus braços procurando-te, estás cálida, Deitada, mal percebes... Duvido
Que tenhas tantas luzes nos teus sonhos... Os dias que virão trarão castelos... As mãos calejarão-se nos rastelos Quem dera acreditar dias risonhos!
Mas dormes, não consigo te esquecer... Nas tuas transparências nem me notas. Como, meu Deus, irei sobreviver...
Belos seios demonstra teu vestido... Nossos mundos diversos, outras rotas... Quem dera não tivesse conhecido!!!! Marcos Loures
45
Olhaste nos meus olhos, triste adeus... Sabia que isso um dia chegaria... Perdendo todo o rumo, sigo os breus. Se nada mais me importa; uma alegria?
Mal pude imaginar que fosse agora, Pensava que podia amanhecer... Me agarro nos teus pés. A dor aflora. Vontade de sair e te esquecer...
Mas nada que farei, tenho a certeza, De novo me trará felicidade. Envolto nesta névoa de tristeza Arrasto minha vida, sem vontade...
Quem por vezes maldiz, não te esqueceu, Demonstro desse jeito: inda sou teu!
46
Olhares no futuro em paz, eu boto E vejo o dia claro que vem vindo. O vento feito em brisa, agora eu noto, Amor faz este mundo ser tão lindo.
A fonte do prazer jamais esgoto E sinto o belo sol que vem surgindo, Depois de um tempo amargo, ora remoto, O medo de viver vai se extinguindo.
O quanto sou feliz contigo, amor, Não cabe em meus versos descrever, O bom da vida mostra o seu valor
Em forma de alegria e de prazer. Um novo mundo eu vejo recompor Tramando um belo e raro amanhecer. Marcos Loures
47
Olhares mais diversos te procuram; Descendo pela rua vejo os rostos Sequiosos, na verdade me torturam, Desejos neles sinto vão expostos.
No amor insanamente vou perdido E sinto tantas sombras te rondando, Embora em cada passo decidido, O fogo da paixão me maltratando...
Mergulho em plena noite e desço a rua Miragens desenhadas neste muro. Minha alma sem limites já flutua A queda com certeza num chão duro
Talvez seja meu último tormento Fim deste angustiante sentimento...
Marcos Loures
48
Olhar vidrado em ti, amor insano, Dos lábios roubo o gozo da alegria. Pululam esperanças quando explano O todo que do pouco bendizia.
Nas leis que foram dadas, saberia Sentir além do medo soberano. Mal vejo quanto tenho em harmonia Deitando em tua cama em ledo engano.
A par do que perdi há tanto tempo, Eu veja algo depois de um passatempo No qual não mergulhamos; temerosos.
Por isso e mesmo assim, irei sofrer, Pois quero muito além que um bom prazer, Gemidos e suspiro estridulosos... Marcos Loures
49
Olhar tão solitário é mais cruel A vida sem amor perdendo o lastro, Meu verso vasculhando, ganha o céu, Procura por pegadas, cada rastro
Deixado pelos passos de um corcel Nos seios da mulher, puro alabastro, Os olhos descortinam claro véu, Quem dera se eu pudesse ser um astro
Ganhando a eternidade em manso beijo, Num mundo mais gentil que em ti prevejo Uma alegria imensa como lei.
Depois de tanto tempo, assim vazio A senda sempre flórea, agora eu crio Conforme nos meus sonhos, procurei... Marcos Loures
12050
Olhar que, pelo amor, abençoado, Na sorte em que meu peito já se ufana Mudando qual farol, a sina e o fado Além do que sonhara e não se engana
Um coração por ti apaixonado, Rainha dos meus sonhos, soberana. Meu verso enamorado agora explana O quanto em nosso amor sigo encantado.
Teus passos com certeza edificaram Os rumos que meus dias encontraram Nas sendas mais sublimes, maviosas.
Ao reviver assim a primavera Apascentando assim temível fera: Memórias de outros tempos, gloriosas. Marcos Loures
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Olhar que seduzindo, diz amor Espalha a claridade pela casa, E enquanto este farol divino abrasa Entrego-me sem medo a teu dispor.
Queria, na verdade, te propor Que a vida não demora e não se atrasa, O amor não é vendido no CEASA Embora frutifique com calor.
Floresce na manhã e reproduz Deliciosamente riso e pranto, E se prossegue assim sem dar quebranto
Garante, ao fim do túnel, plena luz. Semeio com carinho, aguando o solo, Deitando toda noite no teu colo...
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Olhar que se reflete aumenta, zoom; Espelha tão somente o quanto eu quero, Não tendo mais problema quase algum, Nos seios de quem amo me tempero.
Nas delicadas formas da ilusão, Mulher que me enfeitiça e me domina. Crivado pela insânia, em emoção Descubro do tesouro gruta e mina.
Percorro os labirintos, bebo a fonte, Avanço por caminhos mais diversos, Na convulsão percebo um horizonte Além do que pensavam tolos versos.
Algemas e delírios, bocas, dentes, Tortura a nos domar entre correntes... Marcos Loures
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Olhar que reconheço em multidões Aplausos emotivos; mais fecundo O sentimento enorme das paixões, Que ganham num momento todo o mundo, Envoltas nestas tramas, seduções Perfazem alegria em mar profundo.
Meu coração servindo de morada, Sentindo este bafejo a palpitar, Portando a noite imensa que, encantada, Já traz a fantasia a se aflorar, A quem outrora a vida trouxe o nada, Amor em plenitude, devagar
Estremecendo em paz, calando o pranto Abrandando o meu peito, um puro encanto...
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Olhar que denuncia o bem querer, Assim meio de banda, de soslaio, No olhar eu tantas vezes já me traio E mostro muito além, sem perceber...
Às vezes num momento possa crer Que um músculo qualquer, assim contraio, Mas na cilada, amor, eu logo caio, Demonstro sem ao menos poder ver...
Eu quero o teu amor. Isso eu não nego. Nem posso mais negar, eis a verdade, Se em teu olhar, amada eu fico cego,
E perco todo o rumo. O que falar? Se nos teus olhos tenho a claridade Que emana toda vez que vou te olhar... Marcos Loures
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Olhar quando fitando pega fogo Trazendo no final a garantia Da fome que matando já vicia E vence qualquer trama, qualquer jogo.
No quanto nos teus braços eu me afogo Sem rogo sem modéstia todo dia. A boca se alucina na sangria Que eu quero desde sempre e desde logo.
Se abala e se rebola venha assim Que a gente sem juízo até o fim Não deixa esta peteca vir ao solo.
Roçando a tua coxa com meus dedos, Avanço até saber dos teus segredos, Nas doces brincadeiras no meu colo... Marcos Loures
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Olhar o meu reflexo sobre as águas, E ver a carcomida garatuja. De tanto que enfrentei temíveis mágoas, Imagem que ora vejo, amarga e suja.
Recebo, sem defesas, teu desdém, Não sabes o favor que assim me fazes. Pois quando uma esperança teima e vem, A solidão domina minhas frases.
Vagando pelas ruas, solitário, Encontro nos esgotos minha face. Que o tempo mais veloz, imploro, passe.
Viver? Ato cruel, desnecessário, Aguardo tão somente o fim da história, Concretizando enfim, minha vitória... Marcos Loures
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Olhar incendiando, mais lascivo, Em púrpuras orgias, tão sangrento. Tomando toda a vida em vão momento, Mantendo o meu desejo sempre vivo.
Sentindo este poder que é convulsivo, Tornando a minha paz, duro tormento, Num gozo mais feroz e violento, Prazer que é dolorido e aflitivo.
Com fome desdenhosa, vil serpente, Invade demoníaca, meu quarto. E a vida se transforma, de repente.
Deixando meus momentos mais amargos, Porém ao me sentir, de amores farto, Seus braços me incandescem, longos, largos...
Marcos Loures
58
Olhar fixo e distante se decora Nas trevas do vazio que me deste. Amor não pode ser tão cafajeste, Preciso renascer ou ir embora.
Quem sabe, está chegando enfim esta hora, Colhendo tão somente a fria peste Que segue cada passo e me reveste Do medo sem limites vida afora.
Um velho caminheiro busca o porto Sonhando solução quisera aborto Matando em nascedouro a triste vida.
O cais que necessito, eu não alcanço Um verme sobrevive, sem descanso Parido em uma noite distraída. Marcos Loures
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Olhar esta cidade da janela Deste quarto de hotel, vejo as estrelas. Nas luzes variadas se revela As cores que preciso sempre vê-las.
Vagando pelos bares, ruas praças, Meus olhos se encantando em tantos brilhos. Em meio a confusões, carros, fumaças, Procuro pelo amor, em tramas, trilhos...
Do Rio de Janeiro solto o grito Através da vidraça deste quarto, Na busca pelo rastro do infinito, Do sonho transtornado, vivo e farto.
No fundo do meu peito o podre fruto Do tempo que passou, em verso e luto.
Homenagem a Jards Macalé
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Olhando tua imagem, galeria, Nas portas, num vitral, numa emboscada. Reparo num segundo como és fria, A boca que me morde, escancarada...
Uma águia que devora minha cria, Depois, dissimulando a gargalhada, Deixa-me sem saber se é noite ou dia. E fico abandonado, na calçada...
Heráldica tormenta vai noblíssima, Escaras meu agreste coração... A mão que me acarinha, branca, alvíssima.
Não mostra na verdade quem tu és... Não tenho nem resquícios do perdão, Embalde me joguei ,tolo, a teus pés..
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Olhando tua imagem sorrateira Andando pela casa, ronronando... O amor acende então uma lareira E o sonho de te ter me incendiando.
E bêbado de ti que já se esgueira Ao mesmo tempo ri quase negando, E como um ritual, se entrega inteira No incêndio anunciado, jamais brando...
Brandindo o meu chicote feito em língua, Deixando-te sedenta quase à mingua Enquanto tu rastejas pela casa.
Teu gosto em minha boca permanece, E a serva que num gozo me obedece, Fazendo que não quer, delira e abrasa... Marcos Loures
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Olhando sorrateiro Teu corpo delicado, Um fogo aventureiro Se mostra deflagrado,
Sentir teu doce cheiro, Ficando do teu lado, Carinho alvissareiro Num canto enamorado.
Vestida em pele nua Beleza tão sutil, Refletes bela lua,
Meus sonho mais viril, História continua Banquete que se viu...
Marcos Loures
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Olhando para trás vejo esta imagem Da mansa criatura que perdi, Ao ver-me solitário, sei de ti, Distante e raro oásis; u’a miragem...
Meu barco procurando uma ancoragem, Não vê mais qualquer porto, lá e aqui, Destino em mar revolto, pois cumpri, Vivendo, da alegria, sempre à margem.
Quem dera se eu pudesse ainda ver Teu corpo desfilando pela sala. Minha alma destroçada então se cala,
E morre a cada dia em desprazer. Passado que retorna num nuance, A vida não dará mais outra chance...
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Olhando para os olhos do planeta Eu vejo refletida uma injustiça. Amor já se perdeu em rumo e seta, Sobrando tão somente esta cobiça.
Há tempos quando um rastro de cometa Mostrou a toda gente a paz noviça, Um Deus se transformando em um poeta Nasceu em plena areia movediça.
Na data deste nascimento nobre Vendida a peso de ouro se descobre O quanto não souberam Te entender.
Um velho em barbas brancas e risonho, Comercializando assim Teu sonho Já pôs Tua missão a se perder...
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Olhando para os lírios, percebi Que a vida nos trará farta beleza, E mesmo que vazia, a nossa mesa, Resposta que tu queres ‘stá em ti.
Os velhos descaminhos que venci Permitem que se encontre esta surpresa Nos olhos de quem ama, com certeza, Encantos sem igual, querida, eu vi.
As aves pelos céus, seguindo em bando, Caminhos mais perfeitos encontrando Permitem que se creia no futuro.
Não deixe a tempestade te assustar, Bonança vem chegando, invade o ar O brilho sobrepõe-se sobre escuro... Marcos Loures
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Olhando para o espelho, em cada ruga Existe uma lembrança do que fui. O velho coração ainda intui Usando da esperança como fuga.
O tempo que; execrável, tudo suga A roupa da ilusão, deveras pui, Minha alma de outros sonhos já me imbui A luz da juventude não se aluga...
E quando a miserável mocidade Partindo para o nunca; nega o sonho, Volvendo o meu olhar, me recomponho
Por mais que a realidade desagrade, Meu verso, molecote sem juízo, Tingindo o coração, mata o granizo...
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Olhando para o céu, enamorado, Vislumbro nas estrelas teu enlevo, E sigo a cada dia deslumbrado Sabendo que feliz, contigo, devo...
Sorriso de menina, mulher bela, Esculturada em mármor de Carrara, Pintada em genial e rara tela Uma perla marinha, jóia rara.
Teu rosto de beleza intensa, grácil, As mãos alabastrinas seda pura, Sereia que me encanta, linda, frágil, Endeuso teu olhar, tua figura
E saio a procurar-te, nos astrais, Teus rastros que vasculho, siderais...
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Olhando para o céu eu imagino Os olhos tão felizes da criança Que sempre procurei em meu destino Mas vive assim somente na esperança...
Criança que jamais por certo tive Brincando na ante sala do meu sonho. De amores esquecidos sobrevive Apenas na esperança que proponho...
Estrela, por favor, cadê meu filho? Responda, não se cale por favor... Me diz aonde encontrarei seu trilho Irei ao teu encontro, meu amor...
O nosso amor, estrela, não resiste Assim qual nosso filho: não existe...
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Olhando para o abismo em que mergulho A velha poesia que me cobre, Talvez ainda possa ter orgulho, Porém meu coração se fez em cobre.
Minha alma feita pária crê no entulho Que a cada novo dia me recobre, Recolho então o espinho e o pedregulho Que um dia pensei raro, farto e nobre.
De tudo o que já fiz; nada resiste Ao meu olhar estúpido e tão triste, Tentando ver além deste abissal
Caminho que percorro se não vens, Com teu buril tu moldas claros bens; Louvemos, pois da Terra o eterno Sal...
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Olhando para estrelas Vislumbro o teu olhar As noites são tão belas Contigo a me embalar
Delícia poder vê-las Refletem sem parar Amor que tu revelas, Na lua a se banhar.
Tua nudez provoca Meus olhos sonhadores, O meu amor se enfoca
No brilho dos amores, Beijando a tua boca, Estrelas viram flores... Marcos Loures
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Olhando para dentro de minha alma Encontro tão somente o teu retrato, Presença que me toca enquanto acalma, No amor que é muito além, ao qual sou grato.
Durante tanto tempo, tolo trauma, Quebrei das esperanças cada prato, Do mar em tempestade agora a calma Tornou realidade o que era abstrato.
Fazer de tua imagem o alimento Que possa saciar meu coração, Na mão tão carinhosa, o meu ungüento
Sanando qualquer dor que a vida traga, Mudando em calmaria a direção Numa explosão que doma enquanto afaga... Marcos Loures
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Olhando para as trilhas que passei Enfrento minhas sombras, duros rastros, Quando o meu ser, em vão, eu vasculhei, Perdi sem ter remédios, os meus lastros.
Decerto que hoje sei que nada sei, Apenas refleti antigos astros, Palavras sem sentido, quando usei, Meu pavilhão atado em podres mastros.
Estúpidos, meus versos soam falsos, São ecos de fantasmas, cadafalsos, Masmorras da esperança, tão somente.
Quando em amizade, me socorres Não vês que ao mesmo tempo em que tu morres, Renasço dos escombros, novamente... Marcos Loures
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Olhando para as nuvens tão mutáveis, Relembro dos meus sonhos, todos vãos. Palavras que trocamos, mesmo amáveis, Abortam neste solo nossos grãos.
Ao vermos nossos céus inalcançáveis Erramos pelas nossas próprias mãos. E os dias transcorrendo intermináveis, Ouvindo por resposta sempre nãos.
Aprendemos lições, eu te garanto, O amor não é decerto, brincadeira, Por mais que inda na verdade inda te queira,
É necessário enfim secar meu pranto Quem sabe num sorriso a gente possa, Reviver esta história que foi nossa... Marcos Loures
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OLHANDO PARA AS NUVENS IMAGINO TEU ROSTO REFLETINDO UM RARO BRILHO. LEMBRANÇA QUE ME TOMA E NÃO DOMINO, MUDANDO MINHA SORTE EM OUTRO TRILHO.
OUTRORA, DA ESPERANÇA UM ANDARILHO TOCADO PELAS GARRAS DO DESTINO APENAS TÃO SOMENTE UM EMPECILHO NUM CORTE MAIS PROFUNDO, AUDAZ E FINO
AS LÁGRIMAS ESCORREM NO MEU ROSTO, NUMA CHUVA CONSTANTE, SEM DAR TRÉGUAS, DISTANTE DE TEU CORPO, TANTAS LÉGUAS,
O CORAÇÃO SANGRANTE SEGUE EXPOSTO, NAS ÁGUAS, EM TORRENTE, INUNDAÇÃO, MATANDO POUCO A POUCO ESTA ILUSÃO.
12075
Olhando para as flores no jardim Eu lembro-me de ti, flor amorosa. Perfume deslumbrante qual de rosa Tudo aromatizando dentro em mim.
Na rubra sensação do carmesim Vontade de te ter deliciosa. Paixão que nos tomou voluptuosa, Recende a brejeirice do alecrim.
Amar-te é decifrar felicidade, Por certo te amarei por toda a vida. Distante de teus olhos, a saudade
Se faz sempre mais forte e dolorida. Contigo eu encontrei prosperidade. Pras dores de minha alma, uma saída...
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Olhando para a rosa na janela Relembro cada sonho de um menino Nas rosas multicores, aquarela, As flores matizando meu destino
Percebo; em cada rosa, um beijo teu; Carinhos e carícias sem ter fim. O sonho do menino já venceu E vive bem mais forte dentro em mim.
Poder dizer: eu te amo! Maravilhas Que a vida me mostrou ser mais possível. As rosas perfumando minhas trilhas
Fazendo de meus dias, os canteiros Aonde percebi o aroma incrível De amores tão gentis e verdadeiros... Marcos Loures
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Olhando para a frente e sem ter medo, Busquei o meu lugar, eis a razão Do canto que hoje trago em emoção Mostrando a todo mundo o meu segredo.
Não tendo quase apoio, desde cedo Jurara vencer vento e turbilhão, Fazendo dum amor o meu refrão A vida transformou seu velho enredo.
Cantando o bem de amar, eu não me canso No colo da morena o meu descanso Inspira novamente, eu te garanto.
Desculpe se hoje trago aberto o peito Exijo simplesmente o teu respeito A quem sossega em paz, a dor e o pranto...
Marcos Loures
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Olhando para a foto sobre a mesa Recordo-me de tudo o que vivemos. O amor que nos faz caça, nos faz presa Do barco da existência toma os remos.
O quanto fui feliz e não sabia, Numa canção ungida de esperança Clareia o coração, traz novo dia, E a ventania aos poucos nos alcança;
Seria muito bom se fosse assim, Poder domar a fera coração. Porém já nem sei mais se sei de mim, Por onde seguirei; qual direção...
Apenas te dizer quanto eu te quero, Um sentimento amável, porém fero...
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Olhando para a cara simplesmente Não posso falar sobre o coração, Por mais que muitas vezes tola gente Valoriza somente uma feição.
Eu sei que sou horrendo, mas contente Trazendo no meu peito uma afeição, Não ligue pro que eu digo, não esquente, O amor mais verdadeiro é sem cifrão.
Refaço o meu caminho quando em erro, Não tramo simplesmente algum aterro, Revendo os meus defeitos, me conserto.
Por mais que a gente tente ser correto Quem vence muitas vezes fica quieto, O amor supera em paz, qualquer aperto... Marcos Loures
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Olhando para a cama ora vazia Tu buscas o que um dia foi tão teu. Amor que em tantas luzes se perdeu Expressa o que tão pouco ainda havia...
Espalhas no caminho, poesia, Distante do que o sonho concebeu, A fonte em amargura se embebeu, Causando em ti, querida, esta sangria...
Mas saiba que depois do pesadelo O vento ao afagar o teu cabelo Num doce e delicado cafuné
Dirá, querida amiga, de um novo tempo, Vencendo qualquer medo ou contratempo. Mantenha, inabalável, tua fé.! Marcos Loures
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Olhando o teu retrato eu pude crer Que tudo, no final, valeu a pena. Revejo ao mesmo tempo aquela cena Imagem feita em paz, luz e prazer.
O amor já começava a acontecer Na forma mais perfeita e quase plena. A vida se mostrava tão serena, Jamais eu poderia te esquecer...
Porém a chuva veio, o vendaval E tudo o que era claro se nublou. Castelo dos meus sonhos desabou,
Sem porto, num naufrágio, foi-se nau. Como um sinal dorido da verdade, Ao ver a tua foto... que saudade...
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Olhando o teu angélico semblante Percebo de onde vem todo o veneno, Que mata e acaricia ao mesmo instante Com fúria e com carinho em louco aceno.
Se eu fosse ou se eu pudesse ser amante Talvez não mais mordesse, em gozo ameno Viria me lamber. Interessante Saber que nada sei, nem concateno.
Mas quase me enganaste mesmo assim. Beijando a tua boca me espelhei E vi no teu olhar, o quanto em mim
Amar e maltratar se torna a lei Enquanto esta lambida carmesim, É quase o mesmo mote que eu usei...
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Olhando o que pensei ser teu retrato, Não pude perceber quanto é vazia A vida sem ter sonho ou fantasia. Comamos deste imenso e grande prato
E mesmo que o futuro seja ingrato, Um novo amanhecer, o sonho cria, Matando a noite triste, amarga e fria, Dizendo deste amor, nosso contrato.
Abraço os teus momentos, pois são meus, Não quero nem ouvir falar de adeus, Por isso vamos juntos, custa nada...
Se a gente perceber real valor Que traz em nossa vida o bem do amor, Manhã será mais bela, ensolarada... Marcos Loures
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Olhando o que passei, eu já percebo Os erros cometidos, meus acertos, O vento da saudade que recebo Não deixa meus caminhos mais desertos.
Na vida procurei a liberdade, Às vezes sofrimentos, como paga, Quem dera se existisse eternidade! A morte; sinto agora, já me afaga.
Mas peço numa prece ao Meu Bom Deus Que me permita ao menos um olhar Que possa iluminar os dias meus Num derradeiro lume a me banhar.
E vejo nesta escada, minha vida, O quanto é duro estar já de partida...
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Olhando o negativo desta foto Que tantas vezes serve como guia, O amor quando se mostra mais remoto Aguça, com certeza a poesia.
E quando em outros braços, sonhos broto Eu tento disfarçar esta agonia. Enquanto tu galopas eu mal troto Matando esta esperança/montaria.
Verdade é que inda somos sonhadores E mesmo coletando antigas dores, Juízo nunca tive nem terei.
Enlutado rasguei esta mortalha, Estrelas coração louco amealha E faz da fantasia a sua grei... Marcos Loures
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Olhando o meu passado é que percebo O quanto foi inútil caminhar. Medonhas ilusões. Já não concebo Um dia em que eu pudesse vislumbrar
Além de simplesmente este vazio, No qual eu mergulhei, há tanto tempo. O amor que tantas vezes fantasio, Não passa de um tormento em contratempo.
Eu sigo desatento e nada vejo, Um andarilho errante, sem destino, Tocado pelo algoz, cruel desejo, Um velho desdenhoso e tão ladino
Que em plena tempestade açoda o vento, Tornando insuportável meu tormento... Marcos Loures
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Olhando nos teus olhos, nada falo, Apenas sinto a força deste amor Que vive e não permite mais abalo Nas suas bases sólidas. Do ardor
Que sinto vou fazendo meu regalo Formado desta forma, encantador No sentimento imenso, sempre amá-lo; Amor que é desta vida, o condutor...
Não preciso falar, somente sinto... Ah! Querida, vivemos; completamos A tela sensual onde nos tinto
Com toda esta certeza mais dileta. É certo pois, da forma que esperamos Amor que nos tomou e nos completa...
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Olhando nos teus olhos vejo os meus Espelhos de minha alma sofredora, Por isso eu necessito desde agora Que esqueças; eu te peço, um novo adeus.
O amor que tanto espero e peço a Deus, A cada novo dia revigora A força que nos toma e não demora Espalha suas luzes pelos céus...
Tu sabes quantas vezes andei só, Somente a solidão por companheira, Eu peço neste instante, tenha dó
De quem te procurou a vida inteira. Não deixe que se perca em fumo e pó, Paixão que tu bem sabes, verdadeira... Marcos Loures
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Olhando nos espelhos meus reflexos Caleidoscópios vários, mil mosaicos. Palavras e sentidos desconexos, Momentos torporosos e prosaicos.
Na enorme vastidão do que talvez Melhor já represente o que restou. Daquilo que a verdade já desfez, E em tempos tão diversos não brotou.
Mergulho nesta imagem refletida E não encontro nada; volto a ser, O vento que disperso, diz a vida, Que um dia de outra forma pude ver.
Repito a mesma cena e nada tendo, O quando que não fui; sei e desvendo...
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Olhando meu passado, hoje percebo. Como pude mudar tão de repente? Não posso nem pensar como concebo, Quem fora mais feliz, vai simplesmente...
A morte bafejando me desmente, Quem outrora já fora bel mancebo, A pele se desmancha, um velho sebo. Jogado às traças, morte está presente...
Não quero decifrar nenhuma esfinge. Parábolas criadas não as temo. A boca que hoje beijo, mente, finge.
Meu barco naufragado não tem remo... A dor de não saber já vem, me atinge... Com medo de morrer, então eu tremo!
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Olhando meu futuro e meu passado,
Percebo que passei pela metade
Do tempo que julgara programado,
Distante da longínqua mocidade...
Por Deus tantas vezes contemplado,
Parece que escutei: felicidade,
Amei demais também fui muito amado,
Mas creia, disso não tenho saudade...
Só tenho uma saudade do que não
Vivi e nunca mais irei viver.
Fechando esta porteira-coração,
Meu verso nunca foi assim tão franco,
O que deixei passar e pude ter;
Nos meus cabelos, cada fio branco...
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Olhando mansamente para ti, Percebo a silhueta mais perfeita, Enquanto o meu olhar já se deleita Encontro o que buscara, o que pedi.
No gozo deste sonho, percebi Minha alma num momento satisfeita, Pedindo para ser por ti aceita Mistérios de um amor: estás aqui
Bebendo em minha boca, a tentação Que forra com estrelas, barracão, Num canto inesquecível, serenata.
No amor que tantas vezes, eu bem quis, O sonho de saber o ser feliz Num átimo nos toma e enfim, nos ata... Marcos Loures
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Olhando este retrato que é decerto, Fiel fotografia de minha alma, Bem melhor observá-lo mais de perto, Verás por que carrego tanto trauma.
Sou feio e bexiguento, mas mereço Talvez além de pena algum afago. Um bêbado sabendo do tropeço Sozinho em noite escura, sempre vago.
Não posso nem pretendo ser galã, Apenas um velhaco, um trovador, Fazendo da esperança o meu afã, A minha tarde é sempre furta-cor.
Após aborto feito na tormenta Deixou crescer, com pena, uma placenta...
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Olhando esta paisagem sedutora Da bela camponesa em minha cama, Do gosto desta boca promissora Acendo meu pavio, a noite inflama...
Eu quero semear em cada cova Esta semente louca do desejo, A vida noutra vida se renova Renovo minha vida em cada beijo...
Eu quero arar o campo que ofereces Com mãos macias sempre delicadas, E nas colheitas todas tecer preces; Orvalhos de prazer plantas granadas...
Polinizar as flores, primavera; Na lavra deste amor: Ah! Quem me dera...
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Olhando essas estrelas, imagino, Aonde se escondeu o meu amor. O tempo se passou. Já fui menino... Quem dera meu passado recompor...
Mudar a rota toda do destino, Poder ver novamente aquela flor Que um dia me deixou em desatino Perfume tão suave e sedutor...
Meus versos vão buscando nesta estrela Um sonho que jamais poderei ter. Uma esperança viva... poder vê-la...
Um gosto de saudade me tomando. Minha alma vai pedindo pra esquecer... E pego-me, sem nexo, assim, te amando...
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Olhando devagar esta bundinha, Aonde meu desejo conduzia, Encontro bem raspada a bucetinha Meu dedo e minha língua já metia,
Mulher tão delicada, assim putinha, Com meu caralho em brasa eu te fudia, Teu rabo, bem safada ali se erguia Mostrando com vontade esta grutinha.
Meu pau, depois da foda ela chupava, O saco, com vontade ia lambendo, Punheta com tesão ela tocava,
Até que em gozo a porra derramava Na boca mais gostosa recebendo O líquido salgado, quente em lava...
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Olhando desde o vale, quer o cume, Sem asas pra voar, fazer o quê? Aumente deste sonho o seu volume Depois eu te procuro, mas cadê?
Torturas em goteiras são terríveis. Mentiras disfarçando o que perdi. Aqueles que pensaram invencíveis Há muito já se foram. Nada aqui.
A quilo não se compra e nem se vende Amor que tantas vezes- tonelada. A roupa no varal quando se estende Recebe como brinde só geada.
Do quanto desejei raros tesouros, Apenas recebi os maus agouros... Marcos Loures
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Olhando da janela, pela fresta Eu vejo uma nudez maravilhosa, O coração dispara e faz a festa Enquanto a lua desce, caprichosa...
Meus dias por teus raios são guiados, Além do que decerto já pensavam Sorrisos mais felizes, encontrados, Contigo meus caminhos se mostravam
Serenos, sem espinhos, mais abertos Cevando as esperanças tão vorazes Deixando para trás, duros desertos Encontro em nosso amor o bem que trazes
Vencendo em destemor qualquer tormento, No gozo premedito todo alento... Marcos Loures
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Olhando da janela, Carolina Menina apaixonada beija a lua, Que ausente dos desejos continua Brilhando enquanto a todos ilumina.
Não posso desvendar os seus segredos, Tampouco decifrei quais as vontades, Desde o princípio sei das veleidades Que sempre condenaram aos degredos
Os tolos sonhadores que como eu Insano trovador que se perdeu Sonhando com a lua e com a moça
Que pensa diamantes e reinados Castelos pelos anos assombrados, Moldando este retrato em alva louça...
12100
Olhando as estrelas Mulheres diversas, É bom poder vê-las Em bando ou dispersas, Talvez ao retê-las Mudando as conversas,
Os corpos celestes Vagado infinito Belezas em vestes Um sonho bonito, Amor quando investes O vazio eu fito
Olhar vai a esmo. Buscando a mim mesmo.
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