
MEUS SONETOS VOLUME 120
Data 28/12/2010 14:15:54 | Tópico: Sonetos
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1
O teu abraço aquece o coração De quem deseja tanto estar contigo, Encontro no teu braço o meu abrigo E nele, com certeza a proteção...
Por vezes, tão cansado desta lida, Querendo algum remanso, simplesmente, Ou mesmo quando estou triste e descrente Pensando não saber mais a saída
Aqueces minhas noites vagas, frias, Nas mãos que com destreza tu me guias Certeza de saber do ancoradouro
Aonde possa enfim ter o meu cais, Vencendo em calmaria os temporais, No amor que agora sei ser duradouro... Marcos Loures
2
O tesouro na mina procurar Sem saber se terei sorte ou desventura, Vivendo esta apreensão que me tortura Não pude os teus sinais já decifrar.
Levando a minha vida devagar, Beijando a lua feita em tal ternura, A boca se acostuma e da amargura De novo em nosso caso, irei provar.
Morena caprichosa e serelepe, Não quero ser somente um vão estepe, Preciso ter carinhos, disso eu vivo.
Se o peso em tuas costas te machuca, Um beijo tão gostoso em tua nuca Quem sabe passará pelo teu crivo...
3
O tempo vai voando, mas não flui, Retorna novamente ao marco zero. Nuvem de ilusão não se dilui, Apenas o vazio; ainda espero.
Por mais que haja futuro, não prevejo. Meus dias transcorrendo em ar tão denso. A liberdade é tudo o que desejo, E disso a cada fase eu me convenço.
Porém o que fazer se estou contido, Correntes que se ataram aos meus pés. Porvir que no passado decidido Percebe a vida apenas de viés.
Melífera esperança, sonho tolo, Semente perpetua antigo solo... Marcos Loures
4
O tempo vai tomando em breve história O sentimento algoz que maltratara Recende, num momento à dor amara Legado que ficou, pobre memória.
Quem tem uma amizade como glória Já sabe que contendo fonte cara Nos braços da amizade se antepara, Acalma a noite outrora merencória.
Amigos são bem raros, disto eu sei, São perlas que devemos cultivar Além de todo o canto, imenso mar,
Que tendo a tempestade como lei, Amigo como um porto encantador Recebe com seu braço acolhedor...
5
O tempo vai passando pressuroso, Voando, sem juízo e sem cuidado, Às vezes sem limites; desperado, Não deixa que sintamos nem o gozo.
Viver, mesmo que seja mais penoso, Precisa ter um sonho transformado Em dia mais feliz, aonde o Fado Não seja tão cruel e doloroso.
Embora; amiga minha, o dia triste, A noite poderá mudar o vento. Precisa acreditar que a sorte existe,
E temos – sim- poder para mudá-la. Quem sabe comandar seu pensamento, Por vezes nada diz, somente cala...
6
O tempo vai passando num segundo Nem sei pra aonde vou e nem por que, Rodando sem parar, num giramundo Começo a perceber: vou me perder...
Em meio a contratempos, já me caço, Não acho nem resquícios; pois quem sou? Não sei mais do meu mundo, perco espaço E nesse frenesi, pra onde vou?
Acima sei que existe um firmamento, Que dizem ser bonito, mas cadê? Não paro nem sequer um só momento, E nada.. Nem percebo o que se vê!
Algum dia talvez eu viva em paz.. Só não deixo a minha alma para trás!
7
O tempo vai passando e sem cuidados, Demonstra nos castigos; os meus erros. Rasgando as ilusões vai, aos bocados, Cortando as minhas costas, frios ferros.
Meu destino arrojado em teu destino, Secando uma nascente, mata o rio. Polui um lago outrora cristalino, Já não prossigo mais e nem confio.
Contento-me com pouco, esteja certa. Não quero nem pedidos de desculpa; A lua em negras nuvens encoberta Demonstra obscuridade em tua culpa.
Amor que se fez tonto, sem enredo, Morrendo e maltratando desde cedo.
8
O tempo vai passando e nada tento, No intento de ser livre, me perdi. O rumo que deixei seguir mais lento No fundo, me atormento e vou sem ti.
Sentindo cada vez mais o momento Do tempo que se passa e percebi Amar não é somente um bom invento Querer estar contigo estando aqui.
Mas isso nunca fez a diferença Tu sabes que te quero, e não duvida. A vida sem amor sequer compensa
Respostas eu pedi mas nada veio, No manto que te cobre nem mais creio, Apenas esperando que decida...
9
O tempo vai mudando cada face Daquilo que pensávamos eterno Depois de cada outono, o frio inverno, Um passo que se pense e que se trace.
Porém, por mais que o tempo, veloz, passe Sorriso de um amigo, calmo e terno, Liberta o coração de cada inferno E impede que este sonho já se esgarce.
A rapidez da vida não permite Viver cada momento em seu limite, Mas temos que tentar felicidade.
Os olhos no passado? Não os tenho, Nos versos que hoje faço agora eu venho Falar de um bom antídoto: amizade... Marcos Loures
11
O tempo tão voraz derruba tudo, Não deixa pedra sobre pedra... Nada... Amor que te emprestei, porém; contudo, Ainda faz a vida ser dourada...
Nesta profundidade em que me embrenho Dos sonhos que não tive e nem vivi, Aos poucos solidão fecha o meu cenho, E sinto que talvez, eu te perdi...
Mas teimo em te manter nestas ruínas Do que restou de mim, por sobre a terra, Meus olhos se elevando nas colinas Adivinhando a dor da dura guerra,
Procura por teus olhos, ansiosos, Nos sonhos deste amor, voluptuosos... Marcos Loures
12
O tempo tão somente nos dirá Se o amor que a gente sente sobrevive Aos temporais que a vida nos trará, Sabendo dos lugares onde estive
Trazendo tantas dores desde lá, Eu penso que o temor ainda vive, Mas sei que novo dia chegará, Vencendo estas tristezas que eu contive.
Sacias meus desejos plenamente, Quem sabe nosso amor por ser tão forte, Previna e cicatrize qualquer corte,
O encanto de teus olhos já pressente Um sol que mostrará felicidade, Trazendo a tão distante mocidade... Marcos Loures
13
O tempo se repleta nos amores, Diamantes de raro, intenso brilho Supera com vigor um empecilho Tramando em nossa vida, belas cores.
Recebo de teus abraços, tais alvores Fazendo da esperança um estribilho, Na senda em que me entrego enquanto trilho Decerto encontrarei divinas flores.
O anoitecer se mostra inesquecível Na lua que se dá em lume incrível Certeza deste amor abençoado.
Deitando nosso amor sem ter ressalva Na imagem desta noite imensa e alva Perceba nosso céu tão constelado
14
O tempo se esfumando pelas mãos Distante de meu bem, a tarde cai. Será que todos sonhos foram vãos? Somente este cigarro me distrai... O cheiro da aguardente me convida, O bar estando aberto, a noite passa. Não me interessa nada mais na vida, Tragando já te vejo na fumaça... Mas sei que tu virás noutra manhã, Refazendo toda a força que perdi. Tu sabes, minha vida será vã Se não vieres logo, morro aqui. Em meio a mil fantasmas e delírios Não posso mais viver estes martírios...
15
O tempo que se quis, agora passa E não deixa sequer suas pegadas, Nas noites tantas vezes transtornadas, Às vezes caçador, em muitas caça.
Do pó que fomos feitos, crua massa, As marcas das mentiras entranhadas, Eternas procissões vão decoradas No sangue e podridão que nos enlaça.
A faca que se esconde num sorriso, Expulsa qualquer ser do paraíso Jogado nas esquinas, nega o Céu.
Na mão que nos ampara; nossa queda, Da pobre carne eu vejo a pura seda, Disfarce que se esconde sob o mel. Marcos Loures
16
O tempo que se foi; não recupero, Apenas rememoro... Às vezes, quase... Mas sinto que talvez nem mesmo espero Que a vida se refaça noutra fase... Outono que, no amor, quis primavera Inverno em coração, fazendo estrago. Não sou o queria nem quem dera Apenas me perdi no teu afago... Mas eis que surge a sombra do passado, Envolta num abraço e num sorriso. De novo vou brincar no mesmo prado? Não... Isso com certeza; é impreciso. Porém ao te rever meu velho amigo, As pazes eu já fiz. E foi comigo!
17
O tempo que se escorre pelas mãos Não deixa nem mais rastros, vai ligeiro. Nas multidões vislumbro meus irmãos, Sementes deste mesmo chão, canteiro...
Porém a vida impede que alguns grãos Conheçam o amor farto e verdadeiro, Caminhos tantas vezes duros, vãos, As flores são diversas, cores, cheiro...
O velho jardineiro cuidadoso, Sonhando com jardim maravilhoso Tristonho, pois percebe tanto espinho
Que impede a divisão justa do esterco. De toda uma esperança inda me acerco, Porém flores minguando sem carinho... Marcos Loures
18
O tempo que queria não se esconde... As mãos que trazem rosas, têm espinhos, O desejo que tenho não é bonde, Meus cardos multiplicam nos caminhos...
Derreto-me no inverno como um fundi. As urzes se revezam nos carinhos... O beijo que me morde, me confunde... Nas alquímicas mágicas, cadinhos...
Não passo sem sequer pedir licença, Amar demais passou a ser doença; A vida não merece recompensa,
O parto que me negas se dispensa. A loca que me empedras mata a crença. Amar demais é trauma p’ra quem pensa... Marcos Loures
19
O tempo que escraviza não permite Que a gente possa crer em nova chance. Por mais que a fantasia nos alcance O tempo estabelece o seu limite.
Estrela que este olhar teimoso fite Há tanto que explodiu; nenhum nuance, Nem mesmo alguma nave que se lance Fará com que o amanhã, alguém evite.
Só resta-me seguir de peito aberto Vagando por um rumo tão incerto Chegando fatalmente ao triste fim.
E a velha juventude abandonada, Deixada nos porões não diz mais nada, Sequer serve de esterco em meu jardim...
20
O tempo que é Senhor e soberano, Desdiz o que esperança inda dizia Na noite solitária, amara e fria O vento desabando, desumano.
Cobrindo uma saudade, o negro pano, Impede qualquer brilho, alegoria, Mendigo dos teus olhos, poesia, Marchando contra a morte, quase insano...
Montanhas que acumulo, de tristezas São veras cordilheiras. Catedrais Delírios entre sanhas desiguais
Transtornam travestidos de surpresas. Amor tomando o peito qual medalha Enquanto a ventania, o sonho espalha...
21
O tempo que dispara não sossega E traz em rotações seu carrossel Enquanto a fantasia em ti navega Amando sem limites vou ao céu.
A cada novo tempo mais se apega Fazendo da alegria o seu dossel, A vida não se cansa, audaz e cega, Deslinda da esperança cada véu.
Seguindo sem ter tréguas, pensamento, Voando em liberdade, queima lento, Num ciclo inesgotável, continua.
Minha alma se enamora a cada dia, Paisagem sem igual, tanto amor cria Vagando na inconstância desta lua... Marcos Loures
22
O tempo passa, nunca olha prá trás... Ontem, hoje, amanhã, dia, mês, ano... Vento que se foi, nada mais nos traz. O tempo é soberano, vil, tirano...
Infância, juventude, de repente... A vida, pouco a pouco, amadurece. O rio vai pro mar, leva a corrente, Esta água que se foi, da pedra esquece...
Rodando nossa vida, nunca pára, O que restar, se muito, só saudade... Relógio pouco a pouco se dispara. Nada segura o tempo, na verdade...
Porém contra este tempo, um vencedor Encontra eternidade: SÓ O AMOR!
23
O tempo passa rápido demais, Nas ruas da cidade, me perdendo.... Na solução diversa em cada cais, As dívidas e as dores remoendo. Se vou ou se resisto, tanto faz. O certo é que sem ti irei morrendo...
A flor que não nasceu, morreu no asfalto, O gesto empoeirado e sem sentido. Escapo do ladrão em novo assalto Se morro, não percebo, distraído... Recordo o que paguei por ser incauto Do fim do nosso amor, sempre duvido...
Mas vejo que esta curva recomeça. Agora não. Amada. Tenho pressa...
24
O tempo passa e não percebo a pressa, Menino que brincava no quintal, A vida vai correndo mais depressa, Saudade vai quarada no varal...
Os jogos infantis, a moça boa Que sempre desejei ser minha tia. A chuva vai caindo, uma garoa, A vida se escorrendo na bacia...
Os corações aflitos não percebem Que o tempo tem seu tempo de durar. Os olhos das lembranças me recebem, Com risos de meninos no pomar.
A fruta mais gostosa, a do vizinho, Agora, tanto medo, estou sozinho...
11925
O tempo passa e leva-nos com ele. O amor se modifica a cada dia, Que a foto que guardamos nos revele O quanto se perdeu na fantasia... Os anos enrugando nossa pele, Não mata o vivo amor em alegria..
As razões superando tais paixões Ou solidificando nossos passos. As velhas e difíceis soluções, Aos poucos vão perdendo seus espaços. Recuperar o tempo nas lições Que ensinam estreitar de vez os laços...
Tomando tuas mãos, velha esperança Amor se renovando na mudança...
26
O tempo nos promete uma visão diversa Daquela que se fez em frágeis ilusões... Juntar cada fatia, ouvir a voz dispersa Do vento que se foi nos distantes verões...
Sentado sob a lua, ouvindo uma conversa Que fale do passado. As danças, os salões... Volta e meia a palavra acalma e ainda versa Falando deste sonho imerso em seduções...
Não perca a fantasia, o nosso combustível.. Voltar a ser criança. Uma esperança inútil. O riso sem porquês, às vezes tolo e fútil
Mostrando: ser feliz, é sempre enfim, possível. Cabelo agrisalhado, olhares joviais. Eterno timoneiro, amor encontra o cais...
27
O tempo nega o tempo de poder Sentir que o contratempo nos impede Na mão que acaricia se concede O risco de saber dor e prazer.
Após a tempestade eu pude ver Que o quanto se é feliz, jamais se mede, Por mais que a claridade, a nuvem vede, O sol ainda teima em renascer.
Fazer da poesia uma morada, Eterna companheira dos amantes, Aurora em farto brilho anunciada
Ultrapassando o mundo virtual, Cerzindo com palavras fascinantes Expressa a fantasia, um ritual...
28
O tempo não sossega, nem se doma A pele se enrugando já retrata A vida que se perde enquanto soma A cada novo nó, velhos desata.
Às vezes solidão cria redoma Que enquanto nos protege, já maltrata Destino em suas mãos, quando amor toma Do rio em placidez, tanta cascata...
As palmas calejadas, foice e enxada Os olhos embotados de poeira Saudade sem saber de focinheira
Arranca com dentadas mil pedaços, Do bem que se deseja; feiticeira Amarra nossos pés em frios aços. Marcos Loures
29
O tempo não se perde e nunca é tarde Para quem procurar felicidade. Se a noite é dolorosa e tanto te arde Os olhos tão chorosos de saudade,
E o sonho em desespero causa alarde, Roubando da alegria, a claridade, Não pense que este mundo tão covarde Impede conhecer toda a verdade.
Nós somos meros rios em viagem Na busca deste mar, eternidade... Amor é fantasia, uma miragem
Que logo acabará, não tarda o dia. Por isso é que persigo uma amizade, Certeza de carinho, a garantia...
30
O tempo não se mede quando estamos Juntos e fazemos deste sonho Aonde não existem servos, amos, Com gosto de querer sempre risonho.
Desde que assim, bem forte nos amamos Matamos o que tínhamos tristonho E na verdade tudo o que sonhamos De novo, meu amor, a ti proponho.
A brisa nos tocando devagar, O vento da promessa que já traz Vontade de poder ao te encontrar
Tocar-te com meu lábio mais audaz E como esfomeado devorar Além do que imagino ser capaz... Marcos Loures
31
Um astro infante, outrora; hoje, senil!
Petrônio Ferreira.
O tempo não perdoa; vil carrasco; Agrisalhando os sonhos pueris. Essência se transmuda como o frasco, A vida se esvaindo: amarga atriz...
A noite se aproxima e me angustia; Aprofundando assim, o velho corte, Jamais encontrarei de novo o dia, Após a calmaria, vem a morte.
A poesia ilude e me renova, Trazendo algum frescor ao velho peito Enquanto o corpo aguarda a fria cova O sonho doura insano e, satisfeito
Mergulho no oceano das palavras E teimo em fecundar as minhas lavras...
32
O tempo não consegue mais conter O que vivemos tanto no passado. Se eu trago no meu peito este prazer Revivo cada dia de bom grado.
Por mais que a gente tente conceber Futuro do que fomos, libertado, Saudade vem de novo me dizer O quanto eu fui feliz te tendo ao lado...
E quando estou distante, olhando o céu, Meus pés ainda presos neste chão, Girando como um louco carrossel
Retorno ao mesmo instante e volto a ti Por mais que seja imensa esta amplidão Renasço em cada sonho que vivi... Marcos Loures
33
O tempo foi passando sem perdão, As lágrimas secando pouco a pouco, Quem teve nesta vida esta emoção Sozinho, vai rendido, morre louco. Amar demais é ver-se em tentação Melhor seria ser feliz, tampouco...
Agora que a saudade bate ponto, A mocidade morre tão distante. O peito transtornado sem desconto Vacila e quase escapa, velho amante. Navega titubeia, segue tonto. O mundo que já foi mais deslumbrante...
Os olhos embaçados na neblina Do inverno que ao chegar, tudo domina... Marcos Loures
34
O tempo faz do tempo como um templo Altar em sacrifícios erigido Do tempo tantas vezes exigido Pirâmides de sonhos eu contemplo.
O amor não servirá de algum exemplo, Enquanto com tristeza interrompido, Destino noutro intento a ser cumprido Porém no amor perfeito eu já me exemplo.
Emprego mil palavras pra dizer O que sem tradução não pude ter Prazer inviolável e infinito.
Manquejo, pois pesando assim de lado, O coração se mostra amordaçado Porém amor explode em louco grito... Marcos Loures
35
O tempo envenenando a cada curva Da estrada que prossegue rumo ao fim. Uma alma cristalina assim se turva E mata em chuva e seca, o meu jardim.
Rendido aos mais diversos pesadelos, Tornados e tempestas; sei de cor. Medusa viperina, em seus cabelos, O gosto da derrota é bem pior.
Talvez inda dançasse uma esperança Ferrenhas ilusões brotando à toa. Meu sonho: ser feliz, mera lembrança E o dia entre meus dedos corre, voa.
Não pude ser semente nem colheita, E a morte se escancara em fria espreita...
36
O tempo em sofrimento é tão remoto. Mas volta e meia insiste em magoar De estrelas os meus sonhos quando loto Estendo a fantasia e ganho o mar.
Amor não deve ser assim estóico Nos olhos da esperança, genuíno Não quero um verso triste e paranóico Apenas retornar a ser menino
Vencendo os meus temores, sem modéstia Seguindo cada passo que transforme Incêndio começando em simples réstia Olhar em desamor persiste informe.
Informe cada sonho que tiveres, Amor estende à mesa, seus talheres...
37
O tempo em que vivemos já desata Os nós de tantas dores imbecis, O quanto esta certeza desbarata Deixando no passado dias vis.
Ao penetrar o mar, uma fragata Perdendo-se sozinha já me diz Do quanto uma amizade assim retrata Um mundo solidário e mais feliz.
Unidas nossas forças, a potência Permite ser maior nossa ventura, É necessária, amiga, a convivência
A consistência fica bem mais dura Vencendo a tempestade e a inclemência Com mais suavidade e até ternura...
38
O tempo é o senhor de todos nós, Não deixa restar pedra sobre pedra, Atando e desatando tantos nós, E mesmo ao mais valente o tempo medra, Não deixa mais restar nenhuma dúvida, Transforma nossos sonhos, muda tudo... A sensação mais pura e mesmo cúpida Morrendo dia a dia. Eu não me iludo... Porém somente o fogo da amizade Resiste às tempestades que virão, Se queres conhecer eternidade Guarde esta claridade, esta emoção... Amiga me permita agradecer, Esta oportunidade de te ter... 39
O tempo de viver tantos desejos Tatuado no teu corpo noite e dia, Marcando o território com meus beijos, Vibrando de prazer como eu queria.
Nas ondas convulsivas, relampejos, Em cada novo toque uma magia. Dançando alucinado nos festejos, Palavras, sentimentos, poesia...
Mulher deliciosa, amante rara, Reflete na nudez todo o luar, És tudo o que bem sei que eu desejara,
A fonte maviosa que entontece Fazendo-me depressa mergulhar, Na rede que teu corpo, alerta, tece.. Marcos Loures
40
O tempo de viver já não demora, Ouvi esta mentira alguma vez, Nos olhos de quem quis; tanta altivez Matando uma esperança desde agora.
O quanto que já fiz e foi embora Aos poucos vou perdendo a lucidez A vida em agonia muda a tez E toda esta amargura se deplora.
Farsantes ilusões foram meus guias, Estrelas que trouxeram sempre frias, A mão que encaminhara vai perdida,
Vasculho cada ponto deste chão, Da casa, sala, quarto, e no porão Encontro tão somente a despedida. Marcos Loures
41
O tempo de viver é diferente Daquele eu pensara desabado, Amar é necessário e tão urgente Nos lábios deste sonho iluminado.
O rio que se entrega em afluente Encontra em sua foz o desejado. Na vida que pretendo amor se sente Além de um novo encanto imaginado.
Beijar a tua boca, com certeza Um ato mais sublime da beleza, Vontade satisfeita,eu te garanto.
Tocando a tua pele com carinho, Bebendo todo o mel, bem de mansinho, Terei o que mais quero, tanto encanto.... Marcos Loures
42
O tempo de sonhar marca e declara Em plena liberdade, o sentimento. O quanto se permite em noite rara Beber o temporal a cada intento.
Se eu tento ser feliz, problema meu, Embora muitas vezes vá sozinho. Apelo que em desejos concebeu A sanha de ser livre passarinho.
Vontades e desejos, tantos. Tive-os, Em todos os momentos desta vida. Os céus que procurara; claros, níveos Talvez inda mostrassem a saída.
Amor em rouxinol por noite afora, Somente a cotovia canta agora...
43
O tempo de sonhar já recomeça! Quem dera se eu pudesse plenamente Fazer de uma emoção sublime peça Que impeça o sofrimento novamente.
Demente fantasia que eu criara, Espreita que jamais se confirmou, O bote da tristeza desampara Matando o que inda resto do que sou.
Vivendo por viver, o tempo passa, Girando em carrossel noites e dias. A sorte pouco a pouco se esfumaça Entregue às mais ignaras utopias.
Decifro os seus sinais; sou devorado. Cadáveres que trago do passado... Marcos Loures
44
O tempo de sonhar está perdido... Logrado pela insânia deste amor Que pelo que eu bem sei, mutilador, Recende ao pão já velho, amanhecido.
Às vezes procurando por sentido Não tenho mais nem forças sequer dor. Verão, inverno, o mesmo dissabor Aos santos e mil deuses meu pedido.
Aniversários? Contam-se por bodas As voltas desgastaram nossas rodas O tempo enferrujou os sentimentos.
Porém se o coração inda resiste, Deste mormaço sinto os meus tormentos, Tornando o dia-a-dia bem mais triste... Marcos Loures
45
O tempo de saudades vai isento, Qual barco que soltou-se das amarras, Levado pela força deste vento, Agora nosso amor não quer mais garras Fincadas nas entranhas sem perdão, Assim como não quero mais as dores, Que ferem sem motivo, o coração, E causam maremotos de temores. Amor quando se sente ameaçado Se formam tantas ondas incontáveis, Depois deste tormento já passado, Voltamos a viver dias amáveis... Amada, agora estou muito contente, Minha alma pro infinito já se estende...
46
O tempo condecora com as rugas Aqueles que fizeram dos seus sonhos, Caminhos muitas vezes tão tristonhos Além de simples métodos de fugas.
Arpões matam baleias e belugas, Poderes sempre podres e medonhos, Os cantos da esperança são risonhos Distante da água suja que ora sugas.
Lutar, não desistir, sem ser herói. Apenas o Amor, eu sei, constrói, Porém um cavaleiro solitário
Montado em seu cavalo, Rocinante, Refém deste planeta num instante Demonstra o sonho vão, mas necessário...
47
Os meus desejos loucos te buscando, Beijando tua pele devagar, Aos poucos com vontade me entregando Até a doce fonte eu encontrar
Depois sentir teu fogo me molhando A boca não se cansa de tocar E sinto tua língua me excitando, Vontade de te ter e penetrar...
Teus seios passeando em minhas mãos, Pernas estremecendo de prazer. Meus dedos se encharcando nos teus vãos,
Carícias e loucuras sensuais... Depois de uma explosão de novo ter Orgástica alegria e querer mais...
48
Os meus cabelos brancos são as marcas Dos dias que se foram pra não mais Demonstram cicatrizes destas Parcas Que nunca partirão daqui, jamais.
Palavras carinhosas em que marcas Enquanto o teu desejo me faz cais. Ao mesmo tempo, quieta, tu me abarcas Fomentas meus delírios sensuais.
Enquanto dilaceras minha boca Com beijos delirantes, canibais, Marcantes sensações, mil carnavais,
E as mãos que se procuram, carniceiras Amor feito em loucura em ti se aloca As minhas podridões bebem bicheiras... Marcos Loures
49
Os meus cabelos brancos representam As marcas que deixaste em minha vida. Imagem pouco a pouco construída E que agora, grisalhas se apresentam.
Por tanto que sonhei e nada veio, Arcando com meus erros, não lamento, O amor quando se torna sofrimento Traduz a inquietude de um anseio.
Legando ao meu futuro a solidão Que ronda a cada noite, sem descanso. Quem dera ter somente algum remanso
Aonde repousar o coração. Talvez ainda exista, mesmo breve Um canto em harmonia que me leve... Marcos Loures
11950
Os meus amores perdem-se no mar Imenso deste amor que não contive. Na luz da maravilha do luar Com quem o mar em brilhos sobrevive...
Saveiros de esperança singram lentos, Ancoro meu desejo no teu cais. Não sei onde encontrar rosa dos ventos Nas rosas que sonhara, amor demais...
Na taça cristalina dos prazeres Eu bebo essa emoção, gota por gota. Nas alucinações que, multicores, De tantos suprimentos, vida esgota.
E queimo em flamejante destempero, Sorvendo teu licor, eu me tempero...
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Os meninos brincando... o ribeirão... Delícias de uma fruta amadurada... Peixes fisgados.. o luar... o chão... A vida prometendo longa estrada.
Meninos traduzindo este sertão. A viola tocando, enluarada. Frágeis dedos repletos de emoção. Estrada, depois, dicomotizada.
Patrãozinho partiu, voltou doutor. O outro está trabalhando na fazenda... Os dedos que tocavam já não sabem.
Agora numa enxada, sol, calor. Os seus dedos? Cortados na moenda... O riacho e a saudade? Não mais cabem...
Em Homenagem a Fernando Brandt
52
Os mares são gigantes e medonhos, Engolem os riachos, disso eu sei. Quem dera se inda fossem mais risonhos Os rios que sem foz, eu naveguei.
Sorrisos muitas vezes são bisonhos, Matreiras soluções que desfraldei, Mudando de repente toda a lei, Matando os velhos trágicos, tristonhos.
Enfronho o meu desejo nos lençóis, Assoreando o quanto bem te quis. Vestindo de manhã ardentes sóis
Somamos amos, olhos, vida e brisa. Viver e conviver com cicatriz, Tacanhamente amor nunca me avisa. Marcos Loures
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Os mares que navego são bem poucos, Os sonhos que freqüento sem saraus, Os homens que se omitem fingem loucos As horas mais insanas geram caos...
Nas égides dos mantras que não cantas, Repetes teus sonidos, são sinais... Os males que criaste, matas plantas, Os homens que se omitem são boçais....
A farpa que penetra nossa entranha, Estranha não pondera nem desmancha. Palavras agressivas, vil patranha,
Caminhas tantas mortes nessa prancha. Carinhos dos mal-tratos dum meganha.. Quixotes ressuscitam-se na Mancha... Marcos Loures
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Os mantras mais sublimes, entoados Na harmônica vontade de se dar, Em cítaras e liras, posso alçar Extremos em destinos já traçados.
Os templos, catedrais, são profanados Janelas vão se abrindo par em par Adentro estes mistérios devagar Orvalhos generosos derramados...
Na úmida fortaleza agora aberta Eu vejo a deslumbrante descoberta De estrelas e cometas, alabastro
Ateio em doce incêndio minhas lavas, Enquanto em mil prazeres já te lavas Bandeira tremulando em rijo mastro...
55
Os loucos sentimentos não mereço Padecem de total insanidade. O passo que me dás é meu tropeço, As rugas denunciam minha idade...
O mártir inconfidente vem avesso, O fato que me veste, da saudade... Os sentimentos levam adereço, O sol que me governa, claridade...
Mas não me peças nunca que te calce, Os braços cicatrizam tendinite, Nas luas que me deste, sem realce,
Os medos são telhados de eternite... Não quero nem aceito essas verdades, Os loucos sentimentos, tempestades... Marcos Loures
56
Os límpidos luares reticentes Em busca da total prosperidade Lunáticos desejos dos dementes, Vislumbram com grandeza e claridade.
Lua, minha comparsa, seus poentes Repetem velhos ritos da saudade. Meus olhos pobrezinhos penitentes, Perderam, nos seus raios, mocidade...
Rainha das esferas siderais, Tortura enamorados com desejos... Te ergueram seus altares colossais...
Dilúvio dos amores, senhorita. Testemunha sutil de tantos beijos. Ao ver-te assim, nublada, uma desdita... Marcos Loures
57
Os laivos das vergonhas já se extirpam Dos olhos dos infantes que virão, As nuvens do passado, a luz dissipam, Eternizando a glória de um verão.
Um canto de esperança e de vitória Tomando toda a terra. Eis o meu sonho, Legando os desencontros e a vanglória Ao tétrico momento que envergonha
Deixado para trás. No mesmo instante Um sol de inquebrantável resistência Sobejo em raios tantos, fascinante, Bebendo da esperança com a ardência
Que enquanto em paz nos banha e nos aquece Constrói farta alegria em rito e prece...
58
Os laços da amizade são bem fortes E ajudam em qualquer situação. Cicatrizam quaisquer chagas ou cortes Permitem alcançar uma amplidão
Estrelas que nos mostram tramam nortes Indicam com certeza a direção Transmudam num segundo nossas sortes São feitos cordoalhas/coração.
Eu te agradeço amiga, por teus braços Que sempre me apoiou em dias tristes. Ajudando a transpor velhos limites
Na força e poderio destes laços Eu creio que é possível ser feliz A quem com tal enlevo já se quis...
59
Os lábios sequiosos nada tendo Procuram sempre em vão por outro alguém, Apenas o vazio ainda vem Temíveis pesadelos percorrendo.
Segredos de um amor já não desvendo, A noite se perdendo sem ninguém Procuro no horizonte, sigo além, Aos olhos do passado, inda me prendo
Levado pelas mãos do pensamento, Somente encontro enfim, velho tormento Que fora outrora amargo companheiro.
Não posso decifrar mais os enigmas, Na pele em cicatriz, cruéis estigmas, Agônico, eu me entrego por inteiro... Marcos Loures
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Os juros que paguei, vão incluídos Na conta interminável que encontrei, Destinos; já faz tempo, desabridos, Depois de tudo aquilo que sonhei Os dias na verdade são cumpridos Nas esperanças tolas, nossa lei.
Errei ao ter teu nome no meu peito? Foi simples tatuagem, nada mais? Não quero mais o gosto contrafeito Do jeito que tu queres? Só jamais. Mas sei que tu desejas nosso leito. Morena o mais perfeito e belo cais.
Falar que o nosso amor foi simples fato, Perdoe-me querida, é desacato! Marcos Loures
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Os jasmins esquecidos não floriram, O tempo da colheita se acabou... Os olhos solitários nunca viram O gosto do teu beijo... O que restou?
Amada como foste imprecavida... Nossos erros cometidos por ciúmes... De tanto que pediste, nossa vida Esvai nesses jasmins já sem perfumes...
Mais tarde em nosso inverno que é fatal, Talvez de tanto frio, amor renasça, Tramando nesta peça outro final, Sem medo, sem temer que amor se faça.
E possa novamente, em meu jardim, Amor resplandecendo todo em mim!
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Os ímpetos impuros da esperança Algoz dos pensamentos libertários Marcando minha pele como herança De dias mais obscuros, temerários.
Medonha garatuja, por vingança Desdenha os provimentos necessários, A mão que nos tortura não se cansa, Expressa a multidão de mercenários...
Da consciência humana, nada sobra, Senão este inerente podridão, Herdada da serpente, fria cobra
A nossa companheira batismal, No pântano de origem, ceva e grão Condenam ao fatídico final. Marcos Loures
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Os homens e mulheres ancestrais, Caminham pelos cérebros remotos... Seus nomes espelhados nos varais, Os portos que viveram sequer fotos...
Ondeio não odeio nem sei mais, Já não repetirão perpétuos motos Os homens verbalizam animais Nos olhos rebeldia e terremotos...
Mercenários, guerreiros e tacapes, Nas guerrilhas vivendo seus escapes, Escalpes e merendas sangue e sal...
Os lobos e raposas sobressaltam Fome e voracidade sempre assaltam, Os olhos desta espécie canibal... Marcos Loures
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Os gozos que persigo atemorizam Aqueles que não sabem quanto é bom Deixar a noite imersa em seu néon Enquanto os meus desejos se harmonizam,
Das cores que em ternuras se matizam Debaixo dos lençóis e do edredom, A boca descobrindo o raro dom Em fogos que ateando, mãos deslizam...
O amor quando se esconde da platéia Tornando a madrugada assim atéia Ateia toda forma de prazer.
Gerando a claridade neste quarto, Do sonho generoso não me aparto E passo cada estrela a recolher...
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Os gozos mais atrozes e gentis, Espetáculo audaz e sem platéia Cenário inebriante pede bis. A vida vai seguindo insana; atéia.
Chegando de manhã mais sorrateiro O sol vem penetrando em nosso quarto Corpo ainda desnudo, feiticeiro Deitado num prazer imenso e farto.
Jogadas pelo chão, cinzas e vestes, O tempo não tem tempo de esperara No gozo em que sorris, tu me revestes Do quanto que eu pensei e já sonhara.
No mar de amor que invade nossa cama, Inundação em gozos nos inflama...
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Os filhos são a ponte que o futuro Plantou em nossos dias, com certeza. Não faça da discórdia como um muro, Aprenda a ser paciente com destreza.
Não penses que tu cevas solo duro Não lutes contra a forte correnteza, A vida segue em frente. Um céu escuro Terá no alvorecer sua beleza.
Quem tenta usar amarras não consegue, A vida inexorável já prossegue Sem nada que permita que alvorada
Ressurja noutra festa em novo prado, À qual jamais serás um convidado! Marcos Loures
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Os fardos tão inglórios da vitória De quem venceu o amor o desprezando. Não posso mais falar de tal vanglória Que a fonte da esperança vai secando. A lua sem amor é merencória, O dia pouco a pouco se nublando.
Porém se pelo amor sou derrotado E sinto que me invade a brisa mansa, Sabendo da existência deste prado, Olhar enamorado não se cansa, E sente o vento calmo e delicado, Trazendo para a vida uma esperança.
Qual náufrago que em sonho bom desmaia, Sobrevivendo ao ver enfim, a praia.
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Os estridentes gritos que escutara Em noites tão difíceis de entender, A vida se tornando tão amara Tornados destruindo o meu viver.
Depois de tantos dias malfazejos, Refém destas tristezas desumanas, Tocado pela ausência de desejos, Morrendo em mãos doridas; sinto- emanas
Com teu apoio firme em braços fortes, Mudando a direção, amansa os ventos. E assim, depois dos frios, duros nortes,
Percebo que terei, enfim, a paz. E na amizade vejo os sentimentos Mais nobres que esta vida já nos traz...
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Os espinhos? Vou deixar, Eu prefiro o bom perfume, Sem por isso provocar Em quem amo este ciúme.
Vou vagando bar em bar, Destilando um vão queixume, Mariposa a flutuar Se entregando ao claro lume
Não me canso de dizer Quanto quero o teu querer Que redime meus pecados.
Os meus passos pela rua, Procurando a clara lua Por teus olhos, são guiados... Marcos Loures
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Os esgotos abertos no caminho, Tragando os meus desejos. Ultimatos. Recebo ainda os beijos e os maus-tratos, Da morte, sorte plena, eu me avizinho.
Estricnina me nina, velho ninho Momentos que restaram tanto ingratos Que nada poderá limpar os pratos, Prefácios deste enredo vão. Sozinho...
Algumas vezes queremos solução Soluços e gemidos, lenda idílio... Volátil na verdade o frio exílio
Transporta sempre um quê de negação, E nela reacendendo a fantasia Mesmo que só seja uma ironia... Marcos Loures
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Os erros necessários para o acerto, Espíritos e corpos, alianças, Hereges testamentos de mudanças, Aragens tão diversas de um deserto.
Pecados e heresias: se desperto Aguardo o carrossel, profanas danças, E quando tu prossegues, nas lembranças, Apenas o que resta aqui por perto.
Etéreas almofadas; astros tontos, Unindo os mais dispersos, vários pontos, Empunham os demônios que criamos.
Vapores entre nuvens e alvoradas, Repugnantes retratos nas calçadas, As bocas esfaimadas seguem amos...
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Os ermos de meu cérebro invadidos Por sentimento intenso e sem igual Tomando num momento, os meus sentidos Mostra-se de repente triunfal
Dos passos que eu seguira, desvalidos Não resta nem um traço mais banal, Os ritos da esperança são ouvidos Por quem deseja amor/ ser divinal.
Erijo em pensamento um sacrossanto Altar ao deus supremo e mais gentil Mirando com seu arco, tão sutil
Ferindo e me curando por encanto Tocando num instante o coração Permite que se encontre a redenção...
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Os dons de amar assim não alcancei, Porquanto te queria para mim. Vencendo essa vontade que terei Nas curvas sem ter medo, vou sem fim.
Derramo meus tormentos em teu céu Que sei não poderia ser mais claro. Caminho sem saber deste corcel, No jeito que queria, manso amparo....
Da graça deste amor que não me trouxe Amada que se foi sem perceber; Que a vida que propunha, se era doce, Agora já começa apodrecer...
Mas tenho uma esperança de voltar, Aí, talvez, quem sabe, possa amar?
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Os donos da verdade são boçais Apenas energúmenos palhaços Que pensam que falando sempre mais Ocupam com firmeza os seus espaços.
Aqueles que se dizem maiorais, Não deixam na verdade, nem os traços Usando de artifícios tão venais No fundo, não são nada, pois escassos.
Assim ao traduzir em poucas frases Um velho sentimento que me toma, Se a gente perceber, zero não soma
As armas dos ignaros e incapazes São frágeis, agressivas e sem mira. Pra todo lado aponta, a esmo atira... Marcos Loures
11975
Os dias/ solidão vão esquecidos, Refaço a minha vida a cada aurora; Vasculho teus caminhos e sentidos, Bandeira do desejo é vencedora,
Ouvindo teus sussurros e gemidos, Nunca te deixarei, não vou embora, Embora sonhos sempre divididos Desejo de ter vem sem demora
E muda o meu caminho a cada dia, Portando com o sol, farta alegria, Teus lábios cicatrizam cada corte.
Além do que pensara e até queria Singrando no teu corpo um novo norte Permite que eu não tema nem a morte! Marcos Loures
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Os dias vão passando sem te ver. Distante de teus braços o que faço? Eu procuro um motivo pra viver A dor vem me tomando e mal disfarço...
No fundo vou buscando te entender Mas nada me convence; sigo o passo Do coração sedento sem poder Achar de novo o rumo e me embaraço.
Os dias são tão longos, sem por quê. A saudade doída maltratando, Vasculho o mundo inteiro mas cadê?
Não vivo, meu amor, eu sobrevivo, Pergunto sem respostas: até quando? Viver não faz sentido. Sem motivo...
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Os dias transcorrendo, satisfeitos Na fonte dos desejos, entrelaces, Amores vou buscando em vários leitos Às vezes em relances tu embaces.
Do gozo em que traçamos nossos pleitos É como se em teus braços me tomasses Podendo ser quem sabe um dos eleitos Nas noites que sem nexo amor devasses.
Seguindo este caminho em embaraço Tropeços repetidos, falso traço Sabujo procurando a sua dona.
Nem mesmo a lua busca por varanda, O coração em trégua se desanda, A sorte mal me vê, já me abandona... Marcos Loures
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Os dias sem te ter vão penitentes, As horas já não passam; tristes, duras, Teus braços como raios envolventes Garantem caminhadas mais seguras,
Teus olhos que me guiam, reluzentes, Banhando cada passo com ternuras. Distante de teus passos, são descrentes Os dias se inundando em amarguras
Carícias se derramam como lavas, Minha alma ganha espaço e vai sem travas Ao ter o teu sorriso junto a mim.
Contigo, minha amiga, vou sem medo, Decifro das tristezas o segredo Marchando em altivez até o fim.
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Os dias se perderam na memória De poucos sonhadores, somos estes. Colorem de esperanças nossas vestes; Apenas por ter sido, traz vitória.
A lua cada vez mais merencória Fugindo dos sertões e dos agrestes, Eu agradeço agora que viestes Falar um pouco mais de nossa história.
Vistoriando os passos que nós demos, Os barcos de hoje em dia, noutros remos Procuram pelo porto de onde vêem.
Na ausência do romântico mergulho, Chamando-me de insano se vasculho As gavetas mofadas deste trem...
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Os dias se passando tão gelados, As nuvens da tristeza vão se abrindo, Lembranças de outros dias prateados Teu rosto mais bonito me sorrindo...
Os sonhos que me tomam são alados Mas logo a realidade me ferindo, Secando tantas fontes, morrem prados. Meu mundo que se fora belo, lindo...
Tua pele macia, em alva neve, Num delírio feliz, num vôo breve, Qual fosse uma ilusão que se levanta,
Alçando meu desejo ao infinito... Distante deste olhar, meigo e bonito, Nem mesmo uma esperança leda; encanta...
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Os dias são ferozes quando urgentes E trazem falsidade tão mimosa, Cravando bem profundos firmes dentes A fera se disfarça em pura rosa,
Dezenas de desejos mais ardentes São formas de matar enquanto goza. Paixões quase comédias são dementes E lambem minha carne venenosa.
Matando quem me mata, morro bem, Sangrando com a foice quem sorri. O quando nunca tive sempre vem
E nele, com certeza eu me perdi. Procuro a escarradeira noutro alguém E encontro tão profusa, assim, em ti...
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Os dias que virão mais deleitosos Trazendo a perfeição em jóias finas, Nos olhos inocentes das meninas, Os brilhos mais bonitos e formosos.
Distante dos olhares invejosos, Estrelas poderosas e divinas, As dores debandadas, peregrinas, Os homens mais felizes, amorosos..
Assim imaginei tanta ventura Num mundo em que a justiça prevaleça. Talvez uma ilusão, traga brandura
Aquele que não sabe o que é sonhar. Se um dia, na amizade, amor se teça Quem sabe a vida possa; enfim, mudar...
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Os dias que passamos, desgraçados Roubando da esperança o cristalino Desejo e assim matando este menino Vociferando a vida em frágeis brados.
Meus dias já se vão, desventurados Momentos me legando o desatino, Ao ver o teu fantasma eu me alucino, Ferimentos jamais cicatrizados.
Tomado pela angústia, ansiedade, Procuro quem me ajude, mas quem há de Se tudo que inda resta é tua imagem
Sorrindo em ironia e tão sarcástica. A solução que encontro, mesmo drástica Encontra na mortalha uma roupagem... Marcos Loures
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Os dias mais felizes vou levando Ao lado de quem tem abalizada Palavra que me traz, apascentando A vida que, deveras, foi marcada
Por dias tão difíceis. Vislumbrando Depois da tempestade anunciada, O dia que já chega iluminando A Terra que em angústias fez-se nada.
Nas sendas da amizade, fina seta Tocando em pleno amor que já sofria. A porta da alegria, agora aberta,
Permite perceber que o novo dia É feito em harmonia e lealdade, Poderes que se emanam da amizade.
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Os dias mais felizes transformaram A vida que em momentos foi cruel. Os cantos da alegria me encantaram Trazendo para a terra anjos do céu.
Dentre eles, os meus olhos encontraram Aquela que mostrou em doce mel Certezas que mais firmes me tocaram, Cumprindo o seu destino e seu papel.
No teu aniversário, anjo perfeito, Eu quero te louvar em cada verso. Dizendo: ser feliz é meu direito,
Depois de ter sentido quão perverso O mundo em que vivemos; satisfeito, Distante de um passado tão diverso...
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Os dias entre nuvens demonstravam Por mais que as esperanças esperassem Que os sonhos mais temíveis preparavam Antes que as noites tolas acabassem
Caminhos mais distastes desbravavam Depois que as sensações já se acabassem Enquanto as fantasias declinavam, Agora as emoções mais fúteis tecem
Saídas que não quero e nem percebo Em rumos tão diversos, frágil trama. A boca que me beija não reclama
Nem mesmo a fantasia ainda bebo, Porém o que fazer senão seguir Estrada que sonega um bom porvir? Marcos Loures
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Os dias em que as horas não passavam, Distantes de quem tanto eu desejara Os olhos nos espaços procuravam O rastro desta estrela bela e clara.
Ao ter tua presença em plenitude Eu percebi o quanto sou feliz. Renova-se deveras juventude No encanto que teu verso já me diz.
Amado; eu vou seguindo, a fronte ereta Olhando pro horizonte que deslinda A fonte da esperança em que completa Manhã que se anuncia, imensa e linda.
Agora que contigo vou em frente, O mundo se transforma totalmente...
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Os dias em cristais passam gelados, Apenas em tristezas vou carpindo Deixando meus desejos resguardados A solidão, deveras, me vestindo.
Quem dera se pudessem ir alados Os sonhos que acabaram me ferindo, Em lúdicas paisagens, prateados Momentos que se foram, descobrindo
Em garras mais venais, um coração Envolto em trevas, dura realidade. Na busca redentora do perdão
Olhares; vão perdidos no infinito, O tempo vai passando, estou aflito, Não restou nem sequer uma amizade...
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Os desenganos todos que já tive Em terrível coleta pela vida. São marcas que ficaram donde estive Cada qual tramando uma ferida
Envolto nestas trevas sem ter fim, Vencido por tamanha insanidade Vivendo simplesmente vou assim Vou buscando encontrar a liberdade...
Meus passos tropeçando nos teus passos Espaços que não cabem mais nós dois. No fundo desta estrada sem abraços Morrendo pouco a pouco sem depois...
Mas sonho com um tempo mais feliz Quem sabe terei sorte por um triz?
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Os dedos vão descendo devagar, Percebo que estás tensa, minha amada. Sentindo minhas mãos a deslizar Pretendo que tu fiques relaxada...
A tua nuca exposta, a se mostrar, Bela e divinamente arrepiada, Convida a prosseguir, e sem parar; Descendo, rumo ao Sul... Extasiada...
Tu pedes que meus lábios também toquem A tua pele desnuda e tão macia. Depois, estes papéis, te peço, troquem,
Maravilhosamente nos tocamos, Nos dedos, as delícias da magia; Mais outra vez; querida; nos amamos...
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Os dedos na guitarra são agulhas, Tecendo num tapete maravilhas... Dos olhos ao tocares as fagulhas, Espalham incendeiam tantas ilhas
De solidão. Profundo vais, mergulhas, Nos atando a teus pés criando anilhas... Do ferro deste som, transcende a hulhas, Os sonhos, gerações inteiras filhas...
Nos solos de guitarra já transcendes, Pertences universos dissonâncias... Recônditos almáticos ascendes,
Arranca nossos sonhos de infinito... Acende nossas almas, e fragrâncias És nossa liberdade, no teu grito!
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Os corpos que se tocam neste rito, Abrindo uma ilusão, abaixam véus, Teus seios me levando ao infinito, Nos sonhos mais divinos, nossos céus, Deitados sobre o chão, frio granito, Altares, nossos sonhos, teus e meus...
Teu corpo reluzente e nu rebrilha, Trazendo para o quarto mil fulgores Na soma de nós dois, mesma partilha, Do amor somos fiéis, bons servidores... Meus passos e teus passos, nesta trilha, Não há sequer cativos nem senhores...
Distante, bem distante a solidão, Vislumbra, o nosso amor, adoração...
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Os corações escritos com o giz No quadro negro vivo, sedução Gritando em meus ouvidos: sou feliz. Flertando com a sorte da paixão Deixando tão somente a cicatriz Marcada em simples pó de uma emoção...
Recebo o vento doce do passado Cabelos esvoaçam, cobrem rosto. O tempo se mostrou descompassado E nada mais restou, nem o desgosto; Somente o vento doce anda ao meu lado Castelo deste tempo onde o reinado
Trazia uma princesa e corações Riscado pelo giz das ilusões. Marcos Loures
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Os céus que imaginaste em azulejos Há tempos se agrisalham, mas não vês Que tudo o que em verdade ainda crês Demarcam tão somente alguns lampejos.
Quem sabe do futuro em realejos, Jamais se perderá nestes porquês De que adianta ler em javanês Se amor se faz ainda com tais pejos.
Linguagem dos sinais e das carícias, Do sonho recolhendo tais primícias Promessas de quilates tão diversos.
Lapido cada som que insana emites, Amor não reconhece mais limites E morre sem nobreza nos meus versos... Marcos Loures
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Os cantos benfazejos da esperança Permitem cada novo alvorecer, O vento da alegria e da bonança Depois de tanto tempo, já faz crer
Que a vida se permite a quem alcança O gosto desejoso do prazer. Meandros deste rio quando avança Na foz em perfeição a se verter.
Amiga, tantas vezes é preciso Que a vida nos alerte quanto é bom Nos lábios a se abrirem num sorriso
Comemorando o teu aniversário, A vida se mostrando em raro dom Do amor que se faz nobre e solidário..
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Os cacos que me deste, logo atiras E faço dos retalhos minha colcha Sentimento partido feito em tiras, A mão desta amizade andando frouxa
Fadando ao desespero cada canto, Versando sobre luzes que não vêm, Girando em contrapeso, desencanto, Depois de certo tempo, perde o trem
E sabe que no fim não resta nada, Nem mesmos estes escombros que coleto, O risco de viver que nos degrada Impede o meu sorriso predileto.
E assim de cacareco em cacareco, Só resta ouvir nas sombras, o teu eco... Marcos Loures
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Os braços que ofereces; meu apoio; Permitem que eu consiga imaginar Que a vida não me traga só do joio, Que o trigo também possa germinar.
Eu sinto nas nervuras contrações, Doridas e portanto maltrapilhas. Vivendo por saber que as emoções, Nos tramam novas formas , novas trilhas.
Tetanizo o sorriso que não sinto Apenas disfarço o que não quero, Se vejo teu olhar por vezes minto, E sangro e no final me desespero.
Nas hordas mais distantes, descontentes Espalho esses meus versos, grãos, sementes
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Os beijos viperinos e sarcásticos Da fétida esperança, amargo vinho, Os passos não prossigo, pois espásticos Não sabem decifrar mais o caminho
Os lábios da pantera dizem plásticos Heréticos momentos, vou sozinho, Tentando versos mansos menos drásticos Que façam da tempesta, burburinho.
Mas nada posso dar se nada tenho Senão cada destroço da ilusão, Na pele ao penetrar, o vergalhão
Demonstra o que recebo por empenho Da vida, esta pocilga em que me entranho, Sangrando em minhas costas cada lanho... Marcos Loures
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Os beijos que trocamos, sem sentirmos O doce que traziam, tanto encanto... Será que é bem possível dividirmos O fogo que emanamos, forte e tanto...
No jogo destes beijos juvenis, O peito se renova e quer sonhar... Afetos sempre mansos, tão gentis, Permitem novamente tanto amar...
Descubro num instante que te adoro, Embora não precisas deste amor. No canto que te faço, revigoro, O tempo em que já fui tão sonhador...
Teu beijo no meu beijo simplesmente, Um toque que me invade, n’alma e mente...
12000
Os beijos mais gostosos, os roubados Durante as brigas tolas, convulsões... Sentidos e desejos delicados Em nossa cama viram explosões...
Entendo teus reclames e recados E sinto as maravilhas dos vulcões Dos gozos sem limites desfrutados Dos corpos que entre corpos, intrujões.
Farpas não machucam, com certeza, Disputas e sarcasmos, ironias. Concretos os orgasmos repetidos.
Audácias tão volúveis, sobremesa, Nas tramas, camas, chamas, alquimias Torturas e prazeres divididos. Marcos Loures
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