
MEUS SONETOS VOLUME 119
Data 27/12/2010 13:16:56 | Tópico: Sonetos
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1
O paraíso chega ao nosso quarto Em forma constelar de raro brilho. Do corpo desta estrela não me aparto Bebendo extasiado cada trilho.
Sem nada que me impeça, alçando os céus, Estampo em tua pele a tatuagem, Marcando com meus lábios, rasgo os véus Perfaço sem parada esta viagem.
Buscando em cada lume, o meu destino, Vencido, o vencedor se mostra eterno. O tempo de sonhar de ser menino, Rasgando o paletó, desmancha o terno.
Salgando a minha pele; o teu desejo, Um mundo tão sublime, agora eu vejo... Marcos Loures
2
O parafuso busca na arruela O mais perfeito encaixe que conheço, Porém se errar a mira, ou endereço, A coisa se complica. Amor revela
Que tudo que se pinta nesta tela É fase diferente, e sem tropeço, O quanto em desvario ainda peço O garanhão esquece estribo e sela.
Na veia e de primeira é um golaço, Às vezes sem saber qual o compasso Eu danço com total desembaraço.
Na minha vez querida, eu nunca passo, Mergulho na cadência do teu braço E abraço feito um laço cada traço. Marcos Loures
3
O par que é predileto e sei constante Traçando eternidades ao meu lado, Sorriso tão fugaz e provocante Um gozo tantas vezes disfarçado
De quem em ironia leva a vida, Sarcasmos dominando este cenário. História que se faz mal resolvida Promete um novo dia temerário.
Assim, querida amiga, eu te proponho Quem sabe renovando o guarda roupa Ainda eu possa crer que existe o sonho, E a dor sendo enganada vai e poupa
O coração de quem amou demais Levada num momento a outro cais... Marcos Loures
4
O pão e o vinho: caras iguarias Vendidas por pilantras e canalhas. O vinho que é cevado nas sangrias Dos pobres imbecis, feras navalhas.
O pão da carne exposta, apodrecida, De ovelhas infelizes, é roubada Vendendo uma esperança já falida, Da vida eternamente estropiada.
Não falam de amizade; é só castigo Para aquele que pensa, simplesmente, A corda no pescoço, algum perigo: Motivo para a corja vil que mente
Usando como escudo um moribundo Que veio pra salvar, de fato, o mundo... Marcos Loures
5
O pântano das almas, fátuo fogo Charnecas da esperança apodrecida Não tendo mais razão sequer de vida Perdi faz tempo, eu sei, o velho jogo;
Não adianta ao fim pedido ou rogo, A morte se anuncia, a despedida Deixando uma ilusão, frágil, perdida, Até a fantasia eu já revogo.
Depois de tanta luta, em vã batalha O corte mais profundo da navalha Aprofundando agora nos tatua
Lavando com mentiras o que fomos, Restando tão somente o que não somos, Mas sei que voltarás tal qual a lua... Marcos Loures
6
Ó Pai Senhor amigo, irmão, Meu Deus Eu peço num clamor tua atitude Que mostre imenso amor em plenitude Ao clarear os rumos, duros, meus...
Perdoe se meus olhos tão ateus Procuram Tua imagem que me ilude Não percebendo em Ti enorme açude E lume que clareia, trevas, breus.
Guia-me pelas sendas inconstantes Da sorte de viver, tão movediça. As minhas mãos tocando uma injustiça
Sangrando em erros duros por instantes Ao perceber em Ti tanta amizade Desejam se limpar da iniqüidade...
Marcos Loures
7
O Pai que nos redime e nos conforta, E nos ensina sempre que o perdão Indica ao caminheiro a direção Abrindo com certeza qualquer porta
No amor que a todos nós cabe e comporta Que seja assim eterna a floração Sublime que nos mostre que a união Já deixa a solidão vazia e morta.
No encanto deste Pai, claro e perfeito, Eu bebo até sentir-me satisfeito Sabendo que somente sou feliz
Se eu tenho nos meus olhos o sorriso: A melhor tradução do Paraíso Que ilumina o caminho outrora gris...
8
O telefone vivendo ocupado Impede que eu consiga te falar Do amor que veio manso e devagar E, de repente: tudo dominado!
Se às vezes te pareço estar bolado No fundo nunca quis me apaixonar. Agora o que fazer? Não vou lutar, Eu só quero é te ter aqui do lado...
Atenda, por favor a ligação, A ansiedade faz mal ao coração, A medicina, saiba, não desmente.
Se eu tento o celular, não adianta, Minha vontade, amor, já se agiganta, Porém deu fora de área, novamente... Marcos Loures
9
O tanto quanto quero o teu querer Querência que se faz tão necessária; Sabendo desta fonte o bel prazer A noite não será mais temerária.
O vento da esperança vem bater Deixando para traz a procelária, Nos mares mais fantásticos viver A calmaria outrora imaginária.
Na paz do teu sorriso, meu amor, Estrela radiante em nosso céu. Quem fora simplesmente um sonhador
Percebe esta alegria que sem fim, Deitando sobre nós estende o véu Do amor que brilha intenso dentro em mim... Marcos Loures
10
O tal do dem é coisa do demônio, Dizia a minha avó com propriedade. No olhar da malvadeza, a falsidade Deixando sempre à mingua este campônio.
Jamais eu suportei um ar burguês Cheirando à naftalina, ergue o nariz Escarra sobre o pobre e pede bis, Vendendo a podridão como honradez.
Meu coração vermelho abrindo a porta Percebe uma mudança nestes ares. Da fruta sonegada nos pomares
O verde da esperança, mesmo torta, Trazendo algum sorriso que incomoda O velho coronel que teima em poda... Marcos Loures
11
O tal de Marcos Loures já foi tarde A culpa é de uma forte pneumonia Encheu tanto o meu saco. Uma agonia Daquelas que beijando se vem arde.
Quem por acaso ver o seu fantasma Andando pelas ruas da cidade, Enterre este infeliz por caridade Não adianta usar nem cataplasma
Enterre este defunto o mais depressa, Senão empesta tudo, o lazarento. Mas peço, por favor esteja atento
Coloque em cima laje de cimento E tranque a sete chaves tal tormento Se não fechar direito, ele regressa... Marcos Loures
12
Odeio viadagens e frescuras. Sou quase um troglodita, um animal. Meu canto tantas vezes gutural Esquece as etiquetas sem mesuras,
Às vezes, ignorante, até boçal Não sei de noites claras nem escuras, Diferente daquilo que procuras Vazios, o meu bolso e o meu bornal;
Não quero te falar em poesia, Jamais as conheci nem reconheço, Rasguei, sem carnaval, a fantasia
Nem faço da alegria um adereço. Mas quero estar contigo, isso me basta, Frescura; se demais, tudo desgasta... Marcos Loures
13
Odeio qualquer métrica que prenda A minha poesia, sem sentido. O amor ao colocar em mim a venda Entoa uma emoção, roça a libido.
Não quero tão somente uma merenda Nem mesmo o que se perde em vão olvido. Eu peço que alguém venha e já desvenda O coice se em verdade eu não agrido.
Não quero que me leias se não tens Prazer em escutar meu velho canto Que sendo feito em puro desencanto
Não diz o que desejas, doces bens. A minha casa está decerto aberta Mas nunca aceitarei qualquer oferta... Marcos Loures
14
Odeio poesia pornográfica, O sexo é um pecado, diz o Padre, Também numa conversa de comadre Que esconde, sob a saia, a fome sáfica.
Falar deste desejo animalesco É coisa de quem mata a fantasia, Contrariando toda a rebeldia, Não sou nem quero ser um arabesco,
Apenas transparente e nada mais, Nas coxas e molejos sensuais A perdição da raça desumana!
Poeta que se preza diz miragem Mirante quando feito em sacanagem Perdão da má palavra: Uma banana!
15
Odeio picuinhas, são tão fúteis Verdade é que a porrada come solta, O chute desferido pede volta Apenas as mentiras seguem úteis.
Inútil, enfim, tentar qualquer acordo, A boca que mordeu perdeu os dentes, Por mais que muitas vezes, tola, tentes O barco já leva nada à bordo.
Acordo e não recordo o quê que eu fiz, O que me importa, amor, é ser feliz E custe o que custar, eu o serei.
Ser rei ou ser somente um simples bobo, Uivando aos teus desejos, não sou lobo, Em tudo o fingiste, eu te enganei... Marcos Loures
16
Odeio as velharias que carrego, Uma caixa de fósforos queimada A foto da esperança, amarelada, E tenho por tais coisas tanto apego.
Eu sou cadáver vivo, isso não nego, Há tempos me perdi na madrugada Dos dias que não vi, restando o nada Deixando o coração amargo e cego.
Mas luto contra o luto que não largo, E mesmo quando os sonhos eu embargo Abraço os pesadelos; bebo todos.
A chave deste cofre? Não mais tenho, Por mais que valorize o meu empenho Não posso disfarçar mofos e lodos...
17
Ocupas- meu amor- lugar primeiro Nos pensamentos todos que eu já tive. Encontro no teu corpo o verdadeiro Motivo pelo qual a gente vive.
Tu és a força breve e mais sutil, Que dá em minha vida, a propulsão, Teu canto mais suave e tão gentil, Encharca de ternura o coração
Daquele que te fez amada amante, E se orgulha de estar sempre contigo. Amor é feito um sonho delirante Aonde a perfeição, cedo eu persigo.
Eu quero ter teu passo junto ao meu Na dádiva maior de ser só teu... Marcos Loures
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Ocasos dentro da alma solitária Destroços carcomidos; nada resta Sequer uma ilusão inda se empresta À vida que sonhara igualitária.
A linha divisória, imaginária, Já não comportaria quem detesta A sombra da emoção, tampouco presta A lua que eu julgara luminária.
Uma alegria é mesmo temporária, A luz dita em prazer, tão necessária, Somente algum resquício ainda atesta
Àquela a quem se fez uma adversária, Minha alma não será mais alimária, Enquanto esta esperança, o sonho gesta...
19
Observo a rua e vejo nas calçadas Os mesmos passageiros da agonia, Correndo atrás do tolo dia-a-dia As pernas dizem mentes apressadas.
Também vejo a passar; cartas marcadas Na mesma jogatina que se cria Na busca sem sentido; nua e fria, As faces pela Angústia, destroçadas.
Atrás desta janela; como espelho De tudo o que lá fora é tão comum, Um coração calado e velho,
Dentro da multidão, apenas um, Que vive por viver sem ter remédio, E morre pouco a pouco, em pleno tédio...
20
Obrigado Senhor, pela esperança Que impede que agonia nos domine. O vento sobre as folhas, bela dança, Que toda esta beleza determine.
O gozo do poder ter liberdade, Usando da palavra e do buril, Na força deste sonho que me invade, Meu verso mais sensível e gentil.
Obrigado Senhor pelo perdão Que faz com que eu comece a cada dia Um tempo de cevar, de novo o chão Colhendo em plenitude, a fantasia.
Obrigado, por último, Senhor, Pelo dom inigualável de um AMOR! Marcos Loures
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Obrigado Senhor por estar cego E não ver esta canalha Te explorando, Na cruz foi bem suave cada prego, Pior é nas Igrejas ir sangrando.
Obrigado Senhor por estar mudo, Assim minha palavra se tempera. Ao ver Teu povo frágil e miúdo Servido no jantar da besta fera.
Obrigado Senhor por ter cortado Meus braços e também as minhas pernas, Consigo deste jeito estar parado
E não matar em fúria algum covarde Encontro as redenções que são eternas, POIS TENHO DENTRO EM MIM, A LIBERDADE!
22
Oblonga silhueta dos meus sonhos Elipses entre várias translações Na força incomparável dos tufões Trunfos entre ritos, vãos, medonhos.
O tempo se tornando bem mais breve Os olhos se perdendo em vagos lumes, Compondo os meus destinos os estrumes, Na boca um vil sarcasmo ainda atreves.
Acordes dolorosos do passado, Rondando a minha cama, jazem ledos. Esquivos teus tentáculos e dedos
Sabujos de um prazer anunciado Num gesto aprisionas e libertas Ao mesmo tempo cevas e desertas... Marcos Loures
] 23
O viperino beijo da pantera Rasgando cada lábio da esperança. O amor que em solidão se degenera Impede a fantasia. Aguda lança.
Matar a inútil, fútil primavera Deixando uma nevasca por herança. Sarcástica se ri, felina fera, A morte talvez trague a temperança...
Bebendo das sarjetas, dos esgotos, Os mantos da ilusão, restando rotos, E apenas o vazio, nada além...
O corte da navalha, este amargor Legado que deixaste, por amor, Inferno em redenção, ele contém... Marcos Loures
24
O vinho mais gostoso desta adega, Eu sei, minha querida, é só você No farto que produz a doce entrega Eu sinto, enamorado, este buquê.
Ao crer na imensa sorte que hoje vem Dourar o pensamento, feito em luz. Certeza de que eu tenho agora o bem Quem em mágicas palavras me conduz
Permite que eu me encante sempre mais E tenha uma alegria sem igual, O amor em noites quentes, sensuais Inebriado sonho em festival.
No aval deste prazer que encontro enfim, Eu bebo cada gota até o fim...
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O viço deste amor em força tanta Aos poucos meus caminhos percorrendo, Na glória deste sonho que me encanta, Passado se tornando quase horrendo.
A solidão terrível inda me espanta Porém em nova senda percorrendo Percebo esta beleza em que se imanta O gozo de viver, puro, estupendo.
Por vezes me encontrara tão sozinho, Nos ermos da saudade, um ermitão, Tocado pelos fios da paixão
Mudando de repente o meu caminho, Nos olhos de quem amo em forte brilho Criei maravilhado um novo trilho.
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O véu que te cobria era tão branco... As asas que voavas assassinas! Sorriso meigo, branco, amigo, franco... Nas asas que voavas, minhas sinas...
O véu que te cobria, belo flanco Descobria asas, tuas asas finas... Franco sorriso, siso franco. Manco Coração... tuas asas descortinas...
No véu que te cobria teu sorriso... Nas asas que voavas, coração! Francos os teus sorrisos... Te preciso...
Não mintas por favor, não quero o não... Nas asas que me mostras meu destino... Os sonhos delicados dum menino!!!
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O véu que se rompeu da solidão, Permite-me antever felicidade. Por certo te entreguei minha emoção Na busca de encontrar saciedade...
Te quero com total entusiasmo, Meu peito te chamando, quer agora. Ao ver teus belos seios fico pasmo Pois tanta maravilha em ti se aflora...
Eu quero nosso amor p’ra sempre vivo, Realce de ternura e de grandeza. Um sonho adormecido, redivivo, Espalha pelo quarto esta beleza...
Eu sinto, pois, enfim sou mais feliz; Vivendo o grande amor que sempre quis...
28
O verso sendo inútil; morra a esmo, É tempo que se joga da janela, O beijo do fantasma em que se atrela O sonho, na verdade é sempre o mesmo.
Cismando pelas ruas; bebo o vento Vomito fantasia e volto só, Amarga a vida imita esse jiló A melhor tradução do sentimento,
Não quero esta palavra tão soturna, Se a minha inspiração sempre é diurna De que me vale o bar e as aguardentes,
Aguardo o meu final, apenas isso, E o esquecimento é tudo o que cobiço Trazendo a velha faca entre meus dentes...
29
O verso que primando por se expor Expressa a realidade, sem ter pejos, Matando em nascedouro os vãos desejos Invadem minha mente em vil torpor.
E faço da alegria de compor A mítica ilusão dos realejos Em sentimentos vários e sobejos Que falam, insistentes sobre amor.
A carne apodrecida, assim disfarço, Os olhos amauróticos dos sonhos Ensimesmando torpes fantasias.
O canto se perdendo em vão, esparso Em meio a fatos trágicos, medonhos, Esconde as noites vagas e tão frias... Marcos Loures
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O verso que ora busco, intuitivo, É quase que um repente e nada mais. Meu canto sendo assim tão primitivo Adentra qual um pássaro os umbrais,
Bebendo desta fonte sobrevivo E encontro tanto encanto que entornais Pois vós sois quem mantém o fogo vivo, Belos poemas sempre magistrais.
Querido companheiro, num ponteio Viola que tocais com maestria Trazendo ao coração tanta alegria
Tornando mais suave cada anseio Eu tenho a sorte imensa de poder Poeta-mor dos pampas; conhecer...
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O verso na verdade quando flui Com toda a mansidão de um rio plácido Podendo ser audaz, temível e ácido Ou mesmo a roupa velha que se pui
Castelo de esperança que já rui Ou tombo que me mostra frágil, flácido Acordo que já fora outrora tácito Agora sem limites não influi.
O parto mal parido dói demais O fim de todo barco é querer cais Qualquer ancoradouro satisfaz
Temendo a minha sorte nesta história Eu bebo teu suor e em tua glória O fim deste soneto, o nada traz. Marcos Loures
32
O verso diz reverso da medalha Queimando minha língua, em fogo intenso Vivendo neste fio de navalha No fundo ainda vejo um final tenso.
Acordo que se faz enquanto falha A fonte dos desejos, no alvo lenço A gente se procura e se agasalha No frio que se mostra mais imenso.
Imantas com teus risos meus tentáculos Os dias que virão nos diz oráculos Serão os que talvez enfim redimam.
Se o verso pontiagudo tanto fere O amor que no final não interfere Traz sonhos que com gozos sempre rimam... Marcos Loures
33
O verbo que apascenta traz os ventos, Alimentando guerras, calmarias. Enquanto afaga, aclara os sentimentos Denota as talibãs lutas. Sombrias.
Das águas e dos céus, revoluções, Amenizando as dores, as provoca Pecados em martírios, com paixões, Paixões que nos saciam, areia ou roca.
O verbo traz o belo e o mostra a cruz, Cevando as esperanças, logo as mata Deixando os corações cobertos, nus.
Palavra que alimenta e nos assalta, Às vezes servidão outras ingrata. Por vezes cuidadosa, mas incauta.. Marcos Loures
34
O vento renovando nossas vidas, Inverno sucumbindo à primavera. Não quero que percebas, pois duvidas Da cárie que maltrata a louca fera.
Rolando pelos céus, a cada esfera As marcas tão distintas das feridas Em tempos de batalhas recebidas Curadas pelo amor em luz sincera.
São meras garatujas do que tive, Ferrões que prometeram tanto mel, Aonde na verdade nunca estive
Escrevo num pedaço de papel, Guardado na garrafa dos meus sonhos, Os mares são gigantes e medonhos... Marcos Loures
35
O vento, a chuva, o frio... essa vontade De estar contigo agora, primavera... Vertendo em meu cantar, tranqüilidade Depois de tanto tempo em dura espera. A voz deste meu sonho em liberdade Procura por quem quero. Ah quem me dera...
Um mundo que se faz em fantasia Permite que construa mil abrigos. Por mais que seja triste o dia a dia, Por mais que a vida mostre seus perigos Brincar de nosso sonho em harmonia, Os joios bem distantes dos bons trigos,
Das dúvidas, angústias, solidão... Centelhas deste fogo... da paixão... Marcos Loures
36
O vento vai sangrando sem parar, Tocando a velha porta e seu batente. No desespero sempre a me mostrar, O mundo que se vai, velho e doente...
A noite tão escura sem luar, O canto que eu escuto, mais plangente, Mostrando como é triste o tanto amar, Morrendo o que se fora assim, contente...
Desculpe-me chorar, meu bom amigo, A vida não permite outra esperança. Passo titubeante que prossigo,
Levando ao quase nada. Eis a verdade, Por isso é que te peço a temperança Da força sem limites, a amizade...
37
O vento vai brincando no meu quarto E se esconde debaixo dos lençóis, Juntando neste caso, contra e prós Aguardo uma resposta em quase enfarto,
Eu na verdade andava meio farto De ter somente o não e nada após, Olhares que me miram quais faróis Ao ver de perto, são daquele gato
Que deixaste como herança. Tantas vezes Eu tentei me livrar deste fantasma Que ronda, ronronando e quando em asma,
Num Calvário noturno me incomoda. Fugiste sem motivo e nestes meses, Parece que a saudade inda me açoda...
38
O vento vai batendo no teu rosto, A brisa balançando teus cabelos, Sorriso tão bonito, assim exposto, Eu quero me envolver nestes novelos...
O sol vai bronzeando tua pele, A praia se inundando de desejo. O meu olhar no teu... Vai... Se compele... Maravilhosamente; a deusa, vejo...
Não corras mais de mim, te peço tanto... Não deixe a solidão voltar pra mim. Tu sabes o que quero, tanto e quanto, A boca doce, bela, carmesim...
O vento vai soprando em teus ouvidos, Invade, calmamente, teus sentidos...
39
O vento que te trouxe nova aragem Depois de certo tempo, noutro dia Esquece que promete a romaria E vai desbancar outra paisagem.
Se queres esquecer qualquer bobagem Não vista deste vento a fantasia Porém se ele promete a alegria Não conte que isto tudo é molecagem.
O vento não perdoa o contrafeito Nem sabe se viver é um direito Apenas bafejando uma tristeza
Invade cada canto da cidade Se queres ter total tranqüilidade Esqueça deste vento d’ incerteza... Marcos Loures
40
O vento que te toca venta aqui Beijando a minha boca, me domina, Sonhando com teus versos, me perdi, Vontade de te ter, minha menina,
Meus olhos sempre estão pensando em ti A lua deste amor, clara , argentina Meu desejo em teus olhos eu já li, Viver tanto prazer: que bela sina!
Nunca tema uma ausência, é impossível, Estamos tão atados que, jamais Podemos disfarçar, por ser incrível,
Esta vontade insana de querer De sempre, a cada dia e muito mais, Vivermos nossos corpos num só ser...
41
O vento que te fez em poesia, Em versos desenhou o nosso amor, Sorvendo em tua boca esta alegria, Bebendo de teu corpo, um bom licor.
Fazendo da receita a fantasia, Do lago que freqüento sem pudor. Fartando-se do mel que mais queria, Te trago noite e dia, aonde eu for.
A calda que me dás, gozo e compota, De todo amor que a gente sempre quer. Perdendo nos teus braços, rumo e rota,
Encontro com malícia essa mulher, Banquete bem servido e devorado, Com fúria e com paixão, extasiado...
42
O vento que te abraça o tempo inteiro Lambendo teus cabelos, tuas pernas, Carícias que te faz, são sempre ternas, Num arrepio leve, costumeiro.
As estrelas acendem as lanternas E a brisa novamente rouba o cheiro Que exalas, maravilhas de um canteiro, E as noites vão passando, são eternas...
Que faço se só sinto o teu perfume Trazido pelo vento sedutor. Difícil, meu amor, que eu me acostume;
Por isso este segundo a recompor Querendo todo aroma desta flor O vento, sim, provoca este ciúme...
43
O vento que sussurra no telhado Chamando por teu nome, mansamente, A brisa deste amor, tão envolvente, Num canto mais suave, apaixonado.
Tanto eu queria, agora, estar ao lado De quem tomou meu mundo de repente. Pois este amor que eu sei ser só da gente Domina meus caminhos, é meu fado.
Sonhando estar contigo, o pensamento Voando como o vento a te chamar Na calma sensação da doce brisa.
Tocando no teu corpo, num momento... Não custa, meu amor, imaginar, Tua presença, o vento enfim, me avisa... Marcos Loures
44
O vento que propaga esta semente Permite o refazer do antigo sonho, E mesmo sob o sol mais inclemente Garantirá futuro em paz, risonho.
Assim como este vento, eu te proponho Que o velho coração; sabes, não mente, E quando o meu caminho eu recomponho Cultivo a fantasia novamente.
Será que poderei colher os frutos Que o tempo, sem perdão apodreceu. Por mais que os velhos cães sejam astutos
Não sabem farejar felicidade. Julgando que este amor fosse só meu O vento sonegou prosperidade...
45
O vento que nos toca em calma brisa Tornando nossa pele mais sensível Vem manso e com ternura já me avisa Do amor que enfim chegou; indivisível. Meu sonho no teu corpo estigmatiza Transformo-te num símbolo invencível.
Numa taquicardia incontrolável Meu coração aguarda tua volta. Nesse novo horizonte tão amável Da amarra em que eu vivia já se solta Minha alma que sofria, assim instável E atada em laços frios da revolta.
A pele que contornas com teus beijos Está cicatrizada, sem ter pejos... Marcos Loures
46
O vento que no mar maltrata a lua Em tempestades busca o seu remanso. Nas noites que te caço, durmo manso. E acordo co’a pantera linda e nua...
Enquanto a fantasia continua Um Paraíso em sonhos; logo alcanço, E a festa prometida; bebo e danço, Trazendo serenatas nesta rua.
Vivendo mais feliz, meu peito aberto, O passo desde então, querida, acerto, E sigo madrugada, aurora e dia.
As ervas que danavam meu canteiro As cinzas que guardavas; teu cinzeiro, Morrendo entre as carícias da alegria... Marcos Loures
47
O vento que não venta um novo vento Em ventas e ventanas vestes vates Nos atos que destarte me desates Nas penas que me empena o pensamento.
Sou Momo e me transformo num momento Em manto que nas fimbrias tanto me ates Que ao fundo deste mundo chás e mates. Nas termas que me tremem meu tormento
Os ossos deste oficio cio e ócio. As bossas tão boçais braços e bócio O vento que permite vela e barco.
Me mordo mas não sinto cadê dentes? Os olhos que não miram sem ver tentes Vertentes que descrevem em cada arco. Marcos Loures
48
O vento que em convento faz estrago Os hábitos levanta, e muda a cena. Olhar quando inibido sendo gago Madeira tanto molha quanto empena.
Trigal sem esperanças mata bago Mortalha dos amores vai serena Se eu visgo ou mesmo vesgo busco afago Mirando nos fundilhos da morena.
Alheio a meus pecados, sigo em frente Rebento de tais erros; vou maçã. O quanto nada deixo pra amanhã
No gozo saliente da serpente. Ao perder a cabeça e sem juízo Debaixo desta saia, o Paraíso... Marcos Loures
49
O vento que chorando na janela Expõe a realidade nua e crua. Minha alma se perdendo inda flutua E busca pelos céus a rara estrela.
O canto que criei somente dela, Num canto se escondendo, já recua A mão que mais teimosa continua Sem barco e sem destino, guarda a vela.
De tudo que tentei, o nada vem, Respondendo ao apelo, diz ninguém A voz que solta segue pelos ares.
Aonde poderia ter ainda A brisa que a saudade já deslinda Mostrando o meu caminho aonde andares. Marcos Loures
11850
O vento que balança teus cabelos Convida para o sonho que se dá Em meio a fantasias, sonhos belos Que um dia encontrarei, desejo já...
Em nome deste amor, tantos libelos, O dia com certeza mostrará A maravilha imensa de podê-los Com mais firmeza o sol rebrilhará.
Estenda tuas mãos, sinta meu toque, Receba com carinhos, meu desejo. O quanto em alegrias eu prevejo
Palavra benfazeja que se invoque Traduzirá perfeitas sensações Dois corpos que se entregam às paixões... Marcos Loures
51
O vento que balança este coqueiro Na praia dos teus olhos sensuais, Vazante deste rio quer inteiro As águas que procuram por teu cais.
Menina se me desse verdadeiro Valor não perderia amor demais; Nas cordas deste pinho um violeiro Cantando nunca deixará jamais
Morena que na praia me chamava De noite para a gente namorar, Na areia com sereia se encontrava
E logo a lua cheia quis chegar, O mundo inteiro então se enluarava, Deitado, olhando tudo viro mar...
52
O vento que balança espera por alguém... As asas que me deste, orgulho dum plebeu, Na certa vou voar, procuro por meu bem O coração batendo, um reino que é ateu,
Aguarda com saudade, a noite nunca vem... A vida, crueldade, esboça um sonho meu, Me nega claridade, enfim eu sou ninguém. Ninguém vem me chamar, o meu amor morreu...
Meu mundo sem meu verso, anseia pela cura Bendito o meu desejo, um sonho de infinito... Quem dera primavera, a vida é tão escura...
Teus braços, meu abraço, explode coração! Nas ruas que passei, deliro, solto um grito. Num êxtase sincero, aguardo teu perdão... Marcos Loures
53
O vento que adentrou pelo teu quarto Trazia meu desejo de poder Beber de tua boca até que farto Pudesse retornar e reviver.
Não sentiste tocar teu corpo inteiro, Num arrepio gostoso de sentir? O vento carregando até meu cheiro Aos poucos, devagar a te despir.
Deixando-te desnuda e tão bonita, Roçando os seios belos, tuas pernas. Antecipando a noite prazerosa
Aonde encontrarei tua pepita Tomando destas fontes mais eternas, Até que a noite brilhe, radiosa... Marcos Loures
54
O vento passeando em meu telhado Traduz velho lamento que resiste, Meu verso em solidão amargo e triste A cada novo sonho, anunciado.
As marcas que carrego do passado, Qual tolo, dentro da alma o medo insiste E amor que a tudo vê, cruel assiste A morte vil tortura, doce Fado...
Aflora-se um sorriso em ironia Tomando o velho rosto de um poeta. A vida se perdendo sem ter meta
Apenas resta um canto de agonia Que toda noite volta – é tão fiel, Deixando por legado, simples fel... Marcos Loures
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O vento me levando para a areia Nas ondas mais sutis do sentimento, Amor que em fogaréu, contigo ateia Delícia me invadindo o pensamento.
Eu amo-te demais, por isso creia Não deixo de querer um só momento O manso acalentar que em minha veia Transfunde esta emoção e toma assento.
Dos fardos que carrego do passado, O medo de te amar, abandonado, Agora que percebo amor sem fim,
Canteiro de esperanças vou aguando E um novo amanhecer me transformando. Ao ter o teu perfume junto a mim. Marcos Loures
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O Vento me falando dos milagres Ausente dos teus ermos; sigo ereto, Do quanto na distância me completo, Entendo este vazio que consagres.
Os musgos vão tomando cada muro, Armários sem as chaves nem segredos, Percorro mansamente teus brinquedos, E volto ao mesmo vago, amargo e escuro,
Aonde a calmaria não resiste, O amor que não passou de ledo chiste, Agora volta e meia, girassol.
Auroras boreais, noites eternas, Serpentes enlaçando as minhas pernas, Soturna madrugada sem farol...
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O vento em ironia inda gargalha Deixando a solidão mais dolorida, Saudade de teus olhos, velha gralha Transtorna enquanto beija esta ferida.
Apenas o vazio me agasalha E mostra quão inválida esta vida Dos restos que esperança inda amealha Carcaça do meu sonho, envilecida.
A cada novo encanto, outro Calvário, Arcanos pesadelos me envolvendo. Aos poucos eu percebo estar morrendo,
Mas bebo a fantasia, solitário... Quem dera se voltasses... Ah! Quem dera... Somente o vento ruge. Amarga fera... Marcos Loures
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O vento do prazer em ti eu ouço Orquestra convidando para a festa. A noite que passou; simples esboço Do quanto em maravilha amor empresta.
Dançando esta balada, a vida vem Bebendo cada gota da alegria Desejo em madrugada o nosso bem Na redentora espera em poesia.
Teu nome no meu corpo, cicatriz, Marcado em perfeição, qual tatuagem. Canção que agora escuto já me diz Do quanto sou feliz nesta viagem
Que é feita em sintonia, mesmo tom, Roubando a cada volta o teu batom. Marcos Loures
59
O vento do passado inda envenena Rondando a minha casa em sentinela. Saudade vai roubando toda a cena Enquanto um dissabor já se revela.
Quem sonha com a vida mais serena Com noite mais tranqüila à paz se atrela Buscando uma emoção que seja amena. O barco singra o mar em mansa vela.
Porém uma saudade não permite Que a gente siga em frente. Sem os ventos, A calmaria toma os pensamentos
E numa estagnação, sem ter limite O tempo desandando nega a sorte, Congela o dia-a-dia em semi morte. Marcos Loures
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O vento do desejo nos tocando, Tornando-nos reféns de nosso amor, Meu corpo no teu corpo se espelhando Neste retrato belo e sedutor...
As mãos unidas, olhos se procuram, Se encontram e já mergulham... Nosso mar... Os sentimentos nisso se depuram Sobrando o gosto puro em vivo amar.
Em um átimo; entregues, vento e cio... Carinhos tão suaves, sedução... Caminhos deste vento nada frio Deságuam neste amor, louca paixão...
Deitados, nos amando. Ah! Voar... Suspiro te sentindo suspirar...
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O vento das mudanças não mais veio, Chegando as tempestades sem alerta, Enquanto a fantasia me deserta, Encaro os meus fantasmas sem receio.
Exponho o meu punhal, num louco anseio, A porta do meu sonho estando aberta, Mortalha me servindo de coberta, A faca penetrando cada seio.
Bebendo do teu sangue, Amor inglório Fazendo do sepulcro um oratório, Riscando a tua pele com meus dentes.
Reflito o que jamais pude negar, Poder de te beijar ou te esganar, Encantos sedutores de serpentes...
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O vento da saudade que me varre E leva meu amor por outros montes. Não quer que minha sorte em ti se agarre Nem quer que eu te vislumbre em horizontes. Meu sonho nos varais que eu não amarre Talvez isso me seque tantas fontes.
Detalhes esquecidos no caminho, São meras ilusões; isso não nego. Anárquico desejo: passarinho Sem asas que em meu peito não carrego. A noite que virá banhada a vinho, Travando minha mão, amor e prego.
As trilhas escondidas de tocaia, Morena o vento beija tua saia...
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O vento da paixão doce e feroz Adentra em vendaval, faz reboliço Calando num momento a minha voz No temporal dos sonhos, perde o viço.
Amor já se mostrando mais veloz Acende o mais divino compromisso Juntando bem mais forte nossos nós Permite cada sonho que eu cobiço.
Trazendo em argumento a luz mais forte, Amor cicatrizando qualquer corte Fagulhas espalhadas manso incêndio.
Encontro em cada parte do compêndio Palavras que me falam deste amor Divino, sem limites, sedutor... Marcos Loures
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O vento da agonia é corriqueiro Nas noites solitárias, sem ninguém. Ao mesmo tempo morro qual cordeiro Buscando uma emoção que nunca vem.
Sorriso em ironia, o derradeiro, Distante de quem queira sempre bem O céu vai se perdendo no tinteiro Da dura escuridão que chega e vem.
Sem nada que permita uma beleza Deixando bem distantes velhas glórias Apenas refletindo nas memórias
De quem um dia teve em farta mesa Sabores mais diversos e alegrias Mosaicos tão confusos, belos dias... Marcos Loures
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O vento calmaria que te trouxe, Nas brisas deste amor, cedo aninhou... O pote prometia ser tão doce, Mas caído, quebrado, esparramou...
Ventania na tarde aproximou-se, Nos céus do nosso amor relampejou... O tempo tão depressa transformou-se, E tudo no horizonte, já nublou...
À noite, tempestade se formava. Nossos céus retumbavam os trovões. Todo o breu, entre raios clareava...
Madrugada rajadas mais rajadas; A casa, neste instante, desabada, Sob o peso feroz dos furacões... Marcos Loures
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O vento balançando, ouvindo meu clamor... As noites vão morrendo, espero um novo dia... Não quero mais saber deste teu “grande” amor... A vida se demora em cada sinfonia...
Os beijos que negaste, estranha fantasia, Não deixam nem recado, expressam teu rancor. A morte vai chegar, cessando essa folia... Não pude perceber, frio se fez calor...
O medo que travaste, em versos se perdeu. A lua que chegava, a sombra derreteu. Amores mais sutis, cinzas do meu passado...
Um sino vai dobrando avisa que já fui... Não quero mais saber. Preciso, o teu recado... Castelo que encantado, amor depressa rui...
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O vento balançando estas melenas, Trazendo no seu canto, a tua voz... Distante de teus olhos, duras penas, A vida se mostrando tão feroz...
Vento balança as palhas do coqueiro, Trazendo uma cantiga tão antiga, Que lembra da saudade por inteiro Do tempo em tu eras minha amiga...
O vento traz teu nome, nesta praia. Areias, dunas, mares, me cansei... Deitado mansamente, lua espraia E traz junto com vento quem amei...
E foi-se embora, triste como o vento, Que canta e não sossega um só momento...
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O vento assoviando na janela, Dizendo da alegria que não veio. Por outro amanhecer, tolo eu anseio Apenas o vazio se revela.
A estrela que eu pensei, somente dela, Há muito se perdeu em outro veio, Nem mesmo na ilusão ainda creio, O frio penetrando, a sorte sela.
Agarro cada raio do luar Qual fosse a derradeira fantasia, Porém enquanto a noite mais se esfria
Eu sinto mais o vento te chamar. Uivando a noite inteira diz teu nome, E esta esperança ao léu, se esvai e some... Marcos Loures
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O vento ao balançar destes coqueiros A palha que nos cobre em tarde quente, Transporta os sonhos bons, alvissareiros De quem sabe que amar se faz urgente.
Meus dias que passando vão inteiros Na busca de quem faz amar contente, Areia onde me encantam feiticeiros Olhos desta morena onde se sente
A força de um amor que não tem fim, Batendo bem mais forte no meu peito. Princesa que encantando o meu reinado,
Na fortaleza bela encontro enfim Alguém que me deixando satisfeito Eu quero para sempre do meu lado..
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O vento acaricia teus cabelos, Na dança que promete ser mais terna, Envolvendo teu corpo nos novelos Das carícias. Quem dera fosse eterna
A noite dos sentidos sem contê-los... A dor que tão distante, inda te hiberna Aos poucos vai saindo. Quero vê-los Dançando na alegria mais fraterna...
E quero; como o vento que te abraça, Beijar a tua face delicada... Andando, braços dados pela praça
Olhando para o sol que renasceu Tua cabeça no ombro recostada, Vivendo este prazer que é teu e meu...
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O velho Virgulino me ensinou Que o fogo que acendeu o lampião Tomando sem dar tréguas o sertão Aos poucos tanta coisa derrubou,
No aboio do vaqueiro, agora vou Versejo sobre amor, falo em paixão, Da Igreja que invadi, seu carrilhão A morte deste encanto anunciou.
Sepultamento às sete da manhã. Não quero mais perder-me neste afã Sou fã de carteirinha dos teus lábios...
Mas finges que não vês os meus anseios, Menina se eu pudesse... ter teus seios Os versos que eu faria, bem mais sábios... Marcos Loures
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O velho sofrimento que acompanha Um sonhador que pensa ter respostas Às dúvidas que sempre são expostas Enquanto a solidão tocando, arranha.
Olhando para além, fria montanha As brumas vão tomando estas encostas. A chuva que encharcando minhas costas Derrota esta partida outrora ganha.
E nada que virá muda este jogo. Nos braços da saudade se me afogo Aguardo resignado o amargo fim.
O vento que roçava uma ilusão, Durante certo tempo, um furacão, Agora simples brisa sobre mim... Marcos Loures
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O velho marinheiro busca o mar... Já sabe todas lendas, das sereias. Conhece melodia pra cantar. Descreve seus castelos nas areias.
Constelações são livros... Estudar As fases, velha lua. Suas veias Levam sal e saudades. Navegar... Reconhece qualquer dor, suas teias...
Romarias marinhas, os naufrágios... Bancarrotas, riquezas e mentiras. Roupas rotas, os vinhos e presságios.
As rotas sem destino ao mar, atiras... Nos olhos, seus amores são pelágios... As correntes marinhas, suas liras... Marcos Loures
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O velho couraçado, coração Tramita entre as estrelas liberdade, Sabendo do valor de uma amizade Entrega-se sem tréguas ao perdão.
Eu sei que ali se encontra a solução Que tantas vezes busco. A claridade Que possa denotar tranqüilidade Amansa com carinho e traz verão.
Andando sempre em boa companhia De amigos eu procuro em parceria Viver cada momento em plenitude.
Carpir as minhas dores? Nunca mais, Em ti eu percebi supremo cais De um sentimento feito em atitude... Marcos Loures
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O velho coração, meu timoneiro Que enfrenta mil procelas, temporais Buscando em noite escura alçar o cais Em meio ao mais terrível nevoeiro.
O quanto deste amor é verdadeiro Permite as soluções mais magistrais, Mas quando faz das trevas rituais É flor que já perdeu beleza e cheiro.
Um fardo assim imenso; ora carrego No meio das tempestas, eu navego E sei que neste porto, nada espera...
Soçobra a embarcação, vejo o naufrágio, A vida me cobrando com seu ágio Destrói o que eu pensara primavera...
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O velho canarinho que tentava Cantar o seu lamento sertanejo, Depois de certo tempo reparava Quanto era ultrapassado cada arpejo
Que o pobre sem saber que só piava, Servia de piada sem ter pejo. O nobre rouxinol quando cantava Negava ou falseava o seu desejo.
Qual fora um repentista caipira, Também imaginei que a bela lua Gostasse do cantar em serenata.
Que ledo engano; a Terra sempre gira E a vida que pra frente continua, Expulsa o canarinho para a mata...
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O velho caminheiro não desiste Seguindo em noite clara ou plena em trevas. Fazenda da esperança suas cevas, Mesmo numa árdua andança ainda insiste.
No coração que outrora fora triste As amarguras fogem, frias levas. Enquanto as fantasias queres, levas, Uma alma vencedora já resiste.
Assim a solidão segue distante, A vida num momento fascinante Sangrias e derrames, peito estanca
Vivendo tão somente por saber Que o importa na vida é ter prazer, Não quero nem saber se a mula é manca. Marcos Loures
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O vazio; eu conquisto em palavras tão vãs Tentando alexandrino o canto que esbocei Não quero ver se o gosto expresso nas maçãs Transborde e serpenteie ao transtornar a lei.
Não passam de loucura as febres cortesãs Nas quais em teu dossel às vezes me encontrei. Quem sabe sem disfarce as luzes espiãs Deletem o que sou ou o que não serei.
Vazio pode ser o copo quase cheio Depende de quem olha ou mesmo de quem bebe Quem veio de ouro fino ao ver a dura plebe
Não sabe quanto custa a vida sem recheio. Mas mesmo assim insisto, ou nada mais seria Que uma esperança agüenta a vida sem poesia...
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O vaso se quebrou, não restou nada, Nem mesmo uma palavra mais tranqüila, Veneno que este peito assim destila Impede que se veja uma alvorada.
Dos Céus já me esqueci, sem ter escada, Embora esta esperança em sonhos grila Posseira dos meus sonhos, cai, vacila E morre numa trágica estocada.
O corpo embalsamado da alegria Já pútrido esfacela-se, venal, Na carcomida face que se cria
Após cada mergulho dentro em mim, Esgarço o meu disfarce colossal, Derramo este vinhoto em meu jardim... Marcos Loures
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O vaso quebrado prenuncia A festa que não foi, mas tantas vezes Durante muito tempo deveria. Vencendo tempestades e reveses,
As bocas bebem luzes deste dia, Amor e dor quando tu revezes Serão a nossa mesma sinfonia. Além do que mais queres não desprezes.
Algozes de nós queremos não ser Vivendo com farturas de prazer Sereno coração perdeu seu rumo.
Na parte que me cabe, vou também Buscando o que dos sonhos jamais vem, E os erros cometidos? Não assumo... Marcos Loures
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O vale dos prazeres; quero e vejo, Ouvindo este chorinho, Nazareth, Passado vem chegando e num lampejo De salto bem mais alto, vem André.
Brasileirinho andando sem Lamento No bandolim divino de Jacob, Oito Batutas chegam num momento, Num Pingo d’água, eu sei que dão um Nó.
O cavaquinho trama com a flauta Piano convidando pro sarau, A refeição servida, sempre lauta Demonstra este banquete musical.
Ao me lembrar de um Sovaco que é de Cobra, O peito apaixonado já soçobra.
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O tudo que desejo, o bem que eu quero; Apenas encontrei nos teus abraços. O mundo dolorido rude e fero, Se perde na cadência dos teus passos,
Tu és amor mais puro que venero, Ocupas coração, sem dar espaços Aos medos tão cruéis, tristes mormaços, Que queimam e magoam, desespero...
Vieste qual raiar de uma alvorada Em brilhos infinitos, benfazejos, Roubando toda a cena com teus beijos,
Na glória de viver, tão ansiada. Contigo renasceu a minha sorte, Amor que invade tudo, firme e forte... Marcos Loures
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O trunfo que guardei p’ro nosso caso Esqueci de jogar n’hora fatal. Amor quando termina, finda o prazo, Não passa de arremedo, vai sem sal...
O sol poente morre neste ocaso, Sem brilho não clareia o matagal Dos sonhos. Não flamejo e nem me abraso Nos raios deste amor, tolo final...
A noite que pensei que fosse dela Não veio nem virá, morreu apenas... As cores desbotadas na aquarela,
Não fazem do cenário bela tela. Não trazem, no horizonte, suas cenas, Restando só meu trunfo, amor, Gisela...
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O trem que descarrila perde o rumo, Sem ter locomotiva, sou vagão. Imerso nas entranhas deste chão, Bebendo da saudade todo o sumo.
Enquanto na verdade não me aprumo, Esqueço de tentar a direção, Olhando este vazio na amplidão, Embora solidão, não me acostumo.
Desertos sem oásis; velha peça. Escondo-me detrás dos camarins, Não tendo mais floradas nem jardins,
O coração sem prumo, já tropeça E volta e meia tento algum sorriso, Nos céus agrisalhados me matizo...
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O trem descarrilado permitiu Que eu visse a tua imagem cara a cara, A jóia que julgara, outrora rara, Desnuda, se mostrando amarga e vil.
Fazendo o que bem quer, não tiro um til Daquilo que falei; verdade sara Embora a realidade seja amara, Não te suporto mais em meu covil.
Vá logo se roçar em outras pedras, Ouvindo o meu ladrar tu nem te medras E segue com o rabo levantado.
Sorrindo, esta cadela não tem jeito, Nem mesmo me lambendo, não aceito. É bom vazar, então, no capinado... Marcos Loures
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O toque da paixão e do desejo Boca e coração se misturando. Na cama e sutileza deste beijo, Um fogo angelical nos dominando...
Cada vez que mais te sinto, o bem prevejo E quero que tu saibas me enlevando Ao céu que se ilumina em azulejo, Te quero desde já, sentir tocando
O céu de minha boca com a língua O céu do meu amor com mansa fala, Amor assim gostoso nunca míngua,
Vigora e revigora a cada canto, Do quarto, porta aberta seio e sala, Vibrando desejoso em teu encanto...
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O tom em que pintara, não desfaço Um semitom opaco, mas sincero, Se o perto do mineiro dá cansaço, Na curva do caminho eu não te espero...
A vida que me deu régua e compasso Deixou já bem distante o quero-quero. Menina, eu me aquecendo em teu abraço Esqueço qualquer papo ou lero-lero.
Saudade dá coceira em meu nariz Com cheiro desta lenha no fogão. Eu sei que poderia ser feliz
Porém a vida sempre disse não. Mas vivo no conforme Deus me quis, Saudade maltratando o coração!
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O teu telefonema, eu esperei, Mas nada de tocar este maldito. Ao menos esperava ouvir um: Hei! O tempo vai passando, estou aflito.
De tudo aquilo, tolo, que eu criei Nem mesmo algum recado. Eterno rito Que faz da solidão a sua lei, Eu já me acostumei. Quem sabe um grito?
Vontade de pular pela janela, Quebrando os protocolos: suicídio. O amor há tanto tempo num dissídio
Apenas o vazio me revela. Quem sabe uma amizade? Mas nem isso, O nó no meu pescoço? Corrediço... Marcos Loures
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O teu sorriso traz a estrela rara; Com maestria, logo me alvoroças Enquanto em tal carinho amor declara, Adentramos estradas belas; nossas.
O teu gostar decerto já me ampara, E nele sem saber sempre remoças Tomando com ternura esta seara Em flórea sedução, delírio; acossas.
Na plêiade fantástica dos sonhos, Momentos tão sublimes e risonhos Raríssima beleza nos conforta.
Do outrora impenetrável coração, O amor com fantasia e tentação Abriu e escancarou, janela e porta... Marcos Loures
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O teu sorriso calmo e tão dolente Demonstra tanta paz e mansidão. Refaço minha vida totalmente Nos braços que prometem novo chão. A vida se renova de repente E traz novo futuro e solução.
Amiga, em meus momentos doloridos, Eu sei que tu me deste teu afeto. Mostrando novos sonhos coloridos Um mundo mais gentil e mais dileto. Os males que passei adormecidos Em teu carinho imenso me completo
E venho agradecer o teu amparo, Teu sentimento nobre que é tão raro...
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O teu sorriso acalma a minha vida Apascentando tantas tempestades Minha alma se desnuda agradecida, Nos vendavais encontra liberdades.
Conforto de teu colo, teu afeto, Refresca a lida dura e fatigante. Carinho que tu trazes, predileto, Permite que na vida eu me agigante.
Uma alvorada em luz aquecedora, Paz que se promete duradoura, Verdade que liberta. Amor sincero.
Por isso todo dia eu agradeço Dás-me muito além do que mereço, E em cada nova prece, te venero... Marcos Loures
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O teu perfume, amada, o teu aroma... Mistura de fragrâncias divinais... As mãos tão delicadas, bela soma De deusas e belezas naturais...
Por vezes me enlutando de tristezas, Procuro o teu perfume dentre as flores... Em nenhuma encontrei delicadezas Que possuis, minha amada, em seus olores...
Por favor não me deixes, primavera, Eu te quero comigo, eternidades... Tenho medo que a vida, besta fera, Te carregue de mim, fatalidades...
Mas por isso te quero sempre aqui... Primavera dos sonhos, que vivi...
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O teu olhar perverso entre sombrias flores Impele ao sofrimento e marca cada dia Vivido sob o medo. Algoz da fantasia Inúteis expressões, antigos desamores
Carregarás contigo, e mesmo que não fores A imagem tatuada, expressa espúria orgia. Quiseras, disso eu sei, que fossem refletores Do brilho que sonhaste e matas na agonia.
Laguna em temporais, arcanas ilusões Arquitetando a luz ausente. Sorumbática Caminhas, uma vaga imagem emblemática
Desfilas os anéis, satúrnicas paixões No frio e tão distante espaço sideral, Olhar que no infinito, externa imenso mal...
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O teu olhar decerto, eu sinto, não perdoa. Desculpe se te tomo a luz e claridade. No fundo não pretendo o gosto da saudade. A mão que não carinha, aquela que magoa...
O pensamento é ave esperta, sempre voa. Não quero essa gaiola, eu amo a liberdade! Embora não prometa eu terei lealdade. À noite, após a festa, a vida fica boa!
Não venhas me dizer que julgas na aparência Se for assim, também, que eu tenha paciência. Se bem que na verdade a vida não me aparta.
Eu gosto do teu colo, o resto não importa. Senão que vou fazer? Aberta, vive a porta. Quero ficar aqui, na nossa casa, Marta! Marcos Loures
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O teu nome se espalha no universo, As estrelas te querem conhecer. A lua, com certeza quer saber A musa que me inspira nesse verso.
Quem perdeu tanta vida e foi disperso, De repente, começa a descrever A magia fantástica de um ser Divino. Quem amou sabe que adverso
Sentimento maltrata e pede cura. A noite que vivi foi tão escura. Do peito, uma janela, sempre aberta.
Mas não vinha, sequer, resto de luz. De repente brilhante sol produz Efeito alucinante enfim desperta...
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O teu nome eu proclamo pelas ruas E clamo o tempo inteiro, ninguém vem, Parece que endeusada tu flutuas Perdido, eu continuo sem ninguém.
Estrelas, diademas, sóis e luas, Espaços vasculhando e nada tem. Palavras me tocando, frias, cruas, Saudades deste amor, vou sempre aquém...
Meu karma talvez seja ser assim, Um homem solitário na calçada, O sol do amor intenso; eu guardo em mim.
Depois de tanto tempo, resta o nada. Teu nome vou clamando até o fim Quem sabe tu virás numa alvorada... Marcos Loures
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O teu cuzinho, amor, é tão gostoso, É bem apertadinho, e eu te garanto, Que dentro do teu rabo eu logo gozo, E nele encontro, em fogo todo encanto.
Quem dera se teu cu tivesse agora, De quatro, em cavalgada, bem safado, Tua buceta, amada, o pau adora, Comendo frente e atrás, assim de lado.
O teu grelinho duro, quer meu dedo, A boca vai lambendo e te chupando, Fudendo a noite inteira, sem segredo, Adoro te sentir assim, gozando.
Minha putinha, eu quero bem vadia, Na foda que não cansa e nos sacia..
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O teu corpo colado, atado ao meu, na dança atroz que vai queimando tudo na claridade, em que muito se perdeu, já me deixando pasmo, quieto mudo
as mãos macias sabem sonho ateu nas delícias, em todas, corte agudo na carne dolorida que nasceu somente para ser teu corpo e escudo.
quero insensatamente tresloucado beber no doce cálice da vida meu rumo torto, pálido, calado
repete em ti meus rumos sem guarida cometo os mesmos erros do passado minha alma segue em ti, nave perdida...
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O teu amor, querida, é redenção A quem durante a vida se perdeu. Aflora no meu peito esta emoção, Do amor que sei somente é teu e meu.
Rasgando em alegria o coração, Pois todo este carinho me venceu, Causando em alegria, comoção, Dourando em rara prata, a treva e o breu.
Agora vou cativo deste sonho, Promessa de outro dia mais risonho... Que em plena tempestade me aflorou.
Outrora um passageiro sem destino, Trazendo tão somente em desatino Saudade de quem foi e não voltou. Marcos Loures
11900
O teu amor somente será meu Desde o dia em que bela, tu nasceste, Meu coração decerto tão ateu A Deus agradecendo pois vieste...
Não sinto mais os medos que n’outrora Faziam cada noite meu suplício... Minha alma de tua alma se decora Amor que santifica desde o início...
Te quero como o brilho desta lua Que traz em seus raios, claridade. A vida em tua vida continua Contigo encontrarei felicidade...
Te busco, com certeza estás aqui. Minha alma te adorando, em frenesi...
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