
MEUS SONETOS VOLUME 117
Data 27/12/2010 13:10:18 | Tópico: Sonetos
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1
O fogo da paixão se mostra exposto Incendiando tudo à nossa frente, Sentindo em tua pele, raro gosto O quanto de prazer já se pressente!
Sonhar tua nudez, clarividência Caminho tão profano e desejado. O sol que nos queimando em florescência Estampa o gozo audaz e procurado.
Carícias que trocamos são promessas De um dia mais feliz que eu sei, virá, O quanto me desejas e confessas Mostra minha vontade desde já.
Assim, dois viajantes da esperança, Entranham com delírio a mesma dança...
2
O fogo da paixão que tanto ardia Moldando uma esperança onde prevejo Virá com mais ardor nosso desejo Alçando um novo tempo em alegria.
Apenas em carinhos se previa Um mundo mavioso e tão sobejo, Levando ao desencanto, o seu despejo, Pois num canto se irmana a cada dia.
Nas chamas atrevidas, mais audazes, Os lábios tão gulosos são capazes De tantas peripécias num momento.
Enamorados vamos pela vida, Reféns da fantasia que incontida, Domando nos encharca o pensamento...
3
O fogo da paixão ardendo em brasas Me queima simplesmente e nada mais... Meu coração se perde em tantas asas Voando só buscando um novo cais... Por sobre mil cidades, tantas casas, Sem medo de ferir-se ou coisas tais, Vontade de sentir quanto me abrasas, Vontade de querer-te por demais... Na flama deste amor incandescente Que faz com que eu me perca, num furor, Aos poucos te deixando enlanguescente, Roubando sem juízo, os teus beijos, Rondando nossa cama sem pudor, Inflama teus ardores e desejos...
4
O fogo da natura em explosão Aguarda pelo vento da esperança Que traga ao mais ingênuo coração A força que se faz em confiança. Do quanto a vida foi em negação, Um novo alvorecer, amor alcança.
A dor que se esfumaça pouco a pouco, Não deixa mais resquícios sobre nós Distante de um amor, ficando louco, Não vejo mais futuro, nada após, Se necessário eu grito até que, rouco Não tenha mais sequer alguma voz.
Sem lua minha noite não tem haste, O sonho se perdeu neste contraste.
5
O fogo abençoado da mulher Rolando em minha cama noite afora Do jeito que o diabo sempre quer, Exalta toda a festa desde agora.
Coroa todo o gesto que eu fizer Na cor que em coração cedo decora. Contigo o meu amor não vai embora Já tenho em meu banquete um bom talher.
O quanto fui outrora temeroso, Não tem mais no presente, semelhança, Bebendo cada taça de esperança
Inebriado, sinto o forte gozo Que chega da menina sem receios, Tocando com meus dedos belos seios... Marcos Loures
6
O foco se perdeu faz tanto tempo... Sem ar minha arma arcando com meus erros. Enquanto a vida for só passatempo Contemplo em meu caminho tais desterros.
Nos astros, estros, ostras ensimesmo. As farpas quais escarpas negam cais. Por vezes num engano vou à esmo Explano arcano plano, sou jamais.
Há males que com ares indecentes Semeiam as sementes da ilusão. Os dias em que frisas mostras dentes Ecoa enquanto escoa solidão.
Recuos são inócuos, disso eu sei. Sem viço, num tropeço eu já te amei... Marcos Loures
7
O fio da esperança atando nossos sonhos, compondo em nova dança momentos mais risonhos,
na fresta que se abriu num coração sincero, o toque mais sutil querida, eu tanto quero,
vencer a madrugada, deitada sob a lua, beleza extasiada, de uma princesa nua
que quer além do mar, ao prazer se entregar Marcos Loures
8
O fim que se aproxima mostrará Que tudo foi em vão, mas eu tentei. Silvestres emoções que desfilei Apenas o futuro onerará.
Pagando a fantasia quero já Servir a quem jamais imaginei, Mas quando a poesia dita lei, O carro no final capotará.
Da sorte abandonada numa esquina Ao vento que em borrasca nos domina, O quadro se tornou amortalhado,
Sou plâncton, sou tão ínfimo poeta Que embora tenha o riso como meta Percebo o meu destino malfadado...
9
O fim em solidão já se pressente; O canto em fantasia preconiza Mudanças nestes ventos, na corrente Trazendo a calmaria feita em brisa.
Durante tanto tempo andei sozinho, Carrego em minhas costas cicatrizes, Uma amizade estende em doce vinho Esperança de dias mais felizes.
Durante tantos anos, cego e só, Vivendo por viver e nada mais. A cada novo sonho, um novo nó Deixando bem distante o ledo cais.
Enquanto as esperanças desabavam Tristezas sem igual me maltratavam. Marcos Loures
10
O fim dessa amargura e sofrimento Que expõe a face oculta da pantera, Lambendo a sua cria, num momento Adentra em nossa pele, amarga fera.
Andando sem destino pelas ruas, Crianças são expostas qual troféu, Enquanto sutilmente as carnes cruas Vendidas mais baratas que papel
Jogadas sempre às traças por quem anda Olhando para estrelas de cinema O que se disse outrora já desanda Amor não pode ser só um problema
Vencendo as injustiças, na verdade, Ouçamos a voz mansa da amizade... Marcos Loures
11
O ferro na boneca naufragou, O beijo na verdade foi à toa. O quanto meu desejo desejou Ainda refletindo não ressoa.
Mineiro quando vê de perto o mar Esquece da lagoa, num segundo. Vontade de em teus braços mergulhar, Porém o coração é vagabundo...
Um troço que destroça o tal do amor, Eu truce uma esperança que trucida. Vem logo desfrutar desse calor Que vale, com certeza, toda a vida.
“ Um bolo de fubá, barriga d’água” Faz tempo que não vejo alguma anágua... Marcos Loures
12
O encanto feito amor rejuvenesce. Trazendo ao desespero o seu descarte É como se, querida eu já pudesse, Alçar em pensamento qualquer parte
Do espaço em que o prazer assim se tece, Alçando uma alegria, assim, destarte, Agradecer a Deus, em louca prece, Alvíssaras risonhas que reparte
Amor em nossos corpos, cada vez Que a noite nos impele, insensatez Sabendo que amanhã o sol nos queima.
E mesmo que vivemos esta sorte, Resquício do que houvera em fundo corte, Às vezes um temor ainda teima, Marcos Loures
13
O fato de ter sempre este jamais Esconde uma ironia do passado, Talvez eu não tivesse imaginado A falta que me faz seguro cais.
Eu te asseguro e falo sempre mais Do amor que muitas vezes renegado Precisa ser deveras cultivado Com mãos mais delicadas, pontuais.
Às vezes num descuido nós não vemos Que o barco necessita de seus remos, Senão capotará mesmo em regato.
Palavras malfazejas que maltratam, Olhares cabisbaixos já retratam Um riso que se encontre em desacato. Marcos Loures
14
O fardo que carrego tanto pesa Que impede a caminhada vida afora, O vento que em momentos sempre aflora Ao mesmo tempo nega e põe a mesa.
Meu riso quando usado por defesa Denota que entendi, pois desde agora, O mar que me inundou já foi embora Tocado pelos ventos da surpresa.
Verdades conhecidas nesta andança Marcando a ferro e fogo uma esperança Entranha em minha pele qualquer acha.
Sabendo desde sempre deste fato, Na correta assertiva eu me retrato: Decerto quem procura jamais acha. Marcos Loures
15
O fardo da existência tanto pesa Nas costas de quem quer ser mais feliz. Sorrisos e palavras, vã defesa. Nem sempre o que se fala é o que se diz.
A vida vai se expondo sobre a mesa, E ao perceber que sou um aprendiz Às vezes se emoldura com beleza Em outras vai negando o que eu mais quis.
Sozinho, no começo e no final, Restando tão somente o simples nada. Estrelas que carrego no bornal
Não servem pra guiar por toda a estrada. Da vida que passei, sempre lutando Minha amiga, ao vazio retornando.
16
O fado que persigo tão escuro Em muros e murais são meus cantares Andando com certeza chão tão duro, Espero me encontrar Sírius, Antares.
Oprime-me esse medo desse enredo Que cedo não domino esse querer... Libando liberdade labaredo E vedo tal degredo de não ver.
Qual lobo que percebe seu uivado Ceifado destes cortes cicatriz. Andando por teu mar crucificado Fincando minha estaca onde bem quis.
Perpétua gentileza que se esquiva Na viva mansidão densa e cativa...
17
Ô Dunga, teu timeco vale nada Pior que o Botafogo de Borer. A turma com certeza está cansada, Por isso vou meter minha colher.
A bola com carinho, se tocada, Permite se fazer o que quiser, Porém do jeito que anda, tão quadrada O resultado, amigo, ninguém quer.
Por mais que isso pareça redundância A gente joga bola com o pé Não é, posso dizer com a bundância
Roçando cada parte do gramado. Mas digo, companheiro eu tenho fé No fundo, eu já estou acostumado... Marcos Loures
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O dono dos teus sonhos, minha amiga, Há tempos se perdeu em outra estrela. Ausência de quem amas já revela Que o amor quando se vai te desabriga.
A sorte que imaginas, forte viga, Destino em outra senda agora sela Corcel de uma esperança tão singela Se atrela noutro espaço, mas prossiga.
Não deixe que isto mate a fantasia Apenas siga em frente, nada mais. Enquanto outro caminho, noutro cais
A vida proporciona, o sonho cria Não deixe de sentir na paisagem O vento da ilusão, em outra aragem. Marcos Loures
19
O dom da calmaria, enfim, alcanço Rolando em plena noite um som suave. O canto que se espalha calmo e manso Retira do caminho, pedra, entrave...
Na nave dos meus sonhos chego a ti, O quanto que te gosto, não consigo Falar em simples verso o que senti, Na música a tocar, tudo o que digo.
Escute a melodia, ela diz tudo Nas notas da canção, neste estribilho, Por mais que eu fique aqui, calado e mudo Retrato que se mostra, tom que eu trilho.
Declaração de amor simples balada, Não falo e nem preciso dizer nada...
20
o do Jegue sou eu mesmo já cansado de sonhar, um comedor de torresmo trovador que quer cantar caminhando sempre a esmo sem ter canto pra parar
a minha alma de mineiro com certeza está maluca, comendo feijão tropeiro ou leitão à pururuca o meu canto é mensageiro da verdade que machuca
minha amiga, então prazer! Como é bom te conhecer... Marcos Loures
21
O dito por não dito, deixe assim, O quase nunca vale, é sempre o nada, Havendo no caminho uma guinada, O templo já desaba, está no fim.
À rosa eu ofereço o meu jardim, A moça se sentindo perfumada Responde que é vazia a minha estrada E segue o seu destino, vai sem mim.
Desejo boa sorte, tão somente, Futuro noutro braço iridescente Poente da emoção, sigo vazio.
No fundo merecia alguma chance. Das velhas picardias de um romance O picadeiro segue em vão, sombrio... Marcos Loures
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O diabo empunhando os seus fuzis, Mordaças espalhadas pelas ruas, Estrelas que julgara nossas, nuas, A vida se escorrendo por um triz.
Antigos testamentos, mão violenta, A velha gargalhada dos profetas, Descaminhos formados por tais setas, Sequer algum perdão, já me apascenta.
E morro sem saber de uma saída Do velho labirinto em cruz e fogo. As rédeas; arrebento, e neste jogo,
Sem preparar dissídio ou despedida, Eu rasgo os meus temores, solto a voz, E cuspo na mortalha deste algoz...
23
O dia-a-dia cala e me arremete Aos braços do marasmo em que me dou. Reflexo de um vazio demonstrou Felicidade a mim não mais compete.
Eu não suporto, enfim, jogar confete Demonstro na verdade quem eu sou. Se o sonho há tanto tempo desabou, O amor que tanto eu tive não repete.
Se eu falo com terrível acidez, A culpa é deste mar cotidiano. Quem tem um coração quase cigano
Necessita de um ar de insensatez. Amor já não reflete o pensamento, Da morte em redenção, pressentimento... Marcos Loures
24
O dia se mostrando luminoso Pra quem concebe ter amor urgente, Um sonho que se mostra glorioso Tomando o coração, invade a gente.
Na força da amizade, em pleno gozo, No bem que a se mostrar nos oriente Moldando um mundo manso e fabuloso Aonde ser feliz já nos contente.
Somadas nossas forças, minha amiga Certeza de que a vida em paz prossiga Numa emoção divina e triunfante
Deveras sendo assim nossa amizade Que é feita na total sinceridade Mostrando o melhor rumo a cada instante... Marcos Loures
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O dia se esgueirando no crepúsculo, Brincando com as cores do sol pôr, Reteso meu desejo em cada músculo No lusco fusco busco o meu amor.
Um vento quase brusco em luz que ofusca Prepara para a noite um espetáculo, Amor ao se esconder da louca busca, Aguarda a previsão em outro oráculo.
Nem menos eu pergunto aonde foi Que te perdi estrela derradeira. Brejal em sinfonia sapo boi Fazendo em plena noite barulheira
Avisa ao coração que amor chegou Nas pernas da morena que passou...
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O dia se esgueirando atravessa as veredas Trazendo no sol-pôr matizes mais diversas, Ao mesmo tempo, amada em sendas que enveredas As chamas da esperança; acabam-se, dispersas...
Cobertas nesta cama, em raríssimas sedas Na treva deste amor as horas são perversas Rebanho constelar vagando em alamedas De sonhos e luar, as ilusões que versas.
Adormecido sonho, espera pelo bote Que possa permitir; quem sabe uma ventura. O gozo em sofrimento, estrada, rumo e mote
Inunda o rio em foz e salga-se no mar, Na espreita por; talvez uma última ternura, A amargura realça o doce bem de amar...
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O dia raiará maravilhoso, Esta esperança sempre vem comigo, E dela com certeza, o manso gozo De quem enfrenta em paz qualquer perigo.
Ao menos inda guardo o fabuloso Sorriso de quem amo e a quem persigo Além da luta inglória, é caprichoso O mar que inda carrego e creio amigo.
O barco que soçobra em fortes ondas, À noite te procuro em tantas rondas E vejo tua marca pelo chão.
A lua se entornando nas calçadas Transitam ilusões tão maltratadas, Aguardo para o fim, rebelião... Marcos Loures
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O dia prometido, na manhã Que traz em sangramento, o novo dia, Deixando uma palavra solta e vã Causando em nosso amor, hemorragia.
A sorte se fazendo bem malsã Transporta a tempestade em agonia, Quem dera se a esperança guardiã Mostrasse sua face em harmonia.
Ao ver o teu sorriso desdenhoso, Eu lembro-me do beijo feito em gozo, Agora desfilando em outra tez
Pressinto que não tenho quase nada, Quem dera ressurgisse na alvorada O amor que bem distante, a gente fez...
29
O dia mais ameno, anunciado Notícia que não li nem nos jornais, Apenas por estar apaixonado Prevejo estes luares magistrais.
Não quero penitência nem polícia Tampouco uma censura que nos tolha. Plantando em tua pele tal delícia No gozo prometido a minha escolha.
Meninas em jardins, belos jasmins Florescem entre mil sonhos, colibris, As bocas da esperança, carmesins Dourando o meu caminho mais feliz.
Sem cercas meu quintal cede ao cultivo Nas sombras do arvoredo, agora eu vivo... Marcos Loures
30
O dia fugitivo perde o lume Do sol que derramava seu calor. Dama da noite acende seu perfume, Adolescentes buscam sonho, amor...
As dúvidas renascem nos casais, Pirilampos, corujas, fátuo fogo. O frio feito em treva; a noite traz. Amor já recomeça o velho jogo
Os bares são tomados, juventude, Os lares apagados, discussões. A namorada pede uma atitude, Milhares de pecados e perdões...
Contigo do meu lado, a lua diz, Em raios derramados: És feliz!
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O dia foi difícil, minha amada, Eu trabalhei demais isso eu não nego, Cansado do batente, estou no prego, Desculpe; eu não agüento enfim, mais nada...
Quem sabe, se depois, na madrugada, Depois de descansar, me recarrego. Amor que tantas vezes vaga cego, Precisa ter a dose reforçada.
A sorte é que inventaram um reforço Que faz um velho assim, já ficar moço E mesmo com cansaço que me açoda,
Eu possa te causar um alvoroço. Falaram que o danado é um colosso, Assim é noite e dia, tanta foda...
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O dia em farta luz renascerá Tomando este cenário raro e belo. O quanto eu te desejo e digo já Expressa um renascer calmo e singelo.
Rastelo em minhas mãos anunciando Arado campo em flores cultivado, O tempo permitindo desde quando Amor se fez intenso em alto brado.
Regando com firmeza em paz serena Avencas e crisântemos, jasmins e rosas, Canteiro tão prolífero em verbena Celeiro de delícias fabulosas.
Nas tílias que plantaste dentro em mim, Perfuma intensamente este jardim... Marcos Loures
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O dia em alegria vem raiando Invade com seus brilhos nossa casa, Fagulhas antevendo intensa brasa Que aos poucos todo o sonho vem tomando.
Sinais que amor nos mostra, decifrando A sorte nos sorri e não se atrasa O pensamento, enfim vai criando asa E não pergunta mais aonde e quando.
Apenas se deixando navegar, O velho timoneiro adentra o mar E o gozo da alegria já pressente.
Captando a luz intensa deste sol, Seguindo o brilho insano de um farol, Amor mudando o rumo, de repente. Marcos Loures
34
O Pai que nos criou em pleno Amor, Desenha sobre a Terra belas telas, Em Sua plenitude, o criador, Concebe a maravilha que revelas
Ao teres no sorriso, um aliado, A força insuperável do carinho. O ser que com fortuna foi criado, Sabe a consagração do pão e vinho.
Que seja a Comunhão, nossa bandeira, Mudando a direção dos velhos passos. Espalhando este amor na terra inteira, Ocupando com Fé, tantos espaços.
Assim nós venceremos o inimigo, Reconhecendo, enfim, cada perigo...
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Ó Pai dos infelizes, sofredores, Espalhe Tua luz sobre este povo, Perdido nos altares e louvores, Tentando conhecer o que há de novo.
Renove esta esperança, com firmeza, Que tudo seja simples como o Amor, Que traz dentro de Si, toda a beleza, Cevando com carinho, cada flor.
Jardins que Cultivaste em mansidão, Vencendo os temporais com calmaria. Bonança prometida a cada irmão
Que souber decifrar Tuas vontades. Amar quem nos maltrata; já dizia Aquele que ensinou estas verdades...
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Ó Pai dos desgraçados, me permita Falar do Amor eterno que ensinaste. Sabendo lapidara esta pepita Sem louros, nem vitórias, Tu és haste.
Ao Bem sem injustiças, já me incita O Amor; tão bela herança que legaste. E quando, sobre o mar, meu olhar fita, Azuis em tons diversos, um contraste.
Mudando a direção, tal timoneiro Que amou sem ter limite; por inteiro, A todo ser que, um dia, o Pai criou.
Do moço carpinteiro que era rei, E um dia semeou em toda grei, E a todos, no perdão, abençoou...
37
O olhar que outrora fora meu farol, Disperso em tantas trevas que hoje trago Encontra no vazio um doce afago Moldando inútil sonho, perde o sol.
Estrada destruída, e sem patrol Jamais terei de volta aquele lago, Que um dia num mergulho manso e mago Senti sobejo gozo em arrebol...
Paragens que encontrei são tortuosas, As horas que julgara prazerosas, Sem rosas nem jasmins, morreram tolas.
Afetos são apenas ilusões, Os ventos se misturam, turbilhões Sorrindo com sarcasmo, me degolas... Marcos Loures
38
O olhar que apascentando nos permite Vivenciar aqui o Paraíso, Enquanto nos Seus braços me matizo, O amor não reconhece mais limite.
No zênite este brilho inebriante Confunde-se com mar, convida a lua Que extasiante ao fundo assim flutua Cenário majestoso e deslumbrante.
Nenúfares bebendo desta prata, Argêntea madrugada diz do Deus Que sabe dos encantos raros, teus,
E traz a poesia que arrebata Deitada sobre os olhos sonhadores Que bêbado de luz, faz seus louvores...
39
O nosso amor, tesouro em raro brilho é feito de esmeraldas e rubis. Seguindo no teu corpo um belo trilho, querida, com certeza eu sou feliz.
Não vejo mais decerto um empecilho estando dentro em ti, tenho o que eu quis. A noite inteira,amada eu maravilho e peço, sem cansaço sempre um bis...
Amor feito em desejos e delícias, carinhos mais audazes, gozos plenos. Ao ter no corpo as marcas das carícias
encontro tanta pedra lapidada, depois deitando em sonhos mais amenos, renasço como o sol numa alvorada...
40
O nosso amor se oculta na manhã Em meio a multidões, vou esconder Aquilo que desejo num afã Maior que essa vontade de viver? Meus olhos vão lotados do amanhã Numa esperança louca de prazer, Em consciência plena, vera e sã; Meus olhos são tão fáceis prá se ler... Quando te vejo fico transbordando, Sorrio num olhar, qualquer que seja. No claro de teus olhos mergulhando, Não posso nem sorrir, me denuncio, A boca, sem segredos, já te beija. E o corpo todo vibra como em cio...
41
O nosso amor restaura uma esperança Que o jovem sempre sabe, mas esquece, Por isso a mocidade canta e dança Depois, simples cordeiro, só obedece...
Ao ver-te revivi doce lembrança Que a vida em maravilha já nos tece. Sorriso sem malícia de criança Pureza em cada gesto, cada prece...
A primavera é mestra na promessa De flores que procuram borboletas, Colibris; mensageiros da alegria.
A juventude quer e bem depressa Felicidade. Eu peço-te: prometa! Não vamos mais perder essa magia...
42
O nosso amor permite este direito De ser feliz e crer numa alvorada Em cores tão diversas decorada, Decerto neste encanto o nosso pleito.
Imerso em tantas luzes quando deito, Tua presença em brilhos demonstrada Divina sensação que tanto agrada, Amar jamais será qualquer defeito...
Despeito traduzindo o desamor E mesmo com o mar a se transpor Encontro na Galícia um manso cais.
Amor que assim nos traz farta delícia Entregue aos desvarios, na carícia Imagens sem igual, transcendentais... Marcos Loures
43
O nosso amor fulgura e pouco brilha, Não quebra meus quebrantos nem se serve, Nas curvas esquecidas nem se atreve, Nas horas de desgosto nem se trilha...
Vestindo a mesma túnica, estribilha, Não há mais serventia que conserve, Nem há mais cançoneta, vida breve, Que deixa de portar a maravilha...
O nosso amor fugaz e sem sermão, Nossa Alcatraz se farta sem ter fuga Amor que dilacera um coração,
Na certa já venceu a tempestade, O tempo me devolve tanta ruga, O nosso amor caminha na cidade...
44
O nosso amor derrama esta ternura Que invade cada parte do meu ser. Deixar de amar assim, é que é tortura, Amor que já se esbalda de prazer...
Na boca desejada, mel e doce, Nos teus carinhos mansos, meu desejo. A vida, que é tão sábia, já nos trouxe Toda a felicidade num lampejo
Voraz e tão intenso em harmonia, Com sol e lua, mar em amplitude, Juntando esta beleza em sintonia Amando sempre mais do que já pude...
Eu quero o nosso amor, carta marcada, Deitando no teu colo, minha amada....
45
O nome que bordaste com estrelas Dizendo deste tanto que ora anseias Do sangue que percorre tuas veias Roubaste rubros tons em que revelas
Matizes dos desejos; aquarelas Que outrora imaginara tão alheias E agora com rubor tu incendeias Cosendo maravilhas. É bom vê-las.
As esperanças servem como agulhas, E deste encanto sei que tu te orgulhas, Pois nele, a redenção de quem sofrera.
Descreves, ao cerzires tais belezas, Que quando derrotada; as fortalezas Criaste ao seduzires mansa fera...
46
O ninho que julgara abandonado Sem ter sequer a luz de uma esperança Refeito com um sonho imaginado, Promete nova vida bem mais mansa...
Aquela que se fora e não voltou Deixando espedaçado o coração, Não sabe que favor que me prestou Abrindo o meu caminho à salvação.
Agora que vieste minha amada, Decerto o nosso ninho renovaste, Trazendo novamente uma alvorada Fincando com firmeza uma nova haste.
Reforma que fizeste neste ninho, Cimentaste na força do carinho...
47
O nada, meu olhar vai vasculhando Em plena imensidão, sigo vazio. O vento da ilusão, num arrepio Aos poucos toda a cena vem tomando.
Olhar tão carinhoso imaginando, Um novo amanhecer; persigo e crio, Que possa refazer antigo estio No peito que se fez frio, nevando.
Ao ver uma presença delicada, A moça transfigura-se na fada Que em maga luz, a dor extraia
E faça novamente rebrotar, Só peço e não me canso de implorar Que a sorte transparente não me traia. Marcos Loures
48
O nada agora ocupa estes espaços. De súbito uma esperança ainda bate E traz em ilusão, magistrais laços. Estrelas vão surgindo em toda parte.
Porém apenas vácuo. O fútil oco Domina este cenário, e ao redor O que sobrou de tudo, muito pouco Prevejo a solidão inda maior.
Quem dera se pudesse ter um cais Aonde desterrar minha tristeza, Mas nada do que a vida inda me traz Permite vislumbrar banquete e mesa.
Acesa a derradeira lamparina, Entorpecido sonho me alucina... Marcos Loures
49
O sorriso se esconde e não ressurge, A vida nos parece triste senda. Vontade de morrer, a tristeza urge, Felicidade mostra-se uma lenda.
Regurgitar a sorte que pensara Desvenda um caminhar tolo, idiota Por mais que a solidão se mostre amara, O amor sendo ilusão frágil, remota,
Não deixe de beber da poesia Amparo a quem desditas conheceu. Na força inebriante, na magia Da luz que ao renascer, mesmo do breu
Amansa a mais terrível tempestade Negar o seu poder? Não sei quem há de...
11650
O sonho tão gostoso de sonhar Entrando em nossa casa abre a janela Adentra de mansinho, devagar Enquanto a maravilha se revela
Nas coxas e nas pernas da morena Deitada em minha cama, deusa e musa. A lua enamorada bebe a cena E brilha enquanto a amada tira a blusa.
Confusas nossas tramas nos lençóis Mistura que se faz deliciosa. Em plena madrugada, vários sóis Mormaços entre rendas cor de rosa
Bandida que me leva em noite escura, Do quanto que me adora mente e jura...
51
O sonho sempre bom de ser sonhado É mais que um simples sonho: é realidade Num canto mais audaz e bem traçado Expresso a verdadeira liberdade. Estando o tempo todo do teu lado, Eu posso vislumbrar felicidade.
Metáforas, palavras simplesmente, Em nosso amor se tornam mais sutis. O vento da alegria nunca mente, Promete um dia claro, enfim feliz. Declaro o que me invade, e o que se sente No peito sem rancor ou cicatriz.
Eu quero o teu querer, sendo absoluto, No passo que se mostra resoluto... Marcos Loures
52
O sonho se perdeu no nascedouro Antíteses propagas em teus atos. Na multiplicidade, o sangradouro Derrama cada gota nos regatos
Que tramas em segredo, teu tesouro Coloco a vida assim, em limpos pratos, E em tal dicotomia eu já me douro Acostumado aos ritos vãos, ingratos
Quando eletrificaste o meu caminho Preconizando angústia – teu carinho- Disseste do vazio em que erigi
O altar dos meus desejos mais escusos. Os sonhos se tornaram tão obtusos Que nem mesmo este verso chega a ti...
53
O sonho se perdeu neste contraste Mudando todo o rumo de uma vida, Encontro tão somente a despedida Deixada nos caminhos que trilhaste.
Às vezes eu me sinto feito um traste, Parido em uma noite distraída, Conversa sempre assim mal resolvida Condena a nossa vida a tal desgaste.
Perdi, sem proteção, rosa dos ventos, Não vejo solução nem sentimentos, Apenas a mortalha me cai bem.
O fardo que carrego tanto pesa, A morte consagrando sem surpresa Depois da tempestade quero e vem. Marcos Loures
54
O sonho se demonstra sempre vão A quem não reconhece o amanhecer Deixando se levar pelo tufão Caminha pela vida sem prazer, A rosa que se faz raro botão Permite que a beleza eu possa ver.
Assim, continuando o dia-a-dia Tocado pelos ventos da bonança O mar vai sossegado em calmaria, Entregue ao bem supremo: uma esperança, Vibrando no meu peito esta alegria Convida para a festa, bela dança.
Porém quem já sucumbe aos vendavais, Jogado pela vida sem um cais...
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O sonho que sem ti, eu já sonhei Somenos importância até teria Se nada do que outrora eu percebia Mudasse o que, decerto hoje não sei.
Batalho como nunca pelejei Tentando conhecer uma alegria, Vestindo a propalada fantasia O verso vai buscando uma outra grei.
Espero que depois deste momento Não sonhe mais com ermos nem decifra O amor que não se encaixa em qualquer cifra
Por ser ele decerto o meu provento. O quanto que sonhei já sem desvelo Tornou a poesia um pesadelo!
56
O sonho que se fez manso e gentil Depõe uma alegria afiançável No gozo em que amor reproduziu A fonte de um prazer interminável.
Alçáveis; os caminhos que eu buscara Apenas pelo sonho diamantino. A vida quanta vez, escura ou clara Negou brilho solar, mesmo que a pino.
Os barcos vão voltando sem faróis Procuram pelos cais em mar terrível. Na cama a solidão dos meus lençóis Apaga a redenção, queima o fusível.
Quem sabe talvez tenha, em amizade Encontro em que sonhei felicidade...
57
O sonho que moldura a madrugada Cenário em que me perco, em pesadelos. Do quanto desejei não tive nada Apenas os meus medos, pude vê-los.
Depois de ter perdida mina estrada, Distante de teus olhos e cabelos, Temores me envolvendo em vis novelos A sorte sei jamais rememorada.
Porém ao ter talvez algum alento Nas mãos desta amizade, o pensamento Percebe o vento calmo da esperança.
Nas hordas de fantasmas do passado, Grilhão em cada pé acorrentado, Um risco de sonhar já se afiança... Marcos Loures
58
O sonho que me deste, minha amiga, Em versos que declamo nada meus, São sonhos na verdade, tão ateus Que em versos invertidos nada abriga.
Nas curvas e montanhas que se diga Que nada mais inverno, nem meus breus Não quero nem corbelha ou camafeus Apenas sei meus versos numa intriga.
Na prece que negaste sem quermesse Mereces meu perdão por nada crer. Espero que das pressas se confesse
Os erros que vivemos por fazer. Afrontas e vacinas qu’alma engesse São versos que esqueci de te dizer.
Marcos Loures
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O sonho que guardei; tempestuoso, Procelas , furacões, insanidades. Decifram um futuro belicoso Deixando para trás amenidades.
Eu quero desfrutar do fino gozo De poder declamar tantas verdades Cuspindo neste abutre mal cheiroso Sangrando em temíveis tempestades.
Um mar em ventanias que não deixe Calar a voz daquele que lutou Pescando uma ilusão já feita em peixe
Mostrando em divisão plena justiça No sonho em temporais mergulhou Aquele em que amizade já se viça...
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O sonho não se acaba pra quem sabe Rever os seus conceitos e pecados. Nos braços e nas pernas mutilados Um verso sorridente nunca cabe,
Bem antes que o castelo assim desabe Meus pés vagam sozinhos velhos prados, E tentam, muitas vezes disfarçados, Saber do que mais quero antes que acabe.
Se abastas com palavras, provisões Não tendo, na verdade tais visões O visgo da palavra não te prende.
Enquadro tuas coxas, dentes pernas E busco outras maneiras bem mais ternas Enquanto a noite fria nos acende... Marcos Loures
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O sonho em que perceba este remanso, Depois das duras curvas do caminho, A sorte que buscara, enfim alcanço Sabendo que não vou jamais, sozinho. No amor que me tornou suave e manso, Decerto cada passo, agora alinho.
Erguendo para além destas montanhas Meus olhos na procura deste olhar, Mudando, de repente, minhas sanhas, Percebo como é bom poder sonhar. As luzes ao teu lado são tamanhas, Fazendo a nossa estrada rebrilhar.
Eu sei o quanto quero estar contigo, Vencendo qualquer forma de perigo... Marcos Loures
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O sonho desbotou, perdeu o vinco. A gente ainda precisa caminhar, Embora tão distante do luar, Eu quero demonstrar, ainda afinco.
Se às vezes, com sarcasmo teimo e brinco Permito-me, sem crédito sonhar Invento um botequim onde buscar Esta modernidade que ora linko.
Com vícios de linguagem, erros crassos, Não quero ser poeta nem gramático. O coração que segue sendo errático,
Vacila quando tenta novos passos, Quem faz da poesia, diversão, Entende “o que é cruel, o que é paixão!”
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O sonho ao qual desejo e já me atrelo Permite que se possa conhecer, Um louco paraíso em tal prazer Unindo nossos corpos, um santo elo.
A cada novo dia eu te revelo O que tanto tentei, tolo, esconder, Desnudo o coração e passo a ver O quanto o belo amor se faz singelo.
Constantes sentimentos fortalecem, Enquanto as maravilhas eles tecem Permitem que se creia no infinito.
Vencer a estupidez de um passo errante, Trazendo a claridade ao mesmo instante Em que quebro a frieza do granito... Marcos Loures
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O soneto em versos clássicos Diz das rimas sempre ricas, Muitas vezes soam trágicos Desta forma tu me explicas.
Os sentidos sendo mágicos Com a métrica que aplicas Os meus erros sendo tácitos Quando os vê comigo implicas
Mas te falo com franqueza Que eu prefiro ser assim, Sem saber de tal nobreza
Vou tocando um tamborim, Se estou contra a correnteza, Vou teimando até o fim..
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O som do mar quebrando em alva areia Adentra pelo quarto nos chamando Um canto extasiante de sereia Aos poucos, na janela penetrando.
O sol que em Portugal já veraneia A pele devagar vai bronzeando. Vontade de te ter, o corpo anseia Espero que tu chegues... porém quando?
Meus lábios sequiosos de teus beijos Meu corpo solitário pede o teu. Distância? O pensamento enfim venceu
E matou de verdade, os meus desejos Desenho meu castelo em ar romântico Atravessando assim, o grande Atlântico. Marcos Loures
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O som do mar batendo em meus ouvidos, O vento desfilando nesta areia Os sonhos de viver vão repartidos, A vida preparando a nova teia.
Nesta variedade de sentidos, Percebo teu clarão de lua cheia, Ao beijos deste amor são recebidos Em tua boca intensa de sereia...
Eu quero a raridade deste dia, Envolto nas centelhas da paixão, Trazendo para a vida a poesia,
Da vida renovando, a sensação... E quero o som do mar, doce marulho, Do amor que tu me dás, eu tenho orgulho...
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O som de tua voz já remedia Tornando os velhos erros bem menores, Os sonhos que da vida são senhores Transbordam na sublime fantasia.
A lira de um cantor ora anuncia O quanto em nosso amor, raros pendores Abrindo corações derramam flores Nos braços de uma nobre poesia.
A fantasia está sempre ao teu lado, Caminha com teus passos, traz a luz. Que aos astros, num momento nos conduz,
Encanto em maravilhas decantado Da cena que se pinta no horizonte, Bebendo a divindade em doce fonte... Marcos Loures
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O som da tua voz, doce e macio, Chamando para a festa do prazer.. A chuva matizando o tempo frio, Incenso aromatiza o bem querer. Volátil coração antes vazio Agora do teu sonho quer viver..
Rondando nosso quarto, fogo lento, Ondeias pela cama inebriante. A fome insaciável toma assento, Nas sedas e veludos, cada instante Se mostra mais sutil, lascivo vento... A transparência viva e provocante
Convida num sorriso, corpo e mente, A noite vai , despudoradamente...
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O sol volta a luzir meu horizonte Numa expressão de enorme lucidez, Por mais que a vida, às vezes desaponte Amor em alegria já se fez.
Meus olhos percebendo tal beleza Exposta em atitudes mais serenas, Entrega-se ao banquete em lauta mesa Carícias sem limites, raras, plenas.
Agora me livrando dos meus erros, Estendo as minhas mãos, te convidando, Lançarmos nossas asas sobre os cerros Divina fantasia desfraldando.
O quanto tanto amor se fez gentil, Diverso do que outrora fora vil... Marcos Loures
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O sol vem mansamente na manhã Trazendo em raio manso e mais gentil Felicidade imensa, meu afã Aquece de maneira tão sutil
O céu que emoldurado em raro anil A barca dos meus sonhos, temporã, Que em noite enluarada descobriu A possibilidade de amanhã.
Quem sabe encontrarei felicidade Depois da temporada em solidão. Podendo acreditar ser de verdade
O sol que iluminou esta amplidão, Bafejo de um amor, mesmo ilusório, Mudando o meu destino merencório...
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O sol vai penetrando na janela Invade nosso quarto e te conquista, Roçando tua pele me revela Tua nudez magnífica e nem despista.
Desejos me aflorando em tarde bela No sombreado lindo em cada lista Forrando em mil matizes esta tela Que me permite sempre que eu assista.
Sorriso malicioso me convida E nada mais pergunto, apenas vou. O teu relevo invado. É bela a vida!
Repletos de nós dois, a tarde passa, Em pernas, seios, bocas... Quem eu sou? Minha pele na tua se disfarça... Marcos Loures
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O sol se derramando em fina areia, Tramando; nos seus raios, meu futuro. Encontro tal beleza que incendeia E traz o nosso amor, deleite puro...
Cabelos deste sol raiado chegam; Esquentam meus desejos ardorosos Que pegam a sereia, assim, navegam; Delícias desses toques, saborosos...
Na praia se derramam sentimentos, Salgados pelas ondas e ternura; Na maciez e encanto deste vento, Os corpos se misturam; u’a ventura...
A concha que entreaberta me ofereces, Na perla delicada, rendas teces...
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O sol que tanto queima quanto afaga E trama, em seu calor, um novo dia. Ressurge calmamente em toda plaga Renasce flamejante fantasia...
Nos prismas destes raios multicores Em líricos poemas te desejo, Dizendo destas cores dos amores Que nascem nos carinhos deste beijo.
As sombras que na noite são terríveis, Perseguem coração nem bem amamos Causando tantas dores mais temíveis, Nos desatinam sempre que sonhamos,
Durante o dia quente, dão frescor, Uma alvorada calma em nosso amor!
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O sol que se escondendo nesta tarde Promete tal calor que me alucina, A lua se aproxima sem alarde E deita em minha cama, uma menina...
E toda a natureza em convulsão Revela esse desejo enlanguescente Descendo, deste astral, uma emoção, Penetra tão profunda e claramente.
Na perfeição divina desta noite, O sol vem aquecendo meu dossel, Rolando com a lua no pernoite, Encontro mil estrelas no meu céu...
Espero esta menina imaginando. E a vejo toda lua, me esperando..
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O sol que quando doura se avermelha Tornando toda a terra iluminada, Acende novamente uma centelha Que abrasa e que transtorna a minha amada.
Bronzeia suas pernas e seu rosto, Dourando essa mulher sensacional. Beleza neste corpo semi-exposto Formando uma escultura sem igual...
Do corpo desta deusa, usufruir, Não quero mais viver, dela, distante, É tanto o meu desejo de pedir Que seja minha amiga, minha amante...
E sonho aqui, deitado nesta areia, Querendo estar consigo, uma sereia...
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O sol que quando abrasa, faz da chama A força que nos queima, lentamente, Deitando numa esteira, a nossa trama Emaranhando pernas, já pressente
O fogo que o desejo enfim reclama, Tomando o coração invade a mente, Eu deixo-me levar pela torrente, Fazendo do proveito, justa fama.
Na parte que me cabe deste sonho, O mundo nos teus braços quando ponho Escrevo nosso nome no areal.
Do jeito que vier, saiba, te quero, O amor que nos servindo de tempero Espalha em nossa boca, doce e sal... Marcos Loures
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O sol que nos queimou disse saudade Deixando em nossa pele as cicatrizes De um tempo em que tivemos na verdade, Momentos com certeza, mais felizes.
Por mais que eu viva em falsa liberdade, Escuto cada frase que tu dizes, Desculpe pelos erros e deslizes, Em ti somente vi felicidade.
Teu nome em minha pele tatuado, Teus olhos, toda noite eu volto a ver, Vivendo tão somente do passado
Que faço se não posso caminhar. A vida se derrama sem prazer, O tempo vai queimando, devagar... Marcos Loures
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O sol que nos dourando traz o dia, Vibrante em nossos corpos tão sedentos. Queimando mansamente, pois sabia De amores sem limites, violentos...
As nuvens passageiras da alegria Caminham pelo céu, em lentos ventos, Expressam nosso amor que se fazia Em loucas fantasias, bons momentos...
Salgando nossas bocas no suor, Adoças com teu mel, minha saliva, Gemidos e suspiros num torpor,
Mantendo esta vontade sempre viva, De termos sem cessar, amor intenso, Desse nosso desejo, eu me convenço... Marcos Loures
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O sol que na manhã acende o céu Ascende meu desejo mais fecundo De ter toda esperança em alvo véu Mudar a rota insana deste mundo.
Montando na esperança, bel corcel Que voa em pensamento, num segundo, Sabendo que a certeza é feita em fel, Mas qual abelha em mel cedo me inundo.
Não há razão nem medos e mortalhas Que façam minha voz, ser abrandada, Nos olhos carregados de batalhas,
Nas mãos; o puro amor como defesa, Uma amizade imensa, ensolarada, Usando da palavra com pureza...
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O sol que me transtorna e me enlouquece Bronzeia, com seus raios, a minha alma... Ao deus de Nefertite rogo em prece, Que traga tanto amor que, sei, me acalma...
Eu quero desvendar cada segredo Que escondes nos seus raios fulgurantes. Mereço, por acaso, desde cedo, Deitar-me nos teus braços deslumbrantes...
Mergulhas sobre a terra matizando As flores, os regatos, as cascatas. Aos poucos, cada vez mais vou te amando, A mando dos meus sonhos que arrebatas...
Semeias tantos lumes, emoções... Vibrando sem temer, os corações...
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O sol que matinal tanto irradia Tornando alvorecer assim benquisto, Nos brilhos matizando poesia Desejos e prazeres, cedo listo.
Cansado de viver melancolia, Por vezes, quase sempre, enfim, desisto. Espreito este desejo que sabia, Arisco não viria. Mas insisto
Ao perceber morena esplendorosa Passando em meu canteiro, tão vaidosa... Recolho cada rastro feito em luz.
Sementes da esperança quando espalho Usando o teu amor como agasalho, Mosaico de emoções se reproduz... Marcos Loures
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O sol que já traspassa essa janela Adentra devagar, tomando tudo, Na claridade imensa se revela Amor tão delicado sem contudo. Não nego o sentimento que me arvora, Nem temo insensatez que ele proclama. Minha alma na tua alma se decora Acende portentosa intensa chama. Dourando cada fio de cabelo Daquela que envolveu meu pensamento, Amor quando é demais, quero revê-lo, A cada novo dia em bom momento. Beleza em transparência diamantina, Abraça, quando adentra e me domina....
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O sol que enfim já brilha Trazendo uma esperança Que faça da partilha Um ato de aliança
Mostrando a maravilha Que a vida assim alcança Seguindo a doce trilha Na qual a sorte avança
Em versos mais felizes Em atos mais humanos, Mudando gris matizes
Matando a falsidade, Sepultando os enganos; No poder da amizade!
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O sol que descortina um quente abrigo Protege a terra inteira de uma treva.
Assim também te vejo meu amigo Quando a tristeza má já vem e neva
O sonho que mais quero e que persigo No dia a dia, cresce e se conserva Nos protegendo sempre do perigo; Uma amizade é bela quando em ceva
Regada com total fidelidade, Arada com rastelo da emoção, Adubo muito bom para a amizade
Protege com certeza, o coração. Remédio quando salva, na verdade Tem sempre do carinho, a santa mão.
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O sol quando roubou do teu olhar O brilho, nos seus raios derramou; Ávido de viver quem sabe amar, Em busca dos teus olhos sempre estou.
Sentidos aflorados, minha sorte; Eu quero teu amor que me alimenta. Transforma todo ser de fraco em forte; Represas que encontrar, cedo arrebenta.
Gentil amor que sempre me acarinha, Eu quero seus momentos mais felizes. Amada; a fantasia toda minha, Refletem nos teus olhos, os matizes...
Não deixe que este amor por mais brilhante, Termine sem prazer, a cada instante!
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O sol qual fosse um deus mais ciumento, Sabendo das delícias e prazeres, Com inveja profunda de dois seres, Invade nosso quarto num momento.
Às vezes eu percebo e mal agüento, E fecho esta cortina, se quiseres, Assim restituindo estes quereres, De nosso amor, divino e santo ungüento.
De minha pele, dona e soberana, Em nossos jogos sinto esta vontade Que vem e do desejo assim se emana,
-Ó sol que em nosso corpo, enfim, quando arde Decerto, violento, em claridade, Não venha me acordar, volte mais tarde...
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O sol poente em raro festival Na primavera da alma se esculpindo. Num dia iluminado, magistral, Percebo em teu sorriso, amor tão lindo.
A noite vem chegando, e vai fluindo Beleza assim sem par, em fogo astral, Chegando à minha cama, sensual, Incêndio em maravilha me invadindo.
Marcando em esplendor, noite fogosa, Ardentes meus desejos, são os teus. Teus olhos entranhando pelos meus
Convidam para a festa maviosa Que é feita enquanto deita o teu prazer, Numa ansiedade imensa de viver...
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O sol nascendo às vezes vem quadrado E cai a tempestade no deserto, Se é longe o que mineiro diz ser perto, O dedo que se mete sai quebrado
Magreza anda quebrando um firme estrado, Atiro no leão, o gato acerto Robô apaixonado é tiro certo Qualquer bichano solta um alto brado.
Triângulo redondo, é mais bonito, Honestidade vive no Congresso, Eu sinto que é verdade e te confesso
Que o mundo vai mudando todo rito, Decassílabo agora de onze ou nove, E tenho testemunha que comprove! Marcos Loures
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O sol há tanto tempo foi embora, Levando com seus brilhos a esperança. A noite eterna e fria, já me alcança, Não vejo em minha frente nada, agora.
A solução, decerto não demora, Na morte que virá tão calma e mansa Com toda uma certeza enfim descansa Quem tantas vezes por amor implora...
Agônica expressão em cada olhar, O fim que se aproxima devagar, Trazendo finalmente um bom alento.
Colhendo os meus pedaços no caminho, Ao fim da minha história, algum carinho, Nos ratos que me beijam ao relento... Marcos Loures
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O sol de nosso amor, forte e luzente Mostrando em passo firme e decidido O quanto desejamos, claramente Deixar uma tristeza já no olvido. Sabendo que te encontro novamente Meu coração se achando guarnecido
Percebe um novo mundo, mais ameno, Tocado plenamente pela glória. E um novo alvorecer traz seu aceno, Com ares de certeza e de vitória. O dia amanhecendo tão sereno Varrendo a tempestade da memória.
O sol vai renascendo a me dizer. Felicidade, enfim, vais conhecer!
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O sol da tempestade que se esvai Delitos cometidos e sangrantes. O amor não vendo nada por instantes Enquanto a lua teima e ainda cai...
Na mansa crueldade como um pai Que rasga com vergastas seus infantes Arranco da esperança seus turbantes E a doce poesia, enfim, me trai.
Confesso ao travesseiro os erros todos, Caminho o tempo inteiro sobre lodos E nódoas demarcando os meus enganos...
Se um dia inda pudesse ter alguém... Porém a noite volta e sempre vem O imenso temporal mudando os planos... Marcos Loures
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O sol ao despencar por sobre o mar, Deixando um rastro d’ouro, belo, imenso. Perfaz em amplidão especular Caminho em magnitude mor, extenso.
Assim também senti ao te encontrar Um mundo onde na paz me recompenso E a cada novo dia me convenço Que em ti eu aprendi a navegar
Por sonhos, desvarios insensatos. Quem teve a solidão, velhos regatos, Aprende então ao mar lançar a luz
Da fantasia feita em esperança E a glória- ser feliz- decerto alcança, Divina maravilha reproduz...
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O sol ao adentrar nossa janela Encontra nossas pernas misturadas Na louca confusão já se revela As horas tão gostosas desfrutadas,
Assim seu testemunho vem e sela Da noite que tivemos; as pegadas. Desenho nos meus sonhos esta tela Que mostra as fantasias reveladas
Desejos, arrepios, sedução. Carinhos tresloucados, tentação. As horas vão passando devagar,
Delícias e delírios conjugados, Amores e prazeres encontrados Fazendo desta cama o nosso altar. Marcos Loures
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O sol ao adentrar nossa janela Encontra nossas pernas misturadas Na louca confusão já se revela As horas tão gostosas desfrutadas,
Assim seu testemunho vem e sela Da noite que tivemos; as pegadas. Desenho nos meus sonhos esta tela Que mostra as fantasias reveladas
Desejos, arrepios, sedução. Carinhos tresloucados, tentação. As horas vão passando devagar,
Delícias e delírios conjugados, Amores e prazeres encontrados Fazendo desta cama o nosso altar. Marcos Loures
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O sino, o campanário, Tocando sem parar É teu aniversário O mundo a vislumbrar
Quem fora solitário Já pode enfim sonhar. Carinho que tão vário, Tu sempre tens pra dar.
Querida amiga, a vida É feita de esperança E faz desta aliança
Quem sabe uma saída, Que traga para a gente Um mundo mais contente... Marcos Loures
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O silêncio queimando me transforma Nada pior que o eco do vazio... Amor quando mutável, cada forma, Que nasce dele mesmo; amor, recrio...
As luzes coloridas se misturam E tramam novas cores e matizes. Amores quando amores se procuram Nos tornam mais felizes/infelizes...
Desse sal que entranhaste tolamente As lágrimas são feitas e refeitas. Amar é ser cativo livremente Alargar essas ruas tão estreitas,
E também estreitar-se na saudade, É conhecer em dor, felicidade...
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O show feito de estrelas meteóricas Vendeta de ilusões, num picadeiro Tornando o tão efêmero, o primeiro Para platéias tolas, mas eufóricas.
Invadindo os sertões nas parabólicas Proliferando um vício costumeiro Usando o mais moderno mensageiro, Ao inutilizar velhas retóricas
Enfia goela abaixo, o seu produto, Minerva se vestindo então de luto Trocada pelas Vênus mixuruca
Posando de rainha da tevê, Descoberta num tosco BBB Escancarando assim esta cumbuca...
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O sexo se bem feito, é quase um hino, Louvor ao paraíso em que o suor Escorre no momento em que domino O rito que em verdade sei de cor.
No corpo da mulher, sou um menino, Que dá sempre de si o bem maior Nos gozos, na loucura, desatino E dou para a parceira o meu melhor.
Uma explosão que é feita num segundo, Levando a mais sublime fantasia. Do gozo feito em mares, eu me inundo,
E nesta inundação me regozijo, Em louca sensação, pura alegria, Apascentando o falo, outrora rijo...
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O sexo quando é feito por fazer Sem ter uma emoção associada É claro que também dará prazer, Porém depois de tudo, resta o nada.
Amor que não tem sexo, na verdade, Aos poucos se esvaindo até morrer No fundo um sentimento de amizade, Assim é simplesmente um bem querer.
As sensações diversas se completam E deve ser por isso minha amada Que aos poucos vou sentindo que esmaecem
E sinto que depois já se deletam Vontades de te ter, enamorada. As plantas sem cuidados, adoecem...
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