
MEUS SONETOS VOLUME 115
Data 26/12/2010 09:41:37 | Tópico: Sonetos
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1
O amor que me fez sempre um burro xucro, Corcel quase indomável, besta-fera Mergulhando em inverno a primavera, Deixando-me viver, estou no lucro.
Pensara conhecer o meu sepulcro, Nas garras tão ferozes da pantera, Porém que é teimoso regenera E faz do que passou um forte fulcro.
Alavancando assim um novo tempo, Alheio ao mais terrível contratempo, O peito se refaz em novo mote.
Não vejo poesia mais perfeita Que aquela em que o prazer já se deleita, Começa com fungado no cangote... Marcos Loures
2
O amor que dessedenta e me alivia, Senhor dos meus desígnios e promessas... Na trilha que com fé já recomeças O fim trará decerto um novo dia.
Pedaços de nós dois entremeados, Causando um frenesi incomparável, Sobejamente a terra mais arável Entrega-se ao poder de tais arados.
Usando por rastelo uma esperança Amanso o coração; louco feroz, E ouvindo bem mais próxima esta voz
Uma alma intemerata segue, avança Até sentir em ti, cada porção De mim, como se fora uma extensão...
3
O amor feito vergasta em minhas costas, Decepa cada sonho que inda trago. Nas garras da pantera, um frio afago, As carnes entre lanhos vão expostas.
Procuro inutilmente por respostas, A fruta sonegando cada bago, Quem dera a placidez de um manso lago, Cobrindo as minhas chagas, finas crostas.
Apostas que perdi, lançando os dados, Os pés de um andarilho estão atados, Não posso prosseguir, cansado e só.
Ao crer numa esperança derradeira, Qual Fênix aguardei a vida inteira O ressurgir em glória, deste pó... Marcos Loures
4
O amor estranhamente nos fascina Enquanto nos maltrata. Seduzindo, Promete amanhecer deveras lindo Depois, num turbilhão tudo extermina.
Não creio no destino, mas a sina De um simples trovador ora deslindo, E quando imaginara estar fluindo O rio se assoreia e seca a mina.
Qual erva que, daninha, invade tudo, Legando ao meu canteiro esta aridez, Destroça num momento o que se fez;
Decerto, neste jogo eu não me iludo, Mas sempre trago, tolo, uma esperança E a mágica do amor, inda me alcança...
5
O amor nunca se acaba, se transforma... As rugas não o calam, dão a forma, O verdadeiro amor não se deforma, Jamais amor negado se conforma... O amor nunca se forma em usurários Precisa-se pra amar, o dividir, Amor não é só um, amor são vários, Se multiplica quando repartir... Nem mesmo se distante; amor não morre, Nem mesmo as diferenças sempre afetam, Amor quando transborda, sempre escorre E toca os que persegue e os completam. Amor imobiliza, motivando, Amor nos eterniza, e vai matando...
6
O amor com seu poder; chega e repele, As dores que vieram como em bando. A cada novo sonho em que se atrele Permite um novo dia, anunciando A glória que se entranha em cada pele, Contínua sensação, tudo tomando.
Guardara nos armários as saudades; Heranças de um momento vil, cruel, Ao ver nascer enfim, felicidades, Um novo azul tomou todo o meu céu, Promessas benfazejas, divindades Entornam sobre nós o puro mel.
Sentado calmamente junto a Zeus, Não quero e nem permito mais adeus... Marcos Loures
7
O canto que te faço, minha amada, Traz versos tão sinceros e felizes. Tu tens este poder de uma alvorada Solar intensidade, mil matizes.
Permita que teu nome não proclame Apenas sei, tu sabes que te canto, Por mais que na verdade tanto eu te ame, Não posso me esquecer de cada encanto.
Teus versos me tocaram com carinho, São feitos com amor e com verdade. É bom saber que nunca mais sozinho, E digo adeus à infelicidade.
Teu nome tu bem sabes, meu amor, No brilho que me dás, tanto esplendor!
8
O canto da sereia é o pleno Amor, Sem ter, por isso, normas e ambição. O amor quando se embebe de perdão Permite um tempo novo a se propor.
Querer como uma espécie de louvor, Abrindo sem defesa, o coração. Por mais que este meu canto seja vão, É nele que eu encontro o meu vigor.
Amar é ter decerto, a maestria Que nos ensina sempre o bem viver. Como dizia o Pai, em Sua glória.
Tentar conter, do mundo, esta sangria Que vejo nos injustos se verter Matando qualquer sonho de vitória.... Marcos Loures
9
O céu vai renovando o seu matiz Mudando a direção de velhos ventos, Agora um velho quer ser aprendiz E muda sem saber os sentimentos.
Prazeres são momentos, nada mais Olhares vão vazios pelas ruas. Meus gozos são moleques canibais Fotografias e cenários, divas nuas.
As mesmas que se vendem por trocados, Ou mesmo por milhões, não muda nada. Internteticamente meus enfados Decifram esta história mal traçada.
Num léxico diverso, demorou, O ferro na boneca naufragou... Marcos Loures
10
O copo está vazio, pleno em mágoas Distante da alegria costumeira, Da seca que impedindo novas águas Transforma num segundo a terra inteira. A lua vem bordando em suas fráguas A prata sobre o céu, santa rendeira.
E nela encontro a força que buscava, Como é tão bela a santa natureza! Nos olhos deste amor água brotava E dela se espalhando em correnteza Aos poucos toda a Terra ela inundava Matando, em redenção toda a tristeza,
No amor em que mergulho, ora denoto, De todos os meus dias, terremoto.
11
O belo, meu amor, é pra se ver Sem nada que disfarce esta beleza. Vestida de nudez e bem querer Fazendo desta cama a nossa mesa.
Comendo este banquete sem talher Depois de tudo vem a sobremesa Do jeito e da maneira que quiser Teremos mil prazeres, com certeza.
A sede vou matando no suor E em tua doce gruta umedecida Garanto que não há vinho melhor
Nem mais delicioso que este mel Melhor que eu encontrei em minha vida, Entorpecendo leva a gente ao céu... Marcos Loures
12
O barco que em tempestas já se aderna Se torna mais distante de algum cais. Arrendo uma ilusão por vezes terna, Diáfanas presenças divinais.
Metáforas deslindam noite eterna, Paragens tão distantes que jamais Verei na solidão que ora me interna, Da ausência crio motes desiguais...
Usando do teclado qual buril, Talvez possa voar, ser peregrino Um velho travestido num menino
Sonhando com o que tanto pediu Um mar que banhe Minas, clara areia, Deitada sob a lua, plena e cheia...
13
O amor vendido a prazo em prestações Suaves, mas constantes nada diz Daquele que ensinou que ser feliz Depende dos amores e perdões.
Hereges destruindo as plantações, Fazendo da alegria, a meretriz Que vive tão somente por um triz, Levando ao descaminho, as multidões...
Há tempos que Seu corpo é vendido, Usado como fonte de riquezas, Tesouro em crucifixo sobre as mesas
Aonde o pão já fora repartido; Os Judas deste Reino malfadado, Bebendo o sangue à toa, derramado...
14
O bom da vida mostra o seu valor Dourando nosso sonho com ternura O quanto se permite encantador De toda uma tristeza se depura.
Tomando esta amplidão por onde for Adoça suavemente uma amargura Além deste infinito ouso compor Em plena imensidade, com brandura
Um templo enraizado dentro da alma Com hastes mais perenes. Vida acalma Aquele que se entrega à sedução
Do vento feito em brisa e calmaria Que aos poucos nos tocando me extasia Trazendo em nosso amor, a profusão. Marcos Loures
15
O amor se faz num brilho inexplicável Tomando todo o palco da existência Um rio totalmente navegável Afável sentimento, sem dolência...
Cardumes de esperanças, piracemas, Diversas emoções se multiplicam. Rompendo com firmeza estas algemas Os laços redentores glorificam.
Agora o que se fez outrora algoz Estampa de soslaio algum sorriso. Enquanto amor aumenta a sua voz Criando um mundo claro e mais preciso
A solidão se esvai, sem rumo ou meta, O peito de esperanças se repleta... Marcos Loures
16
O amor que tu me tinhas? Ah! Balela! O peso deste engodo envergando alma A cada novo dia se revela, Porém um fato incrível, pois acalma...
A vida, doutra vida paralela Não sabe discernir medo de trauma, Borrando sem talento alguma tela Mantenho mesmo assim a velha calma
De quem sabia inútil qualquer canto, E quando mergulhou no desencanto Apenas encontrou falso brilhante.
Do antigo ancoradouro sequer sombra, Mofada há tanto tempo a velha alfombra Pisada e maltratada em dor constante...
17
O amor que traz diversas artimanhas Invade sem pedir qualquer licença, Vontades se tornando enfim tamanhas Esperam com certeza, a recompensa.
Partidas que julgavas; sempre, ganhas, Distante do que uma alma às vezes pensa, Já têm nas suas tramas tantas manhas E oculta em claro céu a lua imensa.
Mas quando te percebo aqui comigo, A dádiva sublime que persigo Tocando-a me sinto um vencedor.
Roçar a tua pele com meus dedos, Poder já decifrar os teus segredos, Num mundo mais bonito a te propor...
18
O amor que tantas vezes procurei Nos bares, nas boates, nos bordéis, Igrejas, santuários vasculhei Nas ondas beduínos carrosséis. Carcaças desleixadas encontrei, Abelhas destilando puros féis.
Farsantes heresias, outras tendas, Escárnios e carinhos divididos. Nos olhos da alegria ponho vendas Tocando mais profundo os meus sentidos. O quanto que eu desejo e não desvendas Fazendo os nossos risos proibidos.
Nas idas, tantas vindas, eu não canso, O mar do amor sublime, enfim, alcanço... Marcos Loures
19
O amor que tantas vezes me iludiu, Deixando como herança esta mordaça. Enquanto solitário o tempo passa, O sonho pode ser bem menos vil.
Não quero um sentimento que, sutil, Transforma o coração em simples traça, E ao mesmo tempo some, se esfumaça, Mal vejo e num segundo ele partiu.
O fato é que me entrego e já não luto. Se o amor só me deixou o amargo luto, Os olhos vão distantes e sem nexo.
O rumo se perdendo em noite fria, A vida prosseguindo tão vazia, Não quero mais do amor ser um anexo. Marcos Loures
20
O amor que se refaz a cada dia Está na poesia, em cada canto, Versando sobre toda esta alquimia Traduzo em cada verso meu encanto.
Poreja em minha vida a luz sublime Do quase que perdi, agora eu tenho. Além de todo o sonho que se estime, A vida se permite tem tal engenho
Riscando em nossos dias perfeição. Nos traços em que vejo o florescer Nas flóreas sendas tenho esta impressão Perfume de alegrias e prazer
Deitando sobre nós o brilho mágico Matando o que se fora, outrora trágico... Marcos Loures
21
O amor que se perdeu sem liquidez, Canto desafinado inda reflete O que por tantas vezes se repete Mudando totalmente, estupidez.
No rosto da donzela, a cupidez Não serve mais de glória nem confete. O tempo com certeza se intromete E trama outra ilusão que a gente fez.
Aquém do que talvez fosse infinito Vasculhando os meus bolsos, teu retrato Ainda permanece como um trato
Selando em nascedouro cada grito. E vivo tão aflito ultimamente De toda fantasia estou descrente... Marcos Loures
22
O amor que se faz santo em mar profano, Deitando sobre nós efervescências Do fogo que nos toma sem um dano, Desejos sem ter laivos de decências.
Luxúrias nesta orgástica emoção, Delitos cometidos sem pecados, Provocam a total revolução, Os mitos; todos eles, derrubados.
As línguas penetrando cada toca, Incandescências tramam nossa cama, A transparência que chama e que provoca, Aos poucos, possuindo, nos inflama.
Vasculham cada ponto, os nossos dedos, Descobrem mil mistérios e segredos... Marcos Loures
23
O amor que se faz nosso timoneiro Permite um sonho bom, uma esperança, Um canto mais suave traz o cheiro Sublime do perfume da aliança;
Que seja então amor mais costumeiro, E todos numa mesma e bela dança, Verão o Deus perfeito e verdadeiro Além do que um olhar vazio alcança.
Amigo é necessário um novo norte, Que à tua maravilha nos transporte E deixe para trás as diferenças,
O mundo num só canto, mesma prece, Aos teus desígnos santos obedece, Tendo em alegrias, recompensas. Marcos Loures
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O amor que ressurgiu com força tanta Incêndio dentro da alma, fogo intenso. Imagem de mulher que, quando penso, Beleza sem igual que até me espanta
Enquanto sedutora, atrai e encanta. A cada novo dia eu me convenço Do amor que se mostrando tão imenso Também por ser enorme me agiganta...
Ao renascer das cinzas do passado Em fogaréu invade a minha vida Trazendo maravilha em labaredas
A ser somente teu, sou condenado. Minha alma deste amor vai convencida Seguindo cada senda que enveredas...
Marcos Loures
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O amor que quem encontra se perdeu Durante as loucas tramas da paixão Que ao mesmo tempo mostra quanto teu Deveras deve ser meu coração
Enquanto se entregando e nada tendo Em troca, meu amor se faz sombrio, Mas logo que percebo; enfim me rendo Às chamas que renegam fome e frio.
Estrelas ouvirei, esteja certa, Pois delas o reflexo sobre o quarto Atravessando a janela agora aberta, Expressa uma esperança, quase um parto.
Invade-me a certeza sempre de Viver com plenitude, a claridade.
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O amor que para nós é fortaleza A senda em maravilhas perfumada, Permite que se entenda por nobreza Estrada em delírios decorada.
No quanto se entranhando em tal beleza A glória de viver, extasiada, Estende esta alegria sobre a mesa, Fartura em sobremesas, espalhada.
Encontro toda a paz, felicidade Nos olhos de quem amo, farol pleno. Seguindo este convite em cada aceno
Entendo o que busquei, sinceridade Falando deste amor eu me extasio Enquanto em novo templo, amores crio. Marcos Loures
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O amor que nos transforma totalmente, Fazendo o coração bater depressa. Tornando o meu viver bem mais contente A cada nova noite recomeça.
Nos sonhos e desejos se pressente A vida mais sublime que confessa Felicidade imensa e de repente Uma esperança amiga já regressa.
Rainha em meu castelo da ilusão Alucinadamente me domina. Voltando a ser tal qual uma menina
Sonhando com seu príncipe encantado, Vivendo os seus momentos de paixão Com este cavaleiro enluarado... Marcos Loures
28
O Amor que nos redime e que nos cura, Enquanto seres frágeis; fortalece. Clareia com vigor a noite escura, E um belo amanhecer, promete e tece.
Na força incomparável de uma prece, Amaciando assim a alma mais dura. Distante deste Amor, morre, fenece, Aquele que se perde sem brandura.
Amar é conhecer a liberdade. Desígnios do Senhor que é nosso Pai, E enquanto a tempestade ainda cai,
Eu posso vislumbrar a claridade, Que é feita do perdão e da amizade, Quem ama, com certeza, Amor não trai...
29
O amor que não traz risco, não petisco Tampouco me apetece este marasmo, Não quero tão somente algum orgasmo, Nem mesmo ouvir pra sempre o mesmo disco.
A princesa havaiana e seu hibisco, Deixando este mineiro quieto e pasmo, Porém não use; amor deste sarcasmo, Assim me deixarás bem mais arisco.
Essências do Oriente, lendas, sedas Adentro os teus mistérios e alamedas Chegando ao mais profundo do teu ser.
Envolto em tais encantos, vou inteiro Domado e sem defesas, no teu cheiro Milhares de cometas percorrer...
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O amor que não tem termina tem seu fim No próprio amor e nega algum desvio O início, por princípio é sempre assim Um sonho que deveras eu recrio.
Eternizado agora dentro em mim, Renovação é sempre um desafio, Vencendo as corredeiras, chego enfim Ao mar de imensidão e encontro o fio
Aonde me guiando pelas trevas, Fartando-me dos sonhos que tu cevas Num doce murmurar, calmo e tranquilo.
Viver a plenitude deste amor, Na mansa sensação de um bom torpor Abastecendo em paz, o nosso silo...
31
O amor que me condena é o que me cura Da triste solidão e da tristeza, Aplaca o sentimento de amargura E forra todo o sonho com beleza. Amor que se permite uma ternura, É o mesmo que me dói, viva saudade, Clareia nossa vida, quando escura, Mas muitas vezes nega a claridade. Transporta-me ao abismo mais profundo Depois me mostra a face mais gentil, Mudando de feição, transforma o mundo, É frágil, mas destrói manso e voraz, Amor é tão bondoso quanto vil, Transforma o temeroso. O faz audaz...
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O amor que jamais traz algum critério Em tantas emoções se soçobrando Nos olhos de quem amo, o meu império Um vento em tempestade se faz brando
Assédios tão diversos, versos, sonhos, Momentos mais felizes que tivemos. Os dias que se mostrem mais tristonhos Durante a ventania traz mil remos.
Os termos deste acordo eu obedeço Pois neles eu encontro a solução. O amor que se mostrou um recomeço Aos poucos nos transporta, nega o vão.
Atado nos meus pés, o pensamento Sonega em alegrias, sofrimento... Marcos Loures
33
O amor que iluminara feito um sol Aos poucos, se tornando mais ameno, Embora nos pareça tão sereno Às vezes mata um pobre girassol
Que busca nos teus olhos um farol Que seja ao meio dia, forte e pleno. Porém ao ver da noite um frio aceno, Embebe-se no gris deste arrebol.
Não queima e nem clareia, lusco-fusco, Nos raios bem mais frágeis eu me ofusco E tento ao fim da tarde, alguma luz.
A lua se escondendo na neblina, Apenas o vazio descortina E o amor morrendo aos poucos vira cruz... Marcos Loures
34
O amor que glorifica e nos permite Viver além do cais tão simplesmente, Tomando nosso corpo e nossa mente Já vê na eternidade o seu limite.
Por mais que a solidão ainda grite O sonho mostra um dia iridescente No toque tão suave, mansamente A força insuperável ele emite.
Amar é ver a luz que a cada passo, Ocupa com magias este espaço Num derrame de intensa profusão.
Saber do quanto amor já nos socorre, O verdadeiro encanto nunca morre, É como fosse a Deus uma Oração... Marcos Loures
35
O amor que desemboca nos meus braços Depois de tantas curvas, tempestades, Matando da alegria, estas saudades, Estreita com certeza, nossos laços.
Os dias que passei, outrora, baços, Os versos da esperança, ora confrades, Temática diversa, claridades, Comandam pouco a pouco assim, meus passos.
Espaços ocupando, a fantasia, Ressoam dentro em mim, com harmonia, Expressam sonhos calmos e românticos,
Sementes que cevamos dia-a-dia, Colhendo o fruto manso da alegria, Trazendo ao coração suaves cânticos... Marcos Loures
36
O amor que causa incêndio e me tortura, Fazendo do meu corpo, a tua casa, Enquanto me apascenta em pura brasa Trazendo o que se quer e se procura.
Às vezes pontilhado de amargura, Em outros perdendo hora, já se atrasa Durante toda noite em fúria abrasa Vestindo o coração, plena ternura.
Eu sei o quanto amor me faz sofrer E ao mesmo tempo trama tal prazer Que deixa desvairado o coração.
No jogo de ganhar e de perder, O rumo que procuro e tento ter, Sem prumo esquece Norte e direção... Marcos Loures
37
O amor que canto em versos, sem descanso Não pode ser tão fútil como dizes. Se eu trago dentro em mim vãs cicatrizes Ao lado deste encanto, a paz alcanço.
Na festa desejada quero e danço, Negando os teus olhares infelizes. Não posso condenar as velhas crises, Apenas trago o peito amável, manso.
Amigo eu não critico tua fala, Minha alma condoída já se cala Ao ver teu sofrimento interminável.
Mas peço que tu bebas da ilusão Abrindo estas porteiras da emoção, Terás enfim uma água mais potável...
38
O amor que antes de tudo, agora é nosso Estende em suas mãos felicidade. Além do que eu desejo e sei que posso, Prefiro o canto leve, em liberdade.
Nos olhos de quem fora tão somente Na minha vida um zero e nada mais, Por mais que da saudade inda comente Demonstra seus instintos mais boçais.
Ao ter em minhas mãos tanta fartura Do amor que agora eu posso vislumbrar, Por mais que uma imbecil já não se cura, Eu bebo a tempestade devagar...
Saudade, na verdade a voz entoa, Lembrando quando a vida foi tão boa...
39
O amor tomando conta quer e avança Mundanas ilusões, profanos gozos, Momentos que eu julgara fabulosos Não deixam mais sobrar nem temperança
Viela da emoção meu peito alcança E criva seus delírios prazerosos Cadáveres dos sonhos são jocosos No quadro que restou, tosca lembrança.
Mereço ser feliz? Ah quem me dera, Manter eterna chama em primavera, Seria tão somente um belo sonho.
Mas teimo em me perder em noite escura, O medo de lutar volta e perdura, Enquanto a fantasia; assim componho. Marcos Loures
40
O amor tem seus mistérios, sua lei, Falsário que em engodos nos seduz, Ao mesmo tempo cega enquanto luz, Revive num segundo, o que passei.
E desde quando, insano, eu te busquei Apenas lusco fusco em contraluz, A vida me pesando, velha cruz, Apenas o vazio eu debulhei.
Murmúrios, burburinhos, vagas vozes, Momentos tão sublimes, mas atrozes, Refém desta loucura, vou sem rumo.
Porém quando eu escuto o teu chamado, Num átimo mergulho e lado a lado, Meu passo, ao teu encalce, logo aprumo... Marcos Loures
41
O amor tem seus macetes e presságios E nele encontro dores e risadas. Das curvas tantas vezes tão fechadas Pressinto após a chuva os meus naufrágios.
Quem faz das ilusões os seus sufrágios Percebe quanto valem escaladas. Caindo vez em quando das escadas O amor sucumbirá, tolos adágios...
Se a noite disse lua ou se nublou Das trevas herdei frágeis sensações O vento em tão diversas direções
Há tempos se perdeu. Tu queres ou Não queres o problema não é meu. Apenas quero ver teu apogeu... Marcos Loures
42
O amor só mostra a face quando acaba, Em plena despedida se agiganta. O mundo que sonhávamos desaba A sorte num momento já se espanta.
Se quando verdadeiro nos maltrata Ao mesmo tempo esgota-se sem dor Quando vazio e tolo se descarta Bem antes já morrera em desamor.
Um sofrimento imenso se prepara Na morte de um amor em redenção. A perda desta jóia fina e rara Trasborda em sofrimento o coração.
A face derradeira bem ou mal, Só mostra-se sincera no final...
43
O amor feita em divina fortaleza Estende sobre nós felicidade. Convivas compartilham desta mesa Aonde se perfaz a liberdade.
Arcanjos, querubins vão entoando As mais sublimes árias. Sinfonia Que aos poucos entre tantos ecoando Expressa com certeza a sintonia.
A tempo, não me esqueço de teu verso, Imaculada luz que me transforma. Tocando o pensamento, este universo Reflete o teu olhar, em brilho e forma.
No passo de teus passos eu prossigo, Querida, o meu amor segue contigo... Marcos Loures
44
O amor faz renascer uma alegria No peito de um sofrido sonhador, Encontro nos teus braços este alvor Que uma alma há tanto tempo merecia.
Contendo em mansidão, farta sangria, Meu canto vem de novo a te propor A dança que eternize nosso amor Varando a madrugada, ganha o dia
E faz de cada canto, um raro altar, Nas dádivas a Deus, frutificar A terna candidez que se procura.
Assim, dois caminheiros, lado a lado, Nas bênçãos deste amor glorificado Cevado pelas mãos, santa ventura... Marcos Loures
45
O amor entre as cobertas me revelas, Jogando as pernas, abres paraísos, Entranho neste mar, recebo as velas, Em formas de desejos mais precisos. Ao gozo recebido faço as telas Marcando ponto a ponto, sem avisos.
Juízo? Não mais quero e nem pergunto Se o tempo se mostrou em claridade. O quanto necessito sempre junto Roubar deste cenário a liberdade. Não tendo mais sequer um novo assunto Descubro assim total felicidade.
Mergulho nos matizes mais diversos Bebendo gozos antes tão dispersos... Marcos Loures
46
O amor enfrenta a dura correnteza, Não teme qualquer queda no caminho, Tomado em alegria, com certeza, Jamais irei voltar a ser sozinho.
Retiro qualquer pedra, urze ou espinho Na força deste amor que não represa Explode nas delícias de um carinho, Transforma a dura fera em mansa presa.
Amor arando a terra devagar, Regando com calor e precisão, Não deixa mais a seca vigorar,
Tocando todo o solo em perfeição Amor permite então raro pomar, Gostoso de viver e desfrutar. Marcos Loures
47
O amor em seu maior significado Traduz a mansidão de quem conhece Viver com alegria toda a prece Ao Deus em perfeição glorificado.
Usando da palavra com bom grado Certeza que se mostra e que se tece Apascentando assim quem mais padece, Fazendo da alegria o seu reinado.
Não tema as curvas tortas nem as urzes, Por mais que sejam duras nossas cruzes As luzes que virão ao fim da estrada
Permitem que sejamos otimistas, Acima disso tudo, não desistas, Verás dentro de ti, bela alvorada... Marcos Loures
48
O amor em lua clara, nos revela O quanto é necessário qualquer brilho. O coração que insano por ti gela Quebrando o velho prato, este andarilho.
Se eu não suporto mais a berinjela Por cada vai andando em falso trilho Essa fada se mostra enquanto sela O destino deste estúpido estribilho.
Alma minha que a prima vera trouxe Caput tá destruído, e mesmo assim O Bush se tá certo, esqueço o doce
E como este pacu que tu me deste Eva e Adão fugindo do Jardim, Pilão de socar alho não empreste...
49
O amor é um anjo louco e encapetado Faz parte com o Demo e nos domina, Não posso, pois, perder o rebolado E a dança dos quadris logo alucina...
O jogo só é bom quando jogado Descubro sem querer, mapa da mina, Olhando esta partida do alambrado, Partida que acabou, tudo termina.
Depois não venha dar prorrogação, Nos pênaltis é sorte contra azar Melhor seguir em paz sem confusão
Que a mão já vai cansada da batalha, Queria ter apenas o meu par, Que a noite sem ninguém não agasalha...
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O amor é sem juízo, audaz e astuto, A cada novo riso, traquinagens, No quanto te desejo o quanto luto Vertendo em meu caminho tais miragens, Um velho sem limites segue arguto Fazendo no teu corpo tais viagens.
Paragens que se mostram sem igual, Mentiras transformadas em verdades. O beijo tão gostoso e sensual Invade nossa cama em claridades. Encontro muitas vezes casual, Provoca maremotos nas cidades.
Curtida a minha pele neste sol, Bronzeio o coração em girassol... Marcos Loures
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“O amor é paciente e generoso”, E sabe quanto vale cada espera Amor se mostra um sonho fabuloso Trazendo eternidade à primavera.
De tudo o que pensara, mavioso Caminho que moldando regenera E faz de cada dia mais ditoso, Acalma em mansidão a dura fera...
Amar é permitir que a vida venha E traga tanto o fogo quanto a lenha Sabendo desfrutar cada segundo
Amor que nos liberta, nos cativa Uma alma enamorada segue altiva E ganha, sem temores todo o mundo...
SOBRE VERSO DE LUCIANA DIAS
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O amor é mais que sonho, que promessa, Um cais que procurei entre as procelas, No gozo do prazer que me revelas, O tempo não mais pára e não estressa.
A vida novamente recomeça Bebendo das vontades, raras, belas. No céu de nosso amor, divinas telas, Que a mão de uma alegria sempre teça.
Com gosto de garapa e de café, No riso da criança mais traquinas. Explodem de desejos tantas minas,
Rompendo mais depressa estas galés. Embora de teus sonhos, sou cativo, A liberdade agora, no amor vivo... Marcos Loures
53
O amor é feito um barco sem juízo Que teima atravessar um mar bravio. Não quer saber de lucro ou prejuízo, Apenas obedece ao velho cio.
Se traz em suas mãos, neve ou granizo, Depois da tempestade crê no estio, Fazendo do infinito céu seu piso, Mergulha sem temor, ganha o vazio.
Chegando de mansinho toma tudo, O amante se tornando um idiota Perdendo qualquer rumo vai sem rota,
Às vezes sorridente ou carrancudo, Esquece dos limites. Cadê senso? Qualquer riacho vira um mar imenso...
54
O amor com toda a força e rebeldia Aparece e comanda uma mudança Feita à base do sonho e da alegria Nos mostra um novo brilho de esperança.
Há tanto que este encanto, o sonho urdia, Tramando este momento em temperança; A noite em desamor, tola e sombria Ao vazio, o pensamento já se lança
E o tempo transcorrendo em lentidão. A sombra do passado me rondando. As dores vêm chegando; insano bando.
A chuva desabando sem perdão, Lágrimas encharcando os meus olhos. As flores abortadas por abrolhos...
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O amor com suas tramas e mistérios, Vagando por espaços, terras, mares, Invade com ternura mil lugares, Dos abissais caminhos aos sidérios.
Não usa nem de lógica ou critérios, Refém dos pensamentos e sonhares , Barracos, palacetes, lupanares, Dos histriões aos homens frios, sérios...
Não respeita limites nem fronteiras, Insânias cometidas, corriqueiras, Vontades que se dão guerra e ternura.
Tempestas que se formam dos serenos, Momentos ora vagos, tenros, plenos Trazendo a paz imersa na loucura... Marcos Loures
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O amor chegando intenso, novamente Causando em meu viver, revolução. Eu sei que é necessário ter ação, Ninguém vive em marasmo e é contente.
Amor às vezes tolo e delinqüente Não deixa mais caminho ou direção. No vento que chegando, supetão Superação transforma num repente.
Ouvindo essa canção eu me recordo Dos dias em que amor negou acordo E a solidão batendo em minha porta
Não deixou mais caminhos a seguir. O quanto novo amor fez ressurgir Esta ilusão deveras quase morta... Marcos Loures
57
O amor agora segue do meu lado E nada impedirá tal caminhada, Embora muitas vezes derrotado Não temo na verdade, quase nada.
Belezas tão sublimes que se tecem Nos olhos de quem ama em perfeição. Enquanto meus desejos obedecem À voz deste insensato coração
Eu teimo em persistir, seguindo em frente, O canto que se entoa em esperança Promete um novo tempo mais contente Aonde uma alegria já se alcança
O peito em emoções, seguindo aberto, Vivendo o nosso amor, em rumo certo. Marcos Loures
58
O amor bateu na porta do meu peito, Trazendo uma morena delicada. Vontade que em prazeres, saciada, O gozo tantas vezes satisfeito...
O tempo vai passando deste jeito Ventura prazerosa nunca enfada. Ao ser por teus desejos sempre aceito, O sol invade a noite, a madrugada...
Depois de certo tempo, percebi Bela transformação do amor em ti, Teu corpo em novas formas. Placidez...
Dos dois que se entregavam loucamente, As águas tão suaves na torrente Diziam “dois é pouco”. E somos três.... Marcos Loures
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O acaso toma conta e tudo se transforma Ensandecido teimo em buscar soluções Que possam transtornar esta estúpida norma Mudando do passado, os passos, direções.
E quando o vento vem e com força me informa Deste naufrágio tolo, eu busco embarcações Vislumbrando o farol, mesmo em confusa forma Revelo o que guardava em escuros porões...
Não pude decifrar os teus loucos sinais Por isso me perdi; distando do teu cais Jogado numa praia, exposto ao temporal.
Mas tudo tem a volta, assim no recomeço Quem sabe poderei, após cada tropeço Voltar a ser quem fui num ato triunfal...
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O amor que a realidade sonegou, A fantasia, tola já prepara Quando ilusão em sonhos, triunfara O dia em esperanças se banhou.
O quanto que desejo e que não sou, A mansidão é jóia sempre rara A vida se desdobra tão amara Apenas esperança o que restou...
Olhando este horizonte assim nublado, Vejo tímido raio anunciado Nos olhares de alguém que em paz pressente
Talvez um novo tempo de viver, Aonde eu veja enfim, amor nascer, Moldando um dia claro, enlanguescente. Marcos Loures
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O amor quando se vai resta a viola Aonde num ponteio de saudade Encontro a tão querida liberdade, O verso da cantiga me consola.
Se a vida me negou estudo, escola, Da lua na varanda, a claridade, Trazendo ao coração tranqüilidade Lembranças deste amor entram de sola
Por isso, meu amigo eu te garanto, Que seco com a música meu pranto E volto, novamente a ter um sonho.
Nas noites de luar, cantando à lua, O bem da fantasia continua E os versos mais sentidos, eu componho...
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O Amor quando se entrega, não faz caso, E não teme loucuras nem fastio. Penetra com firmeza este vazio, Negando ao sentimento algum ocaso.
De ter esta emoção, eu já me aprazo Do encanto que me trazes, propicio Um dia em que em belezas nego o frio Amásio da esperança, sem acaso.
Nos céus qual fora Pégaso, este sonho, Num quadro divinal que ora componho, Entrego-me à beleza magistral,
Ultimo a solidão, nego a tristeza, Da imensa formosura sendo presa, Vislumbro a paisagem sem igual... Marcos Loure
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O amor quando domina toda a cena, Não deixa mais espaço para nada, A vida num amor se torna plena Sem ele, não há rumo nem estrada. Seu canto, se aproxima e já me acena; Minha alma se sentindo realizada Com sonhos de encontrar a paz amena Nos braços da mulher enamorada... Não vejo mais motivos p’ra tristeza, Nem mesmo pro ciúme desmedido. O canto deste amor, com tal leveza Invade, acaricia e me entorpece. Tocando levemente o meu ouvido, Trazendo a sensação de calma prece...
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O amor quando chegou me deixou tonto, Perdido sem saber o que fazer. Meu mundo parecia quase pronto, Já tinha me esquecido de viver...
Os dias repetidos se passavam, Sem ter sequer promessas ou vontades As noites sem prazer se acumulavam; Morriam simplesmente... Ocas tardes
E manhãs sem qualquer nova esperança. A vida sem amor não vale nada, É como se perder sem ter lembrança Sequer saber se temos uma estrada
Que leve a um momento mais festivo, De amor nasci, cresci, por amor vivo!
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O amor nos salvará do mar escuro Da sua claridade eis o mistério, Destrói da solidão seu duro império E salta qual menino sobre um muro.
Ao ter em ti querida, o que procuro Penetro a imensidão em gozo etéreo Permite imaginar um mundo puro Amor que na Razão não vê critério...
Hereges os que fogem deste lume, Do abismo preconizam o alto cume E morrem sem sentir a mansa aragem
Que faz da ventania um doce porto, Quem vive sem amor, em vida morto Não sabe e nem concebe esta paisagem...
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O amor nos preparando para a ceva Esterca os corações com alegria, Supera em luz intensa qualquer treva, Trazendo o sol imenso de outro dia
Uma alma em desamor, sofrendo, neva, Privada da esperança, em heresia Seguindo em descaminho, a triste leva Destoa da fantástica harmonia
Na qual nós encontramos flórea senda. Quem bebe desta fonte já desvenda Os segredos da Terra e da Natura
Nas mãos tão calejadas pela dor O amor como um supremo lavrador Semeia cada grão feito em ternura... Marcos Loures
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O Amor não suportando a despedida, Ceifado pelas hordas do ciúme, Espalha sobre nós o seu perfume, Mudando assim o rumo desta vida.
Por mais que seja dura a nossa lida, Detendo esta emoção já de costume, Espalha uma esperança, farto lume, E mostra em mansidão, uma saída.
Repare nesta estrela que ora brilha, Debruça sobre o mar tal maravilha Num rastro de suprema claridade.
Assim também amor quando nos guia, Permite que se veja em poesia, A mais perfeita luz: felicidade! Marcos Loures
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O amor não se permite prisioneiro. Um canto libertário se faz mote Além do que pensara costumeiro Na fonte que jamais aqui se esgote
Insaciável, busco a cada dia Matar esta vontade que não cessa; Deixando bem distante uma agonia Roubando de teus olhos tal promessa.
Arcanas emoções, velhos caminhos, Partícipes da festa que hoje eu vejo, Em meio aos mais suaves, doces vinhos, Nas mãos imprescindíveis do desejo
Num balé sensual, a noite passa, No corpo da mulher beleza e graça. Marcos Loures
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O amor não se decide num Gre-Nal, Um coração partido que obedece A um gesto em calmaria natural Escuta de um amor, louvor e prece.
Distante de teu mar, quero este sal Que todo este suor, divino, tece, Cavalgo o pensamento e no bornal Carrego todo amor que se oferece
À quem deseja mais que um simples sonho, No verso que em desejos eu componho Um verdadeiro gesto de esperança.
Na boca da morena, eu mato a sede, Além deste retrato na parede, Intenso minuano já me alcança... Marcos Loures
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O amor não é nenhuma panacéia, Tampouco em meus cadinhos manipulo Poção que em fantasia mude idéia E mostre do felino o mago pulo.
Alquímicas promessas? Falsos guizos. Silêncios dentro da alma, corriqueiros. Os ventos que viessem mais precisos Balançariam todos os coqueiros
Macabros vergalhões em meu caminho, Alvissareiras rosas no jardim. Depois que imaginei fugir do espinho, O amor fez seus estrados dentro em mim
Legando esta farsante poesia Que o tolo repentista agora cria...
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O dia amanhecendo sempre escuro No peito de quem nunca soube amar, O chão nega o cultivo e segue duro, Não posso neste solo cultivar. O fruto da alegria está maduro, É hora de colher e festejar.
No peito de quem ama, um sonhador, O dia se promete libertário, Um canto que anuncia o pleno amor, Não deixa um coração mais solitário. Vivendo esta esperança vou propor Horizonte mais belo e solidário.
Bonança nos carinhos de outro alguém, Depois da tempestade quero e vem.
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O dia amanhecendo no horizonte Trazendo uma aquarela de presente. Antes que a vida vá e o sol desponte Maria me convida de repente Beber água tão pura desta fonte Abrindo o paraíso totalmente.
Romance que se faz noite no dia, Não teme sequer seca, sede ou fome, Vagando nos caminhos de Maria A vida num segundo se consome E traz a tempestade em arrelia O caçador sem jeito em gruta some
E volta empapuçado da caçada. De novo a lua quer, de madrugada...
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O dia a dia, terno e paletó, Sinal fechado, trânsito e fumaça... Na chuva, a sensação de ser tão só E no asfalto da vida o tempo passa.
Pára e repara. Aquela casa velha Esquecida nos tempos de menino... De repente, uma imagem vem, espelha Como um rosto infantil. Num desatino
Entra na casa velha, abandonada. Corre para o quintal, tira os sapatos E esquece do trabalho. Pensa em nada, Vê um velho balanço em meio aos matos.
Ao subir na balanga mal percebe Os raios delicados que recebe...
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Ó Deus dos desgraçados e famintos Dos tantos pecadores, meretrizes. Do sangue em vinhos vivos, fortes, tintos. Amigo nos tormentos, medos, crises.
Que eu possa dominar os meus instintos E assim ao impedir torpes deslizes Mantendo os meus vulcões pra sempre extintos Terei dias mais claros e felizes.
Escute o meu soneto em oração, Pedindo desde já o Teu perdão, Pois tantas vezes fui venal e até cruel
Eu peço que Tu tenhas paciência E se possível, Pai viva clemência Que eu mesmo entre as abelhas, colha o mel...
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O desamor sorri; cruel serpente Tomando toda a terra por instantes, De tudo o que perdi; já se pressente Servis momentos tolos, revoltantes.
Acesa a fria chama no meu peito, Revejo o que passei e o que perdi. O rio na vazante esquece o leito Somente a treva em vida eu conheci.
Após a noite feita em pesadelos, Mergulho na escaldante e movediça Areia que tecendo os seus novelos Destrói enquanto vence qualquer liça.
Distante, bem distante dos meus ninhos O canto matinal dos passarinhos. Marcos Loures
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Ó musa vê se volta ao seu recanto! Meu verso se perdendo sem ter nexo Eu quero muito além de simples sexo, Preciso de teu fogo e teu encanto.
E saibas que eu te quero e quero tanto, Teus olhos dos meus sonhos o reflexo Não és, isso eu garanto, um mero anexo, Não quero em minha vida mais quebranto.
Permita que eu te fale com franqueza Tua presença evita uma surpresa Qualquer que me atrapalhe o caminhar.
Espinhos? Tive vários, não duvide Por isso a minha vida se decide No quanto em meu recanto quero amar... Marcos Loures
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O mundo vagabundo segue ao léu, Deixando o coração já bem distante. Sarcástica ironia traz o véu Deitando sobre os párias, num instante.
Negando a quem merece favo e mel, A trama dos canalhas, triunfante Desenha temporais em negro céu O riso da canalha, provocante.
O risco de viver se torna claro Enquanto em pensamentos eu declaro O tempo em que se mostra iniqüidade.
Porém nas mãos dos pobres excluídos Sangrantes, em açoites, conduzidos Os passos para Amor, felicidade... Marcos Loures
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Ó Musa inspiradora dos meus versos Amiga e companheira magistral. Trazendo para mim sonhos diversos, Faz toda a vida ser fenomenal. Tramamos, pois os novos universos De dor, de fantasia sensual...
É bom poder ouvir o teu cantar Amiga poetisa de talento. A voz que vem chegando do teu mar, O cheiro, teu perfume, traz o vento. Assim como é gostoso navegar Contigo, sem parar nenhum momento...
Na mágica dos sons e das palavras, Querida, cultivamos nossas lavras...
Marcos Loures
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Ó Musa dos meus sonhos mais audazes Eu quero teu carinho, pão de queijo, Gostoso tão somente quando fazes, Depois vou te roubar montão de beijo
Bebendo no teu corpo este quentão Pulando qual pipoca no meu leito, Deixando um belo rastro em tentação Vem logo que depois eu dou um jeito
De nunca mais perder essa alegria Que forra nosso céu, tanto balão. Bem antes de romper o novo dia, Na cama vamos ter nosso quinhão.
Agora, eu te confesso, e assim atesto. Minha Musa eu não troco e nem empresto!
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O mundo tão corrupto, terra ingrata; Produz sementes podres, maldições. Em trevas maltrapilhos corações A dor se multiplica em vil cascata.
Nem mesmo uma esperança que arrebata Mostra em caminho simples, soluções. A fome dizimando multidões. Mão que sustentaria, já nos mata.
Porém o sol que gira é sempre o mesmo, O planeta sedento vai a esmo Num compasso marcado pelo medo.
Vai cega e sem caminho, humanidade... Mal sabe que na força da amizade, Encontra-se a verdade; eis o segredo! Marcos Loures
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O mundo só é feito pra quem ama E deixa em manso amor a sua marca. Sem fogo, se perdendo toda a chama Sem mar o que seria desta barca? Na cura que me queima enquanto inflama A sorte desejada fica parca Se não souber viver na maga trama Que amor, nos abraçando, cedo abarca. Amar é necessário como o ar; Fundamental é mesmo, tanto amor. Se quem durante a vida não achar Razão para viver e se entregar, Esqueça o que falou um sonhador, E deixe esta tristeza te levar...
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O mundo se mostrando alvissareiro Traz em tabaco e álcool risos tantos, Quadris multiplicando os teus encantos Transfundem para o peito cada cheiro.
Dos sonhos mais sutis, gentil parteiro Espalha a fantasia pelos cantos, Não vejo mais peçonhas ou quebrantos. Amor que é da alegria o meu viveiro.
Um peito tartamudo não se cansa De ver ao fim da curva uma esperança Cigarros, vou tragando em fartos maços,
Prazeres que me encharcam em monções Sublimes temporais, revoluções, Nos céus de nosso amor, claros espaços Marcos Loures
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O mundo nos ensina dia a dia, Portanto estar atento é importante. Ensina mais com dor do que alegria, Nas voltas, esse mundo é inconstante. Amor; eu percebi que maltrataste O amor que tenho em mim, sem ter motivo. Sem perceber, talvez, tu magoaste; Bem sabes que eu te quero e por ti; vivo. Eu te amo, nunca mais duvide disso, Tu és razão primeira desta vida, Eu tenho na verdade um compromisso, Quero-te bem além. Ah! Não duvida Quem ama sem medida. Pode crer; O mundo é um bom livro, basta ler...
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O mundo virtual querida amiga Não pode ser cruel com quem escreve, Por mais que exista – eu creio – tanta intriga, A vida deve ser suave e leve.
Ao sonho que nos toca e nos abriga Ferir eu não admito quem se atreve, Quem tem estas manias, como urtiga Do juízo já faz por certo greve.
Enquanto a fantasia cria a liga, Não posso suportar bola de neve Que cresce sem limites. Dando figa
Entregue-se ao carinho que te enleve, Amor em poesia desobriga, Pois venha que esta vida é muito breve!
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O mundo que remete ao triste canto, Roubando a fantasia em que pintara O nosso sentimento em puro encanto, Tornando nossa vida mais amara..
Não posso permitir tal desencanto Enchendo de amarguras a seara Causando o sofrimento, verte pranto.. Calando uma alegria que sonhara..
Mas sei que te desejo minha amiga, Renasço em cada sonho que tiveres. Sem tua mão a sorte já periga
Minha alma se perdendo, quase morta... Por isso tanta luz quando vieres, Aberto o coração, a casa, a porta... Marcos Loures
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O mundo prometido esvai-se vão, Tirando esta saudade sobra o nada. Vagando pelas ruas, madrugada, Exponho em cada esquina o coração.
Ao longe, bem distante, uma canção. No bar casais em riso e gargalhada, Uma esperança morre destroçada, Jogada sem pudores, vai ao chão...
Lembrar de nosso amor... Uma vaidade Somente e nada mais, tudo morreu... Voltando tão depressa à realidade
Encontro este vazio que sou eu, Apenas a sarjeta, meu destino, Aguarda em boca aberta, último trino...
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O mundo pra sorrir tem um motivo Que é feito numa luz tão deslumbrante De um dia com certeza alucinante Trazendo um sentimento sempre vivo.
Um coração sincero perceptivo Já sabe do que falo neste instante, Há tempos Deus nos deu um ser gigante Que pleno de bondade, de amor altivo
Percorre como um anjo, nossas casas, Trazendo sempre o bem, sem querer nada, Presença que garanto é desejada
Por todos que conhecem tantos bens. Por isto é que esta data é bem marcada E serve pra te darmos parabéns...
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O mundo não é só dos maus burgueses Que vestem fantasias imbecis. Os olhos dos abutres, sendo vis, Mirando para o povo, pensam reses.
Ao verem no Brasil um operário E agora, este mulato americano, A burguesia entrando pelo cano, Estampa o seu retrato, besta e otário.
Que se danem as velhas convenções, Permitam que a gentalha viva em paz, Já basta destes gordos canalhões,
Agora é nossa vez! E o socialismo Que a voz da liberdade sempre traz, Derrube a burguesia e seu cinismo!
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O mundo me detesta, disso eu sei. Não tenho nem promessas nem esperas... O rastro das tristezas que causei, Me levam aos caminhos das quimeras...
Nos prados das saudades fui o rei. Vencido por batalhas, priscas eras. Desgraças que, por certo, te causei, As dores atacando, duras feras.
Agora me perdoes se és capaz. O mundo não deseja tal falácia... Eu quero teu amor, preciso paz.
A vida se demora mas, audaz, Sabendo-me mortal, eu sou tenaz, Amor é imortal, por ti Acácia
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O mundo em pé de guerra; fome, esmola. Gargalham-se os abutres, afiados. A dor que não se ouviu em altos brados, Agora o meu joelho já se esfola.
O amor que tanto eu quis nem me deu bola, Sequer ouviu talvez os meus recados, Dos gozos mais vorazes, alijados, A solidão, pantera; entra de sola.
Errático; persisto em ermos campos, Guiado pela luz de pirilampos, Ouvindo a voz soturna da coruja
A mão que outrora fora mais audaz, Somente espinho e cardo, ora me traz, Amor nunca passou de garatuja... Marcos Loures
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Ó minha amada musa, em teus palácios; Os sonhos; deposito em toda noite. Sonhando com teus olhos violáceos, Perco-me sem futuro que me acoite.
Guardando na lembrança tais castelos, Vivendo um grande amor que nunca veio. Cultivo, tantos sonhos com rastelos, Nos vagos destas noites, sem receio...
Quem dera ser poeta p’ra cantar Na lira teus caminhos, minha amada... Raios alabastrinos do luar, Roubados dos meus sonhos, madrugada...
Venha descansar; te espero aqui; Em meio a tantos sonhos, me perdi...
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O mundo pode ser bem mais amável Se todos perceberem quanto é bom, Um novo amanhecer mais confiável Cantando toda a Terra em mesmo tom.
Diversidades tolas esquecidas, Vencidos preconceitos idiotas. Abrindo com certeza em nossas vidas De todas as barragens, as compotas
Assim quem sabe um dia se perceba O quanto o ser humano se faz frágil Por mais que em toda glória se embebeda Apenas o amor cessa o naufrágio
Da espécie que se fez tão prepotente, Mudando nossa história, de repente... Marcos Loures
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O meus amô sabeno quanto eu quero Vivê do seu ladim a vida intêra Da vida de um caboco a companhêra Pérfeita pra vivê sem destempero
Sujêito apaxonado sabe bem Qui tudo o mais qué: felicidade E mêmo martratado pur sôdade Pércura os braço, logo, de outro árguém
As água nos meus óio ainda insiste Falano dessa dô qui já sufri, Oiá dum cidadão zoiano triste
Incontra notros óio o que quiria Na moça mais férmosa agora eu vi O brío qui me dá tanta aligria!
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O mundo desabando, vou sentindo, E busco nos escombros os meus restos, Os podres de minha alma vão infestos E em conta-gotas vão já se esvaindo.
O quanto imaginei de um dia lindo, Trazendo intempestivos duros gestos, Encharco a minha alma nos asbestos Que aos poucos, me inundando e me ferindo.
Aufiro as nauseabundas ilusões, Que formam sempre falsas soluções E vejo o que buscara e não mais tento.
Olhando para os astros, a esperança Espalha-se nos vãos de uma lembrança. Perfaço este infinito em um momento. Marcos Loures
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O mundo desabando por inteiro, Em lágrimas prenúncios da agonia, Na pútrida manhã, sol derradeiro Trazendo uma alvorada morta e fria.
Amor em sacrifício; vão cordeiro, Secando em plena fonte a fantasia, Na fétida ilusão, terrível cheiro, Espalha a podridão e o nada cria.
Nas sendas que pensara claras, flóreas Somente a seca imensa que inda insiste. Olhar que enamorou-se foge triste
As horas com certeza são inglórias. Os vermes me devoram inda em vida, Amor cedo partiu; cadê saída?
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Ô moço me perdoa se eu não sei Falar como você, que é instruído Criado nos conforme, bem nutrido, Num sabe nem metade, o que passei.
Só sei da Natureza, a sua lei Destino numa enxada foi cumprido, Porém eu lhe respeito e não lhe agrido Jamais do seu saber eu duvidei.
Mas falo e lhe garanto com certeza, Quem gosta de cantar tanta macheza Devia olhar pro rabo e tomar tento.
Um cabra que se diz tão premiado, Devia ter tomado mais cuidado, Meu colo jamais foi um manso assento...
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O meu verso, reverso da medalha; Cortando, penetrando devagar, Dilacera, sangrando qual navalha Triscando a melodia do vagar…
Meu tempo, contratempo, Deus me valha Pois quando estou vagando bar em bar; Amores mal vividos, qual mortalha, São tantos que naufrago nesse mar…
Vivendo sem ter cálice nem vinho, Servindo de repasto para a dor. Amante sem ter cama, sem ter ninho.
o quanto imaginar se acabou Reflito tanto amor, mas vou sozinho, Buscando, no luar, ser o que sou…
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O meu olhar roubando em teu olhar O brilho em que se espelha esta emoção Sem resultados sempre a procurar O amor que me trouxesse a direção.
Cansado de sem nexo, vasculhar Do sótão de minha alma até o porão, Bebendo uma esperança bar em bar, Mil porres eu tomei, pura ilusão.
Agarro este cometa pelo rabo, Nos braços deste amor logo eu me acabo, Sorvendo cada gota, eu me lambuzo.
Enquanto pões a mesa, num banquete O amor bicho safado, faz joguete Do coração da gente, puro abuso... Marcos Loures
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O meu verso é caipira Feito moda de viola, Amarrado com embira A saudade na sacola
O meu sonho já se atira Noutro sonho não se embola, Se a lembrança sempre gira, Quando vem entra de sola.
Mas não largo esta esperança Que me ajuda a poder crer Que depois vem a bonança
Acalmando a minha dor, Na certeza do prazer Eu não poupo mais amor...
desculpem a rima pobre amor/dor.
mas isso é coisa de caipira... Marcos Loures
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O moço mais bonito do planeta Um Adonis sublime em perfeição Usando em precisão sua caneta Causando no remanso um turbilhão.
Cupido sem juízo lança a seta Sem ao menos mirar, sem direção A moça se enamora do poeta, E assim já recomeça a confusão...
Tem uma que começa a olhar de lado, Uma outra com desdém olha por cima, Enquanto o Dorian Gray aumenta a estima
Começa o quebra-pau tão esperado, Ao ver a bela cena então me calo, Vendo o frangote assim cantar de galo!
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