
MEUS SONETOS VOLUME 108
Data 24/12/2010 11:34:15 | Tópico: Sonetos
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No cadáver, talvez, fecundidade Depois de meus castelos corrompidos Mordaça sonegando a liberdade, Os sonhos em loucuras esquecidos.
Menção de fantasia diz saudade Os passos sempre vãos seguem perdidos. Olhar quer em cegueira a claridade, Os dias entre as trevas percebidos...
Capota a cada curva uma emoção, As luas vão seguindo em evasão Apenas o vazio inda se atreve
As cores da esperança são tardias, As bocas que se buscam, doentias, A morte em redenção virá em breve...
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No brilho ora sobejo da alegria, Dançamos noite afora, rito em valsa Beleza sem igual amor realça Expondo a mais sublime poesia
Na qual amor se faz em melodia. Mulher que em meus anseios lumes alça. Da vida que eu provara, outrora falsa, Um Eldorado agora se recria.
Andando pelas ruas, bares, praças, Estrelas sorrateiras e falsárias, Destino diferente, eu sei que traças
As horas que eu vivera, solitárias Jogadas nas masmorras da lembrança, Expressam finalmente confiança... Marcos Loures
3
No brilho do amanhã que se desvenda Certeza de outro dia em harmonia. O sol tecendo em raios bela renda Tomando o céu inteiro em fantasia.
Que a mão de uma esperança já se estenda E toque o coração com alegria, Tristeza transformada em simples lenda Negada com vigor pela magia
Que chega da amizade em plena glória, Forrando os meus caminhos com mil flores, Deixando a solidão tão merencória
Sem rumo, em desatino, sem saída. Contigo caminhando aonde fores Encontro a solução pra minha vida.
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No brilho desta faca que te corta, O jeito de carinho mais mordaz, Meu barco no teu mar quando se aporta Trazendo um sonho atroz e tão voraz... Mordendo nossa boca pouco importa Se queres o que tenho ou queres mais, Apenas a carícia é que sai torta Com força e com loucura de animais... Meu peito convulsiona tão ardente O coração se explode e se alucina, Já fora assim calado e até dormente, Agora se transforma em sonhador, No rastro que deixaste em mim, menina, Promessa de viver um grande amor!
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No brilho de teus olhos, diamantes Imensos, que me fazem delirar. Meus dias sem teus olhos? Inconstantes... Prometem tempestades sem luar. Banhado pelos prismas tão brilhantes Que trazem, com certeza, luz solar. Me guiam pela estrada, deslumbrantes Teus olhos... Como é bom poder te amar... Nos dias solitários, caço estrelas Nas ondas, nas areias, sem destino... Não posso; Meu Senhor, mais esquecê-las. Ao ver o teu olhar, minha querida, Revejo um belo mar tão cristalino, Tornando mais bonita a minha vida...
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No breu das tocas vejo esta ardentia Mudando tal cenário vão, sombrio, Depois de mergulhado em pleno frio Brilho de teu olhar tudo irradia.
E faz da negra noite um claro dia Largando o coração neste bugio, Dançando com prazer, sonhos recrio E bebo dos teus olhos, poesia...
Não quero mais perder este farol, Que é como um raro imenso e belo sol, Um simples girassol, sigo os teus rastros
E ganhas o universo num clarão Tomando num repente esta amplidão Qual fora multidão de raros astros.
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No condão de teus mágicos encantos, És a fada, minha deusa e companhia... Não sei se me devoram teus quebrantos, Só sinto que te quero mais um dia...
Termino pobres versos, peço pranto, Escrevo teu amor, na poesia... Não quero cultivar menor espanto, Eu apenas virei dizer: bom dia!
Meus jardins são sombrios e funestos, Colibris procurando nova flor, Os amores que já tive, indigestos,
As senzalas que deste, recompensa... Nada mais serviçal que meu amor, Amar-te é muito mais que simples crença! Marcos Loures
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No côncavo e convexo, a fusão Que gera a confusão deliciosa, A vida sendo assim tão caprichosa Traz uma tempestade pro sertão.
Ser tudo o que mais quero ou ser o não Seguindo por estrada pedregosa A gente em explosão sabe que goza, Mexendo os teus quadris: um furacão!
Afoito, quero o bis, o tris e atrás Do trio elétrico passei o dia, Fazendo um carnaval, penso Bahia,
Mesmo que só Gerais, já satisfaz O vento transformado em temporal, No enredo deste samba, sensual...
9
No compasso do amor a gente dança E faz um reboliço sem igual, Sozinho, nosso peito diz festança No enredo mais gostoso e sensual.
Nos olhos a certeza, a confiança, De termos sem suspense, um bom final. Amor se de verdade, sem poupança, Quer tudo num segundo, é magistral.
Acelerando sempre o coração, O amor não tem remédio, nem precisa, Se longe, uma saudade vem e avisa
Causando no meu peito um turbilhão, Porém quando te vê, taquicardia Prenúncios de loucuras; anuncia... Marcos Loures
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No começo de tudo,sem saber Do passado ou futuro, imaginamos. Há coisas que ficamos sem dizer Nem mesmo para aquela a quem amamos.
Carinhos que prefiro me esquecer Caminhos que nem mesmo caminhamos, Histórias de desejos e prazer, Tristezas e mentiras que enfrentamos.
Os sonhos que tivemos, sem manhã; As horas que curtimos solidão, As febres e os temores; noites vãs.
Prazeres solitários, riso falso. Há fatos que é melhor dizer-se não Senão namoro vira cadafalso...
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No colo da morena, o meu sossego, Virtudes tão sublimes vejo em ti, De tanto que busquei, reconheci Por isso te dedico tanto apego.
A moça se é bonita, acarinha Ego, No corpo mais perfeito que eu já vi, Um vinho tão amargo que bebi, Deixando o pobre amor, otário, cego.
Tu foste para a festa e com certeza, Comeste muito mais que a sobremesa, Na dança que se faz nas madrugadas.
Agora o que fazer sem o teu mel, Apenas o vazio traz seu véu E as horas tão vazias, desprezadas... Marcos Loures ]
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No colo da morena enluarada Meus olhos se perdendo dentro em ti Amor que é bem maior que eu mereci Dourando em alegria nossa estrada.
Vagando pelo encanto/madrugada Alcanço a maravilha e chego ali, Nos braços deste sonho que verti Na fonte tantas vezes procurada.
Mergulho nos teus olhos, devaneios Pressinto eternidade nestes veios Que levam ao desejo, santa foz.
Escute o meu cantar, bela criança, A lua se derrama clara e mansa Ouvindo em plenilúnio a minha voz.... Marcos Loures
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No colar perolado do meu sonho, Encontrei tal sereia em devaneios... Pensei que novamente mal medronho Viria destruir belos anseios...
Entretanto, ao sentir-me mais risonho, Carinhos mergulhei, teus belos seios... Cansado do viver tão enfadonho, Penetro por teus mares, rios, veios...
Relances imprecisos, meu passado, Um beijo tão sutil, amor destila. Reflete-se em teus olhos verde prado,
Como a me convidar a ser feliz. Floresce neste campo a flor de lis; Maviosa, com delícias de Dalila!
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No cofre onde os amores vão guardados, Segredos escondidos, chaves tantas, Debaixo destes vários cadeados, Dois olhos delicados... já me encantas.
Quem disse dos prazeres, dos pecados, Morrendo em mãos vazias, loucas, santas. Agora meus momentos aguardados São feitos dos desejos que me implantas.
Eu quero conhecer teu rico cofre, Podendo decifrar tuas vontades. Quem vive em solidão, por certo sofre,
Não sabe deste dia, as claridades. Saber de teus recônditos profundos, É conceber milhões de raros mundos...
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No clube sonetista do recanto Eu falo de quem fala bem de mim, Embora com mil erros não me espanto Eu vou fazer sucesso mesmo assim.
Cobrindo com alvíssaras meu pranto Nos lábios ardilosos carmesim, As rimas eu encontro em qualquer canto E teimo: sou poeta até o fim.
Qualquer bobagem serve enfim de mote. Meus versos são sangrantes, cortam fundo. Não deixo que esta fonte mais se esgote
Pois tendo finalmente uma platéia, Se bundo com rebundo não confundo Aplausos dissonantes da alcatéia.
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No claustro onde deixaste o coração; Sem portas, sem ter chaves, absoluto... Nas lendas do deserto, da paixão; Não te restará nada além do luto...
Muitas catedrais trazem a oração, Muito barco, nos mares, impoluto... Muitas luas brilhando no sertão. Homens quietos, do mundo mais astuto...
As forças naturais das tempestas, Muitas dores simbólicas são festas. Muitos cantos escondem a sereia...
Muitas flores precisam ser colhidas, Muitas mortes renascem novas vidas... Só o teu coração, deserto, areia... Marcos Loures
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No claro plenilúnio eu posso ver Imagem que transtorna enquanto encanta Aos poucos eu começo a perceber A força deste amor que é sempre tanta.
Tramando o mais sublime alvorecer Beleza que seduz e me agiganta Na qual sinto possível conceber Que uma alma em alegria agora canta
Caminho que levava à mansidão Apenas tão somente uma ilusão, Durante muito tempo se perdeu
Tu tens em tuas mãos a minha sorte, Amor que em calmaria muda o Norte Trazendo à nossa vida, o apogeu Marcos Loures
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No cigarro que fumo amor em espirais... Distante, cai a noite; o vento me tortura... O canto que sonhava, estribilha: jamais! Não quero conceber minha total loucura!
Alvíssima menina, o meu preciso cais. A barca que sonhei, no mar de tanta alvura; Esconde-se infeliz, tanta tristeza traz... Quem dera se tivesse amor que, santo, cura!
Vivendo a solidão, cigarros devorando, O medo desta luz, que tanto me fascina. Embalde, procurando, o mar que fosse brando...
Sou pobre passarinho engaiolado em dor. O rosto que se mostra, a mais doce menina... O vento me tortura, em Lídia, meu amor... Marcos Loures
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No charco de minha alma eu me perfumo Catando o que restou – podres pedaços. Olhando pro vazio, os sonhos fumo E deixo nos escombros, velhos traços.
Atrasos em momentos cruciais, Nas setas deste estúpido menino, Quebrando os meus antigos castiçais Oráculo macula o meu destino.
Na gula de viver felicidade, Engulo esta fumaça do passado, Regula cada sonho, uma saudade, Maquio meu sorriso maltratado.
Manadas de tristezas me rondando, As dores vêm chegando, bando a bando... Marcos Loures
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No céu que sempre quis, em perfeição, No brilho desta lua emocionante Desfraldo calmamente uma ilusão Ao mesmo tempo insana e deslumbrante.
No horizonte que mostra seu painel Em tantas maravilhas estelares, Na perfeição sublime deste céu, Reflexos dos luares forram mares...
Nas ondas prateadas, teus cabelos... Nas ondas prateadas, belo mar... Minha emoção se explode só em vê-los E cria o belo sonho de te amar....
Andando nessa areia, extasiado, Me sinto muito mais apaixonado!
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No céu azul pintado na janela Verdejo uma esperança resplendente. Estrela quem me deu, amor, foi ela, No sonho de viver, uma aguardente. A rosa que plantamos, amarela, A faca que travamos, cada dente...
Brilhar no teu remanso, rio e mar, Arcar com cada parte desta conta. O manto que cobriu-nos fez amar, O mar que no teu peito já desponta. Tão longe da verdade do sonhar, Mentira quando muita, desaponta...
Recordo cada dia que vivemos, Por certo amor jamais esqueceremos...
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No cérebro pululam mil demônios Dominam meus sentidos e me levam Aos olhos tão pudicos dos campônios Sorrisos que disfarço já se trevam.
Na morte escancarada nos meus cânceres Nos cancros que carrego dentro da alma, Apenas talvez mostrem ledos cárceres, Porém só teu sarcasmo inda me acalma.
Entre chacais, serpentes e panteras Os olhos monstruosos da verdade. Matar com ironia as primaveras Rompantes que traduzam liberdade,
Das jaulas que nos deram como herança Orgasmos espalhando uma esperança... Marcos Loures
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No cérebro mistérios e segredos Arcanos devaneios sensuais. Estrídulos rebentam velhos medos, As noites em caminhos espectrais.
Espasmos e desejos, loucos ritos, Nas lúbricas estradas, mar corpóreo. O quanto se profanam velhos mitos Estímulos diversos no sensório.
Amor: uma figura que esquizóide Em óvulo, gozo, espermatozóide, Num misto de prazer e de delírio.
Os olhos sem destino, vão libertos, Caminhos que trilhando são incertos Às vezes necessitam de colírio...
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No castelo, princesa imaginava Com mares e florestas encantadas... A lua, companheira, transformava A noite nas corbelhas estreladas...
Castelos e princesa que sonhava, A vida transcorria... Nas calçadas, Brilhantes, diamantes, sons e clava Do sol, iluminando essas estradas...
No castelo, princesa maviosa, Sonhava com jardins, flores, perfumes... A vida se mostrava fabulosa,
Sem dores, sofrimentos ou queixumes... Batia, calmamente, o coração, Trazendo seu castelo ao barracão! Marcos Loures
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No carinho que me dás E me deixa tão contente, Tanto bem que satisfaz Emociona a toda gente.
Se este amor é feito em paz, Calmaria se pressente, Exorciza Satanás Cura até a dor de dente
Meto a cara sem temor Por saber que tanto amor Se conquista dia-a-dia
Com afeto e com carinho Já não ando mais sozinho, Me acompanha, a poesia... Marcos Loures
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No cárcere dos sonhos, dois cativos Estúpidos se querem e se embrenham. Por mais que permaneçam quase vivos, Esperam fantasias que inda venham.
Os olhos disfarçando são altivos; Algozes ilusões que fingem tenham Somente seus grilhões tão permissivos. Não tendo mais espaços que contenham.
Assim depois do quase fui feliz, Minha alma inda vagueia meretriz Por todos os bordéis e cabarés.
Enquanto sonhas lúbricos prazeres, Esqueces no banquete os teus talheres, Atados; dois amantes nas galés...
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No canto que te canto o teu encanto Domina toda a cena, amada amiga. Contigo cada vez sempre me encanto Coberto no teu manto que me abriga. Calando toda a dor, secando o pranto, Eu peço que comigo, assim, prossiga.
Amor que se faz belo em amizade Resiste a tais procelas renitentes, Depois de destruir a tempestade Sorrisos se demonstram mais contentes. Amar é também ter na lealdade Motivos pra viver o que bem sentes...
Festim do amor em glória e laço firme, Que amor em amizade já se firme...
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No canto que se faz tão necessário Um antiquário trago no meu peito Desejo-te um feliz aniversário E falo, na verdade do meu jeito.
Um mundo que se faz igualitário Já deixa um sonhador mais satisfeito, Porém se trago um verso solidário Descanso mais sereno no meu leito.
Mas tendo esta certeza que não nego De crer nesta ilusão na qual navego Ao vislumbrar futuro em perfeição
Festejo a cada dia, estar contigo, Poder ser; sobretudo teu amigo Moldando em esperança esta canção.
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No canto que proclamo uma alegria De músicas e danças, maravilhas; Sabendo reviver no dia a dia, Com certeza não somos pobres ilhas.
Nas festas e nos olhos de esperança, Um canto se espalhando faz dançar; No peito tão sereno, sou criança, De tanto que sofri, já sei amar...
Teimosa, a primavera não se esparsa, Nem deixa uma tristeza secar flores. Sabendo da ventura, riso e farsa, Não temo mais espinhos nem as dores...
Amiga não se esqueça desta luz, Que tanto nos alegra e nos conduz...
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No canto que preparo em teu louvor Escuto tua voz sempre presente Uma amizade feita em pleno amor, Permite ser feliz, andar contente.
Trazendo para a vida tal calor Que mostra em novo rumo, de repente Um mundo tão gostoso de compor Tramando uma emoção pra toda a gente.
Poder que uma amizade mostra e tem De transformar a vida num momento, Tocando bem mais forte o sentimento
Permite se sentir: temos alguém Com quem contamos mesmo quando o frio Da solidão penetra mais sombrio...
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No canto que cantava o sabiá Encantos espalhados pelo vento. Certeza de que sempre encontro lá Prazeres de saber deste momento.
Menina que sonhei encontrará Meus versos neste breve sentimento, De tanto que cantei perceberá O canto delicado sem tormento.
No canto que cantava no quintal Aquele passarinho encantador, O gosto de viver, fenomenal,
Paixão que dediquei não se acabou Trazendo para mim tão doce amor, Sabiá laranjeira me mostrou...
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No canto deste canário, Encantos dum bem te vi Natureza traz cenário Beleza igual nunca vi.
Tristeza deixei n’ armário Essa dor já esqueci... Amor bom é solidário Amor que nunca perdi.
No canto do trinca ferro, A saudade deu um berro Eu fiquei triste e tão só.
Cantando esse passarinho Saudades tem do seu ninho. Meu amor é curió...
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No cansaço da lida sem ter tréguas, Sentimentos sutis, fazendo ninho, Percorrendo o sertão, cobrindo léguas, Não tenho mais desvios no caminho
Montado nos corcéis, cavalos, éguas. Poeira das estradas faz carinho. Minhas antigas dores vão perpétuas, Meus olhos marejados, vou sozinho...
Não temo e muito menos quero mágoas. Na vida, me protege minha Santa. Da lua tão distante e suas fráguas;
Cruéis temeridades, ela espanta. Fui batizado e prossegui, nas águas, Daquele ribeirão que, ao longe, canta!
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No campo desenhado por ternura Adentro toda noite sem juízo, Sentindo no teu rosto este sorriso Encontro o que a vontade já procura.
No corpo da mulher, bela moldura, A tela desenhada em tom preciso Trazendo todo o brilho em que matizo Clareia num delírio a noite escura.
Transcorre libertária a madrugada Ao vislumbrar divina e louca estrada Levito de prazer me sinto um Deus.
Que a vida não prepare novo adeus Nem mesmo um louva-deus eu quero ser, Girassóis entre estrelas posso ver... Marcos Loures
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No beijo da serpente, a realidade, Venenos que me deste como brinde, Sem céu nem esperança que deslinde Um novo amanhecer em liberdade.
Mentiras que serviram como apoio, Refém destas inúteis fantasias, Os sonhos decifrando alegorias, Tristezas dominando num comboio.
E o rito que se espera, sem troféus, Rasgando o que restara destes véus Afago a fera estúpida e voraz.
Queria pelo menos ter o sonho, Sem nada aos poucos morro e decomponho Os restos do que um dia julguei paz.
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No beijo apaixonado que trocamos, Dormindo do teu lado, meu amor. Tu sabes; já faz tempo nos amamos, E nisso se resume este esplendor No qual com alegria caminhamos Roubando a fantasia em seu vigor.
Esta serenidade, que inconteste, Nos dá uma certeza de vitória O manto da euforia é nossa veste Provendo nosso canto, eterna glória Do amor que sem mentiras nos reveste E muda todo o curso desta história.
Teu corpo é meu ungüento e minha cura, Um cálice repleto de ternura...
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No beco da saudade, uma saída, É feita no calor dos braços teus, O que seria; amor se houvesse adeus? Razões são necessárias para a vida.
Palavra com carinho quando urdida Permite clarear em trevas, breus, Os sonhos se entregando em himeneus, Batalha em alegria já vencida.
À sombra do passado se apresenta Certeza de um futuro venturoso, A dor que fora audaz e violenta
Agora se perdendo em mansidão. O amor que nos domina, caprichoso, Demarca com firmeza a direção... Marcos Loures
39
No barco em que eu embarco perco o rumo E vago o tempo inteiro noutra rota Enquanto esta saudade me amarrota Eu bebo sem limites todo o sumo.
Quem sabe, noutros braços, tenha aprumo Aquele que se deu além da cota, Procuro, mas não vejo sequer nota Porém, de tanto nada eu me acostumo.
Na proa dos meus sonhos, meu naufrágio, Falar de tanto amor virando plágio Nos pélagos dos sonhos, à deriva
Depois desta procela, da tempesta, O que restou do amor virando festa Mantendo a fantasia sempre viva... Marcos Loures
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No azul do imenso mar Os olhos da morena Que eu aprendi a amar Em noite tão serena
Deitados ao luar A sorte que se acena Beleza assim, sem par, Depressa toma a cena
E mostra quase um sonho Moldado em riso e canto, Além do que suponho,
Vencido pelo encanto Um mundo mais risonho No amor que eu quero tanto... Marcos Loures
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No ápice dos desejos, em luxúria, Libidinosos corpos que se entranham, Fomentos de delírios e de fúria Em gozos, dois bacantes já se banham.
Exércitos de estrelas buscam sol, Na convulsão febril, maravilhosa. Hormônios vão servindo de farol, E a gente se treslouca enquanto goza.
No vai e vem fantástico, uma explosão Suores e gemidos confundidos, Na furna delicada, inundação, Tremores em loucura percebidos.
Na fálica imersão, mel abundante Tocando o paraíso num instante... Marcos Loures
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No amor que verdadeiro, não me ilude Encontro a perfeição que tanto eu quis, Eu sempre te amarei mais do que pude Sabendo que afinal, eu sou feliz.
Eu tenho nos meus olhos a certeza Do brilho de teus olhos, meus faróis, A vida vai seguindo em correnteza Buscando amanhecer, mesmos lençóis
Célere, caminhando sem temores, Expressa eternidade o teu carinho, Sentindo em minha pele tais fulgores, Jamais me imaginei, ledo e sozinho.
Das pedras, dos espinhos, não mais sei, Amar: a mais sublime e bela lei...
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No amor que sendo nosso é teu e meu. Um coração ateu já se encontrou Se toda a direção ele perdeu Agora vai mostrando quem eu sou.
Soleiras e sobrados adentrando Errando muitas vezes, logo acerta Desperta, faz a festa desde quando Amor serve de aviso, sempre alerta.
Cobertas entre fronhas, travesseiros Nudez se prateando em lua cheia. Procurando entre as flores do canteiro Amor alvissareiro me incendeia
E tece entre mil teias, belas telas, Corcel no qual a vida; logo atrelas... Marcos Loures
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No amor que se fez mais bela moldura Encontro agora a chave do segredo, Brotando dentre nós rara ternura, Eu quero e te desejo desde cedo.
Não temas nosso passo em direção Ao mais belo e sublime amanhecer, O quanto nos devora esta emoção Também já nos permite conceber
Em meio a tempestades, o sentido Que faz a nossa vida ter um rumo, O bem que eu te desejo, decidido Permite finalmente um novo prumo.
O sumo deste encanto eu quero inteiro, Vivendo amor intenso e verdadeiro...
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No amor que se faz cinza e sem recheio Cerzido pelas mãos de Satanás O quanto que pensara sem receio Agora não verei sequer a paz.
O jeito é traduzir um pesadelo, Mordaças colocando em cada boca. Vencido pelo anseio de retê-lo A morte vai batendo em cada toca.
Na troca de favores, jogatinas, Nos bares, cabarés, ruas, calçadas, Na carne destruída das meninas As graças concebidas, destroçadas.
Atando estes grilhões a cada pé Aluguel que se faz de toda a fé. Marcos Loures
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No amor que roça assim nossos sentidos Qual vento que se faz em mansa brisa, Os olhos se procuram, percebidos Do quanto em harmonia amor matiza
A vida de quem sonha e não se cala, Deixando o coração de outrem já mudo. Encantos entranhando quarto e sala Adentram nossa vida, vêm com tudo;
Etéreas sensações, liberto vôo Alçando os mais distantes pensamentos, No canto que proferes sempre entôo Tocado por tão raros sentimentos.
Permita que eu te fale num poema Do quanto amor é nosso, raro emblema.
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No amor que nos domina e satisfaz Eu tenho a mais profunda inspiração. A cada novo dia uma lição O sentimento em glória já nos traz.
Vencendo a inquietude mais voraz, Amor não se teme fogo ou furacão, Sabendo ser, na vida a solução, Professa uma harmonia feita em paz.
Preconizando um dia mais tranqüilo Amor tem em glamour o seu estilo E fomentando a sorte sempre grata
Desejos e carícias fazem parte Legando à solidão mero descarte. No quanto me enamoro, amor bem trata... Marcos Loures
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No amor que era de vidro, eu não me iludo, Ciranda se perdendo na lembrança Desilusão jamais contrabalança O desencanto deixa o sonho mudo.
Um verso que se mostra mais agudo Talvez venha negar a contradança, O quanto se deseja em confiança Não serve mais sequer como um escudo.
Eu tento e não consigo disfarçar, Perambulando estrelas, sou cometa. A cada novo engano que cometa
O coração batendo devagar, Divago sobre o quanto que restou No peito que entre trevas tanto amou... Marcos Loures
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No amor que desconhece saciedade Não sei limites nem tampouco os peço. Reconhecendo o mais sutil tropeço Caminho agora essa feliz cidade.
Ao perceber que tanto amor me invade Em plena paz o amanhecer eu teço Sabendo o quanto é merecido o apreço Deixando a dor adormecer saudade.
Vencendo o medo não terei desgaste Amor com agonia faz contraste O riso em gozo servirá de tônico.
À solidão, permitirei assim, Quando encontrar tal urze em meu jardim, Eu quero meu melhor sorriso, irônico... Marcos Loures
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No amor que assim espero e tanto penso Vislumbro algum momento de alegria. Se a silhueta da sílfide inebria, É nela que em verdade eu recompenso
O quanto que me perdi em mar intenso, Toando sem remédios, poesia, Em tom maior espero a melodia Tomando em meu caminho, amor imenso.
Quem traz a solidão por estribilho, Cansado de buscar feito andarilho Algum momento manso em plena paz.
Já sabe valorar cada sorriso, Amor que não combina com juízo, Na insânia e na loucura é mais capaz... Marcos Loures
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No amor inesquecível que se fez As marcas do que somos, entranhadas. Sem medo caminhando tais estradas Toando em cada passo insensatez.
De que me valeria lucidez Se toda a glória está nas demarcadas Estrelas que nos traz iluminadas As sortes que procuro a cada vez.
Não vejo outro caminho, nem queria, Se eu tenho em minhas mãos farta alegria No corpo feito porto em cais dourado.
Assim, sem temer raio ou temporal, Eu trago bem guardado em meu bornal Um coração sem nexo, apaixonado... Marcos Loures
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No amor encontro enfim benditas lavras, Perfeitas nossas cevas, têm colheitas Enquanto amor profundo, eu sei que lavras Aguando o teu canteiro enquanto deitas.
Expresso com vigor o sentimento Que deixa transfundir farta emoção; O quanto é necessário todo alento A quem perdeu o rumo e a direção.
O tempo em viração promete a paz, Explícita vontade de saber Do bem que tão sublime satisfaz Secando o desatino a converter
Da dor deste ferrão em doce mel Mudando, de repente o seu papel... Marcos Loures
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No amor é necessário que se veja Que todos os pudores valem nada, No quanto a gente quer e se deseja Varando a noite inteira e a madrugada.
As bocas que se querem matam fomes, Enquanto se cavalga em lua imensa. Ao mesmo tempo dás e já consomes Sabendo cada orgasmo, recompensa.
Tua nudez vislumbro com carinho, E sabes que sou teu, escravo e rei, Roçando nossa pele de mansinho, Caminho em puro orvalho, eu me entreguei
E desta entrega a soma que fazemos, Do quanto mergulhamos, recebemos... Marcos Loures
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No amor é muito além da coincidência, O gozo repartido e reclamado. Amada sensação sem penitência Clemência se afastando do passado.
Atados finalmente; mente e pele, Selando o meu futuro nos teus laços. Nos maços de cigarro se revele O quanto foram torpes os meus passos...
Bêbado de luz, sigo os teus rastros, Mosaicos, arabescos, hieroglifos Decifro o que me dizem tolos astros, Embaixo destes sonhos, mesmos grifos.
Amor não se traduz em simples gráficos, Nos beijos e carinhos, nossos tráficos...
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No amor com quem a vida se completa. Eu tenho a mais perfeita sensação Da bela pontaria em fina seta De um deus feito moleque; o meu timão...
Se evito o que não posso mais calar Que faço, se o bornal anda repleto, Poetizando o sonho, diz luar Encanto tantas vezes predileto.
Dançando sem perjúrios, juros tento Intentos mais diversos conseguidos. A boca se permite ao louco vento Tomando sem limites, meus sentidos.
Sabendo deste amor louco e constante Tua nudez se mostra deslumbrante Marcos Loures
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No altar dos meus desejos celebrando O amor que me ensandece enquanto surge, Às vezes alucina e mesmo brando Traduz felicidade que, intensa, urge.
Exalto com meus versos expressando Intensa sensação que em tramas turge E mesmo quando o sinto desabando, Qual fênix num momento ele ressurge...
Por isso, jamais nego o seu poder E sinto-me cativo, na verdade Sabendo quanto quero o teu querer
E nele encontrarei o meu caminho Em rumo à plena paz, felicidade, Nas teias da paixão, eu já me aninho.. Marcos Loures
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No afã de ser feliz eu tropecei, E a queda foi terrível. Mas renasço, No temporal aperto sempre o passo E busco a fantasia em qualquer grei.
O amor que na verdade se fez lei, Mudando o meu destino, aperta o laço, E quando estou sozinho, triste e lasso, Revejo cada estrada aonde andei.
Um andarilho tolo, um caminheiro, Sabendo pedregulho ou espinheiro Aguarda um final pro velho drama.
E assim ouvindo a voz de quem me chama Mergulho novamente em tal abismo, Mesmo que venha após, um cataclismo..
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No afã de ser dos sonhos, caminheiro, Durante muito tempo, um andarilho Buscando na incerteza, rumo e trilho, Só tendo o temporal por companheiro.
O sonho feito amor, um mensageiro Cevando com delícias raro brilho, Vencendo qualquer medo ou empecilho Chegando, de repente, este posseiro
Não deixa mais espaça para nada, Somente em tua face eu me retrato, O encanto bem mais forte agora brada,
Fazendo do meu verso uma expressão Que mostra com destreza cena e ato, Desta felicidade, tradução... Marcos Loures
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No abraço mais gentil e mais preciso O gozo de um momento inesquecível. O quanto se percebe de um sorriso Demonstra um sentimento imperecível.
É crível que se tenha por proveito Além de simplesmente a gratidão, Por mais que o medo venha eu me deleito Tocando plenamente esta amplidão
Arcando com o peso das mentiras Expostas nos amores e nas guerras, Usando destas setas que me atiras Cevando em ilusões distantes terras
Perambulando à toa pelas ruas, Fantasiando estrelas, continuas...
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No abismo em solidão eu me aprofundo Procuro então a corda que me leve E traga num momento mais fecundo Um riso sempre franco, mesmo breve.
Enlevos de outros braços que permitam Ainda alguma forma de sonhar, Os dias em que as dores delimitam O tempo de viver e procurar
Encantos onde a vida permitir Carícias noutro porto, ancoradouros. A força que me possa compelir Na busca por fantásticos tesouros
A cada novo dia mais desejo Amor que seja mais que um relampejo... Marcos Loures
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No brejo de minha alma plantei rãs, Mas tanto sapearam que no fim, A seca virou praga no jardim, Colhi caqui pensando ser maçãs.
Morena com sutis balangandãs Requebra toda noite, e diz que sim, Da moça mais sacana fiz xinxim Xaxins cheios de orquídeas temporãs.
Pé-de-moleque pede amendoim, Senão estas doceiras ficam vãs Procuro cada rastro de onde vim.
São vagos na verdade tais afãs, Do amor que tanto eu quis, és estopim O sol que brilha intenso nas manhãs. Marcos Loures
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No braço de quem queira, um canto entôo, Falando desse amor que me suprime, Um verso em que esperança já se rime Planeja em liberdade um novo vôo.
Vontade de quem sonha; o peito ecôo Quem ama não comete nenhum crime Na mudança dos ventos, tanto estime. Os erros cometidos? Sobrevôo...
Não quero em nosso amor queda de braços Assim fortalecendo os velhos laços, Não teremos a crucificação
Que tontas vezes serve qual cordeiro O que seria bom, se verdadeiro. Mergulho num abismo feito em vão. Marcos Loures
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No bimbalhar dos sinos me chamavas À praça aonde em beijos desfrutávamos De todo uma emoção sem medo ou travas E assim, sem perceber quanto sonhávamos
O fogo adolescente, imensas lavas Nos carinhos intensos que trocávamos Dizias simplesmente o quanto amavas E um mundo tão feliz já desfrutávamos...
Não sabia que os anjos, como os sinos, Sorriam ao voarem sobre a praça. Ao verem bem nos olhos dos meninos
Um brilho de ilusão e de esperança, Que quando o tempo corre e a vida passa Só restará nos cofres da lembrança.
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No bem de nosso sonho eu me tempero E cato meus pedaços pelo chão, O quanto que recebo, mais eu gero Toando em nosso amor esta adição.
Extraditando o medo e as vãs tristezas, No enredo vou secando a solidão, Vencido pelas doces correntezas, Mergulho nos teus braços a paixão.
Emérito percurso que hoje enceto Buscando em meu passado estas raízes, Encontro o raro lume e como inseto Adentro tuas sendas sem ter crises.
Crisântemos, jasmins e monsenhores, Jardins de nossos sonhos multicores... Marcos Loures
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No beijo sem igual que me alucina, Eu mato a minha sede totalmente. A lua num instante se declina E toca a nossa pele, claramente.
Loucuras que fazemos toda noite Certeza de um desejo saciado. Sem medo da tristeza, duro açoite, Sem remorsos, libertos do pecado.
Aguando com delícias este jardim, Decerto colheremos mil perfumes, Mostrando o que melhor carrego em mim, Eu tenho nos teus olhos, belos lumes.
Assim, num jogo aberto e sem segredos, Vencemos os antigos, mortos, medos... Marcos Loures
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No beijo que trocamos Nossas almas se tocam, Decerto desfrutamos Prazeres que se focam,
Juntinhos; assim vamos, Vontades que se alocam, Nos lábios declaramos Amores que se espocam.
Na boca, o sentimento Em umidade plena, Tão doce este momento
Em que este amor acena Um sol queimando lento Numa manhã serena...
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No beijo que trocamos, pensamentos.. Molhado, sedutor, tão furioso, Desejos descobrindo violentos Explodem no carinho mais fogoso...
Desperta calmamente a emoção Contida, que se esconde em nossa mente, Depois de tanto tempo em solidão, O beijo que sonhamos a dor, desmente.
Queimando nossa brasa verte chama Que invade todo o mundo de prazer, Os corpos se procuram nessa cama, Vontade de gritar e de morrer...
Morrer nestes teus braços já diviso Entrada do sonhado paraíso!
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No beijo que negaste; uma verdade, Apenas vou mendigo e em cada trapo O resto do que quis felicidade, Porém em teimosia, sei que escapo.
Afago este cadáver, velho escombro, E morro a cada dia, verso inútil. Olhando o que nós fomos, eu me assombro E sei o que o puro encanto morreu fútil.
Na imagem carcomida pelo tempo, Esgotos entre vales tão floridos. Eu sei que fui somente um passatempo No emaranhado feito por libidos
Que outrora me disseram, mas se calam, Teus lábios tão distantes, tudo falam...
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No beijo de Maria sei Dolores Das dores coletando sempre aos potes Por mais que as fantasias dêem seus botes O bote naufragando diz temores.
E mesmo em destemores, vis amores Visando outro momento em que tu botes As cores que teimaste morrem trotes Galopes quebram patas sem andores.
Condores e carvalhos, águia e harpia. Além do que soubera não havia Eu via esta pegada em pó, poeira.
A cota que me cabe se esgotou, A rede balançando e não foi gol, Amor quando demais, só dá bandeira...
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Noite que tanto sonho, dos amores, De nossas loucas mãos que se procuram Nesses momentos santos que nos curam E livram nossas vidas dos pavores.
A noite desta lua em que te caço, Os raios penetrando em nosso quarto. Encontram-me, cansado, feliz farto, Em todos os prazeres do cansaço.
Na noite das estrelas que me trazes, No chão que caminhando me deslumbras As noites tão amadas que vislumbras, Se fazem quando, enfim, fazemos pazes.
Noites que derramam sobre o mar Os brilhos que roubamos do luar. Marcos Loures
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Noite primordial, desde o infinito, O Pai, sem perceber, abriu a porta; Rondando, percebendo, uma alma torta; Evadiu-se, deixando um triste rito...
Deus, absorto, criando homem, seu mito; Não se deu conta d’essa alma que aborta, Destrói, carpe, retrata a vida morta; Espalha o sofrimento, eleva o grito...
A porta aberta, trouxe tal tormento, Que jamais permitiu um só momento De total felicidade. Tiveste
Por toda eternidade bem marcada, A sorte mais cruel, desesperada, Essa alma fugidia, vera Peste!
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Noite num bar, no mesmo bar diário. Noturnos nossos beijos nunca dados, Da sedução barata, um honorário Uma mentira a mais... Rolam os dados...
As curvas generosas, batom, rouge... Nos seus olhos dengosos, nos cabelos... Leão adormecido vem e ruge, Seios deliciosos, é bom vê-los...
Músicas nessa noite e em meu ouvido... A vida serpenteia em minhas mãos... Quem dera não tecessem triste olvido.
Os lábios que me fingem, prenunciam, Corações de serenos lagos vãos... Tempestades de corpos se anunciam...
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Noite escura, fechada, relampeja... Uma estrela teimosa tenta o brilho. Os raios e trovões, clara peleja, Cometa se perdendo do seu trilho...
Nessa noite pesada se deseja Tantas premonições, meu estribilho... Quem fora simples réptil inda almeja Romper essas correntes, espartilho...
Dorme a meu lado, serpenteia sonhos... Leve rumor portas rangendo, escadas... Então, enclausurado, são medonhos
Os espectrais miasmas, densos... Vento... Noite escura traz vozes abafadas, Não posso mais guardar tais sentimentos!
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Noite escura já renasce Nos olhos de quem chorara Vampiros portam disfarce Destruindo quem sonhara
Nunca mais a mesma face De quem sempre se enganara Antes que a vida encontrasse A noite podre acordara...
As mãos que tanto feriram, Ressurgidas com violência Nossas entranhas abriram
Vomitaram tais falácias, No horizonte ressurgiram Pobres das nossas hemácias! Marcos Loures
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Noite empalidecida traz a lua... O brilho das estrelas u’a saudade... Apareceste bela, toda nua... Aumentando bem mais a claridade
Nossa noite, pacífica e tão crua, Desvaira soluçante veleidade... Meu corpo junto ao teu, leve, flutua... Voamos, refletindo, sem maldade...
Num jardim estrelar vou cavalgando Teu brilho, manso trilho, perseguindo... Estrelas radiantes encontrando,
Querida, nosso amor, tudo mais lindo... Neste momento, invade-me paixão. Na noite que navega o coração... Marcos Loures
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