
Corolário de uma lágrima
Data 23/12/2010 02:21:55 | Tópico: Poemas
| Há lugares em mim, perdidos no meio da estrada Desertos áridos e finais que me tornam infinito Quintas-feiras enjoadas no tédio do fim das tardes Absintos matutinos que me atiçam a saudade… Só que ainda há lugares em mim, onde me encontro sem querer Um quintal com laranjas e sabão azul e branco Sou cinzento de corpo nu a brincar defronte ao tanque Não és o mausoléu esverdeado de pedra cálida. Eternamente, tu és vida em nós dois Nunca durmo á noite sem que me perdoes Sinto saudades que me aleijes a pentear. A herança que deixas-te é ser nada em frente ao rio a chorar os ferry-boats Manhãs embriagadas com arvores a sangrarem Mundos destruídos na janela da cozinha Eternamente tu…Traís-te o nosso amor Olha estas nódoas negras todas despenteadas A minha roupa amarrotada toda suja de laranjas Este meu olhar nu como um mausoléu cinzento Este tanque de absinto onde me encontro sem querer Vou fazer tudo mal, hoje não quero o teu perdão Quem sabe assim não consigas tu dormir E no corolário de uma lágrima tão cheia de saudades tuas Me encontres no meio da estrada num lugar perdido em mim. Estou deserto para te encontrar Beija-me as nódoas negras Eternamente tu… Se não te perdoar... prometes que acordas? Mãe...tenho a roupa amarrotada toda suja de laranjas.
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