
Lisboa dividida
Data 22/12/2010 14:46:13 | Tópico: Poemas
| Às margens do Rio Tejo, medito. Meu pensamento é quase um grito. Ó alma divida, assim, ó Lisboa, como minha alma te vejo entre o ser e o seria. Doce no correr do tempo, ancorado o meu coração, compassivo como um pobre barco, no Cais do Sodré, ao final do dia. Cotidiano num fazer sempre tudo igual como a perene tabuleta de uma tabacaria "casado, fútil, quotidiano e tributável" boa companhia, sopa quente e meias, que mal, na inocencia, poderia haver, afinal? Outro tempestade, disso tudo distinto, raivoso de si, sem motivo aparente um "doido, com todo o direito a sê-lo" sou em Lisboa, as pequenas janelas de uma cave de onde tudo vejo e ignoro solene o movimento, que vem de fora, das formigas humanas que te invadem as praças e monumentos. Outro, outro, silencios gozozos, imensos e profundos, furia espiritual, pura volupia, frugalidade de sentimentos, hostias do pensamento, um pastelzinho de Belem, vale tanto quanto a uma mulher, quanto a filhos e quanto a se ter um lar? Desertar-me de toda convenção, declarar-me um sem patria, um sem nação, errante, mergulhar profundamente nessa indisposição aceitar que ela me leve ao fundo, consuma-me ao ponto em que um calice de vinho do Porto, seja toda rendição. marcus matraga in www.lanternadosafogados.blogspot.com
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