
MEUS SONETOS VOLUME 095
Data 19/12/2010 17:06:57 | Tópico: Sonetos
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1
Não posso mergulhar em fundo poço, A vida que nasci pede montanha... O resto do que passo, em alvoroço, O vento que deixaste o pelo assanha...
Devoro, na verdade vou ao osso, Não quero conviver com tal patranha, Tristezas que chegaram, sem endosso No fundo já não sei quem perde ou ganha!
Uma nova ilusão sempre me anima, Os dias que passei são meus martírios... Buscando profundezas, nossa mina...
Acordo volta e meia, sobressaltos... Jardins da vida, rosas, dálias, lírios... Nas pedras de minha alma, meus basaltos...
2
Não posso me esquecer quanto te amei, Nas noites solitárias te procuro. Será que nesse tempo em que busquei Eu consegui deixar meu mar escuro?
Eu sinto que esse vento me trará O gosto da esperança maltratada; Quem sabe novamente brilhará A lua que ficara abandonada...
Nos sonhos que esconderam minhas dores, Vencendo tão cruel caricatura Da sobra que ficou desses amores Tornando toda noite mais escura.
Eu sei que tu também estás sozinha, Quem sabe tua noite seja minha?
3
Não posso me calar, Preciso te dizer, Não deixe naufragar O sonho de querer,
Depressa te encontrar, No sol que vai nascer, Encanto a se buscar, No canto do prazer.
Amiga eu não desejo Que a dor nos acompanhe, Na festa que prevejo
Beber deste champanhe Num mundo tão sobejo Que a sorte nos entranhe!
4
Não posso destilar o meu veneno Em coisas que não valem uma rosca. Pretendo ser, portanto mais ameno, Nem tudo que se opaca é luz mais fosca...
Se vento ou se não vento, cata-vento, Peneiro mais palavras se quiser. Exponho assim o puro sentimento Que faz da poesia o que bem quer.
Negar uma emoção é ser poeta? Negar um sentimento é versejar? A vida talvez seja mais completa Quando houver liberdade p’ra sonhar...
Achar que amar, sonhar, sofrer é brega; É coisa de poeta que se nega...
5
Não posso desculpar quem não me quis Tampouco vou punir ingratidão; Encontro o que sonhei na mansidão E posso ser, talvez, enfim, feliz...
Se a tarde vem caindo amarga e gris, O outono se esquecendo do verão, É preciso viver cada estação Do trem que já partiu, não quero o bis.
As rugas testemunham tal mudança, O velho que se veste de criança, Ridículo infeliz, caricatura.
Jamais eu calçarei torpes pantufas, As plantas que criadas nas estufas Não resistem à aragem que as tortura.
6
Não posso descartar o imponderável Tampouco posso crer numa mentira Usada por desculpa. Quem atira Não sabe ser decerto tão amável.
Enquanto o tempo passa e o mundo gira, O dia-a-dia torna-se intragável Adio cada plano imaginável Deixando sempre aceso fogo e pira.
Caindo em rodopio, caracol, Jamais suportarei ser girassol, O pouco que com Deus nos dá fartura
Transcende ao gozo pleno da verdade, E quando este vazio vem e invade, Concebo tão somente a desventura...
7
Não posso dedicar a minha dor E mesmo que eu pudesse não faria, Por vezes sem querer preferiria Seguir sem ritual um novo andor...
Estrela se perdendo sem ter cor, Coragem para a luta em agonia Se o tempo faz calor ou já se esfria O medo não teria o que compor...
Caráter é questão que não discuto, Por mais que vento seja forte e bruto Astuto como um cão, vago sozinho.
No verso sem pudores, ojeriza Fazendo do sorriso caos e brisa Sou um velho alquimista sem cadinho... Marcos Loures
8
Não posso conviver com tal saudade De ti, querida amiga e companheira. E falo-te sem medo da verdade Que quero estar contigo, a vida inteira. Tentando demonstrar minha amizade, Que invade preciosa e tão certeira.
Aguardo que me fales sem demora Aonde, em que caminho, eu te perdi. Preciso de teu braço forte agora, Não vivo mais tranqüilo e quero aqui, Depressa teu apoio que me ancora Eu necessito muito, enfim, de ti.
Por isso, minha amiga, não retarde; Meu peito disparando em louco alarde.
9
Não posso controlar todos os passos Que tu prometes dar, insensatez. Não cabem nos meus sonhos tantos laços Que rompes, minha amada, de uma vez.
Deitando meu cansaço, dias lassos Augúrios e vontades que prevês Singrando em outros mares, novos braços, Perdoe minha insana estupidez...
Amante desairoso, solitário. Meu barco desde muito naufragou. A morte prometida em campanário
Mostrando em realidade o que bem sou. Um vago, quase nada sem futuro, Um passo que se dá em vão; no escuro... Marcos Loures
10
Não posso confiar em quem não cabe Nem mesmo desconfia quando bebe Bem antes que o soneto em vão se acabe Sem dar, diz o ditado, não recebe.
Glamour sempre fez parte do poema, Não quero este amargor de jurubeba Sem ter quem desafie não mais tema Um monstro microscópico? Eis a ameba.
São quase vinte mil, mas eu garanto Que sempre respeitei qualquer limite. Mas sei que isso machuca, pois sei quanto Para o caminhoneiro faz rebite.
A merda produzida por Dior, Decerto o seu perfume é bem melhor...
11
Não posso concordar, eis a verdade, O jeito é misturar alhos, bugalhos, Cansado dos meus atos todos falhos, Agarro o que sobrar da claridade.
Sem ter o que console, o tédio invade E deixa os meus sentidos em frangalhos Se um arvoredo perde tantos galhos A terra mudará tonalidade.
E quando o fim dos tempos se anuncia, A mão que acaricia traz alento. Quem dera se eu pudesse. Mas o dia
Não deixa percepção sequer de paz. Palavra que me dizes, vai ao vento, E a brisa, meu amor, não satisfaz...
12
Não posso conceber tal conformismo, Procuro por sementes nos atalhos, Não tenho testemunhas do batismo, Os atos que prejulgo são tão falhos...
No medo da verdade, um grande abismo... Quando pressinto o frio, em agasalhos Adormeço, esquecendo o romantismo... Na cama que dormimos, mil retalhos...
Nas ceifas tuas mãos percorrem magras, No meio deste mar, eternidade... Prenúncio do que foram simples flagras,
Matéria que propagas fosse rica, Das podres sutilezas, liberdade... Nos olhos, esperança brilha e fica... Marcos Loures
13
Não posso conceber outro momento Sem ter esta vontade de seguir, Embora este futuro qual tormento, Não deixe um sentimento assim fluir...
Se nada do que dizes, cego vento, Consegue normalmente construir, Do pão que me negaste, sofrimento, Nem mesmo um novo engano a prosseguir...
Uma amizade apenas, nada mais, Um verso abandonado no caminho Na voz que se conteve na garganta.
Voltar uma ilusão, isso é demais Pra quem já se cortou em tanto espinho E, mesmo sem ter paz, de novo canta...
14
Não posso conceber nossas desgraças Causadas pela dor que nos beijava. Nossas cidades, fomos ruas, praças, A lua que nos via nem notava...
Rodavam nossas mentes, as cachaças, Jagunça solidão nos tocaiava... Nossas cartas rasgadas pelas traças, A boca desdentada enfim, sangrava...
Forjaste soluções mais belicosas, Capachos, nos pisou contrariedade... Fomos ruas e praças sem cidade.
Nossas bocas abertas, horrorosas, Estavam, sem saber sequer metade, Vitimadas d’humores, biliosas...
15
Não posso conceber como chegaste Trazendo no teu canto uma esperança A quem por tanta dor; vivo desgaste, Já não sobrara um sonho de aliança. Agora quando vejo-te qual haste Que traz nesta presença nova dança Pergunto a Deus por onde tu andaste Imersa em catedrais, minha lembrança... Tu és o meu sustento e minha glória, U’a majestosa estátua perolada, Reverte todo o rumo de uma história Fadada à solidão, erma e vazia, Minha alma se encontrando extasiada Roubando da esperança uma alegria...
16
Não posso conceber a poesia Deitada nos lençóis destes motéis. Enquanto a desgraçada se sacia Deixando no caminho, vãos corcéis
O pente não penteia quem se via Fartando-se em mentiras, vis papéis Palavra com palavra faz orgia Os dedos no teclado, carrosséis.
Abracadabra disse Ali Babá Abrindo cada porta, mas te digo Que enquanto a perfeição, tolo eu persigo,
Eu vejo tanta coisa aqui ou lá, Chamar amor de brega, amiga: o cúmulo. Camões dá piruetas no seu túmulo! Marcos Loures
17
Não posso coibir um sentimento Que tanto traz prazer ao sonhador, No anseio dos desejos meu alento, Certeza de um caminho feito em flor.
Coleto cada antúrio; cada rosa, Sementes espalhadas pelo chão. A vida sendo em ti é fabulosa, Deliciosamente: sedução.
Olhar para o infinito e crer possível, No lume do horizonte, um belo sol. Outrora imaginara ser incrível Sentir toda a potência do farol
Que emana de teu corpo e que me guia, Caleidoscópio prisma da alegria...
18
Não posso cercear uma emoção Tampouco desprezar um sentimento. Meu sonho que se foi, num brusco vento, Deixando aqui sozinho, o coração.
Às vezes esquecendo o pensamento, Mergulho num resquício de ilusão. Ouvindo novamente o mesmo não, Percebo que não resta um só momento.
Palavras bem mais rudes que disseste Talvez fossem mentiras, ou defesas. Não cabe mais um sonho que reveste
Meus olhos em teares, fossas, mesas. Porém quando insensato não depuro, De teu amor, insano, eu mesmo juro...
Marcos Loures
19
Não posso calar Amor dentro em mim, Vivo a te buscar Amor não tem fim.
Teu corpo tocar, Boca carmesim, Até naufragar, Me perdendo assim
Na noite que queima Na lua que vem, Amor não tem teima
É sorte quem tem Um gosto tão doce Que a sorte me trouxe... Marcos Loures
20
Não posso assoviar e chupar cana, Ou ando para frente ou marcha-ré Se a gente não quer mais andar a pé Precisa de um carrinho bem bacana.
Enquanto amor ainda nos engana Fazendo da injustiça a sua fé, Tentando vir a ti eu vou até O encanto desta lua soberana.
Mas logo percebendo um ato falho, Sou carta que vai fora do baralho, Eu olho para os lados, nada vejo
Somente uma ilusão que sem critério Convida amor ao velho cemitério Aonde se enterrou o meu desejo... Marcos Loures
21
Não podes, meu amigo servir bem A duplo sentimento, na verdade. Quem pensa nessa vida ter alguém A quem possa viver em lealdade
Não deve se deixar levar também Em vaga sensação de liberdade Restando tão somente sem ninguém Dois amos gerarão tal dubiedade
Que enfim não restará nenhum caminho, Terá seu fim em negra solidão. Desagradando sempre irá sozinho
Levando eternamente a acusação De quem ao destruir o próprio ninho Carrega a dura pecha de traição...
22
Não podes ver o brilho deste sol, A tarde emoldurada, várias cores. O lume não te serve de farol, Nem beleza incerta destas flores!
Porém, toda a candura dos olores, A forma delicada, o girassol, Ternura que carregas, teus pendores! No canto mais feliz do rouxinol (Delícia de saber tantos amores!)
Por certo teus sorrisos em malícias Demonstram feminino ar, armadilha... Carinhos e desejos, nas carícias,
No olor e maciez da bela tília. A vida se transborda nas delícias Dos olhos deste amor. Minha Cecília!
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Não podes ter o gozo permanente De toda a serventia em que se alheia Vontade de luar que inda vagueia Na noite muitas vezes morna ou quente.
Sem ter a fantasia que me alente A lua que sonhei, eterna e cheia, Distante dos meus olhos não clareia E morre a cada dia, descontente.
Verão sem ter teus braços puro inverno, Saveiro perde o rumo e então aderno E náufrago desejo um cais sereno.
Na boca da morena a cena muda, A queda sobre a pedra pontiaguda Demonstra o quão expeles, me enveneno...
24
Não poderia Tampouco quero Desta alegria O gosto fero
Se a fantasia Ainda gero Amor me guia Mas nada espero
Senão meu fim Seco jardim, Morta roseira.
Doce mentira Ao vento atira Tão verdadeira...
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Não poderia ser senão mentira O que disseste, a mim nunca enganaste, Talvez inda pudesse, mas um traste Enquanto faz carinho, morde e atira.
Quem sabe outra palavra inda profira Aquela que mostrou vivo contraste, Legando ao sentimento este desgaste, Porém Terra não pára, sempre gira.
Veremos a verdade quando tudo Se demonstrar com toda claridade. Não posso me dizer que inda me iludo
Com todo este sobejo gestual. Quem vive na total obscuridade, Demonstra agora ter cara de pau... Marcos Loures
26
Não poderei ouvir o canto desta mata, Nos frutos que preparo, as mãos da deusa Flora. Nas hastes desta flor, no véu desta cascata, A mãe natura em vão, ao homem tanto implora.
A lua traz decerto o brilho desta prata. Percebo essa promessa, a natureza chora. Quem ama não destrói, namora em serenata. Quem sabe não discute agora, faz a hora.
Vestígios de queimada, anseios de vingança. A fonte da vitória afoga essa esperança. O mote que me deste enfeito nesta trova.
A mão que te tortura, um peso amargo e triste O fogo te devora e mais tudo que existe. Um homem não repara e cava a própria cova!
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Não poderás partir e me deixar Com olhos tão perdidos, sem sentido, Sabendo do horizonte já perdido Matando a fantasia devagar.
Não poderás partir, pois sem luar O céu eternamente enegrecido Jamais verá do sol embevecido Beleza que busquei e sei sem par...
Não poderás partir, isso eu te peço, Do amor encantamentos que confesso Traduzem-se somente em teus carinhos.
Vagando pelas ruas, sem destino, Apenas o vazio eu descortino, Meus olhos sem teus olhos, tão sozinhos... Marcos Loures
28
Não permita que tristes sejam nossos Caminhos na procura da esperança. Não quero que tu leves meus destroços Recolhidos nas ruas. Isso cansa... Eu quero o teu sorriso franco e aberto Escancarado em tua bela boca, Amiga não me traga descoberto Céu, sem o qual a vida é cega e pouca. Tua alma, em formosura, uma exceção De tanta lucidez em mar revolto, Permita que se trame uma emoção Num coração deveras leve e solto. Amiga, compartilhe em liberdade, De todo esse vigor de uma amizade...
29
Não percebeste amada quanto eu quis Deitar-me no teu colo e em teus regaços Saber que finalmente sou feliz Tocando com carinho os mansos braços
Estreito a cada dia mais os laços E peço o teu desejo e quero bis. A lua clareando os nossos passos Argêntea companheira que me diz
Do quanto é necessário descobrir Caminho que me leve à tua andança Em preces tantas vezes vou pedir
À lua que firmando esta aliança Permita, em cada luz a refletir Um novo amanhecer em esperança Marcos Loures
30
Não percebes verdades que não vês. As farpas escondidas já não ferem... Quem fora assim calado já tem vez, As ondas não se movem como querem
Os donos das verdades, dos jornais... Notícias tão venais não interferem, Não era finalmente hoje é bem mais... Por mais que as armadilhas hoje imperem...
Quem tinha a valentia na arrogância, Quem tentou proibir jardim e rosa, Quem finge que riqueza é elegância,
Não sabe a maravilha que andrajosa, Recomeça a sonhar, viver infância, A grande maioria silenciosa...
31
Não perca essa esperança, companheira, É pão que nos sustenta e nos dá vida. Viver sem ter a paz mais verdadeira É ter toda uma história já perdida.
Perdendo o grande amor, a dor chegou, Miséria bate à porta e te maltrata, Amigo que enganando, o vão mostrou, Incêndio que destrói e que desmata.
Mas tenha fé que um dia tudo muda. E o tempo no final trará bonança. Se for preciso conte com a ajuda De quem te adora e dança a mesma dança.
Conte comigo, estou sempre ao teu lado, Por mais que o mundo tenha te enganado...
32
Não posso mais comer de quase tudo, Tampouco dar um beijo mais melado, O velho coração ficando mudo, Aos poucos se sentindo abandonado.
Eu sei que na verdade não me iludo, Jamais fiquei de novo apaixonado, O que pensei enorme hoje é miúdo, Prazer agora é coisa do passado...
O tal do diabetes, um problema A cruz que ora carrego aqui comigo, A cada beijo doce outro perigo,
Não sei como resolvo este dilema, Se eu topo esta parada, é um vexame, Se eu fujo vai ter gente que reclame...
33
Não posso mais cantar em liberdade, Embora isto pareça ser fatal, O verso mais audaz, sendo banal Trazendo no seu bojo a amarga grade.
Por mais que a realidade nos degrade Eu teimo, e a teimosia me faz mal, Não sendo este o motivo principal, Mas basta pra gerar ansiedade.
As críticas se feitas por quem sabe Permitem um caminho mais suave, Porém quando do estúpido em que a trave
Enorme; no seu olho já não cabe; É uma grande ofensa e me cerceia, Enferrujando a trama desta teia...
34
Não posso mais calar o sentimento, Ao qual sempre me entrego, sem descanso. Enquanto a fantasia agora alcanço Eu vejo nos teus olhos, meu alento.
O amor no qual se embebe o pensamento Permite ao andarilho este remanso, Matando da tristeza todo o ranço Servindo a quem procura algum alento.
Por mais que ele traduza alguma dor, Possui este poder transformador, E traz dentro de si, farta esperança.
Quem sabe decifrar os seus sinais, Caminha em sendas belas, magistrais, E em pleno Paraíso, segue, avança... Marcos Loures
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Não posso mais calar esta revolta Que há tanto me corrói e não disfarço Olhando bem atento tudo em volta, Amarrado nos pés este cadarço.
As viperinas vozes dos ignaros, Estúpidos venais que sem talento, Destilam seus humores tão amaros E vomitam inúteis excrementos.
Querendo nos vender como corcel O velho pangaré de marcha tosca, Queimando sorrateiro, à noite a rosca
Escarra baboseiras no papel, Quem sabe do problema, já destrincha Enquanto este imbecil senil relincha...
40
Não posso imaginar que nosso amor Se deixe derrotar pelas quimeras, Nós somos feito o destemor Que vence toda sorte de panteras.
O nosso canto é feito em aliança Marcada por um laço indivisível, O mote que escolhemos: esperança Baseados neste ser que é invisível,
Porém nos traz a força de um leão Porém nos dá a garra para a luta. Cantamos nosso amor sem ilusão Vencendo com carinho, a força bruta...
Eu te amo; não se esqueça um só segundo, Amamos nosso amor maior do mundo! Marcos Loures
41
Não posso enaltecer um verso tolo Nem mesmo maltratar a velha musa Que abrindo devagar a sua blusa Empresta a maravilha em que me embolo.
Deitando o meu desejo no seu colo, A velha desdentada vem e abusa Decerto que ela esteja assim confusa, Mas semente precisa de um bom solo.
Não vejo que haja dolo nesta Diva Mesmo que esteja sempre altiva, Mau hálito maltrata, esteja certo.
De noite em qualquer beco, um bom aperto Traz logo pra safada um arrepio. No bote da serpente eu me vicio... Marcos Loures
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Não posso e não consigo meu intento Deixar de tanto amar nunca deu certo, Se versos nesta vida sempre invento, Amor já povoou o meu deserto.
Oásis esquecidos não se deixam Levar pelas areias da saudade. Sabendo que estes versos já se queixam Como poder viver em liberdade?
Escravo de meus versos mais vadios Em cios tão constantes nunca paro Desculpe por meus cantos tão vazios, Com nexo e sem sexo, não disparo.
Deparo com teus olhos, minha amada, Promessa num segundo, está quebrada...
Eu preciso beber urgentemente Senão meus versos andam livremente...
43
Não posso disfarçar que o sentimento Domina cada verso que eu fizer, No corpo desejado da mulher A minha poesia toma assento.
Fugir deste destino, até que tento, Banquete necessita do talher, Bebendo desta vida o que vier Não posso cultivar o sofrimento.
Vontade de ser jovem novamente E ter a mocidade que perdi, Preciso ser feliz, é tão urgente
Por isso, meu amigo; estou aqui Falando deste amor que não mereço, Quem dera se inda houvesse um recomeço...
44
Não nego meu amor, pois te venero E disso tenhas toda uma certeza, Se tenho que enfrentar a correnteza Com teu amor jamais me desespero,
Tu és minha vontade e fé, meu clero, Razão de cada verso e com certeza Olhando com ternura tal beleza Sem ter qualquer surpresa: és o que eu quero.
Mas creia que apesar de ser tão teu Ainda tenho em mim força bastante Pra poder prosseguir, mesmo sozinho.
Se a estrela que carrego não morreu, O passo que não sendo vacilante Acerta com firmeza o seu caminho... Marcos Loures
45
Não nega nem impede o belo viço A primavera eterna que nos toma. O quanto do prazer inda cobiço, Permite o renascer mago do estroma.
Esfacelado o sonho de quem sofre O desamor inerte e sem motivos, Já tendo da emoção a chave e o cofre Mantendo nossos sonhos sempre vivos
Descrevo com serena mansidão O sentimento amigo e relevante Que toma sem licença o coração Nos olhos da morena provocante.
Mendigo deste olhar, eu quero bis, Podendo declarar: enfim, feliz!
46
Não mintas a si mesmo, caro amigo; A gente se conhece é na nudez, Nossa alma em outro corpo, sem abrigo, Perderá, com certeza, a sua vez. Uma alma que se perde não consegue Saber o que é correto, o que é direito, Um barco noutros mares que navegue O seu percurso nunca é tão perfeito. Muitos pecados nascem deste jeito, Uma alma que a si mesma sempre negue Tramando seu caminho já desfeito, Não tem nem mais um lastro onde se apegue, Tu queres uma vida sem ressalva? Apenas a verdade é que te salva!
47
Não meto o meu bedelho em tais histórias Que possam me trazer dor e alegria. Se guardo dos amores más memórias, A farpa que restou: melancolia.
Quem pensa ter somente risos, glórias, Depois da tempestade ainda havia Perigo nos escombros, nas escórias, A solidão se torna a senhoria.
O ferro que feriu logo enferruja, Paisagem revoluta, amarga e suja. Sou velha garatuja da esperança,
Às vezes discordante; outras, antálgico, Um traste sorumbático e nostálgico Errático desaba enquanto trança... Marcos Loures
48
Não meta em minha vida, o teu bedelho, Não posso suportar tal falsidade. Um pássaro não quer saber de grade, Também já não desejo mais conselho.
Aponte para longe o teu artelho, Tudo o que eu quero, enfim, tranqüilidade Jamais encontrarei. A liberdade Não gosta de um amor tolo e pentelho.
Se eu faço ou se desfaço, o quê que tem? Não vejo algum problema em ser assim Se a seca toma conta do jardim
Repare e por favor, repare bem Que tudo o mais quero é poder ter Depois de tanto tempo, algum prazer.
49
Não meço meu amor, nunca se mede; Amores e carinhos não têm preço… Se gozos tu me pedes, logo esqueço, Pois perdão, com certeza, amor me pede.
Quem tanto quer amor, amor concede Felicidade é mais que um adereço, Levanta após a queda, num tropeço, O caminho do qual jamais se arrede
Quem busca a divindade, pois decerto, Mantendo o coração assim aberto Legiões constelares vão chegar
Miríades sublimes radiantes, Os céus nestes momentos fascinantes Explodem em mil raios de luar...
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Não meço mais os medos nem os pés Que meto pelas portas da saudade Se vivo ou se virei só de viés Depende desse sol, da claridade.
Não minto quando canto meu amor. Mas sinto que perdi essa meada. A cama tão sozinha a meu dispor Demonstra que uma noite não é nada.
Apenas as histórias que contaram De fadas, de princesas e castelos, Terminam onde amores aportaram Deixando em seu lugar os meus rastelos.
Que trazem toda dura realidade. Fantasmas nunca dão felicidade...
51
Não me restará nada deste mundo, Nem sequer o pó, nada levarei... Cravaste teu segredo mais profundo, Pensando que podias com a lei.
Não quero nem me importo se me inundo, As águas poluídas naveguei. Meu coração, sincero vagabundo, Me levará por certo onde cheguei...
Beijos de amor? Mentiras que crivaste O peito de quem sabe que és feroz... Meus pés perdidos presos, amarraste
Nos porões da viagem que prossigo... Distante não conheço tua voz, As pétalas do amor, levo comigo... Marcos Loures
52
Não me representaste nenhum nexo, Tu és completamente desvalida. Na cama que rolamos, cadê sexo? És, para mim, total desconhecida...
Não olhas para nada, quer reflexo, Espelhas podridão és morte em vida. Côncavo, quando quero ser convexo, És infernal, cirúrgica dor, és brida...
Cada noite conjunta me amofina, Não quero perceber-te, és minha sina. Tuas mãos ao tocar, tudo deformam,
És Midas às avessas, és o mal. Embora venenosa, se conformam, As noites que me sangras, animal! Marcos Loures
53
ão me queres mais. Sinto que perdi O teu amor querida. O que fazer? Tantas vezes contigo me escondi Dos males procurando em teu prazer A força que encontrara só em ti. Mas tenho tanta vida por viver, Não posso mais ficar sozinho aqui Esperando que apareça um bem querer. Por isso minha amada, hoje eu saí.
Buscando teu olhar em cada rosto, Buscando tua boca em cada face... Mas desculpe; rei morto, outro rei posto. Não vou ficar aqui sofrendo, à toa; Perdoe, mas sou franco e sem disfarce: Agora eu descobri que a vida é boa!
54
Não me queira falar de passado, Essas águas não movem mais moinho... Não proponho saudades ao te lado, Amor que já vivi morre sozinho...
No frio deste quarto, congelado, Casaco que me deste, dum arminho, Mão que procura em vão sofre um bocado, Amor encontra pranto, é seu vizinho...
Não me queira dizer que mudaste, As pedras que se rolam são só pedras... Os olhos que mentias, vigiaste,
O resto da canção desafinada, Amor que já morreu; por certo, medras, A dor já me envolvendo, escancarada... Marcos Loures
55
Não me permito mais tais devaneios... As orcas vão tentando me morder... Não quero nem pretendo ter receios, Seria bem melhor então morrer.
Não quero me esquecer seus lindos seios, Nem quero de você me desprender. Nas horas que senti serem alheios Os olhos que, por eles, tento ler,
Perdi meu rumo, meta e poesia, Nas bordas do que fui sem fantasia, Vencido pelos olhos da vingança.
Crescendo sem poder ter esperança As horas vão passando como o dia... De resto me sobrou uma criança...
A criança que fui quebrou os sonhos. A dor que me restou, mares medonhos, Amor nunca passou sonhos tristonhos...
56
Não me perdoaria se eu calasse Diante da beleza desta trova, O fato de te amar já se comprova Trazendo em magnitude o desenlace
Do sonho que mostrando a bela face Da amiga e companheira que renova A cada dia mesmo pondo à prova O amor que em maga luz já se moldasse.
Sem ter medidas vive e se refaz, Sabujo que procura pela paz Na terna maciez dos braços teus.
A lua que me trouxe farto brilho, Desnuda no horizonte em claro trilho, Fulgura como archote sobre os breus... Marcos Loures
57
Não me peças que eu mude meu pensar Nem que assim eu cambie cada passo, Amiga no futuro a te encontrar Em cada novo dia, novo espaço
Do princípio ao fim sempre irei lutar Sem medo e sem sequer saber cansaço. De tudo é necessário despojar Na breve sensação de cada abraço.
A luta deve ser sim, voluntária Sem culpas ou prisões que nos detenham, Por mais que a noite seja temerária,
O sol que brilhará nesta alvorada, Permita que os desejos sempre venham, Trazendo uma outra luz já renovada...
58
Não penso urucubaca, mas a sorte Tem suas armadilhas, disso eu sei. As trilhas mais diversas matam norte Cobrindo num disfarce a velha grei.
Comendo com volúpia feito um frei, Colesterol prepara para a morte, Se pára ou se antepara, colherei O que julgara ser simples esporte.
Medonhas heresias, Santo Ofício, O beijo se tornou terrível vício E a traição espera numa esquina.
Leiloo tais apetrechos, gume e faca, Na reza forte mato a urucubaca Sabendo ser a vida, uma rapina...
59
Não penso noutra vida, companheiro, Ao lado da viola e deste rio, Pescando com certeza o dia inteiro Quer faça sol ou mesmo até no frio.
Não me chame, querido de vadio, Não tenho outra vontade e vou ligeiro Buscando inspiração um verso eu crio E jogo esta tristeza no cinzeiro.
À noite em lua cheia, no terreiro, Viola ponteando com saudade Do amor que já se foi, tão traiçoeiro
Deixando só restar a liberdade, Também pra que sofrer se o verdadeiro Amor sempre se faz de uma amizade.
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Não penso neste amor, em gratidão, Nem quero que me beijes por beijar. Apenas te proponho uma emoção Que faça sem ter asas, revoar...
Não falo desta chaga que carrego Nem conto a cicatriz exposta em ti. Eu sei bem d’onde venho e nunca nego, Só sei que nos teus braços me perdi.
Acendo este cigarro, veja a fumaça, Assim; o nosso amor não quero ter. Eu quero te levar, de noite à praça Depois o teu prazer no meu prazer...
Esqueça essa mão vil do meu passado, Perceba quanto estou apaixonado!
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Não penses que estarei sempre sozinho... Meus passos são gigantes como a lua. Em Marte construí meu novo ninho, Minha alma tão serena já flutua...
Não quero que revolvas céu e mar Apenas não desejo o sofrimento. Sorria novo canto para amar Que eu sigo esse meu mar em movimento...
Esculpi meu sorriso de Carrara No mármore mais duro que conheço, No meu tombo, minha asa me antepara, Por isso nunca temo meu tropeço.
As asas que roubei da poesia, Permitem no meu vôo, autonomia...
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Não penses que a tormenta seja eterna, Amiga, com certeza, passará. Por mais que de tristezas, alma inverna, Tal qual hibernação, acabará...
E quando a primavera traz as flores, De novo todo o campo se reluz. Assim também, querida, são as dores. O sol inevitável vem, traz luz...
Por mais que seja triste nosso inverno, Por mais que tenha nuvens, nosso céu. Não há um sofrimento assim, eterno. A vida se renova, fel e mel...
Amiga, não se prenda na lembrança, Reviva todo o brilho da esperança!
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Não pensei que talvez fossemos tanto Mas pretendo conter o que já sinto. Amar demais é quase sempre pranto, Por isso sem sossego, calmo eu minto...
Navego um turbilhão dentro de mim, Enfrento um furacão com falso riso. Vivendo deste todo sou assim, Fingindo lucidez perco o juízo...
És toda uma beleza que não tive, És toda uma certeza que consome... Amor de tanto amor se sobrevive Quando em amor, matando sua fome...
Eu quero teu amor somente meu. Meu mundo no teu mundo, aconteceu...
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Não pense que essa voz, se já cessasse, Parava de chover tanta saudade, A vida que em promessas não renasce Padece sem disfarce, de maldade...
Mistérios denegrindo nossos sonhos, Proponho nossos passos mais serenos. Ao menos esquecermos dos medonhos Caminhos emboscados em venenos...
O lago peregrino do meu peito Em tantos desafios se perdeu, Não sei se enfim terei qualquer direito De fuga ou claridade neste breu...
A luz que salvará, tenho comigo, Abrigo do teu braço tão amigo...
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Não pense que deixei de te querer, Apenas num disfarce me escondi. Por incrível que isso possa parecer, Todo o meu cantar é para ti. Sinto-me enamorado e não mudei, És mais que uma alegria. Meu encanto. Amar o teu amor é minha lei, Por isso; é a razão deste meu canto. Espero te encontrar em pouco tempo, Nos campos que sonhamos; minha amada Assim que se acabar o contratempo. O tempo pra quem ama não é nada... E vamos rumos fortes decididos, Viver os nossos sonhos, pré sentidos...
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Não pense deste jeito, Amada derradeira, Se vivo satisfeito Desfraldo esta bandeira
Do amor quando bem feito, Dourando a vida inteira, Contigo em nosso pleito, A vida é feiticeira
E mostra a sorte imensa Que encontro em cada verso, Querida a recompensa
Mais bela do universo, Sentido mais diverso, Vontade tão intensa...
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Não pensa que me escapas de repente, Eu vou atrás do amor que propuseste. Ninguém pode viver impunemente, Anel que era de vidro, tu me deste. Mas saiba que terás prazer urgente Se à noite, em minha cama; tu vieste. Meu corpo no teu corpo uma semente Que brota e simplesmente nos reveste... Teus olhos transparentes, desejados, Posseiro desta gleba; quero ser. Nos cortes tantos lenhos, destroçados, Queimada em nossa roça, fogo intenso; Fazendo inundações, nosso prazer, Que nasce de um delírio, forte, denso...
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Não peço mais perdão pelos meus erros, Se tudo nesta vida é desengano, Não trago na minha alma mais tutano, Nem quero perceber os meus desterros.
Esporo o meu corcel e subo os cerros Aonde imaginara ser humano O canto que deveras causa dano Ao coração imerso em tais aterros.
Na parte me cabe, vou em frente, Não que isso seja bom, mas não me canso, Se o peito ainda bate calmo e manso,
Felicidade é bem por certo urgente. Quem sabe e sempre esconde por maldade Não vale muita coisa, na verdade...
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Não passo, nesta vida, de um coitado A quem já se negou uma esperança. Saudade vem deixando o seu recado Nas dores que restaram na lembrança. Sou nada, nada quero. Esse é meu fado. Perdi qualquer sentido de aliança.
Depois de ver amor sem ter mais nexo, Depois da noite escura sem estrelas... Sobrando tão somente esse complexo. As dores? Não consigo revertê-las. O coração passou a ser anexo As luzes de um amor, jamais revê-las!
Mas digo; meu amor, minha paixão... Mesmo assim: EU NÃO SOU CACHORRO NÃO!
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Não passo de um estúpido venal Tentando em cada frase me enganar. Distante dos encantos de teu mar, Invento, nas montanhas, praia e nau.
Perdido, nos terrais, no cafezal, Avesso à fantasia, o meu cantar Enquanto se esvazia, devagar, Mergulha no infinito sideral.
Recolhe em cada estrela alguma luz, E finge ter luz própria. Ledo engano. Deixando os versos pálidos e nus
Apenas esqueletos sem proveito. Por isso é que me calo e não me ufano, Jamais desnudarei árido peito... Marcos Loures
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Não paro de pensar em ti querida, Pois selo nosso amor com firme laço. A sorte já lançada e decidida Desenha-se no céu em fino traço.
Paixão que nos tomou é incontida Não se deixa cercar, requer espaço Labirinto das dores vê saída Contida neste amor, que é feito de aço.
Enfrenta as tempestades e as procelas, Um peito timoneiro encontra o rumo. Eu quero estar contigo, e sempre assumo
Enquanto pelo amor, querida, zelas Eu estarei andando lado a lado Por quem estou vivendo, enamorado... Marcos Loures
72
Não ouvirás jamais meu canto derradeiro, Esqueça do passado, ausente no futuro O vento que nos toca, além do costumeiro Esmola um novo tempo, um dia menos duro.
Ouvindo a tua voz, estúpido cordeiro, O canto do pastor, um salto pelo escuro, Alada fantasia, o gozo verdadeiro, Acaso não demora, e nele eu me procuro.
Não quero a picuinha estática mentira Que a tira não se esgarça e a boca em vão atira O beijo amorenado, ourives deste sonho,
E quando sou assim, sanando o que não sei, O tanto que tentara, em vão imaginei, O quarto destroçado aonde o céu componho...
73
Não ouço nem sequer antigos cantos Perdidos pela vida em emboscada, Coleto os meus resíduos pelos cantos; Percebo não sobrou quase mais nada.
Enfrento algumas vezes meus espantos E ganho como prêmio a mão atada. No fio tão cortante de uma espada Preparo em sortilégio, pobres mantos.
Qual fora um peregrino, vago à toa, O verso proferido já destoa E nega, sem perdão qualquer afago.
Um andarilho insano, em ilusão, Da sórdida aguardente, num balcão, Buscando uma alegria, bebe um trago. Marcos Loures
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Não olhe para mim, tão desejosa, Mal sabes que não posso me conter. Colhendo no jardim, perfeita rosa, Vontade de tocar e me perder...
Não quero te deixar tão vaidosa Mas ao me olhar assim, com tal prazer, Convida a desfrutar maravilhosa, No cálice divino irei beber...
Sorvendo gota a gota em nada penso, Apenas te desejo, e nada mais... Por sobre um corpo belo, sempre cismo,
E sei que em festa imensa, amor intenso, Encontro navegante, um santo cais... O risco que me toma: priapismo...
9475
Não notas a presença de quem amas? Está nesta janela te esperando.. Na chuva que se entorna e forma lamas, Nos raios desta lua te adornando, No fogo que te queima, fortes chamas, Está o tempo inteiro te adorando...
Não notas a presença em teu jardim? Nos lírios e nas rosas, nos perfumes. Está em cada broto de jasmim, Está nos teus segredos e queixumes, Está dentro de ti, dentro de mim, Morrendo e te matando de ciúmes..
Não vês que estou aqui, faz tanto tempo... Querendo estar em ti, sem contratempo.... Marcos Loures
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Não nos separaremos nunca mais Pois és, em minha vida a garantia De paz, tranqüilidade e harmonia. Sem ti eu não serei feliz jamais.
Nos versos e palavras desfiais Além do que sonhei, toda alegria, Não sei se caminhar, eu saberia, Distante dos teus rastros aonde vais.
Envolto nesta rede constelar, Raríssima tiara reluzente, Percebi que afinal me sinto gente
Alegre sensação que sei sem par Rolado este meu canto no infinito Mercê deste querer, por Deus bendito.
77
Não nos deixa mais sozinho A vontade de sonhar, Se da morte me avizinho Replantando o meu pomar
Em perfeito desalinho, Nos teus braços encontrar O meu derradeiro ninho, Mas eu sinto se esgueirar
Pelas mãos de um sonhador, Que sem nada a te propor Teima ter alguma chance
Farta luz que assim te guia Relutante poesia Vai perdendo o seu alcance... Marcos Loures
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Não nego que te quero, pois é disso Que faço meu cantar mais delicado, O sonho que em momentos eu cobiço Traduz minha presença sempre ao lado
Daquela que em verdades, traz o viço À vida que pensara em outro fado. Quem fora tão somente quase omisso Agora em novo encanto alvoroçado.
Transmites toda a paz que necessito E todo o meu desejo já suprimes. Amor tendo a firmeza de um granito
Entoa em maciez cantos sublimes. As mãos que te acarinham sempre expressam Momentos em que os sonhos recomeçam... Marcos Loures
79
Não nego o quanto quero estar contigo Porém há tantas coisas por dizer. Do sonho que desejo e que persigo, Querida; proibiram meu prazer!
Mas faço deste verso qual castigo A quem não quer deixar sequer viver. Se eu tenho a sorte imensa como abrigo Não há quem desobrigue o meu querer.
Não posso mais falar sequer desejo. Mas quero desfrutar deste pomar. Sentido figurado: do teu beijo
Eu quero penetrar em raro altar. Se a poesia exige algum traquejo Não quero mais sozinho poetar... Marcos Loures
80
Não me deixas sentir sequer o medo... Não tenho tempestades, nem as temo... Amar parece ser o teu segredo. Nos mares que navego, és o meu remo...
Por vezes, se freqüento meu degredo, A morte tão silente nunca eufemo, Aguardo minha dores, simples, ledo... A teu lado sequer, nunca mais tremo...
Perfume e singeleza, tens da rosa, Caminhas flutuando pelo céu... Amada, teu caminho descortina,
Nas mãos desta mulher voluptuosa, Delícias e luxúrias, carrossel... És todo o meu amor: Ó minha Adina!
81
Não maltrates amor, eu não mereço. No relógio essas horas vão passando O tempo de viver, aos poucos finda... De tudo o que vivemos, nada sobra
Senão noite perpétua dos prazeres. Não deixe que esta noite nunca morra, Nem deixe que esse abraço seja em vão. Faça de nosso amor, eternidade;
Fale de nosso encanto com alegria. Não se esqueça amor; sempre serei teu. O sonho que me invade é nosso sonho. O tempo que passamos, fantasia...
No mar de nossos beijos, as delícias. Delicadas e sensíveis, nosso amor!
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Não maltrate o soneto tanto assim! Que culpa tem o pobre que se esmera Em tentar cultivar da Primavera A rosa mais perfeita do jardim?
Cuspir no alheio prato? Pois no fim Quem fala sem saber do que se espera Enquanto a fantasia degenera Acende da ignorância, o estopim.
Se eu não gosto de Lizt nem de Beethoven Não vou culpar quem sabe dedilhar Com toda maestria no piano.
Destruir tão somente é o que convém A quem confunde Bach com Tião do Bar E vende a cada verso um tolo engano.
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Não mais vou conhecer uma saudade Prometo que te quero mas não vou Deixar que se perca a claridade Em tudo que sem medo, me restou...
Vivendo no que sempre quis viver, Nos ares que pretendo mergulhar Os olhos de quem sonho posso ver Na lua que desmaia em manso mar...
Amor que na verdade, me salvara De quantas ilusões que já perdi. Acordo sem saber como se pára O trem que, das saudades, anda aqui.
Amada, como é bom viver contigo, Embora tanto amor, corra perigo...
84
Não mais trarei meus olhos embotados Apenas em espinhos, sem perfumes, Os dias de alegria são passados Em negra solidão, perdendo os lumes.
Tortura de quem chama e não mais quer, Insensatez completa, maquiagem. Embora em teu fascínio de mulher Promessas se transformam em bobagem.
Secando a minha fonte, nada resta Senão esta vontade de morrer. Assim, mal terminando o que foi festa, Não tenho mais caminho a percorrer...
Somente um verso triste que me embala, Com olhos embotados, perco a fala...
85
o mais tentar a sorte desumana Que toma os meus sentidos e me aderna, Queria ter uma alma soberana, Porém meu coração agora hiberna.
Quem dera se eu tivesse a noite terna, Aonde a solidão se desengana, A melodia intensa, pois eterna Eflúvios delicados; sempre emana.
E o barco atravessando temporais Encontra finalmente o manso cais Que tanto desejou. No ancoradouro
Sublime a calmaria após procelas, Mas quando o falso brilho tu revelas Percebo ser inútil tal tesouro...
86
Não mais seria a séria correnteza Que marca com tempesta festa e gozo. A boca escancarada enfrenta a mesa E nisso meu amor voluptuoso
É maço de cigarro chama acesa Que embarca noutro mar mais perigoso. Depois de me fartar em sobremesa, Soçobro em tua praia caprichoso.
Nadando em braços, rios, mares, lagos, Preciso de carinhos, teus afagos Que a lua me atordoa em brilho e prata.
O tempo se transforma em aliado, E o beijo da morena babujado Convidando a adentrar delícia em mata...
87
Não mais serei nem peça nem pedaço, Não quero ter completa decisão, Embora busque sempre a solução Basta das tais saudades - velho laço...
Quero terminar tanto quanto passo, Em meio a quedas, sofro sim e chão, Menina nunca quero teu perdão, A vida sigo, preso no teu laço...
Eu quero revelia, meu revés, Não quero ver a vida no viés, Pedaços dos abraços traz o tchau.
Essa balburdia cheira carnaval, Minha senzala feita no varal, As marcas das correntes nos meus pés...
88
Não mais que certo tempo pra pensar Omito meus desejos, são só meus... Espero que não cansem de esperar Os olhos que brilharam nos meus breus...
Não sei mais versos belos, sou vazio. Cansado de tentar te convencer Que bem mais importante que este rio, São as águas que não cansam de descer.
Meus sentimentos passam como as águas, Transcorrem minha vida, sem sossego. Derivo nas cascatas feitas mágoas No mar de teu amor me descarrego...
Mas sigo, sem parar um só momento, Na busca deste belo sentimento...
89
Não mais eu cantaria o verso manso Aonde poderia ser feliz, O vento em calmaria; não alcanço, Profano coração, não mais me diz
Do encanto que buscara, ora me lanço Vencendo os temporais em tarde gris, As liras esquecidas; louco, tranço Os pés neste castelo feito em giz.
Por séculos, milênios; sentimentos Jogados sobre o chão no mesmo idílio, O amor que condenando, traz no exílio
Farnéis que desejara, até aos centos, O julgo da ilusão algema os sonhos Promessa de fantasmas vis, medonhos...
90
Não mais esquecerei se sou a sombra Que em plena juventude se esqueceu Dos olhos que a saudade sempre assombra Nas raias da loucura se perdeu...
Eu sou o verso triste que já chove Com lágrimas no rosto, assim pasmado. Temendo tanta nuvem que comove Levando de viés, meio de lado
O sonho que lacrimo a cada instante Não posso mais dizer sobrevivente Se caço meu começo delirante E morro nos teus braços, tão carente...
A sombra que me guia, meu fantasma Aos poucos vai se erguendo cega e pasma...
91
Não mais escutarei meu coração, Bem sei que ele machuca e me maltrata, Quem sabe se terei a solução Em busca desta lua que retrata
O verso mais doído que já fiz, O canto solitário deste lobo, Que nunca, nos seus mares, foi feliz, E trama neste verso quase bobo
As últimas centelhas deste amor, Dormido como tudo que já tive, Vivendo sem saber que se eu não for, Amor sem ter saudade, sobrevive...
Fingindo que terei felicidade, Amor que me roubou a liberdade...
92
Não luto, estou de luto, sempre ganhas Tamanha esta vontade que te entranha Abocanhando todas minhas sanhas O gozo sem limites vem e assanha.
Na valsa, salsa, a farsa se faz festa Refestelada estampas seus bemóis Atesta o quanto gesta, o nada resta Acende num instante tantos sóis.
Na fé, teu ceticismo me amedronta Na contramão da vida sigo as teias Promessa me arremessa à mesa pronta Convites sem limites; incendeias.
Teu corpo, uma morfina que amofina Ao mesmo tempo entorna e me alucina... Marcos Loures
93
Não ligue pra essa gente que se esconde Atrás de qualquer máscara, querida, Perderam, com certeza trem e bonde E buscam noutra porta uma saída.
Tentando disfarçar sem saber onde Esquecem de cuidar da própria vida, Com pose de rainha ou de visconde No fundo a mesma fruta apodrecida.
O amor quando em prazeres já nos brinda, Tornando a nossa estrada bem mais linda Estende os seus tapetes a quem sabe
Viver cada momento com meiguice, Esquece o que a gentalha amarga disse Na glória de um sorriso, ela não cabe... Marcos Loures
94
Não ligue aos puritanos. Vem comigo. A vida sendo breve não permite Que a voz injuriosa ganhe abrigo No nosso amor que nunca tem limite.
Beija-me assim, que a noite é toda nossa Façamos tanto amor sem escutar Palavra desta gente que se esforça, Por não ter amor, sempre o negar.
Façamos destes beijos arco e seta Que atinja bem no peito, os invejosos. Que a flecha ao atingir decerto a meta Ferirá sentimentos orgulhosos.
E assim os puritanos, sem defesa Se renderão enfim a tal beleza...
95
Não levo com certeza mais ninguém Assim o meu caminho, eu sigo leve, O tempo de viver mesmo que breve, Magias na verdade sempre tem.
Olhando para frente, vou além, E tendo uma certeza que me enleve O vento calmamente venha e leve Meu barco para os braços de meu bem.
Porém se não vier, estou tranqüilo, Um riso mais sincero; inda destilo, E faço deste nada uma esperança.
De ter amanhecida a sorte imensa, Viver já é decerto, recompensa, Sabendo quem espera já se cansa. Marcos Loures
96
Não leve tua vida tão a sério. Precisas de um sorriso pra viver Quem sabe deste mundo este mistério Encontra um bom motivo e pode ver
Que tudo que passamos, passará, Depois sequer lembrança vai sobrar. Amigos encontrei aos centos cá Também se eu for embora, vou achar.
Aquela maravilha de menina Que foi toda a razão do sofrimento. Sentada na beirada da latrina Faz força, mas depois... nem eu agüento.
A vida traz recado e dita a lei. Dela saio do jeito que eu entrei.
97
Não leve estes problemas tão a sério. Deixe a vida correr qual fosse um rio, Confie totalmente em teu critério Que tudo, no final, vai mais macio.
Por mais que tudo tenha o seu mistério, A solução, querida, eu mesmo crio. Se no final me aguarda o cemitério, Não sou eu quem acende este pavio.
Não perca nunca a crença. Uma esperança Ajuda quando a barra anda pesada. Às vezes ao dançar conforme a dança,
O barco vai seguindo a correnteza Mas se preciso dê uma guinada Porém segure a onda, com firmeza...
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Não leve esta minha alma tão a sério, Sou sapo que se esconde em majestade Não trago nem desejo algum critério Eu quero é bagunçar a realidade.
Tentando amenizar duro minério Eu visto a fantasia em falsidade Um reles menestrel, bobo do império Jamais eu beberei tranqüilidade.
Indócil este corcel que trago em mim, Adubo em esperança o meu jardim E colho as flores todas que eu puder.
Um velho carpinteiro, um vil farsante, Usando do instrumento mais cortante, Tentando decifrar uma mulher... Marcos Loures
99
Não lacre as esperanças deste ignaro Que tenta vez em quando alguma luz. Embora me condene ao desamparo Sonhar inutilmente me conduz
A um tempo em que julgara ser mais claro Além do que pensei ou já me opus Por isso tantas vezes eu disparo Fingindo ter no amor, somente cruz.
No fundo não pretendo outro caminho, Somente satisfaz saber sozinho O olhar de quem matou cada ilusão.
Se eu tomo como guia, um verso teu, O rumo, minha história assim perdeu, Deixando por refém meu coração... Marcos Loures
9500
Não jogue meu cadáver no cinzeiro! Eu faço por clemência este pedido. Bem sei que encontro em ti um companheiro, Cinzeiro na verdade é bem fedido.
Se lembre meu amigo verdadeiro De todo este caminho tão comprido Eu tenho uma alergia a este cheiro Prefiro ser mijado, até cuspido.
Mas deixo por lembrança um maço aberto, Para a minha mulher, a cigarrilha, Charuto para amigo predileto
Cachimbo é meu legado à minha filha, Mas peço; por favor, preste atenção; Cadáver no cinzeiro? Jogue não...
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