
78 QUADRAS DUMA ASSENTADA. QUE GRANDE BODO AOS POBRES.
Data 18/12/2010 18:23:04 | Tópico: Poemas -> Humor
| SER POBRE...
Afinal há mais uns milhares de pobres do que aqueles que constam nas estatísticas. E enquanto alguns daqueles (os das estatísticas), se suarem um pouco o corpinho, podem, em parte, resolver o problema, estes, pobres... de espírito, não têm qualquer possibilidade de fazer uma vida normal. Esteja atento, muna-se de papel e lápis, e confira aqui o seu grau de pobreza.
Ser pobre não é vergonha nem pertencer à ralé, também não é ter peçonha, então ser pobre o que é?
Ser pobre é acidente, de espírito é fraqueza, confira aqui com a gente o seu nível de pobreza.
É possuir um sofá já velho e sem miolo, e p'rá perna que não há utilizar um tijolo!
Pôr quadro de mulher nua na sala com humidade, p'ra que não vejam da rua as manchas de sujidade!
Haver peixe para assar no assador a carvão, usando para abanar uma tampa de cartão.
Não é gastar-se à míngua, nem que a pagar se furte, é lamber com a língua a tampa do iogurte!
É o quebrar a chinela, objecto sem valor, e depois consertar ela usando agrafador!
É o embrulhar as prendas com papel já usado, tirado das encomendas e todo amarrotado!
Comprar romances bem caros, não ler e com muita lata, usá-los como anteparos ou para matar barata!
É ter lâmpada queimada e ficar a balançar, para ver se a danada ‘inda volta a funcionar!
Não é almoçar bolacha nem dever ao doutor, é o lamber a borracha para s’apagar melhor!
É com tesoura cortar o tubo que já não presta, para se aproveitar uma niquinha que resta!
Não é não ter frigideira, nem tão pouco passar fome, é guardar na geladeira as sobras que ninguém come!
Não é a pé passear, nem as unhas que tu róis, é escrever e desenhar quando vais aos urinóis!
É o muito ter sofrido, ter porta sem maçaneta, tirar cera do ouvido com a tampa da caneta!
Não é comprar sem poder aquilo que lhe faz falta, é no cinema a ler as legendas em voz alta!
Não é ter frio ou calor, nem comer o que aparece, é o chamar de doutor os ricaços que conhece!
Não é tanto o que se poupa, nem p'ra pedir ter coragem, é usar mola da roupa p'ra fechar a embalagem!
Coleccionar suplemento que o seu jornal trouxer, encadernar a contento e depois nunca mais ler!
Pôr na árvore de Natal o algodão ao de leve, não sendo o ideal dá-lhe uns efeitos de neve!
Guardar os mil pedacitos dos sabonetes, pachola, e juntar os bocaditos depois fazer uma bola!
Nos dias em que chover, os sapatos embrulhar num plástico qualquer p'rós sapatos não molhar!
Ir todo o mundo ao banheiro sejam dois ou até dez, p'ra que faça o derradeiro a descarga uma vez!
Boas pastilhas mascar, muitas gomas com certeza, para depois as grudar debaixo de qualquer mesa!
É a cama reforçar com umas tábuas de pinho que sobraram de arranjar a dispensa do vizinho!
Não é o ficar em brasa por se viver muito mal, é fazer-se cola em casa com farinha, água, sal!
Quando em casa faz obras não deita fora as carpetes, pois aproveita as sobras para fazer uns tapetes!
Ser pobre é ser amável, cumprimentar toda a gente, lavar fralda descartável em água com detergente!
Não é o que não tem nada, ou não tem qualquer valor, mas seca roupa molhada sobre o aquecedor!
O sofá não ter emenda porque é um monte de cacos, pôr toalhinha de renda para tapar os buracos!
Ficar ali especado no meio de muita gente, olhando p'ra todo o lado só p'ra ver o acidente!
É alindar o quintal com latas velhas usadas, pôr-lhes terra e no final umas flores enfezadas!
No restaurante entrar, perguntar de antemão, s'a conta pode pagar com as senhas-refeição!
É carregar no botão da passagem da estrada, depois passar, pois então, com luz verde apagada!
Não é andar na estica, mas vinagre não comprar, pois você sempre fabrica com o vinho qu’azedar!
Ser pobre não é razão para ter pouca estima, é antes cuspir no chão p'ra alguém pisar em cima!
Usar sua bicicleta pró trabalho, como norma, dizer que não é forreta é só p'ra manter a forma!
Ir à loja dos trezentos e com muita esperança de ver coisas p’ra eventos, p’ra presentes ou lembrança!
Guardar cueca furada velha e com muito sarro, para depois ser usada p'ra passar cera no carro!
Com um calor d’abrasar carro com vidro fechado, só p'ró pessoal pensar que tem ar condicionado!
É ter BIC já velhinha sem tinta, qu'o lixo a leve, e aquecer a pontinha para ver s'ainda escreve!
P'rós livros que os seus filhos devem levar p'rá escola, com uns trapos e atilhos costurar uma sacola!
Não é qu'rer e não ter posses, nem nunca comer galinha, é fazer em casa doces par'os anos da vizinha!
Não ter dinheiro na mala que ele não é elástico, é dispor vasos na sala com umas flores de plástico!
É falar p'los cotovelos e dar-nos com cada seca, é pôr p'ró lado os cabelos p'ra disfarçar a careca!
Ser pobre não é "não presta" nem sequer ter pouca sorte, é pôr um penso na testa só por um pequeno corte!
É ir a um casamento faça chuva ou faça sol, de camisa, um portento, de clube de futebol!
É a prestações comprar, nos dedos não ter anéis, e depois coleccionar sabonetes dos hotéis!
Guardar a macarronada que do almoço sobrar, pr’á sopa bem temperada p’ra se comer ao jantar!
Na sua calculadora para poupar uns trocados, o rolo não deitar fora, usá-lo d'ambos os lados!
É a unha não cortar e com o casco comprido, usá-lo para tirar muita cera do ouvido!
Quando alguém quer chamar de dentro do seu popó, pôr-se ali a buzinar e dos outros não ter dó!
Gostar muito de novela seja ele qual fôr o título, e chorar muito ao vê-la no derradeiro capítulo!
Não comprar coisas a pronto, andar atrás dos rescaldos, ainda pedir desconto quando vai comprar nos saldos!
Ter a casa mal telhada, e com forro à maneira, pôr bacia esmaltada para aparar a goteira!
Para além de ter pé chato que dificulta andar, passar álcool no sapato para o amaciar!
Seja vinho ou seja coca pela garganta desliza, e depois limpar a boca com a manga da camisa!
É não qu'rer gastar dinheiro pôr-se sempre na retranca, conhecer o jornaleiro p'ra ler os jornais na banca!
Pôr-se a fazer almofadas p'ró carro, grande estafa, usando as cricas achadas das tampinhas de garrafa!
Pôr-se a cuspir ou lamber, geralmente dos dois lados, para assim humedecer óculos emporcalhados!
O futebol é paixão, só há guita p'rá geral, depois salta a vedação para a bancada central!
Como o pilim é escasso, no carro muito usado, para restaurar o chaço pôr pneu recauchutado!
No seu carro bem careta já com um velho motor, colocar uma chupeta no espelho retrovisor!
Pôr póster do clube amado, um fervoroso lagarto, ali bem dependurado na parede do seu quarto!
Ter quintal com churrasqueira e raminhos de alecrim, beber água da mangueira quando rega o jardim!
É ligar p'rá namorada como diz o figurino, mas desde que a chamada seja a pagar no destino!
Ter casa desarrumada empestada de cheiretes, na janela ou escada ir sacudir os tapetes!
Ir arranjar a antena que no telhado pifou, pendurado na empena, gritar de lá: melhorooouuuu?
Na árvore de Natal pendurar caixa vazia, embrulhada muito mal com papel de fantasia!
Andar com um grão na asa e afiar a gilete, levar sempre para casa o copinho do sorvete!
No restaurante almoçar nos aninhos da petiza, e pedir p'ra embrulhar as sobras daquela pizza!
A caixa da margarina é bom que se recupere, pois com ela se imagina fazer um tupperware!
Mesmo sem ser convidado e sem ter qualquer engulho, ir a festa ou baptizado só p'ra encher o bandulho!
A aflição que sentiu e chorar sua desdita, pois a moeda caiu para dentro da sanita!
Na praia com os amigos depois de comer arrota, não receia os perigos dá "aquela" cambalhota!
O cabelo com marrafa, já tem buracos nas mantas, usa fundos de garrafa para colocar as plantas!
É ir no supermercado comprar com muito capricho, "roubar" sacos, o coitado, para ensacar o lixo!
É palitar o seu dente com fósforo afiado, chafurdá-lo ferozmente depois cuspir o bocado!
ANTES QUERO NÃO TER DINHEIRO QUE SER POBRE! LIVRA!
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