
TODAS AS PORTAS
Data 17/12/2010 18:22:50 | Tópico: Poemas
| TODAS AS PORTAS
Há os vãos, Os alçapões pesados Dos desvãos Há os trincos, As fechaduras Os degredos, Os segredos, Há de haver...
Há um vento que surrupia Os chãos Ao entrarem em oressas Às madeiras frias...
Há correntes que Formam retas, Erguem-se tortas Em curvas avessas À direção inversa da janela...
Há a pressa De antever O que interessa.... Que a porta balança, Range as dobras E logo se fecha (Coragem de querer saber, Há de haver...)
Há a falta de luz E a fraca luz amarela Que conduz À sensação do derredor...
Há o fitar exangue, A visão entregue Daquele que pouco vê E enxerga a negra cor (Vê bem o que não vê E crê no que pode...)
Há a porta fechada, Lacrada De possíveis Impossibilidades...
Há um queixo torto No desleixo D’uma brecha entreaberta, Displicente, quase entregue À visão indisposta Do que acontece porta afora...
Há os corpos Muitos corpos De carnes bem-dispostas... Há os atos impostos Por detrás Das vidas decompostas Ao longo das portas...
Toma-me o vai-e-vem Dessas costas arcadas... Há, sim, alegria, E há, pois não, o desdém Do atravessar dos batentes...
Ouço murros: Uma porta batida D'outro lado, ninguém... (Uma outra bate também...)
Percebo raivas, mágoas Fendendo portas recentes Fincando-se nos batentes, Nos horizontes das soleiras... Saraivadas de emoções minhas, Represadas, aos montes...
Há a porta de ontem De aquém E aquela de Além de além-nada Essa está estancada Como há de ser Esperando o tempo Enferrujá-la...
Há de se abrir, Por fim, uma porta festejada... Descoberta do suor Do meu transpor De tantas e tantas portas...
Essa... mais do que tudo, Mais do que nada Ah, mesmo por ser arrombada, Essa porta há de haver...
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