
MEUS SONETOS VOLUME 086
Data 16/12/2010 08:09:38 | Tópico: Sonetos
| 01
Meu sonho preparando uma modinha Cantiga que morreu, tão antiquada, Sentado neste banco, na pracinha Apenas encontrei a bandidada
A moça que sonhei e nunca vinha Agora faz programa na calçada, Coreto dos meus sonhos já definha A pele na mortalha, agasalhada.
Meus olhos encontrando o que não foi, Lagoa dos meus dias, sapo boi Fazendo uma arruaça me atrapalha,
Não beijo o que não tenho nem pretendo A morte do meu sonho estou vendendo No corte extasiante da navalha...
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Meu sonho persistente te obedece Procura a perfeição por um momento, A solidão depressa se arrefece, Levada por carinho em livre vento.
Felicidade intensa que germina, No amor que se mostrou em plenitude. Montando na esperança, solta crina, Fazendo com que a sorte, enfim transmude.
Quem sabe mais estável, seja a vida, Depois desta incerteza em que talhei A juventude inteira, e assim decida Mudar em cada brilho, nova lei.
Amor que presenteia quem persiste, Matando o meu passado, amargo e triste...
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Meu sonho penetrando no meu peito, Um bravo deus emerge do passado. Tramando cada dia mais perfeito, Empurra meu amor para o teu lado...
Caminhos de florais tão olorosos, Perfumes que roubei de teu jardim Os campos perfumados, dolorosos, Um mundo de prazer dentro de mim.
Meu sonho vai tomando toda a casa, Deitando-te na cama que pensei. A vida assim depressa já me abrasa, Nas chamas do teu corpo mergulhei...
Amor vem invadindo, me incendeia Floresce no meu sonho, em lua cheia...
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Meu sonho em liberdade te procura E molda em esperança um doce beijo. Encontro nos teus braços minha cura, Um dia sorridente e benfazejo.
O céu de um novo tempo, em que ternura Numa aquarela pinte em azulejo Afugentando nuvem tão escura Que outrora percebi sem um lampejo.
Amar-te é conceber felicidade Que vem e nos domina lentamente, Sem ânsias, nos tomando corpo e mente
Fazendo-me refém da imensidade Desta alegria intensa em que me entrego, Dando-te todo amor que, enfim, carrego... Marcos Loures
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Meu sonho em calmas sendas quando pousa Longínquas maravilhas; adivinho. Meu beijo em tua boca assim repousa E encontra no teu corpo um belo ninho.
Não quero mais saber se há outra cousa Que possa avinagrar um doce vinho, Meu sonho, uma liberta mariposa Voando atrás de um lume: o teu caminho.
A noite solitária se faz triste, Escura em plena treva, quem resiste? Porém dentro do sonho, amor contenho,
Tua boca macia – sinto – vem, Porém de manhã cedo, nada tenho, Do meu lado, na cama, só ninguém...
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Meu sonho é ser contigo o tempo todo, Estar em cada noite, a cada dia. Amor que não permite mais engodo Se faz mais forte e sempre qual pedia Um coração tão velho, morto em lodo Que renasce na perla da alegria...
Surgiste como estrela matutina, Prenúncio deste sol que nos abrasa, Sorriso de mulher e de menina, Tomando num segundo toda a casa. Prazer de estar contigo me domina A vida se levita, criando asa
E faz de cada dia uma esperança Do paraíso em terra que se alcança!
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Meu sonho de esperança, manso e brando Em busca de outro senso mais sutil, Aos poucos calmamente, dominando, Mostrando ser mais forte e mais gentil, Remonta todo o tempo que, esperando, Nublava este meu céu que fora anil.
Ferido pela dor de uma saudade, Marcado por um golpe do passado. Qual tronco que perdeu-se da verdade Cortado pelo corte do machado, Não acho, nesse mundo, paridade; Morrendo sem ter sombras ao meu lado.
De tudo o que temia, esteja certa, A vida se mostrou tão incompleta...
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Meu verso parecendo um passarinho Em busca das mentiras que me deste. Vagando pelo mundo estou sozinho, Talvez uma saudade, o que me reste.
Vencido pelas pedras do caminho Entôo meu cantar que me reveste Das dores em litígio, vasto ninho; Com fome e com certezas, pão e peste.
Destino sem sentido nem promessa Escondo meus olhares nos teus seios Nos olhos que me dás não se confessa
O tempo que passamos sem receios. A vida sem querer, pegando peça, Transforma em agonia meus anseios...
9
Meu verso não se engana Cortando qual navalha, A sorte que se espana, Comigo se atrapalha.
A vida soberana, Um campo de batalha, Na luta tão sacana Mais fracos estraçalha.
Galinha quando é boa, Eu falo e nunca minto, E ninguém me avacalha.
Se é nova ou se é coroa, Cuidando bem do pinto, Com certeza não falha...
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Meu verso mais sombrio, as danças neste bar... Amor que me arrebenta arrebata o que resta. Um copo de aguardente, o brilho do luar. Nos umbrais da saudade aberto o peito, fresta.
Nas bocas que beijei, mulher que foi meu par, Minha alma deslumbrada aguarda pela festa, Espera teu desejo, ondas do negro mar... Um tresloucado rito, amor, esgoto empresta...
No gosto desta guerra, amor em forma bruta, Burilo meu anseio, amanso meu instinto... Em tua boca o gozo, uma lágrima astuta.
Inebriado sonho, esbanjo-me em delírio... O vinho que bebi, do meu sangue, retinto, Na dança sepulcral, meu gozo é meu martírio... Marcos Loures
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Meu verso homenageia-te querida, A minha companheira nas desditas. Através dos caminhos desta vida As mãos que me acarinham são benditas...
Por vezes não achando mais saída As horas se passando tão aflitas; A dor já me abandona, vai vencida Por palavras bem doces, e bem ditas.
Eu faço este meu canto em teu louvor Ao lembrar quantas vezes me ajudaste. Meu caminho; douraste com amor.
Se quando necessário, sempre abriga O peito dolorido, fincando haste Tão firme. Te agradeço, minha amiga!
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Meu verso enviesado pela sorte De quem nasceu com fome de vingança; Na ponta desta faca trago o norte A mão que quer o beijo já te alcança;
Porém tu sentirás meu fino corte Da boca que te morde seta e lança. Não temo lábio doce que me entorte Nem mesmo uma lambida da esperança.
Nascido em fardo amargo e tão pesado, Carrego entre meus dentes de soslaio Certeza de saber que ando de lado,
No coração sofrido, este balaio, Que é mostra que se fez por ter amado Quem luta e não se deixa ser lacaio.
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Meu verso em transparência mais exata Mostrando o quanto quero te encontrar. Procuro por pegadas ao luar Adentro noutras sendas; densa mata.
A solidão que tanto me maltrata Percebe que perdido, a te buscar, Talvez eu não consiga mais lutar E vem bem mais voraz, e desacata.
Não sei por que tu foste noutro rumo, Nem sei mais se consigo prosseguir. O frio desta noite a me ferir,
Invade e me transtorna, sem aprumo Não tenho mais vontade de viver, A vida sem valia, sem prazer...
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Mistério que aprendi desde criança Contados pela avó, lendas de fadas. São coisas que não saem da lembrança Rondando minhas noites, madrugadas.
Idade, sem ter pena vai, avança, E nada das histórias bem contadas Num tempo em que vivia esta esperança De ter zilhões de moças encantadas...
Amores que passei começo e fim, Tropeços no começo do caminho. O gosto que ficou foi bem ruim
Mas ao sentir chegar esta morena Percebo que encontrei, enfim carinho, Castelo esperançoso já me acena... Marcos Loures
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Mirraste tantas mãos que acaricias, Verdugo que delira em crueldade. Devoras sem temer, as fantasias... Prazeres histriônicos, maldade...
Chacinas, aos teus olhos são orgias, Despertas violências... Ansiedade Demonstras quando vês torturas frias... A morte que revelas cedo ou tarde!
Nas páginas sangrentas do jornal, Ao delírio te levam tais notícias Carnificinas trazes no bornal...
És pântano sedento de sevícias... Abutre que deseja tanta morte Aprofundando sempre imenso corte...
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Mire em teu espelho e veja aquilo Que um dia fora minha agora vai, O sonho em que te chamo não desfilo, Destilo um verso amargo em que se trai
Palavras que roubaste de meu peito, Uma amargura imensa que não cessa, Amar é transgredir? Insatisfeito Cansado de te ouvir, tanta promessa.
Um sentimento atroz, em egoísmo Disfarça o que querias e levaste. Buscando tão somente o hedonismo Amor foi terminando. E num desgaste
Comum a quem falseia o sentimento, Tua sombra restou no apartamento... Marcos Loures
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Mirar teus olhos, bela companheira, Seguindo cada passo que desfilas Moldando esta esperança nas argilas Fomento de alegria, feiticeira.
Iria te encontrar, quer ou não queira Por entre mil sobrados, casas, vilas Tomando a maravilha que destilas No verso mais sublime, uma bandeira
Que hasteias nos poemas e nas frases Deliciosamente busco em ti Licores que inebriam. Quando fazes
Das letras um tapete em cores belas Dourando a fantasia, vens aqui E raros diamantes me revelas... Marcos Loures
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Mirantes da ilusão, em belvederes Permitem que se forme a clara imagem Aonde procurando o que mais queres, Verás bem mais que pensas ser miragem.
Depois de tanto tempo e sem que esperes, O sol dominará tal paisagem, Dos sonhos e promessas que fizeres O amor te mostrará bela estalagem.
Na aragem matinal das esperanças, É necessário teres confianças, Sabendo que a manhã não tardará.
O que pensaras ser simples engano, Perceberás sublime e soberano, E em força sem igual te inundará... Marcos Loures
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Mirando o teu olhar, eu percebi O quanto que o Pará se mostra belo. Vivendo a poesia que há em ti Encantado, este sonho eu te revelo.
Receba este carinho desde aqui Na forma de um soneto mais singelo Na farta maravilha eu me embebi Criando em fantasia este castelo...
Rastelo em minhas mãos de lavrador Tentando num soneto qual louvor Falar desta alegria que nos toma
Na força da amizade, sul e norte, Sanando com doçura qualquer corte, Unindo num poema, intensa soma... Marcos Loures
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Miragem volta a ser triste deserto Na seca que retorna eternamente, O carrossel da vida sempre incerto Permite que se veja claramente
No rosto da criança esfarrapada A fome que se espalha, de justiça. A marca em nossa pele tatuada Impede que esperança ressurja e viça.
Algozes de nós mesmos, insensatos Distante da amizade, a podridão Espalha pelas ruas, pelos matos, Matando em nascedouro a solução.
Assim, como idiotas e imbecis Deixamos nossas vidas por um triz... Marcos Loures
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Miragem que em tortura, nos ajuda Sangrando novamente o meu passado, Saudade vem trazendo esse recado Do quanto que passou minha alma muda.
O tempo num momento tudo muda Num sonho em esperança transmudado. A sorte se lançando em cada dado Talvez essa ilusão inda me acuda.
Desejo que eu carrego e tu também Enquanto esta lembrança sobrevém, O gosto do que fomos permanece.
No templo imaginário, tua tez, Encanto sem igual, o sonho fez Marcante redenção do amor em prece... Marcos Loures
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Minina aconchagano o coração Qui bate só pru quê ti qué tão bem, Nos chêro mais gostoso da paxão Na vida um bem maió sei qui num tem.
O meu bornár carrega tanto trem Mais uma coisa tem mais precisão O bêjo da morena que é tão bão Dispois que li beijei, num quis ninguém
Sumentes quero o mér de sua boca, Razão da minha vida sê tão lôca, Correndo sem distino por aí.
Vem logo qui num posso mais pená, Istrela nesse cé qui faiz briá U sonho mais férmoso qui vivi. Marcos Loures
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Minhoca, hermafrodita com certeza Fazendo sacanagem, putaria Enquanto contra-ataca, na defesa Aberta fica exposta. Uma alegria.
Amor- entre minhocas, que se preza Termina em bacanal, tremenda orgia, Não quero nem saber da sobremesa, Exercite assim tua fantasia.
O que sei sem ter dúvida nenhuma No meio da bagunça, da mumunha, Um fato magistral já se percebe.
A dádiva do amor ali se enfoca, No conluio divino da minhoca, Quem com carinho dá, logo recebe... Marcos Loures
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Minhas recordações, entranha exposta, Silêncios esquecidos nestes versos... A carne despojada, corte, posta... Os medos e segredos mais diversos...
Meus mares que vivi, de costa a costa Distantes constelares, universos... O sol deste deserto queima e tosta, Meus sonhos presos, trôpegos, submersos...
Em cada verso mostro meus desejos, O couro que cobria, desnudado... Da morte anunciando seus cortejos...
As orações que faço, num segundo, Palavras soltas: sina, medo e fado, Demonstram, sem pudores, o meu mundo... Marcos Loures
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Minhas palavras são, deveras, tuas. Meus versos se inebriam do teu sol. As musas que sonhara, belas, nuas, Festejam cada amar, nosso lençol...
E sinto o desfilar de teus momentos, No amor que sempre foi um bom licor; Vivendo tão divinos sentimentos, A base do que seja um grande amor.
Eu quero que tu sintas o meu toque, Nas tantas emoções que nós trocamos. Amar é sempre nosso sonho; enfoque De tantas alegrias que sonhamos...
E saiba que me canto é sim, p’ra ti; Com emoção sem par, estou aqui!
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Minhas palavras perdem seus sentidos Quando distantes vão da realidade. Meus olhos, minha boca e meus ouvidos Percebem o valor de uma amizade
Real que impeça mundos divididos Vencidos pela dura crueldade Que faz com que morramos distraídos Sem conceber sequer tanta maldade.
Palavras vão ao vento se não feitas Para nos unir e nos salvar. Covardes escondidos nas espreitas
Espalham tanta dor em triste seta. Talvez meus versos possam ajudar E valerá a pena ser poeta!
Marcos Loures
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Minhas noites seriam mais insanas, Em turbulência giram meus sentidos. As mãos que te carregam são profanas, As noites que vivemos? Nos olvidos...
Perdidas, minhas lutas... Já te enganas, Nos portais tristes, álgicos, colhidos... Sempre me restariam as baganas. Amantes sentimentos esculpidos...
No azimute, no zênite, no espaço... Nas alvas tumulares da manhã; Descansarei sedento o meu cansaço.
Jamais desistirei dessa cunhã, Adormecida, lassa no meu braço... Amada desde sempre, cunhantã!
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Minhas memórias tristes, junto ao leito, Mortalhas que dominam pensamento; Do tempo que julgava mais perfeito, As dores se soltaram neve e vento...
Na porta das lembranças sempre espreito Memórias de outro tempo... Me contento Mesmo que se mostrasse de outro jeito, A vida que vivi, meu sofrimento...
Morte que se aproxima, vem serena... Minhas saudades pálidas, tenazes. Tudo que sofri não vale a pena...
Memórias retornando, sorrateiras... Incrível que pareça, sinto as pazes Derradeiras porém tão verdadeiras... Marcos Loures
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Minhas mãos percorrendo teus cabelos... A boca aberta... Anseios se procuram... Sementes que lançamos... Nos novelos Das línguas mais ferozes se torturam...
Procuro por teus dentes, quero tê-los Mordiscando... Delírios loucos curam... Morena tez, serena fez vivê-los Na fantasia louca se emolduram!
Minhas mãos dedilhando são macias, Nas noites que brindamos, tão vadias... Montanhas que escalamos toda noite...
Os beijos delirantes são açoites. Os portos que naufragam nossos barcos. As mãos a penetrar todos os arcos!
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Minhas mãos percorrendo ensandecidas Teu corpo, porto, cais que revigora. Contorno minhas noites, nossas vidas, E chamo-te pra cama. Vem agora!
Meu desejo te pede sem ter hora, E lambe tuas pernas distraídas. Do amor que tanto tenho se decora E sabem dar prazer, mãos pedidas
E tanto desejadas. Quero mais, Repito logo a dose e me inebrio, Tocado pelo fogo do teu cio,
Sentindo-me de tudo ser capaz Até que no final, extasiado, Dormindo entre estas pernas, do teu lado... Marcos Loures
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“Misturo poesia com cachaça” Invento mil desculpas pra não ir. No fim da festa sei desta arruaça, Mas vou teimoso e quero repetir.
De novo futebol e poesia Meu Botafogo um dia vai ganhar. A noite sem te ter, morena, é fria, Mas nada da vadia se entregar.
Restando então falar do presidente, Do deputado, até do senador. Maldita comichão comendo o dente, Decifra estes mistérios, meu amor.
Que a pulga atrás da orelha não sossega E a boca qual justiça vive cega...
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Mistura de prazer imerso em dor Mergulho em areal, falsas promessas Enquanto nas estrelas tu tropeças Esqueces da beleza do sol-pôr.
Se em nada posso crer, rasgo o louvor E mesmo quando insana recomeças Eu vejo que já faltam tantas peças E o verso sem sentidos decompor.
A graça na verdade está em ter Um pouco de ciúme, sem poder Seguir a claridade, perco o passo.
Amor se é necessário ser dinâmico No fundo me deixando quase em pânico Fugidio fui pego, enfim, a laço... Marcos Loures
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Mistérios desvendados, oferendas Que fazem florescer no roseiral A rosa mais perfeita e magistral, Cevada pelas glórias que desvendas,
Podendo ver sublimes, áureas sendas, Ao diferenciar o bem do mal, Nas entrelinhas sinto o triunfal Sorriso que aplacando estas contendas,
Um dia reinará por sobre a Terra, E enquanto esta beleza, o olhar descerra, Eu posso adivinhar a placidez,
Num templo onde a fantástica harmonia Derrame a soberana poesia Cambiando o desvario em sensatez...
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Minhas lágrimas caem, são mendigas... Imploram por teu beijo e tua boca. As flores que murchamos, são antigas, Na vida que passamos, sendas loucas.
Nos caminhos plantaste urzes, urtigas. Minha voz, de implorar, ficando rouca. Marinheiro, naufrágios, mas nem ligas. Restou de tanta luta, luz bem pouca...
Sem ter tua presença tão amada, Nas portas d’ilusão, perco meu mar... Não espero teus ninhos, braços, nada...
Queria novamente te encantar... Abra teus braços, dê-me esta ansiada Manhã. Eu não me canso de esperar...
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Minhas esperanças calam Traduzem-se nesse sonho. Tuas noites que me embalam Por destinos onde enfronho.
Enredam; tortura entalam. Medo de sentir medonho, Meus desejos já escalam destinos que não proponho.
Transporto essa solidão Embarcada na saudade Na verdade que me deste
Navegando o coração desprezando medo e peste. Alcançando a liberdade,
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Minhas costas lanhadas por vergastas Marcando e destruindo o coração. Amores decompostos, podres pastas Deixando tão somente a podridão. Não vês que sendo assim, de mim afastas A sorte que escondeste num porão.
O sangue em que me banho, traz as moscas Que invadem a comer minhas entranhas, As luzes que percebo, fracas, foscas, As dores que eu herdei, já são tamanhas. Não sei destas vontades surdas, toscas, Nem posso adivinhar o que tu ganhas
Trazendo para mim, desilusão, Fazendo-me cativo, quase um cão...
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Minhas cismas vagueiam, vão a esmo... Confusas tempestades doidivanas... Amor que se pretende ser o mesmo, Não pode se esconder destas ciganas...
A sorte está lançada não quaresmo, Nem tento descobrir as espartanas Vontades. Tantas vezes me ensimesmo Calado, minha ermida... Não me enganas!
Os olhos embuçados negam céu... Explodem meus amores, tantas cismas... Não quero que ninguém, louco, me apene...
Vênus adormecida em meu dossel... A vida se explodindo em aneurismas, Esperanças? Encontro em ti, Darlene...
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Minha vida vai louca, arrastando meu barco Esperando o meu tempo, ouvido nas cantigas Que o tempo tão voraz, me traz... Vozes antigas Que renascem na voz. Representando um marco.
Cantar de uma ilusão amarga onde me embarco Na solidão, a esmo, ouvindo essas intrigas Ao final desta estrada. Amada, não perigas; Pois minha solidão é sentimento parco...
Minha vida, insensata, adoça-se em teus beijos Quem fora densa mata, adormece essa luta. Invadindo meu mar, procuras meus desejos
Não posso me perder em meio à força bruta... Eu quero, no meu sonho augúrios benfazejos De poder; mais feliz; ter-te tão mansa, astuta...
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minha vida vai louca arrastando meu barco esperando meu tempo ouvido nas cantigas que o tempo mais voraz, me traz, vozes antigas que renascem na voz, na alegoria do marco.
cantar dessa sereia amada onde me embarco na solidão a esmo, ouvindo t'as intrigas no final dessa estrada amiga se perigas a minha solidão descreve-se em teu arco
minha vida, insensata amargando teus beijos numa serena mata adormecida luta, invadindo meu mar, procuro meus desejos
de te ter sem perder, na tua força bruta nos meus sonhos, servis dos sonhos benfazejos de poder, mais feliz, fugir da noite astuta...
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Minha vida vai louca arrastando meu barco Esperando meu tempo ouvido nas cantigas Que o tempo mais voraz, me traz, vozes antigas Que renascem de um chão de nebuloso charco.
Cantar dessa sereia amada onde me embarco Nessa solidão a esmo, ouvindo t'as intrigas No final dessa estrada as dores forjam vigas. A minha solidão descreve-se em teu arco.
Relembro cada passo envolto na tristeza De te sentir distante e te saber tão perto. A vida se perdendo envolta em incerteza
Mas sinto que esse dia aos poucos se acabando, A chuva que virá findando este deserto. E depois disso enfim, no amor recomeçando...
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Minha vida transcorre como um rio Que caminha em silêncio para o mar. Perdendo da meada, rota e fio, Esqueço tantas vezes de sonhar...
Tolices, nada mais... Mediocridade... Falar dos meus amores, sentimentos... Caprichos sem sentido, iniqüidade, Palavras carregadas pelos ventos...
Falar do que passei nesta procura, Sem ao menos dizer quanto te espero... Amar não é bradar nem ter bravura. Também é perceber um bom tempero.
Eu peço, por favor, meus olhos; laves. Já que do coração, achaste as chaves...
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Minha vida se mostra em palma e rosa, E faz de um jardineiro um homem rico, À dor com alegrias eu replico E colho a manhã clara e gloriosa.
Na pele desta deusa, a mais formosa, O quanto que desejo, eu logo explico Extasiado ao ver-te, sempre fico E a vida se tornando caprichosa.
Erguendo o meu olhar, alçando céus, Retiro mansamente belos véus E vejo esta nudez clara e perfeita.
Eu quero sem limites cada gota Da fonte de prazer que não se esgota, Sublime fantasia aqui se deita.
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Minha vida que fora tão perdida, Ao encontrar-te livre como o vento. Deixou a dor fatal em despedida, E renasceu matando o sofrimento!
Não posso imaginar tua partida, Nem deixo suplantar-me tal tormento. A solidão se encontra adormecida. Saudade não deixou nem um lamento!
Quero-te; amada, minha luz e glória! A vida não repete velha história. Quero ser teu eterno colibri.
Amo-te, bem sei, desde que nasci! Eu encontrei em ti, deusa vivente, A fonte dos desejos permanente!
Marcos Loures
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Minha vida procura por seu norte, Eu vou sem ter um rumo noite afora... Quem sabe depois disso venha a sorte De ter quem tanto amei. Minha alma implora
Um braço que acalante e me conforte Amiga; por favor, não vá! Lá fora O vento vem trazendo o frio, a morte... Peço-te que jamais tu vás embora...
Preciso de teu colo, amiga minha, Envolto na saudade, perco o cais. Tristeza em solidão, tão cedo aninha
No coração tão velho do poeta. O gosto da alegria é do jamais, Somente esta amizade me completa...
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Minha vida passando num segundo, Traz na tela cinema e fantasia. Quem me dera morrer por mais um dia, E ressurgir, nos braços do teu mundo...
Meu coração vagando, vagabundo... Um cais de porto, tempo, ventania. Quero poder sangrar, na nossa orgia. De tantos sentimentos, vou, me inundo...
Minha vida, recebo teu bafejo; Desde que sei, fugaz enquanto tempo... Nas alfazemas, lírios, percevejo...
No resto da cantiga não sei mimo. No resto do meu tempo, contratempo, Com certeza, quem amo, sempre rimo...
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Minha vida em ventura destinada, Trazendo sem temor teu doce gosto. No mel que sempre fora destilada, Não cabe mais sorriso no meu rosto.
Amor que sempre fero, faz carinho; De tudo que eu espero, me remete. Não vejo meu futuro mais sozinho; Tanta felicidade me compete.
Eu sinto minha estrela deslumbrante Buscando nossa luz, tramando a paz. Viver de tanto amor, ir adiante, Sem medo dos invernos. Ser capaz!
Se todo grande amor, de amor se fez; Eu sinto, minha amada; é nossa vez
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Minha vida desaba em dura tempestade, Apenas restarão sombrios rastros. Os desertos herdei; e em vaga claridade Percorro sem destino espaços, medos e astros.
Quem teve tão somente as masmorras, os claustros Já sabe quão distante está felicidade... Dos sonhos de marfim, de mármore, alabastros Não resta sequer sombra. Eis a pura verdade...
Escombros que te mostro em dura caminhada Retratos mais fiéis daquilo que inda resta. Minha alma em pura cinza observa a derrocada
Do nada me embebedo e sigo sendo servo Do amor que tanto eu quis e morre sem ter festa Uma lembrança tua é tudo o que eu conservo...
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Minha vida anoitece sem ter novas. Notícias que produzo, requentadas. Verdades que me foram reveladas, Guardadas nesse cofre como provas
Dum tempo que passei, espero as covas... As bocas que beijei, abandonadas; Carícias sem iguais que foram dadas São testemunhos tristes. Mas renovas
Um velho coração, já sem sentido, Vieste num corcel mais colorido; Iluminando um céu deveras torto...
Te procurei, em vão, agora vens, Num momento improvável, onde os bens, Razões do meu viver, me encontram morto.
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Minha última esperança é tua febre, Não minto se me dizes que já fui. Não queres conviver no meu casebre, Amor que na verdade, nunca flui...
Não posso te caçar nunca foi lebre, Nem posso descansar no que possui, Das cores que me dás qualquer que zebre, Castelos que construo, tudo rui...
Mascaras sofrimentos com sorriso, Vasculhas por mentiras, meus segredos... Na chuva dos amores, és granizo.
Disfarces que não tenho, versos falsos... No que me deixas, lívidos segredos, Me prendes teus castelos, cadafalsos... Marcos Loures
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Minha tristeza, diga à minha amada, O quanto que preciso do querer Que sem o qual a vida é quase nada Em tanta insensatez, querer morrer...
Mas traga o seu olhar para os meus beijos Sem nada mais pedir senão sonhar Sem nada mais sentir que esses desejos De ter deitada aqui, quem sabe amar...
Eu vejo essa ilusão cortando espaços... Ressuscitando amor que já perdera. Traçando novos cantos, velhos traços, Na bela arquitetura de nova era.
Todos os nossos erros foram meus, Eu quero o teu amor, sem mais adeus...
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Minha tristeza irá gelar qual neve Embora me queimando sua chama... Amor que me pesava, a mente leve Para velho caminho sujo, lama...
Que a morte da saudade venha em breve Senão meu coração triste se inflama! Que amar me faça forte; a mente enleve Pois o meu sofrimento já reclama...
Não tenho solução, noite estrelada... Melancolia leva amigo vento, Felicidade enfim é luz sagrada,
Que nunca sairá do pensamento... Minha tristeza morre assim nevada A dor que me tortura é meu ungüento!
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Minha tola esperança adormecida Nos espectros vazios busca amparo. Volúpia de quimeras, esquecida Envolta nestas brumas, desamparo...
Distante da vereda mais florida, É fera que perdeu o rumo e faro... Vacilante esperança quer guarida, Febrilmente desejo nobre e caro...
Nas cândidas procuras estelares, Nas buscas incontidas da verdade. É fruto que não nasce em meus pomares,
Perfume que me negam os rosais, Esperança adormece, frialdade... Acordará do sono? Nunca mais! Marcos Loures
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Minha terra distante do teu mar Nos montes e nas veias, puro ferro. A lua nunca deixa seu luar Saudade no meu peito, sempre encerro...
Guardei a fantasia do lugar Bem perto donde a lua mostra o cerro Nas noites que começo a namorar. Cantoria do gado, nesse berro...
Ouvindo as serenatas que não fiz, Dormindo sob estrelas e poemas... A noite sempre encontra-me feliz.
Nas cordas deste pinho, um desafio, Saudades que deixei, velhos cinemas, O canto da araponga: não! Me diz... Marcos Loures
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Minha sôdade martrata, machuca... Os dia que passei num passo mais... A dô qui feis estrago, inda batuca Num peito que quiria só a paiz!
Sôdade matadêra inda cutuca Num é coisa de Deus, de Satanais... Sôdade dêxa a gente mais maluca, Sôdade num me larga nunca mais!!
As hóra qui passei, triste distante... Os día qui chorei sem seu amô, Nunca mais que me dêxe ansim sozinho!
Sôdade vai dueno a cada instante, Sôdade quando nasce faiz que é frô, Mais quano a gente cóie vira espinho! Marcos Loures
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Minha rosa dos ventos vai perdida Em meio a tempestades; sem destino. Amor que desejei por toda a vida, Transita neste mar onde termino.
Quero o gosto, teu jeito de viver. Quero o afeto tão plácido, envolvente. EU Quero essa certeza de poder Viver a cada dia mais urgente...
Eu quero a maciez do sentimento Que faz o meu caminho mais em paz. Eu quero teu amor, todo o momento, De tudo que pensei, ser mais capaz...
Eu quero meu timão, sou timoneiro, Amor de minha vida, verdadeiro!
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Minha retina ofuscas com teu brilho, Tu és todo esse encanto, minha fonte... Meu sonho te seguindo perde o trilho, Procuro pelos rastros no horizonte...
Nos mares e nos céus, altas montanhas, Amor já preparou sua emboscada, Em busca destas luzes, sim, tamanhas, Encontro com minha alma apaixonada...
Eu quero teu amor bem mais que pude, Nas loucas caminhadas mais soturnas... Por vezes te pareço um tanto rude, São as ânsias divinas e noturnas...
Entendo tanta dor que não pretendo, Nos braços de quem amo, vou morrendo
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Minha querida amiga, mesmo só Prossiga a caminhada pela vida. Não queira imaginar que vira pó Toda esperança nunca está perdida...
A luz que te ilumina está em ti, Não tema escuridão no teu caminho. Teu futuro por certo vai ali O teu trilho jamais será sozinho.
Amada amiga, seja então feliz, Com tua força sempre mais ativa. De tudo que na vida sempre quis A luz do coração mantenhas viva...
Quanto maior a treva que chegar, Mais forte tua luz irá brilhar!
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Minha porta sempre aberta Não precisa nem abrir, Nada tem para impedir Nosso amor que me desperta.
Minha amada, estou alerta E não canso de pedir, Nosso amor usufruir Sem ter hora, em noite certa.
Saciando a minha sede No teu corpo sedutor, Vem comigo, em minha rede,
Vamos fazer muito amor. Nem janela nem parede Estou contigo aonde for... Marcos Loures
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Minha pele é caqui, é verde e rosa E cedo se amofina quando sabe Que toda serventia não me cabe No verso que inventei negando a rosa Ciência de que tudo vira glosa Bem antes do que o mundo já se acabe
Morena, vem comigo e vem ligeiro Depressa antes que a vida chegue ao fim, Preciso de carinho quero um cheiro O sol já vai morrendo e mesmo assim O teu olhar me diz ser verdadeiro O que restou de tudo eu guardo em mim.
Toda mulher merece ser estrela, Por isso é que desejo tanto vê-la...
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Minha noite se torna mais confusa Milhares de estampidos e de gritos, O peito aberto, a bala encara a blusa E forma estes espectros mais aflitos, Minha vontade sempre mais obtusa Esquece que o desejo tem seus ritos Embora tantas vezes a alma reclusa Se esquece das algemas, velhos mitos... À noite se procura por alguém Envolta em meus formatos de desejo. Ás vezes sim ou outras sem ninguém, Mas quase sempre nunca sobra nada, Talvez uma esperança feita em beijo, Talvez encontre enfim, a namorada...
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Minha noite nos teus braços, tem alento E a força necessária pra saber, Que por mais que seja intenso e forte o vento, Eu tenho o meu amor pra proteger
Do frio da saudade, de um tormento Que mata sem a gente perceber. Sentindo o teu carinho, o sentimento Que invade a minha vida é de prazer.
Teu canto que me encanta e que me ampara, Os olhos que me guiam, estrelares Gostoso mergulhar nos teus olhares
E ver cada pepita, perla rara, Tu és a companheira que sonhei, Amor que sempre, sempre imaginei... Marcos Loures
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Minha noite emoldura teu rosto Em fantástica luz, rara tela, Meu cantar se mostrando disposto A louvar este amor se revela
Bem distante de todo desgosto Qual corcel que voando sem sela Deixa um sonho feliz mais exposto De poder perseguir luz tão bela
Encontrar entre estrelas aquela Onde a vida se apega e se atrela Tão igual e também seu oposto.
No teu sol, com certeza eu me tosto És meu barco, encontrei leme e vela Primavera matando um agosto. Marcos Loures
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Minha noite é tão vazia A chuva lá fora é forte A minha alma é que se esfria Vai perdida, a minha sorte.
Moça foi a minha sina Eu gostar tanto d'ocê Nesta chuva pequenina Meu amor; vou lhe perder.
Você brinca com saudade Com saudade não se brinca, Assim a felicidade, Num instante já se trinca.
Venha aqui pro meu colinho, Não deixe esse amor sozinho
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Minhas mãos passeando tuas pernas, Sentindo a maciez da carne dura, Prometes novas noites densas, ternas Nesta umidade repleta de ternura. Quem dera fossem sempre assim, eternas Teria qualquer mal, por certo, cura...
Soltando os meus desejos sobre ti, Percebo os teus gemidos mal contidos, Sentindo o teu perfume que bebi Nossos momentos são bem resolvidos E tudo que mais quero encontro aqui, Contigo, travesseiros revolvidos...
Sabor tão delicado, é bom provar, No gosto refinado de teu mar...
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Minhas mãos estão cansadas, De procurar por carinho. Perdido nas madrugadas, Vou andando assim sozinho... Procuro-te nas ruas e nos bares, E nada de saber onde encontrar Vestígios que deixaste ao lá passares Nem sombra nem noticias, volto ao lar Que foi um dia nosso como altares Onde amor se entregava no luar, Forrando nossa cama em constelares Sonhos de poder sempre te adorar. As mãos procuram em vão o teu carinho. Distante de meu mundo onde andarás? Cansado de viver aqui sozinho Talvez alguma vez tu pensarás Naquele que perdeu o seu caminho, E assim, quem sabe, amor tu voltarás!
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Minhas mãos apalpando maravilhas, Descendo por teu corpo querem mais, Nos seios e nas coxas, nas virilhas, Buscando este tranqüilo e raro cais
Aonde desemboca o meu prazer, E com vigor adentra a bela furna, Num fervilhante mar vai se aquecer, Tomado por vontades em ternura.
Recebo o gotejar delicioso Que pressinto invadir em convulsão, Deitando sobre um rio caudaloso, Na fúria sem igual de um furacão.
Assim, corpos sedentos se saciam, Nos gozos sensuais que nos viciam.. Marcos Loures
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Minhas mãos acarinham o teu rosto, Não persigo, na vida, uma outra prenda... Delícia de sentir teu doce gosto, Que a noite, lamparina bela acenda!
Nosso amor, de alegrias é composto; Freqüenta um palacete ou uma tenda, Calor de fevereiro, ou frio agosto, Não há nenhum segredo ou simples venda...
Amor que não conhece solidão, Nem deixa-se levar por ledo engano... É flor desse jardim, caramanchão...
Amor que não se corta com navalha, Não deixa nenhum campo de batalha, Amor que não se emana qual metano... Marcos Loures
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Minhas lágrimas, gritos e tormentas Tolos. Vago espaços mais remotos; Nas irradiações, rotações lentas. Guardados os teus olhos, velhas fotos
Amareladas quedam-se esquecidas... Os anjos, os arcanjos vão passando, Proclamam tanto amor em pobres vidas. Nas tormentas celestes, renovando...
Religiões, enigmas, convulsões Das hiperestesias, dos portões Abertos nos castelos do meu sonho...
Deliciosamente uma ambrosia Regada ao néctar; lúbrica folia... Transmudam meu delírio, enfim risonho... Marcos Loures
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Minha esperança afeita ao teu abraço Não quer desvincular-se nunca mais, Agora que encontrou seu manso cais Recebe o vento calmo a cada passo.
Atados lado a lado não desfaço Os nós que nos uniram, magistrais, Vencendo os precipícios abismais Um novo alvorecer contigo, contigo eu traço.
Qual fora um privilégio inesquecível A força que nos une, indestrutível Impérios constelares segue e trilha.
Sentindo finalmente esta magia: O quanto a vida em paz já se anuncia Em minhas mãos contendo a maravilha. Marcos Loures
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Minha doce namorada Em teu corpo irei morrer, Nesta noite enluarada Vou cantando o bem querer
Que mudando a minha estrada, Trouxe um belo amanhecer, Numa aurora anunciada Pelas sendas do prazer.
Embrenhando em tuas matas, Conhecendo tuas sendas, Nosso amor que sem bravatas
Nos permite a claridade Pouco a pouco tu desvenda A real felicidade!
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Minha deusa dos olhos tão volúveis Envolto nos teus braços perco o tino... Curaste estes meus medos insolúveis Nas tuas mãos entrego meu destino...
Espero sempre em ti, felicidade, Movendo com teus passos, minha sina. Encontro, nos teus olhos, claridade, Embora bela deusa, uma menina...
Não temo nosso amor, mergulho fundo... Nos cânticos que faço; tanta prece... De todos os desejos neste mundo, Viver essa emoção que se oferece.
Aos olhos, aos desejos, sentimento... Na eternidade vária dum momento...
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Minha certeza, vaga e tão serena, Não poderia lírica e fatal, Acreditar n’amor tão abissal, Mas que mal se descuida, me envenena...
Das carteiras, cigarros são tragados, Num sem sentido, nexo faz falta, A dor me inclui vazio, nessa malta, momentos em temores desfraldados,
Teria alguma chance finalmente Sabendo da esperança que me alente E mostre alguma luz, mas nada resta
Senão esta seara tão vazia, A noite sem te ter cedo se esfria, E a solidão no peito faz a festa... Marcos Loures
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Minha certeza sofre com mentiras, Não quero mais colher tal dividendo Quando o sonho de belo, fica horrendo A vida sangra, passa toda em tiras...
Meu corpo ao chão, jogado, quando estiras, Não sei mais se terei, nem bem pretendo... Passarei a sentir meu mundo, lendo No carrossel de lendas onde giras...
Nas legendas da sorte, fiz a rima, amor que em solidão ainda esgrima tentando perceber ancoradouro.
amor perdendo o rumo em nascedouro Reflete em céu escuro o nada tenho, Nas trevas da paixão, vazio embrenho...
Marcos Loures
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Minha casa vazia, nada resta... Poeira se acumula no meu quarto. A vida se mostrando pela fresta Como um raio solar! Eu vivo farto
Das noites que pensei viver em festa, Das lutas incessantes, não me aparto. Pretendo certo dia, já me molesta, Viver a sensação do amor, do parto...
Meu lar abandonado, vida seca... Na vida sem amor, como se peca! Espero teu chamar, ao telefone.
Do que tínhamos, vida em paz, completa, Sobraram as lembranças e a violeta Vermelha que esqueceste aqui Ione... Marcos Loures
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Minha carcaça resta sobre ti; Maravilhosamente desnudada. Adormeces, tão bela e descuidada. Recordando, nest’ hora, o que vivi,
Os prazeres, as dores, que senti, Desespero ao chegar triste alvorada... Quem dera não passasse a madrugada! Teu corpo, livro aberto, que já li...
Belo templo, rosário e monumento. Deus permita ficar mais um momento; Mas a manhã chegando irá varrer...
Por que, meu Deus, responda! Eu te suplico... Por que ter que partir... Aqui eu fico Agonizando a sorte do morrer!
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Minha carcaça passa pelas ruas Em fétido desfile, um arremedo, As carnes latejantes quase nuas Demonstram meu passado frio e ledo.
Os olhos desenhando garatujas, Os dentes que apodrecem cada beijo, As mãos tão calejadas, sempre sujas, Distantes da promessa de um desejo.
As vísceras expostas, galerias, As águas vão lambendo as minhas pernas. Resquícios do que fomos, das orgias, Das mocidades antes quase eternas.
E assim, amada sombra que carrego, Do amor outrora esquivo e nunca cego...
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Minha carcaça exposta na calçada Entregue a tais abutres tão vorazes Lambida pelos cães, aprisionada, Em meio a seus carinhos, mais audazes
Percebo a tua imagem destroçada Refém destes delírios em que trazes Bocarra sorridente, que esfaimada Devora em gargalhadas tão falazes, Não deixando sobrar quase mais nada.
Entregue aos teus desejos, sem defesas, Prazeres que te trazem saciedade. Meu sangue se esvaindo em correntezas,
Tu sabes: teus quereres são tão meus, Querendo te entregar felicidade, Amor em sacrifício, louva-deus...
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Minha carcaça é feita de ilusões, Castelos que criei na fantasia, Tocado por imensos turbilhões Não resta nada mais do que eu queria.
As sombras do que fomos- das paixões, Retratam tão somente uma agonia. Silêncios se transformam – turbilhões. E a noite prosseguindo em sombras, fria.
O brilho desta lua nos vitrais Permite que inda reste uma lembrança Saudade que chegou não larga mais,
Promessa de um incauto amanhecer Nos beirais adentra uma esperança, Apenas aumentando o meu sofrer... Marcos Loures
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Minha cara, desejo amizade, Nada além que este canto de paz. Tantas vezes, pedi claridade, Mas saudade demais, só me traz.
O teu rosto brilhando em meu peito, Me alucina, sem pena de mim. Eu bem sei que te amar sem direito Me trará tanta dor, isso sim.
Se te nego, que faço comigo? Se te trago, não posso dormir. Eu só devo ficar teu amigo, Sem te ter não terei mais porvir.
Minha cara, te quero. Amizade? Devo ou não omitir a verdade?
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Minha cabeça roda sem juízo Bebendo cada boca diferente. Em todas, procurei o paraíso, Que na verdade estava até bem quente
Mais parecendo inferno onde sem siso, Descubro que valeu ser penitente. No toque mais veloz e mais preciso, A boca me mordia, de repente.
Se necessário, amada, beijo os pés, Molambo desarmado e sem vergonha. Vivendo quase sempre de viés
No jogo da esperança e da incerteza Onde quer que essa sorte me componha, Me deixarei levar na correnteza...
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Minha boca te procura E não cansa de buscar Tanto amor, farta ternura Que em teus beijos pude achar.
Se esta noite for escura Eu terei em ti luar Claridade se assegura Só por meu amor chegar
Minha fonte, doce mina, Onde os desejos sacio. Coração não se domina
Mata inverno cria estio Nosso amor é minha sina, Nos teus lábios sonhos, crio...
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Minha amiga, meu canto procura Novamente te ter por aqui, Toda noite que sei sendo escura Se refaz noutro dia que vi.
As auroras nascendo prometem Novo sonho em raios de sol. Os meus erros jamais se repetem Teu olhar que me guia, farol...
Os meus versos te faço querida Esperando teu canto pra mim Não consigo entender outra vida Se não tenho teu sonho por fim.
Nosso amor, esperança divina, Traz a paz que bem cedo domina...
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Minha amiga te falo a verdade, Nestes versos que tento fazer. Todo amor necessita saudade, Não precisa, por isso, sofrer...
Se tu temes a noite sozinha, Nada além poderás exigir. Quando a vida, depressa caminha, Bem mais forte virá te exigir.
Não se esqueça de ter esperança, Nada além do que podes conter. Toda ação que tu fazes se lança No futuro; virá te trazer.
Quem se perde no meio da estrada No final, sobrará quase nada...
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Minha amiga é tão bom saber de ti Em meio a tantas dores nessa vida. Amiga, representas o que vi Pensando em minha sorte, já perdida...
Tu és linda, querida companheira, Da beleza sem par que sempre quis. Amiga a nossa noite é verdadeira Nos sonhos que me fazem mais feliz....
Os meus versos dedico com carinho A quem jamais me nega todo o mel Sabendo que jamais tive outro ninho, Ajuda como um anjo, leva ao céu...
Razão de tanta paz neste meu verso, Estrela mais brilhante do universo!
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Minha amiga, por mais que não pareça, Saiba querida: adoro o teu cantar. Vida traz tantas dores... Mas esqueça; O caminho do rio é sempre o mar.
Assim como, em meus versos, eu te peço O carinho que sei que podes dar, Tantas vezes, pedindo, te aborreço, Mas sei que em ti, eu posso confiar...
Nas escadas diversas, mil degraus, Nas horas mais difíceis, teu abraço. É luz que me ilumina em pleno caos, É força que me impele, sem cansaço...
Teu canto é meu sustento de alegria. Nele, toda esperança em harmonia...
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Minha amada sutis os teus perfumes, Dálias, lírios, crisântemos, e rosas São testemunhas desses meus queixumes, Açucenas, jasmins, as olorosas
Flores. Com loucos hábitos costumes, De roubar do meu amor vaporosas Belezas. Demonstrando assim ciúmes. Todas elas são belas, invejosas...
Minha amada tem frágeis, delicadas, Formas que me permitem sonhar... Quem me dera poder sempre encontrar,
As tuas mãos gentis, maravilhadas, A cada anseio, sonho e madrugada... Procuro te encontrar na minha amada...
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Bem podia os seus divinhos atender os meus gemidos, que de castigo já basta o que eu tenho padecido. Minha amada o teu castigo Já me maltrata demais. De noite sonho contigo, A manhã nada me traz. Vou fingindo que não ligo, Mas sem amor, cadê paz? Vou ficando ao desabrigo. Nada mais me satisfaz.... Por favor; minha menina, O que faço desta vida? Esse amor já me domina Não me deixa respirar. Pois vem logo, amor, querida Pára de me castigar! A trova mote é da região Oeste de Minas
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Minha amada eu desejo boa sorte A quem sempre comigo esteve aqui. O destino desata e bate forte, Mesmo assim agradeço o que vivi...
Não desejo que sofras mais querida, A saudade por certo sempre chega. É preciso que sigas sua vida, Noutros mares, amores, tanta entrega...
Eu só quero que guarde na lembrança Esse amor que num dia já foi nosso. Vivendo sem saber de uma esperança, Querer-lhe bem feliz, o que mais posso...
Tanto tempo vivi amor consigo, De tudo o que restou, sou seu amigo!
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Quem tiver moça bonita, traga-a presa na corrente, que eu também já tive a minha e jacaré levou no dente. Minha amada era bonita, Bonita como uma flor, Um vestidinho de chita, Cheiro gostoso do amor, No cabelo amarrou fita, Fez meu peito sonhador, O meu coração palpita Já batendo sofredor... Na ribeira que tem léu Meu amor caiu de quatro, Jacaré levou pro céu Eu fiquei quase doente, Agora não banco o pato, Amarro numa corrente! A Trova Mote é da região Oeste de Minas Gerais
Marcos Loures
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Minha alvorada nasce em meio a tempestade... Procuro pelo canto, um passarinho triste... No beijo que me deste achei felicidade... Um deus apaixonado eu sei que, enfim, existe...
De amor embriagado, encontrei a verdade... Tristeza companheira, adormece e resiste. Minha alvorada plena esconde-se, saudade... A lua desejada, estranha, tudo assiste...
Teu beijo traz frescura, as águas deste rio... Um coração moreno, aguarda nesta curva. Os trilhos do caminho, escondem todo o cio...
Na calma, na brandura, um gosto do desejo. Minha alvorada desce, a noite não é turva. Deslinda-se em beleza, a mansidão do beijo... Marcos Loures
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Minha alma, embalde, passa, vai perdida! Não permita tristezas nem vinganças... Das voltas que passei sem despedida, As cordas que cortei das esperanças!
Na plantação dos sonhos, minha vida; As flores não brotaram... Minhas lanças Ultrapassam espaços. Já perdida, A noite que busquei deixou lembranças.
Meu velho camarada não descanses... A luta que se trava tem segredos. Batalhas tem matizes, tem nuances,
Não se deixe enganar pelos teus medos... As mãos que plantam tanto se calejam, Por amores insanos já pelejam!
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Minha alma, assim de cócoras se entrega A quem por tantas vezes foi mentira Aquém da poesia à qual se atira Metáfora enganosa quase cega.
O quanto que não sei, alma navega Usando amarrações de pura embira Por mais que outra saída ela prefira Desculpas sem proveito, a tola emprega.
Pesando qual jubarte em minhas costas As crostas não disfarçam velhas cracas Noturnas maravilhas sendo opacas
Perdendo desde sempre estas apostas, Cortando minha pele, o canivete Dos sonhos, na verdade se intromete...
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Minha alma vou matando de tristeza, Não consigo sequer mais distinguir Se a luz que inda ilumina a correnteza Trará em clara foz o meu porvir.
À beira deste abismo que me legas Vertentes tão diversas, riso e pranto. Caminho sem destino, vou às cegas, Um náufrago perdido em desencanto...
Resíduos de alegria são promessas Apenas os vestígios do que fomos. Litígios e guerrilhas. Recomeças Matando esta aquarela, opacos cromos.
Partícipe da festa da ilusão, Herança? Transformada em solidão... Marcos Loures
94
Minha alma vai ebúrnea e vai proscrita. Virginal esperança lamuria... Entre estreitas cimalhas, vai restrita, O cansaço do sonho me exauria
Sonhadora- em abóbadas se atrita... Quem, entre tantas festas, luxuria; Presa, atada, morrendo assim, constrita... Lutando, em desespero já se hauria...
O céu que te atraia, cores plenas, Parece-te impossível, tão distante... Pois como o alumbramento p’ras falenas,
Da luz inebriante, sua amante, Minha alma se escraviza, tantas penas... Aprisionada, morre a cada instante...
Marcos Loures
95
Minha alma transparente não esconde Sequer um sentimento mais atroz. Sabendo desde sempre quando e aonde O amor se debruçou por sobre nós.
Quem sabe navegar não compra bonde, Nem quer que o tempo passe mais veloz. Não quero ser teu duque nem visconde, Tampouco teu escravo ou teu algoz.
Teus olhos refletindo o azul do mar, Um mero passageiro da esperança Rondando por estrelas vem buscar
À noite seus castelos sob luar Refém destes desejos; nada vejo, Senão o teu olhar, raro azulejo... Marcos Loures
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Minha alma tecelã perdeu o ponto As sedas que busquei se desbotaram, Rebocadores todos demoraram A vida jamais deu algum desconto.
E quando me julgava estar já pronto Castelos sobre a areia desabaram, Se os meus dias desnudos; desamparam, Aos meus velhos amores; eu remonto.
E colho mesmo as flores abortadas, As águas entre as pedras derramadas Não servem pra regar quem tanto quis
Dançar conforme a música da vida, Já velho não conheço mais saída O mel da poesia se desdiz...
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Minha alma te procura em tantos lagos, Vivendo a sensação de ser só tua. Por vezes esquecida vai embalde, E sem amor sequer se rasga nua...
Querida tanto quis quanto fizeste Tufão que me derruba e me transtorna. Tu és a soberana que domina, De tanto amor que tenho, a alma se entorna.
Mas sinto que depois de certo tempo, Virás para os meus rios, cachoeiras. E seguirás comigo para um mar. Trazendo novas luas verdadeiras.
Cercado por carinho, então serei O rei que tu quiseste amar, sereia. E tanto amor enfim nos levará. Deste pequeno lago; imensa areia.
E vamos nos salgar, tanto prazer, Trazer para a lagoa, o grande mar. Na imensidão insana e deliciosa Que traz essa alegria de te amar!
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Minha alma te procura e já se espraia Deitada no teu braço, amor imenso, A lua delicada, enfim desmaia Neste horizonte belo, e tão extenso, Deitando seu carinho sobre a praia, O mar ruge voraz, tão forte, intenso...
A solidão que fora tão amarga, Morrendo de ciúmes, neste inverno, Ao ver esta emoção, bendita carga, Procura outro caminho vão, eterno, Meu mundo desfilando assim à larga, Distante da tristeza, rudo inferno...
Quem teve uma esperança a vida inteira, Agora encontra a paz mais verdadeira... Marcos Loures
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Minha noite começa sem teus braços... Distante desta luz, ficando cego, Aguardo pelos mares que disfarço Nas dores que, sincero, assim carrego...
Minha noite traz promessas de desejos Na boca que jamais esquecerei. Querida como quero estes teus beijos, Amor que tanto quero e que terei...
Minha noite vazia sem amor, Não nego que te quero totalmente, Vencido pelas dores, sem calor, Mergulho nos teus braços, fogo ardente...
Tu foste e não voltaste, minha amada, A vida continua, não foi nada...
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Minha mão passeando por você, Buscando por seus seios divinais. Querendo, tão somente me perder, Em meio a suas selvas, matagais...
Meus lábios, vão buscando, por querer, Entradas e bandeiras, quero mais... Vertendo meus desejos, vou saber, Onde encontrar você; mananciais...
Vou descer, mansamente, cachoeira; Que em meio a suas pernas, incendeia. Saber lhe conhecer, viver, inteira.
Intensas as fogueiras que incendeia; Meu vício se fazendo em verdadeira Morfina - nosso amor - em minha veia. Marcos Loures
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