
MEUS SONETOS VOLUME 084
Data 16/12/2010 07:58:12 | Tópico: Sonetos
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1
Meu canto em ventania varre tudo, Salgando esta salada do viver. Às vezes em silêncio sigo mudo, Pensando em tanta coisa por fazer. Cavalo vai faminto e não me iludo Meu verso se perdendo sem querer.
Faca dilacerante da saudade, Na ponta tão aguda, bico e corte. Se traço nos meus olhos liberdade, A mão que me segura é sempre forte, Não fosse estes meus laços de amizade, Amor me levaria logo à morte.
Fazer da companheira amiga/irmã; Um salvador momento em duro afã.
2
Meu canto em teus encantos, satisfeito, Transborda em alegria, calmamente, Felicidade muda em seu conceito Do amor vira sinônimo e pressente
Que o mundo em nova face, dê direito A quem necessitar ser mais contente Invade em luz imensa o nosso peito, Ao ampliar tal brilho, rara lente.
Deixando o sofrimento já perdido, Distante, sempre ausente, e sem sentido Percebo nos teus olhos, minha amiga
O rastro das estrelas e da lua. Minha alma em transparência já flutua, E o coração em paz, em ti se abriga. Marcos Loures
3
Meu canto em liberdade, sem valor, Não deve incomodar mais a ninguém, Não sou mais do que simples trovador Que gosta de cantar, de querer bem. Não faço de meu verso um sedutor, Pois sei má qualidade que ele tem.
Apenas vou tentando ser feliz Da forma que mais quero e mais desejo, Brincando da maneira que se quis Um velho sonhador que não tem pejo De em público mostrar a cicatriz E mesmo assim sorrir. Por isso vejo
Com pena se meu canto te incomoda, Desculpe se ele está fora de moda...
4
Meu canto é socialista, sim senhor. Não quero mais injustas possessões. Orgulho de poder viver amor Sem temer mais quaisquer desilusões.
Somos iguais, dizia o Bom Senhor, Tocando fundo em nossos corações... Mas tantos imbecis sem ter pudor Preferem os pecados aos perdões.
Sou feliz; tenho tudo que sonhei, Tenho nos olhos amor e liberdade, Meu sonho promissor já me faz rei
Quero compartilhar felicidade, Eu assumo, entretanto, o quanto errei... Nos olhos dos meus filhos, claridade!
Marcos Loures
5
Meu canto decantando tanto galho Nos setembrinos cantos das cigarras O campo de asteróides agasalho Nos mares desconheço tais vis garras...
Meu mote feito em métrica que espalho Tempera de venenos e alcaparras Meu ato que julguei se fora falho Não justifica medos nem amarras
Receba do cometa esta verdade Mereces, por sinal, internação. Quem traz um falso amor sem liberdade
Expõe a face negra da megera. Não pede e nem merece mais perdão. Aborto, fantasia-se de fera... Marcos Loures
6
Meu canto de esperança esparso ao vento, Trazendo este bom cheiro de café. Na força que me invade o sentimento, Igrejas tão distantes... Amor... Fé.... A voz de uma criança, num momento; Correndo pela casa, corta o pé. As mãos da avó contendo o sangramento... Saudade vem chegando... Longe até De todos os desejos mais distantes No rosto da primeira namorada. Os sonhos do menino, delirantes... O amor chegara cedo. Turbilhão Montando a cada dia, uma cilada, Na força inusitada da paixão!
7
Meu canto de amizade amortecendo As dores que carrego no meu peito, Um novo amanhecer; irei tecendo Cantando mais feliz e deste jeito
Um vento que apascenta percebendo Na luta que não cansa, satisfeito, Os rios da esperança percorrendo Nas fozes deste sonho, meu direito.
Renovo a cada dia meu louvor Ao fato de poder ter nos meus passos Ajuda que se mostra em esplendor
De quem durante a vida tanto apóia Ao estreitar da sorte velhos laços Demonstra a perfeição de rara jóia... Marcos Loures
8
Meu canto de agonia que se esparsa Espessas nebulosas vão tragando, Formando em tanto sonho, a velha farsa Que aos poucos eu percebo me levando
Ao fim deste meu sonho mais bendito De ter uma esperança em ser feliz. Meu grito corre embalde ao infinito E morro sem ter tudo o que mais quis.
Quem maldizia a sorte que encontrara Dos dias benfazejos sequer sombra, A noite que se dera em cor tão rara, Em toda negritude já me assombra.
Meu canto tão sereno em emoção Já morre da fatal desilusão...
9
Meu coração é como um velho trem Que tem nas estações seu alimento, E quando um passageiro novo vem Encontra para as dores, grande alento.
Eu sei que me conheces muito bem, Por isso modifique o pensamento, Se tantas alegrias ele tem Tua presença nele sabe assento.
Não quero que tu desças do comboio Que acorda o coração de um sonhador. No mar do amor que invade um manso arroio
E torna a placidez tempestuosa, O meu jardim precisa desta cor Bebida dos teus versos, rubra rosa...
10
Meu coração dispara pensativo, Lembrando deste amor que me deixou, Na rosa que vivia não mais vivo, Saudades deste tempo; mas já vou...
Não posso me prender aos falsos sonhos, Nem posso destruir o que não veio. Ressurjo nos caminhos mais risonhos, Em busca de teus mares, sem receio...
A vida assim passando, se completa Nos tantos que vivemos sem temer. Se penso que talvez seja poeta, Eu quero, no teu mundo renascer...
Espero por momentos de alegria, Trazendo ao nosso amor, a poesia...
11
Meu coração descansa no teu seio As tuas mãos rolando meus cabelos... Aos poucos aumentando o meu anseio De me envolver contigo... Nos novelos De pernas misturadas. Como é bom Sentir o teu perfume me envolvendo Desperta o meu desejo, o mesmo tom De promessa que vai amor tecendo... Selva, areias, desertos e montanhas Por todos os lugares te buscar... As mãos em meus cabelos, quando assanhas Vontade de te ter e me entregar... Teu rosto junto ao meu num só respiro, Suando, todo amor, por ti, transpiro!
12
Meu coração deixado na boléia De um velho caminhão, não tem conserto, Numa hora complicada em pleno aperto, Não quero mais virar simples geléia.
Dizia GALILEU DA GALILÉIA Que quem vacila morre no deserto, Ficando em sobreaviso, mais esperto Desavisado casa com mocréia.
Moréia morde o rabo de quem pesca Melhor que tubarão, isso eu garanto. A sorte é vagabunda e tão grotesca
Enquanto a pátria for policialesca Eu olho assim de banda, e nem me espanto, Só quero é neste Amor, tomar a fresca... Marcos Loures
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Meu coração chagásico, disforme, Aflorando-se em pétalas anidras... Em meio a tempestades sempre dorme, Aguardando as terríveis, venais hidras...
Num suicídio brando, dor enorme, Como comemorasse, festas, sidras... Bradicárdico, pulsando filiforme, Embalde procurando doces, cidras...
Doces amores, plagas impossíveis. Díspares seus sonhares, realidade... As dores não recuam, impassíveis.
Jardins já não dispõem variedade. As flores se tornaram virulentas, Sístoles e diástoles... Tão lentas...
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Meu coração cansado caminheiro, Buscando desde infante pela glória. A vida sanguinária seu tinteiro, Esgarça toda dor, cruel memória...
Se mais vale a pobre alma ao mundo inteiro O que me restará? Não sei...Vitória É sentimento altivo e verdadeiro, Porém é tão distante...Sou escória...
Ao ver toda a minha alma visionária Buscando por amores que não tive... A vida se abortando embrionária,
Não deixa sequer sombras onde estive, A noite se aproxima, solitária, Dos restos do que fui, minha alma vive! Marcos Loures
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Meu coração buscando uma resposta Em vagos turbilhões quase se afoga. A mesa dos amores já foi posta Meu peito enamorado, tanto roga.
Eu quero uma ilusão para viver, Não cabe mais o medo da derrota. Amor é seduzir, e poder ter, Da vida, uma alegria além da cota...
Eu, vendo teu sorriso mais tranqüilo, Não deixo de sonhar felicidade. Amando teu perfume e teu estilo, Não deixo-me levar pela saudade.
Meu coração buscando manso cais, Percebe como é bom te amar demais
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Meu coração batendo sem descanso Na espera do teu beijo e teu carinho. Vivendo no meu sonho sempre alcanço Desejo de não ser jamais sozinho. Da triste solidão não sobrou ranço Nem menos o seu cheiro no meu ninho, Meu coração contigo bate manso, Nas cordas tão sonoras do meu pinho... Alívio de quem ama, uma esperança Formou a fortaleza do meu peito. Numa alegria enorme, tanta dança, Vibrando de contente, sempre quis Viver na minha vida satisfeito Vivendo nosso amor, sou mais feliz...
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Meu coração batendo qual maluco Sem ritmo, descompassa num segundo. Moleque vagabundo, mameluco, Vagando de repente, quer o mundo.
A fonte do prazer quando eu cutuco Mergulho, vou sincero e assim me inundo Morena vem me dar todo o teu suco, Tantas pernas! Misturas que confundo
Sou velho desdentado e não regulo Meus olhos com a fome de te ter. Não tenho mais nem bote e perco o pulo
Mas tenho uma vontade de viver! Se deixares, amor, eu já te engulo E mato a tua fome de prazer...
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Meu coração batendo em disparada Tropel das emoções, taquicardia. Jamais eu baterei em retirada Vivendo até fartar, a fantasia
Que a cada amanhecer já se recria Mantendo a cercania iluminada. Contendo com firmeza a hemorragia, Na força da esperança, tamponada.
Coronárias, aurículas, decerto Irrigadas por tanto sentimento, Não deixam que se pense num infarto.
Amor ao transformar ledo deserto Inunda com amor cada momento Gerando em alegria, manso parto... Marcos Loures
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Meu companheiro; peço-te piedade Não me obrigue a falar, mas dou razão De tudo o que aprendi nem a metade Vai ter a serventia ou precisão. Mentira misturada com verdade, Causando no meu peito comoção.
A gente desconhece quem abriga, Na casa, na choupana ou na tapera, Ardendo no meu corpo feito urtiga, Mordendo e maltratando feito fera. Pra essa mulher maldita eu trago a figa, Que a peste na desgraça degenera.
Bem que tu me avisaste meu amigo, Eu mereço, bem sei, este castigo...
20
Meu cigarro esparrama-se em fumaça, Como o sonho que tive e não tem jeito... Dançávamos felizes, plena praça. Floríamos jardins, amor perfeito...
O tempo traiçoeiro, sempre passa, Sozinho vou dormir, imenso leito. Nos bares me embriago, rum, cachaça, Nas curvas da saudade é que te espreito...
Cigarro companheiro; não te largo, Embora no final, tu trairás... O gosto: doce beijo hoje é amargo.
Calado me esfumaço pela vida... Nas horas mais difíceis peço paz. Espero, sem sinal, a despedida! Marcos Loures
21
Meu cheiro está guardado dentro em ti, Teu corpo está grudado aqui comigo, Se dentro de teus olhos me perdi, Viver sem teu amor, já não consigo. Teus seios em meus lábios, tudo aqui... Me diga então, amor como prossigo?
Se somos passageiros deste trem Que liga nossos sonhos e desejos, A vida nos teus braços sempre vem Coberta por carinhos, nossos beijos. Sem ti não sou mais nada nem ninguém, Meu céu já vai morrendo sem lampejos...
Por isso, é que me vejo, tantas vezes, Atado no teu corpo, siameses... Marcos Loures
22
Meu cavalo vai solto com o vento Ultrapassando vales e montanhas, Na liberdade plena, o pensamento Vencendo nos caminhos, artimanhas.
Tu sabes quanto em mim, saudade arranhas, E toca sem segredo, os sentimentos. Os dias se arrastando morrem lentos, Atrás de cada passo, tuas sanhas.
Deslizo pelos ares, meu corcel, Em nuvens negras, tristes, desenganos, Qual fossem os rebanhos lá do céu,
Invento mil desculpas, traço planos, Amor fazendo o peito de quartel Mitigando estes males desumanos...
23
Meu canto vai chegando para o sul Buscando uma menina tão bonita. Correndo todo o mar e o céu azul Às vezes neste sonho já acredita
Mas teme uma resposta assim contrária E venha a ser tristonho e sofredor. Bem sabe como a vida é temerária Pra quem vive sonhando com amor.
Talvez um dia a sorte benfazeja Trazendo uma alegria para mim Mostrando quanto a vida só deseja O gosto desta boca carmesim
Da prenda mais bonita que conheço. É sonho. Simples sonho... Eu não mereço!
24
Meu canto te propõe um novo sonho Que é feito goiabada pão e mel, O gesto mais divino te proponho Abrindo com certeza um vão no céu. Amigos quando encontro pela vida São raros e merecem meu cuidado, Por isso não aceito despedida, Nem quero este caminho sepultado... Meu canto te propõe a nova luta Que temos pela frente, companheira, Lutando contra a força sempre bruta Daqueles que se destroem terra inteira, Lutemos pelos nossos semelhantes, Irmãos e camaradas sempre e antes...
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Meu canto te buscando já te alcança, Enaltecendo sempre a liberdade Aonde o meu olhara em esperança Percebe num momento a claridade,
Nos braços de quem quero, amor me lança Mostrando assim cabal felicidade, A noite vai surgindo sempre mansa A calma em plenitude agora invade
Além do que meu sonho já me mande, Encontro um mar intenso, belo e grande. Tomando o coração, me faz contente.
Florindo em nosso peito, amor sincero Expressa em fantasia o que eu mais quero: Jardim de uma alegria, florescente. Marcos Loures
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Meu barco singra o mar em novas velas Do quanto que eu vivi, pragas, carunchos Cavalo sem arreio e sem ter selas, Na calma procurada em ervas, funchos
Os trunfos que inda tenho sob a manga Permitem novo jogo em franca luta. Não quero mais olhar esta baranga Que finge ser esperta audaz e astuta.
Prefiro o cheiro doce da morena Que atrás da velha curva vem surgindo. Mostrando uma esperança que me acena De um dia mais gostoso, calmo e lindo.
Ateia fogaréu e não se nega, O vinho mais gostoso desta adega...
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Meu barco que se encontra sem destino, Naufrágios e tormentas esperados, Debaixo deste sol que queima, a pino, Os olhos se derramam, tão salgados...
Voltar a ser de novo qual menino? Deitar-te meus desejos malfadados? Às vezes já pressinto que alucino A sorte enfim rolou, faz tempo, os dados...
A boca delicada, a carne dura, A pele perfumada, sonhos... sonhos.. Por quanto tempo a mais amor perdura?
Eternidade é meta mais distante... Mas sinto que estes mares tão risonhos Serão talvez, perpétuos num instante... Marcos Loures
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Meu barco nos teus mares; quero e ponho Naufrágio mavioso eu adivinho, Em meio ao turbilhão feito em carinho, Adentra em gozo e paz um mar medonho.
O quanto com delírios; vejo em sonho Permite que se beba o farto vinho, Licores nesta cena que componho, Adega em fantasia onde me aninho.
A cérvice em desejo, arrepiada, Sussurros entre jogos e carícias, Palavras se vestindo com malícias
A noite segue assim, em cavalgada, Derramas em goteiras, sem pecados, Os mantras mais sublimes, entoados... Marcos Loures
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Meu barco nos teus mares navegando Enfrenta os temporais com gargalhadas, As mãos que foram sempre bem atadas Agora em liberdade acarinhando.
Às vezes pelos cantos hibernando Esqueço que possuo tais escadas E perco o rumo em meio a barricadas Enquanto a solidão vem nos tocando.
Marchando para os braços de quem amo, Do quanto que perdi já não reclamo, Pois sinto o teu amor em minha veia.
Assim se a noite chega amarga e fria, O coração depressa já se estia Ao ver a claridade em lua cheia Marcos Loures
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Meu barco no teu mar, desejo e ponho Encontro a praia feita de emoções Certeza de um momento mais risonho, Tocando bem mais fundo os corações.
Acesas esperanças que nos guiam Transportam pensamentos, vou além, Invernos tenebrosos ora estiam Entregues ao calor do nosso bem.
Servindo a quem cativa, ama e parceira, Não deixo um só segundo de buscar, Estrela que se mostra a derradeira Deitando fluorescências no meu mar.
Mulher que um dia eu quis, e não sabia, E agora está comigo em harmonia... Marcos Loures
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Meu barco necessita timoneira Que leve para um cais bem mais suave, A sorte de quem ama, alvissareira Supera bem mais calma um duro entrave
Durante a noite fria, a companheira Sem nada que perturbe ou mesmo agrave A mão desta divina mensageira Que em fartas alegrias já me lave.
Amor além de simples, mansa prece, Ao peito sonhador que se oferece Estende uma bandeira, clama à paz.
Embora em devaneios, a razão Perdida nas entranhas da paixão O amor, em luz suprema satisfaz... Marcos Loures
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Meu barco navegando Distante da tristeza Aos poucos vai chegando Aporta em Fortaleza
E logo deslumbrando Raríssima beleza, O sol que vai dourando Revela esta princesa.
Mulher que a poesia Procura como tema, Parece fantasia,
Encontrar Iracema Nas praias, na alva areia, Uma bela sereia... 33
Meu barco na saudade navegando, Encontra as alegrias soberanas De um tempo que se foi, e desde quando Partiu, cravou as garras desumanas, Aos poucos em espinhos destroçando Deixando estas lembranças mais insanas.
Pois quem viveu, outrora, alegremente, Agora em solidão, por companhia Encontra uma saudade tão somente, Na forma de ilusão, de fantasia, Andando pela noite qual demente, Bebendo a tempestade, busca o dia.
E nada encontra além desta saudade. Cativo que não busca a liberdade...
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Meu barco já não tem rosa dos ventos Perdendo a direção, busca o naufrágio. Envolto em tais cruéis pressentimentos O coração se torna então mais frágil.
O dia silencioso em pleno caos Levando o meu sorriso de vencida, Quem dera se pudesse em novas naus Saber aonde existe uma saída.
Perdido entre tempestas, vendavais, Não tenho mais suporte, eu me perdi. Encontro ao fim da noite um belo cais, Mostrando a solução. E estava aqui
Nos sonhos e delírios, fantasia, A eterna companheira: poesia...
ML
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meu ariano amigo esteja certo que a vida sorrirá em teu caminho, por mais que te pareça estar deserto encanto se fará pleno carinho.
de todos os reinados, tantos reis, tu és o maior deles, não se engane. enquanto a fantasia dita as leis de todo o teu talento já se ufane.
permita neste teu aniversário cantar em versos simples, mas sinceros, dizendo do teu braço solidário apascentando medos sempre feros.
eu quero que tu saibas, companheiro Gonçalves, um poeta verdadeiro!
PARA O MEU QUERIDO AMIGO GONÇALVES REIS
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Lá atrás daquela serra, tem um banquinho de areia, onde assentam as muié feia pra falar da vida alheia. Meu amor, isso é mentira Dessa gente fofoqueira, Eu não danço mais catira E nem pulo mais fogueira. Senão a cabeça pira Não agüento mais besteira, A terra é bola que gira Toda a vida, a vida inteira. Eu não saí com Maria Nem tampouco com Joana, Vem prá que a noite esfria, Vai pegar um resfriado, O meu peito não te engana, Ele vive apaixonado! A trova mote é da região Norte de Minas
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Meu amor traz no seu peito bem marcado, Por garras penetrantes; bem profundo, Meu canto sem tristezas, compassado. Já cabe dentro dele, todo o mundo! Amor meu, por seus beijos sou; me inundo... Meus abraços nos braços seus... Atado Vou; conheço o mergulho e me aprofundo Nesse louco prazer, desesperado! Quero bem mais que tudo conhecer Os limites sem rumo da paixão. Beijando a sua boca conceber Tanto quanto é capaz meu coração. Quero aprender a ler nesse abc, Cartilha que me ensina o que é paixão!
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Meu amor traz no peito bem marcado, Com garras penetrando, bem profundo Meu canto, de tristezas, compassado Um grito, me trazendo o fim do mundo.
Amor meu, de teus beijos sou, me inundo Meus abraços nos braços teus, atado Vou, conheço o mergulho em que me afundo, Nesse louco prazer, desesperado.
Quero, bem mais que tudo conhecer, Os limites sem rumo da paixão, Beijando, em tua boca conceber,
Tudo quanto pudera, o coração, Quero aprender a ler nesse abc, Vou perder-me nas trilhas, teu sertão...
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Meu amor traduzido maciez, Na mansidão serena de teu beijo, Traz formas delicadas; é, talvez, A mais sublime fonte do desejo...
Meu amor mais sincero, desta vez A noite transformada onde te vejo, Caminhando, seduz tanta altivez... Amor, meu derradeiro amor, lampejo
De divinal delírio, simplesmente. Crivado de estelares porcelanas, Busco em ti, conhecer toda vertente,
De tantas quanto belas, pois insanas, Maneiras de matar-me de repente, Sorvendo todo néctar que me emanas..
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Meu amor tem tal beleza Que se encontra nesta flor Trazendo tanta pureza Na natureza do amor.
Que se perfuma no sonho De viver manso carinho; Nosso amor que te proponho Não reconhece um espinho
E vive completamente Sem temer a solidão Felicidade é urgente, Vivo pleno de emoção
Tanto amor tenho por ti, Minha rosa; eu colibri...
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Meu amor se escondendo faz doer E nisso quando endosso erros tantos. Por mais que nada faça esmorecer Já não suportarei loucos quebrantos.
Enquanto a solidão a remoer Eu vingo-me dos falsos, tolos santos, Compondo tão somente por prazer Sonetos são vinganças, desencantos.
Paráfrases, paródias, jogatinas, Se às vezes me plagio vou plangente Na flácida palavra acido o mote.
Não ouso telefones, perco binas Marinas negam Minas, praia e sol, Da Brahma que pedi, embroma Skol...
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Meu amor que talvez nunca voltasse Se não fosse o amor assim atento Vivendo tanta vida sem disfarce Amor nunca me sai do pensamento.
Quero viver amor sem medo e tédio Na eternidade simples do segundo. Amor que tanto amor é livre assédio, Invade conturbando esse meu mundo
Feito de sombras mortas e tão quietas. Mas, amor, com as garras afiadas, Traz as revoluções, as mais completas, E rompe essas barreiras mal armadas
Deixadas pelas dores da incerteza, E leva o coração na correnteza...
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Suspirando eu deitei, suspirando amanheci. Meus suspiros foram em vão, suspirei tanto por ti. Meu amor quando suspiro Tô pensando no teu bem, Coração no conta-giro Que velocidade tem! Se teu amor eu respiro, Não penso mais em ninguém, A coisa que eu mais prefiro É quando, de noite vem, Com sede me querer, Com vontade de ficar, Meu amor, meu bem querer, Eu não canso de cantar Venha cá, me dá prazer, Eu preciso suspirar... A trova Mote é da região Norte de Minas
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Meu amor por ti rola ribanceiras, Sobe por montes, desce pela praia. Vazando pelos rios, corredeiras, Levanta levemente tua saia Desfruta das loucuras verdadeiras, Por cima do tomara sempre caia As mãos são mais audazes, traiçoeiras...
Do mel que nos lambuza, gosto doce, Nas pernas que tremulam, prazerosas. Fluir nossa vontade, como fosse Entrar neste jardim, roubar as rosas Fazendo com que a vida se remoce Nas horas de prazer, voluptuosas...
No fogo que nos queima, minha amada, A chama do desejo, alimentada... Marcos Loures
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Meu amor por teu corpo, enfim passeio Um sonho acalentado de um garoto Que olha na fechadura e busca um seio Depois vem com sorriso mais maroto.
Os anos me trouxeram o receio Sorriso se perdeu, quebrado e roto, Em versos e desejo inda permeio Meu mundo inusitado e tão remoto
Com dias atuais. Mais delicados. Queria retornar à fantasia De dias que se foram. Já passados...
Menina que cresceu tão sedutora, Dizendo tudo aquilo que eu queria... Vem logo que eu te quero, assim, agora... Marcos Loures
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Meu amor opalesce tão patético... Nesses cantos suaves das manhãs... Amor hereditário, sim, genético! Não desiste jamais das noites vãs...
Amor mais mentiroso, és hipotético Persiste girassol, em meus afãs... Oxalá sempre seja assim... Poético... Amor que me devora os amanhãs...
Meu amor padecendo das saudades, Mas sorri, tristemente, sem vergonhas. Embalde adormecendo tuas fronhas,
Deslinda-se num poço de vaidades... Amor que multiplica qualidades, Esparso, se perdendo nas montanhas!!! Marcos Loures
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Meu Amor nunca esqueça de voltar A noite que te leva não demore Espero-te no próximo luar Que o olhar dessa saudade não decore.
As rosas que colhi querem dizer Do amor que nunca mais terei igual. Das rosas uma flor a receber Do amor um breve toque sensual...
Nos bares solitários sem a lua, Casais em volta tramam seu encanto. A mesa onde sentei, estando nua Aguarda simplesmente... e nada... pranto.
E canto esta cantiga no fervor, De quem aguarda a volta dum amor!
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Meu amor nos caminhos que tu fores, Não esqueças jamais de nossas luas. Das catedrais que fomos, velhas cores; Das madrugadas bêbadas, nas ruas...
A vida se derrama em raras cores Estrelas abrilhantama belas, nuas Espreito em meu jardim as raras flores Por onde a diva em glória já flutuas...
Divinos os licores que me dás, E bebo extasiado cada gota. Prazer que tão intenso na se esgota
À noite em fogo intenso sempre traz Aquela que se fez em perfeição De todos os meus medos, redenção!
49
Meu amor ninguém me toma, Quero ver alguém tomar, Um mais um a gente soma, Depois quer multiplicar. Ninguém no mundo me embroma, Dou rasteira no luar, Meus olhos? Não há quem coma, Quero te ver me enganar! Sou ranzinza. Sim senhor! Eu dou nó na carrapeta. Pois em matéria de amor. De tudo eu sou bem capaz, Eu dou coça no capeta, Chicoteio Satanás!
8350
Meu cântico melhor qual serenata... Nas câmaras da vida és a central, Nas gulas mais festivas, carnaval; Nas sendas mais frutíferas; a nata...
Meus olhos lacrimejam, és renata... Martírios que tropeço, bem e mal; Nas curvas do silêncio o meu aval Para que eu me estraçalhe - casamata.
És o fim e o princípio, overdose, Profunda cicatriz, marca, queilose Criada a ferro e fogo em sangue frio...
Nas minhas merencórias guerras, púnicas, Sou Cartago, vencida, velhas túnicas... Não restou nem escombro, estou vazio...
Marcos Loures
51
Meu caminho, procuro novos seres, Minha alma caminheira vai mais crua, Não posso perceber novos viveres. Respiro teu olhar és linda e nua.
Deusa a me seduzir, a nova Ceres... Um barco pelos céus voa, flutua... Espero teus delírios, meus halteres, Minha busca incessante, continua...
Não quero decifrar teu novo canto, Nem quero penetrar toda, tua alma... Não posso mais negar o meu espanto...
As ondas que passamos, velhas, tétricas... Incrível que pareça, vem, acalma, Versos a procurar ondas elétricas... Marcos Loures
8352
Meu caminho seguindo pela vida, Transcorrendo gentil e tão risonho; E mal contendo, luzes em meu sonho... Recebendo o calor na despedida.
Em todos teus respiros, ó querida; Muitas vezes deparo, tão medonho Quanto cruel, deixando-me tristonho... Por tantas vezes, foste já vencida...
Morrer por ti, me sinto até capaz; Quanta delícia, amiga, o vento traz... Nas tuas mãos, tão alvas quanto belas,
Quisera Deus, poder tê-las singelas, Na ternura do cais, saveiros, velas... Companheira possível, és a PAZ...
8353
Meu bem querer chegando devagar Em juras e perjuras sempre mais, Entorna poesia a caminhar Sem medo de mentir, assim, jamais.
Tornando nossa vida imenso lar De beijos e desejos mais normais, Enquanto meu querer que navegar Por noites e carinhos imorais.
Meu bem querer bebendo cada gota Se esgota e me amarrota mas disfarça. Tomando o meu prazer, sua compota,
Recolho cada lágrima em meus lábios, Depois corro depressa para a praça Buscando maus conselhos, todos sábios...
8254
Meu beijo é quase assim um bandeirante Que busca este tesouro que escondias. Em matas tropicais, em noites frias, Invade cada senda a todo instante.
Procura pela mina deslumbrante, Em noites dedicadas e vadias, Beijo expedicionário quer as vias, Chegando ao matagal tão fascinante.
Depois encontra a mina, teus rubis, E sabe desfrutar de cada fruta Que trazes nos pomares divinais...
Ao ver o teu sorriso assim, feliz, Inundação tomando toda a gruta, E o risco de querer de novo e mais...
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Meu barco vai seguindo com fluência, Deixando as corredeiras para trás Ao ter em braços mansos confluência Uma esperança altiva amor me traz.
Não sendo mais capacho da tristeza À mesa se convida num banquete A festa que se faz viva surpresa Impede que o amor vire joguete
Nas mãos de uma venal desesperança A barca dos meus sonhos segue em frente. Legando o que eu vivera à vil lembrança Agora amor se mostra douto lente.
Parturiente lume em que me entranho Expressa nosso jogo, agora ganho...
8356
Meu barco tristemente vai lutando Contra as procelas, ondas e tempestas... O vento mais feroz vem destroçando Não deixando sequer saída e frestas...
Assim como esse vento, tão nefando, A vida que passei negando festas, Meu rumo e meus sonhares naufragando Em meio à tempestades mais funestas...
Inquieto te pergunto onde escondeste A bússola astrolábio, enfim meu rumo... De sudeste a nordeste, norte e leste,
Mortalhas que teceste pedem uso... O medo me guiando, me dá prumo. Meu barco se perdendo, tão confuso... Marcos Loures
8357
Meu barco tantas vezes foi à larga, Distante dos teus olhos, minha amiga. A vida se mostrou, pra mim, amarga, Sombria tempestade desabriga.
O peso da saudade, dura carga, Dobrando minhas costas, frágil viga. O coração calado já se embarga, E a sorte tão distante, assim periga.
Tua presença é sempre necessária, A noite em solidão, uma adversária. Tua ausência sonega a liberdade,
A sorte se mostrando procelária, Porém ao procurar felicidade, Busquei-te novamente, claridade... Marcos Loures
58
Meu verso é tão somente um triste alerta, O mundo necessita da amizade, Uma alma solitária já desperta O vago de uma individualidade,
Porém se ela se encontra mais aberta Recebe sem limites claridade Os erros do caminho ela conserta Traçando aos poucos paz e liberdade.
E alçando outro caminho brilhará, E a todos com certeza, guiará Segredos que conheço e concebi
Nos olhos deste Deus que é pleno amigo Que há tempos eu procuro e até persigo Falando em amizade chego a Ti Marcos Loures
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Meus versos, sei que néscios, sem sentido. Eu sou o costumeiro e velho quase, Perambulando pálido, sem base, Esquálido cadáver revivido
Das sombras que eu herdei, vaso partido, Melancolicamente volto à fase Sem fogo de esperança que me abrase, Senil que em voz precoce é desvalido..
Inválida semente que não grana, Jamais frutifiquei em solo bom. Apenas necrológico soneto
Aonde a morte reina soberana E dita insofismável, rege o tom Caótico destino. Eu me arremeto...
60
Meus versos vão em busca dos teus braços... Atalhos procurei para dizer. Espero francamente nossos laços, Meus braços nos teus braços, meu prazer...
De tanto te esperar, meus olhos lassos, Perderam a vontade de te ver... Meus versos descansando meus cansaços, Nas horas mais difíceis tento crer...
Vieste com palavras mais diretas. Não posso resistir à negativa... Desculpe se não sigo tuas metas.
Perdoe se não posso decifrar Enigmas que te tornam mais altiva, Meus versos só te falam do luar... Marcos Loures
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Meus versos vão buscando novas rimas, Que façam deste amor, puro tesouro, Poetas, bardos, vates, ricas primas Que valem na verdade quase um ouro, Mudando a poesia em vários climas, A traduzir boiada em louco estouro.
Assim, ao reclamar simplicidade, O verso se embrenhando no sertão, Aguarda paciente a caridade De quem escute o canto de um cancão Tristonho ao reclamar rusticidade Já sabe a dor do amor, se vem em vão...
Poeta nas palavras teus cristais. Amor é puro e simples, nada mais...
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Meus versos te emolduram num cenário Estrela que se fez constelação. Rajada luminosa na amplidão Além do que julgara imaginário.
Dois rios que se encontram no estuário E fazem desta foz em borbotão Delírio inigualável da paixão Num templo de matiz sublime e vário.
A bela namorada que sonhei Vestida de sublime fantasia. Durante a vida inteira eu te busquei
E agora que te tenho, enamorado Fazendo deste encanto, poesia Ecoa no infinito em alto brado... Marcos Loures
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Meus versos te celebram; amizade. Postergas docemente um sofrimento, Impedes, com teus braços, frialdade; Acalentas, decerto, meu tormento...
Nas águas turbulentas, és a ponte Que deixa-nos chegar numa outra margem... Por vezes, de alegrias, traz a fonte, Que faz com que sigamos a viagem...
É barco que nos leva pelos rios; Transpassa corredeiras e perigos, Não teme nem sequer os desafios, Que bom poder dizer: temos amigos...
Sementes que jogadas reproduzem, São braços que nos levam, nos conduzem...
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Meus versos tão felizes quando exaltam Os dias que se raiam na manhã. Os olhos de alegria, pulam, saltam Transbordam de esperança tão louçã;
Ergamos, meu amor, a nossa taça Num brinde que faremos à ventura. Nossa felicidade tanto embaça Quanto inveja uma triste criatura.
Não sei se ser feliz é algo assim, Nem sei se posso ser feliz um dia. Escondo uma tristeza que é sem fim E nasce mesmo em sol, numa agonia...
Amiga, meu amor já foi embora, Eu quero ser feliz, que tal agora?
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Meus versos tão diversos do que sinto, São farsas, nada mais, que ora cultivo, As cores mimetizam, mas eu pinto, E nisso me mantenho, ainda, vivo.
A vida quando aperta mais o cinto, Tornando o mundo amargo e agressivo, Talvez seja defesa, mas se minto, É por não poder mais seguir altivo.
Ouvir a voz do vento, não consigo; Condenado ao terror do desabrigo Eu visto a fantasia de poeta.
As marcas que deixei no meu caminho, Levando ao que julgara ser o ninho, Mentiram direção, desviam seta... Marcos Loures
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Meus versos tantas vezes encobriram Os restos que traduzem meus olhares, Distante da ilusão de verdes mares, Os medos tantas vezes descobriram
Enquanto em meu olhar, agora atiram, Perdoe se eu vendi falsos altares, Por vezes eu tentei em malabares O que num luto amargo, enfim, feriram.
A lágrima retida na garganta, A vida que acarinha em dor espanta E mata o que sobrou de um sentimento.
Estúpida promessa sonegada, Trazendo ao fim da noite o mesmo nada, Restando solidão e sofrimento... Marcos Loures
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Meus versos se perdendo no vazio, Ninguém os lê, somente a solidão Eterna companheira, desafio Num último desejo de verão...
A porta escancarada, o vento frio; Algoz de uma esperança. Negação. Girando o tempo, eu logo desconfio Do cheiro de lavanda no portão...
Acordo e nada vejo. Volto assim À seca inesgotável no jardim Matando cada broto da esperança.
A par da realidade, já não creio Mergulho no infinito sem receio A morte servirá como vingança...
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Meus versos são satânicos e cínicos, Nas orgásticas; líricas promessas, Meus olhos por ofício, sei, são clínicos. Partilho em teus cenários novas peças...
Das uvas feitas vinho passos mímicos, Tremulam meus penhores sei que engessas, Mimetizo fantasmas que sei tímicos, Nos cântaros que pântanos, regressas.
Variólico e cético sou pálido, Métrico cadencio meu poema, Metódico fiquei assim esquálido,
Etílico sabor vida sem lema Impávido, pavio sou inválido, Nesses absurdos versos, sem ter tema... Marcos Loures
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Meus versos são meu vício e minha fuga E neles me realizo por inteiro. Em cada solidão u’a nova ruga Amando e me entregando por inteiro. Eu bebo desta vida sem dar tréguas, Correndo sem parar atrás do bem Mesmo distante andando tantas léguas E às vezes retornando sem ninguém. No meu bornal carrego as esperanças, De um dia, receber o teu carinho. Se fui feliz? Não tenho mais lembranças De tanto que caminho assim, sozinho. Mas sei que tu virás menina linda, Por mais que o tempo passe; espero ainda...
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Meus versos são meu jeito de cantar. De expor meus pensamentos, minhas dores. São feitos como um barco a navegar No oceano em palavras. São atores...
Autores desta peça em que eu atuo. Verdugos dos meus medos, desatinos... São asas sem as quais eu não flutuo. São pedras, minhas urzes, desatinos...
Meus versos são verdades mentirosas, São parte de mim mesmo, ou nada são. Espinhos que preferem roubar rosas, Noutras tantas são plenos de emoção.
Se sou ou se não sou alma completa, Se vou ou se não vou, serei poeta?
71 Meus versos são humildes passageiros De um tempo em que a beleza se traduz Pela suprema intensidade de uma luz Que trama seus matizes mais ligeiros.
Não pude compreender os verdadeiros Rumos aonde a glória se produz Somente pelo quanto reproduz Contemporaneidade. Mensageiros
Deste imediatismo, profetas, Além de simplesmente bons poetas São magos e professam a alquimia
Que faz do sofredor, esperançoso, E ensinam como é bom o farto gozo Do encanto que o novel canta e anuncia...
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Meus versos são em vão, pra nada vivo... As ondas nunca deixam de chegar. Quem resta tão somente, vai altivo, Meus olhos nunca pedem teu luar...
As dores vão chegando, estou passivo. A tarde nunca mais vai terminar... Procuro perceber pra quê que sirvo... As ondas nunca deixam velho mar...
Meus versos são estúpida nudez, Exponho assim, meu âmago no verso... As formas que escondi da timidez,
Os templos que passei pelo universo. Meu mundo tão comum e tão diverso, Os versos repetidos, meus talvez!!! Marcos Loures
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Meus versos revelando velhos vícios Vontade de viver, vera vertente. Nas praças e nas poças, precipícios; Nos vales e nas vias pertinente.
Se vago nunca deixo esses indícios Vorazes véus velozes vivo urgente. Amores que me moram são fictícios... Nos campos de batalha inda sou gente...
Não vejo meus velórios sem confete. Não tramo meus temores sem tropeços. Nos ermos escrevi teus endereços,
Nos olhos criminosos, canivete. Na festa dos amores, adereços; Nos braços, minha amada Elisabete!
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Meus versos que, pretendo, serem facas. Universos convertendo em peçonha. As dores que me beijam não aplacas; As flores me cortejam. Vida sonha
Com desejos sutis. Cravando estacas Nos cortejos senis. Lavando a fronha De tantos pesadelos, usas lacas Para pintar, vermelha essa vergonha!
Os meus prantos, novelos, blusas rasgas; A trucidar centelhas cedo engasgas... Não posso permitir nem um segundo...
Num poço redimir os meus pecados, Nas barcas navegar um novo mundo. As cracas que carrego. Tristes fados..
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Meus versos que serão sempre esquecidos, Falando deste amor em clara aurora, Os medos e as tristezas dirimidos, A luz em plenitude vencedora,
Meus cantos invadindo os teus ouvidos Num sonho mais sutil, amor aflora, Tocando mansamente os meus sentidos Eu quero ser feliz e desde agora.
E o dia se refaz, deveras forte, Vencendo qualquer medo, até da morte Trazendo em nossa vida, este colosso
Do amor que se faz pleno em claridade. E assim, ao perceber felicidade, Falar de nosso amor, querida eu posso, Marcos Loures
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Mexendo devagar, num remelexo, Engoles cada parte, tão gulosa; E enquanto mais devoras, mais eu mexo, Tornando assim a noite fabulosa.
Num ir e vir fantástico, este jogo Aonde o vencedor se faz vencido, Mergulho de mansinho; e então me afogo No fogaréu supremo da libido.
Colecionando estrelas, mil visões, Recebo inundação e aos borbotões Derramas sobre mim, doce colheita
Num vício sem igual, recomeçamos, E quanto mais caminhos; desbravamos, Minha alma novamente se deleita...
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Mexendo com meus sonhos de criança Eu tenho a sensação de liberdade, Um vento tão suave já me invade E a vida se percebe assim, mais mansa.
Olhar que numa infância se descansa Decerto buscará na mocidade O sentimento pleno da amizade Que forte e em placidez, a paz alcança.
Sortidas emoções no peito adulto, Aonde uma tristeza tem seu culto Matando o que seria bem mais lindo
Se a gente não tivesse se esquecido Do riso da criança e permitido Macabras sensações se repetindo. Marcos Loures
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Meus versos em formato de oração, Em busca do caminho mais penoso. Meu peito, um esmoler quase andrajoso, Espera tua benção no perdão!
Não sei se, um dia, tenho solução. A vida se perdeu do doce gozo, Em meio ao meu sonhar tempestuoso, Vagando pelo etéreo em solidão.
Deste-me a cicatriz que hoje carrego. Aos beijos que me negas, eu me entrego. E canto meu lamento solitário.
Uivando minha dor, namoro a lua. Que, indiferente, passa e continua O seu longo e perpétuo itinerário... Marcos Loures
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Meus trunfos eu perdi não sobrou nada Apenas um esboço nas senzalas Que exponho nas diversas ante-salas De uma alma que se mostra abandonada.
Ao ver cada palavra decifrada Enquanto com argúcia tu me falas Das incúrias cruéis com quem empalas A vida fortemente destroçada.
Vieste em tumular revolução, Nefasta; te fingias Nefertite Perjuras em calúnia sem limite
Tantas vezes vendendo a ilusão Sarcasmos esboçados num contraste, Farsantes os sorrisos que legaste. Marcos Loures
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Meus telúricos sonhos, natureza... Nos antúrios vermelhos, sensuais... Meus desejos tetânicos, carnais, Traduzem tuas luzes, realeza...
Píncaros atingíveis, meus anseios. Nos veios que incendeio, com meu cântico, Delícias conspurcando belos seios... Nas viscerais cantigas, sou romântico...
As plagas mais distantes, minha meta.. Pelas fráguas vulcânico, poeta... As labaredas queimam, lava, chama...
Nas alamedas, traço minhas rimas. Nas correntezas, caço novas primas... Um coração voraz, palpita e clama.
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Meus sonhos verticais exigem patas Seu manto não me serve de agasalho. Um barco embriagado, feito em latas, Arromba totalmente esse assoalho.
As dores são geradas em cascatas, Não servem de tortura e nem de malho. O dolo que sem medo me arrematas. É pedra que rolando vai cascalho...
Nos pântanos oscilas és metano. De restos decompostos tua lira. Vendeta que não serve é só engano,
Amor que não revive pois indômito, És cobra que rasteja e vil, delira, No fundo inebriado, és como vômito! Marcos Loures
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Meus sonhos te buscando sem dar tréguas, Navego nos teus olhos, encontro o mar. Mesmo nesta distância, tantas léguas, Não deixo um só segundo de sonhar
Com o momento alegre de te ver, E assim beijar-te inteira e mansamente, Clivando nosso mundo em tal prazer Que seja no infinito, eternamente...
Deslumbras com beleza encantadora Refulges como o sol em poesia, A paz que se promete redentora, Tomando nossa vida em tal magia
Que nada nos impeça, até o fim, De ter em nossa vida sempre o sim...
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Meus sonhos se perderam, timoneiros Que há tanto não conseguem navegar, Corsários invadindo todo o mar Entre assaltos e saques rotineiros.
Sequer pude contar com companheiros, A solidão, eu sinto abalroar Saveiro que começa a naufragar. Terríveis pesadelos corriqueiros...
Nas mãos deste vazio que recobre Os céus, um sentimento outrora nobre Esvai-se na fumaça que, sombria
Invade este horizonte em tons cinzentos. Os mares se tornando violentos Tempestade que a dor imensa, cria... Marcos Loures
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Meus sonhos se perderam nos teus sonhos, Num único momento, paz e glória. Os dias sem te ter foram tristonhos, Porém mudaste o rumo desta história.
Vieste como a lua em noite escura, Com raios prateados, nua e bela. Lutando qual enfermo pela cura Meu mundo nos teus braços, vida sela.
E assim poder cantar com liberdade, Falando deste amor que não morreu. E quando a poesia vem e invade Tomando tudo aquilo que sou eu
Revejo o teu olhar que, mansamente, Mudou a minha vida totalmente...
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hos são vazios, sem futuro... Enredam minhas mansas decisões. O tempo que passamos salta o muro. Por certo não conhece soluções.
Nas sombras do caminho, negro, escuro. As cordas anunciam seus bordões. Ao procurar sentido, nada apuro... Batendo latejantes corações...
Ao me veres perdido, não me peça Solução para lutas que não travo. Nos seus próprios vida tropeça,
Penetra ferozmente nas entranhas... O mar que tempestade torna bravo, Nos sonhos alagando essas montanhas...
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Meus sonhos repartidos, maltrapilhos Seguindo sem destino vão ao léu. Pés cansados de velhos andarilhos Deixados pelos cantos, farpa e fel.
Os olhos que perderam rumo e brilhos, Não sabem distinguir Inferno e Céu. Quem teve em seus caminhos empecilhos Conhece a solidão, dama cruel.
Reconhecendo os olhos e as centelhas, As correntezas vãs em que me espelhas Estrada sem destino, vaga luz.
O dom do nada ter senão meus sonhos, Vidas diversas, bens medonhos, O nada, simples mente reproduz...
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Meus sonhos mais distantes me levavam, Tomando num momento os meus sentidos, Os medos e as angústias me cortavam, Deixando meus castelos destruídos.
As dores, cada passo, vigiavam Vazios, os meus dias, mal vividos Apenas as tristezas me entranhavam, Em sentimentos sempre empedernidos.
Nem mesmo as esperanças me escutaram, Dos olhos, tantas lágrimas rolaram. Deixando minha estrada sem saída.
Assim ao me sentir abandonado, Não tendo mais quem ande do meu lado Vagando sem destino pela vida. Marcos Loures
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Meus sonhos invadindo na manhã O teu castelo em mágicos desejos. A sorte que fez a guardiã Mostrando todo o dom, os seus traquejos, De ser a companheira neste afã, Cumprindo cada etapa com teus beijos
Princesa deste reino sem fronteiras. Avanço, um cavaleiro apaixonado, E encontro as esmeraldas verdadeiras Ao ver tua beleza, extasiado, Cumprindo a profecia das bandeiras Percebo ter achado um Eldorado.
E vamos prosseguindo esta viagem De sonhos, de vontades, qual miragem.
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Meus sonhos deposito na latrina; Puxo a descarga e sinto minha Tróia A vida qual a merda que ali bóia Ao mesmo tempo é fúria, mas ladina.
E quando procurei numa outra esquina Tristeza se vestindo de sequóia; Eu sei que isto parece paranóia Que enquanto é absorvente me domina.
Meu coração menstrua todo mês, Sangrando com gigante insensatez Causando hemorragias corriqueiras.
Será que no final; ainda queiras Fartar-se dos enganos tão banais Fardados com espúrios sempre iguais...
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Meus sonhos de te ter, breve futuro, Enredam minhas mansas decisões, Minha esperança chega e salta o muro, Espera, impaciente, as decisões.
Nas pedras do caminho, que passei, As trevas, a saudade, minhas dores... Depois de tanto tempo, hoje bem sei, Que prenunciariam os amores.
Quando me vi perdido, tão distante; Decerto não sabia que virias. Amando-te a partir de certo instante Percebi claridade nos meus dias....
Agora que te tenho, amor profundo, Meus sonhos invadindo todo o mundo...
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Meus sentimentos vãos, loucos, terríveis, Formando assim tão trágicos aspectos, Percebem teus sorrisos impassíveis, Distantes de meus males, mais secretos.
Embora parecendo incoercíveis Meus medos vão tomando todo afeto. Os sonhos se parecem insensíveis Não trazem nenhum fato mais concreto.
Um coração se perde nas fanfarras Dos dias em que fora mais feliz. Rompendo, no final tantas agarras,
As dores que se foram, dilaceram, Apenas noutros dias que se esperam, Amor que bem distante, eu sempre quis...
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Meus sentimentos vagos, vagas buscam Nos mares que enfeitiçam navegantes... As luzes de teus olhos sempre ofuscam, O medo de saber sonhos distantes...
Palavras que sentidos não rebuscam, Trazem simplicidade dos amantes... Titubeantes passos, luscofuscam Os teus beijos, singelos diamantes...
Levarei a saudade que é comparsa. Desfeitas tentativas vãs, a farsa Que produzia tolas esperanças
Descansa nos altares das lembranças... A vida que sonhei, morrendo esparsa, Renova-se nos olhos das crianças... Marcos Loures
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Meus sentimentos seguem como as chuvas Nas tempestades várias de minha alma. Com a voracidade das saúvas Devoram, mas depois tudo se acalma.
Embora tantas vezes, um piegas, Em outras mimetizo rebeldias. Vagando sem destino, quase às cegas, Roubando a claridade dos meus dias.
Amores sensuais, até fraternos Explodem em momentos tão diversos, Eterno purgatório onde os infernos Avizinham-se sempre dos meus versos.
Na doce sensação dorida e plena De um parto que abençoa e que envenena.
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Meus passos, sem teus passos, já tropeçam E caio, com certeza e me torturo. Amor que nós sentimos, de tão puro, Faz com que dois amores se mereçam!
E enquanto conflitantes se confessam Carregam discrepâncias num perjuro, Intensa claridade em céu escuro, Porém jamais se perdem ou se engessam.
Algozes de nós mesmos, salvadores, Escravizados tons libertadores, Sinceras, as mentiras que forjamos.
E assim; nossas mortalhas; colorimos, Os pés buscam firmeza nestes limos, Por mais que seja incrível nos amamos...
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Meus passos titubeiam, quase caio, Mas tento novamente uma saída. E mesmo que se perca o bem da vida, Um dia, com certeza, disto eu saio.
O fardo que carrego, tanto pesa E embora solitário, não desisto. Ao fim da caminhada, uma surpresa Sorrindo em ironia qual Mefisto.
Ouvindo estes clarins, loucas fanfarras, Apenas em meu corpo tais agarras Formando com tridentes, ironias.
Sarcástica ilusão que já se assoma, Torpor que me inebria, feito coma. Ao fim do amor, do jeito que querias... Marcos Loures
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Meus passos imprudentes me trouxeram As dores e os enganos mais cruéis, Meus dias insensatos já tiveram O gosto tão amargo destes féis.
Fiéis, os meus amigos, sempre viram, Os erros que jamais pude ocultar. Tentaram sem sucesso. Não partiram, E nunca se cansaram de ajudar.
Eu agradeço a todos se hoje estou Recomeçando nova primavera. Por mares mais serenos sei que vou, Agora nem tristeza desespera.
O mundo não se mostra mais perdido, Por isso esse meu verso agradecido...
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Meus passos fraquejando vão trementes. Vazios, os meus olhos, vou cansado. Na boca que me beija uma serpente Esconde seu veneno que instilado Domina todo o corpo e toda a mente, Vagando o tempo todo do meu lado...
Seu beijo que me toca, me incendeia E forma uma ilusão que, cedo, passa. Tomando tal veneno em minha veia Tonteiras e fascínios, viro caça. A mão que me acarinha, esbofeteia, Caminho sem ter tréguas à desgraça.
Estou preso à loucura suave e doce, Inferno em paraíso, como fosse...
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Meus parabéns, amigo não me esqueço Do dia em que fazemos tanta festa Seguindo por caminho que conheço Uma alegria enorme é o que me resta.
Uma amizade eu sei, jamais tem preço, Por isso tanto apreço à vida empresta Aquele que conhece e reconheço Tanta honradez quem sabe sempre atesta.
Não vejo outra maneira de dizer Que somos bem felizes, companheiro De termos do teu lado tal prazer
De mais um ano em novo calendário Dizer; tu és amigo verdadeiro, Meus parabéns por teu aniversário!
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Meus parabéns querida! Em cada verso Que faço te louvando, agradecido Afasto um sentimento mais perverso Por tantas vezes duro e ensandecido.
Moeda tem dois lados, no reverso Do canto em que vieste repartido O sonho mergulhando no universo Em dores mais cruéis pensei vencido.
Porém ao conhecer tua amizade O sol a rebrilhar mostrou presença Trazendo para mim a recompensa
Que é feita a cada dia e na verdade Não deixa que retorne a solidão Dourando em alegria o coração!
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Meus parabéns querida companheira, Desejo toda a sorte deste mundo. Um sentimento nobre e tão profundo Demonstra esta emoção que é verdadeira.
Quem faz desta amizade uma bandeira Transforma toda a Terra num segundo, De todo este carinho eu já me inundo E louvo esta ventura alvissareira
De ter sempre comigo uma presença Que mostra ser possível caminhar, Por mais que a vida seja dura ou tensa
Eu tendo o teu apoio, vou em frente, Por isso é que eu desejo demonstrar O quanto neste dia estou contente. Marcos Loures
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