
MEUS SONETOS VOLUME 083
Data 15/12/2010 18:27:05 | Tópico: Sonetos
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1
Meu pensamento chega e num momento Invade tua casa cama e sexo, Perdoe se causei algum tormento Eu quero o teu amor, loucura e nexo.
Escuto a tua voz ouvindo o vento Sou côncavo que busca por convexo A ti a cada novo pensamento O amor vai me levando sem complexo.
No amparo dos carinhos que me dás Encontro a mais perfeita e clara paz Razão de meu viver, do meu sonhar.
O templo dos prazeres, tua boca, O amor que nos ensina já se aloca Nos seios de quem sempre eu quis amar... Marcos Loures
2
Meu pensamento busca teu pensar De forma que pensemos mais unidos. Os versos que desfilo nesse amar No mar de tantos sonhos esquecidos...
Tu sabes que vivemos da paixão À flor da pele, somos tão iguais. Vivendo nas loucuras da emoção Em tudo que fizemos, somos mais.
Sabendo quanto ecoam nossos cantos Nos nossos corações alucinados. Rolamos nossas camas, rumos, mantos, Só sabemos viver apaixonados...
Por isso, minha amada meu mergulho No mar já se explodindo num marulho...
3
Meu peito vai molambo e sem sentido No escambo de meus sonhos eu perdi, O quanto não percebo revolvido A podridão reflete sempre em ti.
O cais que já não tenho refletido No mar que internamente não mais vi. O caos em ladainha repetido Está bem preservado, guardo aqui.
Crepúsculos; espreito dentro em mim. Nas pústulas que levo; minhas bênçãos Os dias que pensara serem sãos
Amparam cada passo para o fim, Saudade vai queimando e já lateja Dardeja uma ilusão que se deseja...
4
Meu peito sossegado Depois da tempestade Encontra adocicado Um gosto de saudade
Daquilo que em verdade, Pensei fosse meu fado Tanta felicidade Com gosto de pecado.
Amor que não se olvida Em gestos inocentes, Trazendo para a vida
Palavras envolventes Decerto uma saída Em sonhos reluzentes...
5
Meu peito quase um bárbaro imperfeito Sem ter as filigranas portentosas, De imenso matagal em chuvas feito, Nas lágrimas e espinhos, velhas rosas Aradas com a dor de qualquer jeito Em tardes bolorentas, caprichosas...
Eu trago dentro em mim toda a tristeza Que é natural daquele que cresceu Sabendo que enfrentar a natureza É ter da noite treva em total breu. Assim, marchando sempre com rudeza Palavra feito faca, este sou eu!
Nos olhos da morena, amor socorre, Que o sangue da esperança ainda escorre..
6
Meu peito necessita uma faxina Operário incansável acumulando Caçando qualquer forma feminina, Pesado, vai aos poucos desabando.
Cevando uma agonia quer o brilho Do quanto que se faz, já nem destila, Amores do passado quando empilho Entopem de tristeza esta mochila.
Cochilo, e sem perdão, amor de novo, Fazendo do meu peito um armazém. Uma apostila antiga que reprovo Às vezes nem perturba, mas já vem...
Na turba que se entranha eu me empaco, Só peço, por favor, não encha o saco! Marcos Loures
7
Meu peito escancarado de tristezas Esfaceladamente se destrói. Inconscientemente de incertezas Já se inunda... retalho, já se mói...
Nas lendas seculares se corrói Nas pedras insensíveis, suas mesas... A vida que maltrata sempre sói Ser única medida sem defesas...
Apaixonadamente desvairado, Liquidificador esmaga o senso... Rasgado, esfacelado, escancarado...
Nas perdas que somei, fiquei vazio... Meu coração gigante, pois imenso, Fingindo, não se esquenta, bate frio... Marcos Loures
8
Meu peito enamorado segue exposto Aos ventos e loucuras, temporais, Acima do que quero tal preposto Permite na verdade, um novo cais Aonde o que vivera em frio agosto Transborde melodias sensuais.
À margem dos recados recebidos, Eu sigo sem temer o que virá, Amor ao seduzir os meus sentidos Expressa o que eu desejo desde já. Os dias entre gozos repartidos, Espelham o que de nós renascerá.
As frutas espalhadas no quintal, O beijo que se mostra sem igual... Marcos Loures
9
Meu peito em terremotos quando vejo Tua nudez exposta em meu dossel, Lateja em minha carne tal desejo De penetrar inteiro neste céu.
Recolho tantos gozos que eu almejo O coração sem rumo, vai ao léu Aos poucos vai tomando esse traquejo De ser abelha farta em tanto mel...
No terremoto extenso que sofri Na tempestade imensa, um furacão Sentindo esta presença bem aqui,
Das enchentes, tornados, maremotos, Envolto nos enredos da paixão, A pele delicada... Flor de Lótus...
10
Meu peito em sedução Bebendo desta fonte Que mostra que o perdão Já traz belo horizonte,
Em nosso coração, Amor que enfim aponte Prá dor, a solução Formada nesta ponte
De corpos sequiosos De amor e de prazer, Amantes orgulhosos
Dourando, nos faz crer Que sonhos maviosos, Começam a nascer....
11
Meu peito dolorido vaso cheio, Das dores que não posso desprezar... O rasgo que causaste, meu anseio, A noite que te dei perdeu luar...
Procuro mais veloz, saber um meio Por um caminho novo te encontrar, Na maciez delícias do teu seio, O corte que causaste faz sangrar...
Meu peito apaixonado, já se enchia Das ilusões vertidas sem sentido... As farsas que montaste, poesia
Esperam novo olhar, houvera sido Vencido pelas mesmas fantasias... Os raios que trovejam os meus dias... Marcos Loures
12
Meu peito dolorido já te alcança Na dor que me destrói, demais intensa. Sabendo que esse amor é minha dança Saudade traduzida como imensa.
Criança procurando um acalanto, Num canto mais sereno, quero encanto. Amor que me prometes, tanto, tanto; Investido do amor, cessando o pranto.
Me espanto de saber quanto te quero, Te quero e já percebo quanto é bom Viver com teu amor que enfim venero, Amar intensamente, santo dom...
Eu quero teu amor enternecido, Eterno em tanto amor, bom, dolorido...
13
Meu peito curumim faz sempre as suas A cada amanhecer mil traquinagens, Ao ver as multidões, imensas ruas Procura por belezas e visagens.
Visgo do teu olhar quando flutuas Invade o coração, e traz miragens. Às vezes mal caminhas e recuas, O coração se entrega a beberagens
E sonha o tempo todo, não desiste, Duma alegria imensa fica triste, Mas nada mais consegue enfim deter
Meu coração eterno vagabundo, De novo se emaranha e num segundo, Recomeça a sonhar e assim sofrer...
14
Meu passo segue, enfim, desencontrado Distante do que fora paz e abrigo, A morte já mandando o seu recado, Encontra a cada curva, outro perigo,
A dor vai ecoando em alto brado, Um passo para frente e não consigo, Atado aos elos duros do passado. Um sonho que me acalme, em vão, persigo.
Quem sabe em ilusão ressurja um dia Nos brilhos da alvorada: fantasia Trazendo novamente a claridade
Mas nada do que eu possa vislumbrar Permite que eu consiga imaginar Depois do temporal, tranqüilidade... Marcos Loures
15
Meu passo no teu passo vai preciso Navega eternidade em cada abraço. Amor, eu na verdade nem disfarço E vejo em nosso caso um bom aviso
Mostrando delicado, o teu sorriso, Presente que nos deu em fino traço Cupido, ao estreitar em forte laço Amor que se entregou, bem mais conciso.
Sentindo os teus cabelos, sobre a face, Beijando a tua boca, mais sedento. Um gesto benfazejo, sem impasse
Transforma em alegria o que foi dor Tocando nossa pele um manso vento, Empresta loucamente o seu calor...
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Meu passo na verdade é conduzido Por que ao se mostrar um ser maior Espalha em meu caminho com louvor Um dia de esperança percebido,
No canto que se mostra conhecido Certeza de uma vida bem melhor, Nas asas da amizade e do amor O vento da alegria é já sentido.
Pessoa de raríssima beleza, Teu canto sendo ouvido, com certeza O mundo enfim, seria bem mais belo.
No teu aniversário, eu te agradeço E as glórias divinais eu sempre peço Nas preces que hoje eu faço e te revelo...
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Meu pai que se perdeu em noite clara, Deixando a solidão como presente. Amor que tantas vezes desampara Durante a vida vaga não se sente.
A boca da saudade é tão amara Decerto uma esperança se pressente Na mão que em mil carinhos antepara, Porém o vento diz do amor ausente.
Sozinha, minha mãe pouco dizia Do pai que já se foi pra nunca mais Resíduo de uma imagem, fantasia.
Distante de meus olhos, tantas léguas Saudade do vazio não dá tréguas Pesando em minhas costas, dói demais... Marcos Loures
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Meu sonho ao te encontrar, felicidade! Meus versos companheiros de teus versos. Ao lado deste amor, nossa amizade, Mostrando estes matizes mais diversos.
Encerro no meu peito a claridade Que ganha no infinito de universos Essência da total fraternidade... Não deixa nossos cantos mais dispersos
Fazer-te mais feliz, amada amiga, Pousar em tua boca o doce mel Nesta ternura plena e tão antiga
Deitar-me do teu lado, estar contigo E juntos galoparmos no corcel Que entranha de desejo, amor amigo... Marcos Loures
19
Meu ser que se fez cinzas de um cipreste Que outrora sombreava calmamente, Nas dores por herança que me deste A vida se perdendo tolamente.
Somente a solidão inda me veste E aos poucos me transforma em vão demente. O não quando meus olhos o puseste Em vendas tudo nega, cegamente.
Revejo nos meus dias, juventude, Um rosto de belíssimo fulgor. Não sei e nem concebo como pude
Perder o manto claro deste amor. A mão desta saudade, fria e rude, Matando, sem ter pena, um sonhador...
20
Meu ser emudecido se escancara E bebe em temporal o teu sorriso, Esfirras e cachaça vida amara, O mar não representa o paraíso.
Sem medo desta dor que desampara Nas névoas da esperança perco o siso, Pulsando a sensação em que fixara O tempo necessário e mais preciso.
Espelhos refletindo o que se fez Em mágicas palavras, foz e mar. Vontade simplesmente de te amar
Mordendo a solidão, insensatez. Coração arquejante já não bate, A vida determina este arremate...
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Meu medo caminhando o seu naufrágio, Procura nas barcaças meu destino; Esqueceu de saber qual o presságio Guardado fosse guia, atroz, mas fino...
A vida, transcorrendo em cada estágio, Renova-se no riso do menino Esquecido no canto, embora frágil, Percebe logo amor em desatino
que é sempre a paga, lívida e cruel. Buscando essas estrelas do seu céu, encontra tão somente estas mortalhas,
de amores que se foram nas batalhas, Nas defesas que tento conhecer Aumentarão apenas meu sofrer...
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Meu mar já se entregando em mansa praia Enfrenta tais procelas no caminho. Não deixa que esperança, um dia traia Matando o coração em desalinho.
O vento levantando a tua saia Beleza tão sublime que adivinho Desejo em teus prazeres já se espraia E sorvo cada gota de teu vinho.
Teu corpo serpenteia em minha cama, Divina transparência sensual, No riso, um paraíso sem igual
Acende o fogaréu, intensa chama. Meu mar ao vislumbrar tão belo cais, Selando o nosso amor, quer sempre mais.
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Meu maço de cigarros na metade, Meu copo sempre cheio de cerveja. Tomado pela angústia da saudade Minha alma te procura e te deseja.
Eu olho pro relógio. Eu sei que é tarde, Somente a solidão é que me beija; Da noite o que restou? Ansiedade! A dor deste vazio, rói, lateja.
Ao pedir outra dose de conhaque Eu te vejo na taça refletida. Miragem? Num segundo tomo um baque
E vejo que é real. Quando me vês, Sorris e logo chamas. Volto à vida Emergindo de toda embriaguez... Marcos Loures
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Meu maço de cigarros na metade, Meu copo sempre cheio de cerveja. Tomado pela angústia da saudade Minha alma te procura e te deseja.
Eu olho pro relógio. Eu sei que é tarde, Somente a solidão é que me beija; Da noite o que restou? Ansiedade! A dor deste vazio, rói, lateja.
Ao pedir outra dose de conhaque Eu te vejo na taça refletida. Miragem? Num segundo tomo um baque
E vejo que é real. Quando me vês, Sorris e logo chamas. Volto à vida Emergindo de toda embriaguez...
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Meu maço de cigarros já no fim, A noite é longa e nada mais terei, Senão o que restou dentro de mim, Do tempo em que vivia sob a lei
Deste amor tão ignaro quanto sei, Vagando sem destino, mesmo assim, Na busca mais frenética tracei Os passos que morreram no jardim
Da casa onde moravas, flores falsas, Espinhos resgatando cada passo Perdido em debutantes sonhos, valsas
Amaras experiências mal vividas, Restando tão somente o meu cansaço Mas tento renovar-me em nossas vidas...
26
Meu louco amor descansa nos meus braços, Qual redentora glória em meu outono. Encontro meu caminho em teus espaços, Deixando mais distante um torpe sono.
Não quero descansar, atando os laços, Unidos ao teu corpo, em abandono, Meu pensamento voa nos teus passos, Rainha juvenil em mago trono.
Invoco meus poemas, testemunhas, Sem mais cantos perdidos, nem flagelo, Arando nosso amor, vivo rastelo,
Separo ervas daninhas, rego a rosa, As garras me tocando, tuas unhas, Pantera em pleno ardor, silenciosa...
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Meu lago se tomou em amargura Do sal que sempre teve, nada mais. No enxoval dos sonhos da ternura Apenas a metade o tempo traz. O que logo desfaz, depressa cura, Mas sempre leva um pouco desta paz.
Na rede das intrigas, fina agulha, Desfere cedo um golpe contra mim, O meu olhar tampouco se debulha Retesa arco com seta, até no fim, Amor que não se fez canalha e pulha Guardado no canteiro, no jardim,
Florindo em esperança benfazeja Que adoça muito mais que se deseja...
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Meu ideal por certo já cintila Nos olhos de quem soube ser amiga. No passo em que permites que eu prossiga Demonstras a amizade mais tranqüila.
Qual lume que irradias na pupila De quem dentro dos sonhos já se abriga Tu sabes do carinho em que esta viga Se fez do chão barrento, de uma argila.
O mesmo Deus que um dia, soberano Mostrou toda pureza e raro ardil, Executando firme, um belo plano
Criando em espelhar caricatura Um ser que talvez fosse mais gentil, Dourou nossa amizade, com ternura... Marcos Loures
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Meu grito representa um instrumento Que salva-me dos braços da loucura; Envolto em desabafo com bravura Espalha meus sentidos pelo vento.
Numa explosão mais forte, o sentimento Ao mesmo tempo exponho e traço a cura; Livrando-me da dor que me tortura; No desabafo intenso, um bom ungüento.
Sou manso e no remanso é bom viver, Mas sinto que por vezes incomoda A placidez de quem amor açoda.
Depois que solto o grito posso ver, Em calmaria branda que me invade, Os olhos do meu peito, em liberdade.
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Meu grito de esperança está contido, Atado pela dor de uma injustiça. Quem pensa que adormece em um olvido A fome que decorre da cobiça Num canto desta casa, adormecido, Espera reviver em nova liça.
Não posso ser feliz se impera a dor, Se vejo em meu irmão, o sofrimento. O mundo em novo rumo recompor A glória que se foi sem sentimento. Talvez um novo dia, em pleno amor Mostrando assim tenaz ressarcimento.
A vida se mostrando de repente, Num mundo em que esperança seja urgente...
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Meu filho; em pleno amor foi-me ofertado, Na sorte tão feliz que Deus me deu. No beijo que esperança tem me dado, Em meio a tantas luzes, já nasceu.
Teu pai que sempre foi um homem triste Nos versos que te faço, eu te agradeço, Amor igual, maior jamais existe, De tantos que já tive, eu envelheço...
E sinto que na morte que me toca, Domando essa minha alma sem sossego, Amor que d’outro amor não pede troca, Não cobra nem sequer um aconchego.
Mesmo distante brilhas e és meu céu, Meu anjo, meu amado Gabriel!
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Meu filho vai correndo pela casa; Dono das mais perfeitas formas. Lago Onde moram amores. Sua asa Aberta, anjo divino d’onde trago
Os meus sonhos... És chama, fogo, brasa. Da vida rei; dos sonhos és meu mago. Minha saída dessa dor que abrasa, És mansidão d’amor, maior afago...
Correndo pela casa, liberdade. Luz que clareia a vida, mocidade. Nesses tempos doídos és alento...
És tempestade mansa, um forte vento De esperanças. Meus sonhos, meu perdão... És a razão da vida, coração!!!
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Meu filho como é bom poder lembrar Do dia em que nasceste. Em tal magia Mergulho o pensamento e devagar Eu vou me relembrando da alegria
Que Deus neste momento, ao se lembrar De quem em solidão, tanto sofria, Veio por um instante decorar Meu mundo de delícia e fantasia.
A vida me levou para distante Daqueles olhos meigos da criança Roubando todo o sonho radiante
Que um dia descobri não merecer. Mas hoje quando um ano a mais se alcança Queria em parabéns, agradecer...
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Meu fado não afogo nem reflito Mas penso que não peso se não vou. No labirinto extinto solto o grito. A rosa do que fui despetalou.
O medo de não ter meu infinito Expresso nas verdades que não dou. O mundo que vivemos é sempre hirto. Nas pontes que passaste naufragou...
A cal que sendo cáustica claudica No laço que me enlaço te enlacei. A corda que não medes não se explica
Jazeste nas quimeras que me deste. O mundo que desejo não tem rei. Alastras como fosses uma peste...
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Meu doido coração faminto se ata... E bate sem sentido nem por que, Adentra a sensação de densa mata Que forma todo anseio em que se crê.
Vivendo enternecido pelo brilho Da lua que invadiu esta alvorada, Num mar de tanto amor me maravilho E sigo teu caminho, nossa estrada...
Em alforjes que carrego dentro da alma, Os víveres mais doces são teus lábios. Não quero nem sequer o que me acalma, Não quero nem prudência, nego os sábios.
Um sabiá sabia quanto amar Valia muito mais do que voar... Marcos Loures
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Meu dia, esteja certa já foi ganho Depois de te saber enamorada, Não guardo medos trágicos de antanho, Apenas percorrendo a mesma estrada
Eu vejo que talvez não me perdi, Tampouco em cada curva eu capotei. O quanto que em delírio sei de ti Eu sei que na verdade eu nada sei.
A boca que hoje beijo não disfarça Decifro teus enigmas e devoras Distante dos teus lábios segue esparsa A vida que se ilude sem ter horas,
Embora caminhando sempre ereto, Morena balançando o meu coreto
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Meu Deus, não me permita essa loucura, O velho desdentado não merece, Fazendo da esperança a minha prece Queria ter ao menos a ternura.
A cada nova curva, outra amargura, No fundo o coração não me obedece. Quem dera se talvez inda pudesse Vestir a fantasia da candura.
Não quero mais ninguém. Seguir sozinho Sem medo das estradas, colho espinho, E faço dos meus dias calmaria.
Mas quando a madrugada trama a lua, Eu vejo numa imagem bela e nua Mulher que se traduz por ventania... Marcos Loures
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Meu Deus quando te fez nunca pensara Que tudo que sonhei estava em ti. As dores que passara, já perdi Nos teus olhos amada jóia rara...
Em busca da doçura, a vida amara Te escondeu mas, deveras, ei-la aqui Os medos que maltratam já venci. Agora sou feliz, minha Samara..
Carrego minhas cruzes meus espinhos Mas tenho a recompensa dos carinhos De quem, num belo dia, Deus me deu.
Meu jardim florescendo em teu perfume, Não guardo dessa vida um só queixume. Pois sei que nosso amor, Deus protegeu! Marcos Loures
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Meu destino, florestas sem futuro, Mortas as noites sinto tua mão... Navegante procelas, mar escuro... Na fúria e calmaria, sou leão.
O chão que me provoca bate duro. O mar desta saudade aluvião. Trovadores sem rimas, amor puro. Vestígios denunciam no vergão, A tortura não mata, nem aturo...
Galgarei solidão sem ser sol, Semelhanças padeço, pelo sal Da terra, nada mais terei em prol,
Na luz que passará, meu passaredo. Amor mar marinheiro, principal, Pássaro passageiro, passa o medo... Marcos Loures
40
Meu destino jogado em preamar Nas ondas que te levam para aonde? Nas conchas que cansamos de buscar Na história em que perdemos trem e bonde.
Promessas de fingir e de sonhar Teu rosto nem mais sinto, onde se esconde? Estrela tão difícil de encontrar. Nem mesmo uma esperança me responde,
Apenas pude ver tua partida Nas ondas e nas conchas, nesta areia Lambida pela luz da lua cheia.
Distante de teus olhos passo a vida, Procuro pela estrela porto e cais, O vento me condena: nunca mais!
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Meu destino amargo, triste e frio, Rondando minha casa, abre a janela E encontra um coração ledo e vazio, Distante de outros tempos. Já revela
O quanto de ilusão ainda eu crio, Falando deste amor, tanto, por ela. Fugindo e me perdendo, eu avalio O vento que adentrando apaga a vela.
Da brisa costumeira, vendaval, Dos olhos de quem foi, apenas facho. No apagar dos meus dias, nada levo.
Apenas a saudade sem igual De um tempo mais feliz. O nada eu acho, E um verso derradeiro, então me atrevo...
Marcos Loures
42
Meu desejo é teu beijo rosa bela, Plantada no canteiro da esperança. A sorte em tua boca se revela, Na noite que promete e o bem se alcança.
A rosa que é vermelha e amarela Não sai do pensamento e da lembrança A vida que passei foi só por ela, A rosa não deixou de ser criança
E solta seu perfume por aí, Deixando o coração tão apressado, Amor que procurava achei em ti,
Um bem te vi te viu tão verdadeira Porém um colibri apaixonado, Sofrendo com espinhos da roseira!
43
Meu desejo é ter teu colo, Moreninha meu amor, Deitar contigo no solo, Com carinho e sem pudor. Em teu corpo me consolo, Vou vivendo, sonhador.
Quero a boca mais bonita Que já vi na minha vida, Meu amor, vê se acredita, Que te quero assim, querida, A minha alma andava aflita Sem saber de uma saída,
Mas sentindo o teu perfume, Da cegueira veio o lume...
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Meu desejo é te encontrar Num momento de alegria, Não me canso de sonhar, Quero amor e é todo dia.
Como ao barco em pleno mar Uma estrela já me guia, No infinito vai brilhar Com lirismo e poesia.
Chegue aqui, escute a voz Deste tolo caminheiro Que procura ver em nós
O seu amor derradeiro Se o passado foi atroz, Nosso amor é verdadeiro! Marcos Loures
45
Meu corpo vai seguindo cada rastro Deixado por teu corpo delicado, Morena tu já negas alabastro Teu corpo tem a cor do meu pecado.
No acordo que fazemos, vale e mastro, O beijo na maçã é mais safado. Jamais foi ilibado, é bem babado, E brilha todo dia sem ser astro.
Plantando meu desejo em teu roçado Fazendo de meu verso, o meu rastelo, Que se danem princesas sem castelo.
Chegando de mansinho pro meu lado, Abrindo este sorriso mais sacana, Vem logo temperar minha cabana...
46
Meu Pai onipresente onde estarás agora? A solidão consome, expõe o meu cansaço... Ao nada retornando, a vida não demora, Meu pranto Te procura. Estás solto no espaço?
Ubiqüitário Deus, vasculho mundo afora Preciso urgentemente aguardo teu regaço... Não deixe por favor, minha vida ir-se embora. Me responda Senhor: me diga o quê que eu faço?
Meu dia já termina em busca deste sonho, Envolto em densa bruma abraço a noite escura. Do mar, um pesadelo, um ser forte, medonho...
Terrível calabar, se erguendo me devora... Devolva-me sem medo, a natural ternura... Meu Pai, onipresente, onde estarás agora? Marcos Loures
47
Meu Pai não te peço ajuda Já por demais te pedi. Mas ao pobre vê se acuda Seja paraíso aqui
Não basta um galho de arruda Nem tudo que já perdi. A roupa que veste e muda Desde o dia que nasci...
Vastas as tempestades Várias as brutais cizalhas Trastes são veleidades
As podres velhas canalhas Nos dentes trazem adaga Os devoram velha draga! Marcos Loures
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Meu Pai é bem melhor, eu te garanto, Pois Ele nos criou com maestria. Nos braços de meu Deus eu me agiganto, Verdade sem igual, sem fantasia.
Ajuda a consolar secando o pranto. E toda a humanidade é Sua cria Criando este universo com Encanto Beleza alucinante propicia.
E saiba, que este Pai é também teu, Um coração que seja assim ateu Não deve ter carinhos , preconizo.
Eu mando tua raça pros Infernos Em sofrimentos tantos, pois eternos E para quem não crê: fogo e granizo...
UMA HOMENAGEM AOS INTOLERANTES E DONOS DA VERDADE. CANALHA RESPONSÁVEL POR MILHÕES DE MORTES. QUE AS CHAMAS E LABAREDAS OS RECEBAM COM TODA A GLÓRIA QUE MERECEM...
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Meu orgulho exporei no meu desejo... Vaso quebrado nega seu valor. Meu ardoroso sonho que cravejo Não precisa brilhantes a compor...
Nos olhos orgulhosos tudo vejo, Não sinto teu sabor, doce licor... A morte degenera meu vicejo, A boca apodrecida dá pavor...
Já tenho consciência: disparate! Meus restos escondidos no bornal... A degeneração dum simples vate
Sonhador, demonstrando o que é a vida. Os olhos despedaçam na partida, Orgulho se desfaz no funeral... Marcos Loures
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Meu olhar tão distante, nada alcança Uma ilusão perdida sendo o guia Matando o que de outrora resistia Tristeza me servindo de fiança.
Porém ao ver teu riso de criança Amiga, renasceu a fantasia De ser bem mais que lúdica lembrança De um tempo tão distante que morria.
Meu coração, somente não entende E teima em viver só do passado, Ao mofo, à naftalina ele recende
Matando um embrião de uma esperança Um velho sem futuro, abandonado, Apenas no passado, ele descansa
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Meu olhar que já fora manso e doce Tempestuosamente me traiu... A noite calmaria sempre trouxe Porém tão de repente se esvaiu.
A calma desses anos acabou-se... Meu peito embriagado pastoril, Num momento feroz exasperou-se À sombra da saudade, meu buril...
Agora, nas tempestas e procelas, Irado vai buscando um novo dia... Montado nas estrelas, não tem selas,
Convulso já despreza a mansidão... As notas que traziam melodia, Me rasgam, devorando o coração!
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Meu olhar descortina exatidão Do corpo mais perfeito que conheço. Desnuda em minha cama, com tesão Vertiginosamente reconheço As marcas do desejo e tentação Mostrando o quanto amar tem o seu preço.
Desvendo os teus segredos e mistérios Recebo o teu arfar mais desejoso. Pratico no teu corpo os magistérios, Profetizando sempre o doce gozo, Quem fora qual vassalo em teus impérios Vai sedento, faminto, um andrajoso
Que implora neste verso desconexo, Todo o calor intenso de teu sexo...
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Meu olhar ansioso te esperando Não voltas do que foste nem vieste. O tempo de viver já vai passando O vento que trouxeste não reveste.
Desisto desta busca sem sentido, Sentindo que este frio não se esgota. Amor quando em amor mal resolvido Das dores ultrapassa sua cota.
Mas venho com meus olhos mendicantes, Buscando o que não sei nem mais queria. Quem teve tantos dias delirantes, Só lembra dos momentos de alegria...
Mas sei que não desejo nada enfim, Apenas teu fantasma vivo, em mim..
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Meu mundo no teu mundo se perdeu Num mágico momento inesquecível, Amor que é nosso encanto concebeu Além do que se fora, outrora crível
Um mundo sem abismo ou avarias, Numa expressão perfeita em seus detalhes, Teus sonhos em meus cantos quando alias A tela já se doura em teus entalhes.
Distante das outrora movediças Areias que enfrentei nos descaminhos, Vencendo em minha vida antigas liças Entrego-me ao delírio dos carinhos
Que trazes ora em forma de um anzol, Pescando para nós divino sol...
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Meu mundo mais silente e sem teu viço. Num momento, perdeu o seu sentido. Espinhos carregando qual ouriço, Às portas da saudade, deste olvido.
Quem fora tão pudico, tão castiço, Morreu sem nem saber, mais destruído. A vida derrubando esse caniço, A sorte não legava, distraído...
Me deste então sentido, mas sem rumo... Desfazes todo leito em que descansas. Nas vezes que tentei não me acostumo...
Desperta minha amada, temos danças! Ao redor, maravilhas se deslindam... As horas que sofri, lá fora, findam...
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Meu coração trazendo como guia A lua sertaneja, em rica prata, Mergulho divinal na fantasia Deitando cada raio em densa mata, Parece que o bom Deus ali dizia De todo este prazer que me arrebata.
Meus passos se mostrando alvissareiros, Trazendo em cada senda tal pujança, Que mesmo que pareçam corriqueiros, Jamais esquecerei. Bela lembrança De sonhos realizados, altaneiros, Natureza desnuda em minha andança.
Um passional delírio em ansiedade, Pintado pelo Deus por amizade...
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Meu coração tocando em outro tom O gosto da alegria de viver. Felicidade mostra-se ser dom De quem sonhou em busca do prazer.
No canto da esperança o mesmo som Que faz a nossa vida se verter No rio em fantasia, sempre bom, Nesta vontade imensa de saber
O paladar da sorte em doce sina, No gesto camarada de uma amiga, Na lua que, de graça nos fascina
Na mansa corredeira que nos banha No braço da amizade, imensa viga Da paz que se aproxima, em luz tamanha...
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Meu coração sofredor Procurando o teu carinho, Quê que faço sem amor, Eu não quero estar sozinho... Vivendo sem ter calor Tão triste no meu cantinho, Te carrego aonde eu for Qualquer que seja o caminho. O botão da laranjeira Tá abertinho todo branco. Meu amor, a vida inteira, Eu plantei neste jardim, Teu sorriso, todo franco, Traz perfume de jasmim...
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Meu coração servido em iguaria Neste banquete imenso, dionísico, Devoras calmamente nesta orgia Aos poucos sei que vou morrendo em físico... Sou sobra do que fora um sonhador, Entregue ao teu desejo demoníaco, Mas saibas que sou teu adorador, Te quero com prazer paradisíaco... Servido como prato principal Na cama, o teu altar mais freqüentado, Latejos de desejo sensual, Me sinto, aos poucos, sendo devorado... Hedônica figura de serpente, Que quer me envenenar, e estou contente...
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Meu coração seguindo uma boiada Que desce do sertão para encontrar A noite tão sonhada, iluminada Nos braços da morena a me esperar.
Meu verso se perdendo não diz nada Somente como é bom poder plantar Semente de uma flor apaixonada Que um dia noutro peito vai brotar.
Boiada vai passando mais ligeira Encontra nos caminhos, secas, rios. Assim também a vida feiticeira
Nas montanhas e várzeas, sol e chuva Às vezes os meus dias são vazios, A solidão cortando qual saúva...
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Meu coração seguindo cada passo Que fazes nesta estrada mais audaz Tu sabes que eu te quero e não disfarço Te quero, na verdade muito mais.
Sou teu, apenas isso, meu amor. Atrás de teus caminhos, acho o meu. Deitar-me do teu lado, em teu calor, Amor quando é demais, me convenceu
Do dia que promete ter teu sol Ardendo em minhas costas, prazeroso, Deixando uma tristeza em arrebol, Encontro um canto, leve e mavioso
Nas águas de Iracema, na alva areia, Desfila radiante esta sereia... Marcos Loures
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Meu coração se veste em folhas, flores, Recebe a primavera deste amor Em meio a tantas guerras, dissabores, Já sabe da alegria o bom sabor.
Irei contigo, amada aonde fores, Num passo bem mais firme. Um sonhador Já sabe dos caminhos redentores Aonde desfrutar fragrância e cor.
Perfumes que tu deixas nestas sendas, Segredos que comigo já desvendas De um tempo alvissareiro e mais fecundo.
Vibrando o paraíso em nossa vida, Eu quero te saber glória e saída Na vastidão das cores, nosso mundo...
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Meu coração se fia na promessa De ter amanhecer com mais leveza, Amor nunca me espera, já tem pressa; Encontra nos teus braços, a beleza...
A sorte que encontrei no meu destino, Vivendo toda a vida sem disfarce; Amor me transformando num menino, Dos velhos sentimentos, já renasce...
Amor; venha correndo; vem me acuda, Não deixa esta tristeza ressurgir. Preciso de carinhos, tua ajuda, Deitado no teu colo; vou sorrir...
Deixa eu beijar t’a boca, minha amada, A vida sem amor, é quase nada...
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Meu coração que outrora fora frio, Agora se aquecendo do teu lado, Permite o meu viver menos sombrio, Trazendo um sonho novo, iluminado,
O peito que se fora tão vazio, Renasce em novo encanto, apaixonado. De tudo o que vivi, meus sonhos crio E sigo quase sempre engalanado.
Minha alma se entregando a tal delírio, Procissão dos desejos sou teu círio Que levas com louvores, satisfeita,
Meu corpo no teu corpo se deleita, Amor que me transborde, mais sincero, É tudo nesta vida o que eu bem quero... Marcos Loures
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Meu coração que fora qual mutante Vestindo toda veste que aprazia, Recebe tua imagem deslumbrante E veste-se de gala em alegria.
Me deste teu futuro neste instante Sou teu e nisso mostro quanto havia Do todo que se fez mais importante Que tudo que sonhei em certo dia.
Minha alma em turbilhão se aquece em ti, Verdeja meu sorriso, inunda a face. Do medo em borbotões que já verti
Não resta nem sequer sombra e pedaço. Eu temo a sensação de que isto passe, No esgotamento claro, no cansaço... Marcos Loures
66 Meu coração profusa e calmamente Irriga de esperanças minha vida. Eu sinto que te posso num repente Trazer a nossa lua vã, perdida...
Eu sigo meus fantasmas do passado, Argutos e ferozes, me sugando. Eu quero te reter aqui ao lado, Ao mesmo tempo sempre te buscando.
Apenas em profunda hemorragia Amor se derramou, tomou espaço, Percebo que hoje sendo o que viria Após a noite imensa sem cansaço,
Eu quero te envolver nesta ternura De amor que te traduz intensa e pura...
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Meu coração procura um manso ninho onde, passarinheiro encontre a paz. Pois o peito/andorinha se sozinho, verão não reconhece e nunca traz.
Bebendo de teu corpo todo o vinho, que julga ter direito e ser capaz. Batendo tanto tempo tão fraquinho, dispara, simplesmente e quer bem mais.
Eu te amo e jamais nego a minha sina de ser feliz somente ao lado teu. Tanta alegria,amada sempre mina
dos olhos de quem veio em salvação. Há muito que meu sangue se verteu nas veias, nas artérias, coração...
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Meu coração precisa ser feliz, Vivendo em tua pele insaciável Escapando da dor vou por um triz, Entrando em território impenetrável. Vazando a corredeira onde eu fiz O mundo que tramara amor potável, Depois dos descaminhos, pedir bis Vivendo bem além do imaginável... Meu álibi encontrei nas tuas sanhas, Arcando com meus medos e desejos. Bebendo de teu cálice, as entranhas Numa tortura insana e tão picante. Mordiscar teus lábios com meus beijos, E ser, depois de tudo, o teu amante...
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Meu coração por certo tão urbano Ainda guarda as luas do sertão, Ouvindo estes acordes da canção Feita pelo poeta soberano.
Embora maranhense de nascença Fez-se do Ceará no sobrenome, Criado entre a miséria seca e fome Deu-nos tal banquete em recompensa
Agora ouvindo a voz da cearense Poetisa, uma parceira sem igual, Além de luas encho o meu bornal
Desta beleza rara que convence Formando constelares maravilhas Deixando diamantinas, belas trilhas...
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Meu coração pesando vai de banda No brilho de quem tanto imaginava Depois da dura imagem mais nefanda, O rumo finalmente eu encontrava
O passo bem mais firme não desanda Rompendo da emoção, seu lacre e trava, Uma amizade em paz tão só não anda E mostra em plenitude o que buscava.
Os dias embelezam nossa vida, Carinhos que se dão são recebidos, Os passos em firmeza alçando a paz.
Não deixa a caminhada vã, perdida, Caminhos mais libertos percebidos Nos ventos que amizade já nos traz...
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Eu perdi o meu coração no empoeirado caminho deste mundo; Mas tu o tomaste em tuas mãos. Eu buscava alegria e apenas colhi tristezas; Mas a tristeza que me enviaste tornou-se alegria em minha vida. Os meus desejos se espalharam em mil pedaços; Mas tu os recolheste e os reuniste em teu amor. E enquanto eu vagava de porta em porta, Cada passo meu estava me conduzindo ao teu portal.
Meu Coração
RABINDRANATH TAGORE
Meu coração perdido na poeira Ao ser tomado amor, em tuas mãos, Quem teve só tristeza; companheira, Quem teve tantos dias sempre vãos
Verteu tua tristeza em alegria. Espalhei meus desejos pelo mundo Enquanto o teu amor os recolhia; Dando um sentido mais profundo
À vida que eu tivera sem destino Vagando porta em porta, descaminho Agora ao perceber, quando me atino Já vejo que não sou mais tão sozinho.
Pois cada passo, vagando pelo astral Levava – doce amor – ao teu portal...
Obs Fantasia feita em soneto sobre obra de Rabindranath Tagore
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Meu coração palpita em tanta festa Ao receber a carta que mandaste. No fundo de minha alma já tocaste Abrindo no meu peito imensa fresta.
Não quero mais saber do que me resta Nem quero mais pensar se houver desgaste, Mal sabes quanta luz tu me emprestaste Salvando-me da dor que sei funesta...
Saudades que acumulo pela vida, Lembranças de teu corpo, porto e cais. Perceba quanto enfim iluminais
Na carta com anseios recebida. Sabendo que tu sentes minha falta, Felicidade, assim, minha alma pauta...
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Meu coração não deixa-se domar, Eu cria nesta lenda sem sentido, Depois de que te vi, pus-me a pensar Que amor nos doma e toma distraído.
Na tarde nebulosa da saudade, A chuva derramando seus cristais Rendendo e nos tomando a liberdade Amor se aproximando mais e mais...
Percebo o rumorejo deste rio Descendo nas cascatas altaneiras, O mundo sem amor resta vazio, As noites sem ternuras, sem fronteiras...
Meu coração domaste; fera amada, A garra que cravaste: tão afiada...
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Meu coração mineiro, um pobre sertanejo Nascido na montanha em meio a tanta mata Sonhando com menina, um distante desejo Percebe sua sina, a vida em serenata...
Apenas vou dizer o quanto que prevejo Do medo do que sou, um rio que em cascata Descendo em solidão, num momento revejo O que já fui e deixo em frio me arrebata...
Quem dera se pudesse em vôo mais liberto Trazer esta guria e ser enfim feliz. Porém triste cerrado esconde este deserto
Que trago dentro da alma, a vida calejada, Que bom se isso trouxesse o céu em bom matiz, Talvez então viesse a tarde desejada... Marcos Loures
8275
Meu coração melão de São João Nascendo em matagal, proliferou Meu verso se encharcando de ilusão Nos braços da morena decolou.
Depois, caindo como este balão No chão, mais que depressa estambacou. De tanto que bateu com emoção Sem ter juízo quase que enfartou.
Namoro é muito bom, quem vai negar? Chamego de morena inda é melhor. Ah! Se eu pudesse assim me apaixonar
Mil vezes todo dia, sem temores. Saberia dizer até de cor Quais são os paladares dos amores... Marcos Loures
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Meu coração liberto olhando um cais, Anseia por carinho e liberdade, Sabendo de outros sonhos irreais, Aplaca num momento a ansiedade
E quer, sem ter delongas muito mais Do que pudera ser felicidade, Aguarda no caminho aonde vais Florir uma esperança em amizade.
Não deixa se levar por emoção, Pois sabe quanta dor assim espera Quem vive tão somente esta prisão
Que é feita em solidão, triste cativa, Fartando-se de um sonho em primavera, Mantém nossa amizade sempre viva... Marcos Loures
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Meu coração imerso em teu desejo Se faz de nova luz e novo senso. Nos restos do que fui tanto prevejo Amor sem ter destino, vai imenso...
Não sinto mais vontade de saber De que matéria amor tão louco tece. Eu peço que tu venhas amor ter Se quiser posso até rogar em prece.
Se nada restaria destas frases Amor que incentivado cruza o céu. Já veio me infiltrando pelas bases, Depois de certo tempo, deixa ao léu.
Mas quero te sentir, taquicardia, Amor que tanto prezo, me irradia...
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Meu coração imerso em catedrais Dos sonhos em longínquas, ledas datas. Demonstra no vigor de serenatas O quanto te queria bem demais.
Acordes dissonantes, sempre mais, Adentram nas ogivas, colunatas Deitando uma ilusão em velhas pratas, Banquete que bem sei; terei jamais.
Mas vejo nestes sonhos, mãos suspensas Que tocam o meu rosto com carinho. Depois que tu partiste em desavenças,
O templo adormeceu, triste e sozinho. Quem sabe voltarás em recompensas, E a luz rebrilhará no nosso ninho...
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Meu coração fazendo confusão, Já nem sei se te quero ou nem te quis. No meio das batidas, fui feliz? Não quero nem respondo sim ou não!
Um coração moleque, sem perdão; Inventa sua praia, diz que não diz. E, pior, tempestade, pede bis... Paga pra ver qualquer novo sermão...
Eu fiz meu calendário sem ter datas, Perdi todo meu tempo nas ingratas Sensações que me trazes, vagabundo...
Fiz meus versos, confesso que menti, Muitas vezes, vadio, nem sofri. Mas por fim, coração percorre mundo... Marcos Loures
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Meu coração encontra tanto alento somente em teus regaço, no teu colo. Pois sabes me trazer com teu talento um vento delicado, meu consolo.
O tempo que promete temporal se esvai em um segundo, e logo vejo vontade se fazendo vendaval procura, bem depressa por teu beijo.
Quem dera se eu pudesse ter a sorte de ter em teus carinhos, porto e cais, eu nada temeria, nem a morte,
seria o mais feliz entre os humanos. Eu te amo e cada vez aumenta mais compartilhar amores mais insanos... Marcos Loures
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Meu coração em busca dos amores, Por tanto tempo o frio dominava... De nada mais sentia suas cores A corredeira doía, sempre brava...
Nada mais poderia ter, pensara... Um coração que bate sem cuidado. Amor eu sempre soube é pedra rara Mas tem, p’ra ter valor, ser lapidado...
Não vejo mais futuro, estou sombrio... Por vezes imagino teu sorriso. A noite me trazendo tanto frio. Espero teu amor, disso preciso.
Não deixe que isso tudo tenha olvido. Salve meu coração, que está partido
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Meu corpo te reclama a cada instante, Deveras a distância nos maltrata, Na força deste amor que me agigante Delírio que conquista e que arrebata
Marcando com teus lábios, delirante Caminho em que a ventura já nos ata. Tua presença amada e sempre grata Permite este momento fascinante...
Receba com carinho este poema Que traz como seu mote uma alegria Vencendo num sorriso esta agonia
Que outrora fora amargo e duro tema. E assim dois andarilhos conterão A eterna maravilha da paixão...
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Meu corpo te buscando e na vontade Que um dia em fantasia me tomou, Entorno sem limites, saciedade, De tudo o que aprendi, e agora sou,
Descubro- até que enfim – felicidade, Na pele que em loucuras me tocou. Refém do paraíso de verdade Em ti meu barco, amada, naufragou
Do gozo mais perfeito que persigo, Apenas junto a ti o amor consigo Por isso creio ser tão necessário
Dizer a todo mundo quanto eu quero O amor que se mostrando mais sincero Completa em alegria, aniversário. Marcos Loures
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Meu corpo que se aquece nos teus braços, Aos poucos me tornando um dependente De todo esse carinho dos abraços, Enlaces que me prendem totalmente. Eu tenho uma vontade quase louca: Falar pra todo mundo que me escuta, Como é gostoso o cheiro desta boca Que roça minha boca sem disputa. Amor tão soberano e vagabundo, Rolando em qualquer cama, sem pensar, Não há maior amor, eu sei, no mundo, Amor que não se cansa de cansar Em tantas maravilhas que o amor tem, Nas noites, nesses dias do meu bem...
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Meu corpo no teu corpo; atos, laços, Fomentos da divina insensatez. Adentro com fulgor, ocupo espaços Sentindo o teu suor, brilhante tez...
Estar dentro de ti, ser inerente, Coalizão complexa, mas exata, Num gêiser divinal, já se pressente O gozo que em sorrisos se constata.
Das cordas, cárdia insânia, coração, Volúpias benfazejas que se tocam, Ardências e vontades, com tesão, Prazeres que se encontram, já se alocam
Nos cândidos recônditos sedentos, Em loucos frenesis, doces tormentos... Marcos Loures
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Meu corpo em podridão vasculha a casa Do amor que se perdeu há tantos anos. Na decomposição o sangue vaza E deixa em mil pedaços velhos planos.
A morte sem juízo já se atrasa E deixa tão somente os desenganos Tomando o que resta em pouca brasa Cadáveres de sonhos, desumanos.
Beijando a minha boca, a solidão, Saudade deste amor, putrefação De todos os sentidos. Renascer?
Quem dera se pudesse este prazer De um último carinho quase inerme, Nos lábios redentores deste verme...
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Meu corpo de coçar-se anda perdido, Às vezes quero crer mais não consigo O quanto que essa pulga faz comigo, Pegando-me, deveras distraído.
Ô bicho dos demônios! Convencido De que pensa que eu sirva como abrigo, Na verdade parece ser castigo. Procuro nisto tudo algum sentido.
A vida que passei; vida cachorra, Ladrando pelas noites nas calçadas, Esta explicação; penso que socorra.
Quem sabe andei uivando nas estradas? Agora que coçaram minhas patas: Eu descobri por que: sou vira-latas...
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Meu corpo com certeza irá esquálido Levando o que restou de um ser patético. O verso se mostrou bastante inválido, Distante do que julgo ser poético.
Ausência de um verão que fosse cálido Não vejo mais que um sonho e antiestético Apodrecendo inerte, sigo pálido Num paganismo intenso, sempre cético.
Quem ver-me, quase um verme sem valia Não sabe que eu amei, sonhei, sofri. Porém saudade mata uma alma fria
E nada sobrará decerto, aqui. Apenas estrambótica visão Do que só fora uma alucinação...
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Meu corpo ardendo em brasa invade o teu Incêndios provocados, fogo intenso. A chama em umidade se verteu No nervo contraído, o corpo tenso.
Bacantes exauridos, no depois, Aragens e sorrisos, suor tanto. Vibramos em uníssono, nós dois, Numa explosão que é feita em raro encanto.
Insensatez e glória, na colheita, Depois na terra arada, grãos fecundos. A cama e seus lençóis, toda desfeita
A gota em explosão já convertida; E mesmo que isto seja por segundos Bem vale a eternidade de uma vida. Marcos Loures
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Meu coração varado por Cupido, Em flechas tão certeiras quanto audazes. Agora meu amor, o que decido, Se falo em sentimentos mais falazes O que pensara estar mais decidido, Se perde no caminho num four de ases...
Cupido, esse moleque bem traquinas, Tomou meu velho peito num assalto, Já nem sabia mais; pernas, meninas, Agora vem tropeço no ressalto, A que será portanto que destinas Ó deus! Um coração em sobressalto
Te pede, por favor, não faças isso, Não quero mais saber de compromisso...
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Meu canto se tornando mais sutil, Num brinde que te faço, meu amigo, Teu braço bem mais forte e tão gentil, Pra sempre se transforma em nosso abrigo.
Protege contra a dor, quimera vil, Afaga quem caminha assim, contigo. O nosso peito em festa então se abriu No canto mais feliz que assim, prossigo.
Revendo esta folhinha, o calendário, Percebo que hoje é dia de uma festa, Pois sendo assim, feliz aniversário
E que isso se repita por zil anos. Enquanto houver a força que me resta, Teus dias são pra sempre, soberanos...
92
Meu canto se perdeu em desafino, O vento que te trouxe já te leva, Enquanto dentro da alma chove e neva Eu desafio, tolo, o meu destino.
O que será dos sonhos? Desatino... A seca destruindo toda a ceva, As nuvens que eu herdei, terrível treva, Num verso sempre estúpido. O menino...
Aviso aos navegantes: sou naufrágio. Inútil caminheiro, audaz e frágil, Medonhas madrugadas; desafio.
E tento vislumbrar um lenitivo, Apenas tão somente sobrevivo Eterno inverno, sigo vão, sombrio...
93
Meu canto se perdendo sem ninguém Vazio que se entorna dentro em mim. Depois de tanto tempo quero alguém Que trague e que remoce amor sem fim.
O vento da saudade quando vem Destrói cada ilusão. É sempre assim. Quem tantas vezes luta por um bem, Em seca encontrará o seu jardim.
Há tempos que eu desejo te dizer O quanto é necessário ser feliz, Roubando da alegria este prazer
Meu verso sem sentidos se perdendo, Aos poucos já não tendo o que mais quis Os carinhos da morte me envolvendo...
94
Meu canto se faz simples como o sol Nascendo sobre os montes no sertão. Uma esperança trago por farol Alumiando sempre o coração.
Não vejo nada além neste arrebol, Somente me acompanha a solidão. Procuro uma amizade, um girassol Que não quer mais sofrer desilusão.
Amigo quando chega traz alento E ajudando a encarar o novo dia Apascentando a dor, trazendo ungüento
E transformando o triste em alegria. Meu canto vasculhando num momento Procura uma amizade; quem daria?
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Meu canto pelos olhos vai movido, Na sensação de ser, enfim eterno, Mantendo o coração tão aquecido, Faróis que me iluminam neste inverno
Da vida em que me sinto revivido Pelo carinho doce, meigo e terno Já tendo o meu passado revolvido Esqueço o que vivi; amargo inferno.
Agora por somente ser assim Um homem que se encontra em mar sem fim Percebo quanto é bom poder dizer
Do quanto bebo a vida com prazer Nesta mulher, decerto reluzente, Fazendo-me sentir, de novo, gente... Marcos Loures
96
Meu canto necessita de disfarce, A voz embotaria o coração... Não posso oferecer senão a face, Espero por teu beijo e bofetão!
Nas horas mais doridas se renasce A vontade translúcida, perdão! Não quero, nem talvez nunca cessasse A luz que já me insufla, da amplidão...
Meu canto não distingue nem explica, Somente degenera e não se expõe Meu canto que jamais cala, adocica?
Escarra minhas dores, alivia... Devagarzinho chega e decompõe Não deixa nem retalhos, fantasia...
97
Meu canto mais suave Voando em direção Qual fosse uma livre ave Que busca o coração.
Não vendo mais entrave Esquece a solidão Depois de achar a chave Aquece-se em paixão...
Meu canto agora quer Amor que sei fecundo, Nos braços da mulher
Mais bela deste mundo. Pois seja o que vier Não te esqueço um segundo...
98
Meu canto mais parece o de um pardal Que se encanta com tanta maravilha Bebida nos teus versos, doce trilha Que me permite assim, um bom final.
Navega em mares calmos minha nau Seguindo este farol que ao largo brilha, Cada soneto teu, a alma andarilha, Persegue num divino ritual.
A bela e talentosa sabiá Sabia deslumbrar e desde já Eu, pobre tico-tico, me inebrio
Com tua magnitude, minha estrela, É sempre bom poder ouvir e vê-la Tornando mais audaz meu verso frio...
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Meu canto mais ameno e mais liberto Encontra nos teus versos direção, Andara sem oásis num deserto Ouvi em tua voz anunciação
De um dia onde o longe fosse perto E a vida permitisse esta lição Do amor que é feito em peito mais aberto Fazendo a saudade ser em vão...
Na comunhão dos sonhos e dos atos, Uníssona certeza: ser feliz. Por mais que sejam secos os regatos
Amor em enxurrada, tudo alaga, E cura sem deixar a cicatriz Qualquer funda ferida, imensa chaga. Marcos Loures
8300
Meu canto errante busca uma harmonia Que possa traduzir felicidade, Vagando pela noite quente ou fria, Nos bares e motéis desta cidade.
Quem sabe ao fim da vida, uma alegria Permita-me falar da liberdade Que embora tantas vezes, sonho cria, Sabendo-me sozinho, diz saudade...
Marcantes sentimentos que vivera No amanhecer da vida, primavera, Apenas simples páginas marcadas
Nas folhas do diário da esperança, Enquanto este vazio vem e alcança As vozes da emoção, desafinadas... Marcos Loures
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