
MEUS SONETOS VOLUME 081
Data 15/12/2010 18:21:34 | Tópico: Sonetos
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01
Mais sangrante, essa adaga, minha amiga... Consolo minhas perdas no seu fio, Disfarço meus temores, tanto frio... Ternura que esqueci, já tão antiga.
Em meio a tantas mágoas, vou vazio, Você sabe de tudo mas nem liga, Amor que já morreu, perdeu a liga, O tempo que passei, procuro estio...
Mas somente invernosa madrugada Açoita com seus ventos, a janela.... Não posso, nem serei, não sobrou nada...
A foto na parede não é dela, A vida se esvaindo, tão cansada... Amor que fora estrela morre Estela... Marcos Loures
02
Mais terras que percorra, não terei Senão brilhos, olhares, e canções. Em todos os desertos, fui o rei, Embora nunca houvesse corações!
Procurando esta lua, descasei, Não me deste sequer os teus verões As terras sem destino, descansei, Amores se explodindo em amplidões...
Meu mote falta sorte, sobra morte... A noite que me trouxe esta ciranda, Por certo provocando fundo corte,
Não deixa outro caminho em minha sina. Na boca carmesim desta menina, Amores se traduzem em Fernanda!
03
Mais um aniversário. O que fazer? O tempo não dá tréguas, vai ligeiro. Idade não me importa! Ao bel prazer Prossigo em meu caminho, verdadeiro.
Seria muito bom poder viver Sem ter os medos próprios de quem vive. Saber com toda a glória envelhecer Não me esquecendo nunca onde eu estive.
Mantendo a mesma força de vontade, E não deixar faltar nem um sorriso, Guardando para sempre uma amizade, E o passo que for dado, o mais preciso.
Mais um aniversário, mas tá bom. Viver e ser feliz, bendito dom!
8004
Mais um ano se passou Com carinhos e amizade Você sempre nos mostrou O caminho da verdade.
Nesta data agora eu vou Com total felicidade, Bendizer onde eu estou Sob enorme claridade
Dos olhares de quem sei Da amizade fez a lei, Tendo amor tão solidário.
Nesta luz que agora vejo, Minha amiga eu só desejo Um feliz aniversário! Marcos Loures
8005
Mais uma noite fria e sem ninguém, Apenas esse vento na janela Procuro sempre em vão pelo meu bem, A vida se entregou ao lado dela...
O resto do que fui caminha a esmo Sem ter sequer destino, vou vazio... Quem dera que eu pudesse ser o mesmo Antes que o coração calasse frio...
Amor, por que partiste, diga enfim, Meus versos não suportam a distância A morte vem rondando, chego ao fim, O sofrimento imenso em tal constância
Permite que eu escute sempre o não, E morra, a cada dia, em solidão!
8006
Majestade espalhando a cada passo, Mexendo os teus quadris, doce pantera. Desejos no teu corpo sempre traço Gerando a fantasia que se espera.
Na espreita dos teus rastros, vou e caço Estrelas que derramas, primavera. Na fonte dos desejos embaraço Cabelos, coxas, pernas, louca fera...
Espelhas diamantes nos teus olhos, Muito embora tão frívola bacante Semeie fantasias entre abrolhos
Promessas de colheitas em fartura. Prendendo minhas pernas num instante Galopa eternidades com ternura...
8007
Mal conheço teu nome, e não me importo Com isso, pois te sinto por inteiro, Neste oceano quente onde me aporto Te reconheço apenas pelo cheiro. Nos dentes afiados onde me corto As marcas deste bem mais verdadeiro, Ao tempos mais felizes já reporto Com gosto tão selvagem de espinheiro. Borbulho em tua boca meu desejo Num beijo decorado, essa tortura Tramando uma loucura onde prevejo A nossa fantasia em carne exposta, Já vale o que me entorna e me procura Num arrepio intenso enquanto encosta...
8008
Mal consigo dormir se não estás Deitada do meu lado, brasa acesa. Ardendo em vera chama, amor se faz, Depois de toda a festa em sobremesa.
Sorvendo assim de ti, sou bem capaz, De receber o vento que me tesa, Fazendo tanto amor, querendo mais, Navego nos teus mares de princesa.
No jogo que incendeia a nossa cama, Brincando em flamejantes tentações. Insisto em te querer, fogosa trama,
Nas asas tentadoras das paixões. Amor em seus matizes, toda a gama, Explodindo em milhares de emoções... Marcos Loures
8009
Mal creio que isso tudo deu em nada, No parque, a diversão ficou de lado, O beijo que me deste, amarrotado, A sobra foi jogada na calçada.
Apreço sendo coisa do passado, No quarto a tua imagem apagada, O risco de viver quebra alambrado A teimosia em nós, tão tatuada.
Abaixo então a luz, fumo um cigarro, Das lembranças sutis, eu me desgarro E volto a ter um riso, mesmo falso.
O quase ser feliz vira tragédia Com pão amanhecido, bebo a média Andando sobre pregos, vou descalço...
8010
Mal nasce o dia; lembro-me de ti. Do tempo em que vivemos mesmo ninho. Agora é que percebo o que perdi Na adega da esperança sem teu vinho O mundo desabou, descolori O brilho da manhã, fiquei sozinho...
Uma emoção distinta que se aflora Mostrando um paladar de nostalgia. Uma ave que se foi, bela e canora Deixou este silêncio em agonia. De tudo o que tivera, sem aurora, Renasce nebuloso cada dia.
Eu digo o quanto te amo, não me escutas? Pomar morreu em flor, sem gosto e frutas...
11
Meu amor desdobrado em fantasias, Me disse que jamais serei feliz... Não pressinto o temor das valentias, A noite emoldurada nada diz.
Não me importa se fiz ou se farias, Nas cordas da viola, um novo bis... Mascaradas procuram alegrias, Amor nega verdades que não fiz...
Da boca abençoada que beijei, Da mão tão calejada que acalento, Não sobram nem parcelas do que sei,
Não quero cometer incoerências, Nem quero um coração batendo lento, Beleza que encontrei nestas hortênsias ... Marcos Loures
12
Meu amigo de tantas histórias Pela vida, nós fomos guerreiros. Tantas vezes , vitórias e glórias, Sentimentos reais, verdadeiros.
Outras vezes, perdidos, sem nada; Nessas curvas difíceis da vida. A presença demais esperada Com certeza, da mão tão querida.
Se tivemos as horas ingratas, Outras tantas, nós fomos felizes. Amizade nos traz forças natas Ajudando das mais duras crises;
Neste afeto, por certo, sem par; Um apoio pr’a luta encarar!
13
Meu álibi, disseste é incabível! Não tenho mais desculpas a forjar... Olhaste um coração tão impassível, As pedras sutilmente, vão rolar!
O resto que sobrou, indefectível, Não passa de penugem sobre o mar... Meu álibi, pensei fosse infalível, Agora que percebo, perco o par...
Ávido dessa vida que vivi, Não devia vestir tal sutileza... Por favor, não me julgues de per si...
Mentiras fazem parte deste jogo! Cobri com mil desculpas, na defesa, Te peço envergonhado, ouça meu rogo!
14
Meu alento de vida, meu futuro... Tua voz que me acalma cristaliza. Amor que me inoculas, belo e puro; Bate, tortura, sangra, vem e alisa... . Um amor delicado e tão brutal Serpente que acarinha e dá seu bote. Na cama uma criança sensual Iluminando tudo, um holofote...
Vibrando nossos fluxos e cenários. Rodando nas cabeças inebria. Somos os mesmos rios, estuários. A noite que queremos; tão vadia.
Se somos sanguinários nos sugamos, Ao mesmo tempo, loucos, nos amamos..
15
Metamorfoseando o pensamento, Às vezes sou quem nunca poderia, A vida em genial engenharia Provocando a mudança, estanca o vento.
Se imerso no passado eu me arrebento Esqueço o que em verdade não podia, Percorro sem domínio cada via, Sem ter de algum final, pressentimento.
Mutante coração, quer ou não sabe, Bem antes que meu tempo, enfim se acabe Desta complexidade; eu me livrar
Arcando com a escória do que fui, Este ir e vir de amores tanto influi, Mas teimo em meus escombros ignorar... Marcos Loures
16
Metades que se encontram em poesia Somadas formam mais do que milhão, A noite quando toca o manso dia, Em luzes se transforma, um turbilhão...
Metades encantadas pois completas São forças gigantescas e medonhas, Assim como se abraçam dois poetas, Nos sonhos que eu já sonho e que tu sonhas...
Parcerias são formas de prazer Amores repartidos mas inteiros, Ajudam a quem ama perceber, Que a vida se reparte em companheiros...
Parceiros destes cantos sem quimera, Que fazem renascer a primavera!
17
Metade quer seguir, a outra cessa, E enquanto te imagino pareada, Não vejo mais o rumo desta estada O amor jamais passou de uma promessa...
E a fantasia estúpida confessa O quanto se traduz por simples nada. A lua se derrama na calçada E a história em serenata recomeça.
Já tive tanta pressa. Hoje estou só, Da antiga caminhada resta o pó Que toma este cenário totalmente.
Resíduos do que fomos embotando O olhar que tantas vezes quis mais brando, E agora tão sombrio, se pressente...
18
Metade do que fiz não deu em nada, Tampouco outra metade valeu tanto, Matando com discórdia algum encanto Que possa traduzir uma alvorada.
Servindo a quem não serve, abandonada, Minha alma se perdeu em tolo canto, Não posso suportar qualquer quebranto Sabendo tão distante minha alçada.
Calçando a solidez de um diamante, Embora saiba ser só um farsante Aquele que propaga a fantasia.
No beijo embolorado da ilusão, O quanto amarelou meu coração, Gerando invés de luz, desarmonia...
19
Metade do que eu Faço nada diz Escada vou depois subo... Descendo No amor que tantasssssssssssssss Vezes fui feliz... 3 Prazer quando se tem eu quero ao cubo Recolho cada fruto Vivo o grão. Numa EXPRESSÃO estranha, sou SÓ TEU. A O coração batendo assim Encontra no final, a SOLUÇÃO... Eu tento e não dis farço falsos rumos Quem dera se eu pude ESSE ser teu PAR – 02468 Ao FIM Da estrada sinto em meus A mos Pru Vontade de e te encontrar SAIR Assim quem? SABE tenha um novo SOL Trazendo luz nesse ARREBOL... FARTA
ESTA É UMA TENTATIVA DE FAZER UMA POESIA CONCRETISTA... ESPERO QUE GOSTEM.
20
Metade da maçã que me cabia Depois da tentação no Paraíso Trazendo algumas gotas de alegria Num toque muitas vezes impreciso.
Se a gente faz amor e é todo dia, Garante com certeza um bom sorriso, Porém se chega a noite em ventania, O amor já vai embora sem aviso.
Desta Eva que me coube na partilha, Carinho diz lareira e quebra o frio, Minha alma muitas vezes andarilha
Encontra nos seus braços o remanso Que mata o coração feroz, vadio, E deixa meu espírito mais manso.. Marcos Loures
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Mestre Camelo eu peço uma licença Pra poder desfiar o meu rosário. Se o verso é da maneira que se pensa, Eu sinto que em verdade eu sou otário.
Ficar queimando a mente não compensa, A poesia vive atrás do armário, A noite vai passando sempre tensa A rima se tornando um relicário.
Atrás do trio elétrico vou eu, Quem sabe deste jeito inda consiga, Fugir da regra estúpida, esta urtiga
Que há tanto tempo, amigo, já morreu. Mas digo companheiro; a poesia Rimada está virando uma heresia... Marcos Loures
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Mesmo quem pensa sempre ser feliz Às custas desse canto em vão prelúdio Esquece que tampouco o que se quis Deitar no manso colo em interlúdio...
Trazendo um sentimento onde se ilude Ascende por montanhas intocáveis. Assim quando eu amei bem mais que pude Passei por tantos mundos improváveis.
Senti que tudo passa nesta vida Amor, paixão e dor são momentâneos. Porém tenha certeza enfim querida Que as fotos nestes casos, instantâneos.
Agora na parede emoldurada Somente uma amizade bem amada...
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Mesmo que uma alegria seja breve, Louvando a vida em cor maravilhosa, Palavra tão amiga e mais mimosa, Não deixa mais que caía em fria neve
O tempo transformado bem mais leve, Fomenta uma alegria graciosa, Deixando a vida amarga e tormentosa Distante do momento em que se deve
Saber da glória imensa de se ter, Uma amizade plena de prazer, Calando em nosso peito amargas dores,
Amiga não consigo te esquecer, Contigo é bem mais fácil meu viver, Pois sabes cultivar jardins e flores.
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ue te pareça fantasia Não teime que talvez o nada venha O fogo necessita desta lenha Senão a nossa vida é tão vazia.
Serena madrugada quer e cria E mesmo que esperança não contenha, Minha alma sem limites já se empenha Buscando no final tua alquimia.
Parceiro deste espectro, verso tolo, O quase me pegando de surpresa. No fundo não desejo ser a presa,
O amor não merecia tanto dolo. No colo desta luz que forma o trilho O coração dispersa-se, andarilho...
8025
Mesmo que seja apenas por momentos, Eu sinto que terei alguma chance De ter em minhas mãos teus sentimentos, Vivendo a maravilha de um romance.
Tocado pelos belos pensamentos, Captando reticências num nuance Percebo finalmente estes ungüentos Por mais que a fantasia não se canse.
Eu quero poder ter o teu sorriso, Pois nele já encontro este sinal Do quanto ser feliz inda é possível.
Amor que chega sempre sem aviso, Transforma um ser tão frágil e mortal Num deus iluminado e imprevisível... Marcos Loures
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Mesmo que pareça mentiroso Meu canto mais feliz nunca mentiu. Às vezes te pareço um ardiloso Que engana com palavra mais gentil, Porém toda alegria dor e gozo Por certo quem poeta já sentiu.
No vento que me trouxe veraneio Na areia em que tostei meu coração, Nos olhos de quem vive tanto anseio, Nas mãos sempre perdidas no perdão. Na doce sensação do belo seio, No rosto da saudade, na emoção...
Falar do que mais sinto, amor demais, Se mostra em cada verso e sempre mais...
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Mesmo que não sejam verdadeiras As palavras que dizes para mim, Refletem maravilhas de roseiras Florindo em alegrias meu jardim.
Mesmo que as canções soem tão falso, O verso emoldurando uma esperança Arranca o coração do cadafalso, E louco, sem dar tréguas, ele dança.
Mesmo que o remendo seja atroz A colcha de retalho é nobre manto Pra aquele que cansado e já sem voz Procura uma alegria em qualquer canto.
Por isso é que me entrego plenamente, Sabendo que o poeta é triste e mente... Marcos Loures
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Mesmo que eu entenda ser tão falso O diamante belo que me deste, Entregue à tal loucura, sem percalço Meu coração outrora árido agreste
Na agônica expressão de um cadafalso Agora de alegrias já se veste, E mesmo que inda siga assim descalço Pressente alguma aragem que me ateste
Dos sonhos que inda trago; Ilusões, Vertendo qualquer forma de prazer. Não posso conceber tais emoções
Mas gosto, mesmo em dúvida de ter A rara sensação de ser feliz, Por mais que o céu se mostre sempre gris...
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Mesmo que em passo lento, devagar O peito sempre erguido, eu vou em frente, Não temo a virulência a se mostrar No bote venenoso da serpente.
Eu tenho na verdade uma noção Do quanto é necessário ter cuidado. Quem busca no amor satisfação Às vezes, quase sempre é maltratado.
Fazer no nosso amor, experiência Uma armadilha, eu sei, já se prepara. Quem reconhece e disso tem ciência Cuidando de um amor qual jóia rara
Encontrará em paz, perenidade, Vivenciando a luz da liberdade...
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Mesmo que a neve caia sobre ti, Não deixe esmorecer tua vontade. Em todos os momentos percebi Nos teus olhos a rara claridade
Que faz numa pessoa a diferença, Tu tens o brilho próprio que ilumina A todos. Divindade assim imensa, Tocando a quem rodeia descortina
Uma alegria plena e assim nos traz Felicidade e paz, razão da vida. Por isto neste dia eu te desejo
Tudo o que tu quiseres e bem mais. Que o teu aniversário enfim, querida, Espalhe pelos Céus raro azulejo...
Marcos Loures
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Mesmo quando ausente, eu percebia Tua presença, amada junto a mim, Além de simplesmente poesia Eu vejo farto amor que não tem fim.
No toque de teu corpo essa magia O beijo desta boca carmesim, Vivendo plenamente esta alquimia O amor que a gente sente é sempre assim.
Não vejo mais motivos pra temer Iremos passo a passo, eu te garanto Que imerso na alegria em pleno encanto
Apenas do teu lado posso ver Um dia mais bonito em pleno sol, Pois sou de teu brilhar, um girassol... Marcos Loures
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Mesmo nos mais áridos caminhos, Nas sendas mais desérticas, o amor, Vencendo a solidão com seus carinhos Permite a fantasia recompor
Com toda a placidez, suaves ninhos, Aonde uma esperança vem repor Distante das tormentas, burburinhos, Numa expressão serena, traz calor.
Tão simples e complexo ao mesmo tempo, O amor vai superando o contratempo Tornando fértil o solo, e mesmo a areia.
Num ato de feliz superação Trazendo um oceano de emoção, De um deserto transforma em maré cheia...
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Mesmo material, nós fomos feitos, Da carne apodrecida nos esgotos, Os sonhos que tivemos foram rotos Jogados nas sarjetas quais rejeitos.
Vivemos por viver, mas satisfeitos, Refaço os meus caminhos destes cotos, Tu mostras teu vigor nos tantos brotos Jamais quisemos ser somente aceitos.
E, párias sem paragem, vamos nessa, Por mais que venha a queda; recomeça A sina brasileira de lutar.
E quando a noite chega, sertaneja, O amor avarandado é o que deseja Uma alma empaturrada de luar...
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Mesmo distante, quero o teu amor Em forma de ilusão ou de verdade, Sabendo do teu jeito encantador Que traz tanto prazer, felicidade, Eu quero teu amor de forma amiga Com gestos delicados de fineza, Embora, eu sei, saudade sempre abriga Algumas cicatrizes da tristeza... Não me abandones, venha para mim, Na noite benfazeja e desejada, Te quero em nosso mais belo festim, A boca me mordendo, apaixonada... Mais tarde, quando a morte enfim chegar Eu posso assim, dizer: foi bom te amar!
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Mesmo distante sinto esta presença Do bem que se fez tanto a cada dia. Uma amizade feita em alegria Encontra na amizade a recompensa.
A vida nos imputa tal descrença Que aos poucos vai matando a fantasia, Criança que nós fomos não sabia Da ausência de esperança; dor imensa.
Por mais que estejas longe, minha amiga, Existes e persistes dentro em mim. Sabendo desta luta até o fim
Por uma vida amável que prossiga Trazendo para nós tranqüilidade, Encontro munição nesta amizade...
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Mesmo distante espero o teu perfume Exalado em palavras delicadas. Ao trazeres em luz, perfeito lume, As noites se tornaram estreladas. Matando qualquer sombra de queixume, As nossas mãos e bocas vão atadas...
Não posso resistir ao sentimento Tão forte e mais gostoso da paixão. Não deixo de pensar um só momento Na possibilidade da emoção Que vem tão sutilmente e toma assento, Inunda bem depressa, o coração.
Na soma de nós dois, amor se intera Formando uma esperança em primavera... Marcos Loures
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Mergulho sem temer tuas procelas, Enveredo-me, louco, no teu sol. Meu amor não se esquece, abre as velas E te sabe cigano amor, farol...
Quero saber de tocar teu corpo inteiro, De beijar tua boca, sem receios. Sabendo que um desejo verdadeiro Necessita de nucas, bocas, seios...
Em teus raios dourados, minha amada, Todos atracadouros quero em mim. Desembarcar na praia ensolarada, E beijar cada porto, cais, enfim...
Em teu mar vou deitar-me, ser areia, Uma onda a me lamber, na lua cheia...
38
Mergulho sem limite, a cada instante Nos mares que tu trazes, num sorriso, Uma escultura nobre e radiante No toque dum artista mais preciso,
Vibrando em luz suprema, delirante, Expressa a perfeição de um paraíso. No colo desta deusa, aconchegante, O sonho mais feliz, claro e conciso
Pilares de um altar, rara nobreza, Intrépido caminho que hoje eu traço, Outrora um vagamundo na incerteza,
Agora um cantador enamorado, Aos poucos vem tomando todo o espaço, Alaga em fantasia, o ledo prado... Marcos Loures
39
Mergulho sem limite em belos poços Naufrago em teus caminhos, bebo a sorte, Desejos que se fazem teus e nossos Aos mares deste amor divino aporte.
Eu quero e não descanso de buscar A marca deste amor, insanamente. Vestígios em teu corpo do luar Tramando a bela noite iridescente
Pecado é não querer provar do gozo Melífera loucura que transcende, Segredo deste mar voluptuoso Que toda noite em chama nos acende
Nudez e transparência, qual colírio No jogo que se mostra tal delírio Marcos Loures
40
Meu amor não mais permita Que este sonho, um dia acabe, Quem provou de uma desdita Sabe quanto amor já cabe A minha alma sempre agita, Do meu destino já sabe, Encontrar uma pepita Antes que a vida desabe E faça-se em sofrimento, Em tanta dor afinal. Não esqueço um só momento, Ao olhar o firmamento, De teu corpo sem igual, Minha alegria e tormento...
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Meu amor impreciso qual cometa Remete na centelha de teus passos A vida que se fez mais incompleta; Ocupa sem querer os teus espaços.
Repete cada luta que repleta A boca esfomeada tantos maços Fumados. Emoção analfabeta Não sabe nem percebe os mansos braços
Que envolvem calmamente meu pescoço; Alegria fugaz voando breve Restando uma incerteza em alvoroço
Escrita nestas páginas vazias. Mas eu te peço, amor que assim me leve De volta às velhas luzes, fantasias...
42
Meu amor eu não sei nem por onde andas, Por isso me embriago. Eis os tremores. Andei te procurando em outras bandas Perdi teu rastro imerso em novas flores.
Mulheres que encontrei pelo caminho Virtudes esquecidas na aguardente. Na busca por afeto e por carinho Ser feliz, decerto é mais urgente.
Num sentimento lúdico de amor, Por um momento, escravo desta luz, Não tenho quase nada a te propor
Será que bem leve e breve a minha cruz, Deste cenário sigo sendo ator Ao fundo um cego triste toca blues...
43
Meu amor está pleno de teus beijos, Tuas manias sóbrias e decentes, No que me restará de teus desejos, As mãos vão percorrendo, são dementes...
As farpas que trocamos, percevejos, Os restos da comida, bocas, dentes... Na sorte que pedi aos realejos, Distâncias e desejos pedem lentes...
Meus dedos vasculhando cada ponto, Na gruta que me dás, velho morcego... No rolar desenrolo e fico tonto,
Manias e defeitos são vertigens... As barcas mais sutis não as carrego, Nos olhos me restando só fuligens... Marcos Loures
44
Meu amor espera o sol Sol que nunca mais veio... Amor louco girassol, Preparando um novo esteio
Nada encontra em arrebol Coração desfere seio Virando nova ilha, atol! O sol é pão e centeio...
Tristes olhos querem ver Onde pode sol nascer Se tal sol nunca mais brilha...
Nos céus procuras a trilha Onde mais pode esconder Os olhos de nossa filha? Marcos Loures
45
Meu amor é fanática emoção. Meus olhos não conseguem tanto brilho. Passando por amor, vira obsessão. É mais do que sonhar um novo filho.
Explode, com certeza, o coração. Não deixa nem permite rumo e trilho... Rebenta mais feroz do que paixão!. Detona dinamite no rastilho...
Esse amor, endeusado e tão cruel, Por certo vasculhou estrela e céu Um resumo absoluto desta vida.
É ponto de chegada e de partida. Espreito a divindade em meu dossel, É sorte que me leva a despedida... Marcos Loures
46
Mergulho nos teus olhos, ganho o mar, Nas verdejantes ondas me apaixono, Entregue à tal beleza, em abandono, Permito, o pensamento, navegar.
Adentro o paraíso, devagar, Queria ser escravo e ser teu dono, Os ritos do desejo, doce abono, Que tanto procurei; posso encontrar
No olhar desta mulher que me conquista, Deslizo em calmas ondas, vou na crista, Até chegar ao porto de teus braços.
Levado pelos ventos, me inebrio, Sentindo o teu calor, esqueço o frio, Deitado mansamente em teus regaços.
47
Mergulho nos abraços Da moça mais bonita, Seguindo loucos traços, Encontro esta pepita.
Do amor que faz os laços No qual sempre acredita Quem segue insanos passos Um horizonte fita
Em clara mansidão, Em montes divinais, Amor, aluvião,
Nos toma sem dar chances, Aumenta sempre mais, Em loucas avalanches... Marcos Loures
48
Mergulho nos abismos da ilusão Fazendo dos teus lábios o meu guia Enquanto houver ainda fantasia Eu venço sem temor, o furacão.
E vendo tão distante a solução Quem dera se chegasse novo dia Raiando com desejos e harmonia Trazendo ao viajante, a direção.
Amar não é brinquedo, é caso sério. E a vida nos tramando este mistério Permite um cão vadio ter desejos.
Nos olhos da rainha, o mesmo brilho Que roça o coração deste andarilho Sonhando com delírios, loucos beijos... Marcos Loures
49
Mergulho no vazio que criei, Apenas vagabundo trovador Usando as artimanhas de um amor Nas suas armadilhas me entranhei...
Respostas? Tolamente procurei, Quebrando os meus altares, sem andor, As alas libertárias do condor Fazendo da esperança a minha grei...
Mas nada do que outrora imaginara Será qual recompensa para mim, Matei há tantos anos meu jardim
Na busca desta flor sublime e rara. Na inválida emoção destes meus versos, Os passos que tentei seguem dispersos...
8050
Mergulho no vazio de teus olhos E o nada simplesmente me apavora, O quanto se perderam em restolhos E o nunca tolamente já decora
Olhar que insanidade fez distante, Vagando por estrelas ou bueiros, Afã que se mostrara delirante Perdido nos remansos traiçoeiros.
Nesta loucura imensa que nos traga, Estranhas sensações acumuladas. Porém uma palavra mansa afaga E traz à tona vidas malfadadas.
Preservo mesmo em louca tempestade O sentido real desta amizade... Marcos Loures
51
Mergulho no teu mar. Vou desejoso, Querendo cada gota prometida, Sorvendo e destilando cada gozo Nos méis maravilhosos, nossa vida.
Ao ter teu corpo lânguido e sedento, Misturo nossos lábios e salivas. Atado nas vontades, num momento Atraco no teu porto, tais ogivas
E na explosão das minas eu me rendo, E deixo-me levar, do amor cativo. Fartura de banquetes que pretendo, Dos gozos mais benditos, eu me crivo...
Do quanto o nosso amor farto se fez Vontade de encontrar tua nudez. Marcos Loures
52
Mergulho no teu corpo em tal deleite Trazendo para mim tua ardentia, O fogo em tua pele me irradia, Convite para amor que logo deite
Na cama em que o prazer se mostra enfeite De corpos que se querem, fantasia, Distante do que fora nostalgia, Tomando da alegria um puro leite.
Amada, como é bom estar ao lado De quem nunca cansei de imaginar Desnuda, num encontro onde suado
Pretendo sem juízo, mergulhar. Vencendo a resistência, num segundo, Adentro os teus segredos, e vou fundo...
53
Mergulho no teu corpo e sou sincero, Não temo uma incerteza, nenhum mal. Amor que não machuca? Não o quero, Entranho no teu pélago abissal.
Escracho os meus sentidos; vivo e, fero, Das cordilheiras faço o meu bornal, Patamares longínquos onde espero O precipício insano, desigual.
Não teimo, pouco temo e assim me crio, Frutas maduras, gozos e pomares, Na cama onde desfruto tetas, cio,
Talheres que permitem bons jantares. Morena. Vem, aqueça que está frio, Esparramando estrelas e luares...
54
Mergulho no teu colo, esta vontade De ter o teu amor bem junto a mim, Razão de poder ter felicidade, Num sonho que não pode ter mais fim,
Se eu tenho, no teu corpo a claridade, Que faço se distante estou, assim. Tu tens este poder de seduzir, E dominas sem nada a me pedir.
Pensando nos teus beijos e carinhos, Teus seios, tua boca e teu suor, Deitando em nossa cama, sedas, linhos,
Caminhos do teu corpo, eu sei de cor. Encontro nos teus braços, belos ninhos, De todos os meus sonhos, o melhor. Marcos Loures
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Mergulho no passado, insano e frio Estendo uma saudade no varal, Recolho cada gota do vazio Que um dia transbordou neste embornal.
A vida escarifica pouco a pouco Aumenta esta ferida no meu peito, O grito que se faz audaz e rouco Estronda tão distante e nega o preito.
Argúcia se mostrando sempre inútil, Escancarando a face desumana Do tempo que se molda insano e fútil Matando ao mesmo tempo desengana.
Soprando sobre nós a tempestade Formada pelas chagas da saudade... Marcos Loures
56
Mergulho no passado e vejo a sombra Daquela que negando, se entregou. Imagem distorcida ainda assombra, Matando o que do amor, inda restou.
Contrastes entre luz e escuridão, Espreito o que vivemos e mataste, Do sim que imaginei, a negação, Trazendo tão somente este desgaste
Que aos poucos transformou em quase nada, Aquilo que eu pensara ser eterno, Da bela primavera anunciada Eu vivo amargurando um duro inverno.
Mas trago ainda a chama da ilusão, De um dia poder ver outro verão... Marcos Loures
57
Mergulho no oceano dos encantos, Palácios e princesas, sei de cor. Não temo nem as urzes, desencantos, A vida me guardou seu bem maior!
Alvores e manhãs magas belezas, Meu reino entre diversos, maravilha... Searas de ternura e de riquezas, Nos perfumes e cores, flores, tília...
Escuto estas cantigas nos umbrais, A vida, com certeza, vale a pena. A noite me promete festivais,
Prateando com a lua, toda a cena. Deslindam-se loucuras imortais. Na beleza tão pura de Açucena! Marcos Loures
58
Mergulho no oceano de teus braços, Afogo-me em teus lábios sensuais. Adentro no infinito em largos passos Deitando meu prazer encontro o cais
Nos olhos, nos teus seios, teus regaços, Querendo cada noite sempre mais, Sabores que encontrara; tão escassos Agora em tua boca, magistrais.
Ao ter tua presença deusa e Diva, Minha alma se entregando, assim cativa Jamais quer que este encanto se desfaça.
Coloco meu futuro em tuas mãos, Adentro teus mistérios, furnas, vãos, E o fogo dos desejos nos devassa... Marcos Loures
59
Mergulho no horizonte deste olhar, E sigo cada rastro que tu deixas, Não quero mais saber das velhas queixas Aonde a dor encontra o seu lugar.
Num feixe fascinante, rastros luzes, Persigo o bem que outrora quis tão meu, E quando a noite enfim se escureceu, Vislumbro a maravilha que produzes
Com teus poemas doces e suaves, Vencendo as armadilhas. Sem entraves Eu posso perceber quanto é divino
O templo desenhado em fogo, amor, E creio; numa espécie de louvor Num sol iridescente e diamantino...
60
Mergulho meu passado neste rio Que tantas vezes tenho navegado, Nas noites mais doridas, tanto frio, Espero meu amor aqui do lado...
O sono quando chega e não te encontra Em pouco tempo manda o pesadelo. Amor quando de amor se desencontra Aos poucos se tornando um atropelo.
Nos raios deste sol brilhando n’águas Dos rios e cascatas, um cristal; Meus olhos se lagrimo, plenas mágoas Transbordam nesse rio, no final.
Amada não permita que isso ocorra, Não sei nadar, tu queres que então, morra?
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Mergulho em teus desejos, a vontade De ser teu companheiro a vida inteira. No gozo que permite a claridade Palavra que se mostra verdadeira
No afeto desejoso que me invade A sorte já se mostra sorrateira Embalas meus desejos, rompes grade, Fulguras como a sorte derradeira.
Flameja em minha pele com prazer Tocando bem mais fundo no meu ser, A doce insensatez que se derrama
Arrancas estes véus, desnudo o sonho E um verso mais suave; enfim, componho, Bebendo cada gota desta flama... Marcos Loures
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Mergulho em teu olhar; vou à retina Navego tal beleza deslumbrante, A vida num momento rebobina E volto a ser mais jovem neste instante.
E vendo o teu sorriso de menina A juventude pulsa radiante O sonho mais gostoso nos destina A sorte de saber do amor gigante
Que sendo assim constante não se cala, E nada neste mundo mais abala Quem tem esta alegria com fartura.
Se eu choro, eu te garanto, é sem tristeza Ao ver no teu olhar tanta beleza Rendido vou imerso em tal ternura... Marcos Loures
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Mergulho em suas sombras, meu amor, Minha alma sutilmente se inebria, Vergastas me cortando com ardor, No corpo de quem amo principia
A dança feita em riso, e no pavor Rasgando a mais sublime fantasia Permite-se que veja o seu furor Na sede que se mata e me vicia.
A fonte dos prazeres e dos gozos, Amor martirizado, salvaguarda, Desnuda em sua cama ela me aguarda,
Nas ânsias de desejos caprichosos. Na concha que se abriu, a convulsão Ejaculando méis em profusão.
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Mergulho em suas curvas rio amado, Nas suas águas claras, meu prazer; De tanto que sonhei cruzar a nado, Nas suas mansas margens, meu lazer...
Não quero mais saber de penitência, Nem quero mais salgar felicidade; Nem quero mais pedir uma clemência Eu quero é ser feliz,e de verdade!
Viver a minha vida em companhia De quem sempre desejo e não me canso. Trazendo nos meus olhos, alegria, Teus lábios carmesim, decerto alcanço...
Mergulho em tuas curvas sem pudor, Vivendo a fantasia deste amor!
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Mergulho em horizontes versos soltos, Néscio, vou sem destino e sigo só, Percebo estes momentos que revoltos Impedem ilusões, sou simples pó.
Remoto sentimento, um vil temor, Resquícios do que fomos, dois inúteis Resido nos escombros, perco flor E tento ser somente. Medos fúteis...
Perdi o que tentei, porém prossigo Ouvindo simplesmente o som sem nexo O tempo se volvendo, quero o sexo
Demente, enfim sombrio, te persigo E o resto me ofereces, meu troféu Que, podre, dos esgotos vence o céu...
SONETO SEM A LETRA A Marcos Loures
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Mergulho em teus carinhos sem defesas Bebendo desta fonte insaciável. Encanto a cada canto demonstrável, Cevando maravilhas e belezas.
O quanto exponho a vida em fartas mesas, Fazendo do impossível solo, arável. Teu corpo muito mais que desejável Sensualidade além de mil tigresas.
Queria tão somente hoje poder Sentir os teus anseios mais profanos, Mudando a direção dos velhos planos
Sorvendo cada gota do prazer Que trazes em teus lábios delicados, Momentos tão serenos e safados...
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Mergulho destemido, a cada cena Contando estas estrelas que me dás, Amor que em fantasias já se encena, Deixando uma tristeza para trás.
Colhendo em meu jardim, rosa e verbena Canteiro da esperança segue em paz. Certeza de outra história mais amena, Amor em plenitude satisfaz...
Coração se abastece de esperança Vencendo qualquer forma de intempérie O sonho não se faz em larga série
Encanto sem limites nos alcança. O verso em que traduzo amor que sinto, Inebriado bebe, em ti, absinto... Marcos Loures
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Mergulho como um peixe num aquário Nos braços tão serenos de quem amo, Amor é nosso rumo, itinerário Teu nome com certeza sempre clamo
E sinto o teu perfume nesta senda Que leva ao paraíso em liberdade, Segredos que o amor cedo desvenda Buscando tão somente a claridade
Falenas-corações vagando lumes Crisálidas que formam nossos dias, Numa esperança rara, teus perfumes
Exalam maravilha em poesias. Tocando nossas peles, arrepios, Os ventos das paixões, doces, macios... Marcos Loures
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Mergulho carinhoso e triunfal Bem vindo caminhar em noite clara, A lua nos chamando tudo aclara Amor já se tornando um ritual.
A cargo deste sonho sem igual A vida em alegria se declara, A jóia do prazer embora rara Espalha farto brilho magistral.
Benesses encontradas sem fastio, O quanto de desejo em que vicio Explica todo o bem que vejo em ti.
Estrela decorando a madrugada, A rosa do querer iluminada Floresce no perfume que senti... Marcos Loures
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Mergulhe sem limites nosso céu, Entre estrelas, pulsares e quasares Galopa em liberdade este corcel Deixando no passado tais azares
Que um dia polvilharam nossa estrada Fazendo de um encanto, pesadelo, O quanto a paz por nós é desejada É sonho tão difícil de contê-lo
A par desta fantástica ilusão A vida se fazendo em fantasia, De um claro amanhecer, a percepção Demonstra um novo tempo que se cria.
Aonde uma amizade sobrevenha, Sabendo ser amor a nossa senha. Marcos Loures
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Mergulhe em bel prazer e compareça Dançando a mesma dança, um vanerão, Amor que assim não tiro da cabeça Aos poucos vai virando uma paixão.
No ritmo alucinante par a par, Cevando o mate amargo desta vida Percebo o vento vindo devagar Um vivente procura uma saída.
Adentra o teu rincão, tão guapa prenda No amor que é trilegal, nosso sustento. Segredos que tu guardas se desvenda Bebendo gole em gole, o sentimento.
Que o negrinho proteja o tempo inteiro, Guardando na guaiaca o gosto e o cheiro...
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Mergulhar o meu desejo No teu corpo já desnudo, De mansinho em cada beijo, Meu amor irei com tudo
Com a fome que me atiça, De poder te dar prazer, Meu olhar já te cobiça Nos lençóis poder te ter.
Corpos nus que se entranhando, Trazem gozo em estribilho, Com loucura te tocando, Desvendando cada trilho...
Delirante noite vem, Do desejo sou refém
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Mergulhar de cabeça e coração Sem ter qualquer defesa que me impeça Alçar o Paraíso deste chão, Desejo que minha alma já confessa.
Vertendo cada parte da remessa Em lágrima e ternura, ser o grão Que traz em si a glória da promessa, Deixando para trás qualquer razão...
Assim eu me permito caminhar, O coração aberto ao pleno vento Um pária, mesmo probo em seu intento
Às vezes necessita ir devagar, Porém sem ter medidas nem mesuras Entrego-me ao fascínio das loucuras...
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Mergulhando em sofismas que me travas, Não pude perceber tuas facetas. As noites entrevadas velhas cavas, Nas luas estendidas nas lunetas.
Reparo, indiferente, nossas lavas, Desculpas que formaram teus planetas. A roupa apodrecida nunca lavas, Meus mundos, te entreguei, podres vendetas...
Baldados tantos gritos e perdões Nas tramas e nas lendas somos arte. Vasculho teu amor por toda parte,
No fundo me deparo com prisões... O faro que negaste está, destarte, Apodrecido em nossos corações! Marcos Loures
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Mergulhada num lago sem saída, Encontras as quimeras que me deste As roupas que vestiste, toda peste Que cultivavas numa torpe vida...
Não te salvarei, deixo-te perdida, Afogada na mágoa que te veste, Sem nem sequer rezar para que reste; De teus sonhos, alguma sobrevida.
Nas águas podres, pestes e vorazes Predadores te beijam, mais audazes... Sugam teu sangue, matam lentamente...
Minha vingança tarda, mas não falta, Apagar todas luzes da ribalta, Aplaudindo espetáculos, somente...
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Mergulha tantos mares, toda a graça... O vento desejado, primavera, Serpente que sonhara não disfarça, Trazendo sutilmente esta nova era...
Que por certo virá em plena praça Dançando tão faminta quanto fera, Envolta na tempesta que entrelaça Gozando do prazer desta pantera...
Mergulhando este louco sentimento, Vasculha pelas luas os seus raios... Amante se entregando ao viril vento.
Espera pela luz mais redentora, Os olhos espraiando nos desmaios Lunares, da rainha sedutora... Marcos Loures
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Mergulho por instantes nesta fenda Aberta e num convite irrecusável, Além do que eu julgara imaginável Um novo Paraíso se desvenda.
O velho coração não tendo emenda, Peregrinando em solo indecifrável Permite-se ao engodo; mas, amável Encara o sofrimento como lenda.
Nas tendas em tais sendas; por instantes, Prefere imaginar mil diamantes Mesmo sabendo inglório o tal do amor.
Assim, passando a vida num segundo, Um pária sem destino, um vagabundo, Nas sombras sonha um mundo multicor...
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Mergulho o meu olhar neste horizonte Por entre os verdes belos da esperança, Vislumbro, da alegria, a minha fonte O azul de um claro céu, a vista alcança.
As cores se misturam, bebem sol, Que trará com certeza, vida e glória. Sentindo a maravilha do arrebol, O amor chega mudando a minha história
Quem fora, no passado tão tristonho, Sem ter sequer o brilho em seu olhar. Agora ao se entregar, querida eu sonho Com o dia que decerto irá chegar
Aonde o coração esperançoso Permita deste amor, desfrute e gozo..
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Mergulho o membro duro entre estas pernas Sedentas e molhadas, desejosas. As carícias diuturnas sempre ternas Abrindo do jardim as rubras rosas.
Meu vício é penetrar-te com esmero, E depois quando sôfrego invadir Misturas de vontade com tempero Gostoso de provar e repetir...
Arfando como um louco garanhão Sentindo os pelos ralos sobre mim, Aos poucos no calor deste vulcão Não quero que este sonho tenha fim.
Se o dia se faz macho, noite é fêmea Viver sem ter prazer? Pura blasfêmia
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Mergulho num abismo feito em vão Se a ausência de quem sonho está presente. Vagando pelas ruas qual demente Perdendo a cada passo, terra e chão.
A luz em mais temida arribação Descreve um espiral e de repente A treva terminal, já se pressente Tornando assim infértil, coração.
Mas quando o teu perfume se espalhando Canteiros de meus sonhos encharcando, Prenúncio amanhecido revigora
O gozo tão supremo da alegria E o tempo em desvario, se anuncia Vivendo o paraíso desde agora. Marcos Loures
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Mentiras espalhadas nesta trama Encontram o vazio por resposta, A mesa quase sempre nunca posta Não pode e nem convida, nunca chama.
A pele em agonia já descama E mostra o corte fundo feito em posta Não tendo mais prazer, perdi a aposta Quem sonha assim demais encontra a lama.
Nos horizontes nada de montanhas, Não sei e não terei malícia e manhas. Apenas solidão é o que convém
Ao velho passageiro em descaminho, Viajo pelo tempo e vou sozinho Perdi faz tanto tempo, antigo trem. Marcos Loures
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Mentiram sobre o néctar e ambrosia, Deixando assim de lado a realidade, Na puta sacanagem bem sabia Do quanto apodreceram liberdade.
A noite se transforma numa orgia Na crápula ilusão: felicidade; Vendida como carne e fantasia, Transita na calada, a falsidade.
Amores a granel, por atacado, Bazares indecentes, carnes podres, O sangue vai vendido nestes odres
Os vermes me devoram, sou lixado; Comprado pela merda do prazer. E a mesma carne imunda pra comer... Marcos Loures
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Mentira vai cumprindo o seu papel, Nem tudo o que reluz é ouro puro, O porto que encontrei, não é seguro, No porão de minha alma escondo o céu.
Girando; o tempo cega o carrossel, O dia amanhecendo sempre escuro, A vida se passando em tanto apuro, O medo transformou o mel em fel.
Cavalo dos meus sonhos galopando, Formando uma cortina de fumaça, Enquanto em nuvens negras tu flutuas.
O solo desde então vem desabando, Atrás eu posso ver minha carcaça Cobrindo em duro pó todas as luas. Marcos Loures
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Mentira que me trouxe essa verdade Que tentas esconder inutilmente, A fonte insaciável diz saudade Mascara o que desejam corpo e mente.
Não posso permitir que esta demente Ainda me transtorne a claridade, Quem sabe decifrar quando ela mente, Encontra finalmente a liberdade.
Eu teimo em te dizer embora saiba Que o amor que eu tanto quis foi puro engodo, Distante deste mundo que me caiba
Persisto em perseguir tuas pegadas. Das sombras do passado, deste modo, Eu vejo minhas faces retratadas... Marcos Loures
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Mentindo toda noite em desprazer Eu tento me enganar, mas não consigo O corpo que se fez amante e amigo Por toda a minha vida hei de saber.
Quem dera novamente receber O gosto delicado deste abrigo. É tudo o que eu desejo, até persigo Viver o que nos resta em bem querer...
Partiste em noite fria. Um temporal Desabando as estrelas, morta a lua Saudade tão somente continua
Tristeza prolifera como cuva. Quem sabe tu virás depois da chuva Trazendo em claridade todo o astral... Marcos Loures
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Mensagens entre sonhos e viagens Aléns que conhecemos num instante Olhando pra sublimes paisagens Mosaico de belezas, fascinante.
Nos rios, seixos, águas, beneplácito Desejos feito acordo, cordas, cantos A noite em seu pendor, suave e tácito Permite que se entendam tais encantos.
Iridescentes brilhos confundidos Em lagos de perfeita placidez Carinhos em delírios são fundidos Tomando toda a cena, em sua vez.
Os lábios massageiam outros lábios, Momentos delicados, porém sábios... Marcos Loures
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Mensagens em garrafas, cartas, senhas, Deixando à flor das águas minha sina Querendo de repente que tu venhas, Seguro o tempo alado pela crina.
Porém quando nas trevas tu te embrenhas Fechando atrás de ti, porta e cortina O frio que se faz sem fogo ou lenhas, Saudade de teus lábios me azucrina.
Mas vendo que chegou ao endereço A carta que mandei há vários dias Agora eu te garanto, sem tropeço
Que a gente pode ter final feliz, Vencendo com sorriso as agonias Escuto esta resposta que assim diz... Marcos Loures
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Menino tão matreiro pula a cerca Que sempre separou amor e dor. Não teme que este mundo já se perca Em versos que me fez tão sonhador.
Sou como este menino, prenda minha Que fez desta ilusão prado sem fim. Se a noite desta tarde se avizinha Eu quero esta promessa carmesim.
O manto que louvaste, amor insano, Se fez bem mais distante do que eu quis. Mas vejo salvo o medo ou salvo engano Que ainda poderei ser mais feliz
Roçando o belo pasto da esperança Que salta novamente qual criança...
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Menino sem juízo, o tal do amor, Às vezes preparando uma falseta, Seguindo a direção mais incorreta Tropeça e sem saber aonde por
Os pés; derruba um pobre sonhador, Que nele, todo dia se completa, E tenta sem resposta ser poeta, Maltratando decerto a frágil flor.
De quando em quando eu sinto que meu erro Condena o coração a tal desterro Causando o mais terrível reboliço.
Desculpe se cometo este pecado, Só posso te dizer: muito obrigado, Não quero que esta rosa perca o viço! Marcos Loures
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Menino que galopa pelos prados, Montado no cavalo da esperança. O vento já vem dando os seus recados Em galhos do arvoredo que balança.
Nas crinas dos cavalos galopados Os sonhos se perdendo em outra dança. Mal sabe, este menino, destes fados Do amor que atingirá em seta e lança.
Exausto, depois disso, sonha a cores Com dias que virão depois da chuva. Meninas se prometem, seus amores,
Infância da tormenta anunciada. Paixão fica na espreita após a curva Tomando, no galope, toda a estrada...
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Menino que criou-se lá na roça Brincando com pião e cabra cega Deitando numa rede, na palhoça Jamais numa cidade, em paz, sossega.
Montado num cavalo, na carroça, Em nada nesse mundo já se apega, Da dor e da saudade se faz troça, Do verso que improvisa a sorte prega.
Moleque que se fez quase um matuto, No cigarro de palha, o companheiro. Olhar de quem não sabe, sendo astuto,
Cartilha decorei, mas sou matreiro. Porém por amizade, vou e luto, Comparsa; na verdade. Um bom mineiro...
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Menino que cresceu perdeu o rumo, Não sabe mais sonhar, cadê brinquedo? Do brilho da alegria resta o medo Maldita sensação de claro aprumo.
O gosto da maçã esquece o sumo O dia amanhecendo sempre ledo, A vida vai tecendo o seu enredo, Não amo o dia-a-dia, me acostumo.
Olhando o teu sorriso, caro filho Em pleno viço vejo-te correr, Sem ter que imaginar qual seja o trilho
Que irás depois de tudo, percorrer. O amor sem ter descanso, este andarilho, Apenas sendo puro, dá prazer...
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Menino que corria no quintal Em total liberdade mal sabia Que a roupa que quarava no quintal Seria quase um símbolo de um dia
Aonde ser feliz era normal, Brincando desfraldava a fantasia, Reinando sem limites, bem ou mal, Os medos, pesadelos, a alegria...
Irmãos, primos e pais, tios avós, A festa se fazia domingueira, A vida era divina e companheira.
Depois de tanto tempo e nada após Sem laços de amizade, um velho só. Olhando pra criança volta ao pó...
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Menino que corria entre bandeiras, Jogando toda a sorte em laço frouxo. Depois de tantas horas mais certeiras O passo se tornando roto e coxo.
Menino entre jaqueiras e quintais, Olhando sob as saias da morena. Deitando uma esperança nos varais, No corpo da menina, a vida acena.
Agora se esqueceu desta criança E morre de ciúmes sem motivos. No gosto mais suave da lembrança Os olhos do moleque sempre vivos...
Amor bateu na porta, um mensageiro, Safado sem juízo, amor primeiro...
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Menino que brincando em laranjais Encontra no quintal, na vizinhança Amor que imaginou não ter jamais E sente audacioso; uma esperança
De ter amor primeiro, e quer demais Menina que ao correr, cabelo em trança, Parece que também se satisfaz Ao ver neste menino, amor que alcança.
Plantada esta emoção, vai aumentando, E o tempo nunca cala. Fortalece, E o doce que da infância não se esquece
Nem mesmo se distante, aonde ou quando, Germina novamente em primavera, Valeu, querida amada, tanta espera... Marcos Loures
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Menino quando eu ia comungar, Naquele imenso e sacro ritual, O Padre, desde a pia batismal, Jamais pensei poder sacramentar
Destino dos que moram no lugar, O vento muitas vezes me fez mal, Mordido pelo medo mais banal, Sonhando com mil formas de pecar.
Depois, eu fui crescendo e percebi Que nem toda verdade encontro ali, Igreja tantas vezes, desabrigo.
Aquela hóstia sagrada, conspurcada Nas mãos de uma noviça desejada, No fundo não passava de água e trigo...
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Menino entre bandeiras e quintais Jogando fantasias sem requintes, A vida não bebeu dos carnavais, Cenário bem diverso do que pintes.
Lembrança se aprofunda e até clareia, Sei que a culpa é da tal senilidade. Presente com passado, fina teia, Na demência que aos poucos toma e invade
A morte é uma questão simples de tempo, Não tenho mais vigor, fujo da luta, O amor é mentiroso passatempo, A voz deste imbecil; ninguém escuta.
O velho coração brinca de pique, E o barco da existência vai a pique...
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Menino entre bandeiras e quintais Jogando fantasias sem requintes, A vida não bebeu dos carnavais, Cenário bem diverso do que pintes.
Lembrança se aprofunda e até clareia, Sei que a culpa é da tal senilidade. Presente com passado, fina teia, Na demência que aos poucos toma e invade
A morte é uma questão simples de tempo, Não tenho mais vigor, fujo da luta, O amor é mentiroso passatempo, A voz deste imbecil; ninguém escuta.
O velho coração brinca de pique, E o barco da existência vai a pique...
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Menino dos meus erros, berros tolos Ascendo ao que tentei, não fui feliz. O barco sem destino, por um triz, Procura inutilmente veros colos.
Arando em incerteza tantos solos, Só peço que me impeça a cicatriz. Riscando o coração lápis e giz À fórceps assei sonhos, solei bolos.
Um mero navegante em noite escura Sem cura, sem remédio, persistente. No cálice das bocas, a ternura,
Salivas são as seivas prediletas. Às vezes idiota outras demente, Meus dedos no teclado são poetas?
Marcos Loures
8100
Menina; quando escuto a tua voz Delícias eu vislumbro: gozo intenso. Tu sabes quanto em ti, querida, eu penso, Um sentimento insano; assim, feroz.
Sabendo mais e mais, sempre de nós, Todas as intempéries; sei e venço, A cada novo dia eu me convenço, O meu desejo em ti encontra a foz.
Não posso mais conter este delírio, Viver sem teus carinhos; um martírio. Vontade de tocar tua nudez.
E numa incontrolável emoção Entregue ao teu fascínio e sedução, Lembrar do amor que à noite, a gente fez...
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