
MEUS SONETOS VOLUME 079
Data 14/12/2010 07:04:49 | Tópico: Sonetos
|
01
Lembranças despertadas do passado Invadem o meu quarto em noite imensa. Um sonho que perdido jaz pesado, Deixando a minha vida bem mais tensa
Trazendo no seu bojo, demarcado, A nebulosidade- noite densa- Mudando, de repente, sina e fado, Legado que carrego em recompensa
Do amor que se perdeu e não voltou, Deixando uma saudade no meu peito. Sozinho, pela vida, agora eu vou,
Mas trago o gosto doce de teu beijo, Que é na verdade, amada, um outro jeito De dizer que inda te amo e te desejo...
2
Lembranças delicadas, posto vivas, Contemplam meus momentos mais atrozes. Ouvindo vagamente roucas vozes, As horas vão passando sugestivas.
De tudo o que guardei, expectativas Em dias mais difíceis e velozes Invés de companheiras, tão algozes, As noites sempre frias, pensativas.
Deixando no passado tantos louros, Troféus que antes julgara imorredouros Abandonados morrem, perdem chama.
Pergunto, minha amiga, como e quando O tempo se fará suave e brando, O nada por resposta triste, clama...
3
Lembranças da morena adolescente, Sublime fantasia dentro em mim, Deitada sob o sol, no seu jardim, Tornava o meu verão muito mais quente.
A boca desejada, mas ausente, Delírios em desejo carmesim, Guardando este retrato, sigo assim, Tentando reviver. O tempo mente...
E nada do que fui ainda vejo, Os olhos no trabalho, a mente voa Andando pelas ruas vou à toa
A vida se entornando num lampejo, Permite tão somente a fantasia... Verão que neste inverno já se esfria. Marcos Loures
4
Lembrança deste amor, cura e envenena E a só tempo trama e já destrói Qual maremoto em noite mais serena O quanto que maltrata sempre dói.
Sói, pois acontecer que uma saudade Estúpida quimera mostra as garras, Além do que alegria inda arrecade Tristezas vão firmando vis amarras.
Assim, neste agridoce eu me tempero E bebo às vezes luzes, noutras trevas, Portanto enfim construo ou degenero Secando meu jardim preparo as cevas.
Antíteses retratam fielmente, Saudade que me invade, de repente...
5
Lembra-te, minha amada, aquela tarde Quando estávamos sós, desejo intenso. Um refúgio tranqüilo nos teus braços Vontade de te ter, amor imenso.
Cada lágrima nossa, de alegria, Cada nova emoção, a descoberta. Flor que procura amor no jardineiro Uma nova esperança que desperta.
A tarde passando, a noite veio. Em teus seios promessas mais sutis. E toda a poesia nos trazia Um mundo novo, livre dos receios...
Lembra-te aquela tarde, meu amor, Jamais esquecerei cada segundo... Numa infalível cura, nossa vida. Amor nos redimiu. Tocou bem fundo...
6
Lembra de tanta harmonia Que sempre lavou meus olhos Nessas noites de alegria Que vieram, tantos molhos...
Nas estrelas que sorriam Nos medos que não vingaram Os dias se transcorriam As dores nunca chegaram
Deixaram seus véus lá fora Esquecidos no quintal. Nosso amor não foi embora, Ficou comigo afinal.
Na harmonia que juramos, Tanto, tanto nos amamos...
7
Leitão à pururuca um bom tropeiro, Cachaça com limão e churrascada, Depois dar um passeio num puteiro, Até varar de fome a madrugada.
Amigo de verdade, companheiro, Não foge de uma noite farreada Dá tombo, se preciso, no porteiro, Deixando esta porteira arreganhada.
Nadar na cachoeira, jogar bola, Saltando sobre o muro lá da escola, Dar notas pras garotas, chegar junto.
Confirmar as mentiras que contamos, Assim a juventude nós passamos, Colhendo a cada dia um novo assunto... Marcos Loures
8
Legando ao velho circo amenidades, Sorrisos tantas vezes estrambóticos Em guizos, histriões decerto exóticos Demonstram sem rigor, banalidades.
Rompendo do passado, velhas grades Detalhes deste umbral, em arcos góticos Em meio a gozos fartos, bens eróticos Desejos tão iguais voracidades.
Apátrida emoção não quer escolha, Expresso nos meu verso em cada folha O quanto em placidez amor faz busca.
O amor que noite imensa já patusca Bebendo o farto vinho em rara orgia, Delitos e delírios; cedo cria. Marcos Loures
9
Legando ao meu passando este empecilho Eu tramo com mais força cada passo, Vencendo cada luta, entranho o espaço. Liberto, o coração segue andarilho.
A vida disparando o seu gatilho, No peito de quem sonha encrava este aço, No verso que em delírios hoje faço Permito-me falar de cada filho.
Espalho meus gametas, reproduzo O verbo que se fez, mesmo confuso, Tem na palavra certa e bem usada
A chama em que se inflama a minha vida, Nem tanto benfazeja. Decidida - Rompendo em negras nuvens a alvorada. Marcos Loures
10
Legando ao meu cadáver, podridão; Embriagado sonho feito incenso, Um pântano que adentro; ledo, imenso, Da fantasia tola, rufião.
Negando a primazia desse pão Macabro esse sorriso, céu mais denso Enquanto tolamente, ainda penso Na tábua em falsos brilhos, salvação.
Profanas tempestades, meus louvores Da pele decomposta, dissabores Estúpida esperança trama ritos.
Os olhos que me seguem numa espreita A morte inevitável se deleita Nos versos quais sabujos, cães malditos... Marcos Loures
11
Legados de outras eras não são fardos Que os velhos inda trazem sobre as costas. As balas guerrilheiras nas encostas Os templos feitos sonhos; negros, pardos.
Nos olhos e nas peles, os petardos, As mãos sobre os joelhos, ora postas, Futuro desdenhando tais apostas, Apenas por herança, os mesmos cardos.
Antigas baionetas e fuzis, O corpo da pequena meretriz Servindo de estandarte a quem deseja
Um novo alvorecer neste planeta, Olhando o que passamos pela greta, Apenas liberdade inda se almeja... Legados de outras eras não são fardos Que os velhos inda trazem sobre as costas. As balas guerrilheiras nas encostas Os templos feitos sonhos; negros, pardos.
Nos olhos e nas peles, os petardos, As mãos sobre os joelhos, ora postas, Futuro desdenhando tais apostas, Apenas por herança, os mesmos cardos.
Antigas baionetas e fuzis, O corpo da pequena meretriz Servindo de estandarte a quem deseja
Um novo alvorecer neste planeta, Olhando o que passamos pela greta, Apenas liberdade inda se almeja...
12
Legado que transformo em poesia, Herança de um passado sem sentido, O quanto a fantasia, a vida adia, Permite que eu me perca em triste olvido.
Escravo, tantas vezes, da libido, O sonho disfarçado em euforia, Distante do que eu quis, vou iludido, Usando esta mortalha: a da agonia...
O quarto esfumaçado, a sala imersa Na solidão sombria em luz fugaz, Procuro a solução abrindo o gás
Pisando em teu orgulho, seda persa, Um dia quem foi rei, pensou ser dono, Devora este banquete, o do abandono...
13
Legado da esperança, pleno amor, Que a vida não macula, nem consegue, Sem ranços, sem perguntas nem pudor, O fato é que o desejo te persegue
E molda um novo dia encantador, Aonde uma alegria já nos regue, Gerando com ternura cada flor, Que eternidade nunca mais se negue...
Erguendo um brinde em taças de cristal, Vagando o pensamento pelo astral, Singrando espaços tantos, universos.
Delírios de total insensatez O amor que magistral, assim se fez, Merece muito além de simples versos...
14
Leda boca esfaimada da megera Que aquieta-se somente com carniças. Atocaiada sorte que na espera Detém o que desejas e cobiças.
Abrindo nos caminhos tal cratera Que muda com as hordas mais noviças, O corte que legaste degenera E mata enquanto forja falsas liças.
Não quero o meu cadáver em teus seios, Nem mesmo a tua fome insaciável. Estúpida fornalha busca os meios
Que possam destruir o que inda resta. Olhando o meu futuro lamentável, O lobo tenta em vão nova floresta...
15
Lealdade, decerto, não conheço. Se tudo neste mundo, hipocrisia; Amores que, sem pena, desconheço, Matando qualquer uma fantasia.
Será que tanto mal ,assim, mereço? Disfarças nesta tua melodia Nos versos que bem tarde reconheço O tempo que tivemos de alegria.
E dizes que passaste na procura De amor que te fizesse mais feliz. E dás à luz do sol a sombra escura
Transformas nosso amor em velho traste, Ah! Querida, se tudo que eu já quis, Morreu tão sem cuidados, por desgaste!
16
Lavrar quando o deserto é teu arado, Forjar da pedra fria, maravilhas. No solo em maestria cultivado Arquipélagos crias, raras ilhas...
Das nuvens não insetos, mas a chuva Com a qual tu permites a florada. Cabendo tantas vezes, como luva Nutrindo a terra assim, bem estercada,
Amigo de sobejas poesias, Tu fazes com teus versos magistrais Os lumes que vagando, onde me guias Imagens constelares, siderais.
Meu verso em reverências te agradece, O teu canto sublime que enobrece. Marcos Loures
17
Lavrando sobre o túmulo dos sonhos, Jazigos que pirâmides, eu quis. O peso em minhas costas, cicatriz, De dias malfadados e medonhos.
Os olhos que inda mostram quão tristonhos Momentos em que a vida, por um triz, Marcado pela imensa tarde gris Os restos performáticos, bisonhos.
Ondeio neste vasto carrossel, Reconhecendo ao fim que meu papel Na história que criaste, é de bufão.
Arranco estes pendões e volto ao mar, Aonde pus a paz em cada altar Erguido na tempesta e no tufão...
18
Lavramos na aridez de um duro chão, E tantas vezes encontramos nada Amor se transformando em barricada Prenunciando em ultimato o não.
Quem sabe encontrarei a solução Depois de tanto conhecer a estrada Recebendo da vida outra lufada Descubra enfim o que busquei em vão.
A sorte se mostrando doidivanas Em meio a luzes tempestades tantas Ao mesmo tempo beijas, desenganas
A vida vai passa e muitas vezes tensa Em fartas trevas, cedo desencantas Nunca ninguém que não conhece pensa. Marcos Loures
19
Lavasse o coração em água pura Que, cristalina, desce de meus ermos. Pudesse me inundar em tal ternura Sem mesmo decifrar sinais e termos.
E com a natureza convivermos, A mãe que nos ampara e nos atura Além do que possamos crer ou vermos, Por mais que a vida exploda em amargura
Não deixe de sentir a mansidão Do vento feito em brisa; placidez, Que um dia em tempestade já se fez
Mudando a direção, secando os rios. Reconhecendo assim, desejos, cios Da vida que é refeita em cada grão...
20
Lavado ou enxaguado tanto faz, O bicho peludinho é um sucesso. Fogoso, molhadinho satisfaz Sem medo, com vontade eu me arremesso.
Depois pegar no rabo, ali atrás Mexendo e rebolando, eu te confesso, Por ele de loucuras sou capaz, Sacrifícios não vejo e nunca meço.
Rolando em minha cama, em arrepio, Brincando toda noite eu me vicio E quero sempre mais, sem ter sossego.
Pois dê pra quem tu amas, não se esquece Que quem tanto deseja já merece E eu vivo só por ela, isso não nego...
TO FALANDO DA GATINHA DE ESTIMAÇÃO! Marcos Loures
21
Latidos que escutei do coração Enquanto a caravana cisma e passa. Amor vai se esvaindo na fumaça Ocasião fazendo este ladrão.
Ladrando pelas ruas, solidão Amarro o meu destino em tal desgraça, Do pão de cada dia, não sou massa, Nem mesmo quero ser a solução.
Soluços entre lágrimas? Não mais. Negaste tais nefastos vendavais Deixando como herança uma ironia.
As cartas que jogaste sobre a mesa, Dos dados que rolaram sem surpresa, Amor não dá fiança nem se cria. Marcos Loures
22
Lateja meu desejo em tua busca, Levanto este lençol, te vejo nua... Tua beleza imensa já me ofusca Ao ver tua nudez, alma flutua...
E tento te tocar, mas temeroso Afasto-me ficando assim, distante, Sentindo que no corpo mavioso Pressinto uma viagem deslumbrante...
Porém o medo toma-me de assalto E tudo o que sonhara vai por terra... Meu passo tremulante, quase incauto. O teu olhar, percebo, enfim descerra..
Sorrindo, me convidas para a cama.. O medo se dissipa... O quarto inflama...
23
Lascivos os momentos mais audazes Aonde percebemos que carinho Se faz em nossos pântanos vorazes Num êxtase aferindo nosso ninho.
Volúpias e priápicos desejos Onânicas vontades esquecidas. Depois de enaltecer os relampejos Deixamos para trás sem despedidas
As hostes energúmenas, vazias... Banquetes tão hedônicos, noturnos. Orgásticas mensagens que querias; Restando os furibundos tão soturnos.
Não quero nosso amor morrendo à míngua, Adoro o teu sorriso em cunilíngua... Marcos Loures
24
Lembrar-me de teu rosto, tua imagem Que sempre me acompanha, riso e pranto. Aos poucos vou perdendo esta coragem, E entrego-me à loucura, desencanto.
Viver a delicada e mansa aragem Deitando sob a lua, claro manto, Perpetuando assim esta paisagem Que toma o pensamento, tento e canto...
Porém a voz melíflua da ilusão Ainda se permite, falsa pedra. O coração sozinho já se medra
E tenta algum disfarce. Solidão Batendo em minha porta me convida À fuga desta vida em outra vida...
7825
Lembrando-me de Cristo neste dia, Sexta feira sangrenta da paixão, Sempre trago comigo essa agonia, Do mártir que pagou pelo perdão.
Caifás o seu carrasco, bem podia Ter sido equiparado na questão A um Papa causador de uma heresia Matando Joana D’arc. A solução
Que dada em política selvagem Ao temer uma perda de poder. Permita-me Senhor, uma homenagem
Neste dia terrível contra a paz Podendo neste Papa já rever A face demoníaca: Caifás!
26
Lembrando quando a vida foi tão boa, Meus versos retornando à mocidade, Do cheiro do café, cigarro e broa, Eu tenho, aqui garanto, uma saudade.
Da pescaria à tarde com meu pai, Da minha mãe na sala de jantar, O tempo sem limites já se esvai, Quem dera se eu pudesse retornar,
Beber a liberdade deste vento, “ Os jogos de botões sobre a calçada” Nos olhos tão somente este tormento, De tudo o que pensara, restou nada.
A vida se findando trama a fuga, Nos espelhos saudade se fez ruga...
27
Lembrando do que fomos, dá tristeza Saber que destruí nosso castelo. Por isso tantas vezes me revelo Na foto que deixaste sobre a mesa.
O quanto a solidão sempre despreza Aquele que se fez sem qualquer zelo, E quando à noite, em lágrimas eu velo, Aguardo; esperançoso, uma surpresa.
A madrugada insone nada traz, Retrato na gaveta, dor voraz, E a gente se perdendo pouco a pouco.
Não posso resistir à tua ausência, Queria teu sorriso por clemência, Senão vou acabar ficando louco...
28
Lembrando do pomar e da mangueira Fazendo sombra no quintal. Saudade... A vida parecia brincadeira Não havia nem sombra de maldade.
Nas mãos desta criança a atiradeira Matando sem saber da crueldade. Inocência perdoa esta besteira Nas asas da perfeita liberdade.
No rio piracemas, tanto peixe.... Gravetos e fogão, na brasa e lenha, Pedaços recolhidos, mesmo feixe.
Mugidos e namoros lá no pasto, É pena que a velhice logo venha E mate o coração, sacana e casto..
29
Lembrando de teus olhos vejo a lua E nela esta beleza inesquecível. Deitando cada raio sobre a rua, Na chama que me invade em luz incrível.
O pensamento alcança e assim flutua, Felicidade, agora, enfim, possível. Saber do nosso amor, estar liberto, Sentir o paraíso bem mais perto.
Meu canto contemplando os belos versos Que fazes, minha amada e companheira. Depois de tantos passos mais dispersos,
Razão para viver se mostra inteira. Os dias não serão jamais perversos, Na lua deste amor, mais verdadeira Marcos Loures
30
Lembrando da pureza, doce encanto, Das tardes do passado, das novenas, Jardins de minha casa, as açucenas, Do amor que imaginara em triste canto.
A noite tão vazia, em negro manto Trazendo uma tristeza em duras penas. Quem dera se eu tivesse horas amenas; Mas nada a mim chegava, só meu pranto...
Chegaste mansamente em beijos mudos, Nas mãos a maciez: sedas, veludos, E aos pouco me tomaste por inteiro.
Meus sonhos, suavemente já completas Palavras que me dizes, prediletas, O amor que fora sonho é verdadeiro!
31
Lembrando da menina lá no engenho Nas festas, nas colheitas, tantas danças... Meus olhos decorados de esperanças Deste passado belo; amor, eu venho.
De toda uma certeza que inda tenho Depois de ter passado mil andanças A vida promulgando nas mudanças O corte penetrante, cerrando o cenho.
Velhice vem chegando, sem desgosto, As marcas do que tive estão aqui Sulcadas nestas rugas do meu rosto.
São belas e profundas cicatrizes Trazidas deste tempo em que vivi Contigo. Tão marcantes mas felizes...
32
Lembranças tão saudosas deste caso Que nem o tempo pode transformar. A lua vai nascendo neste ocaso Banhando em pura prata o belo mar. A vida não se faz e não quer prazo Apenas no teu corpo navegar..
Bem sei que não vieste para a festa Mas sinto que virás mais soberana, Pois tudo o me encanta e que me resta Nos olhos desta deusa já se explana E vivo a procurar; lua e floresta, Àquela a quem desejo e que me engana...
Não posso mais calar o sofrimento, Buscando o teu amor, por um momento...
33
Lançados pelas mãos, os frios dados Demonstram nossa sorte malfadada, A vida que se ufana em derrocada Esquece que seus dias ‘stão contados.
Rugindo pela noite em altos brados Um cão prepara em riso uma dentada, Ao ver a carne enfim dilacerada Encharca com meu sangue os mansos prados.
Do pouco que me resta não detenho Sequer uma impressão de onde venho Mordido pela fera da ilusão.
E finjo acreditar na liberdade, Esboço até talvez, felicidade Depois de ter somente solidão. Marcos Loures
34
Lança ao mar o seu bote salva-vidas Amor que não tem forças, na procela, O quanto se deseja e se revela Em bocas e carícias distraídas.
As honras ao amor são concedidas Por quem imaginando raras telas Liberta o pensamento, solta as selas Esquece as horas tolas, já perdidas.
Batalhas engrenando são diversas Palavras quase inúteis, vãs, dispersas Espalham pelos céus, o sentimento.
Assim, ao ter o sonho em minhas mãos, Os dias que se foram morrem vãos, Aguardo ansiosamente os novos ventos... Marcos Loures
35
Lamento triste ganha a madrugada, Qual vento que batendo na janela, Carinho sem limites se revela, Tornando a noite amarga e tão gelada.
Quem dera se pudesse... Vem o nada Falando num momento vão daquela A qual o pensamento já se atrela, Imagem do passado, transtornada.
Tristeza por quem sabe amar além Do que pude. Vivendo esta agonia, Num leito de viúvo, abandonado
Procuro por estrelas, nada vem A neve torna a noite bem mais fria Espectros tão sombrios do passado...
36
Lambuza enquanto abusa deste jogo A festa que repito e não me cansa. Na ardência da morena eu já me afogo Brincando em seus cabelos, cada trança;
Fiança que buscara há tantos anos, Nos fios desta teia eu me encontrei. Legando ao meu passado os desenganos Nos planos deste amor eu mergulhei.
Nas tocas e nas grutas, furnas, sendas, Eu vejo ser possível uma água clara, No fogo que depressa quero, acendas Paixão e insensatez, gozo declara.
Entradas e bandeiras, eldorados, Esmeraldinos trilhos desvendados..
37
Lambias, sorrateiro, todo o chão, Venenos e vermífugos, verdugos. Tão servil, adubavas o porão Comias as espigas e sabugos.
Amores que vivera, lassidão... Fermentos e fecálicos expurgos, O cheiro das entranhas, podridão! Serpenteando ruas, valas, burgos...
A noite em suas plêiades luzentes, Trazia uma esperança de melhora. Os braços dos canalhas envolventes,
Os vermes das vermelhas carnes podres... Vivendo nos barracos toldos, odres... A morte se prepara e, santa, aflora...
38
Lamber-te por inteiro, ser teu homem... Molhando tua flor tão desejada. Incêndios que nos tocam e consomem, Na fúria que te fez por mim amada.
Desnuda-te, perfumas e me domas, Em teu castelo, invado o teu jardim. Bebendo gole em gole, tu me tomas Sorvendo intensamente, até o fim.
Sem mais reservas, deixo-me tragar Te dando todo amor que mais querias. Alago com prazeres o teu mar.
Nadando em cada sonho, verso e canto, Mergulho sem limites, fantasias, E me entrego, sem rumo, ao teu encanto...
39
Lamber tua buceta e ter teu mel Descendo em minha boca tão voraz, Prazer que ser teu homem sempre traz Vibrando neste quarto de motel.
Tirando dos desejos todo o véu, Desnuda, a diva insana satisfaz, Mostrando a cada instante que é capaz De fazer da vontade um fogaréu.
Recendes aos perfumes mais suaves, Viajo no teu corpo minhas naves Até que o gozo escorra em tua gruta.
A deusa se transforma num segundo, E quando nestas sendas me aprofundo, Tu mordes meu pescoço, feito puta...
40
Lamber tua buceta e te fuder Deliciosamente ter teu sexo, O amor este safado ser complexo Espalha tanta dor, busca prazer.
Rolando até que chegue amanhecer O côncavo se encaixa no convexo Não quero ter vergonha e vou sem nexo Roubando esta alegria de viver.
Pegando-te por trás, ancas quadris, Até que orgasmo chegue em explosão, Contigo santa e puta, eu sou feliz
E quero sem pecado e sem juízo Sabendo desfrutar deste tesão, Voando em cada gozo ao Paraíso... Marcos Loures
41
Lamber o teu grelinho, e te sarrar, Roçando o meu caralho na portinha. Desejo toda noite me esfregar Depois comer a tua bucetinha.
A puta bem gostosa a devorar Enquanto se entregando toda minha, Vontade de comer bem devagar, Até poder melar tua boquinha.
Boquetes, meia noves, fudelança, A noite se passando nesta dança Na foda prometida e sem igual.
Tu pedes minha porra em tua boca, Sorrindo de vontade quase louca, Querendo noutra noite um bacanal... Marcos Loures
42
Lamber o teu grelinho e tão sacana Beber todo o teu gozo, gota a gota, Vontade de fuder já não se esgota Te quero bem vadia, uma putana.
Enquanto a gente se ama tira e bota, A noite vai passando e não se engana, Encontro o Paraíso em tua xana A fonte inesgotável, tua grota.
Nas furnas que me mostras com tesão Melífera delícia em explosão, Vontade de ficar eternamente.
No gozo prometido e anunciado, Depois de certo tempo, saciado, Eu quero e recomeço novamente... Marcos Loures
43
Lamber este selinho caprichoso, Coloco de mansinho nesta carta, De um jeito mais bacana e tão gostoso, Prazer que não se teme nem descarta.
Tu tocas a corneta para mim, Abrindo esta corveta, vou bem fundo, Podendo te encharcar até o fim, Entrando neste jogo mais profundo.
Esta cocota, eu sei, faz maravilhas, Guardando o meu baralho logo encaixa Adentro com delícias belas trilhas Penetro quando em rogo já se abaixa.
E faço do melado desta cana Garapa mais gostosa e mais bacana... Marcos Loures
44
Lambendo tuas pétalas, ó rosa, Aos poucos descobrindo teus anseios. Espinhos escondidos, tudo aflora, Na mansidão suave sem receios...
Nas hastes, no botão, no teu perfume, Sabendo transformar tudo em prazer; Fazendo deste sonho um bom costume, Renova teu frescor, amanhecer...
O sol queimando lento te enlanguesce E deitas tuas pétalas serena. Um anjo disfarçado aos poucos desce E entranha teu aroma em vida plena...
A rosa desejosa, vai se abrindo, E o orvalho delicado, vem surgindo...
45
Lambendo tua xana Beijando-te entre as pernas A noite vai sacana Delícias sempre ternas.
Roçando a minha pica Teu grelo; eu quero mais Teu mel que me adocica Em sonhos sensuais.
Enquanto num boquete Tu fazes maravilhas, Pecado se comete
Adentro tuas ilhas. No fogo que socorra, Teu gozo, minha porra... Marcos Loures
46
Lambendo o teu grelinho com tesão, Deixando molhadinha tua gruta Vontade de te ter, safada e puta Deixando me levar na sedução
Gostosa de poder fuder gostoso Menina tão sapeca e safadinha, Beber cada gotinha do teu gozo, Que escorre em fogo desta bocetinha.
Xingando e te cravando com vontade Batendo em tua bunda de levinho, Depois enfio tudo no cuzinho
Vem logo, bem safada pro teu macho, Por cima de ladinho, vem por baixo Que eu quero dar prazer, felicidade...
Marcos Loures
47
Lambendo este grelinho, com tesão, Os dedos penetrando tua gruta, Meu corpo te buscando, um furacão, Te quero aqui comigo, muito puta.
Não deixe pra depois, te quero agora! Sacana e sem juízo, xana exposta, Eu quero o teu cuzinho sem demora, Eu sei que de mansinho, você gosta.
Não vai doer, eu boto devagar, Depois de me melar na bucetinha, Pra começar irei só colocar Do meu caralho, a sua cabecinha.
Comer a tua xota , delicia, Te tendo bem safada, assim, vadia...
48
Lambendo com carinho cada pé Da moça mais gostosa que conheço, Sentindo a sua mão num cafuné O Amor já reconhece este endereço.
Subindo devagar – depois eu desço, Um beijo no pescoço; vou até As ordens do desejo eu obedeço, E cegamente sigo credo e fé,
No quase fui feliz, o desencanto De ter permanecido no meu canto Tentando decifrar tuas vontades.
Agora tu me dizes que não queres Sequer compartilhar destes talheres, Banquetes foram simples inverdades...
49
Lágrimas, os tormentos, convulsões. Dilacerados, torpes, tais horrores. Açoitantes lamentos sangram dores, Nas cortinas vorazes, podridões
Quem soubera servil matou perdões Quem não vira um ser vil como os amores, Não servira. Nas iras; multicores, As margaridas sangram corações...
Receba o simples mártir do universo, As labaredas queimam todo cerne. Não resta quase nada do meu verso.
Da podre carne surge nova vida, Aurora vem da noite já perdida, Assim também o amor, temível berne...
7850
Lagrimando saudades prateadas, Às expensas das loucas intempéries. Os vates já previram madrugadas Em silêncio e amores vindo em séries...
Não mereço, por certo que pilhéries Destas dores nefandas, vãs, caladas, Corações pirilampos depaupéries Bem antes das manhãs mais orvalhadas...
Sentindo este coral venal, harmônico, Esperava por certo, um novo acorde. Mas ao nascer, amor resta mecônico,
Não há luz nem carinho que o acorde. Viverei tão incerto, pois afônico Não ouvirás um canto que discorde.
Coração desespera e bate manso, O teu colo podia ser remanso, Em meu sonho sem paz, nunca te alcanço! Marcos Loures
51
Lágrima que estas dores denuncia, Cristalizando em águas o tormento Que torna a nossa noite amarga e fria, Rompendo este silêncio, sofrimento.
A pérola traidora em agonia Traduz o que nos toma o pensamento. Por mais que uma expressão mostre alegria, Nos olhos tu declaras sentimento.
De todos os amores, nada resta, Senão este vazio que se empresta À velha solidão, vil companheira.
Porém querida amiga, não desista, A sorte que é funâmbula, uma artista, Se equilibra nos sonhos, feiticeira... Marcos Loures
52
Ladrilho tua rua com brilhantes E mesmo assim tu finges não me ver. Por mais que os sonhos sejam fascinantes Sonhar somente basta ao meu prazer?
Os sentimentos tolos são mutantes, Mas neles imagino tal poder Que mesmo que isso seja por instantes A gente sente o tempo se perder.
Disseram deste bosque solidão. Eu sei e conheci um anjo tolo Em quem o amor há tempos dando bolo
Matou o que sobrou de coração. Agora ela se faz de distraída Roubando o que restou de minha vida...
53
Ladravas pelas noites, solitário... Nas guias agonias e canções. O medo me acompanha, é tão sectário, Nos versos universos e verões...
Amor que te protege, mais notário, Não permite mentiras nem versões... Nas dores e nos prantos, solidário. Temores e maus tratos, seus perdões...
Lambias minhas mãos, tão carinhoso, Vibravas com meus feitos, minha glória. O tempo te trazia venturoso.
Amigo que não nega todo amparo... Por vezes da tristeza sentes faro, E mudas, sem querer, meu rumo e história... Marcos Loures
54
Ladrão do diamante verdadeiro, O sonho saqueando a realidade. Levando amor que eu tinha; derradeiro, Deixando tão somente esta saudade...
Palavra que entristece quem a sente Relembra o que eu vivi e foi tão bom, Por mais que o dia venha para a gente, Lembranças carcomendo em mesmo tom.
Monótona e difícil cantinela Que insiste mal a noite vê chegar, O amor que tanto eu quis ora revela Apenas a vontade de voltar
E crer que inda é possível reviver, Realçando somente o que é prazer... Marcos Loures
55
Lacaio dos meus sonhos Escravo da ilusão Meus dias são medonhos Meus risos nada são
Cercados por bisonhos Caminhos pra amplidão Os gozos enfadonhos Metáforas do não.
Se eu sigo tão cativo Senzalas entranhadas, Enquanto estiver vivo
Persisto nas estradas, O peito vai altivo Em meio a barricadas... Marcos Loures
56
Lacaio de meus sonhos, tantas vezes Segui em noite vaga, versos tontos. A vida suprimindo estes descontos Tramando a cada dia, mais reveses;
Archotes que eu buscara há vários meses São lendas simplesmente, velhos contos, Tocaias, estiletes, seus aprontos Fazendo de emoções, somente reses.
É lúdico brincar com as palavras, Se delas me permito em tramas, lavras Colher os sentimentos, belos frutos.
A farsa em que me enredo, dor e gozo, Permite este caminho caprichoso Amaciando versos frios, brutos... Marcos Loures
57
Lacaio das terríveis ilusões, O barco da esperança perde o cais. A vida carregando os seus senões Responde tão somente: nunca mais.
Quem tem fartas tristezas por refrões, Não guarda mais estrelas nos bornais, Momentos em que enfrenta as solidões, Decerto são temíveis, infernais.
Encontro algum alento nas lembranças Dos dias em que fui bem mais feliz. Nos olhos sempre ingênuos das crianças
Um brilho que jamais recuperei, O amor que fez de mim o que bem quis, Transforma o pesadelo em sua lei.. Marcos Loures
58
Lacaio da esperança, um sonho agreste Tomado por total insensatez, Matando o que pensara placidez Agônica loucura me reveste.
À lúbrica ilusão, que a dor empreste A fonte da amargura que se fez Dos olhos desta insana lucidez, Com a força sublime de um cipreste.
Arcando com meus erros, busco a morte E nela tão somente algum alento. Não tendo mais ninguém que me suporte
Eu vago pelas noites, vil carcaça Entregue à tal delírio, o pensamento Esgueirando, vadio se esfumaça... Marcos Loures
59
Lábios se procurando, majestade. A doce maciez de teus sorrisos, Os toques mais audazes e precisos, Sem medo, sem pudor ou falsidade.
Na parte que me cabe, esta verdade Demonstra meus momentos mais concisos, Aonde sem saber de angústia ou sisos, Desdizer nosso amor? Não sei quem há de.
Roçando a tua pele devagar, Vagando por caminhos sem fronteiras, A boca delicada a se ofertar
Atravessando pátios e quintais, Desejo todo o bem que tu me queiras E beijo novamente e muito mais...
60
Lábios quentes, desejos infinitos... As bocas se procuram mais sedentas; Amores que se sabem mais benditos. Bonitas, as paixões tão violentas...
Meu corpo no teu corpo distraído, Passeiam os meus lábios, sem destino. Eu quero nosso amor, vou decidido A buscar teu prazer, já me alucino...
Sinto-te flamejante quase louca, Os olhos se perdendo, vão sem rumo. A tua voz gemente, densa e rouca, Juízo sem sentir, perdendo o prumo.
E sinto, depois disso, uma explosão De fogos,de sentidos, de emoção!
61
Labaredas lambendo o meu sorriso, A chama que me queima já alivia, Às vezes navegar inda é preciso, Porém perco meu barco a cada dia.
Amor se aproximando sem aviso, Chegando num descuido, traz sangria, Nas cores deste amor, me mimetizo E deixo para trás a noite fria.
Das labaredas sei dos ferimentos, Da dor que causa cada queimadura. Embora na ferida encontre cura
Ao mesmo tempo em vivos sofrimentos, Amar é se entregar à vil tortura Bebida em grandes goles de ternura..
7862
Labaredas lambendo meu sorriso, As chamas que me queimam aliviam, Bem sei que navegar inda é preciso, Fingi que sei o que eles não sabiam...
Amor que enruga, livre torna liso, Por tantas coisas novas que surgiam A morte não precisa nem de aviso, As labaredas, chamas, me lambiam...
Cortei meu pé, feri meu sentimento. A bula não resolve nesse ungüento; Urtigas que me coçam trazem cura...
A vida não perdeu um só segundo... Meu coração parece vagabundo; A lua não clareia a noite escura... Marcos Loures
63
Lascívias e loucuras neste ninho Em penas e cetim, os travesseiros Na noite sem medida; alvissareiros Alívio que se faz pleno carinho.
Na mágica alquimia, com cadinho Misturas em prazeres verdadeiros Os corpos se compondo em tantos cheiros Conjuntos que me apontam o caminho
Mais próximo por onde imaginava Destino que pensara já traçado, Porém após por Eros ser ferido
Um rumo diferente se apontava Vivendo com quem quis aqui do lado, O medo de viver vive escondido...
7864
Lápis na mão; no olhar atento A velha paisagem disfarçada, Do quanto desejei não sobra nada Senão este vazio exposto ao vento.
E quando necessário; amor invento, Saltando sobre o muro e a paliçada. O sonho se transforma em palhaçada E o gosto que me resta, do excremento...
Mirando muito além, no firmamento, A lua que busquei? Abandonada, Jogada sobre um céu nublado e tosco.
No oásis que encontrei por um momento, A fonte num segundo iluminada, Apenas um remendo amargo e fosco...
7865
Lancei ao fogaréu torpes desejos, Carcaças e caraças, velhos cismas, Os olhos morredouros sem lampejos Nos medos que carrego; toscos prismas.
Pergaminhada, a pele, segue em pejos Mergulho no oceano em que me abismas Amores me traindo em vãos ensejos Insólitos batismos, ledos crismas.
Meus ossos apodrecem mesmo em vida, Destroços que me matam pouco a pouco, Restando alguns segundos, sem saída,
O mundo relegando-me à carcaça Semeio tempestades, sigo louco, Cadáver de um amor que inda acha graça.
7866
Lançando-se sublimes, do altiplano. Condores libertários, belos Andes, Amor não permitindo mais engano, Nem mesmo a fantasia que desandes
Percebe da tristeza qualquer dano Tornando-se maior em feitos grandes Amor que se demonstra soberano, Encantos permitindo que comandes,
Seguindo vai incólume adiante, De todos os maiores, o gigante! Amor que em mansidão nos dominou,
Embora reconheça esta potência Que tantas vezes trama em inclemências A luz em treva intensa ele espalhou... Marcos Loures
67
Mal posso acreditar em tua vinda, Menina sedutora, apaixonante, Não deixo de querer um só instante, Que bom saber que estás comigo, ainda.
O céu mais deslumbrante se deslinda, Em luz que já me invade, inebriante, Quem teve o seu amor, assim, distante Percebe quanto a volta se faz linda.
Ouvindo a tua voz, Ó bela prenda, Eu sinto que é possível ser feliz, Já tenho neste mundo o mais quis,
Carinho, um bom futuro, enfim desvenda. Quem segue sendo sempre um aprendiz, Bebendo desta fonte pede bis... Marcos Loures
68
Matizas o meu canto Em luzes maviosas Mostrando que este encanto Recende a raras rosas Por isso em amar tanto As horas são gostosas
Desertos que passei Oásis procurando Por tanto que pensei Não saberia quando Amor fizesse lei E fosse iluminando
Caminho que enternece Amor feito uma prece... Marcos Loures
69
Maturidade chega com a tarde, Os meus cabelos brancos são emblemas. A vida vai passando sem alarde Não posso me esquecer de velhos temas...
Nas dores que vivemos, fui covarde, Agora que envelheço, em outros lemas. Por mais que sempre tente não retarde O tempo não tem pena das algemas.
Nessa melancolia, meu retrato... Ansiedade louca sem remédio. A morte aproximando-se é um fato.
O mundo vai murchando pouco a pouco... Não posso resistir ao duro tédio Maturidade chega e fico louco...
70
Matizes variados, nosso amor Iridescente imagem que me toma, Além de simplesmente sermos soma, Multiplicamos sonho em cada flor.
Um trovador ao ver a rara luz Na qual emolduraste a nossa vida, Depois de procurar pela saída Encontra a bela guia que o conduz
Levando em suas mãos, a poesia, Pintando em belas cores, a alegria Num prisma que me encanta enquanto traz
Tesouros escondidos, diamantes Caleidoscópios tantos, fascinantes Forjando da paixão loucura e paz... Marcos Loures
71
Matando; de tristeza, o sofrimento, Alegres emoções já nos tomando Sabendo desta estrela desde quando O amor trouxe o final deste tormento.
A sorte vai cumprindo o seu intento, Enquanto uma esperança traz, raiando, No tempo mais sublime abençoando, No fogo da paixão, meu sentimento.
Portando o sol nos olhos, libertária, A paz que; não duvido, é necessária, Depois da ventania, assim, bendita,
Acende; no caminho, a lamparina Na luz que se mostrando cristalina, Bom dia minha amada, és tão bonita Marcos Loures
72
Matando uma saudade nos teus braços Perfaço as minhas sendas costumeiras. Retrato meus carinhos nos regaços De quem ao desfraldar belas bandeiras
Afaga com ternura e com abraços, As sensações perfeitas, verdadeiras, Não deixe que estes medos, fortes, crassos, Destruam emoções tão lisonjeiras.
Tu és decerto, o rumo predileto, Aonde irei marchar até que a morte Trazendo o seu caminho, duro e reto
Invada e me carregue para o eterno. Saudade não permita o triste corte, De um sentimento imenso, manso e terno... Marcos Loures
73
Matando uma saudade nos teus braços Perfaço as minhas sendas costumeiras. Retrato meus carinhos nos regaços De quem ao desfraldar belas bandeiras
Afaga com ternura e com abraços, As sensações perfeitas, verdadeiras, Não deixe que estes medos, fortes, crassos, Destruam emoções tão lisonjeiras.
Tu és decerto, o rumo predileto, Aonde irei marchar até que a morte Trazendo o seu caminho, duro e reto
Invada e me carregue para o eterno. Saudade não permita o triste corte, De um sentimento imenso, manso e terno... Marcos Loures
74
Matando toda a sorte que eu queria, O coração se faz tão indefeso, Não posso suportar tanta agonia Trazida neste olhar, duro desprezo.
Se eu prezo o teu amor por que me negas? Eu vivo tão somente por saber O quanto caminhei sozinho às cegas Na busca solitária por prazer
Depois de tanto tempo entregue ao nada, Restando tão somente este vazio, Adentro a mais dorida madrugada E mesmo em tanta dor, um sonho eu crio,
De ter; junto contigo um novo dia, Surgindo nos meus olhos, poesia... Marcos Loures
7875
Matando os dias rudes, negros, tétricos A mansa sensação do amor se fez Em rumos mais perfeitos e simétricos O quanto é necessária a lucidez.
Sem lágrimas ou lástimas que entranhem Rondando entre paredes, pedras, trevas, Distante destas feras que me estranhem As luzes revoando em finas levas
Cevando as mais profícuas claridades Afeito a tais vontades incessantes. Os olhos vão bebendo estas verdades E raiam nos teus sóis mais escaldantes
O quanto desde outrora em flóreas sendas Amor que me inoculas cria lendas...
76
Matando o verso incréu, rude e soberbo, Um simples trovador canta esperança. O que já fora outrora tão acerbo Agora revigora a nova dança.
A trança da morena em minha pele Jogando sobre mim, festa e confete O quanto em avidez amor compele O gozo que se bebe e se repete
Trazendo no bornal sonho impossível Que aflora com encanto inexplicável Fazendo qualquer lenda ser mais crível Crivando em diamante o mundo amável
Provável solução em primavera Potável tentação que nos espera.
77
Matando o que se fora, outrora trágico Um sonho que se fez audaz e insano, Do quanto tive em vida um momento álgico Coberto em solidão e desengano
Agora viro a página, em tão cálido Caminho transformado em solução. O céu que já nascera vago e pálido Promete ao renascer uma explosão.
Do quanto amor se mostra enfim, mimético Eu vejo o meu reflexo num mosaico. Recebo este arejar doce e poético Deixando o sofrimento vil e arcaico
Guardado num recanto e ali atônico Calado pelo encanto – amor harmônico... Marcos Loures
78
Matando o que restou deste menino, Desesperança marca em tatuagem, Mudando totalmente esta paisagem Gerando sem perdão um desatino.
E quando, solitário me alucino, Percorro a fantasia, uma miragem, Recebo da ilusão torpe mensagem, Voláteis sentimentos, perco o tino.
Vivendas que fantásticas, criei, Permitem finalmente algum alento. Corcel em liberdade, o pensamento,
Dourando com delírios minha grei. Quem dera se voltasses para mim, Talvez este pavor chegasse ao fim... Marcos Loures
79
Matando o que restou da claridade Sem lua o cavaleiro segue em solo, O quanto é necessária uma amizade Não serve nem de apoio ou mais consolo.
Assolam os momentos, fúrias, dores, Argutas as quimeras na tocaia Espalham seus espinhos, secam flores, Algoz feito esperança toma a praia
E invade o que restou de quem sonhara, Deixando tão somente uma carcaça. A jóia cultivada, mesmo rara, Perdida em meio a nuvens de fumaça;
A morte que sonega o paraíso, A vida vem trazendo sem aviso. Marcos Loures
80
Matando o que pensara ser só meu Não quero que meus passos tu evites Saudade de teu corpo junto ao meu, Rolando sem juízo e sem limites.
Depois que tu partiste, resta o breu, Apenas a saudade a dar palpites Refaço o brilho intenso, que era o teu, E nisso tudo quero que acredites,
De tudo o que carrego nesta vida, Tu és a parte nobre, mas sofrida Do que inda penso um dia que há de vir
O vento da esperança que me roça, Ao mesmo tempo corta e já remoça Mudando em pensamento, o meu porvir.
81
Matando o que inda resta dentro em mim, Exponho o meu cadáver pelas ruas. Jogando creolina em meu jardim As bocas que se mordem seguem cruas.
A cada novo guizo, cascavéis A cada novo porto, o meu naufrágio. Deixando para trás velhos corcéis O peito vai ficando exposto e frágil.
Carcaças de esperanças num esgoto, Estrelas derrapando no teu céu, Bebendo cada gota do vinhoto Vendido em drogarias como mel.
Se eu fosse o que pudesse, mas não creio No amor que se faz cinza e sem recheio...
82
Matando o milharal, cadê boneca? Apenas um restinho lá sobrou. Somente uma esperança não secou, Menina tão travessa e mais sapeca.
Minha alma sertaneja não se seca E busca no oceano o que sonhou, Nas águas pensamento procurou A sorte traiçoeira e tão moleca;
Nas águas ao revés das duras ondas, As noites destas luas mais redondas, Dos casos, companheiros, meus amigos,
À dura solidão desta jangada, Eu tento a solução, não vejo nada, Apenas são diversos, os perigos.
83
Matando o medo algoz e feiticeiro Apegos bem mais firmes, nosso jogo, Queimando sem juízo, acende o fogo E mostra este desejo por inteiro.
Do quanto que te quero, sinto o cheiro E tramo esta ventura em que me jogo, Da forma mais sutil quando me afogo Eu vejo que este amor é verdadeiro.
Penetro tais defesas, abro frestas, Aparam-se sutis velhas arestas E o tempo sem limites, vai passando.
Na rua, na calçada ou no motel, Ao desvendar vestígios deste céu, Não quero e nem pergunto aonde e quando. Marcos Loures
84
Matando nossa sede neste rio, Descendo as cachoeiras mais bonitas. Sentindo este calor que aborta o frio, Vivendo as alegrias mais benditas.
Quase sempre olvidamos quanta fome Que existe neste mundo em desamor. Ao lado da alegria a dor já some, O riso não é bom revelador.
Devemos desfrutar desta alegria, Porém sem nos deixarmos enganar. Por mais que seja bela a poesia, Do mal ela não pode se furtar.
Por isso, meu amigo, tanto irmão Precisa deste amor de salvação.b
85
Matando minha sede neste poço Deliciosamente aberto em chama. Causando a um sedento alvoroço Incendiando quarto, casa e cama.
Sorvendo cada gota devagar, Sabendo que um desejo insaciável No mel delicioso lambuzar De doce paraíso tão amável.
No regozijo imenso da paixão, Vibrando neste altar de amor profano. Não resistir jamais à tentação Deste prazer sincero e soberano
Que toma nossos corpos tão sedentos, Delírios tão suaves, violentos...
86
Matando estes desejos mais sedentos, Rolando em nossa cama noite e dia, Aberto o coração sujeito aos ventos Que forram nossa vida de alegria. Me deixo seduzir por teu encanto, E deito-me em teu colo tão macio, Depois do nosso amor, um acalanto, Não deixa mais espaço para o frio... Eu sei que sem te ter eu já não vivo, Apenas sobrevivo e nada mais... Não quero e não procuro mais motivo Eu vivo por amar assim, demais... Não quero mais deitar em outra cama, Apenas no teu corpo encontro a chama...
87
Matando em nascedouro a solidão, O gozo da alegria determina Que a fonte que se entorna de emoção Permite no horizonte a rara mina.
A força cristalina deste amor, Apaixonadamente já nos toma, Dourando em meu canteiro a fina flor, É multiplicação, bem mais que soma.
Amor um bem preciso, um dom eclético Que faz de todo o sonho, realidade. O quanto que te vi em tom profético Agora vislumbrado em claridade.
Verdades estampadas no teu rosto, O fogo da paixão se mostra exposto...
88
Matando em mil oásis o deserto Que outrora dominara esta paisagem, Vertendo uma alegria em peito aberto, Não creio ser amor simples miragem.
Prossegue o pensamento em vã viagem, Trazendo o que é distante para perto, Enquanto em poesia, amor alerto, Alento encontro em lúdica voragem.
Versando sobre sonhos, tão somente, Demora o coração nesta semente Que tento ser início de mudança.
Beijar a tua boca ter teu colo, Cevando em alegrias nosso solo, Adubo mais fecundo, uma esperança... Marcos Loures
89
Matando a minha sede nesta fonte Numa expressão suprema de prazer Que toma conta inteiro, do meu ser E torna mais suave este horizonte.
Enquanto o sol dos sonhos já desponte Na plena claridade posso ver Emanam-se delírios, quero crer Que encontro finalmente a firme ponte
Unindo nossos portos sobre o rio Imenso e turbulento dos anseios. Tocando a tua pele, boca, seios,
Condeno-me feliz ao desvario E rasgo o coração neste poema, No raro constelar, um diadema...
90
Mascaro com mil guizos, fantasia Escondo-me nas capas da mentira Olhar no firmamento sempre atira Fuzis, metralhadoras, mão sombria.
No sonho tão inútil que se cria; Do coração se expondo cada tira O mundo futilmente vai e gira Fazendo bem mais falsa, uma alegria.
Assim como os irmãos, todos burgueses, Na mesma procissão, nós somos reses Tomadas pela tétrica ambição.
Vagando pelas noites, bar em bar, Pensamento tão somente em desfrutar, Correndo sempre atrás de uma ilusão. Marcos Loures
91
Máscara amortalhada da ilusão, Cobrindo os olhos tétricos, satânicos, Esconde da verdade, medos, pânicos Sonegando a terrível expressão
Forjando a mera, estúpida emoção. Aplaca torpes mares, que vulcânicos Camuflam-se em amores vãos, mecânicos, Da calmaria vê-se uma explosão...
Fervilhas em desejos, frenesi, A pérfida volúpia te consome, Dos vários maremotos que bebi
Eu pude perceber o fogaréu Que mascarado olhar, negando a fome Entranha mil demônios no teu Céu...
92
Mas vendo-te de lado, assim calada, Ninando o paraíso que não vês Benéficos momentos sem porquês Apenas não diziam quase nada.
Se odeio o renascer feito alvorada A culpa é dos caminhos sem cadês Cadenciando o passo, se degrada O que jamais darias, pois não crês.
Serena madrugada não me atrai, A bala se perdida, pra onde vai? O caso é de polícia? Já nem sei.
Beirando o precipício principio Enquanto adormecendo tão vazio Já não cultivarei em tua grei...
93
Mas valem nossa estrada, podes crer Os tantos pedregulhos que encontramos. Durante a tempestade navegamos Buscando o velho cais que posso ver
Nos olhos faiscando de prazer Arcando com volúpias que entranhamos, Dos templos que diversos nós criamos O rito abençoando nosso ser.
Selando nossos rumos com fantástico Cenário prometido há tantos anos. Por mais que tanta vez o vento drástico
Fizesse dos meus passos, vendavais. Jamais reviverei os desenganos Que um dia foram tristes rituais...
94
Mas tente perceber quanto podemos Se juntos caminharmos, dia a dia, O barco, se juntarmos vários remos Vencendo a correnteza, propicia Além do que sonhamos ou prevemos O cais de uma esperança, em alegria.
O beijo tão suave deste vento Que toca nosso rosto, uma bonança Que invade sem temor o pensamento, Fazendo com Amor rara aliança, A plena calmaria no tormento, Usando o meu perdão como vingança.
Assim, ao perceber o Teu Amor, Meu verso se entregando num louvor! Marcos Loures
95
Mas será que ouvirás a minha voz? Meu canto agônico, perdido, triste... Meu coração tão temerário, insiste, Teimosamente. A vida é mais atroz...
Mas sinto que estarás aqui, amor, Neste Nosso Natal, o da esperança, Teus olhos carrego na lembrança, Como ao perfume, guarda a triste flor...
Esse vento batendo na janela... Toda noite trazendo o frio intenso. Amor que se foi, forte e tão imenso...
Com o vento batendo, na dor, penso. Mas a sombra da lua, me revela Que não é mais o vento! Será ela?
96
Matéria que se faz em força bruta Causando tantos males, invejosa, A sorte se mostrando belicosa Incide sobre nós, fomenta a luta.
Vibrando, até sorri, quanto executa Em fúria tão venal, voluptuosa, Fixando seu veneno em cada escuta, Agarra meu destino, uma ventosa.
Futuro em suas mãos, logo restringe, Cravando suas garras na laringe Não deixa respirar, mostrando os dentes,
Somente uma esperança, mesmo tarde, Formada pelo encanto da amizade Craveja de brilhantes envolventes...
97
Matéria humana, pérola mais fina Que deve ser imersa em bons carinhos Cultivo em que; quem ama, assim domina Com paciência cria raros vinhos.
Ao que esta jóia bela se destina Dependo do frescor de antigos ninhos Decerto com pureza cristalina Se tem por direção, ricos caminhos.
Deslumbramento feito em riso e gozo De toda a soberana placidez, Jamais deixado ao léu, qual andrajoso
Resíduo de matéria sem cuidados. Na força da amizade, a lucidez De passos com firmeza, sempre dados...
98
Matei o que sobrara em poucos versos, Depois do meio dia, o funeral. Convido aos mais gulosos que dispersos Adotam verborréia sensual.
Risíveis os temores tão diversos Meu canto se mostrando mais banal Engole este vestígio de universos Retratando um terrível espectral.
Espetacularmente sangro e rio, Vestido de quasares fui à festa E nesta estupidez em que me crio
Tampouco o que sobrou já não me resta Apago da esperança o seu pavio, Pro gozo de quem sabe e me detesta.
99
Matei o que restou do sentimento Que outrora foi a vela que guiara Nem mesmo esta ilusão ainda ampara, Enfrento sem defesas, cada vento.
Percebo o velho amor qual excremento Aonde quis a pérola mais rara, Verdade tão nefasta ora se aclara E vejo a podridão deste rebento
Que um dia mal parido, se fez sonho, Aos olhos do luar me decomponho Brandura não se fez nunca presente.
Perfídias entre hedônicas loucuras, Os lábios encetando tais torturas, Num asqueroso fim, já se pressente
7900
Matei a minha doce mocidade Vencida pelos tragos, botequins, A moça delicada que me enfade Devolvo para os chatos querubins.
Eu quero esta mulher muito sacana Que goste de um carinho mais audaz, O rabo da cadela que me abana Quando empinado, é claro, satisfaz.
Donzelas? Poucas vi com mais de doze, Porém mantendo assim a sua pose, Não pode ouvir sequer um palavrão
Que fica então chocada. Pobrezinha, De noite cacareja esta galinha, Morrendo de vontade e de tesão...
|
|