
MEUS SONETOS VOLUME 075
Data 13/12/2010 08:08:54 | Tópico: Sonetos
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Havia, no sertão, um coronel Chamado simplesmente, assim, de Jó. Que tendo como fama ser cruel Matava e maltratava sem ter dó.
Os seus escravos, sempre em jogatina, No Caxangá varavam madrugadas, A filha deste Jó, bela menina Cansada das vergastas aplicadas
Fugindo, me encontrou, não disse nada Apenas caminhando junto a mim, Tentando percorrer a mesma estrada Na cama feita em relva, no capim,
Ao se entregar depressa e sem juízo, Abriu em suas pernas, paraíso... Marcos Loures
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Havia de chegar o grande amor Depois dos desenganos e mentiras Nos braços deste Sonho em que te atiras Certeza do infinito a se propor.
Na voz de um sertanejo trovador, Belíssima canção em doces liras. Acendes; dos desejos, suas piras E vibras; emoção, sacro calor.
Depois dos temporais, tanta bonança Urgência se transforma em esperança E avança a noite imersa nestas luzes.
Veredas deslumbrantes; belas sendas, O gozo em alegria, tuas prendas, Clareza que em teus olhos reproduzes...
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Hastear tais bandeiras nessas fronhas Depois de termos feito tanto amor, As noites não serão mais enfadonhas Também pra que desejo o teu pudor?
No fundo esquecemos das vergonhas Bebendo da alegria este torpor, Que danem-se as estúpidas cegonhas Componhas desta insânia o teu louvor.
Dois seres que não são meros pamonhas Brincando de tirar e depois pôr, De noite vem chegando este calor
Que é tudo que em verdade sempre sonhas, Mantendo com certeza o bom humor Deixando para trás noites medonhas...
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Harmônicos pensares, almas unas, Etéreos, mas uníssonos vernáculos. Desertos gigantescos, mesmas dunas, Diversas expressões, velhos oráculos
Diziam desta sorte que nos toma, De sermos diferentes, mas iguais. Duas almas vivendo num só soma, Excelsas esperanças, magistrais.
Cabendo num só verbo, tantas glórias, Que mesmo em cadafalsos luz transpiram, Sinônimos sutis, lutas, vitórias, Que nem velhas masmorras; vãs, expiram.
Assim, quando ao correr de nossas penas, Palavras vão se ungindo, magas, plenas...
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Há tantas ilusões em quem procura Amor como se fosse eternidade. A luz que não se encontra em noite escura Somente aumentará sua saudade.
Assim busquei em ti toda a ternura Que um dia imaginei, felicidade... A realidade mostra-se tão dura... O que restou no fim? Só a vontade...
Mulher que desejei a cada dia, Fugidia, distante... não mais vejo. Depois de tanto tempo, a fantasia
Se mostra dolorida e sem sentido... Restando tão somente este desejo, E o canto de alegria? Vi perdido...
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Há tantas coisas frágeis que encontramos E delas nós criamos mil castelos, Escravos dos sentidos, torpes amos, Que em máscaras parecem-nos tão belos.
Deus um lavrador com seus rastelos Cultiva o que nós tanto precisamos, E mesmo quando creio poder tê-los Os bens mais importantes, desprezamos...
Assim, ao caminhamos pela vida A estrada se parece vã, perdida Com todas as riquezas nada traz
Felicidade imensa que se vê Nos olhos de quem ama e nisso crê Na amizade, saúde, amor e paz...
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Há quem defenda estúpidos boçais Os narcotraficantes imbecis, Deixando humanidade por um triz Ainda são as capas dos jornais.
Seqüestros, guerrilheiros, animais, No fundo são apenas seres vis Tornando o céu nublado, escuro e gris, São torpes, idiotas e venais.
O socialismo é feito dia-a-dia Num ato que transforme a sociedade, Obedecendo à lei, democracia
Permite que se pense no amanhã Repleto de calor e de amizade, A luta sem ser essa, é sempre vã. Marcos Loures
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Há quanto tempo busco o teu olhar Em meio a multidões, luzes distintas São carros e faróis a trafegar Anúncios em néons, diversas tintas.
Reflexos apagando este luar; O vento deste amor; quero que sintas Perceba esta alegria a me tomar, As ilusões não podem ser extintas.
Meu sonho nos teus braços já se aninha, Meu canto te procura sem descanso, A noite se acabando e não te alcanço
Um dia tu virás, num vento manso, E assim uma esperança se avizinha, Poder dizer a todos: JÁ ÉS MINHA!
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Há múltiplas escolhas nesta vida, E delas só depende o meu futuro, Às vezes encontramos a saída Em outras tão somente o céu escuro.
A sina que deseja ser cumprida Além do que se mostra em alto muro, Por mais que a estrada seja assim comprida, Do lado de quem quero, eu já perduro.
Ao descrever com fé o que eu queria, Disserto com esplêndida euforia Além do que quem sonha sempre vê
Depois de procurar pela resposta, Encontro finalmente ali exposta A imagem mais perfeita: era você! Marcos Loures
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Há muito, no começo, um trovador, Cantava tanto amor quanto amizade. Nos velhos menestréis, amor e dor, Com toques bem suaves de saudade...
O tempo se passou, mudando tudo. Porém nossa emoção assim persiste. Com forças soberanas não me iludo, No fundo um coração alegre e triste.
A roupa que vestimos, tecnológica, O mundo que vivemos, diferente... Computador, foguetes, tanta lógica; Porém nossa emoção inda é de gente.
Amiga, com poder, tecnologia; Amor inda me inunda a poesia...
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Há muito que eu queria te beijar Um sonho que carrego já faz tempo, Vontade de poder te namorar, Mas sempre aparecia um contratempo. Às vezes tua mãe estava perto, Em outras o teu pai não permitia, A boca se secando num deserto, Saliva mata a sede; ela pedia... Minha amada, eu estou apaixonado E cansado de ouvir tanta recusa... Mas quando te beijei, fiquei corado, Senti que tu estavas tão confusa, Verdade: quem jamais comeu melado, Quando come, querida, se lambuza!
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Há muito por dizer em um olhar Bem mais do que em palavras, eu garanto. O amor que transformado em puro encanto Por vezes sinto vindo devagar.
Pois saiba que eu te adoro tanto, tanto. Mas temo não poder me declarar. O amor que tantas vezes faz brilhar Meus olhos, misturando luz e pranto,
É tudo o que eu queria te dizer Além de simples versos que eu te faço. Quem sabe se esta luz te fará crer
No sentimento nobre que domina Meu pensamento e em cada novo passo, O olhar que bem mais forte te ilumina... Marcos Loures
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Há muito meu destino demarcado Somente pelas dores e promessas, Vivendo de alegrias do passado, Não ouço e nem espero mais conversas,
A juventude, amiga; um doce prado, Em sonhos e delícias tão diversas, Agora no meu peito amargurado, Recordações sutis e assim dispersas
Demonstram que talvez eu tenha tido Momento de real felicidade, Refém do que já tive vou perdido,
Tentando reverter em claridade O brilho que se perde em triste olvido A sombra que alimenta, na verdade...
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Há momentos na vida, eu te garanto, Que tudo nos parece já perdido. O amor por vezes frágil, dolorido. A noite que se passa em desencanto.
Ouvir; meu caro filho, o belo canto É como a voz de um anjo em meu ouvido, Dizendo o quão divino é poder tido A glória deste amor, sublime manto.
Não poderei viver sempre contigo, Meu tempo no pretérito pressente Que a seta que se lança no presente
Será nos meus escombros, meu abrigo. Teu pai ao se perder, farta ilusão, Te pede por seus erros, o perdão... Marcos Loures
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Há momentos na vida em que se vê O quanto é tão sublime a criação, Pois Deus com total inspiração Deu-nos este presente que é você.
Nesta benção divina, a gente crê, Trazendo tal prazer ao coração Que deixa a mais perfeita sensação E um Paraíso em glórias se antevê.
No teu aniversário, uma homenagem Se faz tão necessária, minha amiga. A mão que nos apóia na viagem
Levando sempre a paz como bandeira, Que toda este brilhar sempre prossiga Nos olhos desta amada companheira... Marcos Loures
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Há momentos na vida em que eu assim pergunto Se o gozo é pertinente ao amor em conjunto. Prazer quando inerente é sempre um bom motivo
Que nos permite sempre embrenhar nos altares Aonde se mistura o fino dos jantares Banquete pelo qual eu gozo e sobrevivo...
Eu sei que o paladar pode ser meio estranho Mas mal a noite acaba e começa a cobiça O coração dispara andando quase fanho E vê depois de tudo, o quanto a vida viça
O cheiro é nauseabundo e dele já me entranho, Há gente que prefere até comer cortiça Porém o que fazer, se eu tenho o mal tamanho De preferir, querida, um prato de carniça?
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Há gente que não sabe decifrar Toda a beleza em glória que Deus fez, E usando da total estupidez Esquece que inda resta este luar
Que teima em clara noite iluminar Mudando sempre em fases sua tez, E sem ter mesmo assim, farta altivez Se mostra a quem quiser se emocionar.
Momentos tão sublimes e tão vários Não tocam corações quando ordinários, Daqueles que negando a claridade
Existem tão somente; e sem prazer Jamais se permitiram o VIVER, Que é feito em amor pleno e liberdade!
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Há gente que não sabe conviver, Respeito eu dou e peço, é meu direito. Falta de educação é um defeito Difícil de aturar e dá pra ver,
Pois basta tão somente não me ler, Mas o diabo andando insatisfeito Velhusco salafrário, desse jeito, Parece que não tem o que fazer.
Respeite os teus cabelos já grisalhos, Dos outros, não desdenhe os seus trabalhos, Procure um psiquiatra, mas dos bons,
Ou quem sabe console-se nas ostras Roçando o teu traseiro que tu mostras Ao demonstrar assim teus toscos dons...
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Há genes de esperança nos meus versos Vivenciando gozos que virão. Se eu tenho a fantasia em cada mão Eu sigo sem arreios; universos
Os vasos que quebrei foram diversos A cola não me trouxe uma junção Que mesmo que beirasse à perfeição Teria resultados mais perversos.
Inserto nos teus olhos, minhas travas Tentando te impedir de ver desnudo O coração que coaxa, tão miúdo
Enquanto em fantasias tu te lavas, A dança que tramei o que bem quis Promete algo que seja enfim feliz... Marcos Loures
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Há dias que percebo a solidão rondando a minha casa. Abro a janela e vejo tão somente escuridão que a noite tão vazia me revela.
Meu sonho, liberdade em amplidão viaja pelo espaço e assim se atrela aos braços fervorosos que se dão trazendo para a noite estrela bela.
Então neste momento, em claridade, um sonho se tornando realidade, eu sinto mais fervor em cada passo,
querida, no clarão desta amizade, um mundo mavioso em forte laço percorre em brilho intenso o negro espaço
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Há dias que nos tornam mais contentes E neles percebemos esperanças. Transmudam os caminhos que entrementes Fizeram dos meus céus tristes andanças.
De tantos descaminhos, penitentes Meus passos alcançando estas mudanças Permitem que outros dias envolventes Afoguem as tristezas, as lembranças.
Ao ter tua presença aqui comigo, Amiga que encontrei em áurea senda O mundo em alegria se desvenda
Afasta totalmente um vão perigo, Apascentando enfim, qualquer contenda, Trazendo finalmente um manso abrigo..
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Há dias que não sei o que fazer, Diante deste encanto que me trazes, A fonte tão gostosa de beber, Palavras, sentimentos mais audazes.
O quanto te desejo, podes crer Além de simples, tolas, reles fases Permitem com certeza enaltecer, Ao abalar em fúria, as minhas bases.
Abrindo o coração ao fogo intenso De todo esta vontade de ser teu, Além do que meu verso concebeu
Em ti, a cada noite, mais eu penso. No amor que já transborda, intensidade Bebendo da loucura à saciedade... Marcos Loures
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Há dias em que a vida não permite Que a gente mostre um rosto mais feliz. Por mais que uma vontade chegue e grite, O coração sofrido já desdiz.
As flores do jardim de nossa casa, Que outrora foram belas, vicejantes, Enquanto a poesia assim descasa Os olhos são somente viajantes
Que buscam no infinito uma resposta, Além do ancoradouro imaginário. Compota de ilusões na mesa posta, O vento que me assola, temerário.
Mas quando vejo em ti, meigo sorriso, Refaço a caminhada ao Paraíso.. Marcos Loures
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Há de subir além deste infinito Que posso vislumbra em noite intensa, Sonho no qual deveras acredito, Tornando a minha vida menos tensa.
Enquanto em versos; lúdico, exercito O que minha alma brada em voz imensa, Apenas a frieza do granito Encontro ao fim da tarde, recompensa...
Azedo com palavras o teu mel E vejo mais distante luz e céu, Colhendo o que plantei, a solidão.
Não temo mais o frio que virá, Sabendo do vazio, desde já, Fazendo do granizo, o meu verão.... Marcos Loures
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Há coisas que não posso mais negar, O quanto uma amizade nos ajuda. Cevando com firmeza e com vagar, A planta não será; jamais, miúda.
Permite que se faça a caminhada, Tirando estes espinhos costumeiros. Tornando bem mais bela a nossa estrada, Andemos pareados, companheiros.
E quando a tempestade se aproxima, Abrigos em nós mesmos; encontramos. Na força do arvoredo feito estima, A bela proteção de fortes ramos.
Mas saiba do relâmpago, trovão. Usando o pára-raios do perdão...
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Há coisas neste mundo que nos fazem Temer pelo futuro, com certeza, Enquanto as poesias se desfazem A vida segue em brava correnteza.
É necessário crer que exista um Deus Que possa nos trazer algum alento. E nisso, quando estou nos braços teus Consiste em esperança, o sentimento.
De quem ao perceber que inda se pode Viver nesta ilusão de ser feliz. Na dor, a fantasia nos acode, Trazendo desde sempre o que mais quis.
Viver sempre contigo, um belo sonho, Que embora, às vezes triste, inda componho Marcos Loures
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Há coisas nesta vida, minha amiga Que tantas vezes valem mais que o ouro, Uma amizade imensa nos abriga, Eu posso te dizer: é um tesouro.
No dia em que completas mais um ano, Eu venho agradecer pela existência De um anjo mavioso e soberano, Que traz em suas asas a clemência.
Por isto, me permita te dizer Do quanto comemoro tal momento. Certeza de alegria e de prazer, Que invade com mais força o sentimento.
Feliz aniversário, amiga minha, Pois Deus dentro de ti, eu sei, se aninha... Marcos Loures
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Há coisas nesta vida que eu não gosto E penso que ninguém irá gostar. Amiga, na verdade até aposto E nisso tenho ganas de ganhar
Que mesmo que pareça mais disposto A ter esta mulher que possa amar, No fundo, causaria tal desgosto, Maior do que as procelas lá do mar...
Eu peço, então que entendas meu destino, Na flatulência fez-se antigo amor. Deixando mesmo o peito em desatino.
Mas tenho uma lembrança; amiga flor, Da qual não me esqueci, e vaticino: - Amor; não solte pum no elevador!
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Há tanto que eu preciso te falar Da estrela distraída que perdi Roubando cada brilho do luar Procuro e num momento chego a ti.
Entregue aos sortilégios deste mar, O tempo desconhece o que vivi, Sereia vem à praia e devagar Mergulha no que outrora teve aqui.
Enquanto faz o templo em tua pele, Ao gozo mais sublime me compele Atrela cada passo teu e meu.
Será que não percebe que em verdade Sereia dos meus sonhos, realidade Nos braços de quem amo se verteu...
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Há tanto que desejo ter alguém Que possa suportar os meus rompantes. Cansei já de tomar tantos calmantes, Porém o que fazer se logo vem
Vontade de esganar, matar uns cem. Depois volto ao normal. Poucos instantes Do todo em paciência, discrepantes, Já bastam pra dizer: não há ninguém...
Quem dera se eu mudasse este meu jeito, Também não posso ser, amor, perfeito. Eu brigo, gesticulo e silencio.
Conto até dez. Respiro mais profundo... É coisa que não dura nem segundo. Mais vale o temporal que todo o estio? Marcos Loures
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Há tanto pra dizer, mas não consigo, Persigo a tua imagem e me perco. Saudade vai fechando, assim, o cerco, A vida me condena ao desabrigo.
Lembrando deste sonho tão antigo, Jardim do amor secou, faltou esterco, De fantasias tantas eu me acerco, E apenas posso ver velho postigo
Da casa que pensara ser o ninho Aonde eu poderia descansar. Agora que me vejo, assim, sozinho,
Sem nada nem ninguém que me console, Perdido marinheiro, imenso mar, O espectro do que fomos já me engole... Marcos Loures
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Há tanto por fazer que não consigo Sequer imaginar a solução De todos os problemas que persigo Naufrago a cada curva a embarcação,
Sorriso do meu filho, voz do amigo Promessa abençoada, vinho e pão, Refém do meu temor; tanto desdigo Enquanto adentro o sonho, escuto o não.
Sou cético, mas creio no infinito, E quero ter a tal eternidade. Subindo a escadaria de granito
Mergulho dos umbrais no precipício Criado pela inútil liberdade Retorno novamente ao mesmo início...
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Há tanto por dizer e nada falo, O tédio toma conta dos meus versos, A noite prometia algum embalo, Porém nossos caminhos são diversos.
Velha monotonia toma a cena, Olhar para a tevê, ver o jornal, A vida dessa forma não se engrena, É sempre o mesmo antigo ritual.
Beber um gole a mais, sair sozinho, Sem rumo e sem destino bar em bar, Resposta que procuro está no vinho, Vontade de morrer, cair no mar..
Sem coragem para isso, fico só, Tirando das estantes da alma, o pó.
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Há tanto por dizer e nada faço Senão olhar pra trás – tola saudade. A vida se perdendo sem espaço, Quem dera conhecesse a liberdade.
Distante do futuro que ora traço, Apenas o passado vem e invade Procuro desfazer o antigo laço, Mas vejo em minha frente a mesma grade...
Minha alma/passarinho passará E nada do que tenho aqui ou lá Parece redimir erros banais.
Vagando sem destino, a embarcação, Enfrenta o mesmo e velho furacão E afasta-se deveras deste cais...
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Há tanto o que fazer e não consigo, Quem sabe se eu tivesse alguma chance De ter, após a chuva um bom abrigo Que impeça que a tristeza nos alcance.
Cevando tanto o joio quanto o trigo, Ao menos perceber qualquer nuance Que mostre o que preciso. Vou contigo Por mais que o temporal não me afiance.
Farturas encontradas? Simples fatos. Recebo as calmas águas dos regatos E tento nova foz em braços mansos.
Queria não poder ter ilusões, Enraizando os pés, bebo as paixões E sigo em direção aos teus remansos... Marcos Loures
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Há tanto o que dizer e não consigo, Um pária que inda ter ser feliz. Eterno sonhador, vil aprendiz, Vagando sem descanso e sem abrigo.
Quem dera ter o abraço de um amigo Que a plena realidade mostra e diz. Minha alma perambula, meretriz, Às sombras dos meus dias eu prossigo
Os céus já tão distantes dos meus olhos, Canteiro carcomido por abrolhos, Apenas o vazio no arrebol.
A primavera há tempos, se perdeu, Preparo com tristeza este himeneu Tentando em plenas trevas ver o sol... Marcos Loures
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Há tanto o que dizer e nada falo Olhando a procissão de imensos nadas. Na contramão do tempo, num estalo São velharias nossas madrugadas.
O que pensara ser algum regalo, Desvios feito curvas nas estradas, Inúteis minhas mãos criando calo As almas sem amor, aposentadas.
Desisto! Dos amores que eu sonhava, A velha poesia, amarga escrava, Ultrapassada, arcaica e tão somente
Estúpida maneira de expressão, Matemos desde já o coração, Plantemos do vazio, uma semente...
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Irei aonde a vida latejar Rasgando o coração de quem sonhara, O tempo apodreceu o meu pomar Enegrecendo a sorte outrora clara.
Deixando no passado aurora e mar, Levando as esperanças em tiara. Nos astros procurando sem parar, Estrela- fantasia; luz tão rara.
Quem dera se encontrasse algum motivo, Das dores e temores eu me esquivo E encontro após a dura tempestade
No braço benfazejo da alegria Estrela divinal que enfim me guia Moldando em meu caminho, uma amizade...
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Ira santa tanta luta, bruta força... Quebram sinas, sinais dos assassinos... Caçam moças, almoçam mansa corça... Matam tempo, queimando os meninos...
Canalhas suas tralhas quebram louça Farsas expostas rostos, desatinos... Gerações abortadas, sangue, poça... Destruindo desejos e destinos...
No sem juízo, escarro, convulsão. Nos sem telhados, fados, riscos, chão; Dos meus olhos vermelhos, verminose...
Gerações abortadas, fina hipnose... Prelúdio de canções sem ter beleza Os mortos esquecidos sobre a mesa! Marcos Loures
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Invoco o testemunho de quem mente, Somente por saber que ainda creio Na doce sensação do amargo anseio Uma expressão medonha de um demente.
Queria permitir-me pra semente Sereno vergalhão, mas não há meio, No quanto quis o trigo só centeio Quisera outra palavra mais contente.
No parto inusitado, nasceu flores Aonde ervas daninhas; esperava, Rompendo da ilusão a antiga trava
Espero do prazer fartos odores. Melancolia é coisa de cinema, Mas servirá também para um poema...
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Invisto nos espaços sem dar tréguas, Dos versos caminheiros, bebo os rastros, Liberto, alçando estrelas, venço léguas E sigo bem de perto lumes, astros.
Fervilha o pensamento nesta busca, Sofreguidão, loucura ou frenesi. Nem mesmo a sanidade, o sonho, ofusca Vestindo a realidade, eu me perdi.
E teimo sem paragem, vou à toa. Esfumaçada noite em nuvens, chuvas. A voz dos meus anseios inda ecoa, As mãos vazias buscam velhas luvas,
Caminhos que se fez em morros, curvas, Procuro pelo sol, mas cega, enturvas... Marcos Loures
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Invisibilidade, eu bem queria ter, Andar por astros - livre. E desta liberdade Usufruir. Mas vejo o quanto posso crer Na face em que se espelha amor feito amizade,
Olhando pra mim mesmo, encontro o nada ser Senão a mão cansada em busca da verdade. Por vezes também sonho algum novo prazer, Porém nada encontrando, a solidão me invade.
Reparto o que partira em partos renegados. Açoito uma esperança, algoz e necessária. Na cárie que se expõe; os dias vãos passados.
Entrego-me ao vazio e nisso, sou feliz. Amiga a nossa sorte é sempre temporária Que dera se eu tivesse a vida por um triz...
443
Investes travestida de vestal, Embora te conheça rapineira. A morte sempre foi teu pedestal, De luto enegreceste esta bandeira.
Misera serventia no final Fazes do que jamais terás.Certeira No traiçoeiro bote. Canibal! Envolta na mortalha, carpideira.
Espíritos maléficos, teus guias. Abortas sentimentos mais humanos, Os sonhos que me deste, são profanos.
Das bocas que escarraste vêm sangrias. Fingiste venalmente. Não perdôo! Nas asas abutrinas podre vôo! Marcos Loures
444
Invernosa, minha alma adormecida... Os sonhos cristalinos : aflições! Infernos que renascem, minha vida... Tantas vezes luares e sertões,
Agora simplesmente vai perdida, Longe das auroras e verões. Derretem-se geleiras nesta brida. Sina, caldeirão pleno de ilusões!
Canário que cantou nesta gaiola, O coração não sabe dos amores... Amor nunca se aprende nesta escola...
Minha alma adormecida, noite fria... Minha Nossa Senhora, minhas dores, Na triste madrugada, uma agonia... Marcos Loures
45
Invernos que enfrentamos, minha amada, Sulcando nossas peles, enrugando, A juventude vai abandonada E o tempo, sempre incólume, passando.
Andrajos de esperanças perambulam Ninguém quase repara nos escombros, Porém doces certezas nos açulam E o vento vai erguendo nossos ombros
Tesouro de outros dias, as paixões Ainda retumbando no meu peito, Acercam as penumbras de ilusões Deitando-se, serenas neste leito
Aonde nossa doce mocidade Encontra em paz amor e liberdade... Marcos Loures
46
Inverno que se dá sem ter estio Distante em meu passado foi à toa. Vem à tona o desejo em que me fio A noite do prazer de novo soa.
Tocando na vitrola um velho blues Chamando para a festa dos sentidos. Os olhos da vontade são azuis Acendem meu amor, minhas libidos.
Energia que se emana nesta dança O tempo de sonhar já não se acaba. Vivendo o meu destino, uma esperança Na mata, na tapera, casa ou taba.
Os signos se combinam, com certeza Astros convidando cama e mesa...
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Inverno dentro da alma me conduz Ao medo de ser livre, e ter enfim A mais sublime flor deste jardim Desnuda sobre os céus, intensa luz.
Enquanto a poesia me seduz Dizendo que serei feliz, em mim, Ouvindo da esperança o seu clarim Arranco num momento, pedra e cruz.
De amores, um eterno passageiro Procura de teu corpo ser posseiro E bebe cada gota de ilusão.
Quem sabe noutras vidas, noutras eras Invernos transbordando em primaveras Permitam a quem ama, este verão... Marcos Loures
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Inverno aqui no Sul, verão no Norte Hemisférios diversos, mas atados Em sentimento verdadeiro e muito forte Fazemos nossa festa, enamorados...
Aqui de paletó, lá roupa esporte Caminhos diferentes, mas fadados A terem num momento a mesma sorte. Lancemos, pois, assim, os nossos dados.
E vamos ao banquete da existência Tomados pelo amor, em seu convite Amando sem fronteira e sem limite
Em cantos de emoção sem penitência. Dançamos nossos corpos, louco cio, Aqueces com certeza inverno frio...
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Invento um novo dia sem fastio Portando em minhas mãos verso ou adaga A vida me cortando enquanto afaga Velocidade imensa, vento frio.
Sacrílega emoção inverna estio Lacrimejante sonho então me alaga Saudade com carinhos quando é paga Restituindo em nós antigo fio.
Sombria madrugada se aproxima Neblina vai tomando nossa estima Calado, resta o peito e nada mais.
Dissabores florescem nos meus olhos, Recolho a fome e o medo, vários molhos Imagens distorcidas; perco o cais... Marcos Loures
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Invento minhas penas, minhas dores? Não sei se isso é verdade, mas se dizes... Só sinto que se tenho meus temores, Pressinto que isso nos faça felizes.
Amor que não sufoca não permite Que amar se sinta intenso e verdadeiro. Amar é perceber sempre o convite De sermos mais além, além de inteiros.
No diamante raro, tantas trincas, Aflige a sensatez, insânia cura... Maltrata a lucidez, decerto brincas, Louvando esta loucura com ternura.
Se choro de alegria, me transtorno? Se dou demais, porque de amor me entorno? Marcos Loures
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Invento mil palavras e imagino A doce fantasia que inda possa Fazer um palacete da palhoça Roçando os meus desejos de menino.
O sol de uma esperança quando a pino, Prenúncio desta chuva que me empoça, Minha alma sertaneja não se apossa Do olhar desta morena, diamantino.
Sonhar é permitido. Ainda bem, Senão a solidão depressa vem Tomando num segundo todo o espaço.
Vencer a madrugada, crer no dia Que espalha em luzes fartas, poesia, Dourando este caminho que ora traço... Marcos Loures
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Invado tuas sendas com desejos Insanos de prazer que não se acaba. Um mundo em maravilha se desaba, Cobrindo nossos corpos, com mil beijos...
Teu corpo sedutor, úmidas tocas, Em lábios, língua, dedos, penetrando, O sexo sem limites, logo alocas, E sinto-te,querida enfim gozando.
Por todos os lugares que quiseres, Adentrarei com fome e com vontade, Bendita sedução que entre as mulheres Encharca com total felicidade.
Nas coxas, seios, ânus, boca e sexo Dois corpos que se fundem, perdem nexo...
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Invado teus castelos, cavaleiro; Montado em meu rocim, branco e veloz. Deitando em tua cama logo após Abraço-te num sonho mais faceiro
Quem dera se isto fosse verdadeiro A vida não seria tão atroz Calando a minha boca perco a voz E sinto-me tristonho por inteiro...
Distante de meus braços, resta o sonho Mas mesmo assim, audaz; eu te proponho Um dia sob estrelas namorar.
Recebo tais lufadas deste vento Do amor que me invadiu o pensamento E vôo para ti, num galopar...
54
Invado com calor Teu corpo tão ardente Fazendo nosso amor Com força de semente.
Serei teu lavrador Arando mais contente, Canteiro tentador Mexendo com a gente.
Nas águas deste Porto Nas ruas deste mar, Amor que estava morto
Fomenta sem parar Granando com vontade, Trazendo a liberdade... Marcos Loures
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Invado as tuas ilhas do desejo, Penetro em cada ponto, me sacio. À noite no delírio de um festejo, Não desperdiço, amor, nem mais um cio.
Deitando em tua nudez, eu sempre vejo, Calor que já mitiga todo o frio, Prazer que pela pele, sim, poreja; Amando sem parar, horas a fio...
Matar a nossa sede, sem limites, Num mundo de alegria, formidável... Das grutas conhecer estalagmites.
Depois de navegar tantos caminhos, Vibrar nosso desejo insaciável, Adormecer um mundo de carinhos...
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Invadir o teu corpo com carícias Tomando teu desejo para mim. Formando em nosso amor tantas delícias Vibrando sem parar, chegar enfim
A todo este prazer, tantas malícias, Mil êxtases roubados sem ter fim, Em nosso corpo as marcas das sevícias, Mordidas, cicatrizes, quero sim...
Lambendo tua pele tão suada, No sal tão desejoso, me afogar. Rompendo a noite inteira, a madrugada
Orgástico delírio consoante, E louco sem juízo, me entregar Aos braços da mulher, divina amante...
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Invadindo teu corpo enfim desnudo Lábios audaciosos, língua quente. Usando este prazer que é nosso escudo A noite vai passando qual demente.
Recebo de teu gozo em enxurrada Lufadas de desejos e vontades. E cada curva está bem demarcada Com todos os sinais- saciedades...
Meus dedos vão buscando pelos cais Misturam nossos pelos no suor. A fome tresloucada pede mais E cada vez que vamos, é melhor.
Em meio a travesseiros e cobertas Fazemos toda noite, descobertas... Marcos Loures
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Isabela, bela Isis, minha luz! Abelha-mel que adoça e que maltrata. No mel desta colméia se produz Enigma que me educa enquanto mata.
Desejo de deslumbre, de alcaçuz. Na picada feroz amor retrata, Carinho de guerreira, de um obus... No verso que lhe faço, me destrata...
Beijando e me mordendo sem pudores Amante desejada, quero o mel! Vasculha por destinos, fossem flores...
É manto que me caça e que me alcança. Amor tão mavioso de Isabel, Pacto que fiz com Deus, nossa aliança... Marcos Loures
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Irônico um babaca sem talento, Estúpido boçal já não se cansa Enquanto perturbando enchendo a pança Da merda em que vomita o seu intento.
Sob óculos se esconde o perebento Que as mãos da poesia não alcança Sem ter nem qualidade tenta a dança, Mas saiba que eu estou bem mais atento.
Ao coice desferido pelo jegue, Eu mando pro diabo que o carregue Com pena do demônio, do capeta,
Pois ter que suportar tal elefante Que sendo tão “sutil” a cada instante Demonstra o que queria ser: poeta!
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Irônico festejo em meu velório Gargalham os abutres, vou exangue. Os restos vãos expostos num empório Na taça cristalina, rum e sangue.
As vísceras expostas, bacanais, Orgástica e vampírica luxúria. Instintos demonstrados, bestiais Nos olhos tresloucados, riso e fúria.
Incúrias espalhadas pela casa, Tetânicas molduras tão voláteis, O fogo da mentira que me abrasa Tentaculares pêndulos contráteis.
E o lúbrico sorriso com sarcasmo Da morte que perpetra um vão orgasmo. Marcos Loures
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Irmã da solidão, a tal saudade, Deixando o pensamento mais disperso. Prodígio dos amores sem verdade, Tramando toda a dor em triste verso.
Amiga, de tais forças és refém, Mas conte com meu braço companheiro. Bem sabes que na vida, sem ninguém, O dia se parece derradeiro...
Mas vamos destruir essa irmandade Que faz do nosso peito, amargo ninho, Matando a solidão e a saudade, Por certo terás paz em teu caminho.
E conte com apoio e com meu braço. Trazemos irmandade, em forte laço!
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Iridescente brilho toma conta De todo o meu canteiro em doce aroma, E quando o sol ao longe já desponta O coração inquieto enfim se doma.
Flutuo nesta imagem, volvo o olhar Ao prisma que se cria nos teus olhos, E aprendo finalmente a cultivar Mesmo que existam flores entre abrolhos.
Decifro tais mosaicos e arabescos, Caleidoscópios vários multicores, Outrora pesadelos vãos, dantescos, Agora auroras raras nos albores.
Ninando a poesia a voz amável Do encanto entre mil cantos, formidável...
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Iremos, libertários. Asas. Céu, Vagando constelares esperanças. Por mais que a noite venha tão cruel O quanto se percebem novas danças
Fazendo desse sonho um carrossel Trazendo nos meus olhos as lembranças De um tempo mais gostoso, estende em véu As rotas colidindo em alianças;
O tempo de viver felicidade Entende ser possível claridade. E ao fogo deste jogo nos compele.
Assim seguindo a roto da alegria Seguimos mesmo em simples poesia Atados: braços, olhos, corpo e pele. Marcos Loures
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Iremos viajar ao paraíso Na plena sensação do nosso gozo. No toque mais sutil e mais preciso, Tão leve e tão sublime, mavioso...
Sentir esta umidade desejosa Nas bocas e nas sendas mais divinas, Mergulhar minha sede carinhosa E beber tuas fontes cristalinas...
Sorver cada gota do desejo E não deixar sobrar nada afinal, Na louca sensação do manso beijo O gosto do prazer... É sensual.
Invadindo sem medo de disputas; Conceber as enchentes, rotas, grutas
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Iremos nos amar de madrugada As bocas percorrendo tantas sendas... Searas que descubro em minha amada, Aberto o coração, vislumbro tendas...
E sinto no teu corpo, meu desejo... Nos mares que navego, cada porto, Receba meu carinho, manso beijo. De tudo que pensei ‘stivesse morto..
Amar é conhecer que o infinito Limita o sentimento que nos une, Amor tanto sublime quão bonito, Ao mesmo tempo cura e já nos pune...
Quem dera se eu morresse neste instante, Em que sou seu carrasco e seu amante...
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Iremos desfrutar cada momento Deitando com prazer, luzes intensas Bebendo deste encaixe, as recompensas Deixando para trás qualquer tormento.
Por mais que o vento venha violento, Distâncias pra quem ama, nunca imensas, As bocas se procuram, e mesmo tensas Expressam neste beijo o sentimento.
Tu és a companheira deste sonho Que tanto quero, vire realidade, O amor sem preconceitos te proponho
Sorvendo cada gota, até fartar. Rompendo sem juízo, as velhas grades, Conluio em perfeição de lua e mar... Marcos Loures
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Irei sobreviver, esteja certa! Juntando os meus escombros, vou em frente. As dores já serviram como alerta O tempo vai mudar, disso estou crente.
O céu desanuvia num momento, Um azulejo exposto faz pensar No fim abençoado do tormento Promessa de uma noite de luar.
Meus olhos na procura que não cessa Procuram algum lume que inda luza. Porém a noite em trevas segue imersa A vida segue em mágoas, tão confusa.
Não posso mais sonhar. Ah! Quem me dera! De tocaia, espreitando, a mesma fera... Marcos Loures
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Irei junto contigo par a par Cantando cada verso em noite clara, Sabendo o quanto é bom poder te amar Que a vida no teu lado se antepara
E nada neste mundo vai secar A fonte em que este sonho já se ampara Deixando para trás a sempre amara Estância onde a saudade faz brilhar
O medo de viver em liberdade, O medo de cantar amor sincero, Teu sonho na verdade o que mais quero,
O teu querer gostoso de sonhar, Vem logo me trazer a claridade Deitando em tua rede sob luar... Marcos Loures
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Irei contigo, amada sem descanso, O mundo inteiro cabe em nosso amor. Refaço este horizonte encantador Pensando neste sonho em que alcanço
Teu corpo em branca areia, num remanso, Sereia que me trouxe este calor, No colo, no teu seio acolhedor, Meus dedos, meu carinho, assim avanço...
Bebendo desta fonte prazerosa, Descendo cada lábio em descaminhos. Desfolho e despetalo, amada rosa.
Jardim que é feito em gozo, em mil carinhos, Tornando a casa inteira mais formosa, Acolhe e assim perfuma nossos ninhos... Marcos Loures
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Invade, apascentando um vil tormento Paixão que me inebria e me entontece, O quanto revoltoso, o sentimento Ao mesmo tempo nega e se oferece.
Redijo em cada verso, entôo em loas Expresso o quão sedento estou agora, O canto que te trago; sempre ecoas E a sede se aplacando revigora
Exausto, adormecendo no teu colo, Completo, pois repleto de prazer Fecundo com ternura, a terra e o solo, Depois, é só com calma recolher
Da vida que se dá sem penitência Amor, uma divina providência. Marcos Loures
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Invadem em momentos mais bonitos Falenas procurando um vago lume, Fazendo deste sonho, nossos ritos Encharco a minha vida no perfume Nascido nos canteiros infinitos, Matando erva daninha, este ciúme...
Em versos e poemas não me canso, Emérita emoção que já transborda. O rio que percorro; agora manso, Floresce mavioso em cada borda. O sonho alvissareiro enfim alcanço Atado em teu amor, serena corda.
Vibrando de emoção, vou todo dia, Encontro o paraíso que eu queria. Marcos Loures
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Invadem em delícias cada peito Sentimentos sutis e dominantes O quanto os meus desejos são constantes A cada nova noite eu me deleito.
A vida se mostrando desse jeito Em raios e vontades deslumbrantes Não deixa que se perca por instantes O rumo em que o amor vai satisfeito.
Um coração que sei ser vagabundo Vagando num segundo todo o mundo Espera a serventia do teu cais.
No porto feito abraço, ancoradouro, No corpo da morena o meu tesouro, Querendo deste gozo sempre mais... Marcos Loures
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Inútil devoção do agricultor, Traduzida na safra já perdida. O quanto desejei em minha vida, Aborto que se fez enganador.
Não tendo quase nada a te propor Apenas o vazio, eu sei querida, Sem portas ou janelas, a saída Não tendo qualquer face, é sem valor.
O joio se espalhando no trigal Impede uma colheita com certeza, Não tendo assim mais nada sobre a mesa
Não quero e não suporto este bornal. A vida que cevou desilusão, Espalha por semente, a negação... Marcos Loures
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Inútil caminhar se nada tenho Senão a velha manta já rasgada, O tempo não dizendo quase nada Fechando a tempestade, amargo cenho.
Nos versos a paixão tentando empenho Não vê que ainda busca a mesma estrada Que, brusca, sonegou minha escalada Montanhas tão distantes de onde venho.
Desejo algum farnel no meu bornal Retorno e o que me espera, sempre igual Não deixa qualquer chance, e assim me perco
Vencido há tanto tempo, destruído, O que sobrou em nós, leva ao olvido Canteiro enfrenta a seca sem esterco..
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Inúteis tentativas, com certeza, Findando a fantasia; resta o quê? Saber que ainda guardo aqui você É ter já maculada a fortaleza.
Enveredando o rio, a correnteza Na qual minha alma tola ainda crê, Morando num casebre de sapê Banquete de prazeres quebra a mesa.
Chegar de manhãzinha e a encontrar Fazer o seu café, quentar o leite... Por mais que algum lirismo ainda espreite
E tente um raio tímido; o luar Há tanto se escondeu e não voltou, E o que eu julgara doce se acabou.
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Inundo-me de ti e transbordando, Tomando toda a margem, busco o mar, Na foz das emoções vou me banhar Com o belo luar nos decorando.
Que o vento seja sempre calmo e brando, E nos permita o sonho, navegar, No etéreo sentimento este ancorar Imenso sol deveras nos tocando...
Fartura na colheita prometida, Frutificando a paz em nossa vida, Augúrio desejado e recolhido,
Na esmeraldina luz que banha o sonho, O quadro mais sublime que componho, Trazendo ao meu viver, prumo e sentido...
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Inundo de desejo o teu recinto, Afogo esta vontade de te ter. Nas cores deste sonho eu já me pinto Bebendo a conta-gota o teu prazer.
Vulcão que imaginara estar extinto Trazendo tanta lava a percorrer No jogo feito amor, às vezes minto, Mas sempre um bom motivo eu penso ter.
Percalços nesta estrada tão diversa, Beiradas escondendo as armadilhas. A nuvem que cobria vai dispersa,
Porém o temporal virá depois. No quanto quero o sonho de nós dois, O amor vai prosseguindo em outras trilhas... Marcos Loures
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Inundando esta imensa vastidão De toda uma esperança, reamar. Na força da enorme da paixão, A cada novo sonho te encontrar.
Bebendo desta luz em explosão, Navego tão profundo e belo mar, Nos vórtices mais altos, coração, Sangrando e se entregando sem pensar...
As águas tão distantes da amargura, Se vão em cachoeiras de prazer. Na noite tão profusa uma ternura,
Tomando pouco a pouco este meu eu, Na luta por poder sobreviver, A força deste amor já me venceu...
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Inundação em gozos nos inflama Demonstra toda a força da paixão. O quanto desejei ter tua chama Tomando com loucura o barracão;
Incêndios programados que aliviam As dores que trazemos de outros dias. Nos jogos que decerto nos viciam Delícias derramando poesias.
Amor que na verdade não precisa Do verso pra saber que tem valor. Sabendo quando quer ser brasa ou brisa Estrela deste mundo encantador
No palco desfilamos velhas cenas Divinas explosões; doces e amenas... Marcos Loures
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Intriga que me instiga o tempo todo, Falar da vida alheia e da vizinha Se deu ou se não deu, nunca foi minha, Na moça eu não passei, garanto, o rodo.
O amor que imaginei foi puro engodo, A festa que sonhei, nem mesmo tinha A boca desejada da gatinha Fedia feito mangue, podre lodo.
Pacatos seresteiros; nunca mais, A lua é sem vergonha e se abrindo Mostrando o seu brilhar risonho e lindo
Tentando desfrutar dos bacanais Agora vem vestida de cocota, Cuidado que este ultraje se amarrota...
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Intra-uterino esboço de um fantoche Que vaga pelas noites, bar em bar. Fazendo de mim mesmo este deboche, Não terei nem lugar pra descansar. Perdido, sem ter bonde, trem ou coche, O quase que tentei se fez ao mar.
Encosto meus olhares no vazio, Adorno com palavras maus sucessos. Nos erros e derrotas, me vicio. Pecados todos eles são confessos, Mordaças que eu buscara e não mais crio, São quase de minha alma, os adereços.
Arranco os olhos, cuspo em meu retrato, O amor que não floriu, quebrando o trato... Marcos Loures
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Interminável noite em minha vida; Os maços de cigarro se sucedem Na dança encharcada por bebida Os olhos desejos não mais pedem... O canto se findou sem contracanto Morrendo sem ter paz, já não percebo O gosto que fizera tanto encanto Nem gesto de esperança, enfim, concebo... Sou ermo vou sem remo e sem coragem, A madrugada em lástimas transcorre. Perdendo o meu caminho na viagem, Apenas um silêncio me socorre. O telefone toca. Quem me liga? Clareia num segundo, a voz amiga...
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Interminável festa dentro em mim Ao ter tua presença, amada amiga. Vivendo esta alegria, sinto enfim, Poder de uma ilusão, incrível viga.
Por vezes tão sozinho, nada via Senão a mesma sombra transtornada, Cansado desta inútil fantasia Que traz, no dia-a-dia, o mesmo nada
No peito crocitando a sensação Do agouro tão fatídico de um corvo Repetindo deveras o refrão Da negação estúpida em estorvo.
Imagem desdenhosa que se muda No pássaro, ao chegar tempo de muda... Marcos Loures
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Interessante, às vezes me lembrar De como começou o nosso caso, Eu quase te perdi. Fora do prazo, Por pouco não deixava-te escapar. Te via e quase nunca percebia O brilho dos teus olhos sobre os meus, Dizia tantas vezes: Vai, Adeus. E não te imaginava e nem podia... Cansado desta vida só e a esmo, Já tinha me esquecido de viver, Meu sonho adormecido, sempre o mesmo, Não tinha nem resquícios de prazer... Mas quando eu percebi; meu coração Atado nesse fruto temporão...
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Interessante quando nós pensamos Na vida em suas dores e alegrias... Tantas vezes sabores encontramos Nas coisas que vivemos, nossos dias...
Quem sabe do amargor da solidão Conhece todo o mel desse prazer. Quem guarda todo o doce da emoção Recebe todo o fel quando perder...
A vida se refaz, meu companheiro, Não temas esse amargo que te toma. Nem penses em doçura o tempo inteiro. A vida se resume nessa soma...
Seria tão ruim se a vida fosse, Só mel ou fel, por isso é agridoce...
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Interessante como muitas vezes Andando solitário pelas ruas Onde eu procuro nesses tantos meses Rastros dessas estadas minhas, tuas; Encontrei os resquícios do que fora No tempo em que ter amei e em sonhamos. Nas esquinas, nos bares sempre aflora Um pouco desse muito quando amamos.
Na mesa, nas cadeiras, nas toalhas, Neste mesmo garçon, nos bancos, praças... São como se afiassem navalhas. Sentindo inda teus braços, como abraças... Depois de tanto tempo, tantos anos... Percebo que distantes, nos amamos...
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Interessante a vida. Expressa variedade... Durante tanto tempo eu procurei teu colo, Arando com ternura o mais agreste solo Buscando inutilmente a tal felicidade...
Por mais que o verso feito assim inda te enfade Mostrando o quanto sou banal ou mesmo tolo Do quanto; em vão, desejo; esqueço qualquer dolo. Rompendo o que talvez pudesse ser qual grade.
Presença soberana invoca uma alegria Que enquanto me domina, assola audaz e cria Este novo horizonte em montanhas supremas.
Não vejo e nem pretendo um outro desenlace, Destino tão diverso impedirá que trace Errônea caminhada. Eu peço nada temas... Marcos Loures
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Intensos temporais, a vida apronta, E neles, com certeza, mil lições, Saber do amor magias e poções, Deixando uma alma leve, audaz e tonta.
Do quanto te desejo não fiz conta, Apenas sei das várias explosões Palavras vão saindo aos borbotões E ao nosso paraíso, alma remonta.
Por isso, eu te asseguro, quero tanto O amor que nestes versos frágeis canto, Louvando a nossa história, intenso sonho.
E caminhar por entre belas luzes, Deixando para trás antigas cruzes, É tudo o que eu mais quero e te proponho....
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Intensamente busco em teu reflexo Imagem de meu rosto refletido, Espelho que se mostra dividido Formando assim mosaico mais complexo
Encontro qual miragem já sem nexo O que não sei se foi ou terá sido Além do que pensara ter havido Reparo que onde estás estou anexo.
Percebo o quanto somos congruentes Imagens que assim vi; coincidentes, Permitem que te fale- sou sincero -
Que nossas almas andam sempre juntas, Espelho respondendo a tais perguntas Demonstrando-te; amor, quanto eu te quero... Marcos Loures
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Intensa claridade Tomando toda a cena, Beleza que me invade Delírio em lua plena
Queria, na verdade, O que este corpo acena, Tanta felicidade Delícia que serena.
Na mão da poetisa Destreza de um buril Que encanta quem a lê
O verso suaviza De forma tão sutil Perfumes de um buquê...
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Inspire se puder, profundamente E sinta a maravilha deste ar puro Enquanto amor tomar a nossa mente, Depois de certo tempo um novo apuro.
Das tramas deste encanto eu me depuro E bebo até ficar completamente Embriagado, amor. Por isso juro Nem sempre desconjuro o que se sente.
Do muro, já não saio, vou seguindo O rito mesmo escuro e violento. Se aturo o que não fora sempre lindo
É duro persistir com quem não ama Perfuro o meu olhar, e às vezes tento Acuro o meu ouvido: amor me chama!
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Inspiram-me supremas maravilhas, Espio-te desnuda em minha cama E busco com vagar saber das trilhas Minha alma te procura e logo chama.
O amor ao preparar tais armadilhas, Acende da loucura brasa e chama, Voando o pensamento por mil milhas Enreda-se em divina e louca trama.
E quando mal percebo estou contigo, Saber das artimanhas, eu consigo, Vivendo o paraíso de nós dois.
Silêncio delicado do depois Tomando o nosso quarto devagar, Um sonho tão gostoso de sonhar... Marcos Loures
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Insisto, a noite cai, não tenho medo... As tardes foram marcos com certeza, O beijo que roubei me deu destreza; A vida vai seguindo seu enredo!
As pedras que cultivo, meu penedo; As bocas que desejo, dão leveza, Achei das trevas luz, sei o segredo, Que me dará por fim, a realeza...
Bastiões já se tornaram minhas pernas, Os olhos te procuram, nas cisternas Da noite que, caindo, me traz Lara...
Não posso permitir nova desgraça, A morte nunca pára, por pirraça. Jamais deixei de amar a quem amara!
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Insano sofrimento ano que vem Se vem não desanimo, mas não quero Se quero não devendo ser sincero Espero se vieres ir também.
Se sofro não te minto mais, meu bem. Omito tanto queimo quanto fero E vago sem sentidos no que gero. O tempo em tempestade tempo tem.
Ao ver-me, por sinal, tão iracundo, Não sabes dos ganidos do meu peito Que sempre se ferindo vai fecundo
E taciturno cala sobre tudo. Devendo tanto amor como um direito De amores dos teus mares já me inundo.
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Insânia que domina enquanto cura Não deixa qualquer dúvida: Eu te quero. Na calada da noite com ternura O quanto te desejo amores gero.
Parturiente sonho que nos guia Cortando nossa carne mansamente. Homérica vontade em poesia Gerando tanto encanto novamente.
O mundo vai rodando em girassol, Buscando cada fonte mais audaz. O vento que se entorna em arrebol Aos poucos nos domina e satisfaz.
Eu singro meus pecados bebo a fera Promessa de florais em primavera... Marcos Loures
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Insana deusa, santa e delicada, Em minha cama, nua traz a glória, Abrindo as tuas pernas, bem safada, Mudando em minha vida, toda a história.
Teus seios, tua mão, fonte sacana De toda esta vontade de poder, Saber da deusa casta e soberana, Mostrando esta vontade de prazer.
Uma calcinha solta sobre a cama É testemunha muda deste jogo, Aonde toda a sanha em que se trama Chamando pras loucuras e eu me afogo
Em meio a tuas pernas. Oferendas Feitas organdi, sedas e rendas...
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Inhaca tão terrível eu carrego Embora tome banho todo dia, Eu lavo o tempo inteiro não sossego, Porém a fedentina não varia.
A minha namorada já reclama, Num ônibus espalho os passageiros, De gambazinho a turma assim me chama Embora nunca mude estes meus cheiros.
Um dia imaginei a solução E fiz o meu pedido pr’uma estrela Mais feliz disparou meu coração, Somente por poder sentir e vê-la.
Agora eu me livrei da minha inhaca Não tenho mais chulé, sou jararaca! Marcos Loures
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Ingênua? Mas faz festa da moçada, Oferta de prazeres, gozo e vício. Pureza beira abismo e precipício Ternura com delírios bem regada.
Talvez não percebesse quase nada Sequer a maravilha deste ofício Não vejo da maldade algum indício Desnuda suas coxas, uma Fada...
De mão em mão rolando noite afora, O beijo no pescoço não demora E logo recomeça a velha dança...
Incrível que pareça, a moça é pura, Somente um carnaval é quanto dura Numa mistura insana, riso e lança...
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Infinitivamente sensual Doce como serpente que me traga. Não pense que viver é tão banal Senão a casa cai, e se estraga...
Quero o teu lado, cego e mais oculto, Quero o teu gozo manso e tão voraz. Eu não amei somente um doce fruto, Muito mais que vencido sou capaz.
Se não soube te amar, que se dane. Apenas não consinto que se iluda, A cama que tramamos não reclame, Que a roupa velozmente se desnuda...
E te quero explosiva e sem juízo, Roubando em toda cena, o paraíso...
7500
Infestam pensamentos, falsas luzes Confundem este velho marinheiro Que traz dentro do peito velhas cruzes; O amor que imaginou ser verdadeiro.
Enquanto em farsas tantas me conduzes, O passo se mostrando mais ligeiro, Imagens distorcidas; reproduzes, A dor se torna um fato corriqueiro...
Chegando ao fim do poço, posso ver Que tudo não valeu sequer à pena. Tábua de salvação que enfim se empena
Derruba o caminheiro. O desprazer De ser somente o resto e nada além Ofusca toda a cena enquanto vem...
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