
Deitar o mundo no teu peito
Data 12/12/2010 22:33:01 | Tópico: Poemas
| Hoje vou-me deitar cedo, depois de ti… Qualquer coisa que aconteça em luz para ir, depois vou. Hoje vou-me deitar em mim, depois do amor… Qualquer sitio de nós descansado a suspirar boca com boca, nos lençóis sinuosos do nosso corpo amontoado que era e só é a quimera do jamais. Vou deitar-me cedo…e cedo… Ao existir-te, insistir-te e depois vejo-te cena trocada onde não sabes das mãos, dos nãos e de mim acordado depois das noticias de guerras de nomes de medos e fomes na cama dos pobres...Radiosas rangem opulentas e comem e dormem e fodem no chão dos vencidos… Com soberba esventradas no útero, adultero e ruinoso como raiva do zero. Mutilo e fuzilo sedento de sede, de seda, de inópia e fantásticas cobardias das minhas rotundas cegas que me levam a circundar vontades á volta de mim com desvontade de vida. Minhas fainas com fadas assassinas virginais como a morte e Marte na guerra das noites intraduzíveis para as tuas réstias de amor. Houvessem esquinas limadas na terra e não espreitaríamos arestas cortantes e vértices do verbo baioneta que extirpa e extrema os opostos das dicções humanas…sempre contraditas por oposição ao acordo de paz que tem o meu sono refém na tua cama inquilina … No meu sonho de sono o fétido vaso laríngeo ressona pesadelos atómicos e crisântemos anoitecidos. Das vigias execráveis onde corpo se dá a rafeiros adivinhares e saberes mora um sempre de hipocrisia e vou-me deitar. Hoje vou-me deitar cedo, depois do poema… Vou na hora qualquer que me queiras versar o amor… Hoje vou-me deitar em poema depois do amor… Qualquer sitio de nós descansado aos quotidianos tardios sem cama e sem ti. Não é de sono que falo… Hoje preciso sonhar. Deitar o mundo no teu peito. O teu peito no meu mundo.
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