
MEUS SONETOS VOLUME 074
Data 12/12/2010 11:14:37 | Tópico: Sonetos
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1
Graníticas verdades, naturezas... As tramas que forjaste veras redes... Ascendo a tentadoras, vãs, belezas Matando nos teus lábios tantas sedes...
As íngremes montanhas, incertezas, São minhas companheiras, penedias... Quem sempre se investira de proezas, Agora representa aves vadias.
Não sabe mais colher o que plantou, Espinhos e vergões machucam tanto... Entranhas as mentiras que contou,
Parado, não procuro mais teu colo. Amor que travestindo-se de santo, Mergulha das montanhas rumo ao solo... Marcos Loures
2
Granando todo dia, intenso amor Colheita garantida em alegrias, Um bom e verdadeiro agricultor Já sabe, o que em carinhos me dizias.
Cevando com fervor este canteiro Não temo as intempéries. Sigo em frente As mãos de um delicado jardineiro Prometem maravilhas, de repente
Assim sabendo disso eu sempre tento Viver cada momento em plena glória Protejo contra a chuva, encaro o vento Sabendo que terei farta vitória
Regando com ternuras e esplendores, Recolhendo no canteiro as belas flores.
3
Gracejos e desejos misturados Atando os olhos teus com velhos meus. Não vejo nem sombreio, sei do adeus Aguando em esperança tolos Fados,
Os dentes da pantera em mim cravados Aguados pelos medos todos teus Ancoro meus momentos nestes breus Roubando da ilusão pobres recados.
Arcando com meus erros e promessas Deveras sou assim, quase ninguém. A mando deste amor que nunca vem
Enquanto o desencanto me confessas Sacrílego, no altar das fantasias Eu sei que tu jamais, aqui virias... Marcos Loures
4
Gracejos desta sorte tão irônica Mudando todo o curso de uma vida. Quem dera se pudesse ser harmônica A velha sinfonia mal parida.
A corja ao caminhar vã e histriônica, Vacilante e sem rumo, vai perdida, Esperança se encontra ali, agônica A morte não a pega distraída.
Na ponta do punhal ou do fuzil, O riso desta Pátria Mãe gentil Debruça as samambaias na varanda.
Girando, enluarada, nunca pára, E a sorte se mostrando bem mais rara Enquanto desafina, traz demanda... Marcos Loures
5
Gozar total prazer do sofrimento, Enaltecendo a dor que ora me ronda, Ao termo anunciado, sem lamento, O barco soçobrando, mares sonda. A vida se fartando num momento Voltando e revoltando como uma onda.
Arquétipos de sonhos, desabrigos, Arvoro-me a ser teu, felicidade. Inverno destruindo campos, trigos, A par dos descaminhos, falsidade. Crivado em frágeis pedras eu prossigo, Audacioso passo em liberdade.
Afásica emoção que me assombrando, Avança sobre o inferno em fogo brando..
6
Gozando essa ventura magistral, De ser teu companheiro e ser teu par, Da fonte inesgotável quero estar Ao lado e ser por isso, triunfal.
Decerto um ser sublime e divinal Pôde em perfeição rara , transformar Transportando do Céu feito luar O brilho em maravilha sem igual.
A mãe, amante, amiga e camarada, Decerto eu não te canto neste dia, É pouco, na verdade, quase nada.
Pois para quem nos traz a vida e o gozo, A vida inteira, enfim não bastaria, Para cantar um ser tão fabuloso... Marcos Loures
7
Gotículas de lágrimas esquecidas, A gente não quer mais saber da dor. Juntando com desejos nossas vidas Germina em esperança cada flor.
Por mais que tão difíceis nossas lidas À noite se entregando em tanto amor, Angústias já não são nem mais sentidas, No céu outrora escuro, luz e cor.
No dia que amanhece, um sol que crio, Beijando com desejos o rocio, Diamantina imagem, sem igual.
Olhando de soslaio, em puro encanto, Por sobre este jardim, em todo canto, Gotículas que eu vejo. De cristal... Marcos Loures
8
Gotas de chuva caem dos teus olhos Amiga sei que a vida nos maltrata, Jardins sendo tomados por abrolhos Um rio que se seca, sem cascata.
Viseira que nos turva qual antolhos, Queimada destruindo toda a mata. Os males invadindo, vários, molhos, Somente uma amizade nos resgata
E mostra alvorecer em cada gesto, Por mais que seja dura a nossa vida, Sentido no que vivo sempre empresto;
Rebento o cadeado da clausura Tomando tuas mãos, nossa saída, Com toda magnitude da ternura...
9
Gostosos, protetores, dos teus braços; Carinhosos desejos; entrelaces. Cometas espalhando nos teus passos Por onde em maravilhas; lumes grasses.
Amor fazendo em nós um arrastão Tomando cada espaço, prolifera O gozo da alegria, aluvião Granando a mais sublime primavera.
Da outrora fantasia tão dispersa, Unindo cada parte, plenitude. Na foz maravilhosa, o rio versa Atalho que em caminho se transmude,
Contigo, mulher bela e fabulosa, Eu quero ter a noite mais gostosa... Marcos Loures
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Gostoso te encontrar toda manhã Desnuda em minha cama, tão fogosa. Prometo enfim, meter com tanto afã Na gruta molhadinha e bem cheirosa.
Sentir a tua boca me chupando, Depois ir te lambendo até deixar A greta bem molhada e adentrando Até que... Totalmente... Penetrar.
Não vou deixar morena sem ter gozo, Prometo- todo dia – te trazer Eu juro, e te garanto bem gostoso, Deixar-te bem molinha de prazer...
Amada, minha jóia perla rica... Não precisa bater mais siririca...
11
Gostoso quando, abrindo tuas pernas Permites que eu te veja por inteiro. Carícias tresloucadas, porém ternas Acendem todo o fogo costumeiro.
Abrindo os lábios todos, com cuidado, Vislumbro o paraíso que desejo Que tendo este portal todo molhado Já pede um tão sedento sacolejo.
Na hora que tu quiseres, estou disposto A te fazer levar para o Nirvana, Do jeito mais gostoso e mais sacana.
Eu quero o teu grelinho no meu rosto, Depois pra não deixar ninguém à mingua Passar devagarinho a minha língua.
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Gostoso é tu fuder a noite inteira, Te quero em cama bem putinha, Lambendo com tesão tua grutinha Safada, bem sacana, feiticeira.
Eu quero que tu venhas bem ligeira, Abrindo bem gostoso a xoxotinha, A puta generosa, sacaninha Fazendo da buceta uma fogueira
No teu cuzinho, eu boto devagar, Prometo que não vou te machucar, Engole com vontade que ele cresce
Depois quero um boquete que alucina, A porra tendo muita proteína Em sobremesa, agora se oferece... Marcos Loures
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Gostoso é te sentir bem junto a mim Rolando entre lençóis num fogaréu Roubando cada estrela, subo ao Céu E acendo deste incêndio, um estopim.
Depois de ter chegado ao mesmo fim Eu recomeço e sei do meu papel, Unidas neste louco carretel, As pernas confundidas... Ouço o trim
De um telefone chato e sem noção. Amanhã vou fazer outro plantão Não é nada, por certo excepcional,
Porém tenho direitos ao prazer. Do jeito que isto está, é bom saber Não precisa de anticoncepcional
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Gostoso é te deixar extasiada E ter o teu prazer bem junto ao meu. Enquanto a poesia te elegeu A estrela nos meus braços desmaiada.
A noite sendo assim, alvoroçada Intensa sensação nos acolheu Meu corpo nos teus vales se perdeu, Sorvendo cada ponto desta estada.
De todos os desejos, companheira, Despida em minha cama, por inteira Numa entrega divina e sensual.
Querendo estar além deste infinito, No amor que sem demora, se faz rito Num toque de prazer consensual... Marcos Loures
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Gostoso é poder ter tua nudez Abrindo este portal do paraíso. No gozo e na ventura amor se fez, No toque sensual e mais preciso.
Tua buceta toda molhadinha, Sem pêlos, num apelo magistral, Eu gosto de te ter assim, putinha Enquanto lambo o grelo, chupa o pau..
Teu rabo generoso, belo cu Carícias e delírios prometidos, Teu corpo tão sublime, agora nu
Brincando com tesão, os meus sentidos Afloram-se em desejo e fantasia. Promessa de loucura e putaria! Marcos Loures
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Gostoso é perceber a tua boca Chupando meu caralho com vigor, Depois vou invadir a tua loca, E derramar com fogo o meu amor.
Lamber o teu grelinho em meia nove, Cheirosa esta buceta, gostosinha, Quero que minha porra logo prove, Depois de ter sarrado esta bundinha.
A gente faz amor o tempo inteiro, Ninguém conseguirá mais nos deter, Eu quero ser teu macho e companheiro, Durante toda a vida te fuder.
Mas quero este boquete divinal, Que pagas com volúpia sem igual...
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Gostoso de viver e desfrutar O bem do amor imenso que tu trazes, Tomando toda a casa, devagar, Tocando bem mais fundo em nossas bases.
Viajo a noite inteira sem parar, Ao ver a lua clara em novas fases, Vontade de chegar e te pegar Com olhos e desejos mais vorazes.
Amor que a gente vive e não se cansa, Não deixa nenhum dia ser vazio. Na boca esta loucura, doce e mansa.
No corpo um sol moreno irradiando, A cada novo verso que hoje eu crio Declaro quanto é bom seguir te amando... Marcos Loures
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Gosto tanto do teu jeito Tão brejeiro, assim sincero, Tens no olhar tudo o que eu quero Vou contigo, satisfeito,
Quando amor fez o seu pleito Com carinho e com esmero, Mesmo outrora amargo e fero, Ser feliz era um direito
E lutando sem cansaço Percebi no teu abraço Tudo aquilo que eu queria.
Conhecer felicidade, Tendo em ti toda a verdade Que julguei ser fantasia.
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Gostar de amar o amor como gostamos, É cara sensação que assim semeia Além do que tivemos e sonhamos Sabemos desfrutar do que se anseia.
Desbainhamos as armas mais audazes E vamos sem temores pela vida. Nos sonhos que se entornam, tão vorazes, Queremos conhecer cada saída
Que leve a tal portal de uma esperança Sem mágoas e sem dores, livremente. No paraíso, amor, já nos alcança Invade coração, vontade e mente.
Não somos nada além do que queremos, No amor que cultivamos, tudo temos... Marcos Loures
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Golfinhos nossos mares vão nadando Nas ondas que procuro, céu azul... Meus dias são sinceros, mergulhando Profundamente, verdes mares, sul.
Recebi tua carta me entregando Nossas recordações, o mundo é blue Quem dera ser golfinho neste bando E gozar minha vida, não ser fool...
A lua vai brincando prateada, O tempo se disfarça e nem percebe. Nos braços da lunática enteada
Que é filha dessa estrela e dum cometa, A vida se esvaindo não concebe Sem te ter, meu amor, vida incompleta...
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Girassóis entre estrelas posso ver Rondando a nossa cama em noite imensa... Bebendo gota a gota a recompensa Que é feita com ternura em bel prazer.
Incendiando tudo eu quero crer No bem que se mostrando nos convença Amor desenha em belo templo a crença Trazendo a dois amantes o poder.
O canto que me encanta, um desafio, Andorinhas penduradas neste fio Aguardam a final arribação.
Será que nosso amor vence o verão? Amor que imaginei um girassol, No inverno servirá como farol? Marcos Loures
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Girando totalmente em carrossel Numa roda gigante da esperança Alçando plenamente imenso céu Fazendo novamente ser criança
Galope da alegria em seu corcel Voando em liberdade, cada dança Rolando tobogãs, barco papel, Guardado no envelope da lembrança...
Na cama em que te tenho e te possuo Girando sem limites continuo No baile dos prazeres e desejos.
Menina que me ensina a ser feliz Mostrando de repente em todo bis Marcas da fantasia em mil lampejos... Marcos Loures
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Girando pela vida, carrosséis Dos sonhos e das bocas mais ferinas, Enquanto inda destruo falsos méis Eu sinto na canela tais botinas.
Regresso dos passeios, vis corcéis Ainda quero o xote das meninas Dançando mesmo tonto e de viés Agarro em pensamento suas crinas...
Termino toda noite assim sozinho, O lobo não conhece chapeuzinho... Rolando em minha cama, inda desejo
Viver o que jamais eu poderia, Sabendo no final que em cada orgia Esconde sob a manga o velho pejo...
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Girando em rodopio perco o rumo Espero teus carinhos a girar, Amar é mais que apenas manter prumo, Amar é quase em seco, naufragar... Não sei se nesta dança me acostumo, Nem sei se sigo sol ou o luar, Minha alma se elevando, fátuo fumo, Meu mundo se perdeu ao te encontrar... Passando pelas ruas, mares, bares, Voando simplesmente qual cometas As asas deste amor vão aos luares E voltam no arco íris que te encanta, Flutuam como fossem borboletas Beijando cada parte desta planta...
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Girando a noite imensa, paraísos Feitiços de desejos e vontades. Amores seduzidos por verdades Negando passos frágeis, indecisos.
Os dias do teu lado são concisos E nisso justificam claridades Pois quando busquei reciprocidades Sabia dos encantos mais precisos.
Preciosidade se emprestando à sorte Entregue à fantasia, pleno aporte Cevando com carinho cada grão.
Eternamente frutificará Enquanto em esperança nos trará Caminho que me leva à sedução. Marcos Loures
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Guardado dentro em mim, espelho e luz. Vasculho o coração e sinto agora, Batendo num fremir que reproduz O quanto a poesia já te implora
Que venhas e que afastes esta cruz Da dor que não saber quanto demora Secar minha ferida feita em pus. Levando esta agonia logo embora.
A mudança dos ventos me levou Ao porto imaginável e tão presente. O quanto que inda tenho, aonde vou,
Somente no meu sonho se pressente Vencendo imensos mares, oceanos, Netúnicos prazeres, soberanos... Marcos Loures
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Guardada num convento, ela sonhava... Os olhos encantados, cotovia... O príncipe dos sonhos não chegava, A noite não trazia um novo dia...
Os sinos repicavam melodia, O pranto que escondido não calava... Quem dera conhecer a fantasia. Janela entreaberta enluarava.
Deitava-se desnuda, mansa orgia... Um dia, não se sabe com certeza, Um príncipe chegou no seu corcel.
Deparando-se, enfim com tal beleza, Calmamente deitou-se em seu dossel.. As pernas entreabertas da princesa... (Ergueu-se, levitou, subir ao céu!) Marcos Loures
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Guardada no meu peito tal fortuna Que sempre se posou de soberana. A noite que te trouxe tão soturna Espera nosso amor numa cabana...
Despisto mas não posso me calar... O canto que promete não me alcança Memória bem podia se matar Assim não cairia noutra dança...
Meu sentimento espera nova vida Na vida que se mostra mais sensata Agora que esperança não duvida Amor quer embrenhar por outra mata...
Vivendo o sofrimento de saber Que amor demais já faz amor morrer...
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Guardada no meu peito em sete chaves, Amiga redentora traz sorriso, Ajuda a destruir tantos entraves Facilitando entrar no paraíso.
Na força da amizade, eu trago a sorte De ser bem mais que alguém cuja tristeza Temendo um vão momento e sem suporte Não vê mais nesta vida uma beleza.
Certeza de encontrar em ti, querida, Apoio pra seguir a cada dia Até que a morte venha e assim decida Por fim a tão sublime fantasia
Da vida que se entorna em alegria, Nos braços da amizade, estrela guia... Marcos Loures
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Guardada na retina esta lembrança De um tempo que se foi pra nunca mais, O meu olhar atento agora alcança Passado entre coqueiros, mangueirais.
O riso benfazejo da criança Que um dia imaginei nos meus bornais, Jogado pelos cantos da esperança, Afasta-se da casa, dos umbrais...
Mantendo a porta aberta da saudade, Quem sabe reviver felicidade, A idade da razão matou o brilho
O coração naufraga no vazio, E feito um tresloucado, sonho e crio Da inútil melodia, um estribilho.
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Guardada há tanto tempo em negro véu Imagem destroçada da esperança Somente uma ilusão ainda amansa O que restou de um sonho tão cruel.
O amor se fez da paz velho bedel Arauto que anuncia a nova dança Quem tem no amor imagem, semelhança Já sabe desvendar chaves do céu.
Por vezes não entendo o seu intuito E mesmo que ele venha assim fortuito, Amor sempre tramando algum remendo
Estende suas mãos com galhardia, Quem busca neste insano uma alforria Acaba quase nada, ao final tendo... Marcos Loures
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Guardada dentro em mim, espelho e luz. Vasculho o coração e sinto agora, Batendo num fremir que reproduz O quanto a poesia já te implora
Que venhas e que afastes esta cruz Da dor que não saber quanto demora Secar minha ferida feita em pus. Levando esta agonia logo embora.
A mudança dos ventos me levou Ao porto imaginável e tão presente. O quanto que inda tenho, aonde vou,
Somente no meu sonho se pressente Vencendo imensos mares, oceanos, Netúnicos prazeres, soberanos... Marcos Loures
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Gritando em seu louvor, felicidade Catando estes gravetos, faço a lenha. Por tanto que queria na verdade Amor que sem vergonha sempre venha.
Contendo este conjunto de emoções Arpoa qualquer verso que virá. No seio da morena, as seduções Chamando para a glória desde já.
Jazendo uma saudade pelos cantos, Do amor que a noite nunca, cega, fuja Esmoler vai pedindo a tantos santos, A solidão, apenas garatuja.
No quanto que se fez caricatura, Agora uma obra prima, se emoldura... Marcos Loures
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Gerânios e petúnias, meu canteiro, Durante muito tempo, imaginei Que o amor que tu me tinhas, verdadeiro, Pudesse transformar a triste grei.
Teimando neste canto derradeiro, Um verso de alegria eu procurei. Porém pelas esquinas quando esgueiro A solidão temível, vira lei.
Olhando pelas frestas do passado, Andando como sempre, ensimesmado, Não tive nada além de fantasias.
Aguardo tão somente pelo fim. Abrolhos vão tomando o meu jardim, Matando o que restou das poesias... Marcos Loures
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Gerânios na janela. Nos quintais Mangueiras derramando suas frutas. Sobre a mesa, revistas e jornais, Sorrisos traduzindo antigas lutas.
À porta deste sonho tu relutas, E teimas em negar os nossos cais, As dores pelos gozos; tais permutas Decifram mil momentos magistrais...
Porém, ressabiada, nada dizes, A culpa é das terríveis cicatrizes Que trazes do passado. Disso eu sei.
Ferida; não percebes que o futuro Jamais será deveras tão escuro, Diverso do que amargo, desenhei...
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Gatos ronronando no quintal, A noite sombreada de desejos. O vento traz um frio glacial Ao longe inda se sentem os lampejos
Dessa última esperança que morreu Nos braços da morena sertaneja. O manto do meu céu se escureceu A morte feita em vida já lateja.
Prevejo tão somente um ar sombrio Vagando em tempestades e em procela. O coração se esvai, cego e vazio, Matando o que restou; amiga, dela.
Desculpe te ligar; é fora de hora, Preciso ter alguém comigo agora.
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Gilberto sempre fora um pescador Dotado de talento inesgotável. Diversas vezes sendo demonstrável Em atos de bravura e de valor.
Um dia, já faz tempo, num riacho À noite um peixe estranho ele pescou. - Rosado, é diferente este diacho. Foi tudo o que coitado imaginou.
Porém quando a manhã nem bem surgia Ao ver um homem em pelo no seu quarto, Depressa se acabou toda a alegria;
Depois de muita liça quase roto, Ao lado de um rapaz arfando farto. Gilberto não se esquece mais do boto...
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Garota de Ipanema agora deixa De ser aquela moça tão bonita. Usando a velha pose se faz gueixa E pensa que a galera inda acredita
Não posso nem ouvir, da moça a queixa, Apenas num requebro não agita Balança sutilmente uma madeixa Cabelo solto ao vento? Usando fita.
Porém como dizia o poetinha, De todos o maior, tenho a certeza, Mais bela do que a bela, esta beleza
Que o verso insuperável já continha A moça que dizia de Ipanema É brasileira nata e é da gema!
39
Gargalos e gargalhos, galhos, galos. Algozes vozes vasos e vontades. Falências e falésias, falas, falos, Serpentes pentes sentes sem saudades.
Martela estrela bela matutina, Matuto, luto, encurto este caminho. Na mesa de jantar, cozinha e tina, Atino meu destino e vou sozinho.
Mas quero esta querência de querer Aquela a quem queria dia a dia Adia esta tendência de sofrer E deixa sem ter queixa uma alegria.
Beijando a boca aberta, alerta pisca, Que pena que esta moça é muito arisca...
40
Gargalho sobre a carne decomposta Jogada nas calçadas, verme, aborto. Cusparada servindo de resposta Sonego para o náufrago, o seu porto.
Espalho pedra espinho, nego a Costa Sorriso de ironia, semi-morto Arranco das feridas cada crosta E as mãos de quem suplica; amargo, corto.
Aguardo na tocaia que tu passes, Escarro sobre ti, malditas faces Defeco em tua boca, sei ser vil,
Torturo-te, a agonia traz o gozo, Ao fim, te sobreponho e assim jocoso Vomito sobre ti, verme servil... Marcos Loures
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Gargalha tolamente qual palhaço Desengonçado sonho que criei De ser nos braços dela, um vivo rei, Porém a dor chegou em duro traço.
Agora indo sozinho, o quê que eu faço? Se tudo o que eu queria, não terei. Vagando em solidão, amiga, eu sei, Que o mundo vai fechando o forte laço
Asfixiado sigo em tempestade, Um reles vagabundo, coração. À margem dos caminhos da paixão,
Morrendo pouco a pouco, a mocidade. Apenas sobrará uma ilusão? Quem sabe depois disso, uma amizade?
42
Gemidos de viúvo em solidão Palavras sem sentido nem proveito. O verso que transtorna a direção Dourando este fantasma no meu peito.
Podia pelo menos ter perdão O amor que não deixasse mais direito, E os ventos giramundos da paixão Vagando pelas ruas. Não aceito...
Pelo canto dos lábios a saliva Escorre numa absurda convulsão. Minha alma passageira sempre viva
Aguarda um novo trem nesta estação Mulher dos meus anseios, deusa e diva Guardando as suas garras no porão...
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Gargalha em ironia, a amarga fera Que em farpas entranhou cada pedaço, Destruição e inércia, numa esfera. Do gozo tão mordaz, estardalhaço.
Nesta rede de intrigas, tensa espera, Apenas o sorriso de um palhaço, Travestindo de insânia esta quimera Que mostra em cada corte, adaga e aço.
Das pústulas que espalhas em minha alma, Postulas vis, hipócritas senzalas. Enquanto me torturas, nada falas,
Nem mesmo a morte próxima me acalma. Vergastas de Satã, as minhas sinas Nas mãos tão carinhosas e assassinas... Marcos Loures
44
Garapa já virou caldo de cana, Cocota agora chama periguete Se o troço demorô, ficou bacana Lojinha de cachorro? Tal de pet.
Vontade de tomar o meu Grapete, Comprei o tal chalé, veio choupana Guardei o meu passado num disquete Moleque sem vergonha hoje é sacana.
Andar de vemaguete ou decavê Nas ruas da cidade, me envergonha, Já basta minha cara de pamonha
Qualquer otário sabe e logo vê Que tudo o que vivemos foi pro saco, Nem vou armar por isso algum barraco... Marcos Loures
45
Garapa da cana, No doce, no mel, Na manhã temprana, Estrela no céu,
Lua soberana, Cavalga o corcel, A mulher insana, Cumpriu seu papel.
Vibrei noite inteira Na boca gostosa, Da moça faceira,
Perfume de rosa, Paixão verdadeira Que invade e que goza...
46
Garanto na verdade que sou manso Apenas procurando a liberdade, Ao lado de quem amo, quando avanço Vislumbro ao fim da curva, a claridade.
Ao ver que o temporal já foi embora Aberto o tempo, solto o pensamento, A poesia em festa sempre escora Deixando para trás um mau momento.
Menina que se fez a companheira Reparte cada sonho e vem comigo. Paixão que hoje eu bem sei; a derradeira Servindo como cais, perfeito abrigo.
Depois da tempestade que hoje vinha, Espero esta menina de tardinha
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Garantem em loucuras, nossas vidas; As velhas serventias desta cama, Nas nossas emoções já repartidas A garantia prévia que nos chama.
Um dia abençoado, raro e belo. Depois de tantos medos no passado, Permite que se possa recebê-lo, S Amor em raio intenso demarcado.
Não tenho mais sequer ansiedade, Nem mesmo algum resquício de uma mágoa, Tocado pela força em tempestade, Inundo o coração com a farta água
Bendita pelo amor que se faz veio Dizendo tão somente por que veio...
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Garante ao manso dia o raro dom O amor quando se expressa em sentimento. Nos beijos eu percebo o quanto é bom A gente se entregar ao doce vento.
Vivendo a fantasia em noite clara, Vencendo qualquer chuva que vier O amor que em alegria se declara Do jeito e da maneira que puder.
Palavras que se trocam; mil convites Perdendo todo o rumo, vou liberto, No gozo que se dá já sem limites, Percebo o quanto audaz, sigo liberto
Nas noites que varei a te buscar, O sonho tão gostoso de sonhar...
49
Ganhando um mar imenso, iluminado Meu sentimento vence as tempestades, Andando junto a ti vou lado a lado Concebo as mais sutis felicidades.
Amor vai me levando ao belo prado Distante das balbúrdias das cidades Quem teve o sofrimento no passado Agora não conhece mais saudades.
Olhares espreitando de tocaia Os gozos mais vorazes e gentis Sabendo ser agora mais feliz
Entrego o mar tão belo em tua praia Desfruto de teus braços, teus carinhos, Fazendo destes sonhos nossos ninhos... Marcos Loures
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Gananciosamente sigo em riste, Vetustas emoções jogo no lixo, Qual fora simplesmente um tosco bicho Arredio; eu me escondo amorfo e triste.
Quem sabe ou acredita já persiste Mantendo o coração tolo e prolixo, O olhar noutro horizonte ainda fixo Visão do crucifixo não desiste.
Pensando no apogeu mergulho às cegas. O verso que dedico tão piegas Arengas do passado não me importam.
Porquanto sou feliz e não sabia, O amor quando demais cria alergia Imagens tão românticas me cortam...
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Galopo numa estrela Dos céus o meu corcel Delícia em poder tê-la Vertida em carrossel.
Imagem que se atrela Barquinho de papel A fonte se revela Em farto e doce mel.
Embora tenha gente Que goste do amargor, Prefiro,de repente,
Viver o pleno amor, E aqui, sempre contente Inteiro ao teu dispor... Marcos Loures
52
Galopes que se mostram tão afoitos Pertuitos desvendados permitindo Delicadeza feita em loucos coitos Estrela em nossos corpos refletindo.
Audácia inesgotável, inclemências Ardumes em cardumes de prazeres, Deixando para trás falsas decências Mergulhos que se dão em nossos seres.
No incrível balançar, intensidade. Penetro pela furna umedecida, Encharco meu querer em tempestade A fonte que se dá; é recebida.
Assim nesta volúpia que não cessa, Amor em fogo intenso se confessa... Marcos Loures
53
Galopes entre estrelas e cometas, Oásis de abundância, vinhos, gozos... Os olhos desferindo frias setas Deixando os dias sempre nebulosos.
Quais velhos procurando por ninfetas Delírios decadentes, caprichosos, Amores transformando suas metas, Vestindo tais mortalhas, rancorosos...
Eu bebo da saudade que não tenho, Risíveis meus caminhos, sem ninguém. Aguardo numa esquina, perco o trem.
Embora persistente, meu empenho De nada adiantou, vou sem corcel, Vagando sem estrelas, morro céu...
54
Galope quando é feito à beira-mar, Fazendo a lua mansa virar fogo, Não tendo nem vontade de parar, Não cessa nem por reza, prece ou rogo.
A rede quando é feita do luar, Nos braços da morena eu já me afogo, Cantando a noite inteira a balançar Nas ondas deste encanto, enfim me jogo.
Galopa o pensamento, este corcel, Voando por espaços infinitos, Girando como fosse um carrossel,
Querendo estes momentos mais bonitos, Da boca da princesa eu bebo o mel, Fazendo do prazer nossos delitos... Marcos Loures
55
Galopas sobre mim, sou teu corcel E vejo mil estrelas num tropel, Atando nossos corpos, intenso fogo, Vencendo sou vencido no teu jogo.
Visões do paraíso em carrossel, Tocando com meus dedos vasto céu, Ouvindo dos desejos cada rogo, Nos mares destas ancas eu me afogo...
E o gozo derramado num segundo Do teu prazer intenso, eu já me inundo, E te sinto vibrar em convulsões...
O amor sabe o segredo, é mesmo assim, Vibrando seus delírios dentro em mim, No intenso fogaréu, loucas paixões...
56
Galopando em meu corcel Ganho o espaço, bebo o vento, Libertário sonho ao léu Não me sai do pensamento
Do passado tão cruel Não guardo ressentimento, Renovando o seu papel Meu amor segue sedento.
Coração esmiuçando Encontrou o teu retrato Pensamento galopando
Já desaba em teu regato Nosso amor vai se entranhando, Dos teus laços, não desato...
57
Galinha comilona enchendo o papo De tudo que aparece no caminho, A minha casa é feita de sopapo, Assim, mais confortável fica o ninho.
A roupa que agora uso é simples trapo, E desta mendicância eu me avizinho, Das garras do idiota, sempre escapo, Prefiro ter das gralhas, o carinho.
Melífera visão de um diabético Que tem como horizonte ser mais ético, Eclético; porém jamais boçal.
Na face abestalhada do panaca, Perfume do rosal virou inhaca Um velho pangaré cheirando mal...
58
Galgando um infinito nos teus braços Atinjo a plenitude em cordilheira. Afetos espalhados nos regaços Amar é ter feliz a vinda, inteira
De quem atando firmes, laços, passos, Sabemos que demais, tanto nos queira Que forme em conjunção de belos traços, Certeza de ser minha derradeira
Manhã que forrará o meu futuro De sedas e cetins, rendas e linho. Em sentimento nobre, raro e puro
Meu mundo com certeza; sorrirá E assim, envolto em lumes e carinho, O mundo novamente brilhará...
59
Galgando tais estrelas ancestrais Um sonho que astronauta se perdeu Depois de tanto tempo eu quero mais Além do que pudera ser tão teu.
Imagem que aos espaços ascendeu Deixando pela terra seus sinais No fogo de teus olhos sempre ardeu Amor que desejei estrada e cais.
Perfaço estas andanças sem descanso Em cada procissão que me aprouver Vestígios que encontrei de ti, mulher
Depressa levarão para o remanso Do amor imenso insano até fatal Rondando sem limites este astral...
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Galgando no teu corpo um belo porto, Aonde eu descobri mapa e tesouro. Depois de tanto amor, vou quase morto, Brilhando de suor, eu encontro o ouro.
Fazer amor, delícia de desporto No gozo detonando um belo estouro. Delírio que me deixa sempre torto, Mas sempre benfazejo, um bom agouro.
Servir e ser servido em abundância, Molhando tua boca na enxurrada, Deitar tua nudez com elegância,
Vagando nossa noite iluminada, Nos ápices profanos, chafariz, No lago, imensidão, eu sou feliz...
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Galgando essas estrelas, pensamentos... Vestindo uma quimera: ser feliz. Cortejo constelar que por momentos, Etéreos relampejos, teu matiz.
Em ondas, ânsias, medos, sentimentos, De toda esta amplidão, amor que quis, Vagueiam tempestades e tormentos. Minha esperança baila, encena, atriz...
Na neve de teus olhos, ilusão... No tempo que me resta, brevidade. Amar talvez; resuma-se em visão,
Desejo já perdido, sem memória. Querer-te bem além, felicidade, Um último retrato, minha glória...
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Galgando cada parte deste sonho Vislumbro mil montanhas, belos vales. Depois deste delírio tão risonho Debaixo do vestido,saia e xales.
Amor sem sortilégios te proponho, Não deixo que em mentiras tu me cales, Vibrando em cada dedo que te ponho, Gemidos e suspiros, que tu fales...
Num átimo um desejo tão carnal Vencendo uma razão que se perdeu. Nesta opereta insana e assim carnal,
Rebenta toda a corda, sanidade, Teu corpo se confunde com o meu Nos atos que profanas, liberdade...
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Galáctica figura em astros vários. Nenúfares colhidos no além mar Sinérgicos desejos, temerários Alabastrina tez sob o luar.
Egresso dos espectros dos templários O sonho em férreas luzes, procelar, Arquétipos profanos, relicários Metáforas expostas, lupanar.
Em sedas e organdis, lubricidade, Nas vaporosas formas, éter, fumo... Aos falsos diamantes me acostumo
E vertes à total saciedade O néctar viperino e delicado, Que sorvo totalmente embriagado...
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Gerenciar os sonhos é patético Vestir a fantasia me aborrece; Sem ter alegoria que confesse Aos poucos se tornando mais hermético.
Às vezes sigo crédulo ou vou cético Se tudo não der certo, vale a prece Por mais que a realidade torpe engesse Uma esperança serve de energético.
Seria proveitoso algum prazer; Tristezas deixam dúvidas e dívidas, As faces solitárias sendo lívidas
Confundem muitas vezes ter e ser. O verso que hoje faço; dito clássico, No fundo me parece ser jurássico...
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Geraste tal veneno no teu ventre Que nunca concebeste tanta dor. Desculpas permitindo que se adentre, O verme que cuspiu no teu amor...
Nas mortes que produz, peço concentre Os olhos que não sugam mais calor... A porta está fechada. Que não entre, A cobra que pariste, e seu rancor!
Veneno que vomita tanto fere, Os pântanos criados são vorazes... Não deixe que este verme degenere
A vida que pensei sem aziúme! O nojo que me tens, vem das mordazes Lambidas desta peste: teu ciúme! Marcos Loures
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Gerando sem perdão um desatino; Mal disfarças o riso em ironia, Matando o que restou da fantasia, Sujaste um mar de sonhos, cristalino.
E eu, das esperanças, peregrino, Seguindo a minha sina de vadio, Às fartas ilusões quando me alio, Revejo em meu espelho, este menino
Que um dia abandonaste sem motivo, Porém do que tivemos, não mais vivo, O sol vai renascendo dentro em mim.
E as aves libertárias da esperança, Promessa verdadeira de mudança, Revoam sobre as flores do jardim.
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Genesíaco amor, trazendo essas trapaças... Na fome da loucura a morte vem ligeira... Protejo o coração, produzo carapaças, Em vão... Nesta mortalha, a dor é companheira...
A vida se perdeu buscando novas caças. Amor nunca permite exige verdadeira Dedicação. Derrota emoldurada em taças... A lua, em nosso caso, espera ser inteira...
Desprezei teu desejo, aguardo meu castigo... Mergulho no infinito, embalde te procuro. Levaste todo sonho embora, foi contigo...
O pouco que restou, triste oceano escuro, Decerto representa um enorme perigo, A morte me espreitando ali, detrás do muro...
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Gemidos tão sacanas e safados, Delírios entre as coxas, rapadinha Gostosa e cheirosinha esta xaninha, Os lábios com teus dedos, afastados.
Caminhos bacaninhas e molhados, Te tenho deste jeito, uma putinha Que sei que sem pudor é toda minha, Diamantes em tesão bem lapidados...
Chupando o meu caralho com vontade, Depois no teu cuzinho vou com tudo, Teu corpo assim sedento e tão tesudo
Que a pica assim ereta quer e invade Melando mais sacana cada greta Até que a porra salgue esta buceta... Marcos Loures
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Há tantas ironias nesta vida Que tudo o que eu desejo não consigo, O braço que me apóia, o do inimigo Esperança prepara a despedida
Deixando no lugar outra saída Que às vezes expressando algum perigo Distante do que tento, eu não prossigo, Vestida de ilusões, alma vencida.
Palhaço das inúteis fantasias Os guizos eu joguei pela janela, Enquanto a poesia se revela
Estrelas não me servem como guias Metade do meu corpo te deseja Enquanto outra metade não te beija... Marcos Loures
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Há vezes em que falsos se prometem Vertentes onde houvesse claridade. Moldando com suor felicidade Em outros sentimentos se intrometem.
Quem vive na total obscuridade Não pode falar sobre os que remetem Os sonhos em vertentes onde metem Os dedos os que vivem falsidade.
Falíveis meus caminhos sem acerto Em áspero desprezo, não me olhais. Eu tenho inda respaldo que consiga
Verter em um oásis o deserto Que em troca das verdades sempre dais. A salvaguarda; encontro em uma amiga...
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Houvesse alguma coisa entre nós dois Talvez inda restasse alguma chance, Porém sabendo o nada do depois Não posso conceber qualquer romance.
Lançando o meu olhar neste vazio Que é feito numa ausência corriqueira, Um pouco de esperança eu fantasio Enquanto a vida amarga, carpideira.
Por falta de ternura e de carinho, A fonte já secou há tanto tempo. E quando, da ilusão, eu me avizinho Percebo que só fui um passatempo
Nas mãos de quem amei, inutilmente Mas a minha alma sonha, e me desmente...
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Houvesse a claridade que sonhei Talvez inda pudesse perceber A luz que tantas vezes pude ver Vagando sem destino noutra grei.
Vivendo da esperança que criei, Somente nela encontro algum prazer. O fogo que incendeia todo ser Não sabe dos caminhos que trilhei...
Andar por entre as trevas; sempre às cegas, Distante destes mares que navegas, Destino de um estúpido poeta
Estrelas tão confusas, pirilampos, A noite se espalhando pelos campos Manhã não surgirá, pois incompleta...
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Hostes, hastes, lúbricos desejos. Frágeis lutadores, noites frias. Amores em senzalas, melodias. Noturna sinfonia, doces beijos.
Olhares entre colchas, fardos, pejos. Expressões de delírio em fantasias Alvissareiros risos, alegrias Momentos torturantes e sobejos...
Apensas burburinhos, nada mais. Dois lábios canibais, mananciais À flor da pele, bocas e torturas...
Em riste lanças, setas, armaduras. Saveiros, naus em portos sensuais Extremas explosões, fartas loucuras... Marcos Loures
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Horrores que se expõem a cada gozo Nos templos e da pátria, vendilhões. O manto que se fora glorioso Cortado em mil pedaços, podridões.
Amiga, me permita, caprichoso, Não suportar tal súcia de ladrões. A fome se espalhando em ar leproso. No amargo das estrelas e paixões.
Vendetas que se fazem todo dia, Prostituindo os frágeis e as mulheres. Banquete desta corja em mil talheres
Ao devorarem sempre esta iguaria Que é feita pela carne dos cordeiros, Nas Câmaras, Congressos e puteiros. Marcos Loures
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Hordas de fantasmas me perseguem, Ninhada viperina, fardos vários Por mais que a realidade ainda neguem Seus guizos se anunciam temerários.
Na gula insaciável já conseguem Romper os meus limites, adversários Que em tramas estrambóticas prosseguem Negar aos meus desejos, estuários.
Vetustas paliçadas, frinchas, poros Sibilas e profana, não sacias Semeias tempestades, vis esporos
E rasgas o que resta de esperança. Floresces em quimeras, noites frias Enquanto dedo riste, a morte avança... Marcos Loures
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Horas mortas da noite No frio que nos toma, Cortando qual açoite Amor enfim nos doma
E faz um paraíso Em cada beijo teu, Trazendo um bom sorriso Que enfim se concebeu
Em festa e alegria Que sempre majestosa Em lágrimas sabia Do espinho sem ter rosa.
Agora ganha o dia, Do amor tão orgulhosa...
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Hora morta, a vida não mais repete, Os meus sonhos dividem pesadelos... As minhas cartas voltam, restam selos. O tempo atroz, distância me remete...
As festas que passei, quero o confete. Teus olhos inconstantes, quero tê-los. O poder de esquecer, ou convertê-los, A dor de não saber a mim compete...
Hora morta; procuro, pela sala, Os rastros, passos, nada tenho... Cala A noite; mergulhando no passado,
Agonizo... Granizo traz estio. Mas meu coração, fraco, sente frio... Nesta hora morta, estou desesperado...
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Homérica viagem dentro em mim, Idílios tão diversos; enfrentei. A vida vai chegando a um triste fim, Ausente de meus sonhos, me entreguei.
Penumbras que eu carrego vão enfim, Ditando em treva e incúria a amarga lei, Cumprindo o meu destino, de onde eu vim Expresso em agonia o que passei.
Venenos ressurgindo a cada ordenha, Por mais que a lua teime e sempre venha, A noite segue escura, em frio intenso.
No mar das ilusões, barco sem rumo, Os erros cometidos, eu assumo, Meu débito tornou-se, então, imenso...
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Há tanto navegar era preciso Vivendo outros caminhos; mar, adentro, Vagando pelos pólos, busco o centro, O porto que virá não traz aviso.
Acendes tais archotes e me guias Por entre vendavais, loucas procelas, Destino que entrementes tu já selas, Permite finalmente fantasias.
Melífero arquipélago de luz Dos pélagos me traz doce promessa. O amor faz da ilusão rica remessa
E em luzes tão fantásticas produz O brilho que eterniza as emoções Rolando pelos céus, nas amplidões...
Há tanto navegar era preciso Vivendo outros caminhos; mar, adentro, Vagando pelos pólos, busco o centro, O porto que virá não traz aviso.
Acendes tais archotes e me guias Por entre vendavais, loucas procelas, Destino que entrementes tu já selas, Permite finalmente fantasias.
Melífero arquipélago de luz Dos pélagos me traz doce promessa. O amor faz da ilusão rica remessa
E em luzes tão fantásticas produz O brilho que eterniza as emoções Rolando pelos céus, nas amplidões...
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Hoje eu decidi: vou te deixar Liberta de qualquer algema e cruz, Sabendo o quanto tenho pra te dar Reconhecendo em ti a própria luz.
Amar é ser liberto, disso eu sei, E tento conceber felicidade Vivendo o que sei que viverei Nos braços deste sonho em liberdade.
Que seja sempre assim o nosso amor, Raiz que se permite florescer, No encanto que se faz libertador Vivenciando todo o bem querer
Sem medo, sem quimeras ou prisões, Rompendo para sempre tais grilhões...
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Hoje os espaços mostram esplendor Na beleza dos astros, das estrelas... Tramando estas estradas com fulgor. Sob o brilho, milhões de belas velas...
Os anjos passeando neste astral, Formando qual um bando de falenas. Vencendo tantos medos, bem e mal, Pintando todo o céu em alvas cenas...
Molemente recebes meu afeto, Depois de nossas noites, todas brancas. Sabendo que este amor é predileto, Sabendo das venturas que alavancas.
Fluindo nosso amor em manso lago, Espero teu carinho e teu afago...
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Históra que me assombra, eu vô contá. Dos tar de lubisome, bicho fei, Que aparece nas noite de luá, Mordeno todo o povo sem ter frei.
Um dia passeano num lugá Dispois de tanto tempo, eu encontrei Um bicho ansim piludo, de assustá; Pois quage que, te juro, eu desmaiei.
A sorte foi que Juca de Maria, Um cabra desses bão, trabaiadô, Com espingarda em punho apreparô
O bote contra o bicho disgramado, E bão de mira em boa pontaria Dexô esse mostrengo ansim, capado...
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Hipnotizado estou, morena bela, Rainha do meu sonho, estrela guia Destino com destino já se sela Vivendo o que sonhava e mais queria.
O amor que a gente sente eu já sabia No barco que me leva, rumo e vela, Além do que se diz em poesia Tecendo o nosso amor em aquarela.
Olhar quando em olhar se refletiu O amor sem ter juízo e tão sutil Venceu velhos temores desta moça.
Eternizado gozo em juventude, Palavra demonstrando esta atitude Na força do desejo que me acossa. Marcos Loures
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Heterônimos trago para amor. Um sonho sem juízo e sem sentido. Arrebata e destrói, mas tentador, Traz tanta alegria; não duvido.
Amor é sensação do quase ser Não sendo e tão somente nos engana. Vibrando em agonia de um prazer É força que agiganta, soberana.
Amor é ter sagrado o que é profano Beber incandescente fogaréu No trôpego fulgor, o ser humano, Amando se percebe em pleno céu.
Qual Ícaro, desaba num momento, Amar é reluzir em sofrimento.
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Heróica resistência; inda farejo No rastro das irmãs espoliadas. Durante tanto tempo maltratadas Negaram o direito a ter desejo.
A liberdade plena que eu almejo Pras moças muitas vezes estupradas, De todos os seus bens, dilapidadas, Mas um momento em glória enfim prevejo.
Do solo americano de Colombo, Desta África vestida de Mandela, Ou da Ásia multiforme e colorida,
Depois da tempestade, em duro tombo, Brilhando com mais força cada estrela Nos laços da amizade, construída...
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Herética ilusão, farpas nos dedos, Resisto bravamente e não me entrego, O quanto ainda posso antes de cego, Talvez molde; quem sabe; bons enredos.
Desnudo, sem reservas, meus segredos, E ao que resta da vida, em vão me apego Formidável procela onde navego, Derruba; em seu furor, antigos credos...
Jogado contra as pedras, maremotos, Os sonhos se tornando mais remotos, Perdido no arquipélago dos sonhos.
Os dias desfilando em minha frente, A vida se tornando então ausente, Cenários que hoje vejo; são medonhos...
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Herdeiros desta Terra em aliança Com Deus, o Pai supremo, o criador, Ungidos pelas mãos da temperança, Noé se fez um dia agricultor
E bêbado e desnudo, Cam o viu, Chamando seus irmãos, o abandonou, Sabendo da atitude fria e vil, Noé, ao próprio neto amaldiçoou.
A Canaã só restou a servidão Herdando de seu pai a maldição Expressa nos desejos de Noé,
O homem senhor de toda a criação Apenas em Canaã uma exceção É o escravo mais simples de Jafé.
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Herdeiro do vazio que inerente Tomando pouco a pouco cada parte Do corpo que se entrega. Mas destarte Talvez um novo rumo, ainda tente.
Um sonho que me ronda, tolamente, Negando o que seria algum descarte Permite, meu amor, imaginar-te Invadindo o vazio, plenamente.
Eu sinto o teu perfume que me ronda, A vida perpetua-se em cada onda Num ir e vir eterno e caprichoso...
Quem sabe, finalmente, em raro gozo, O mundo que sonhara e fantasio. Mas quando acordo; sobra-me o vazio... Marcos Loures
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Herdamos esta merda de Planeta Tratado como esgoto pelos ricos, Terceiro mundo serve de penicos Da morte esta canalha, uma estafeta.
Justiça? Andando torta e assim cambeta, Gigantes esfacelam os nanicos Enquanto fingem vários paparicos Bebem do sangue anêmico e da teta
Já sem leite da mãe que de gentil Morrendo em ares torpes é vendida À corja que se embebe, porca e vil
Com unhas adentrando cada olhar, Sorvendo cada gota, sangra a vida Ceifando uma esperança, devagar...
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Herdadas qual noturnas meretrizes As loucas ilusões não têm paragem, Vivendo o tempo todo sempre à margem Sob estes céus nublados, plúmbeos, grises
Monótonas visões destes matizes Negando qualquer brisa, vento, aragem. Das torpes realidades que as ultrajem Soturnas paisagens, velhas crises.
Do que sonhara outrora, verdes prados, Os pés já não caminham, decepados, Meus olhos não encontram horizontes.
E mesmo que dos sóis inda me contes, Restando solitário nestes ermos, Sem possibilidade de inda sermos...
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Hercúleos os esforços para termos Sem termos, redenção em franco amor Além do que em loucura concebermos Recebo o teu espinho e busco a flor.
Amores sem resposta são enfermos Estando sempre aquém do que propor Olhares tão distantes mundos ermos Roubando a nossa força quer vigor
Cair das ribanceiras da esperança Fazer do precipício uma pousada. A boca que procura ser ousada
Mistura que confunde e já me cansa Fundindo nossos corpos, trégua à vista Aos teus quadris não vejo quem resista... Marcos Loures
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Herança que deixaste, simples tédio, Marcando cada noite num compasso Monótono que invade passo a passo, Tocando o pensamento, em duro assédio..
A solidão tomando todo o prédio Não deixa à fantasia algum espaço, Somente da tristeza, amargo abraço. Que faço se não vejo mais remédio?
O sonho se esgarçou faz tanto tempo, Pensar na morte como um passatempo Talvez permita ainda uma alegria.
A porta que mantenho sempre aberta Na espera que teimosa não deserta O coração de um tolo, uma heresia? Marcos Loures
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Hemorrágico amor... Maltrata e me redime... És altiva esperança, ao mesmo tempo matas. Me dás a sensação fantástica do crime. Alucinadamente expõe as densas matas
Da paixão. Me tortura, acalma, cama, vime... Nas lutas que passei, nas danças, nas regatas, Momentos que vivi, a dor já não se exprime; Feliz hemorragia, em mares e cascatas!
Num formidável grito expõe-se, assim, desnudo. As entranhas à mostra, a beleza da loucura... É violência no orgasmo, amor forte! Contudo,
Tantas vezes cruel, tantas vezes fatal... É raio que clareia em plena noite escura. É lágrima, pierrô, num triste carnaval... Marcos Loures
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Hemorragia eu vejo nos jornais, E espremo o coração, não sai mais nada; Manchetes sanguinárias, garrafais, Garrafa na cabeça destroçada.
Os homens se tornaram canibais, Carcaças são jogadas pela estrada, Prazeres maltrapilhos dos casais Que vagam nos motéis da madrugada.
Que tal, amor quem sabe hidromassagem? O moço marombando a paisagem, A moça ao cultuar musculatura
Fazendo na xaninha, tatuagem Miséria pouca, amigo, uma bobagem Depois nem analista traz a cura.... Marcos Loures
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Helmintos que carrego na barriga São velhos comensais, eu já nem ligo. Chamando de comadre uma lombriga Não vejo, na verdade algum perigo.
Ao menos nunca fez fofoca, intriga, Só quer, disso eu bem sei, comida e abrigo. Que seja sempre assim, que isso prossiga Guardada com carinho sob o umbigo.
Para que eu tomarei Mebendazol? Eu vejo na lombriga um bem de escol E quero cultivá-la a vida inteira.
Depois de ter somente a solidão, Encontro finalmente, e com razão Uma perfeita amiga e companheira... Marcos Loures
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Helênicos prazeres e desejos Volátil sensação de eternidade. Criado pelos deuses em lampejos Amor sempre comanda as divindades.
Nas traições de Zeus; guerrilhas tantas Cupido, de Afrodite, seu rebento, Em artimanhas loucas, porém santas Em simples seta mostra-se violento
Supera com poder de sutileza Aos mais ferozes deuses, que se rendem À força do desejo e com certeza Com mãos atadas, logo já se prendem.
Assim é na verdade, uma paixão, Trazendo às duras feras, rendição... Marcos Loures
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Hei de encontrar teu cofre delicado Onde guardas segredos e vontades, Por mais que tantas vezes bem amado, Eu preciso saber tuas verdades...
Por este grande amor nem sei quem sou, Apenas o que resta do que fui. Sem nexo, sem juízo sempre vou Descendo a corredeira, mansa flui....
Hei de encontrar o cofre mais sagrado De tua alma transtornada pelo amor. Hei de viver um sonho delicado Envolto nos desígnos sem pudor.
Hei de encontrar o cofre que preciso, A chave de um eterno paraíso...
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Hedônicos caminhos do prazer Vislumbro no teu colo, nos teus seios, Descendo estes riachos sem receios Sinto este gêiser raro a me ferver.
Aprendo a cada dia o que é querer Vencendo em plenitude meus anseios, Descubro sutilmente novos meios De sendo tão sedento te beber.
Chegaste como uma onda gigantesca Tomando toda a praia num segundo, Numa explosão divina e até dantesca
Assim como um tsunami redentor, De um jeito tão fantástico e profundo Mostrou o que é, em verdade, um grande amor...
99
Hedônico namoro, delicado, Em fogo e em ardentias definido, Querendo sempre ser teu namorado, Futuro prazeroso e decidido.
Depois de tantas dores, no passado, Amor que seduzindo, não duvido, Estando o tempo todo do teu lado, Jamais o nosso amor terá olvido.
Eu sou o que tu queres, teu amigo Amado amante, fogo e vendaval, Teu beijo tão gostoso e sensual
Teu colo me servindo como abrigo, Querida, nosso amor não é atônico, Na verdade, eu te digo: ele é atômico! Marcos Loures
7400
Hedônica vontade de te ter Desnuda em minha cama, uma alvorada, Bebendo gota a gota este prazer Eu sinto esta beleza anunciada
No gozo tão divino passo a crer, Na lua mais sublime derramada Prateia tua pele bronzeada Cenário em perfeição eu passo a ver.
Assim ao libertar tantos desejos Não tendo mais pudores, nego pejos E embrenho paraísos que me dás.
No amor que nos guiando, já transforma, O rosto desta deusa toma a forma Dum anjo que profano, trama a paz... Marcos Loures
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