
"Do Amor e Outros Demónios"
Data 12/12/2010 00:20:05 | Tópico: Poemas
| Tenho o coração internado numa psiquiatria urgente. Enlouqueceu ou deprimiu pelo fumo do cigarro… Por ausência de gente. Antes era de um bater, desembraio alucinante que descia pelas pernas e atava a faringe. Para aí ontem à noite uma síncope assassina compassou como quem finge. Falou um dialecto estranho, coisas de ódio e injúrias carregadas de rancor… Tanta mágoa confundida mergulhou feio na bebida para afogar a dor. Tocaram discos antigos, vícios velhos inimigos cheiraram efémero o corpo. Então uma noite branca com uma raiva que era tanta gritou, o amor está morto. Fui com o fumo do cigarro e com as chaves do carro outra vez olhar o rio. Coração vil e bastardo, esquizofrénico e parado… Vai para a puta que pariu. Desaguou a melancolia no estuário quase de dia ás horas do meu passado… É melhor estar sozinho a jorrar prantos de vinho do que mal acompanhado. Como o coração está louco e não dou sequer um pouco para ir á condição… Basta que passe por mim outro coração no fim para lhe pegar na mão. Esta merda de poesia era coisa que não fazia senão quando tinha azia ou estava a cagar. Porque rimas e falsetes, operetas e minetes são o verbo a vomitar. Mas os minetes são de valor, dão tesão e dão amor. Até me sabe bem, não ter pai, não ter mãe, nem mulher nesta idade… Eu amo com cabeça, o coração é uma peça… Pode parar à vontade!
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