
coisas tão simples de ver
Data 12/12/2010 00:17:53 | Tópico: Poemas
| Aprendeu a chorar… Tinha cuidadas revoltas de arder porque tinha partes diferentes de si a queimar. A língua derretia num charco de pétalas apedrejadas, expostas em fracturas de vento. Tinha os dedos a arder com toques de boca num credo de grito declamante. Ajoelhava-se na rua, maestrina de um som fino e vazio de batuta partida. Suavam pingos de arritmia nas colcheias… Que lhe escorria o suor pelas fontes, pelas frontes fulminantes de sumo esvaído em cristal cariado no frenesim dos olhos desarvorados num susto sinfónico. Depois descobriu o amor, um amor… Enterrava os dedos na garganta de um jarro, gracejando as palmas num falo erótico com dons de amarelo e cirrose nos dentes quimio-traumatizados. Mas todo o afago lhe sabia a um pouco mais que abandono e fazia seu dono quem lhe quisesse um segredo. Amava aos quems, miava aos cães, mimava as mães e louca em lua zonzeava com um chapéu no cabelo de lírio. Depois uma colisão quântica electrizou os sinónimos que lhe duravam o coração. As mágoas em ferrugem saíram do corpo como larvas amantes… Desnasceu quase a ser metafísica…e um átomo de puro colírio abraçou os barcos do rio. Rimou as diferenças com as desavenças das suas orquestras heróicas… E descobriu o amor no meio da dor quando aprendeu a chorar sinfonias. Coisas tão simples de ver.
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