
MEUS SONETOS VOLUME 070
Data 11/12/2010 20:22:27 | Tópico: Sonetos
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1
Expostas, rancorosas, velhas dores Ambulantes feridas que se entocam E mostram nos seus dentes, os humores, Espelhos onde os rumos se retocam.
Num fosso de silêncio onde abrandaste Tais fúrias, refletindo num sorriso Já toda a sensação deste desgaste Natural que nos nega um paraíso.
Somamos nossos corpos toda noite E, mesmo que isto seja uma mentira, Vestimos solidão em farsa/açoite.
No fundo não queremos mais a fuga, Nem mesmo quando solta, a voz atira Forjando em nossa face cada ruga...
2
Exponho cada chaga ao teu sorriso. É claro que isto traz muito prazer. Meu canto se quiser, é de improviso E nele tenho pouco o que dizer Somente te falar que meu juízo Há muito eu fiz questão de não conter...
Quando, horrorosamente fui sensível, Bordaste mil bordões em meu destino. Não vejo quase nada, imprevisível Que alente uma esperança de menino. Entre o querer e o ter há um desnível, Embaixo do que fomos não assino...
A cruz que se pintou, velha piada, Andando em cada templo, destroçada...
3
Exponho as minhas vísceras num verso Que enfada quem, teimando ainda o lê. Inútil conceber qualquer por que, O passo segue em rumo mais diverso.
Quem vive na esperança vã imerso, Não sabe distinguir o que olhar vê, Castelos e reinados de sapê O mundo se desnuda então, perverso.
Batismos entre fogos e metralhas, A mortalha que estende negras malhas Abraça-me, risonha em ironia.
O prêmio que almejara em vão: castigo, Perpétuo sonhador; ora prossigo, Expondo-me desnudo em poesia...
4
Expondo pelas ruas o que resta Daquele que pensara ser alguém Enquanto a solidão prepara a festa A noite em amarguras, cedo vem.
O amor que tanto quis já desembesta Do tudo que sonhara, sem ninguém Apenas o vazio ainda atesta A vida de quem quis e nada tem...
Mas saiba que inda existe uma esperança Após a tempestade uma bonança Brilhando como luz nos olhos teus.
Jamais irás sozinha, companheira, Pois saiba que a amizade verdadeira Encontra-se nos braços de MEU DEUS... Marcos Loures
5
Expondo o meu cadáver em visagem As cenas se refazem bem confusas, Aberrações explícitas difusas Complicam mansidão desta viagem.
Teu gesto de vingança, tão selvagem, Em cenas violentas, tu abusas E cospes no cadáver, tira as blusas Deixando este festejo todo à margem.
Histrionicamente continuas Neste desfile aberto pelas ruas Até chegar ao fim, sem ter mistério.
No riso que disfarças, gozo frio Mostrando que esse amor, por ser sombrio, Resiste à solidão de um cemitério.
6
Expondo o coração para a platéia No velho picadeiro da esperança Saudades entabulam riso e dança Enquanto a solidão se mostra atéia.
As dores em terrível alcatéia Deixando uma alegria sem lembrança, A luz dos refletores não me amansa, O amor desfila assim, sua epopéia.
Alheia aos sofrimentos, ri-se irônica A fantasia torpe, mas agônica; E assim entre fantoches mais diversos
Enquanto esta ribalta descortina A luz que, falsamente me ilumina, Eu busco o meu refúgio nos teus versos... Marcos Loures
7 Expondo o coração nesta vitrine Na bela transparência de um cristal, Por mais que da gaiola ainda trine Angústias de um passado tão venal
Ardores do presente rompem grades, E bebem da emoção que se procura Em meio a vendavais e tempestades Trazendo por bonança, esta ternura.
Expondo o coração na galeria, Arquétipo em mudança que, constante Permite que se creia enquanto cria Da pedra sem beleza, um diamante...
Ao ver do grande amor, simples amostra Entendo este conluio: pérola/ostra... Marcos Loures
8
Expondo esta carcaça ao teu desdém, Arrasto os meus fantasmas, vou sem rumo... Aos poucos, é verdade, eu me acostumo À vida sem destino, sem ninguém...
E quando a noite chega, o sonho vem Tentando retomar da vida, o prumo Eu chego até sorrir. Mas frágil fumo O sonho se esvaindo... Resta quem?
Corbelha de esperanças, vasos frágeis, Jamais resistem, quebram-se em pedaços... Não deixam nem sequer escombros, traços.
Os dedos da tristeza são mais ágeis, Dedilham nos pianos da amargura Os sons desta ilusão que me tortura... Marcos Loures
9
Expondo a minha carne às tempestades Cidades e muralhas destroçadas. As horas que passamos, vãs jornadas, Ainda posso ver antigas grades,
Por mais que as fantasias tu degrades Esperanças partiram quais manadas Errantes destruindo estas estradas Aonde imaginei felicidades.
Num último acalanto, uma ilusão, Amansa o coração tempestuoso. E ainda posso crer em riso e gozo.
Vislumbro no horizonte a imensidão E o sol brilhando ao longe... Imensos céus... Porém as nuvens... Plúmbeos, grises véus...
6910
Expõe em suas mãos, manso carinho Quem tem e sabe a força da amizade, Sabendo desvendar qualquer caminho Não teme nem sequer a tempestade.
Felicidade é feita dia-a-dia E nela quem conhece persevera, A mão que se declina em alegria Esquece a solidão, rude e severa.
Em atos e palavras mais sinceras A glória se mostrando assim capaz. Vencendo em placidez as várias feras Alcanço do teu lado, amiga, a paz.
E nela deposito a confiança Num tempo mais suave, em esperança. Marcos Loures
11
Exemplo mais perfeito feito amor Precisa na verdade do perdão, Um novo mundo veio nos propor, Aonde já reinasse o coração.
Assassinado e morto sem pudor, Deixou pra quem ouvisse esta lição, Trazendo uma esperança a recompor História que se perde em negação
De que é possível ter felicidade, Vivendo em sua glória, uma amizade É tudo o que deveras se pressente.
As sombras doloridas que carrego A história que se fez em cunho cego no tempo que passou inda se sente Marcos Loures
12
Expõe como saída, o frio, a morte, Paixão que se abortou há tantos anos, Aprofundando em mim temível corte, Mudando esta viagem nega planos.
Os desenganos todos que carrego, Não posso e nem consigo questionar, Quem sabe que se esvai, calado e cego, Não sabe ou reconhece mais o mar.
Quem dera simplesmente ser feliz, Cantar em liberdade amor imenso. Destino lamentável já não quis Futuro pressuponho amargo e tenso.
Intensas labaredas das paixões, Morreram em cruéis desilusões...
13
Exímios navegantes bebem luz; Alívios entre estrelas e luares. Por onde e da maneira em que mostrares O vento delicado já conduz.
Querência sem limite se deduz Tentáculos dos sonhos, calabares, As rinhas da ilusão, versos e mares, Distante dos temores e da cruz.
Benditas as palavras que nos tocam, Imagens, santuários, se retocam, Fazendo da promessa, realidade.
Instalações diversas, frases soltas, Estrelas nos protegem, tal escolta Permite em plenitude, a liberdade...
14
Exploro; viajante, cada palmo De teu corpo moreno e sedutor. Às vezes muito tenso; só me acalmo Quando chego na fonte; monte, amor. E sinto que reviras teus olhares Em busca do infinito... Com prazer, Me inundo destas ondas dos teus mares, Vontade de poder te conceber Rainha que sonhei por toda a vida, Mulher que me encantou, linda sereia; A noite se passando, distraída, A lua se entregando, plena e cheia. Deitados no carpete desta sala, A lua enamorada, nada fala...
15
Explode-se na chama esplendorosa De um rito sensual, noite profana. Quem vive esta emoção jamais se engana E sabe valorar perfume e rosa.
Minha alma muitas vezes belicosa Não se cansa da luta sobre-humana Fazendo do prazer, zarabatana Decifra a sorte insana e caprichosa.
Guardando na gaveta os meus segredos, Escondo sob a máscara meus medos E finjo ser além do que serei.
A moça em transparência não percebe O quanto é pedregosa a minha sebe, Seguindo sem saber tão falsa grei...
16
Excitado por voltas e revoltas, Sem medo de vender qualquer bobagem, Nas danações remendos, traquinagem. O mundo das revoltas tantas voltas.
Escrevi tantos versos, não escoltas Corações dispersados, sem aragem. Brancas nuvens mostrando tal roupagem Consegui perceber reviravoltas...
Ardores e carinhos sensuais, Piadas de mau gosto, simplesmente. Os dias que passamos, pontuais,
São satiricamente demonstráveis. A mente que remete sempre mente, Os sonhos desse amor: imagináveis... Marcos Loures
17
Excesso de cuidado enjoa e mata; Mas sem adubos morre cedo a planta A luz que em calmaria nos encanta Ao mesmo tempo em paz sempre arrebata.
A força da paixão tanto maltrata Enquanto dá retira a mesma manta Quem sabe disso tudo não se espanta Segredos infindáveis? Desbarata.
Mecânicas diversas deste enredo Provendo uma alegria que nos doma. Além de simplesmente ter em soma
A chave do caminho em que enveredo O gosto de viver a eternidade Embora, com prazer e liberdade... Marcos Loures
18
Exploro com cuidado, fartos pejos As tendas que tu guardas na alameda Por mais que a poesia nos conceda Não quero mais sonhar gozos sobejos.
Seria o que não fosse se eu pudesse Ainda ter as rédeas desta vida Porém o coração não obedece, Do quanto me sobrou, amor duvida.
Tenacidade é coisa que não tenho, Audácia não faz parte do meu ser. Restando tão somente o velho empenho
Lutando pra sair deste buraco, A vida desconhece o que eu quis crer No cais das ilusões já não atraco...
19
Excêntrico colágeno nos une Esgarças garças toscas no caminho. Etílica manhã verseja e pune Deixando o velho barco já sem ninho.
Não quero ser tão crédulo ou impune, Cunhando com cunhada este carinho. Solfejo, pois dos versos sou imune Cabelo quando inflama vira vinho.
No pinho, no pinhão, a moça apinha Calote loteado: estelionato. Fazendo deste fármaco o que tinha
A tinha só se cura com remédio. Iguana é iguaria no meu prato, Semitonando sempre no ré médio...
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Eviscerado, vivo vastidões Em versos vagabundos e vadios. Vencer as ventanias, vergalhões Vestígios de outros ventos vãos, vazios.
Vergastas, cortes, gestos, ritos, rios Quem sabe sobrará sombra em verões? Tentáculos do inverno sobre estios Oráculos traduzem negações.
Se eu sigo carcomido, sendo assim O resto que me empresto, vou ao fim, Apenas e sem penas vegetal;
Vasculho em cada bolso, o pedregulho Soçobrando o que sobra do mergulho, Que espúrio, fiz no amor, velho venal... Marcos Loures
21
Eviscerado sonho, podridão. Apenas pesadelos... quem me dera. Percalços que encontrei na longa espera, Trazendo tão somente a escuridão.
No câncer que consome, a solução, Negando o que pensei ser primavera, A boca escancarada da pantera, Aguarda numa espreita. Sou o vão.
O cheiro de café. Casa materna, Uma esperança inútil quase hiberna E ao ver o que restou, já me abandona.
Amores que encontrei, só falsidade, Na marca destas garras, crueldade, Apenas o vazio vem à tona... Marcos Loures
22
Eu vou seguindo a vida simplesmente. Fazendo meus repentes sobre amor, O coração se mostra sonhador E deita sobre um sonho inconseqüente.
Aos borbotões palavras em torrente Nadando neste mar: computador, Às vezes passam ágeis, com vigor, Brotando em turbilhão desta vertente.
Nascentes e cascatas, fontes tantas, Palavras são profanas, mesmo santas E fazem deste amor, caminho e foz.
As frases vão girando na ciranda, Deitando o meu lirismo na varanda, Sentindo o sol brilhando sobre nós. Marcos Loures
23
Eu vou para Pasárgada, querida, Não quero mais saber de dor ou medo. O coração condeno a tal degredo, Por mais que seja longa a minha vida,
Nos sonhos eu encontro uma saída, Saber de um Eldorado, o seu segredo Que seja logo agora, e desde cedo, Senão a minha estada está perdida.
No velho Xangrilá, no Paraíso, Eu tenho tudo aquilo que preciso, As belas prostitutas, mil amigos.
Cansando de esmurrar ponta de faca, Apenas a ilusão ainda aplaca E traz mesmo que utópicos, abrigos...
24
Expressa amanhecer tão solitário O que meu pensamento diz agora, Distante do que ardia em vão, outrora O vento nunca veio solidário.
O amor sempre foi ledo e temporário A sorte que tentava, aborta, gora A morte me brindando sem demora Jamais se esquecerá do seu horário.
O tempo transformado em calafrio, Os olhos tão somente vis ultrajes, Mortalhas entre lutos, os meus trajes,
Apenas me sondando o vento frio, Sorrisos são apenas espantalhos Os passos prosseguindo, torpes, falhos... Marcos Loures
25
Expressa alguma luz neste poente Os olhos de uma amiga, coisa rara. O quanto em vida fora um penitente Ao final desta história a mão ampara.
Tragado pelo mar, redemoinhos, Entregue a mais completa solidão. Na ausência tão perene de carinhos Acostumado ao mesmo, eterno não.
Eu vejo uma esperança que se forma No vento da amizade benfazeja. No peito prometendo uma reforma, A luz tão delicada em que se veja
O brilho redentor da liberdade, No olhar tão sedutor de uma amizade... Marcos Loures
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Expressa a solidão, vil soberana O gosto da saudade em acidez. Por mais que ainda tente em lucidez A sorte se demonstra qual cigana.
Ao mesmo tempo atrai e desengana, Nas tramas da ilusão ela se fez, Rechaça a cada noite a sensatez Destino em suas mãos logo se dana.
Marcado pelas sombras do que fomos, Veneno e alegria em fartos gomos, Quem dera se eu pudesse em liberdade
Voltar ao que tivemos e se foi. Errante e tão distante, como Goi Aguardo algum sinal: felicidade? Marcos Loures
27
Expressa a noite imensa, enluarada O brilho sobre as flores no jardim, Beleza que se mostra a cada estada Do amor que sem limite existe em mim.
Floresce a cada sonho, uma esperança Trazendo o teu perfume, rara flor. O quanto que restou traz a lembrança De um dia tão perfeito, encantador.
Canteiros entre belos colibris, Expressam toda a sorte de viver. Os lábios delicados e gentis, Promessa de alegria e de prazer,
Cuidando tenramente, com carinho, Afasto do rosal, qualquer espinho...
28
Eu venho nesta data te dizer É muito bom poder ser teu amigo. Das coisas que dei sorte de saber Com certeza uma foi te ter comigo..
Completas mais um ano de existência, Que sejas tão feliz quanto tu fazes. Amigo não é simples coincidência Maré que segue a lua em tantas fases....
Por isso; parabéns por mais um ano Que temos convivido em santa paz. Quem tem amigo esquece do abandono. De tantas alegrias é capaz!
Porém a tua festa é repartida: Hoje eu parabenizo a própria vida!
29
Eu vibro neste amor em sentimento intenso Num labirinto exposto a sorte de te achar Recebo em horizonte o sonho em que compenso As dores que senti por tanto te esperar.
E a cada novo dia, em que, querida eu penso No amor que tanto tenho; entregue ao te adorar, O dia vai mais manso, e nisto recompenso O tempo que passei distante de teu mar...
Agora que percebo um horizonte pleno Na doce sensação de estar sempre contigo, Amor que vem chegando, em passo mais ameno
Transborda no desejo imenso de poder Chegar devagarinho, e ter aqui comigo Decerto uma alegria em nosso bem querer... Marcos Loures
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Eu vim de não sei onde Jamais retornarei A vida perde o bonde, Distante me encontrei
Nos braços da morena Encontro a solução, A vida mais amena Enfrenta um furacão.
Sou quase o nada fui, E agora o quase sou, Amor por certo influi
No tempo que restou, Agora o mar me intui Meu barco te encontrou
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Eu visto esta mortalha em ceticismo, Sendo o que jamais fora se soubesse Do ápice mergulhando neste abismo Em forma de fornalha em vestal prece.
Desisto da batalha. Despotismo De quem se fez bem mais do que merece Sem mítico exercício do batismo, Deforma todo ofício que professe...
Protuberâncias túrgidas herméticas As pétalas estúpidas histéricas, Românticas, anêmicas, caquéticas...
Se lúdicas, são lúbricas, são tísicas. Mas fétidas, tão pútridas, ictéricas, Todas as nossas dores não são físicas...
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Eu vivi de ilusão e fantasia, Vagando pelas ruas, falso riso. O mundo que eu sonhava não trazia Sequer algum sinal de um paraíso.
A noite se envereda e ganha o dia, A morte que virá não manda aviso, Aonde encontrarei uma alegria, Rondando bar em bar sempre pesquiso
E vejo na sarjeta e na marquise Abrigo que me sobra em noite fria, Quem teve nesta vida algum deslize
Já sabe do que falo: solidão. Mas creio, que inda tenha solução Além do que pudesse ou bem queria
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Eu venho nesta data te dizer Do quanto és necessário para nós, Um canto de emoção e de prazer Revive em cada amigo, fortes nós. Tu trazes alegria a cada ser Serenas este mundo tão atroz.
A sombra da maldade faz a ronda Mas sempre nos ajuda a contorná-la, A lua da amizade tão redonda, Conhece tua mão a carinhá-la, Teu braço companheiro, não é onda, Pois sempre nos apóia, como tala.
Nas horas mais difíceis sempre vens, Receba de nós todos, parabéns...
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Eu venho nos meus versos te dizer Que os dentes já caíram. Tô banguela. Eu sei que isso me causa desprazer Porém outra faceta se revela.
De tanto que penei, não vou sofrer, Meu barco neste mar levanta a vela, Jamais irei a lágrima verter Tem coisa que consola um matusquela.
Agora sem ter dentes, eu garanto Que um sonho realizo, é coisa louca O desdentado sabe deste encanto
Que canto sem ter medos ou receio, Com duas pererecas, minha boca Ainda tem a língua de permeio...
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Eu venho, amigo, parabenizar Quem faz de nossa vida um manso rio Que desce calmamente para o mar. O sonho mais profícuo, cedo eu crio,
E nele prosseguindo sem parar Um mundo em perfeição que eu fantasio, Encontra em suas mãos um bom lugar Aonde não resiste mais o frio,
Emanas em teus olhos tal calor Capaz de apascentar quem te conhece, Reconhecendo, assim, o teu valor,
Eu agradeço a ti, em reza e prece, Feliz aniversário, companheiro, Espero estar contigo o ano inteiro.
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Eu verso sobre sonhos que detive Honestas caminhadas da ilusão, Portando em cada verso uma emoção Amor feito amizade sobrevive.
E tantas vezes; cego, eu não retive Sequer o que devia, e fui em vão, Vagando no deserto quase em não Na sensação perfeita de um declive.
Se, às vezes eu falseio e assim tropeço, Na quase queda eu sinto que talvez Devesse ter mais forte, o sentimento,
Que vira a nossa vida já do avesso, Porém acalma toda insensatez, O teu carinho, amiga, é meu sustento...
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Eu vi a tua imagem delicada, Traçando multicores fantasias. Desejos e delírios sempre crias, Condões entre vontades deusa e Fada.
Sorriso de menina que me agrada, Deixando para trás mesquinharias, Amor que nunca trouxe ninharias, É na medida certa, demarcada.
Guinada em minha vida, volta e meia, A boca que me beija logo anseia Os gozos percebidos e sonhados.
Paisagens que vislumbro; fascinantes, Eu quero muito mais do que quis antes Os beijos mais audazes e safados... Marcos Loures
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Eu vi o teu retrato em meu espelho, O susto que tomei eu nem te conto. Olhar que lacrimejo tão vermelho Encontra neste espelho contraponto.
Depois de tanto tempo sem te ver, Achara que morreras dentro em mim. Ao ver a tua imagem pude crer Que as coisas não são simples tanto assim.
Resides dentro d’alma, me entranhaste, De tal forma que nunca imaginei. Teu rosto no meu rosto decoraste, A ser o teu reflexo eu já passei...
Que faço se não posso libertar Minha alma de tua alma, par a par...
39
Eu vi o teu retrato numa esquina, Fumando uma erva dessas diferentes. Enquanto se baseia e se alucina, Tu cravas nos meus olhos, frios dentes.
Imagem sem igual, fútil, ladina, Promessas de carinhos indecentes, O beijo quando morde me azucrina, Sem crina meu cavalo, mas nem sentes.
Inclinas teus sorrisos de ironia Enquanto o amanhecer ainda cria Alguma expectativa no meu peito.
Decerto que eu errei não tendo um alvo, Porém ao fim da festa estarei salvo, O amor quando se nega, dá-se um jeito... Marcos Loures
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Eu vivo a cada dia mais feliz Sabendo que terei o teu carinho No amor que a gente faz e peço bis, Jamais me sentirei aqui sozinho.
Estrela se derramam pelo chão Do quarto em que caminhas semi-nua Espalhas pela cama, a tentação, Minha alma enamorada; então flutua.
Alçando ao paraíso num momento, Vagando pelos astros, sem destino. Voando assim liberto, o pensamento, Aos poucos, sem juízo, eu me alucino.
No amor em desatino, mil loucuras, Forrando em nossas vidas, a ternura
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Eu vi teu nome escrito na parede, Como fosse sinal de minha fúria. Escrevi, pois, embalde essa centúria, Saber de teu futuro, tenho sede...
Seria bom deitar-me nessa rede, Pedir licença à Padre, e toda a Cúria; Poder te desnudar, tanta luxúria... Mas te quero madura e estás tão verde...
Não quero mais saber desse negócio, De passar em ti, todo esse meu ócio, Nem quero saber quando te perdi...
O que no mar achei, me despedi; Amores que pensei achar em ti, Só não posso aceitar um novo sócio.. Marcos Loures
42
Eu vi teu nome exposto na manchete De todos os jornais e nas revistas. A foto da nudez que se repete A deusa principal entre os artistas.
Lembrando o carnaval, tanto confete, Bebendo teu suor, antigas listas. Nas cenas já mudaste teu esquete, Dançaste teu amor em outras pistas.
Dormiste no passado, sem futuro, Mas foste toda minha, não o negues. Tomamos caipirinhas, chão tão duro...
Embora outros caminhos já navegues, Na cama que escolhemos, lua cheia... Teu nome... Foto exposta... Inda clareia...
43
Eu venho do melado e da garapa, Perdido neste mar/canavial, A vida quando amarga; desigual, Nem mesmo o mais distante sonho escapa.
Usando da esperança como capa, Aguardo este momento que é fatal, A dor passando a ser consensual Só resta ao sonhador, jazigo e lapa.
Desfigurado corpo da criança Amortalhada em lágrimas, curtida. O que sobrou enfim da outrora vida
Somente a fanatismo ainda alcança E atinge num funéreo golpe, a faca, Cravando no meu peito, única estaca...
44
Eu venho de joelhos Te pedir Perdão pelos meus erros e pecados. Os passos tantas vezes malfadados Matando em nascedouro algum porvir.
Que a luz do farto Amor possa luzir Na dura caminhada em negros prados Dias sejam a Ti, glorificados Que nada possa enfim, isto impedir.
Perdoe a minha estúpida omissão, Deixando no relento o meu irmão, Fingindo que não vi Tua presença
Nos mãos de algum mendigo, ou num olhar Que cismo muitas vezes ignorar Negando em desamor a minha crença! Marcos Loures
45
Eu venho das favelas, dos botecos, Meus olhos bebem luas e sarjetas, Meus cantos não encontram mais os ecos Que um dia se perderam nos cometas,
Mas dizem que eles voltam, creio nisso, E disso faço o resto de esperança Que vai mantendo um pouco deste viço, Guardado desde os tempos de criança.
Tu tens também as marcas da injustiça, Da fome, da agonia e da amargura. Difícil, com certeza, a nossa liça, Mas nada impedirá tanta ternura
Dois filhos do abandono e do vazio, Unidos pelos corpos, mesmo cio...
46
Eu vejo; ao caminhares pelas ruas, Em cada passo dado uma delícia. Parece que não andas; que flutuas... Vou te seguindo cheiro de malícia.. As coxas divinais e semi-nuas, O vento te fazendo uma carícia...
Sentindo um calafrio em cada passo, Numa maravilhosa caminhada, Meus olhos vão seguindo todo traço Formado pelas pernas na calçada... Eu tento e não consigo, mal disfarço, Além de tuas coxas, não há nada...
O vento que mais forte agora espraia, Quem dera sacudisse a tua saia... Marcos Loures
47
Eu vejo um bom futuro Nos braços de quem amo, Ultrapassando o muro Enfim, amor reclamo
De um chão deveras duro, Ao plano em que te chamo, Meu canto então apuro E audaz; amor exclamo.
Quem veio de um passado Quiçá sem esperanças Agora extasiado
Experimenta danças, Vivendo do teu lado, Nos gozos das festanças...
48
Eu vejo ser cumprida a tal promessa Que há tanto fora feito e nunca ouvida. A mão que esfacelada assim se engessa Não vê quanto sublime a própria vida
Numa avidez sem par, abutres rondam A carne mal nascida, agora exposta Milhares de tempestas já se estrondam E cortam, mais profundo em fina posta
Aposta já perdida e sem remédio O gozo do prazer não antepara A morte a cada dia faz assédio Uma alegria agora, é peça rara.
Neste museu de dores e fumaça Amor amortalhado em cada praça. Marcos Loures
49
Eu vejo tua sombra na janela Passando devagar e tão distante. A vida novamente se revela, Um mar que sempre foi tão inconstante
Não quero mais guerrilha nem querela, Apenas uma luz que mais brilhante Se mostra em minha vida, e se revela Tal qual amor divino e fascinante.
Tu foste minha sorte e meu azar, Espinho que se deu em bela rosa, Qual nuvem que trazendo um bom luar
Consola a dor que causa, sem pensar. Mulher tão divinal, mas vaidosa Enchente que já fez tudo secar...
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Eu vejo quanto o amor tomando espaço Em formas mais diversas trama a vida. Não sinto mais o medo do cansaço De ter uma emoção tão decidida.
É louco, insano canto em que embaraço As pernas no caminho, na subida, Caindo certamente no teu braço, Deixando qualquer dor em despedida...
Meus dias vou passando na ilusão De ter meus broncos versos a teus pés. Amar é perseguir a perfeição
E de pronto atender ao seu chamado, Não vejo mais amor como um viés É tudo que sonhei. Nunca é pecado!
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Eu vejo o quanto estamos tão unidos E a cada novo dia isto enobrece Um sentimento feito em gozo e prece Que faz questão de sonhos bem vividos.
Nos passos que seguimos, decididos, O tom de nosso canto amadurece E mostra quanto é bom; dias cumpridos Em negra solidão que inda aparece
Nas horas mais difíceis, madrugada, No vento que batuca na janela. Porém ao ver uma alma triste e tão cansada
Alegria de sermos companheiros Em cada novo encanto nos revela Que os sonhos que nós temos: verdadeiros... Marcos Loures
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Eu vejo o mel da vida se espalhar Nos campos da esperança e da emoção, Roubando cada raio do luar A noite se transcorre em sedução.
A moça do meu lado, satisfeita, O riso se permite em franco gozo A gente ao mesmo tempo se deleita E planta um novo sonho fabuloso.
Recebo de teus lábios, a promessa De um dia mais feliz de se viver A cada novo instante recomeça Idílio de ternura e de prazer
Assim, eu vivo amor no dia a dia Que é feito da beleza em fantasia.
53
Eu vejo o fumo a se elevar sombrio Trazendo uma lembrança mais atroz, Calando num momento a minha voz, O coração sangrando, ledo e frio.
Um sonho que se mostra mais vadio De amor que talvez surja ainda em nós, Deixando uma esperança logo após Promessa de alegria, em novo estio.
Assim, talvez o dia traga alento Clarão de um belo sol numa alvorada, Soprando tão macio como um vento
Que toca as folhas todas da emoção. Depois de tanto tempo abandonada Ressurge nos teus braços a ilusão...
54
Eu vejo nos espectros que carrego A imagem desbotada deste sonho. Num pesadelo assim, feroz, medonho, O passo titubeia e vaga cego.
A força que inda pálido, eu emprego O gozo da ilusão que ora proponho, Além da realidade, enfim, suponho O traste que me pesa, isso não nego.
As vísceras revoltas, náuseas, dores, No alforje as velhas chagas latejando, As esperanças todas, vão em bando,
Invernos dentro da alma em seus rigores Encharcam, movediços, os meus passos. Os pés aprisionados, seguem lassos... Marcos Loures
55
Eu vejo finalmente, insana paz Sem medo ou sensação de ser cativo Vivendo o quanto o sonho inda me traz De nada em minha vida eu já me privo. O beijo da morena, um capataz Capaz de me tornar um morto vivo.
Acero preparado; o fogo ateio Colheita prometida pro futuro, Bebendo do prazer de cada seio, Acendo toda a chama neste escuro. Sabendo o que mais quero, sem receio, Encontro o que em verdade assim procuro.
E curo tais mazelas, vencedor. Abrindo então as travas, vivo o amor. Marcos Loures
56
Eu vivo conectado, on-line, a ti, O amor faz seu log-in o tempo inteiro, Downloads do que, outrora em vão perdi, Guardados na memória. Gosto e cheiro.
Amores virtuais, virtudes têm. Além destas desculpas mais freqüentes, Se a queda de energia, salva o trem, Palavras carinhosas, envolventes.
Mentiras e disfarces, risos falsos, Desejos desfrutados, sem contacto. Preparam, muitas vezes, cadafalsos Aí a fantasia paga o pato.
Às vezes na nudez que se revela, Ficando extasiado, eu beijo a tela... Marcos Loures
57
Eu vou morrer de câncer, com certeza. Da fumaça que trago, o caranguejo Fazendo no meu peito este festejo, Encharca em nicotina a tal pureza.
Problema meu, se o corpo assim se lesa, Farta dor e a dispnéia que prevejo A punição perfeita em que eu almejo Purificar minha alma sem defesa.
De todos os amores que eu já tive, De todos os lugares onde estive Eu guardarei somente o teu sorriso.
Embora destas mãos não necessite, Eu peço; minha amada, que acredite, Não quero nem saber de paraíso!
58
Eu vivo em desespero, não consigo Frear um sentimento mais atroz. O sonho que me traga e que persigo, Aos poucos se tornando mais feroz.
Jogando um sentimento na parede, Talvez assim consiga controlar, É mais que meu desejo, sinto sede De ter o teu carinho, meu luar...
Não vejo mais a luz que não me queima Não vejo mais o lume dos teus olhos Não vejo mais a vida que se teima Trazer o sofrimento assim, aos molhos...
Talvez não possa mais sobreviver Sem teu amor, querida o que fazer?
59
Eu vou me expondo assim, num só soneto, Deixando sangrar cada poro meu; Mostrando minha face, quis ateu Mas nada sei, nem sonhos mais prometo.
Voltando ao meu passado, me remeto Ao princípio da noite, mas morreu O que foram as trevas, sinto o breu Tomando cada crime que cometo...
Asmático sentido, me sufoca... Acendo incensos, alma fica quieta, Procura renascer da própria toca...
Mas quem sabe meu pálido caminho, Que se disfarça, a mesa vai completa, Posta sobre toalhas, branco linho... Marcos Loures
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Eu vou devorando árvores, pensares, Pesadelo feroz sem ter limites. Nas montanhas terrenas, cãs solares... Quero sorver demais, meus apetites...
Não consigo levar aos teus altares, Nem as dores perdão, nem meus convites Para transmudar nossos céus, luares, Nem por tantos lugares onde habites...
A minha serenata não tem rima, Minha manhã, jamais renascerá. Minha alma vai descendo, nada estima,
Eu quero simplesmente ir para o mar, Mas se o mar já secou, morte vitima, Não deixando mais nada, nem sonhar. 61
Fazendo os meus caminhos desvalidos O tempo sonegando festa e gala Raivosa a noite imensa em seus bramidos, Num momento cruel, assim me abala,
Dos sonhos e caminhos percorridos, A dor vai aumentando em alta escala, Meus dias vão perdendo os seus sentidos, À dor que me invadiu, nada se iguala.
Quem dera se eu pudesse – esperança. Porém esta saudade é fina lança. Um fogo que nos queima, mais ligeiro
Do amor que tanto quis e nada resta A solidão temível, sorte gesta Saudade me tomando por inteiro... Marcos Loures
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Fazendo o seu altar dentro de mim, Saudade, mesmo atroz é tão querida, Embora tantas vezes dolorida Recorda cada dia de onde eu vim.
Do quanto que eu já tive; chega assim E não deixa distante ou esquecida A sombra da lembrança de outra vida Tomando mansamente o meu jardim...
Imagem da mulher que em fantasia Na silhueta bela e tão esguia Guardada eternamente, jamais muda.
O quanto é necessário perceber Nas rotas da saudade, este prazer Miragem que em tortura, nos ajuda... Marcos Loures
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Fazendo novamente a tentativa De ser bem mais feliz em triste vida. Uma palavra mansa e mais altiva Mostrando ser talvez nossa saída.
Que toda uma tristeza já nos priva Da sorte que queríamos perdida... Mas eis que nos teus braços, alma viva Percebo esta amizade bem vivida.
Querendo adormecer o sofrimento Exalto em cada verso o teu carinho. Depois de percorrido duro vento
Encontro, minha amiga, face a face, Um delicado e doce, tinto vinho, Que ao menos esta dor já se disfarce...
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Fazendo nossa cama de jornais, Deitando mansamente sobre a relva, Tramando nossos sonhos, quero mais, Amor vai embrenhando nossa selva...
Amor vai emprenhando nosso sonho, Amor vai empenhando essa palavra. Amor se emaranhando mais risonho, Amor elaborando cada lavra...
Amor se esparramando pelo mundo, Amor se entrelaçando em nossos braços, Amor se enveredando num segundo Buscando em entrelinhas nossos laços...
Eu faço nosso amor sem embaraço, Nas rendas e nos sonhos, nosso espaço
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Fazendo nossa cama de jornais, Deitando mansamente sobre a relva, Tramando nossos sonhos, quero mais, Amor vai embrenhando nossa selva...
Amor vai emprenhando nosso sonho, Amor vai empenhando essa palavra. Amor se emaranhando mais risonho, Amor elaborando cada lavra...
Amor se esparramando pelo mundo, Amor se entrelaçando em nossos braços, Amor se enveredando num segundo Buscando em entrelinhas nossos laços...
Eu faço nosso amor sem embaraço, Nas rendas e nos sonhos, nosso espaço
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Fazer-te dos meus cantos, galanteios, Versando sobre a luz que nos permita Saber de cada fonte a mais bonita, Descendo o meu olhar sobre teus seios.
O quanto é suscetível cada anseio Encontro a fantasia em tal pepita, O amor quando demais que se repita Deixando o sofrimento vão e alheio.
Retoques com buril nesta escultura Aonde eu pude enfim saber da sorte, Desejo que nos toca e nos depura
Eterna sensação de convergência, Unindo com prazer no mesmo Norte Uníssona canção, bela cadência...
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Fazer os meus sonetos sem algemas, Ariscos pensamentos; não detenho, O gosto do prazer, ledo e ferrenho, Pulula sobre os velhos, mortos temas.
A noite ao desfilar tais diademas, Desnuda o paraíso de onde venho, E sei que na verdade nada tenho, Abortos sonegaram piracemas.
Eu vejo o meu retrato neste espelho E sinto decomposta, a minha imagem. Jamais escutarei qualquer conselho,
Postulo amanhecer que não virá, Falar sem ter segredos, tais bobagens, É tudo o que inda resta, desde já.
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Fazer figuração em tua vida? Perdoe, mas não posso te seguir, A cada novo verso a despedida Impede o coração de prosseguir.
Porém se eu vejo em ti, sinceridade Eu quero mergulhar sem ter bloqueios Sentindo este calor que agora invade Roçar com meus desejos, belos seios...
Tocar a sinfonia dos desejos Ouvindo cada acorde, mansamente, Rondando o Paraíso sem ter pejos, Imerso em teu carinho que envolvente
Permite uma visagem multicor, Do plurifacetário e insano amor... Marcos Loures
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Fazer do nosso amor, delícia em gozo, Numa explosão intensa, vendaval. Amor que a gente faz, sempre gostoso, Teu corpo delicado e sensual.
Recebo o teu querer voluptuoso E peço, novamente tudo igual. Num jogo tão audaz, tempestuoso, Desejo a transbordar, voraz, carnal.
Numa explosão de luzes, chafarizes, Sabemos quanto somos mais felizes Deixando para trás qualquer marasmo.
Sou teu e me lambuzo em teu rocio, Em toda esta loucura eu me vicio Querendo essa delícia a cada orgasmo...
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Fazer do nosso amor uma utopia Fantástica viagem pelo espaço Moldando nossa vida em alegria Eu busco, meu amor o teu abraço.
Acendes dentro em mim a fantasia De um dia ter perfeito cada passo No verso que fazemos, cantoria, Cada palavra aumenta mais o laço
Que é sempre benfazejo e mais profundo, Assim já descobrimos liberdade Voando um sentimento pelo mundo
Nas ondas da esperança duradoura. Quem vive em pleno amor; felicidade; Conhece a perfeição em que se doura... Marcos Loures
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Fazer deste jazigo o meu escudo Calando o coração que já se atreve Estimo a tua face em alva neve E sigo o teu caminho, nunca mudo.
Servil aos teus desejos, não me iludo, O coração soturno não faz greve Por mais que o sofrimento, sonho ceve Mergulho nesta insânia e vou com tudo.
Contudo ainda teimas em não crer No quanto é forte intenso o sentimento. Senhora dos meus dias, meu alento
É quando desfilando o teu prazer, Mesmo que desdenhosa me percebes, Seguindo passo a passo em tuas sebes...
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fazer de teu desejo o meu desejo pleno, roçando em cada beijo tomando o teu veneno,
futuro assim prevejo decerto mais ameno no fogo em relampejo, na chuva e no sereno.
Deitar em tua cama complemente teu meu mundo em tua chama,
fogueiras acendeu, decifro cada trama teu corpo é todo meu... Marcos Loures
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Fazer de nosso amor, uma amizade Aonde o chão permita ter firmeza, Trazendo deste amor fina beleza, E da amizade a calma claridade.
Jamais te ocultarei qualquer verdade, E em cada amanhecer, a sutileza Sabendo dirimir qualquer tristeza E ter acima disto, a lealdade.
Amada, minha amiga companheira, Meus passos procurando amenizar A dura caminhada à derradeira
Montanha que termos que enfrentar. Que a morte, cordilheira inevitável, Demonstre nosso amor, insuperável...
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Fazer de cada noite uma tocaia Aonde nós sejamos fera e caça, Não deixe a saudade enfim nos traia, Pois saiba que este fogo nos realça,
O vento da paixão levanta a saia E mostra em coxas grossas o que se passa Nas nossas aventuras. Na gandaia Eu quero ter teu fogo, ser fumaça...
Amando em tal insânia, combustão, Airosa tempestade sem aceros, Desfazem-se pudores e vergonhas.
Entregas sem limite ou precaução Profundos e profanos, quase feros Os gozos com que eu sonho que tu sonhas... Marcos Loures
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Fazer da poesia uma cachaça Enquanto o tempo passa na janela, O encanto que teu verso me revela E a vida pouco a pouco se esfumaça.
Mineiro coração deseja a praça E a noite no sertão, sempre tão bela Acende uma emoção, dourando a tela O amor de um sonhador mantendo a graça.
Meu verso enferrujado e com artrose, Por mais que a fantasia perca a dose Ainda faz das suas, eu garanto...
Querido companheiro; serenatas, Parecem aos neófitos bravatas A lua se escondeu sob neon manto...
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Fazer da poesia pão e mesa, Sentir o vento forte que virá Trazer com toda sorte, uma surpresa Da vida que renasce desde já.
Os olhos de quem ama e não despreza Faróis nos quais a glória brilhará, Eu quero o teu carinho com destreza Colheita que o amor transformará
Tornando o nosso canto bem mais leve, O verso enamorado já se atreve A ter em multicores um mosaico,
Por mais que os arabescos desenhaste, Beleza faz com dor raro contraste, Traduzes meu escrito em aramaico... Marcos Loures
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Fazer chover é tudo o que mais quero Se a seca dos meus olhos não termina A sorte de uma nova concubina Permite o coração ficar mais fero.
Seria muito bom, sendo sincero Que ainda resistisse fonte e mina, Não quero ser jogado na latrina Tampouco a morte em vida; ainda espero.
Legado que carrego dos meus pais, Angustiosamente em vendavais Tirar dos meus varais as velhas vestes.
Não posso me conter ao ver quão frágil É quem se imaginando arisco ou ágil Não traz sequer os sonhos que me destes...
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Elefante de zoológico em Israel mata companheira esmagada
Fonte G1
Fazer amor! Uma arte, na verdade. Mistura sutileza com carinho, Proporcionando assim, felicidade Do paraíso eu sei, melhor caminho.
Porém quando já traz brutalidade Às vezes vai por outro, mal, caminho. Ser gordo; no prazer duplicidade Mas não dá pra mexer nenhum olhinho...
Eu sei por que pesei mais de cem quilos, Agora estou até bem elegante Já tenho até cintura bem marcada.
Não quero que sejamos, pois pupilos Daquele carinhoso e doce amante Que deixou companheira estraçalhada...
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Fazendo uma alegria ser constante Meu verso te procura vida afora. Se a chuva vai caindo desde agora O sol renascerá em novo instante.
Não tendo mais o riso de um farsante O tempo que virá nos revigora E mesmo sem a lua amor decora A nossa madrugada inebriante.
O verso que dedico ao nosso amor, Tocando com carinho e com vigor As mãos que se procuram mansamente.
Assim que o dia aqueça nosso quarto Ao encontrar meu corpo exposto e farto Decerto irá brilhar mais plenamente. Marcos Loures
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Fazendo toda a festa Debaixo das cobertas Vontade em que se atesta As portas vão abertas.
Abarrotadamente Não temos nem fastio Deitando vorazmente A sossegar o cio
Querendo sem descanso As bocas prometidas. No fogo em que eu avanço Carícias permitidas.
Eu quero esta fogueira Acesa a noite inteira... Marcos Loures
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Fazendo sons agudos pela casa, Caminha a moça tola que não sabe Que toda a poesia já não cabe No rosto que a saudade quer e abrasa.
No quanto a vida às vezes se defasa O sabre do passado antes que acabe Faz toda a serventia que desabe O vento que jamais, voraz, se atrasa.
No quanto amor se faz em desafeto, O cheiro do perfume predileto Ainda penetrando nas narinas...
Seria o que a sereia não será A trama que este canto moldará Das coxas tão roliças das meninas... Marcos Loures
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Fazendo rebrilhar um sonho bom Depois da negra noite em minha vida, Promessa de se ter em novo tom Manhã tão benfazeja ressurgida.
Não sei o quanto tenho que sonhar Tampouco quanto tenho que pedir, O vento que chegando deste mar Não pode na verdade me impedir
De ter um canto amigo e mais liberto Vencendo as ventanias do passado. O passo se promete ser decerto; Mais firme; corajoso e delicado.
O coração outrora tão partido, Nos laços da amizade, decidido!
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Fazendo do vazio, a sorte e lei, Não tenho mais motivos pra sonhar, O tempo em que distante mergulhei Secou completamente todo o mar.
Por mais que tantas vezes naveguei, No fundo nada tenho pra contar, Apenas esquecido, naufraguei, Não tenho mais sequer onde buscar
Um último desejo, um dia manso. Olhar para o passado, quando lanço Demonstra este vazio extenuante.
Fazendo da ironia a minha lança, Sem ter o que sonhar, sem ter lembrança, Sarcástico o meu verso é mais constante. Marcos Loures
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Fazendo do vazio o meu colchão Eu deito uma esperança que não veio, Espalho em meus caminhos tal receio Não vejo mais sequer a viração.
O canto se esqueceu lá no porão Do barco que se fez em puro anseio. O fogo da paixão; jamais ateio Vivendo sem sequer ter subvenção.
À noite muitas vezes me demoro, Olhando para o céu ao qual imploro Apenas um caminho a se mostrar.
Porém o pensamento se desvia E passa a noite inteira em fantasia, Seguindo cada raio do luar. Marcos Loures
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Fazendo do teu modo, do teu jeito, Tu trazes o meu peito todo em festa, Eu vivo, na verdade satisfeito Do quanto que inda tenho e o que me resta Vivendo o que percebo é de direito, Amor quanto em amor amores gesta.
Mecânicas palavras escondidas Em trâmites diversos já percorro As mãos que se mostraram decididas, Prefaciando as luzes e o socorro Mudando num momento as nossas vidas Trazendo mil prazeres; gozo em jorro.
Nos morros da alegria, um alpinista, Encontra a mais sublime e bela vista... Marcos Loures
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Fazendo do prazer, o nosso abrigo, Encontro as feras todas que eu buscava, Vivendo sem limites, vou contigo Viagem que permite intensa lava.
Amor sem servidão pleno em delícias Cativa enquanto fere em beijo e fogo, Vulcânica explosão, loucas sevícias Tomando num momento, o nosso jogo.
Sem rogos, sem temores, mas audaz. Voracidade em fúria desmedida, Do quanto é necessária calma e paz Loucura transtornado a nossa vida.
As noites entre chamas são eternas, Num turbilhão de braços, coxas, pernas. Marcos Loures
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Fazendo do meu verso contraponto Estampo o coração com mágoa e riso Enquanto na verdade não apronto O muito em quase nada sintetizo.
Quebra cabeças, tolo, não remonto Das dores e sorrisos, me imunizo Só peço que tu faças um desconto, Ladrilhos de minha alma aromatizo.
Inclusos, os meus sisos dão trabalho Se eu falho ou se depois não me retalho A culpa no final é sempre minha.
Meu verso sem juízo e sem perdão De todas as loucuras, tradução Nos braços da ilusão, se quer, se aninha... Marcos Loures
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Fazendo do meu peito, batucada; Paixão desembestou ladeira abaixo... Agora quê que faço minha amada, Se meu caminho perco e não mais acho...
Riacho que me trouxe ao teu regato, De fato já perdi, já foi embora... Demora vou perder amor de fato, No fato deste amor achar demora...
Agora se não faço mais um verso Diverso deste tema que me entranha Estranho se por fim ficar disperso Te peço, meu amor, vida tamanha...
Tamanho deste amor? Não sei mais não, Só sei que transbordou meu coração!
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Fazendo do meu peito um turbilhão Antigas mariposas vão libertas, As horas e a paragens são incertas, A luz vai demonstrando a direção.
Fartura que se foi traz negação, Janelas com certeza estão abertas, Porém quando do sonho tu desertas Impedem realmente a solução.
Falenas nesta noite em luz tão vária A cada nova senda temerária Na sede que se faz sem água ou sumo,
Perdidas totalmente em vaga-lumes, Nas tantas sensações, vários perfumes, Levadas pela dor seguem sem rumo. Marcos Loures
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Fazendo do meu canto um instrumento Que dê algum prazer ou alegria, Servindo pr’a quem canta de um alento Trazendo pr’a quem ouve a fantasia.
Meu verso passa a ser um instrumento Que traz dentro de si a sintonia Perfeita e minimiza o sofrimento. Num mundo que bem sei ser utopia
Por isso canto amor, louvo a amizade; Meu canto talvez seja outro retrato Diverso dessa dura realidade.
Desculpe, meu amigo, se isso traz Distâncias entre o sonho e o triste fato. À guerra eu preferi a santa paz...
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Fazendo do canto O meu mensageiro Mergulhando inteiro Sem temor ou pranto
Vou te amando tanto, Sonho verdadeiro, Onde me agiganto Mote derradeiro.
Sorte desejada Na bendita estrada Que me leva ao mar.
Sem te ter, sou nada, Ave machucada Não pode voar...
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Fazendo destes sonhos nossos ninhos Recebo o teu perfume, bela flor. Ao permitir assim os meus caminhos Espalhas sobre todos, puro amor.
De todos os meus medos, descaminhos Matando o coração de um sonhador. Sentindo a mansidão de teus carinhos Encontro um novo rumo, redentor.
Tu sabes quanto eu quero o teu querer E disso faço o verso, encontro o mote. Querendo um novo amor que assim me adote
Eu passo o tempo inteiro a conceber Um sol que me irradie em força tanta Nos laços deste amor que sempre encanta. Marcos Loures
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Fazendo deste sonho, regra e lei Amor, tomando em luz, o pensamento. Aos braços do luar eu me entreguei Roubando a claridade do momento,
Estrelas neste espaço, eu procurei, Poeira no meu peito, toma assento. Depois que tantas vezes vasculhei Encontro nos teus braços bom ungüento
Que cura a solidão, e traz em festa, Amor que em emoção, amor se empresta Num passo mais fecundo e tão conciso.
Vencendo toda a sorte de temores, Estende; em nosso peito raras cores Dizendo ser possível, paraíso. Marcos Loures
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Fazendo deste sonho azul celeste O rito desta glória que me doma, A vida se permite em rara soma No anel feito brilhante que me deste
Que toda esta emoção, amor ateste Quebrando da ilusão forte redoma, Enquanto a poesia não retoma Eu sigo este caminho em que se empreste
O riso mais suave e consistente De todo amanhecer que se pressente A benção que este sonho demonstrou.
Porém sem diamante nem cristal O anel que tu me deste, magistral Apenas frágil vidro, se quebrou...
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Fazendo deste canto, raros sonhos, Aonde possa estar queira ou não queira Quem teme por caminhos mais risonhos Perdendo-se me esquece, derradeira.
Os dias não se alegram, se bisonhos, Vencer desesperança, companheira, Matando tais fantasmas tão medonhos, Trazendo uma amizade por bandeira.
Vencer a dor jamais foi muito fácil, Ainda se mostrar mais calma e grácil Embora estando no olho do tufão
Tarefa pra quem sabe que a verdade Apóia-se em clamor numa amizade, Que enfrenta com certeza, o furacão.. Marcos Loures
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Fazendo deste amor um vencedor Que enfrenta as madrugadas mais sombrias, Tornando as minhas noites menos frias, Entorna nos meus versos, teu calor.
Eu tento aqui dizer deste louvor Que há tanto em bela senda; concebias, Fomento de esperança e de alegrias, Que venho, sem pudores te propor.
Nascendo no meu peito a rosa bela, Tão fascinante lume se revela Nas ânsias desejadas: minha glória.
Vertendo poesia ao caminhar, Derrama em minha cama este luar Na clara sensação de uma vitória...
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Fazendo deste amor a contradança Do verso que forjei em noite clara, A mão que te procura sempre alcança Estrela tão gentil, beleza rara.
Um coração bravio já se amansa E a tempestade trágica enfim pára Quando percebe a luz que agora avança Curando em cicatriz profunda escara
Das dores que tivemos no passado Logradas ao vazio no futuro. Estando, meu amor, vivo ao teu lado
Eu deixo a solidão morrer sozinha, Arar com tanto amor, mesmo em chão duro Colheita proveitosa se avizinha... Marcos Loures
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Fazendo de teu corpo uma miragem Distante do que sempre desejei. Toando sem sentidos, uma viagem Na busca do que tanto procurei.
Recebo de teus olhos a visagem Que, incerto tantas vezes vasculhei. Amar e não fazer mais a bobagem De ser além daquilo que esperei.
Eu te amo, isso não nego, pois sou teu, Tu és o bem que eu quis e me escolheu, Amor assim, perfeito mas arisco,
Depois de tanto tempo não desisto. Valendo assim correr qualquer um risco, Te quero e nesse amor, pra sempre insisto...
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Fazendo de teu corpo um louco altar Que em tantas fantasias já desfruto. Lambendo tua xana devagar, Amor que a gente faz, sincero e puto.
Depois de te lamber à me fartar, Meu dedo te tocando mais astuto, No buraquinho em fogo, preparar Caminho para o falo em riste, bruto.
Requebras, tão faminta os teus quadris, Corcel qual garanhão, fico feliz Batendo com carinho, divina anca,
Penetro até que o gozo venha em festa, Depois de penetrar em cada fresta, Inundo de prazer minha potranca...
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Fazendo da saudade ancoradouro, Eu teimo em perseguir nosso passado, O tempo muita vez alvoroçado, Matando o que pensamos bem vindouro.
O fardo que carregas, teu tesouro, Momento tantas vezes aguardado, Ferrenhas emoções pesam do lado, Ferindo mais profundo o sangradouro.
Versáteis sentimentos, riso e pranto, Avançam sobre nós sem galhardia, Enquanto a noite vaga se esvazia
Eu bebo a valsa feita em desencanto. Legar o que me deste como herança Saudade sem limites sempre avança...
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