
MEUS SONETOS VOLUME 069
Data 11/12/2010 20:16:54 | Tópico: Sonetos
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Eu te agradeço o verso que me fazes Pois sei não ser mosquito, mas queria Tocando tua pele com magia Saber de todo o fogo que tu trazes.
Quem dera se pudesse noutras fases Fazer contigo cada fantasia Além de todo o jogo que eu sabia Carinhos mais ardentes, mais audazes...
A noite em que tu dormes descoberta Queria entrar, amor pela janela Que um dia tu deixaste toda aberta
E ao ver-te seminua assim se explica De forma mais sutil e bem singela: Homem apaixonado... Também pica... Marcos Loures
2
Eu te adoro, não se esqueça Que meu mundo é todo teu, Não saindo da cabeça Teu amor me convenceu
Muito além do que eu mereça, Nos teus braços se perdeu Minha vida que era avessa Encontrou seu apogeu
Todo dia, a cada instante Tua pele fascinante Convidando para o jogo
Feito em paz, feito em loucura, A doença que em cura, Me acalmando com teu fogo...
3
Eu te adoro nas noites mais tranqüilas, Nas horas insensatas. Nas ternuras, Até nos tais venenos quando instilas... Nas fantasias loucas, nas torturas...
Eu te adoro até quando tu me foges E teima em disfarçar teu sentimento. Carrego nossas dores, meus alforjes, Sem medo de enfrentar o duro vento.
Ao redor de teus passos, circundando, Temendo tua ausência, estou contigo Em preces cada vez glorificando As bênçãos de poder ser teu amigo.
Eu quero teu amor, tão displicente, Que invade, o coração, tomando a gente
4
Eu tanto quis fazer você feliz, Porém a sorte foi tão traiçoeira Aquela que eu julgara companheira, O amor que eu tanto tinha, ela não quis.
Levando a minha vida por um triz, Pensando ser a estrela verdadeira Minha alma se entregou. Quer ou não queira De tudo o que restou, só cicatriz.
Ao vê-la noutros braços percebi Que tudo o que eu sonhara estava ali Debaixo dos lençóis da nossa cama
Desnuda, e num sorriso de ironia Perdão pelos seus erros me pedia, Tornando mais cruel, este meu drama...
5
Eu sinto nos teus versos, despedida E não suporto a dor que isto trará, Tu és mais que a razão de minha vida, O sol que eternamente brilhará.
Ao ver minha esperança ressurgida Nos braços de quem, penso mostrará Depois da tempestade uma saída E nunca um manso afeto negará.
Pensei que poderia num momento Dizer que conheci felicidade, Porém do amor ressurge este tormento
Calando o que melhor existe em mim, Talvez só restará, então saudade Da flor que justifica o meu jardim... Marcos Loures
6
Eu sinto este perfume Que exalas, minha amiga, Transformas um queixume Em verso que me abriga.
Não ter sequer ciúme, Da vida que te instiga Amar como costume, Que sempre assim, prossiga.
Eu canto cada dia Com força e com vontade, Sabendo da alegria
Da luminosidade Que cobre a fantasia, Na força da amizade.
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Eu sinto esta alegria tão imensa De ser teu companheiro de viagem, Amar é decifrar cada mensagem E ter depois de tudo, a recompensa
Da paz a qual se quer e a sorte intensa Prevendo em nossa vida a boa aragem Que vem dos olhos meigos sem dar margem À dor que prometera vida tensa.
Amada, não permita que a tristeza Invada nossas sendas, nossos prados, Mantendo estes caminhos demarcados
Por mãos tão carinhosas, na grandeza De um sentimento nobre, encantador, Vislumbro em meu futuro o nosso amor... Marcos Loures
8
Eu sinto essa beleza nos tocando, Das asas dum bom anjo a nos guiar. Aos braços deste arcanjo me entregando Voando em liberdade sobre o mar, Percebo o quanto estou me enamorando Mulher encantadora. Te encontrar
Neste sonho tão lindo que ilumina O dia a dia triste e sem futuro. Amar é descobrir a fonte, a mina, Amaciar um peito que era duro, Comigo neste vôo, uma menina De coração sereno, manso e puro...
Felicidade mora aqui do lado Esquerdo deste peito apaixonado...
9
Eu sinto em nosso sonho, esta vitória Que um dia prometida, agora veio. Entregue a tais momentos nossa história É feita em alegria, sem receio.
O tempo de viver já não se atrasa, Adentro este infinito dentro em ti. Do corpo de quem amo, a minha casa Em total liberdade, eu converti.
A par do que se passa em nossa vida, Eu sigo sempre em frente e não descanso. E tendo em pleno amor, minha guarida, Felicidade extrema; agora alcanço.
Eu sei do quanto eu pude do universo Saber a cada frase, em cada verso...
10
Eu sinto em minhas mãos já se esvaindo O que restou do amor que se perdeu. O que eu julgara ser decerto infindo, Em lágrimas, tristonho, esvaeceu.
Amarga; a negra noite me cobrindo, Recordo deste sonho meu e teu, Um momento magnífico, tão lindo, Distante deste olhar, cedo morreu.
As horas de alegria? Quem me dera... Inverna sobre a antiga primavera, O frio vem chegando vorazmente.
O bem que assim tivemos, destruído A vida já não faz qualquer sentido, O fim da bela história se pressente... Marcos Loures
11
Eu sinto em mãos macias, belas fadas Roçando a minha pele, mil desejos. As emoções agora anunciadas Sentidos e quereres mais sobejos. Nos beijos e carícias, madrugadas Passando entre loucuras e lampejos.
Teu corpo, a mais divina catedral, Nas preces e delírios, fonte e gozo. Satélite que vaga pelo astral Num ritmo desvairado e caprichoso, Amor que nos invade, magistral Delito que se faz, tempestuoso.
Nas pétalas dos sonhos multicores, Estrelas espiando belas flores... Marcos Loures
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Eu sinto cada beijo incrustado na pele Incandescentemente o corpo em fogaréu Ao máximo prazer a vontade compele Abrindo num momento o caminho pro céu.
Permita que meu rumo ao teu; amor atrele E guie cada passo em sonho mais fiel Que toda uma esperança assim já revele Na ardente sensação da vida feita em mel.
Nos versos que eu te faço, um símbolo de glória Rondando a minha vida, altera a minha história E trama um infinito em lábios sequiosos
Sabendo deste amor, dias maravilhosos Em mágica palavra – amor – a sorte alcança A força sem igual da vida em esperança.
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Eu sinto a tua falta e jamais nego O quanto és importante para mim. Um sentimento nobre que carrego Garante o florescer deste jardim
No verso e na palavra que eu emprego, Certeza deste amor que sei sem fim, Nos sonhos mais felizes que navego, O porto da alegria encontro enfim
Depois de ter vencido tempestades, Antigas armadilhas da esperança, Contigo retornei a ser criança,
Rompendo da tristeza, velhas grades, Agora a liberdade eu já farejo, Tocado pelas luzes do desejo...
14
Eu sinto a cada dia mais saudade Dos lábios tão gostosos da morena, Vivendo a cada dia, ansiedade De poder reviver divina cena Amar e ser feliz: realidade Crivando nossa vida em luz amena.
Menina que desejo tanto, tanto, Estrela que me guia pela vida; Tomado totalmente, em teu encanto Percebo a sorte imensa concebida, Vencendo qualquer dor, cruel quebranto, A sorte se mostrando resolvida.
Assim, ao encontrar tuas pegadas, Eu sinto em mãos macias, belas fadas... Marcos Loures
15
Eu sigo meu caminho sobre a terra Um viajante lúdico e idiota, Mentira a cada dia mais emperra Deixando sem destino a minha frota.
A paz já se mostrando tão remota; Na morte este tormento enfim se encerra. Do farto sofrimento alma se lota, Escombros que deixei imerso em guerra.
Os versos que ora faço são retratos Daquilo que vivi. Se ainda oculto Verdade sob as máscaras de um vulto
Que canta a fantasia. Quebro os pratos E jogo sobre a mesa a realidade, Bradando, finalmente: LIBERDADE!
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Eu sigo cada rastro que tu deixas Estrela que se deita sobre o mar, Nos sonhos que trouxeram outras gueixas Mergulho, simplesmente, e quero amar.
Não ouço mais antigas, duras queixas Pois tenho com quem possa já contar, Entendo meu amor quando tu queixas Se o pensamente eu deixo divagar
Mas volto a mais sublime realidade E sei que em tanto amor que agora invade Está decerto a sorte perseguida.
E vamos, sem temores mundo afora, Já tendo uma alegria que se aflora Seguimos pareados pela vida. Marcos Loures
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Eu sempre que te vejo, rutilante, Horizontes abertos, tardes claras... Um manto languescente, minha amante, Trazendo pr’este céu as cores raras..
A vida se deslinda, neste instante. Constelações divinas, jóias caras, Elevam-se qual flor mais deslumbrante... Espaços siderais, belas tiaras...
Magistral plenilúnio sobre o mar! Olhos estonteantes, lírios alvos... Estradas radiosas, caminhar...
No delta dos amores, milagrosas E divinas mãos, sobre montes calvos, Milhares e milhares, tantas as rosas...
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Eu sempre irei te amar, a vida inteira A cada novo dia, bem mais forte. Paixão que nos tomou, tão verdadeira Encerra em seus propósitos a sorte
Tomada em poesia alvissareira Num sentimento imenso e de tal porte Que nem mesmo a saudade feiticeira Promove em amargor insano corte.
Eu vivo nosso amor de cada dia Bendito e feito em luz que não se apaga. Curando totalmente qualquer chaga
Moldando em quadro raro a fantasia Uma escultura feita em mármol belo, Amor que tanto sinto e te revelo... Marcos Loures
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Eu sempre irei estar bem junto a ti, Em tantas tempestades e procelas. Ao ver o teu olhar reconheci Meu barco no teu cais, tu me revelas
O mundo que sonhara para mim, Numa alegria intensa e tão suave. Tu és o meu princípio, meio e fim, A vida do teu lado, sem entrave.
Serei bem mais que amor, o teu amigo. Aquele em que tu podes confiar. E na calamidade, teu abrigo, O colo onde tu podes repousar...
Por isso minha amiga, minha amada, Seguimos braços dados, nessa estrada...
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Eu sempre irei amar-te, não duvide, Não desse amor tão frágil pois finito. Amor que nasce amor de amor incide E forja um novo amor bem mais bonito.
Que não cobrando nada, tudo faz, Que não pedindo culpa, se permite. Amor que não termina sem ter paz E sabe que na vida não se omite.
Amor tão corriqueiro, pois sereno, Recebe uma outra vida sem ser dono. Vivendo deste amor, cadê veneno? Pior que desamor num abandono...
Te quero minha amiga, não desisto, Amor que sangra amor, tanto eu insisto...
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Eu sempre hei de adorar doce melado Que é feito da garapa que adocica... Deste aguardente todo me embriago E bebo nosso amor, profuso em bica...
Suores nos salgando, no calor Desta batalha imensa que não finda. Vivendo a plenitude deste amor Na tarde apaixonante de tão linda...
Lambuzo deste mel, meu paraíso; Da abelha desejada, seu zangão, Tu pensas que prazer; economizo? Tu sabes meu amor; resposta: não!
Na louca fantasia que vicia Te bebo e me embriago de alegria!
22
Eu sempre fui pacato cidadão Perambulando à toa pelas ruas, Sem ter qualquer poder de sedução Néons sempre ocultando sóis e luas.
Numa interna fornalha, o meu vulcão Dormita nas verdades duras, cruas, Constante caminheiro. A negação Morrendo entre revistas, cenas nuas.
Até que tu vieste e num rompante, Tomando este cenário ao mesmo instante Em que tu derramavas tanto charme.
Como se fosse pólvora, tocaste Ardência faz agora este contraste Tocando da esperança, um louco alarme... Marcos Loures
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Eu sempre adorarei o belo mar, Distante de meus olhos, mar sagrado... Nos ventos que me levam, sem parar; Destino marinheiro; ventos, fado...
Eu sempre te amarei, concreto amor. De tantas tempestades e bonanças. Naufrágios, calmarias, de terror Vertendo nos abismos, esperanças...
Nos braços formidáveis e discretos, Concertos e sereias, vou inteiro. Meus sonhos, albatrozes prediletos, Mergulho totalmente, timoneiro...
O mar se misturando na amplidão, Embarco os olhos, braços, coração!
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Eu sem você não tenho mais nem sonhos Distante, vou morrendo pouco a pouco. Os dias sem você não são risonhos, Eu sem você, querida, fico louco.
De tudo o que eu quisera; nada resta. A vida sem sentidos; seco o mar A noite segue fria. O medo infesta, E morro aqui sozinho, devagar...
Eu sem você, não tenho mais nem versos, A sorte que eu sonhara; já perdi, Os lábios que inda beijo, tão perversos, Apenas a tristeza mora aqui.
Eu sem você... Somente a morte vem... Pois, sem você, jamais serei alguém... Marcos Loures
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Eu sei, não percebeste o quanto quero E aguardo ansiosamente quando vens, Por mais que te pareço amargo e fero, Apenas sonhador que perdeu trens
No encanto de teu canto eu me tempero E sei desta magia que tu tens, Idílio qual pintou outrora Homero Em teus lábios minha Ítaca, meus bens...
Mas foges, não sei mesmo nem porque. Talvez meu canto seja bem mais pobre Do que a bel poesia que recobre
A tua imagem bela e tão distante. Procuro uma resposta, mas cadê? Dançarmos juntos. Sonho fascinante! Marcos Loures
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Eu sei querida amiga o quanto dói A solidão em noite sem estrelas. As rotas do desejo, sem podê-las A vida num segundo se corrói.
Somente uma amizade em si constrói Estradas deslumbrantes e mais belas. Entendo cada sonho em que revelas Vontades sem limites. A vida mói
Sem ter nenhuma pena quem não luta, Mas tantas vezes vamos solitários Batalhas que se fazem, tantos páreos
Nos quais a dor se mostra em força bruta. Porém ao lapidar o sentimento, A força da amizade ganha tento...
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Eu sei que, burocrático, não trago Um ar de sedução que te conquiste. Andando meramente,frio ou triste, A voz sem sentimento, eu não embargo.
Embarco em qualquer porto algum afago Nem mesmo uma alegria falsa assiste À cena de um estúpido que insiste Na luta por um verso calmo e mago.
Gravatas da esperança, dei um nó, Vagando tão somente frágil, só Ao pó retornarei, mas não agora
Que tenho compromisso inadiável, Se o caso fosse enfim afiançável Eu não teria urgência de ir embora... Marcos Loures
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Eu sei que vou te amar a vida inteira Vencendo as tempestades que virão; Num descompasso imenso, esta paixão Se mostra bem mais plena e verdadeira
Por mais que esta tormenta nunca queira Mais fortes os poderes da emoção Que invada a nossa vida a sensação De toda boa sorte alvissareira.
Eu quero ser teu sol, ser tua lua. Derramar meu querer que não se acaba, Vivermos na cabana, choça ou taba,
Pouco importa, mas venha, amada, nua Não deixe mais o medo nos tocar, E faça de meu corpo o teu altar
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Eu sei que vou seguir o meu destino Buscando outras estrelas, novo céu. Do amor feito ilusão, um carrossel Que tento muita vez, mas não domino.
O velho coração se faz menino, Galopa a fantasia, meu corcel, À noite, a lua trama um alvo véu, Sentenças de saudade, insano, assino.
Depois de certo tempo, nada tendo, Segredos de um amor, tolo, desvendo, Perdido pelas ruas, torpes passos.
Revejo o teu retrato na algibeira, A noite se entristece. Alma ligeira Correndo sem pensar para os teus braços...
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Eu sei que tudo passa nesta vida, E a lágrima pressente a calmaria, Porém minha alma tola, entorpecida Aguarda inutilmente a fantasia
Que possa enfim tornar suave a lida A estrela mais distante, a que me guia, Trazendo a solidão da triste ermida Guardada em cada verso ou poesia.
Quem dera decifrar os teus sinais, Pudesse navegar teus infinitos, Os dias poderiam ser bonitos
Meus cantos não seriam tão banais... Mas quando me preparo para o sonho, A dura realidade; recomponho...
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Eu sei que tu completas mais um ano, E peço-te perdão por não poder Trazer o peito aberto sem engano, Pois vivo tão somente por viver.
Não tendo nos meus dias algum plano Que possa novamente fazer ver Que o mundo se mostrando mais humano Permite, na verdade o bem querer.
Mas venho neste teu aniversário Mostrar meus olhos tristes, embaçados, Um velho sentimento temerário
Guardado nas gavetas dos meus sonhos, Permite que se lance novos dados, E os dias poderão ser mais risonhos...
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Eu sinto que já vais; amor, partir. Deixando na minha alma tal perfume Que sempre desejei, a ti, pedir; Embora me causasse mais ciúme.
Não deixe de lembrar dos nossos beijos Roubados sem sequer pedir licença. Sabendo dos meus loucos, vãos desejos, Espero que me guarde a recompensa
Da boca mais sublime que beijei, Dos seios mais formosos que já vi. O tempo que quiser, esperarei, Decerto, meu amor, estou aqui.
Anseio tua volta sem demora, Te peço enfim querida, vem agora!
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Eu sinto que estás triste; bela moça Também sinto a amargura me tomando. Às vezes o amor parece louça E quebra num segundo, maltratando.
O vento da saudade que me roça Depois de certo tempo se mostrando Na tempestade imensa ganha força E tudo, num segundo desabando...
No teu jardim percebo a soledade Depois que terminamos o romance. Quem sabe no futuro alguma chance
Demonstre o renascer da claridade, Pois saiba que ao me separar de ti, Também em solidão, eu me perdi...
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Eu sinto que aqui estás e sem perguntas Vasculho cada canto desta casa. As almas que caminham sempre juntas Perfilam sentimento que me abrasa
Não somos efemérides, tampouco Podemos ser eternos, mas buscamos Por mais que o mundo seja insano e louco, Já não permitiremos servos e amos.
Permutas que garantem a fartura, Sem lutas ou batalhas, fluem calmos Não sendo necessária qualquer jura Louvando o que sentimos; tantos salmos.
Tu tomas minhas mãos e pareados Supremos patamares alcançados...
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Eu sinto o teu perfume; empesta o ar Com ânsias e volúpias sensuais. Vontade de beber e te tragar Com gosto de querer sempre demais...
Lambendo o teu desejo salgo o mar Desnudo tua pele e caço o cais Onde talvez pudesse naufragar O barco de meus sonhos, noite traz...
Tão quieto; não escuto a minha voz, Decolo abro meus braços, te farejo; Na sombra deste vôo, um albatroz
Tomando o camarote onde tu deitas. Vagueio mansamente o teu desejo E sinto em teu prazer quanto deleitas...
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Eu sinto o teu perfume nesta carta Que me mandaste amor, em despedida, Dizendo-me que estavas já bem farta De ter que repartir, comigo, a vida... Mas saiba que minha alma não descarta Nem vê a nossa história assim perdida, Antes de tu saíres, não reparta Uma emoção que sabes tão sentida. Não respondo esta carta com promessas, Apenas eu te espero e nada mais; Depois de termos tido tais conversas Quero a tua presença em minha cama, Sabendo; não te esquecerei jamais, Ainda permanece acesa a chama!
37
Eu sinto o teu perfume junto a mim, Trazendo a primavera que eu sonhei. Brotando com desejo em meu jardim A flor que em toda a vida eu desejei.
Teu lábio em maciez, puro carmim, A boca mais gostosa que beijei. Ascende o teu aroma e chega enfim Tal qual um dia amor, imaginei.
Corcel em que cavalgas teu prazer Em mil vontades todas satisfeitas A cama em todo novo amanhecer
Cobertas e lençóis, aonde deitas Guardando o teu perfume, passo a ver As formas delicadas e perfeitas...
38
Eu sinto o teu olhar tocando o meu E penetrando intenso num segundo, Meu mundo nos teus olhos se perdeu, Num sentimento imenso e tão profundo...
Entrego-me aos teus braços e sou teu, De toda essa beleza eu já me inundo E cedo ao meu desejo; louco, ateu. Seguindo este farol, percorro o mundo...
Num tempo tão pequeno, eu me entreguei, Não vejo nada mais, nem quero nada, Só quero o teu amor onde encontrei
O sonho que eu julgara abandonado E digo, simplesmente, minha amada, Me perco em teu olhar, extasiado...
39
Eu sinto o seu sonhar dentro do sonho Que não me canso nunca de sonhar, Delírio torna o sonho mais risonho Numa vontade louca de encontrar.
Sorriso está chamando e lhe proponho Sem medo e sem juízo quero estar Pois fechando os meus olhos já me ponho Sem ter sequer vontade de acordar...
No quarto, a persiana filtra o sol Mas sinto um leve vento como um beijo Meu corpo se estremece. Um girassol
Cada vez mais cativo. Seu sorriso... Sentindo neste vento o meu desejo, Que trama nesse sonho, o paraíso...
40
Eu sinto o quanto quero cada toque No extasiante jogo prometido. No delicado aroma, novo enfoque Do jogo em que jamais houve um vencido.
Contigo irei seguir quando quiseres O quanto que desejas, estou pronto. Na mesa, a fina prata dos talheres, Estrelas infinitas, milhões conto.
Eternidade apenas num momento, Um sonho alvissareiro, jogo aberto, Que o tempo passe calmo, manso e lento, Tua presença mágica, por perto.
Seguindo a lua imensa, claro trilho, De todo o teu prazer, eu compartilho...
41
Eu recebi respostas pelo vento, Dessas indagações, que um dia, eu fiz. Por onde surgirá contentamento, Qual o momento, enfim, de ser feliz.
Para onde irá, depois, o esquecimento, Minha alma, de tormentos, meretriz, Na soma, diminui meu pensamento, Vivendo, vou morrendo por um triz...
O vento percebendo tanto medo, Respondeu-me, temendo minha dor, Ao fim de tudo, sabe meu segredo,
Traz no sopro o saber caminhador; De quem viveu, outrora, no degredo, As respostas? O vento já levou...
42
Eu sei que não fui feito pra te dar O mundo que mereces, meu amor. Estrela que se fez neste luar Rompendo toda a noite em esplendor. Só trago uma esperança em meu olhar, Bem sei que sou somente um sonhador...
Um resto que caminha pelas ruas, Nos bares, nos botecos, aguardentes... Enquanto em pleno brilho continuas, Sorrisos, lábios, olhos, envolventes. No palco desta vida, amor; atuas São tuas minhas horas mais prementes...
Eu te amo e ninguém pode censurar, O chão, mesmo que em sombra, vê luar...
43
Eu sei que isso parece babaquice Mas tudo o que me falas, não mais ouço O quanto deste amor diz calabouço Embaça esta visão conforme eu disse.
A casa vai caindo sem embolso E tudo o que vier, idiotice, Qual fosse um vascaíno que de vice Encheu tanto seu saco quanto o bolso.
Triscando esta parede, caí longe, Não quero mais posar de santo ou monge Prefiro a sacanagem se bem feita.
Cansado de bancar ingênuo, otário Eu quero que se dane amor diário, A bela meretriz, minha alma aceita...
44
Eu sei que isso jamais devia ter Esta conotação falsa e mendiga, Por mais que a fantasia dê prazer Verdade quando chega desabriga.
A fonte não se deu para beber Cansei de confusões, não quero briga, Nem mesmo outro caminho eu posso ver Estrada desmorona; velha e antiga.
O príncipe morreu sem ser ministro, O sonho é pesadelo mais sinistro, Estóico; não acendo este estopim.
Heróico? Não cobrei nada de mim Tampouco não suporto quem já cobra, Nunca me contentei com resto ou sobra...
42
Eu sei que irei te amar sem ter medidas Nem medo de dizer das maravilhas Que deixas quando passas pelas trilhas Dos sonhos sem pudor ou despedidas...
As velhas esperanças; já perdidas, Encontram nos teus braços raras ilhas, Distante das tristezas, armadilhas, Estar contigo sempre em tantas vidas...
Escrevendo teu nome com meu sangue, Enxugas meu pranto bebo o sumo Do amor que sendo nexo, meta e rumo
Afaste o meu caminho deste mangue Terrível da indigesta solidão Jogando-me nos braços da paixão...
43
Eu sei que irei te amar eternamente, E nada mais pergunto nem afirmo, O mundo que te quero, totalmente Imerso em tal verdade, que confirmo...
De tudo me defende, nosso amor, De todas as besteiras que já fiz. O sonho do desejo sem pudor Deitando em nossa cama se prediz.
Não te quero pudica nem esquiva, Eu quero cada gota de prazer. A noite que vivemos, sempre viva, Coberta da vontade de te ter.
Não sabes, mas eu quero a tua sorte, Ser teu até chegar a nossa morte.
44
Eu sei que irão falar, mas eu não ligo. A moça que hoje trago no meu peito, No sonho em que audaz eu me deleito, Há tempos faz da noite o seu abrigo.
Às vezes te parece quero amigo Que a vida se perdeu e não tem jeito, Mas vivo desta forma satisfeito, Não temo qualquer tipo de castigo.
Das rondas pela negra madrugada, Bebendo na sarjeta da esperança Um pária sem destino logo alcança
A imagem da mulher já consagrada Num ato de loucura, insânia ou fé Nos bares, nos motéis, num cabaré... 45
Eu sei que eternamente irei te amar e assim nós viveremos cada dia imersos nestes versos, poesia um sonho tão gostoso de provar...
Nas asas do desejo, te encontrar, do mel de tua boca que escorria, beber até que um dia, a me fartar, em meio a tais vontades, na magia
eu me tornar, contigo um uno ser siameses acoplados, gemelares, unidos para sempre, eternidade...
Assim, quando isso – amada,acontecer, iremos viajar por mil lugares, e enfim iremos ser felicidade...
46
Eu sei que estou no lucro, sobrevivo Ao velho vendaval chamado amor. Das farpas tento audaz, fazer louvor Mantendo o coração bem mais altivo.
Se muitas vezes, tolo já me privo Do gozo tão cruel e encantador, Eu venho novamente recompor O mundo pelo qual ainda vivo.
Em cântaros minha alma se desfaz, Ao mordiscar tal isca, sou voraz Esgarço-me em pedaços, mas não ligo.
Letárgica manhã que se anuncia, Nos braços da morena, esta alquimia Que há tempos necessito: amor amigo.. Marcos Loures
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Eu sei que estou bem velho pra você, Mas saiba que lhe quero noite e dia, Às vezes me pergunto: Mas por quê? Não posso ter no mundo uma alegria... Morena como eu quero o seu querer, Desculpe-me bem sei que não me quer, Eu quero do seu lado, amor, viver Depressa! Venha ser minha mulher! Ao ver como estou velho me pergunto, Por que quê o coração é de menino? Se os dois envelhecessem sempre junto Talvez eu não sofresse o desatino... No tempo de rapaz eu nem pensava... Eu juro! O seu amor não me escapava!
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Eu sei que este meu canto se perdeu. Tu nada ouviste... Louco te busquei Querendo te encontrar. Inda sou teu... Só sinto que também, amor, errei
Ao crer que o mundo inteiro fosse meu. Na dura realidade, a triste lei Depois da claridade, vem o breu. Só quero que tu saibas: eu te amei!
As horas se passando, não te vejo; Procuro por teus olhos... Onde estás? A morte solitária que prevejo
Em tristes ilusões eu me perdi... Toda a força deste amor que, sei, demais, Somente, minha amada, encontro em ti.
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Eu sei que estás comigo em cada verso, Amada companheira; quanto eu quero; Viver esta alegria, e ser sincero Deitando uma esperança no universo
Distantes de um destino, antes perverso Mas que encontra a certeza que venero Do gosto delicado aonde espero Unir contigo um sonho mais diverso.
Não temo um só momento pela dor Pois sei que contarei sempre contigo Trazendo com nobreza, e com sabor
O braço em que me apóio, tão amigo, Por isso vou cantando sem temor, Pois sei que existe em ti, um doce abrigo...
6850
Eu sei que é inevitável nosso caso, Que seja belo assim e enfim perdure, Do vigilante sonho que nos cure Até o gran finale, num ocaso.
Não quero mais saber se existe prazo, Nem mesmo a fantasia que perjure, A rocha sabe da água que a perfure. Até se chegar tarde louva atraso.
O vaso não se quebra, pois eterno, Completamente teu, busco ser terno, O terno amarrotado, roupas soltas,
Ouvindo este marulho anunciando, Sereia deseja está chegando Mesmo que as ondas sejam tão revoltas...
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Eu sei que é chegada a hora de partir, Devolvo as ilusões que te roubei, O quanto com certeza; muito errei, Sem ter nada que possa repartir,
Deitando sobre pregos, um faquir, Que tantas vezes nega qualquer lei, No imenso pesadelo me entranhei Matando cada sonho que há por vir.
Chegar ao fim de tudo e nada ter, Sequer o gozo falso de um prazer Vendido como amarga guloseima.
É ter as mãos vazias; nada além Enquanto a solidão terrível vem, O velho coração ainda teima
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Eu sei que dois bicudos não se beijam Tampouco o que era doce já se acaba Enquanto a nossa vida assim desaba, Os olhos que se buscam, vãos, se aleijam.
Em polvorosa loucos se desejam Reviram num delírio a velha taba Engabelando a sorte, a noite braba Impedem que os fantasmas queiram, vejam.
Mas nada do que temos no passado Impedirá futuro que queremos. Por isso, com fartura celebremos
O que virá embora defasado. As fases deste amor são sempre assim, Morrendo renascendo, flor jardim... Marcos Loures
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Eu sei que amar demais é sucumbir Aos devaneios loucos da paixão. Que vem ao mesmo tempo destruir E nos trazer um sonho em construção. Amar demais é ter que prosseguir Temendo que a resposta seja não. Ouvir a voz do vento e repetir As notas tão errantes da canção Que faz de uma loucura, sensatez, Não pensa e já mergulha num vazio Perder-se sem sentido de uma vez Ao mesmo tempo exclui, às vezes some, Amar demais: morrer em louco cio, Depois sem ter ninguém, morrer de fome...
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Eu sei que a chuva forte desabriga Quem não souber que a vida compartilha Criada entre nós dois a firme liga Permite caminharmos qualquer trilha. No amor que nos uniu; amada amiga, Depois da tempestade a maravilha.
A vida se renova a cada afã E deixa que se possa perceber Na luz que nos tomando na manhã Um novo e mais intenso alvorecer, Não deixe que esta luz pereça; vã, É nela que encontramos o poder.
Amar e ser feliz tranquilamente, Andando lado a lado se pressente... Marcos Loures
55
Eu sei quanto valor Uma amizade tem. Revigorando a flor Trazendo imenso bem,
Envolve em puro amor Quando a tristeza vem Aquece em bom calor E nunca fica aquém
Do que já se queria De quem a gente sabe Que mostra uma alegria
Tão grande que não cabe. Eu rezo todo dia Pra que ela nunca acabe...
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Eu sei quanto tu fazes já de tonta Falando deste amor que tu não sentes, A faca que carrego entre meus dentes No fundo ainda guarda a dor na ponta.
Enquanto a fantasia desaponta, Percebo que não sabes quando mentes. Vontades disfarçadas, entrementes, Vivendo tão somente um faz-de-conta.
O teu amor partiu há tanto tempo, Não quero ser somente um passatempo, Sequer um contratempo em tua vida.
Não deixe que ilusão tome teu barco, O amor que tu me dizes, pouco e parco, Não pegará minha alma distraída... Marcos Loures
57
Eu sei quanto o cigarro prejudica E traz este mau cheiro insuportável. Porém aqui vou dando a ti a dica, Por mais que este futum seja intragável
Há coisa bem pior, isso eu não nego, O cheiro do suor, vulgo cecê, O pum que foi dado, eu não entrego, O cheiro vem do lado de você;
O bafo de cachaça e de cerveja, O cheiro do banheiro do boteco, Depende do lugar onde se esteja
Melhor o cigarrinho. Eu vou contar, Eu falo e nem preciso repeteco, Nem mesmo com um frasco de bom ar!
58
Eu sei quanto é preciso Viver um louco amor, Que mostre, sedutor, Um céu onde matizo
Meu verso em tal calor, Que seja mais conciso, Vencendo o vencedor, Abrindo o paraíso...
Eu sei que necessito Da boca carmesim, Num sonho mais bonito,
Que trago dentro em mim, Levando ao infinito, Amor que não tem fim...
59
Eu sei quanto é preciso que se tenha Alguém com quem possamos dividir A dor, assim a noite chegue e venha Trazendo em sofrimento o que há de vir.
Não há sequer um dique que o contenha, Apenas na amizade, o repartir, Palavra que se mostra a santa senha Que pode por instantes impedir
A dura realidade que se impõe A quem não tem, decerto em seu amigo Certeza de que possa, no perigo
Contar com todo apoio que supõe. Amigos que só chegam na bonança Merecem, por acaso, confiança?
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Eu Sei quanto é possível ser feliz Apenas com palavras mentirosas. Não tendo nem metade do que eu quis, Ao ver tantos espinhos, creio rosas.
Do quanto são deveras caprichosas As flores que enganaram meu nariz Embora tantas cores tão vistosas, A moça não passou de meretriz.
Inquisidor, o velho coração, Por vezes sonha lebre e compra gato. Depois, sem ter desculpas pago o pato
Sem rumo ainda atiro o meu arpão. E o preço que se paga? Solidão, E a mesma gororoba no meu prato...
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Eu sei dos meus defeitos, companheiro, Eu sei como é difícil conviver Com quem tanto te cobra, o tempo inteiro, E quase nada tenta oferecer...
Eu faço de meu mundo, todo o mundo, Na sensação terrível do egoísmo; Não deixo de pedir, cada segundo, Neste total individualismo.
Amigo, como podes me aturar? Se muita vez, eu mesmo não suporto. Não deixo de querer sempre aportar Nas águas sempre calmas do teu porto...
Conheces meus defeitos, não reclamas; Além, muito além, sinto amigo, me amas!
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Eu sei da promessa Que a vida nos fez, Amar sem ter pressa, Manter sensatez.
A sorte dispersa, Quimera da vez, Deixando a conversa Com muita altivez.
Mas sinto o perfume Que a rosa exalou, Distante o queixume,
Foi o que me sobrou, Amiga, um ciúme, Tanto maltratou...
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Eu se soubesse deste meu tormento Nunca iria tentar sobreviver Às angústias que trazem meu viver Minha vida tornou-se um sofrimento...
Quem sabe; ser feliz por um momento, E depois disso tudo se esquecer... É como numa estrada se perder Sabendo do final, pressentimento...
Não deixe que esta lua se desfaça, De mim, a solidão quer a carcaça. Meus dias são ferozes, torturantes...
É claro que não quero essa quimera, A vida se demonstra torpe fera. Quem dera se soubesse já bem antes! Marcos Loures
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Eu rolo a noite inteira; insatisfeito, Beijando os meus escombros, bebo e lambo O veio que se explode no meu peito, Sorrindo do que resta, um vil molambo.
Escambos que fizemos no passado, Estragos provocados por granizos. No quanto de ironia é demarcado O dia que vivemos sem juízos.
Transito entre as estrelas decadentes, Espelho o quanto em nada já criei. Não quero saber tráfego entrementes, Meu barco noutro cais eu ancorei.
Olhar se transformando, catatônico, Amor vai prosseguindo, assim, agônico... Marcos Loures
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Eu recordo das noites que passamos Depois de tanto tempo enamorados, De todo este carinho desfrutamos, Estávamos enfim, apaixonados...
Pois amor nunca admite servos, amos, E logo, sem saber, tão enganados, De tudo o que vivemos e sonhamos, Sem ter sequer segredos revelados.
O tempo soberano e passageiro Desfez aos poucos tudo que amor fez, E um sentimento puro e verdadeiro
Morreu nas mãos de minha insensatez. Agora, meu amigo e companheiro, Somente a solidão tem sua vez...
66 Eu sei que tanto amei em minha vida, Não vou me envergonhar. Eu tenho orgulho De ter do mar além de seu marulho A glória em fartas ondas recebida.
Não guardo em amargura o pedregulho Que faz da sorte em mágoas, tão curtida, Levando uma tristeza de vencida, Não vou colecionar resto ou entulho.
Imbróglios e borrascas, confusões, Não ando tão somente nos porões Embora saiba vê-los sem temor.
Partos mal-sucedidos da esperança Sorrisos de ironia são vingança Dos tais abutres – sórdidos – do amor...
67
Eu sei que tantas vezes sou mesquinho Usando de total sinceridade Enquanto não viver felicidade Eu quero mais distante amor e ninho.
Prefiro caminhar sempre sozinho, Apenas carregando a liberdade Rompendo qualquer forma de vil grade Que possa me impedir, sou passarinho.
Não tenho vocação pra sofredor, Nem mesmo sonhador,sou ato falho, Eu não suporto ser penduricalho
Daquela a quem previ tivesse amor. Cavalo sem destino num galope Invés de fantasia eu peço um chope.
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Eu sei que quem desdenha quer comprar, Por isso não a quero. Paciência. Fingindo ter pureza ou inocência A moça não se cansa de encantar.
De mim ela não quer ouvir falar, Nem mesmo que eu suplique por clemência Cansado desta amarga penitência, Noutro poleiro, eu quero e vou cantar.
Por mais que seja bela e tão formosa, Deliciosamente assim cheirosa, A rosa tem decerto algum espinho.
Procuro ver de perto se há defeito, Porém pra não me dar por satisfeito, Na ponta do dedão tem um calinho... Marcos Loures
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Eu sei que quando falas no meu nome Uma saudade bate lá no fundo... A nossa cicatriz nunca mais some, O corte foi cruel e mais profundo... Por mais que uma certeza já te tome, Esquece, e me recordas num segundo. A noite em solidão sempre consome Não há lugar pra ti, no imenso mundo... Querida estou aqui, pensando nisso, Da flor que sem querer, perdeu o viço, Nos olhos tão vazios sem ninguém... Amada espero a volta deste amor, Que foi neste jardim, mais bela flor, Te peço, meu amor. Agora... Vem!
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Eu sei que o ser humano é uma bosta, Mas teimo em ter alguma fantasia, Não quero fazer parte desta aposta Aonde uma esperança se recria.
Tem gente que da fera ainda gosta E tenta decifrar uma harmonia Distante da verdade que se encosta Na podridão, real supremacia...
Mentiras e falácias, povo merda, Hiberna sobre as costas, nada vê. Procuro uma amizade, mas cadê?
Colecionando assim, a eterna perda Marcada nas divinas confrarias, Das velhas costumeiras putarias... Marcos Loures
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Eu sei que não mereço Porém peço perdão Rezando o mesmo terço Escondo-me em porão
Moldando o meu tropeço Em nova escravidão Fornalha onde me aqueço Não tem mais direção.
Sou vago, ermo e vadio Remédios nem teria Porém se tanto esfrio
Versando em ironia Amigo, em vão, vazio Termino mais um dia...
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Expressa nosso jogo, agora ganho, O riso sempre franco nos teus lábios Nas águas mais tranqüilas eu me banho Sem rumo, timoneiro ou astrolábios.
São sábios os desígnios de quem deixa O encanto feito amor nos comandar. Roçando em minha pele uma madeixa Sem pressa faz o gozo se aflorar.
Tocando em maciez como um tentáculo As mãos encontram cais, perfeito abrigo, Gerando em divindade este espetáculo Exprime todo encanto que eu persigo.
Na senda deste amor tal claridade, Verdeja em nosso peito, a liberdade...
73
Expressa o meu desejo sempre audaz A doce insanidade que nos toma, O quanto a vida necessita a paz Rompendo em sedução velha redoma.
Palavras e sentidos já se expondo Em versos, em cantiga, madrigais, O tempo de sonhar se recompondo Querendo novamente e muito mais.
Um velho jardineiro se permite Fazer do sonho adubo mais constante Alçando este infinito e sem limite Encontra o que deseja ao mesmo instante
Em que eu vislumbro amor mais verdadeiro Aguando em emoções o meu canteiro.
4
Expressa o quanto agora sou feliz O verso enamorado que poreja Em minha pele e pede sempre o bis, Além do que se sonha e se deseja.
Amor tão meteórico; é verdade, Porém já me apascenta e me permite Viver o quanto quero em liberdade, Sem medo de aceitar qualquer palpite.
O coração que outrora se fez velho, Agora não espelha mais tristezas. Não quero e nem aceito mais conselho, Somente irei seguir as correntezas.
No delta deste rio, maravilhas, Estampam perfeição de raras trilhas... Marcos Loures
5
Expressa toda cor deste tinteiro. Arco-íris de esperanças que me trazes, Nos primas deste sonho derradeiro As luas vão mudando suas fases.
O quanto de carinho tu me fazes Permite que um canto alegre e mais ligeiro, Permutas que conheço por inteiro, Abalam meus princípios, minhas bases.
Eu parto do começo e chego enfim, Ao alvo que se mostra em plenitude. Refaço a tão distante juventude
Renovo o velho sonho dentro em mim. A vida do teu lado, sem viés, Sem medos ou correntes nos meus pés... Marcos Loures
6
Expressa todo amor que enfim, contenho, Trazendo uma esperança de onde eu vim, Não temo as tempestades, pois eu tenho O braço de quem quero junto a mim,
De um mundo dolorido de onde venho, Já vejo florescer no meu jardim, Mostrando em plenitude o teu empenho, Amor que em amizade eu sei sem fim,
Nos passos bem mais firmes, alegria, Luzindo no meu céu, estrela guia Mostrando todo o sonho que eu almejo,
Translada das distantes pradarias A luz que vem tomando as cercanias Traduz um sentimento em paz, sobejo. Marcos Loures
7
Expressa um canto alegre e triunfante Vigor que esta amizade representa Dos sonhos, meu amor é debutante E tantas armadilhas; logo enfrenta.
Não fosse o teu apoio, amiga minha A vida com certeza não teria O porte que decerto se avizinha Trazendo este clarão a cada dia.
Subindo com firmezas tais escarpas Não temo mais a queda nem o corte. Caminho que entre pedras, urzes, farpas Sonega com certeza, aborta o norte.
Porém quando contigo, eu nada temo, Nos braços da amizade encontro o remo...
8
Expressa um verso livre, aventureiro O quanto amor demais já me enfeitiça Cativo, teu senhor e prisioneiro, Vencido e vencedor da bela liça,
Bebendo o teu prazer sou teu inteiro, No corpo sensual, santa cobiça, Encontro no teu céu o meu tinteiro, Vontade de te ter pra sempre atiça.
E teu, somente teu, enquanto és minha, Vassalo, sou teu rei, minha rainha Recebo uma alegria como herança
Deitando meu olhar sobre infinito Esqueço do passado, algum granito Sabendo que encontrei paz, temperança. Marcos Loures
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Expressa uma palavra mais amena Sabendo da alegria um bom sinal Amor, mesmo que em versos vale a pena, Ascende a Deus em luzes sem igual.
Mudando em nossa vida toda cena, Num gesto em que se mostra sensual, Vontade de prazer amor acena, Encantos que me dás, sensacional.
Meus sonhos te encontrando, amada em flor, Traduzem novo dia, encantador. Depois desse passado tão mortiço.
Não quero ter meu passo assim contido, Vivendo com quem amo; convencido Amor é muito além de um vão feitiço. Marcos Loures
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Expressa, em realidade, uma vingança Reféns da súcia imunda que crocita Na lama que nos toma; a mesma dança Mascara a cruel face, sempre aflita.
Nas tramas tantos quês entrelaçados Explicam os velórios da esperança Os dias que vivemos, derrotadas, Moldando o que teremos na lembrança;
Os filhos do poder e seus escravos, Os olhos embotados da miséria. Quem dera em mares loucos, frios, bravos Uma expressão mais firme e bem mais séria
Permita que se mostre em amizade, O quanto que é possível liberdade... Marcos Loures
81
Expressam finalmente confiança, Os versos que hoje trago para ti. Pousando flor em flor, um colibri Néctar maravilhoso agora alcança.
Amor que se faz sempre em temperança Demonstra o farto bem que recebi, Estando do teu lado, eu percebi Vitória necessita de aliança.
Premente esta vontade soberana De ter a tua boca, teus regaços, Entregue à fantasia nos teus braços,
Minha alma em alegrias se engalana, Encontra neste amor, mar infinito, Derrete a solidão, duro granito... Marcos Loures
82
Expressão que me resta: paraíso, Apenas, tão somente e nada mais. Verbete que se mostra mais conciso Ao demonstrar loucuras sensuais.
Na plêiade de gozos insensatos, Na cama, no suor, beijo e saliva. Nudez em que se espalham tais retratos, Deixando a flor querida sempre viva.
O rio vai descendo em turbilhões, Encharca suas margens, chega às furnas, Mistura de desejos e paixões Aguada pelos olhos das ternuras.
Partícipe da festa que não cessa, Ao sol incandescente recomeça... Marcos Loures
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Expresso a força intensa destes ventos Em cada verso em que tento te falar Traduzindo em palavras, pensamentos Aonde possa amor desembocar.
Falar de tanto amor, sei que é tolice De um pobre viajante em noite imensa. Porém além de tudo o que eu te disse Aqui. Vou procurando a recompensa.
Se o rio ao desaguar num oceano Permite que se adoce tanto sal Assim também o amargo e desumano Sentimento se torna mais frugal.
A voz na qual meu sonho já se expressa Ecoa pelos astros, mas sem pressa...
84
Expresso com palavras, sentimentos Que tomam minha casa e o coração, Num ato de total satisfação Embarco em ti delírios e tormentos.
Expresso em cada verso meus intentos, Deixo transparecer quanta emoção Causada pela maga sensação Que invade desde sempre os pensamentos.
Não sabes quanto quero o teu querer? Em ti resumo todo o meu prazer, Princípio meio e fim de minha vida.
Por mais que isto te soe diferente, O peito enamorado jamais mente, Pois és dos labirintos, a saída...
85
Expressões diversas, motes, mortes Risos em comoção, vates e bardos. Arcanos sentimentos, velhos cortes Arquétipos de enredos nestes cardos.
Egressa dos meus erros, a ironia Na verve deste pobre sonhador A cada nova verso uma sangria, Sob os olhos espúrios dessa dor.
Argumentos perdidos, vagos passos, Estrelas disfarçadas, céus sem luz. Sombrias emoções, ausentes traços Gracejos da ilusão, fantasma e cruz.
Mensagens desbotadas do passado, Vazios entre as urzes, nosso prado.. Marcos Loures
86
Expressa em cada rima, a liberdade, O gosto da maçã em cantoria. Num ritmo mais febril toma a cidade, Chegando a cada praça, rua ou via.
O som que enamorado eu tanto ouvia, Depressa o coração adentra, invade. A luz em redenção que assim surgia, Aos poucos foi virando tempestade.
Moleque que cresceu entre alamedas, Pinçando cada cena que vivera, Adentra, sonhador, pelas veredas
Em flóreas esperanças demonstradas, Percebe o renascer da primavera, Nas sílfides divinas, belas fadas... Marcos Loures
87
Expressa em alegria o seu legado Mensagem proferida com prazer. O quanto amor se mostra bem cuidado Permite em nova senda renascer.
Trabalho o dia inteiro, chego à noite Encontro nos teus braços meu descanso, Por sob estes lençóis, ternura, açoite Vigora a lei do quanto mais alcanço.
Diamantina luz que nos abraça, Mergulhos em vontades e loucuras. Deixando de caçar sou tua caça Em dentes, bocas, línguas, as torturas.
A vida se esfumaça em esquadrilhas Deitando em nossa cama maravilhas... Marcos Loures
88
Expressa as mais doridas tentações A vestimenta de um desejo insano, De todos os meus sonhos, o decano Em vários sentimentos, seduções...
Amor ao nos mostrar embarcações Pernoita no carinho soberano Do quanto que te quero eu já me ufano Entregue às mais complexas sensações...
Perenizando o que em vontades crio, Enfrentarei a ventania e o frio, Com toda precisão, intemerato,
E assim ao me entregar com tal pureza, Conquistarei com mais vigor beleza O gozo que se mostra em fino trato... Marcos Loures
89
Expressa as fantasias que se tecem O verso mais feliz que desejei. Por tantas vezes tolo eu ansiei Olhares que jamais em dor padecem...
Palavras que tu dizes não se esquecem, Passando a serem, cedo, a nossa lei Aguando o bem que tanto procurei No inverno um novo estio; tanto aquecem.
Teu corpo junto ao meu, feliz momento, Dançando noite afora... ruas, praças Ousando ter além do sentimento
Em valsas, em boleros, tangos, risos... Nas mãos tão delicadas, raras graças Girando a noite imensa, paraísos... Marcos Loures
6890
Exuberantes formas delicadas Numa explosão intensa de non sense, Neste canteiro frágil mãos atadas Aos poucos me ganhando, me convence...
Num espocar divino de foguetes Numa ascensão junina de balões, Os corpos se procuram, são joguetes Buscando relaxar tantas tensões.
Meu cérebro prevê a apoteose, Fulgores e fagulhas neste céu. Prazer que quanto mais se quer que goze, Mais forte vai cumprindo o seu papel.
Numa excelsa visão, pura beleza, Eu deixo-me levar na correnteza...
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Extremamos delícias e procuras Nas ânsias delicadas de nós dois. Sabendo dos delírios e ternuras Vivemos plenamente antes, depois.
Audaciosamente eu te proponho Um manso cavalgar pelas estrelas. Delito sem pecado, trama ou sonho, Estradas vislumbradas, sempre belas.
Poder estar contigo e ser teu par, Vencendo quaisquer medos ou temores. Alcanço a tempestade a tremular Sem nexo, sem medidas ou pudores.
Aguardo ansiosamente uma resposta, A mesa, a cama, a vida, sempre posta... Marcos Loures
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Extraio poesia de teus lábios Entorno meu calor em teus carinhos Quereres com certeza são mais sábios Se vão hábeis, sabendo tais caminhos.
Quero cada gole desta boca Salivas misturadas jogo aberto, Vontade que em desejo já se aloca Aguando com furor qualquer deserto.
Saudade de sentir teu corpo aqui, Roçar a tua pele, ser só teu. O pensamento livre chega a ti No quanto amor em fúria concebeu.
Em teu corpo milhões de diademas Navegam em divinas piracemas..
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Extraio poesia da cachaça, Num copo ressuscito antigo trago, A vida bem melhor dança na praça. O resto dessa farsa fez estrago...
Nos livros que devoro; velha traça, Reparo nos prefácios Nem indago. Palhaço, vou temendo não ter graça, Do que restar caduco,; logo embargo
Na minha certidão de nascimento, Não tive solução para o problema: Ser filho da saudade e esquecimento.
Não quero nem desejo ser teu tema Embora em dissonância, uma harmonia Que toda embriaguez já me trazia.. Marcos Loures
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Exponho nestes versos, coração Um velho bandoleiro sem juízo; Rasgado pelas forças da paixão Caminha sem destinos, impreciso.
Forrando a sua cama em ledo espinho Vestindo esta mortalha simplesmente Vagando em noite fria, vai sozinho Inebriado sonha tenazmente
E pensa no sorriso da morena Que um dia veio cedo e já partiu. Ao longe uma esperança ainda acena, Num toque tão estúpido e sutil
A morte se anuncia a cada gota Da chuva que teimosa não se esgota... Marcos Loures
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Exponho o sentimento em cada verso meu No fogo da esperança a chama me ilumina Mostrando quanto é bom te ter minha menina Moldando em alegria o tanto que me deu
Amor que não se acaba e muito convenceu Agora a fantasia invade e me domina Num canto triunfal aos poucos me alucina Dourando o meu caminho, eu sei que sou só teu.
Estrela radiosa um mar de amor profundo, Querida eu não te esqueço, irei muito mais fundo Banhando-me em teu sol, raiado em bela areia,
Ouvindo o teu cantar, um sonho que emociona E toda esta emoção aflora e vem à tona, Por isso em meu amor, querida sempre creia...
96
xpressa a maravilha feita amor A lua que se torna deslumbrante, Deitando o seu luar tão sedutor Tocando a minha vida num instante
No lume que se faz encantador. Permite que meu peito sempre cante Um verso mais profundo. Um sonhador Nos braços deste amor que me agigante.
Eu sigo os rastros teus pelo caminho E ganho espaço livre, sideral. O toque mais audaz e sensual
Escorre em tua boca tinto vinho, Sedento o coração quer toda gota Na fonte que não cessa e não se esgota. Marcos Loures
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Exponho, em pensamentos, meus desejos. Eu sei que ser feliz precisa esforço... Meu sentimento segue mil cortejos Buscando, nos amores, seu reforço.
Esboço uma vontade de fingir Que a dor não mostra nunca sua face. Dá ganas, simplesmente, de fugir, Sorrindo, vou forjando meu disfarce...
Mas vale a pena a luta por amar, Desvendo meu destino a cada dia. Se toda noite traz novo luar, Amar demais não é só poesia...
Expondo essa vontade de viver, Usufruir sem medo, e ter prazer...
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Expressa a delicada e rubra rosa Rainha dos canteiros, deusa fêmea. Amante dedicada e glamourosa Decerto de Cupido uma alma gêmea,
Atrelo o meu desejo em seus perfumes, E bebo cada olor, que cedo emanas, Refletem nos meus olhos raros lumes, Expressas maravilhas sobre-humanas.
Eu quero esta delícia, sempre à farta, Tocando com meus lábios tal nudez, Meus olhos de teu corpo; nada aparta, Revolução em gozos que se fez
Mudando a minha sanha em flóreo sonho, Meu barco nos teus mares; quero e ponho... Marcos Loures
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Exposto em minha cama, atroz, sereno O vulto da mulher que eu tanto quis. Orgástica ilusão me faz feliz, Porém jamais me sinto farto e pleno.
A nostalgia às vezes, concateno Revivendo o meu céu outrora gris, Nesta melancolia, a dor atriz Percebe que em verdade, eu mesmo enceno.
Na busca por mim mesmo, já me perco, A solidão prepara a cada cerco O bote que trará decerto o fim.
Por mais que estejas sempre do meu lado, Final da imensa peça anunciado, Invade e assim goteja dentro em mim... Marcos Loures
6900
Exposto ao caracol dos sentimentos Que molda a nossa vida num segundo, Vagando em carrossel, sou vagabundo E bebo sem pudor, céus e tormentos.
Olhares que nem sempre estão atentos, No quase vou conciso e me aprofundo, Meu verso se mostrando tão imundo Aguarda a calmaria pós os ventos...
E o gesto desumano da saudade Que toma este cenário e tudo invade Rompendo os tais tratados da amizade.
A vida se propõe com qualidade, E tento ter, quem sabe, a liberdade De poder ter enfim, tranqüilidade...
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