
MEUS SONETOS VOLUME 061
Data 08/12/2010 08:18:13 | Tópico: Sonetos
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Enquanto restar forças no meu peito Irei lutar, eu juro, pelo amor Que sei, ser na verdade, meu direito, Poder que se sempre foi transformador.
Os olhos deste insano trovador Adentram pensamento. Eu me deleito Ao mesmo tempo quero ser aceito Por quem meu verso canta, num louvor.
Não deixe que este sonho morra em vão, Não quero ter vazio, o coração Embora saiba ser mera promessa
Palavra que disseste, uma esperança, Meu sonho, uma ilusão jamais se cansa, Cismando, tanto amor, já te confessa... Marcos Loures
02
Enquanto principia-se no sonho, Deságua na total realidade, Saveiro da ilusão, quero e componho, Vislumbre da real felicidade.
Não tendo quem me espere ou que me aguarde O tempo se transcorre tão medonho, Envergando-me ao peso que me invade Do amor que tantas vezes sei tristonho,
Imensidade encontro nos faróis Roubados destes olhos tão perfeitos, Envolto tão somente por teus sóis
Que entranham da esperança, dosséis, leitos, Os lumes inundando os arrebóis De cores tão diversas, belas, feitos... Marcos Loures
03
Enquanto os pés mendigos não descansam O medo se espalhando nos olhares Daqueles que buscando não alcançam São frutas que apodrecem nos pomares
Porém uma vingança já se estampa Nas mãos destes meninos esfaimados, Ao não temer a sorte feita em campa Nem mesmo os sangues vários derramados.
Guerrilha que se mostra ressurgida Baseados nas bocas, cocaínas, A bala que te encontra, não perdida Expõe tantas feridas das esquinas.
A fera adolescente que hoje mata Especular reflexo, só retrata... Marcos Loures
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04
Enquanto os meus segredos tu desvendas, Eu sigo peito aberto e destemido, Tristezas são decerto simples lendas, Destino em teu amor; sinto cumprido. Não quero suportar antigas vendas, Agora o céu se mostra colorido.
Mosaico multicor, caleidoscópio, De todos os desejos, eu garanto, O amor tem seu caminho todo próprio, Mostrando ser possível raro encanto, No doce de teus lábios o meu ópio, Girando o tempo todo em cada canto.
Prazer inesquecível quando alcanço O sonho em que perceba este remanso.
05
Enquanto os corações felizes cantam Do céu se espalham raios em cristal, O quanto os sentimentos já se encantam Permite a claridade magistral.
Amor que em pura essência traz a graça Delicadeza extrema em liberdade. A vida nos teus braços calma passa Deixando um rastro pleno em liberdade.
Vestido de desejos, em lascívia Amor se torna audaz e convulsivo, Manhã que se aproxima, clara e nívea Trazendo em perfeição um lenitivo
Calando esta geleira, solidão, Mudando destes ventos, direção. Marcos Loures
06
Enquanto o teu desejo ele cobiça Minhas vontades trazem calmaria. A barca que se mostra em alegria Nos ventos deste sonho, amor se viça.
Embora em alegria vã, postiça. O beijo em despedida me dizia Do gozo que jamais se concebia Depois de inglória luta e falsa liça.
Não quero o sofrimento do vazio, E mesmo que não seja o que pensei, Amor vai dominando a minha grei
E mesmo que insincero, nele eu crio Um Eldorado tolo e sem proveito. Na fantasia inútil eu me deleito... Marcos Loures
07
Enquanto o pensamento não desertas Não posso prosseguir, eu te asseguro. As horas vão passando sempre incertas Proliferando em mim o céu escuro.
Eu juro, até com juros cada dívida E pago se puder, ao fim do mês. A noite solitária segue lívida Vivida a fantasia morre rês.
Restando na parede o vão sorriso Que um dia retratou felicidade. Num vai e vem terrível, sem aviso Eu sinto o cheiro amargo da saudade.
Quem há de condenar quem já sentiu Amor que se fez muda e não pariu... Marcos Loures
08
Ensina-me a marchar por sobre as águas, Vencendo com firmeza cada medo, Deixando para trás inúteis mágoas, Saber da caminhada, o seu segredo.
Ensina-me a tornar, suave, o passo, Na busca pela paz tão procurada, Ao suplantar assim, ledo cansaço, Eu sei que ao fim terei esta alvorada
Aonde possa ver a claridade Do sol que Tu criaste, fonte e vida. Meu Pai rompendo em fé algema e grade, Verei depois de tudo, uma saída
Que leve ao Teu Reinado em plenitude, Terei enfim bem mais que eu pensei, pude.
09
Enredos divinos Amor nos conduz Em tais desatinos Encontro esta luz
Dos olhos, meninos, Teu corpo seduz Teus dedos tão finos, Teu brilho reluz.
Eu quero comigo A deusa gostosa, Não temo o perigo,
Espinhos da rosa, Vivendo contigo. Mulher tão fogosa... Marcos Loures
6010
Enredo do meu samba; desafogo, A gente não se sabe nem por reza, O amor que tanto quero e se despreza Não serve pra atear sequer o fogo.
Perdendo de saída a festa e o jogo, No ensaio demonstraste tal destreza Causando na verdade uma surpresa, Que venha mais audaz, agora eu rogo.
Mas trago este monstrengo, uma saudade Daquela que se fez em desenredo, Por isso reamar traz tanto medo
Aquém do que tentei, felicidade. O sonho que morreu sem fantasia, Requebra e sacoleja, Melancia...
6011
Enquanto uma ilusão resplandecia Tornando o pensamento maltratado, O resto que me coube em fantasia Demonstra insensatez do meu passado.
Quem teve o seu altar numa alegria Percebe seu caminho desviado Na sombra do que fora, já trazia Felicidade morta. Em duro brado
A voz tão solitária não alcança Deixando quase inóspito em aspecto Numa tristeza enorme corte e lança
Rolando em minha cama, mais inquieto, Sozinho sem ninguém, desesperança Última companheira em mesmo teto...
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Enquanto uma esperança nos tomou Amor vencendo em glórias a Razão Dizendo deste tempo em que singrou Tocando com firmeza, o coração.
O verso delicado que ensinou O quanto é necessária esta emoção Amor em explosão assim criou No peito de quem quis, revolução.
Um tempo em que sonhar seja possível No encanto que se mostra senhorio, Amor entre tempestas invencível
Capaz de nos trazer farta alegria Enquanto teu amor eu fantasio Espalhas sobre amor, a fantasia Marcos Loures
6013
Enquanto tu provocas e incendeias Entranho em pororocas o teu mar, Estrelas passeando mesmo alheias Insistem em tocar e iluminar.
Minando estas defesas, feitas farsas Abraços e carícias cios, sinas. As roupas; amarrotas, rota esgarças Enquanto o jogo inteiro tu dominas.
Vertigens entre estreitos labirintos Com cócegas às cegas mãos avançam. No chão, calças, vestidos, botas, cintos, Nudez em nossa cama, chamas lançam.
Encanto sem perguntas vai cumprido. E assim sou vencedor, mesmo vencido
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Espalha em claridade o brado e a voz A lúcida emoção que se assenhora, Não tendo mais porque fugir agora Eu tento um canto novo, mais feroz.
Cortando como faca o medo algoz, Exclamo em poesia o que me aflora, Quem sabe, com certeza não tem hora Mergulha em cachoeira e bebe a foz.
Mortalhas que eu trouxera do passado, Jogadas na fogueira/inquisição Os olhos vão seguindo a procissão
Sabendo do que eu quero, mudo o Fado, Nos pés a liberdade sem correntes, O amor vivo rangendo os nossos dentes. Marcos Loures
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Esmero-me em fazer-te mais feliz, Querida, jamais tive em minha vida Amor que tanto quanto o nosso eu quis! Minha alma tão tristonha e ressentida
Marcada por enorme cicatriz Prevê que nos teus versos, a saída De um mundo mais risonho que refiz Após pensar em dura despedida...
Desditas? Como as tive! Foram várias... As horas se passavam temerárias Na solidão cruel que conheci.
Agora enfim percebo um novo dia Repleto de emoção, de poesia, Estando sempre assim, perto de ti...
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Esmero esmeraldina sensação Dos olhos da mulata que sonhei. O verde que esperança em coração Nas turmalinas vertem minha lei...
Das hortelãs e mentas, meu refrão... Dos peixes que – menti – jamais pesquei Qualquer piaba vira tubarão. Com sereia postiça me encantei...
A sensação que nunca me alucina Se faz em tempestade e é calmaria A moça embriagada se faz fina,
A lua que brilhou traz pleno dia, Amor sem ser morfina, me amofina A pedra que te dei? Bijuteria...
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Esmeraldinos trilhos desvendados Tesouros que encontrei em vales belos. Lançando a minha sorte nestes dados Roçando a minha pele teus cabelos.
Sabê-los divinais quanto aromáticos Sedosa sensação entre meus dedos. Ao vento se libertos, emblemáticos Afagam e convidam para enredos
Diversos e decerto maviosos Fogoso este corcel em disparada Adentra campos ricos, valiosos Fartura em teu prazer é demonstrada.
Assim somando o quanto com te quero Do amor que assim me dás, amor eu gero...
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Esguias criaturas vagam sós, Mosaicos entre trevas e fulgores. Renascem de distintos, ermos pós Exalam os mais pútridos odores.
Encontram em cada esgoto, rio e foz Caleidoscópio opaco, furta-cores Nem sombras no caminho, nada após Senão ledas fumaças e vapores.
Mergulham pareadas num abismo Rolando sobre pedras se esfacelam, Nem insólitos pares chegam, velam
Disfarçam-se num frágil mimetismo, Mostrando suas faces, compleições, Vislumbro as minhas torpes ilusões.... Marcos Loure
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Esgueiro-me nos pântanos dos sonhos, Etéreos sentimentos me guiando, As pedras entre as trevas desabando, Os risos que ora escuto são medonhos.
Cadáveres ressurgem e, bisonhos, Adentram cada sala, quarto, em bando. O quanto desejei de um mundo brando Entre escombros, sarcásticos, risonhos.
Perecendo em total putrefação, Minha alma sem destino, expõe seu cerne, E enquanto a fantasia tola, inverne,
Não resta nem sequer algum suporte. Olhando calmamente para a morte, Bebendo ao meu jazigo, a solidão...
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Esgueiro-me entre as pedras que legaste Como herança soturna, em penitência. Felicidade outrora fora urgência Agora, morto o sonho, nem mais haste.
Resgate de ilusões. Frio contraste, Restando como porto, esta demência Que crava suas garras. Impotência, Denota o que hoje sou: inútil traste.
Meus óculos quebrados, riscos, giz. O terno não me cabe, nem podia, Exorto o que buscara em poesia,
E tento, inutilmente, ser feliz. O tempo que agrisalha a fantasia, Do tanto que busquei, vem e desdiz...
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Esgueirando entre farsas e falácias, Perambulando em sonhos, vagabundo, Diversas peripécias, medo, audácias Não valem de um amor, nenhum segundo.
Espúrio, o velho canto assonetado Mumificando os versos de um ignaro. Contemporânea luz que de bom grado Condena o meu poema ao desamparo.
A lua se minguou, não voltará. Os bardos do passado? Sem velório Enterro preparado desde já, Apenas um otário merencório
Expressa nas estrofes, sentimento, E assim o profundo arrependimento..
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Esgotos que de uma alma sem paragem, Adentram vilarejos e cidades, Nas ruas e nos bairros, rompe grades Sem nada que inda impeça na viagem
Aos poucos profanando esta paisagem Reflete com certeza realidades Daqueles cuja carne presa às grades Pensam ser liberdade uma miragem.
No ágio que se cobra pela vida, Escárnio em cada gota apodrecida Ofuscando o futuro. Bolsos cheios.
A fútil gargalhada da pantera Que inverna, tão venal a primavera Negando dos famintos, seus anseios... Marcos Loures
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Esgotos dentro da alma e nada mais, Arquétipos demonstram com certeza Que a podre serventia posta à mesa Derrama cada gota que sangrais.
Nós somos de nós mesmos os chacais Cadáveres servidos, sobremesa, Dos homens frágil homem sendo a presa Estampa estes covardes rituais.
No riso tão sarcástico, a peçonha; A face desta fera que, medonha, Habita dentro em nós, insaciável
E mostra com escárnio o que se espelha Das almas, como um fogo, uma centelha Desta ira que, inerente, é implacável... Marcos Loures
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Esgotos conheci em farto gozo, Ferindo minha pele em tanto espinho. Latejam minhas carnes, mar jocoso Jogando tempestade em meu caminho.
Sombrios olhos vento furioso Lambendo minhas pernas, vou sozinho. Recebo a podridão mais carinhoso E faço deste aborto sonho e ninho.
Arranco os doces versos, os vomito, E faço desta angústia senda e rito, Lanhando meus costados, cego e mudo.
Falando do que sou, não mais resisto, Eu sinto que em verdade não existo, Apenas um penedo frio, agudo...
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Esgoto minhas forças e não tendo O bem que inutilmente desejei, No velho coração cada remendo Destrói a fantasia que sonhei.
Estampas um sorriso no teu rosto E vejo a crueldade em ironia. Olhar sem horizontes; vou exposto, Caminho que busquei: dicotomia...
Nos ombros das montanhas, foge a lua, As águas se poluem: solidão... Verdade se mostrando dura e crua, O amor foi tão somente uma ilusão.
Molambo da esperança; sigo só, O sonho se reduz em frágil pó...
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Esgares, garatujas, um bufão Num sorriso patético convida, A noite solitária tanto acida Reflexos desta antiga negação.
Sorumbático andando rente ao chão, Esperança há tempos esquecida Minha vontade esvai-se, apodrecida Jazigo dos amores, ilusão..
Tornei-me, não te disse, um eremita, E mesmo que perceba uma pepita Ourives sem talento, sigo só.
Perambulando a esmo, sem destino. Espúrio sentimento não domino E como um desvairado volto ao pó... Marcos Loures
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Esgarça a necessária liberdade O tempo que vivemos tão sozinhos, Distante do poder de uma amizade, Uma ave não conhece mais seus ninhos. Procuro pelo amor, felicidade Que encontro tão somente em teus carinhos.
Amar além de tudo, simplesmente, Amar sem ter cobranças ou mentiras, Amar e ter na vida finalmente O amor que não se esgarça em tantas tiras. Porém e num momento, de repente, O não do desamor em mim atiras,
O peito sonhador fica calado, Seguindo maltrapilho e maltratado.
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Especular reflexo, só retrata O olhar em que haveria ingenuidade De tanto que se fere e se maltrata Os cães sempre procuram igualdade.
Da súcia que devia legislar O rosto que se expõe, em podridão Permite que se veja o mesmo olhar Daquele que trafica, exploração.
Na luta que de dá nem concha ou mar, Os erros cometidos são de todos. Numa omissão difícil de explicar Criamos pra nós mesmos vários lodos.
Fuzil, ora brinquedo de criança Expressa, em realidade, uma vingança... Marcos Loures
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Espectros que caminham pela noite, Fantasmas de um noctâmbulo poeta, Queimando em minhas costas, tal açoite A morte ainda serve como meta.
Jogado pelos cantos e sarjetas, Olhando o meu passado sem clemência, Carrego no meu peito vãs tarjetas, O risco não passou de penitência.
Ourives que lapida a falsa pedra O pensamento vaga entre as marés, Em meio a tais falésias. Peito medra, E acolhe novamente estas galés
Que impedem o meu passo libertário, Um rio que transborda no estuário...
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Espectros do que fomos me perseguem E tomam meus anseios cerebrais, Aos poucos; feramente, eles conseguem, Eu não me livrarei deles, jamais.
Por mais que outros amores venham, neguem, Esta presença insana de abissais Cadáveres de ti que inda me seguem, Perseguem com tais fúrias canibais.
Esmigalhando o sonho que eu tivera De ter ao menos restos no jantar, Sorrindo em ironia, amarga fera
Não deixa que eu prossiga, feito um amo Do qual não consegui me libertar. Uma voz sepulcral repete: eu te amo!
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Esparsos sentimentos tão confusos Pelos caminhos todos que segui. Suores e prazeres mais profusos Encontro tão somente, amor, em ti. Horários se misturam, vários fusos, Mas tudo que esperei estava aqui.
Na paz mais desejada sem desdita Neste carinho manso que me dás. A lua em nossos olhos, infinita No mar em calmaria, tanta paz. Minha alma tão feliz te cerca e grita Na luz e na alegria, mais capaz.
Aos Céus elevo preces e louvores Na glória destes dias redentores...
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Esparramas teu gozo sobre mim, Na lava que me queima e me sacia. Eu quero estar contigo até o fim Mordiscas meus desejos, alegria.
Aguando tuas flores, teu jardim, Enaltecendo sempre a fantasia Do mundo que nos mostra em tal festim, Um gesto de calor e de euforia.
Serenos vão caindo em nossos portos, Corpos que se buscam, sem fronteiras. Destinos que julgávamos tão tortos
Molduram em delícias; novos planos De noites tão fantásticas, ligeiras, No fogo destes sonhos sobre humanos.. Marcos Loures
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Espalho no infinito claros versos E bebo as calmarias que encontrar, Vagando em liberdade os universos, Nos braços deste amor faço o meu lar.
Lauréis; não imagino na chegada, Nem mesmo uma fanfarra nem festejos Apenas a manhã iluminada Roubada destes sonhos mais sobejos.
Vagando nos meus céus, estrelas puras, Reinando sobre os cantos, francos olhos. Recolho tantas flores, sempre em molhos
Banhado pelos raios das ternuras, Ferrolhos dos meus medos sem entrave, Dos cofres eu encontro cada chave... Marcos Loures
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Espalho meus restolhos, vou ao léu. Não tendo outro caminho estou contente, Minha alma se perdendo num bordel, Meu mundo vai morrendo delinqüente.
O gosto do fantasma já se sente No pântano que exponho, doce fel. Eu te amo e nada disso é tão premente, Apenas garatujas feitas mel.
Ao respeitar teus peitos, silicone, Encontro em tuas pernas belo cone Aonde misturando meus retalhos
Permito nosso amor sem atos falhos, Em toda servidão em que me lavo, Prossigo tão somente teu escravo...
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Espalho eternidade no infinito Um simples amador decerto audaz, Rompendo a solidão; frio granito Apenas no demais se satisfaz.
A pedra que trazia no meu peito Quebrada pelo riso da mulher Chegando mansamente, desse jeito Demonstra o que deseja, o que mais quer.
Mudando de conversa, simplesmente, Amor assim se empresta em rebuliço, A lua feita em mel, vem de repente Prateia a minha sorte em novo viço.
Atiço os sentimentos, rasgo o verbo, Matando o verso incréu, rude e soberbo. Marcos Loures
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Espalho em cada canto o meu sorriso Onde espero espelhar felicidade. A morte quando vem não manda aviso Por isso é bom viver totalidade
Sabendo que no sonho em que matizo Encontro teu olhar com liberdade Um novo mundo; então, esquematizo Aonde encontre em paz, sinceridade.
Amigos; encontrei por toda parte Amores esquecidos, vento leva, Aprendo todo dia uma nova arte
Com quem compartilhando cada passo Acendo fogaréu matando a treva Voando em plenitude, ganho espaço... Marcos Loures
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Escrevo tão somente por não ter Respostas que procuro, inutilmente. Às vezes por ofício ou por prazer Rondando constelar e frágil mente
Que bebe da esperança sem saber Se um novo amanhecer, lua pressente Ou morre na alvorada, ou faz viver Quem tanto se buscou insanamente.
Liberto os meus fantasmas e os recrio, A mão que acaricia traz o frio E toda a poesia é quase inútil
Intuitiva voz que não se cala, Adentra o cobertor, impele à sala E emana o verso, mesmo falso ou fútil...
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Escrevo sobre amor Assim, querida eu penso Que o mundo vai tão tenso Tristonho e sofredor
Sem canto sedutor Aonde recompenso Amor demais imenso Que surge tentador.
Não quero mais quebranto Nem sonhos doloridos, Amor secando o pranto,
Tocando meus ouvidos Com belos, ricos cantos, Pra sempre resolvidos...
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Escrevo por prazer, querida amiga E nada me prendendo, sou feliz. A liberdade é fonte que me abriga Fazendo da emoção o que mais quis.
Não vejo outro motivo, forte liga Atando as fantasias, amor diz Deixando bem distante a vil intriga O céu eu não desejo sempre gris.
Na dúvida não leia os versos tolos Que falam tão somente do prazer. Eu juro que não tenho torpes dolos
Tampouco omitirei a realidade. Liberto o coração, posso escrever O que desejo enfim: felicidade! Marcos Loures
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Escrevo o teu nome Na areia da praia, No mar logo some, Minha alma se espraia,
Matando uma fome, Levanto essa saia Desejo que assome Que a sorte não traia.
Depois do teu lado, Dormir calmamente, Tão apaixonado,
Coração não mente... Amor tão safado, Dominando a gente. Marcos Loures
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Escrevo o que eu quiser, problema meu, Se alguém tem paciência de me ler, Que tenha ou não, depois algum prazer, Tampouco se meu verso convenceu.
A vida emociona quem se dá, Sem medos nem pudores, sem vergonha. E quando mais uma alma assim se exponha, O sol virá mais forte e brilhará.
Depois de um certo tempo eu aprendi, Que tudo que procuro esteve aqui, Escondido em meu peito pobretão.
Viver sem ter limites, já me orgulho Da força e destemor deste mergulho Que fiz às profundezas da paixão...
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Escrevo nestas linhas, meu amor, Na carta que te envio quanto eu quero Viver contigo inteiro, ao teu dispor, No sentimento raro e mais sincero.
Ansiosamente amada, eu tanto espero O teu carinho em breve com ardor, Neste amor que recebo, amor que gero; Roubando um bom perfume em cada flor...
Amar é desvendar estrelas, céus... E descobrir debaixo destes véus De nuvens que nos cobrem, alegrias.
Tomar em doces lábios, tantos méis, Bradando o nosso amor, mil decibéis, Declarações febris, tal qual dizias... Marcos Loures
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Escrevi teu nome dentro em mim, Segredos repartidos. Nossa história Dizendo das tristezas de onde vim Agora permitindo luz e glória.
O amor que a gente quer, chegando enfim, Clareia sobre a treva merencória. Da boca delicada, carmesim, A sensação que resta: a de vitória.
Felicidade assim se compartilha, Seguimos com prazer a mesma trilha Sabendo que teremos melhor sorte
No amor que nos guiando levará A tudo o que desejo, e desde já, Nos braços de quem amo, encontro o Norte. Marcos Loures
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Escrevi nosso nome num papel. O vento carregou e jogou fora... Estrelas são cadentes lá no céu. A vida não ficou nem se demora...
Nas mãos essa saudade de Noel, Nas ruas que passeio tempo chora... A lua que não pinta-se bordel Momentos que não passam vão embora...
Meu vento se não tenho nada faço, A porta do passado em pleno dia... Menina vê se dá o teu regaço
A noite transparente me envolvia... Vagando por quem fui procuro espaço. Papel vira barquinho... Fantasia! Marcos Loures
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Escravos dos desejos, ambos somos, Tomados pelas mãos de um deus faminto, Eu quero desta fruta, doces gomos, Amor que nos domina? Também sinto...
De ti querida, vivo tão cativo Sou presa da emoção que nos invade. Surpresas me tornando mais altivo De tal bonança após a tempestade...
Eu estarei disposto a ter contigo Amor que não pensara que existia Ao lado de quem amo eu vou, prossigo,
Num vício desejado e glorioso, Que traz tanto querer, santa alegria Em cada novo encanto, mavioso...
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Escravos do desejo, da promessa No vício em que se deu a servidão, Encontro na alegria a provisão Que uma alma sem limites já confessa.
A vida procurada vai depressa Escorre em cada dedo desta mão, Eu sei que no final, foi tudo em vão, E a luta interminável recomeça.
Ouvindo o crocitar do velho corvo, Colecionando dores, sei do estorvo Causado pela luz de uma verdade.
Chegando à tua casa, de manhã, A sorte que eu queria é temporã Deixando o teu desejo na saudade...
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Escravo que não lavo cicatrizo. Amarga insanidade faz sermão. Nos sangues que me compras, não cotizo, Nas servas que serviram, servidão.
Não me prejulgues nuca marca siso. Medras essas mentiras mansidão. No palácio premente, não preciso Escravo que exorcisa escravidão...
No quanto quebra quadros e quebrantos, Nos barcos que bateias brancos, bantos. Reveses e ravinas más rapinas..
Nos aços embaraços e mortalhas... Os machos que quebraste nas neblinas As cortes que cortaste nas batalhas...
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Escravo dos meus sonhos e desejos, Não vejo mais saída. Estou cativo E nisso com certeza eu me motivo Teimando por espaços mais sobejos.
Excelsa maravilha nos arpejos, Transbordo em pensamento estando vivo E quando da esperança enfim me privo Não vejo nada além destes lampejos
Nos quais eu faço o verso que permita Singra este oceano que me trazes. E quando os meus anseios são capazes
De lapidar cristais, ouro em pepita, Repito os mesmos erros torpemente, Retorno e bebo o nada novamente...
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Escravo da ilusão; perdi meu rumo, Cativo da esperança; nada trago Sequer a solução de um doce afago, Depois de tanto tempo, eu me acostumo.
Seria muito bom se houvesse prumo, Mas sei profundidade deste lago Aonde em fantasia quis ser mago, E tudo se esvaiu em frágil fumo.
Não posso suportar mais tais calvários, Riachos morrem margens, estuários, E nada do que um dia disse foz.
Embora a liberdade custe tanto, Ao menos não terei mais desencanto Do insano amor, loquaz, voraz, atroz...
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Escorre em minha boca todo o sumo Roubado desta manga amar Marina Na boca que procura por teu prumo No seio tão gostoso da menina.
Assim amar demais eu me acostumo Depois o que fazer de minha sina, Fartando do veneno do teu fumo No vício que me toma e me domina...
Matando minha fome sem receio Vibrando na cascata cachos pelos. Nas rosas do mamilo lindo seio
Mergulho e me lambuzo quero o gosto, Debaixo caracóis belos cabelos, O beijo começou foi pelo rosto...
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Escoriados sonhos já morreram Devastação completa e derradeira. Ao rasgares esta última bandeira Catastróficos mares percorreram
As velhas ilusões embalsamadas, Jogadas pelos cantos desta casa. Apenas a saudade inda me abrasa Falando destas águas derramadas
Perdidas na enxurrada de emoções Na foz inevitável: solidão. Amar é conceber pleno perdão,
Mesmo no desafio dos tufões Manter a nau na rota, com firmeza, Vencendo o temporal e a correnteza...
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Escória que escoria e nunca escora Espolia um cadáver ambulante, A cada novo golpe comemora, Um cavaleiro em fúria, galopante.
Salteadores cruéis, a qualquer hora, Não deixam de beber um só instante O sangue dos anêmicos e agora Vibrando num sorriso espoliante
Do podre que plantaram colherão, Destino desta corja é liberdade, Colhendo o fruto amargo, resta ao povo
Olhar com mais cuidado na eleição. Abutres descarnando na verdade, Já pousarão decerto, aqui de novo...
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Escondida detrás da lua cheia, Em noite tão bonita e provocante. Percebo que se oculta uma sereia Atrás de uma palmeira. Delirante
Não vê que a sombra desce pela areia Denunciando a deusa num instante, Parece que ela foge, pois receia Amor que me tocou. Mas triunfante,
Aproximo-me e beijo, tresloucado, Sentindo um canto doce sussurrado Que envolve minha noite em sedução.
E grito, alucinado, de alegria, Ao perceber também que ela queria O mesmo que eu pedia, em devoção... Marcos Loures
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Esconder as pegadas, abrir trilhas, E ter que revolver antigos rastros, Nos olhos da pantera ainda brilhas, Derrubas sem querer bandeiras, mastros, Não posso mais abrir as escotilhas, O barco não teria âncora e lastros.
Partícipe da orgástica loucura Que um dia desfraldaste, marinheira, Ao marinar com sonhos a ternura, Eu não passei sequer pela peneira, Se o bote preparado não me cura, Serpente rastejando sorrateira.
Parando pra pensar não fiz mais nada Senão subir tão trôpego esta escada...
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Esconde-se; em distantes, negros véus, Os olhos da pantera tão faminta. Das cores que eu herdei dos velhos céus, Aos poucos se perdendo toda a tinta.
Extremas sensações, o tempo cala, Agora a mansidão fazendo a festa. O sol ao adentrar o quarto e a sala, Abrindo no meu peito enorme fresta.
Capachos dos meus sonhos; bolorentos, Na porta principal de minha casa, Não quero mais saber dos teus ungüentos, O tempo de sonhar já foi e atrasa.
O amor que tempestade, um dia fez, Tocado pela calma lucidez... Marcos Loures
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Escombros do que fomos, eu reviro E vejo que não sobrou quase nada, A terra demonstrando em cada giro Quão vão é vasculhar água passada.
De novo; em tuas farpas, eu me firo; Revendo cada curva desta estrada Embora no futuro eu sempre miro, Aprendo com lição que me foi dada.
Os erros cometidos? Nunca mais! Descuidos num amor serão fatais, E disso trago enfim, toda a certeza.
A vida não refaz; seguindo em frente, Não quero prossegui qual penitente, Já basta de amargura e de tristeza! Marcos Loures
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Esfinge que ressurge enquanto medra Decifra hieroglifos em cifrões, Tu cevas entre servas, servidões Um sonho quase gélido, de pedra.
Grisalhas fantasias, sonho indócil, Senzalas, cadafalsos, falsos guizos. Falácias entre neves e granizos O amor se afigurando como um fóssil...
Afável criatura que devora, Enquanto em teus enigmas eu me perco. Sem Édipo em vão édito proclamo
Escárnios entre escórias, busco escora A dor mesmo indolente é meu esterco, Dos lábios da mulher, sou servo e amo... Marcos Loures
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Esféricas imagens, lua e sol, Ardências e loucuras, gozo pleno. Miragens tão somente, num farol Deixando esta impressão de um longo aceno.
Essências e perfumes, mechas, pêlos... Olhares se entremeiam, tempestades, Meus lábios, teus abraços e cabelos Novelos de paixões, insanidades.
Almíscares, jasmins, lavanda e rosas, Colheitas em jardins imaginários. As bocas se procuram desejosas,
Os corpos se confundem. Garatujas, Prazeres que imagino; incendiários, Nas camas e nas coxas, belas, sujas...
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Esfacelado, podre, nauseabundo, Amargas ilusões não trago mais. No esgoto da existência eu me aprofundo, Os lábios que pretendo são mortais.
Galgando outro universo num segundo, Afasto-me deveras do meu cais; Dos falsos guizos, tolos, eu me inundo, Porém não poderei vê-los jamais.
O fato é que me féretro trará Alguma paz que possa redimir, Não posso e nunca devo me iludir,
Por isso é que desejo desde já Que a mão deste carrasco duro e forte Já traga o doce alívio, minha morte...
Marcos Loures
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Escuto o teu chamado e te procuro Em meio a campos, fontes, ilusões. O fruto da esperança tão maduro Morreu em forte seca de emoções... O chão em que plantei, deveras duro, Não teve nem sequer adubações...
Mas restam os meus olhos te buscando Nesta procura inútil e desdenhada. O tempo da colheita vai chegando E no jardim da vida colhi nada. O dia que nasceu, amargo e brando Mostrando cada curva desta estrada
Que leva, simplesmente à tal loucura, Do amor que; sem remédio, busca a cura...
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Escuto a tua voz e inebriado Estendo o coração enquanto passas, O mundo prazeroso que é criado Em todos os caminhos vibra em graças Do amor sou, com certeza, um seu criado. Procuro por seus rastros; ruas, praças.
Adentro nos palácios da ilusão, Encontro em teus olhares tal brandura, E aos poucos nos domínios da paixão, A vida se transforma e com ternura, Eu sinto a mais feliz transformação, Matando em alegrias, a amargura.
Num grito de prazer, escuto a voz Do amor que impulsionando, mora em nós... Marcos Loures
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Escuto a tua voz dentro de mim, Num eco interminável que me esgota Amor quando se trama além da cota Encharca e não dá chances ao jardim.
Amor não é sequer um trampolim; Aonde uma esperança é mais remota Amor com poucas gotas tudo lota, Porém quando demais, pressente o fim.
Eu quero tão somente a vida em paz, No amor que mansamente satisfaz Tempero na medida mais exata.
Não quero ser do amor, mero cativo, Se dele e não por ele, sobrevivo Excesso de cuidado enjoa e mata... Marcos Loures
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Escute esta canção apaixonada Que tantas vezes trouxe a fantasia, Agora representa quase nada, Enquanto o nosso amor adormecia.
Fugindo do clarão de uma alvorada Eu teimo em desvendar falsa alegria Que trazes no teu rosto emoldurada, Oculta na verdade, uma agonia
De quem tentou fazer do sonho algema, Correntes, vis grilhões loucas galés, Atadas ferozmente nos meus pés.
Flâmula libertária, meu emblema Jamais suportaria esta prisão, Liberto a minha voz nesta canção... Marcos Loures
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Escute a voz sublime da paixão Que toca com carinho os teus ouvidos, Deixando-se levar pelos sentidos, Decerto encontrarás gozo, explosão.
O beijo nos alerta em sedução Enquanto em toques brandos distraídos Os lábios percorrendo, decididos Encontram verdadeira tentação.
Na febre que nos toma, num segundo, Amor tão verdadeiro, assim profundo Permite que se veja o paraíso
Juntinhos, nós iremos, com certeza Ao ápice chegar. Farta beleza Num jogo onde o prazer vem sem aviso... Marcos Loures
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Escute a voz macia deste vento Que chega de mansinho e nos afaga. Escute a voz do nosso pensamento Antes que a noite fria venha e traga O doce burburinho calmo e lento Da lua soberana amiga e maga...
Olhando o teu olhar enternecido, Mirando em teus olhos meu reflexo. Do amor que se sabia adormecido No canto mais divino e mais complexo Se fez assim conosco, ressurgido, Acolhido por nós dois neste amplexo.
Amor que nos conserva e nos completa, Neste silêncio todo, acerta a seta...
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Escutava o teu canto, longas noites... E não tinha sequer as evidências Lograva tais insanas penitências Penetrantes, ardentes; feito açoites...
Não queria, mas vinhas... Vis pernoites A cada instante; mágoas sem clemências, A cada canto lúbricas demências... Cantavas, procurando quem te acoites...
Nada mais me restou, zero ambulante Os meus dedos, crivados por teus dentes O que me sobra? Andar qual mendicante.
Farrapos que se seguem, de dementes Sem amanhã; sem nada vou adiante? Sem ironia, diga-me o que sentes.
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Escuta o que te diz o coração Embora muitas vezes rebelado, Esqueça que existiu a solidão Espero teu amor sempre ao meu lado...
Esgote tantas dores que te atingem Não deixe que esta luz cesse seu brilho Os males que por certo já te afligem Não sejam em t’a vida um estribilho...
Enquanto tu dormias impassível, Amor nunca parara de sonhar, Não pense que esse sonho é impossível, Aprenda pouco a pouco enfim a amar...
Amor não necessita professor, Pois ensina-se, amando o que é amor..
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Esculpe a maravilha erguida em paz, A mão que tem amor como instrumento Da divindade emana o seu provento Um gesto em perfeição, o sonho traz.
Mostrando-se deveras tão audaz Um escultor se mostra em sentimento. No mármore tão raro, o pensamento, Expressa o que deveras satisfaz.
Um Fídias que em amor se esmera e prima Eleva-se ao fulgor de tal estima E nisso se permite a perfeição.
Num canto prazeroso, em escultura, Amor de tantos males nos depura Trazendo esta beleza em profusão... Marcos Loures
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Escrúpulos demais! Que coisa horrenda! O sexo nos traz glória, esteja certa. Não quero te dizer amor à venda Mas gozo é necessário. A porta aberta
Deixando para trás a burra lenda Aonde se falava em deus asceta Quem faz o mecanismo da moenda Permite o arco, a flecha e a deusa meta.
Requebros e meneios, seios fartos, Dentadas e mordidas, vale tudo. Vem logo, se preciso até te ajudo
Enchemos de prazer os nossos quartos Viagens por desejos mais safados. Matando os imbecis assexuados!
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Escrito pelas mãos mais delicadas, No peito que te espera, loucamente. Nas luzes que prometes; bem amadas, Procuro deste amor, nossa semente...
Jurando mansidão, vital ternura, Amor bem sabe quanto dor me custa. Querendo rebentar a desventura, Meu sonho no teu sonho já se ajusta...
Não temo mais invernos nem outonos. Eterna primavera em pensamento. Viajo nosso mar, sem abandonos, Vivendo nosso amor, cada momento...
Não sinto mais de mim, a piedade, Que sempre me impediu, felicidade...
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Escrito na minha alma, amor mais verdadeiro; Trazendo, no seu lume, em claridade, o dia... No calor deste afago, a dor se derretia. No mar de calmaria, escorre qual veleiro.
Amor, um lago calmo, embora traiçoeiro. É vale mais florido, e pleno em poesia. A fonte da esperança, alma em rebeldia. Amor, em cada parte, universo inteiro...
No verde esmeraldino, a cor dessa esperança, Acalentando ao velho, acorda uma criança. Amor brandura e dor; amansa e depois trama.
Ao manso traz loucura, acalma em destempero. Do amargo desta vida, amor é um tempero. Mas, na luz de Lucília: amor, serena chama... Marcos Loures
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Escrevo um doce nome em minha agenda, Palavra carinhosa e sonhadora Dedico pra mulher que, redentora, Segredos de minha alma; já desvenda.
Um dia, enfim, quem sabe, em mesma tenda, Amor que a gente quer e não demora, Vibrando de alegria desde agora. A mão em tua mão atada; estenda.
E juntos nós iremos transformar A bela fantasia em realidade, E o mundo mais bonito a desvendar
Em cada passo rumo à eternidade, Podendo, meu amor, deliciar Quem sabe, ter enfim, felicidade... Marcos Loures
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Escarras no mendigo dentro em ti, Culpado pelos erros que cometes. O manto tão sagrado que pedi Asperges com vermífugo em pets;
Na carne exposta o gozo já se ri E varres os escárnios que repetes. Se empunhas tantos pulhas, bem te vi Jogando nos ladrões os teus confetes...
Depois caminhas; livre e sorridente Como se fosse um nada, o quase ser Que mostra como um cão meio sem dente
A face que tu teimas em negar. Talvez seja melhor não se esconder E em todos os famintos vomitar...
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Escarpas e falésias do desejo São urzes, cruzes, pedras, são espinhos. Se tanto teimo quanto te azulejo Nos versos que te faço, tão sozinhos...
Nas arcas dos meus sonhos esquecidos Nas barcas, tantas cracas, incertezas. Dos tempos mais doridos, mais sofridos, Sobraram tantos sustos e tristezas...
Mas amo quem me adora, e isso é fato, Não vejo quaisquer erros em te amar. Sentido mais direto, mesmo abstrato, O trato que fizemos renovar.
Nos bares, ares, cumes e luares, Nos pântanos, charnecas: sempre amares!
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Escaras e profundas cicatrizes Em minha alma, faz tempo tatuadas, Enquanto acaricias, me degradas Negando tudo aquilo que me dizes.
Percebo depressões, riscos, deslizes, Cobrindo totalmente tais estradas, As ilusões fugindo em debandadas. Ainda querer crer; somos felizes?
Condores ultrapassam cordilheiras, Voando em liberdade. Ah! Quem me dera! As dores se tornando costumeiras
Os medos se espalhando no meu chão. A vida não seria assim tão fera Se houvesse, pelo menos compaixão...
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Escancaro essas lápides, meu fim... O derradeiro leito, vou ao léu, Sem torturas, fraturas, tão chinfrim. Essas portas abertas vão ao céu...
Não quero lenços, lágrimas... Cruel Saber que sofrerás. Nada por mim, Epitáfios, coroas, mausoléu. Serei mais uma flor desse jardim...
Por herança, terás meus pesadelos. Na vida eu só plantei velhos novelos, Revelas nessas velas com que velas
Um corpo a mais. Pressinto uma viagem, Amar, aroma, aragem...Que bobagem! Tuas noites serão muito mais belas! Marcos Loures
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Escalo mil montanhas pra te ver, Após as cordilheiras, manso vales, A vida ao espalhar terríveis males Tentando sonegar qualquer prazer,
Permite na esperança ainda crer, Ouvindo a poesia em que fales Dos gozos prometidos, não mais cales, Debruce esta alegria de viver.
Percebendo o final da caminhada, Sentir tua presença já me alenta. Por mais que a noite seja violenta
Decerto inda virá uma alvorada Que, plena de solares emoções, Inundará os nossos corações...
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Escadas para os céus dos sentimentos Variedades tantas, luzes, ritos. Ao longe ouvindo o canto dos aflitos, Mistura de alegrias e tormentos.
A velha escadaria leva ao céu, Esgueiro seus degraus; rumo infinito. Infinitesimal sonho; explicito, E volto ao precipício, carrossel.
Estendo os pesadelos na varanda, A pérola curtida em dor suprema. Ainda sinto a força desta algema
E tudo num segundo, em vão, desanda. As mesmas boas novas repetidas, Espelham o melhor de nossas vidas..
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Escadas para o céu, convites tantos. Nas lendas do passado, fartas luzes. Enquanto os meus olhares reproduzes Espalhas no arrebol magos encantos.
Alquímicas misturas, risos, prantos, Ao mesmo tempo frutas, flores e urzes, De nitroglicerina sonhos, cruzes. Espalhas sedução em versos, cantos.
Dedilhas fantasias na guitarra, A fera me cortando, doce agarra, Ninhadas coletadas de esperanças.
Dos males que em sorrisos tu me afastas, Negando provisões duras, nefastas, Recolho Paraísos como heranças... Marcos Loures
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Esboço que se mostra em face escura, Um arbusto abortado desde o início. Tomado pela insânia e pelo vício Do encanto natimorto, a vã procura.
Erijo meus fantasmas da amargura Revendo em cada passo o precipício, O amor jamais seria um bem propício, Algoz que se disfarça na brandura.
Arranco a fantasia e aqui me exponho, Um velho nauseante, ser bisonho. Rastejo sobre as pedras, vou sem rumo...
A morte, quem me dera, um beneplácito, Vagando sem destino em erro tácito Do nada ao mesmo nada eis meu resumo...
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Esboço de um crepúsculo, céu e sol Azulejando doura e me prepara Para a vindoura lua cara-a-cara. Trazendo pra ilusão, arpão e anzol.
Numa hibridez padeço pintagol, Das artes e artimanhas desampara A carga que me pesa, sem a tara Não deixa ver mais nada no arrebol;
A broa necessita do fubá. Amor sem ter amor não vingará, Morrendo de nascença, um aborteiro.
Na xepa dos meus dias, fim de tarde A lua que não veio, mordendo, arde, Fingindo o seu punhal, cortando inteiro... Marcos Loures
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És uma deusa, linda deusa maia, Uma noite virás para os meus braços! E antes que isso aconteça, quebro os laços Que impediriam de eu chegar à praia...
Bela deusa, levanto tua saia E me embrenho feliz por teus espaços! Não me permita Deus, que nunca eu saia Do paraíso que encontrei... Meus passos
Titubeio, vencido o medo, sigo... E cada vez que penso, não consigo Imaginar-me só, deusa distante...
Meus sonhos virtuais, os meus delírios... A noite que te trouxe, deu martírios! Vento frio acordou-me neste instante! Marcos Loures
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Escolhendo na escala musical As notas em que possa te dizer Do amor que se mostrando sem igual Faz toda esta alegria reviver.
Não posso me esquecer do sensual Carinho que fizeste no meu ser. Beijando calmamente, um bom sinal De toda esta potência do querer...
Invado o teu jardim, belo canteiro E colho em rosas brancas, as vontades. De ser o teu amado derradeiro
Forjando de teus olhos claridades. Flutuo o meu desejo e por inteiro Mergulho no teu braço ansiedades...
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Escassas esperanças, ancas, ócios, Cansaços entre esparsos sentimentos Distante dos estúpidos beócios Já não suportaria mais lamentos,
Sejamos destes sonhos, sempre sócios Que buscam nos seus pares, os alentos, Se os dias não teriam luz; remoce-os Trazendo em tuas mãos os suprimentos.
Escalando o infinito sem receios, Não quero mais usar velhos rodeios, Apenas ser só teu e nada além.
Indômito desejo que nos toma, Multiplicando mais que simples soma, Divina compleição; ele contém...
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Escassas emoções a vida traz A quem não se entregar com atitude Por isso é que caminho um tanto audaz Atrás de um sonho claro: juventude.
Amar é se entregar em plena paz Vestir felicidade que amiúde O vento em calmaria já nos faz Capaz de discernir cada atitude.
Nas torrentes melíferas do prazer Um apiário feito de teus lábios. Quarando uma alegria posso ver
Dias mais concisos nestes sábios Desejos que nos tomam – poesia – Louvando nosso amor com alegria... Marcos Loures
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Escarro em tua boca, amarga Diva, Que um dia se fez minha companheira, A morte se aproxima e tão ligeira Liberta esta minha alma antes cativa.
De toda inspiração, a dor me priva, Jogada da mais alta ribanceira Por mais que tão teimoso, ainda queira Que a Musa seja eterna e sempre viva.
Tu zombas dos meus versos, fazes pouco. Quem fora no passado, insano e louco, Agora, mesmo tarde, enfim se acorda.
A vida que eu pensara em alegrias, Morrendo em meio a vagas poesias, Aperta no pescoço, a fria corda...
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Escarro em teu cadáver, esperança. Amargo a cada dia o teu desdém, Enquanto a brisa calma nunca vem Mordaça da ilusão em mim descansa.
Martírios entranhando, fria lança, Apenas a penumbra inda contém O verso que pensei ser do meu bem, Matou no nascedouro, a vã criança.
O amor que eu tanto aguardo, figadal, Esvaindo-se nos dedos insolentes Da tétrica pantera sensual,
A velha prostituta demoníaca, Enquanto rosna expõe seus fortes dentes Fatídica esperança, vil maníaca... Marcos Loures
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És aquela que vive em meu amor, És tudo o que sonhei cada segundo. Buscando em nosso ninho um bom calor, Desta paixão imensa eu já me inundo...
Os meus males distantes, no passado, Fincaram cicatrizes no meu peito. Mas nada o que dizer, abençoado Por teu amor divino, satisfeito.
Suaves, delicadas, tuas mãos, Carícias e desejos estampados. Quem pensa que meus sonhos foram vãos Não sabe quão felizes nossos prados.
És aquela que salva-me da dor Trazendo tanto alento, salvador!
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Erupções de vulcânica emoção, Cadafalsos deixados no caminho, Espreito cada rosa e vendo espinho, A vida se transborda em comoção.
Acode dissonante da ilusão, Verdade que não vejo mais, sozinho, Velejo pelo mar, e esqueço o vinho, Ainda sinto o gosto deste pão.
Mensagens e marés, ritos, garrafas, Das mãos dos temporais, quando te safas, Aguardas o teu cais que inda não veio.
Opalescentes luzes, lusco-fusco, E tendo tão distante o que ora busco, Um ato soberano ainda anseio... Marcos Loures
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Erráticos meus lábios vão vagando Por toda a cercania; intempestivos, E assim em doces frestas penetrando, Sentindo os teus sentidos mais festivos.
Em toda uma explosão já se inundando Em gozos mais gentis, loucos, lascivos, Eu quero repetir agora e quando Quiseres ter prazer em fogos vivos.
Num rito que repito e não me canso, Alcanço em turbilhões êxtase pleno. Depois ao descansar neste remanso,
Glorificando Amor, um deus errático, Deixando no teu corpo, tão ameno, Sinal do bem querer, quase emblemático... Marcos Loures
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Erraste, meu amor, de professor. Eu finjo uma alegria que não tenho, Apenas a tristeza que contenho, Disfarço como fosse um mau ator.
Os olhos imbecis de um sonhador, Mudando num segundo o velho cenho, Não diz nem a metade do que venho Falar em versos tolos, de um amor.
Minha alma há tanto tempo apodrecida, Lutando com disfarces, pela vida Coberta por um fundo sempre falso.
De todos os meus dias, nada guardo, Fingindo totalmente, amargo bardo, Aguardo no final, o cadafalso... Marcos Loures
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Erramos pelos ermos irreais, Das fontes que bebemos, nem sinais, Os medos se tornaram tempestades, Os olhos procurando veleidades...
Nos pátios que irrompemos, vendavais, Misturo teus venenos mais letais Com as dores que trazem as saudades, Encruzilhadas crivam as cidades...
Das cruzadas partícipe sem rumo, Meu cavalo traz selas prateadas, Minhas naves esperam novo prumo,
As almas me perseguem nas estradas, Da morte sem sentir bebi o sumo... As portas eu deixei escancaradas...
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Ermidas dos encéfalos inglórios, Estúpidas lições sem ter proveito, O quanto nada fomos, nunca aceito, Resíduos dos arcaicos vomitórios.
Os sonhos que são meros suspensórios Jamais me deixariam satisfeito, O verso que não fiz, deseja em pleito, Momentos que não fossem merencórios.
Do cosmos sinto vir a torpe estrela Que enquanto me maltrata, posso vê-la, Perdida entre asteróides e sinais.
Atlântida jamais resistiria À plurifacetária poesia Que entorna em primitivos embornais...
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Erijo argênteo altar; luz colossal Adentra nos beirais, tomando a cena, Desnuda em minha cama esta morena Beleza iridescente, sem igual.
Diamantina taça de cristal Aonde me inebrio em noite plena, Levitação em gozo já se acena, Na tenra sensação: ser imortal.
Deste banquete farto eu me extasio Comendo sem parar, horas a fio, Até que amanhecer trazendo o sol,
Esboce e recomece nosso afã Café delicioso da manhã, Profusa inundação ganha arrebol. Marcos Loures
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Eriçam-se em desejos tantos pelos Da fera que me espreita nessa cama. Carinhos tão gostosos de sabê-los No fogo da loucura a vida inflama.
Não quero nessa trama refrigério, Nem mesmo uma pacata lucidez, O tempo vai passando e sem critério Eu bebo tão somente insensatez.
Na tez amorenada desta musa, O quanto desejei louco prazer. Levando vorazmente a tua blusa E sinto o fogaréu reacender.
Amor vem prometendo ventania Tramando em nós perfeita sincronia... Marcos Loures
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Erguido sobre pés que foram feros, Jamais o nosso amor foi movediço. Tu és o que eu sonhei e o que mais quero Em ti o meu sorriso ganha viço.
Atados pelos laços que eu espero, Amor em nossa vida, bom feitiço. Meu mundo nos teus braços eu tempero Uma felicidade imensa já cobiço.
E tramo toda noite em mil delícias Vibrando em nossos corpos, as carícias São páginas relidas com prazer
Encontro meu caminho e passo a ter, Tratando com carinho a quem sempre ama A vida em plena glória, paz e chama...
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Ergueu-se, se elevando, alçou o Céu, De todos os mortais, o grande amigo. As nuvens recobrindo em belo véu Mostrando que há um pai, o nosso abrigo.
Estrelas desfilando em carrossel, O quanto desejei eu já consigo Deixar o meu passado mais cruel Seguindo cada passo, vou contigo.
Amigo que se fez grande doutor Curando o mal que aflige a todos nós, Tornando verdadeiro, o mago amor
O mundo transformado logo após, Porém há tanta gente que te nega, A multidão caminha ainda cega. Marcos Loures
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Erguermos a cabeça após a queda Permite a calmaria de uma estrada, Amor quando em ternuras se segreda Invade noite e ganha a madrugada.
A boca da morena desejada, Carícia que em delícia a gente enreda; Viola sertaneja apaixonada A pele delicada, pura seda...
Velho trem atravessa a propriedade Levando a treva traz a claridade Dos olhos de quem amo, meus faróis...
Seguindo este cortejo em procissão, Nos passos compassados da paixão Vislumbro a maravilha de mil sóis... Marcos Loures
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Erguer a taça nobre em brinde raro Fazendo deste encanto nosso guia. Amar é se entregar à tal magia Tornando o dia-a-dia puro e caro.
Calando o sentimento outrora amaro, Sentindo a plena paz em harmonia Ouvindo da esperança a melodia, Nos braços de quem amas, teu amparo.
Não ter outro desejo senão esse Do gozo e da alegria, sacra prece Descanso após as lutas e batalhas.
Beber do mel sagrado de uma entrega Mirar a luz sublime que não cega Andar sem temer cortes nem navalhas... Marcos Loures
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És tudo que aspirei a vida inteira, Caminho das estrelas que vaguei... Decerto te encontrei, ó companheira, Nos palácios divinos que sonhei...
A minha alma sofria, carpideira, Em busca dos castelos, quis ser rei; O templo da agonia, minha beira, Por quanto tempo, triste, freqüentei...
Em teus olhos, estrelas fosforescem; Buscando claridade, muitas cegam. Pobres astros obscuros obedecem
Às ordens dos teus olhos, qual farol. Aquelas que, infelizes, vãs, te negam Ofuscam-se no brilho do teu sol!
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