
Glaciares
Data 07/12/2010 00:10:57 | Tópico: Poemas
| A neblina é um corpo desmaiado sobre a terra, O sol recolheu-se em ocaso, E chovem talheres de prata Nas calçadas de pedras gélidas.
Este tom, pastel, do ar São lágrimas de frio, Que encantam tudo o que paira E as túlipas ao entardecer.
Esbelta ventania gelada Que abraça os oceanos, Com assopros polares de magia E metamorfoseia suas águas, num camaleão erudito.
O sangue que pinga no âmago Qual mel vespertino, Derrete as estalactites da alma Agora um lago plantado de cisnes.
No véu que cobre os mares, Rompem barqueiros, como uma quimera Resplandecendo no nevoeiro Uma brisa cruel de vida.
Caronte da vida e da morte, No rio que atravessas sem fim, Leva os Invernos á morte Embrulhados em frios de cetim.
Os relógios que germinam em guerras, Dos equinócios ou da translação em confronto, Voam em seda de pétalas Despercebidas como virgens no sono.
Há um louvor de mistérios, Na geometria das ruas esquálidas, O amparo de um gelo eterno, Nas calçadas de pedras gélidas.
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