
MEUS SONETOS VOLUME 056
Data 06/12/2010 13:22:30 | Tópico: Sonetos
| 501
É madrugada fria, estou sozinho, Sonhando com amor que já partiu. Revoltos travesseiros neste ninho Demonstram quanto amor me repartiu.
Amigo me perdoe, companheiro Se telefono a ti, em altas horas, Escuta este meu verso derradeiro Perdi minha esperança, essas escoras
Que tanto me ajudaram a viver, Agora nada resta senão pranto, Um corpo que se move sem saber Sequer se inda tem forças, desencanto.
As estrelas do céu já se apagaram, Apenas os teus braços me apoiaram...
502
É lúdico brincar com a vontade Da pobre criatura que agoniza Fingindo ser suave e mansa brisa O que sei ser temível tempestade?
Mostrar em face escusa, a liberdade, Fatídica mortalha que, precisa, Estampa a realidade em que se avisa Ao fim da noite o gosto da verdade.
As chagas se aprofundam, corte extenso. A cicatriz jamais conhecerei. O ar que se espalhando sempre denso
Nas névoas agrisalham nosso céu Enquanto a falsidade for a lei, Justiça nunca passa do papel...
503
É líquido o que falta neste embate Batalhas entre atalhos e retalhos Se a vida não permite este combate Rebotes são momentos e atos falhos.
Pirulito batendo tanto bate Afasto os teus desejos, dentes d’alhos Depois a gente inventa um novo engate Bulindo com prazer, penduricalhos.
Abates com delírios minhas asas Roçando com furor, divinas brasas Entraves esquecidos, nova algema.
Os anos que se passam, horas tolas, Enquanto penetrada mais rebolas Dos espermatozóides: piracema... Marcos Loures
504
É lastro que me traz elevação, O velho sentimento em base forte. O que seria enfim, sem tal suporte Apenas o vazio. Negação...
Ao permitir total transformação, Que a solidão agora, amor aborte Tramando em mansidão um calmo Norte Supremo benefício do perdão...
A sólida presença faz com que Tudo seja mais fácil e a cada dia Enquanto humanidade rodopia
Minha alma no futuro ainda crê; Sabendo com firmeza deste arranjo Quem traz em pleno solo o amor de um anjo...
505
E impede a caminhada pelas ruas Mais floridas. Os olhos lacrimejam Distantes desses sonhos que desejam, Flores despetaladas, quase nuas.
As mãos cevam daninhas e espinhentas Abrolhos onde eu quis ter meu provento. Inútil prosseguir, porém eu tento, Imerso em aridez. Não me apascentas.
E segues cada rastro feito em lava, A tez que em falsa luz, infâmia grava, Demonstra, tatuados, pesadelos.
Dos tantos pedregulhos recolhidos, As farpas invadindo os meus sentidos, Fantasmas vão rondando; posso vê-los...
506
É hoje que começa a propaganda Aonde os tais palhaços pedem votos. Quizumba sem igual, tudo desanda Enquanto os pensamentos vão remotos.
Ouvindo mais distante a velha banda Remonto ao meu passado, vejo as fotos Quem marcha com firmeza já não anda Jogando uma esperança nos esgotos.
Sorriso sempre falso diz promessas, Depois vem o poder e tudo muda. Agora num otário a peste gruda
Depois? Foram somente engodo e peças No conto do vigário, eu não mais caio, Ouvindo na tevê tal papagaio...
507
É minha amada, sei o quanto sofres As tristezas que causam te maltratam, A vida nos encerra em tantos cofres Parecendo que nunca mais desatam...
Mas saiba que estarei sempre ao teu lado Em todos os momentos dolorosos A mão que nos afaga, manso prado Perfuma-se nos cardos olorosos,
Ferindo com espinhos, nossos sonhos Trazendo essas procelas mais terríveis Não quero que tu tenhas mais medonhos Pesadelos noturnos tão horríveis...
E saiba que te quero, sou abrigo... Sou teu, com muito amor, somente amigo...
508
É meu princípio, trama, rumo e fim O muito que transportas num olhar, O quanto te desejo, sempre assim, Divina transparência a nos tocar.
Artemísias, gerânios, meu jardim Na febre que transtorna a se entregar Bailando uma esperança sobre mim Em ondas gigantescas, belo mar.
Navego tua pele, solto as velas, Desenho o paraíso em aquarelas E traço a fantasia com meus versos,
Jogado em tempestade o meu saveiro, Percebe o sonho livre e derradeiro, Em vagas ilusões, cantos dispersos. Marcos Loures
509
E Mesmo tão distantes de teu porto, Meus barcos vão buscando ancoradouro, Aos dias em que fomos, já reporto, E sei que em tua pele, o meu tesouro,
Renasce um sentimento outrora morto Abrir do peito a porta onde me douro Amor que se transforma em triste aborto Morrendo mal se fez, no nascedouro.
Da luz do amor imenso, fantasia, Refém desta emoção, aguardo o dia Em plena madrugada vou sem rumo.
Eu quero ter ainda uma esperança, Porém a solidão feroz me alcança E aos poucos me sugando todo o sumo. Marcos Loures
510
E mesmo que isso seja uma ilusão Transporta o pensamento e nos liberta Amor não reconhece uma hora certa, Causando em nosso céu transformação.
A seca se espalhando no sertão Caminhos da esperança; desconcerta, Servindo tantas vezes como alerta Adentra em sofrimento, a plantação.
Viola sertaneja canta à lua Polvilha uma esperança. A madrugada Ganhando em lusco fusco cada rua
Casais enamorados na calçada, A fantasia volta e continua Ponteios da viola enluarada...
511
E mesmo que eu não tenha o privilégio De ter a suavidade de teus lábios. Eu não conceberei qual sortilégio O rumo sem saber dos astrolábios...
Existo e se persisto neste intento, Mantendo acesa a chama da esperança, E mesmo com pavio exposto ao vento, Meu passo destemido não se cansa...
Viajo por ermidas dentro da alma Colhendo as fantasias e ilusões. Até mesmo o silêncio já me acalma Exposto sem temores às paixões
Não me importando, um velho sonhador Aguarda tenazmente, o seu amor.... Marcos Loures
512
E mesmo quando ausente, esta presença Que faz da minha vida, um rito nobre A sombra deste amor que me recobre Já traz, decerto paz e recompensa.
Não quero mais saber de desavença, Se a lua enamorada nos descobre Com raios mais audazes vem e cobre Deixando a noite mansa, menos tensa.
Aguardo que tu chegues de repente Mudando o meu destino totalmente, Portando em teu olhar o alvorecer.
Numa explosão de cores e matizes Ao superar assim as nossas crises Colhemos cada gota de prazer... Marcos Loures
513
E mesmo consumido pelo fogo Do incêndio que devora o coração Pensava que teria desde logo A chama inesgotável da paixão.
Travando nas fogueiras este jogo Que é feito de loucura e sedução, Ardia nos infernos, sem ter rogo, Morrendo, renascia em explosão.
A morte provisória não temia, Enquanto em fogaréu se desfazia Nas brasas de seus sonhos, qual lareira
a vida como fátua labareda, Por mais que algumas vezes nos conceda, Extingue ao fim de tudo, uma fogueira... Marcos Loures
514
É me perdendo em ti que mais conheço Os passos necessários desta vida. Querer saber se amor, de ti, mereço, Imagem delicada e mais querida... Sabendo, o coração; teu endereço, A sorte que eu queria, decidida...
Revelo; amor, assim, os meus segredos Desvendo em teus carinhos, meu futuro. Não quero mais que a vida traga os medos Nem quero meu caminho mais escuro. Misturo nossas tramas, meus enredos, E sonho ter em ti, porto seguro...
Por seres a razão do meu sorriso, A paz que procurei, meu paraíso....
515
É feita em cicatrizes, descaminhos, A noite em solidão. Nos temporais Bebendo avinagrado e amargo vinho Encontro das tristezas, catedrais.
Ouvindo o antigo blues, peço carinhos, Apenas dos acordes musicais, Imagens percebidas, sensuais, Perdidas entre os velhos burburinhos...
Meu corpo anda distante de minha alma, Nem mesmo um beijo audaz, agora acalma, Jogado nas calçadas, cão vadio.
Tantas vicissitudes recolhidas, Esperanças revoam, vão perdidas, Deixando em seu lugar, o medo e o frio... Marcos Loures
516
É feita da verdade deste amor A luz em que mergulho a cada dia, Recebo deste imenso refletor O brilho em que esperança se irradia.
Fazendo do meu verso este louvor, Um hino em que permito-me alegria Um templo em que o desejo vem propor Além de simplesmente fantasia.
Vestindo estas estrelas que me deste, O amor que tantas vezes nos reveste Esplendorosamente toma a cena.
Viver esta ventura de ser teu Aonde luz suprema se verteu Na fonte inesgotável, clara e plena... Marcos Loures
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É feio soltar peido ou arrotar, A gente aprende desde a tenra infância. É falta de respeito e de elegância Melhor sair bem manso do lugar.
Segure esta vontade de cagar, Se ela vier bem forte, tente e canse-a. Eu vejo nisto tudo, discrepância A pança não tem hora pra roncar.
Não venha me dizer: civilidade, Depois vem defendendo a liberdade Até chegar quem sabe, no Congresso.
Aí é que uma porca torce o rabo, Aquilo que era calmo fica brabo Roubando e até de Deus cobrando ingresso... Marcos Loures
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É fato que amizade verdadeira Derrama farta luz por sobre quem Sabendo desde sempre deste alguém Que aplaca ou mesmo acende uma fogueira.
Não quero uma palavra lisonjeira, A dura realidade, quando vem Descarrila depressa o nosso trem. Amizade não se compra nem faz feira.
É como um vinho antigo e valoroso, O tempo vai tornando mais gostoso E traz raro buquê a quem persiste.
Rompendo qualquer grade, traz o brilho Dourando este caminho no qual trilho. Por mais que a marcha seja amarga e triste
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E em meio a tantas ondas de prazer Declino o meu olhar agradecido Por vezes tão distante, vão, perdido, Agora recomeço a perceber
Que toda a sapiência do viver Expressa o tempo em paz amanhecido No braço sempre calmo e concebido Em momentos sublimes do querer...
As lágrimas deixadas para trás Goteja tão somente em placidez O lago aonde eu possa descansar
Meus olhos bem distantes da voraz Paixão que se entornando vez em vez Impede que o ribeiro chegue ao mar... Marcos Loures
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É hoje nesta data especial Que venho com meus versos te dizer. Tu és; minha querida, sem igual, Tua presença sempre a enobrecer
Doçura assim, sem par, fenomenal, Tão rara de encontrar e de saber. Tua meiguice sempre natural Trazendo no sorriso o bem viver.
As tuas homenagens são tão belas Levando tanto amor a todo mundo. Agora ao acendermos nossas velas
Na comemoração por este dia, Desta ternura imensa já me inundo, Desejando-te amor, paz e alegria.
521
E grito ao mundo inteiro: eu sou feliz! Outrora vislumbrara a paz suprema. Pensando ter comigo o que mais quis Rompendo com passado cada algema.
Correntes e grilhões já esquecidos Deixados para trás... Pura ilusão Miragens embelezam os tecidos? Aos poucos a ruína toma o chão.
Quem dera se eu pudesse. Quem me dera... Não tenho outro caminho, sigo só. O vento que trazia a primavera Estorna a fantasia e deixa o pó.
A vida preparando esta surpresa: À noite a solidão, trama a tristeza Marcos Loures
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E foste me inundando totalmente Qual fora um maremoto, um furacão, Incontida vontade em explosão Tomando minha vida num repente.
Andando pelas ruas qual demente Sem ter sequer nem rumo ou direção Perdendo, num momento, todo o chão, Não tendo ancoradouro que se invente.
Apenas a colheita prometida Fartura feita em safra, ganha a vida Causando no final, doce torpor.
Meu ópio ensandecendo enquanto cura, Na fonte prometida em paz, ternura, Há tempos conquistaste meu amor. Marcos Loures
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É força que em si mesma o bem explica, Uma amizade feita em plena luz. Ao sonho realizado nos conduz Trazendo a senda clara, amável, rica.
Amiga verdadeira não complica, Um ouro soberano que reluz A amada liberdade reproduz E ao mesmo tempo do meu lado fica.
Por mais que à tempestade ela resista Jamais permitirá ser egoísta Aquela que se mostra companheira.
Em destemor permite cada passo, Estreita cada vez mais forte o laço Tornando uma alegria corriqueira... Marcos Loures
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É fim de caso, eu sei; fazer o que? Se apenas restará uma lembrança O quanto o coração se fez criança Uma alma ensandecida não mais crê.
Procuro os seus sinais –Amor, cadê? A noite tenebrosa vai e avança Asfixiando assim esta esperança Que morre a cada dia, sem você.
Sobreviver num tal malabarismo, À beira deste vão, cruel abismo, Cismando pelas ruas, solitário...
Quem sabe noutro tempo, noutra vida... Só sei que minha sina está cumprida, O amor foi aliado e adversário...
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É festa que teremos, com certeza, Com bolo, tantos doces e salgados, Refrigerantes, risos sem tristeza Em fogos de artifício demarcados.
Num canto de louvor eu agradeço A Deus por ter me dado esta amizade. Que ajuda e nos ampara no tropeço E traz à nossa vida a claridade.
Por mais um ano, amiga, desfrutamos De toda esta alegria de poder Contarmos com carinho que encontramos Nos braços de quem sei, um bem querer.
No teu aniversário, novamente, Meu coração se apraz, fica contente...
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É festa que se faz A quem queremos tanto, Que a vida siga em paz, Tramando seu encanto, No sonho que se apraz, Secando todo o pranto.
Quem aniversaria Merece uma homenagem, Não só por este dia, Por toda esta viagem Que é feita em alegria, Sem dar pra dor, a margem.
Enfim comemorar, À vida, sem parar...
527
E deste teu amor, com liberdade, Bem sei que nada disso foi segredo; Quem sabe te encontrei, felicidade, A vida não mais cabe tanto medo...
Eu quero desfrutar de ti,querida, E conhecer teu corpo, sem pecados. Eu vejo uma esperança dividida De ser feliz em meio a tantos fardos...
Recebo teus carinhos, como um vento Que sopra em meus cabelos, mansamente. Amor que não me sai do pensamento Amor que me domina totalmente...
Eu quero dedicar meu canto a ti, O sonho mais bonito que vivi...
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E depois, descansar o meu cansaço É coisa que jamais pretenderei. Se tanta vez, estúpido eu errei O resto se perdendo sem cadarço.
O mar que se lotando de sargaço Impede o que em sonhos naveguei, O velho desdentado sabe a lei Mordendo com total desembaraço.
As rotas navegáveis da ilusão Sofrendo com a vil má digestão Mudando o meu humor, faz bilioso
Caminho que pensara ser formoso, Agora se tornando caprichoso Aderna a minha antiga embarcação...
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E depois deste muito caminhar Vagando sem ter rumo, estrelas tantas Constelo a tua andança e venço o mar Aonde tu enterras sacripantas.
Gerindo este puteiro feito em lar, Não quero mais as poses, falsas, santas. Discórdia que costumas cultivar Apodrecendo o grão sonegam plantas.
Se a mesa desta sala virou bar, A sorte há tanto tempo já quebrantas, Os gozos delicados sempre espantas
Deixaste esta mortalha no lugar Se a cada novo dia desencantas, Não tenho mais motivos pra sonhar....
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E em luas tão distintas naufragar Investido de sonhos e de gozos. Vencendo uma procela ganho o mar E dias sempre belos, prazerosos.
Correndo no infinito sem parar Montado em carrosséis voluptuosos Nos cavalos marinhos galopar Deitando mil delírios olorosos,
Misturo fantasia e realidade Embarco num cometa sem destino. Bebendo de tua boca, na verdade
Varanda dos meus sonhos de menino, A lua me mostrou felicidade No corpo da morena, eu desatino... Marcos Loures
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É duro perceber cada lamento Que invade e desentoa a minha voz. Os dias se passando tristes, sós. Não tenho mais sequer discernimento
A morte se aproxima e com o vento Resulta num tormento tão atroz, Amor que já se foi, feito em algoz Não deixa mais florir meu pensamento.
E tudo se transforma em triste vaga, A luz de uma esperança já se paga, Deixando a solidão, feroz herança.
O frio transtornando a noite imensa, No bafio da fera esta descrença Somente insensatez plena me alcança...
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É duro despedir-me de quem amo, Parece que metade sai de mim. De novo a solidão. Mas não reclamo O dia nascerá de novo, sim. Amor que em versos, cantos eu proclamo Trazendo toda a glória eu tenho, enfim.
Vivera tanto tempo em que uma noite Morria simplesmente sem aurora, A vida se mostrava duro açoite Cortando minha pele, mas, agora Sabendo que depois deste pernoite Jardim feito alegria, manso, aflora
Em rosas multicores e trará Outra alvorada; em luzes, chegará... Marcos Loures
533
É dom que Deus me deu e nada além. Brincando com o barro das palavras. Se às vezes descarrilo o velho trem, A seca não domina minhas lavras.
Antigo coração é sempre o mesmo Que come da esperança a se fartar, Mineiro viciado num torresmo Não vê nem quer saber que irá faltar.
Pacato cidadão, pago os impostos, E compro falsidades no antiquário. Não quero ser teu peixe neste aquário
De risos tão canalhas, decompostos. Resido aonde a luz tem endereço, E sei cada desprezo que mereço...
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É cíclica a vontade de beber Uma aguardente feita em ilusão. Ao menos me dará qualquer prazer Embora nunca seja a solução.
Nos olhos da morena eu pude ver, O rio se perdendo em turbilhão, A sorte de ganhar ou de perder, Vagando pelo espaço encontra o chão.
A faca com certeza tem dois gumes, Assim como são vários os perfumes Que a moça prometeu em primavera.
Coleto os pedaços do que fomos, Comendo vez em quando fartos gomos, Sabendo quão gulosa esta pantera... Marcos Loures
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É certo que pequei, eu não discuto. Errei ao perseguir teus mansos passos. Tantas vezes, perdido, fui tão bruto. Outras tantas, busquei-te, vãos abraços...
Ao longe, transtornado, então me enluto; Por ter, assim, entrado em teus espaços; Tens razão: destruir um podre fruto, Rebentará, decerto, falsos laços.
Mas peço, por favor, por caridade, Não deixes este sonho se acabar! Em vão, já procurei pela verdade,
A luta se mostrou leda, temprana... A noite, meu amor, trouxe o luar, Te espero, minha amada Cassiana!
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E calço uma esperança Assanho o pensamento, Convido para a dança Não deixo um só momento Minha alma já se lança, Em fogo e sentimento.
Amor é ter prazer E ser felicidade. Não tendo o que temer, Aguardo, ansiedade, Vontade de poder Amar-te de verdade.
Vem logo, sem temor, Entregue-se ao amor! Marcos Loures
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E cada vez mais tenho essa certeza De que valeu a pena te esperar, Por mais que seja forte a correnteza Eu sinto o vento vindo devagar
Trazendo o teu perfume, e com destreza Eu sei cada momento desfrutar. Quem tem amor sincero sempre preza Colhendo as perlas raras deste mar...
Eu sei que tua estrada foi vazia, Depois que tu partiste num cometa Um anjo anunciando em alegria
Ecoa aqui bem perto esta trombeta Dizendo que voltaste após a espera Na fúria delicada de uma fera..
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E busco em cada frase uma maneira De dizer a quem tanto assim me encanta Que a estrada mais feliz e derradeira Se faz nesta emoção que se agiganta.
Eu quero esta paixão tão verdadeira Que entorna em minha vida, a luz que é tanta De todas as vontades, a primeira, O poder me entregar. Minha alma canta;
Mil versos te farei se for preciso, Apenas pra dizer o quanto eu te amo. Saudades deste amor, meu paraíso,
Eu quero me entregar de novo a ti. Amada, esta presença que reclamo, No coração que chora, eu me perdi! Marcos Loures
539
“E deles vem surgindo um claro manto!” Assim pensei um dia, em vão tormento, Recebo como herança o desencanto Toando este estribilho em desalento.
Coleto do que fomos; farto pranto, Um resto de ilusão traz sofrimento, O quanto se perdeu m frágil vento, A noite vai restando em negro manto.
Há tempos eu sorria pelas ruas, Tentando disfarçar antigos medos. Imagens que carrego, amor são tuas,
Tentando relembrar tanta beleza, Porém um amargura impõe seus dedos Rasgando a minha pele esta tristeza... Marcos Loures
5540
E dela num mergulho alvissareiro; Estrelas que dominam céu e mar, O canto de promessa é verdadeiro O derradeiro gesto diz amar.
Empresto o coração ao sonho leve De quem em tantas vezes foi sutil, A mão que te acarinha, que te enleve E leve o que se mostre mais gentil.
Nas tílias e verbenas, o jardim, Forrando os nossos sonhos em mil cores, Vicejam; sobretudo, dentro em mim As mais divinas belas, raras flores
Espalham tal aroma que inebria Espelha o nosso amor, plena alegria... Marcos Loures
541
E de novo, quem sabe, caminhar Galgando assim espaços mais diversos Quem planta e só deseja cultivar Não vê outros tormentos, vãos, perversos.
Meus olhos nos teus olhos quando imersos Permitem cada sonho a se espelhar Cevando os infinitos universos Aonde tantas vezes mergulhar...
As marcas do passado são apenas Detalhes que em verdade sempre encenas Tentando algum nuance mais amargo.
Veredas que caminhas, amplidão, Torrente desejosa da paixão Vislumbra o Paraíso, sem embargo...
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É de manhã, o sol brilha no orvalho Dançando em mil gotículas, cristal... No quarto refletindo qual retalho Decora o belo corpo magistral...
Ao ver este convite para a vida, Levanto o meu olhar para te ver, E sinto que encontrei a paz perdida Nesta mulher vestida de prazer.
A chuva que caíra em meu passado, Dando lugar ao sol maravilhoso, No amor que pressenti ter encontrado,
Vontade de sair e passear, Neste calor sereno e tão gostoso, Certeza de poder de novo amar...
Marcos Loures
543
É como se eu soubesse que virias Mudando a direção de minha vida, Em raras filigranas sintonias Harmonizada luz já percebida.
Além de simplesmente fantasias Reflexos de uma história não vivida Retendo em suas mãos, antigos dias Imagem nalgum canto concebida.
Eu lembro ter te visto, não sei onde, Tu eras a princesa e eu visconde Ou quem sabe fugiste de um convento...
Só sei que tanto amei quem amo agora, Passado novamente já se aflora Na armadilha sutil do pensamento... Marcos Loures
544
É claro que eu senti minha querida Morena tão cheirosa e mais gostosa, A noite ia ficando sem saída Sozinho, sei que a vida é caprichosa
Não tendo o teu perfume, minha rosa, Minha alma vai sem rumo e tão perdida. Vem logo moreninha tão cheirosa, Não quero mais sentir a despedida.
Meu verso sem juízo te provoca E assim vamos brincando em gozo e riso. Tatu não esquecendo a doce toca
Procura então portal do paraíso. Sentindo o teu gostinho em minha boca, Eu tenho, meu amor o que preciso... Marcos Loures
545
É cíclico o caminho que perfaço Num carrossel imenso, a minha vida, Por vezes me tomando este cansaço Não dando nem mais crédito ou saída.
Arrasto os meus chinelos quando traço Circunavegação que não me agrida, Usando a fantasia por compasso, No fundo não desejo a despedida.
Mas tenho que ir embora, amanhã Quem sabe voltarei feito um cometa, Minha alma é suicida, um talibã
Armando uma tocaia para o Tio, Embora reconheça esta falseta, Mergulho há tanto tempo no vazio
546
E agora está comigo em harmonia A dona dos meus sonhos, minha musa. A vida do teu lado, em alegria, Distante ela se torna mais confusa.
Nos olhos da pantera eu me vicio Embora o bote seja assim fatal Sorvendo do prazer em cada cio, Amor que sei sem fim, descomunal.
Vencido pelos olhos desta fera, Eu sinto que encontrei felicidade. Amor que em amor vida tempera Permite à vida sempre qualidade.
Eu sou o que tu queres, sabes disso. Contigo a vida ganha novo viço... Marcos Loures
547
E a turba seguirá rumo ao descaso Depois de ter plantado tempestade Se eu faço o que quiser, não vem ao caso, Nem bebo este aguardente. Pois me aguarde
Sem guarda preparada, o meu ocaso Se molda quando a lua teima e invade Barraco da ilusão, mas findo o prazo Eu sigo sem juízo, a liberdade...
Imagem de mulher, se a vista turva Balança desejosa e mostra a curva Aonde derrapei durante séculos.
Especulando assim o meu destino, Abrindo este portal já descortino Beleza que adivinho nos espéculos...
548
É bom viver No amor intenso Mas quando penso No tal sofrer
Sem teu querer Seguindo tenso, Num ar tão denso Penso em morrer...
Seco jardim Matando em mim Ternura e flor.
Sozinho eu sigo, Sonho contigo Jazigo: amor...
549
É bom sentir o gosto desta festa Em que nós poderemos ser felizes. O tempo vai passando e o que me resta Esconde o que eu já trouxe em cicatrizes.
Versando sobre o canto em que se empresta A fantasia imersa sem deslizes Nas sendas tropicais de uma floresta Belezas se ocultando em mil matizes.
Em sedas e organdi desfilas nua, Passeias pelo quarto, sedutora; Reflexos sombreados sob a lua
Em ímpar sensação, a festa feita. Por sobre alvos lençóis amor se deita E a noite em raro brilho, enfim se doura...
5550
É bom sentir aqui tua presença Que me acalenta tanto e me traz paz. Dotada de ternura tão imensa Teu canto sempre acalma e satisfaz.
O dia a dia mostra em desavença Do quanto o ser humano é bem capaz. Porém tendo o carinho, a recompensa Em manso amparo – amada, já se faz.
Ao me aninhar contigo nos teus braços, Percebo uma esperança duradoura. Se a vida noutra vida assim se doura
Mais fortes, com certeza nossos passos Na senda tão difícil desta vida, É bom te ter aqui, minha querida... Marcos Loures
551
É bom saber querida Porém o que me importa Estar em tua vida, Abrindo sempre a porta
Sem crer na despedida Meu barco em ti se aporta Por Deus, palavra ungida Aos sonhos sempre exorta.
Saudade do carinho Nas noites de luar, Chegando de mansinho
Teus lábios oscular, Percorro este caminho E volto a te encontrar... Marcos Loures
552
É bom poder voltar ao teu regaço Depois de tanto tempo em perdição, Saber como é difícil a sensação Da vida sem carinho e sem abraço.
Voltando para a casa, aperto o passo, Pois sei de uma alegria, a direção, Durante a vida inteira andei em vão, Agora a redenção, conheço e traço.
Rasgando os velhos mapas do desejo, Apenas o tesouro que ora vejo Valeu pelos milhares que eu buscara.
De diamantes falsos me cansei, Vassalo dos anseios; cri-me rei Julgando ser a treva, lua clara...
553
E assim, felicidade bate à porta Daquela moça amarga que me morde, Sem ter uma alegria que inda aborde A vida se mostrou cambeta e torta.
Surtando todo dia, sem vacina, Veneno de lacraia dói demais. Pensando que nós somos tão iguais Enquanto mostra a língua, desafina
A velha caninana não sabia Falando com sobeja galhardia Rasteja balançando seu chocalho.
Agora eu aprendi: quem me despreza, Um crucifixo serve de defesa Além deste punhal, cabeças de alho.
554
E assim sou vencedor, mesmo vencido Jogado contra a lona saio rindo. Amor que me pegara distraído Agora se tornando audaz e lindo.
Abrindo estes caminhos vida afora Cercando de loucura estes beirais Delícia que esfaimada me devora Deixando este sabor de quero mais.
Convites para festa de hoje à noite Entrada permitida pra quem quer Sentindo a tua língua em doce açoite Penetro os teus desejos, se vier.
Assim nós vamos juntos, não se esqueça Mergulhe em bel prazer e compareça...
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E assim nós viajamos loucas sebes Mudando a direção de nossas vidas O quanto em maravilhas tu concebes Permitem afinal, belas saídas.
Eu tenho uma alegria que não cessa Nem mesmo o tempo irá nos afastar. Amor que muito além de uma promessa Tomou a nossa história, devagar.
Amor que se vislumbra, um manso rito Alvoroçando assim meu coração. Do quanto nosso amor é mais bonito Entendo nele glória e perfeição.
Deste cenário feito em claros traços Ascendo ao infinito nos teus braços. Marcos Loures
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E assim eu cantarei a noite inteira Pensando nesta flor maravilhosa Que é feita de uma luz mais verdadeira Beleza em meu jardim, divina rosa.
A sorte em minha vida, costumeira, Se faz em cada canto gloriosa, Mostrando que a paixão mais feiticeira É feita de uma noite tão formosa.
A lua na janela, em pleno amor, Brilhando no teu rosto divinal, Esplêndida rainha a recompor
A vida que pensara no final. Meu verso te agradece em serenata, Reflexos do luar, da cor de prata... Marcos Loures
5557
E a sorte de te amar se faz tamanha Depois dos temporais que eu enfrentei, As nuvens agrisalham minha grei, A sorte que buscara ora me entranha
E mesmo que pareça tão estranha, A treva que cerzira me fez rei. Tecendo alegoria eu te busquei O gozo da alegria então me banha.
Qual ninfa desnudada em calmo lago, Dos olhos prazerosos cada afago Trazendo a luz suprema me permite
Que tudo seja além de um mero sonho, E quando a fantasia enfim componho, O amor não reconhece mais limite.
5558
E a dose sem limites, tu repetes Pedindo novamente, sempre mais. Nas camas, nas esteiras, nos tapetes Meu corpo do teu corpo faz seu cais.
Gemidos e sussurros não poupamos, Apenas deciframos mais enigmas Nos poros e nos olhos nós sangramos Marcando em cicatriz mansos estigmas.
A lua ejaculando raro brilho Por sobre a imensidão desse oceano, Aventureiro, estrelas quando trilho, Enquadro cada imagem: sonho insano.
Enquanto a noite segue em fúria plena Eu trago esta moldura em rara cena. Marcos Loures
5559
E a chuva que parara recomeça, Meus olhos gotejando vida afora. A lua enegrecida me decora E a estrela dos meus sonhos vãos, tropeça...
O sol que imaginara não regressa, A sorte tão distante se demora, Meu barco num naufrágio não ancora. Felicidade? Tola e vil promessa...
A morte se aproxima sorrateira A chama desenhando na lareira Os espectros macabros de nós dois...
O corte se aprofunda e me incendeia, Imagem terrifica e bruxuleia Traduzindo o vazio do depois...
5560
Em plena sexta feira, noite cheia... As horas devorando, o tempo passa; Caminho pelas ruas, sinto a farsa De todos pesadelos... Incendeia
O luar, tudo claro. Vem, passeia Pelas vielas, u’a triste carcaça... A noite clareando não disfarça A criatura. Peço que não creia,
Mas seus pelos, as garras os gemidos... As presas procurando presa, ativas... Quem me dera jamais tivesse ouvidos!
A noite, transformada em infortúnio, Traz a dor dessa fera que cativas, Agonizando a cada plenilúnio!
61
Em plena obscuridade em nossa vida, Assim quando esperança se afastou. Quando estrada parece mais perdida, Quando em nossa alma, tudo já nevou.
Quando a luz, se apagando, vai embora, Quando o tempo demora a transcorrer; Quando em plena tristeza, tudo chora, Quando temos vontade de morrer...
A lua se escondendo, negritude... A vida se perdendo, impaciência... E quando a solidão, tanta e amiúde. Surge neste negror, fosforescência...
E resplandece nesta obscuridade, O brilho verdadeiro da amizade!
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Em plena madrugada flóreas ramas Expostas em vestais pressentimentos. As torres que tivemos, pensamentos, Nas horas mais silentes tecem tramas.
Se penas e por isso pensas, amas, Que saiba que não sabes dos tormentos. Vivendo desfraldados sentimentos, Refazem nos teus olhos fogo e chamas.
Nos pavilhões das dores que proclamas, O rumo se transtorna por momentos. Mergulho meus sentidos tantas lamas.
E salvo sem saber os mansos ventos. Nas ramas que sentindo não proclamas, Aguardo esses dilúvios, sofrimentos...
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Em plena cordilheira um condor alça vôo. Andina claridade o vento forte e frio. Meu coração gelado outrora tão vadio, Olhando lá de cima, amores sobrevôo.
As dores que causaste eu bem que te perdôo, Do alto da montanha espero um novo cio... A moça que reparo à beira deste rio, Corpo delicioso, eu sempre me atordôo.
Nesta pele morena, a boca deslizar! Amor sempre alucina o meu peito, o luar... Quem não amou, na vida, embalde teve nada!
Mergulho sobre a moça um vôo magistral, Nos meus braços, retenho, o sonho genial, De ter teu corpo aqui promessa de alvorada... Marcos Loures ]
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Em plena calmaria, a trovoada Depois da tempestade, calmaria A gente sem amor não vale nada A noite sem você prossegue fria.
Estampo no meu rosto esta vontade De ter a companhia de quem amo, Depressa vem querida que a saudade Não deixa no arvoredo qualquer ramo.
Aroma delicado da morena Chegando bem juntinho das narinas, Enquanto a lua tenta roubar cena Seus olhos iluminam as cortinas
Calando dentro em mim qualquer tristeza Amor faz o banquete e a sobremesa...
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Em plácidos caminhos encontrei Mulher que feita rosa me inebria, Carrega o bom perfume que busquei Em noite tão escura, leda e fria. Imagem soberana que tracei Uma escultura viva, em fantasia...
Vivendo a cada dia mais feliz, Vislumbro depois disso, em novo mundo, Aquilo que sonhara e que assim fiz Bandeira em que mergulho, enfim me inundo Neste oceano imenso. Eu sempre quis Beijá-la nem que seja num segundo
Por isto te convido para a festa Uma última esperança que me resta... Marcos Loures
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Em poses tão gentis e sensuais A doce transparência traz aos olhos Os seios que decerto magistrais Recebem silicone em flor, aos molhos...
Milagres da informática, eu bem sei, Transformam qualquer forma em perfeição. Qualquer pilantra agora vira rei Safadeza virando o ganha pão.
A boçal que bigbroda em belas pernas Paparozeada num estúdio Escondendo sutis suas cavernas Expressa sem temor e sem repúdio
O que nas falsas cenas se recria Gerando tão somente a fantasia... Marcos Loures
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Em pleno paraíso me encontrei Ao ver tua nudez por sobre a cama. Sentindo a maravilha de ser rei, Voltando a reviver perdida chama.
Tocando levemente cada ponto Do corpo escultural que estava ali. Sem senso, me inebrio, fico tonto, E sinto como é bom tudo o que vi.
Não pude me esquecer deste momento Guardado nas paredes da memória. O tempo vai passando como o vento, Mas tenho essa divina, imensa glória.
Depois de tanto tempo se passando, Tua nudez persiste iluminando...
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Em pleno azul do mar perdi meus sonhos, Barcos que em um naufrágio se perderam. Os dias- solidão- ficam medonhos, Os lábios da tristeza me lamberam.
Quem teve em sua vida, olhos risonhos, Mordazes sensações que reviveram Fazendo dos meus cantos mais bisonhos, E os passos libertários não imperam.
Vagante, vou sem nexo e sem destino, Melancolia enorme se acercando. A fonte dos meus versos vai secando,
E aos poucos – sem ninguém- eu me extermino E morro pouco a pouco, gotejando, Sangrando aqui sozinho, eu me alucino...
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Em plena simbiose, nos unimos E vamos pelas noites, dois insanos. Vivendo sem temores, soberanos, Os nossos passos vencem velhos limos.
Os olhos se perdendo em altos cimos, Arcando em infinitos sobre-humanos, Mergulhos em estrelas, noutros planos Decifras em delírio o que sentimos.
Por mais que a vida trague seus problemas, Amar e ser feliz, antigos lemas Que fazem deste encanto, um ritual.
Vencendo as mais temíveis tempestades, Alçando nos teus braços, liberdades, O amor que a gente sente, triunfal... Marcos Loures
5570
Em nome da amizade que nos une Eu peço mil perdões pelos enganos A vida, na verdade já nos pune E impede que sigamos velhos planos
Na fúnebre saudade que hoje trago De um tempo mais sincero e mais feliz Amiga, necessito o teu afago, Não quero mais a morte que prediz
Quem sabe desfiar tantos segredos Na astróloga vontade de saber Aonde se encontraram nossos medos Por onde salvarei meu bem querer.
Eu peço, encarecido, então, querida, Que salves com perdão a amarga vida... Marcos Loures 571
Em noites provocantes, vaporosas, Na pele nívea forma delicada. Olores penetrantes, flóreas rosas, Moldando uma beleza imaginada.
As mãos que se procuram, mais fogosas, Encontram fonte rara disfarçada Debaixo dos espinhos nas formosas Flores, já despidas e sem nada.
Pairando pelo quarto, bruxuleia A luz que em transparências traz o dom De dar um sedutor tom sobre tom
Na perla que se mostra e que incendeia Aberta a camisola, sem receios, Explodem pequeninos, duros seios...
572
Em noites mais perfeitas, estreladas Percebo a direção de mansos ventos. Vontades e palavras demonstradas Além de simples e ermos pensamentos.
Na dança que se faz em glória e riso, Amiga, irei contigo aonde fores. Por mais que a chuva chegue sem aviso Em ti eu já concebo belas flores.
Sementes que plantamos e cevamos Garantem a colheita que virá, No quanto desejando respeitamos A sorte sem limites brilhará.
Que a luz desta amizade nos persiga, Podendo assim dizer: tenho uma amiga! Marcos Loures
573
Em minhas mãos contendo a maravilha De um dia mais feliz que procurara Deixando bem distante a senda amara, Adentro o puro amor, e sigo a trilha
Da luz que tantas vezes, andarilha A minha redenção desamparara. Cortando bem mais fundo, em dura escara, Fechando dos meus sonhos a escotilha.
Em cântaros meus olhos se verteram, Até que finalmente perceberam Estrela matutina que se alcança
Apenas num segundo, em pensamento, E o brilho desta estrela num momento, Entorna sobre nós rara esperança Marcos Loures
574
Em minha timidez, o medo aflora. E vagando a minha alma na moldura, Qual tela que me deste, uma escora Que possa me ajudar na mata escura
Enfrentando fantasmas. Sou agora; Do verbo original, a criatura Que em mar tempestuoso não se ancora E morre simplesmente, sem candura.
Teus pés já foram bases deste sonho, Amada sensação de fonte e ponte. Oriundo dum dia mais medonho
Fantasia proposta não me cabe, Vislumbro uma esperança no horizonte, E vou antes que o amor, em ti, se acabe...
575
Em minha alma, velórios e varizes Recebe tantas gotas de veneno. Teus lábios; dois sedentos infelizes Bebendo todo o sangue num aceno.
Mas peço, se vieres logo avises Num tiro ou explosão, ou algo ameno. Carinhos penetrantes, lutas, crises, Em todos, estou certo, eu me enveneno.
Coberto por mentiras, t’as mantilhas, Não restam deste amor sequer mobílias. Apenas tanta dor em procissão.
Remendos não resolvem o fiasco, Tu sabes, não preciso de sermão. Se a boca que me beija é meu carrasco...
576
Em pétalas divinas, meu jardim Floresce com perfeita sintonia Mostrando o que melhor existe em mim, Forjando com paixão a poesia.
No dia que virá em luz e flama, O tempo não permite outro final. O quanto a gente quer e já se inflama No jogo que não cessa, sensual;
Consensos encontrados, vamos nessa Que o tempo nunca deixa de passar. Assim que esta vontade recomeça O jogo nunca pode terminar.
Refaço este caminho e não me canso, Deitando nos teus braços meu remanso.
577
Em perfumes e cores misturadas Mostrando suas faces bem mais belas. Distantes ilusões foram aquelas Que a vida nos tomou, suas guinadas.
Por certo são mais finas, delicadas, As múltiplas facetas das estrelas. Das rosas, que vermelhas, amarelas, Rainhas dentre as outras nas floradas.
Assim, uma amizade nos decora, Deixando nossos passos bem mais fortes. Curando calmamente tantos cortes,
Apóia meu caminho mundo afora Não há nada mais rica, alvissareira, Que uma amizade plena e verdadeira... 578
Em ondas, peixes, mares e marés, Reféns da fria noite que não vinha, Atando estes grilhões, cortando os pés, O corte mais profundo sei que tinha.
Olhando tantas vezes de viés, Mordazes os sorrisos da avezinha Pousada no meu barco, no convés, Migrantes esperanças de andorinha...
O tempo vai passando e nada muda, Apenas a vontade sempre ajuda, Porém se resumindo sempre em nada.
O barco tremulando em tempestade, Nos olhos da andorinha, a claridade Imita em perfeição uma alvorada... Marcos Loures
579
Em ondas tão convulsas, explosivas, Fomentando a fornalha desejosa As bocas tatuando, corrosivas Deixando a cicatriz maravilhosa...
Da eternidade túrgida, insensata Sem ter nem nevoeiros, só trovões, Embrenhar-me na densa e pura mata Na busca do prazer, escavações.
Nas incursões sedentas e famintas Ouvindo tua voz quase gemente, No corpo que esculpi, as tantas tintas Vontade de saber-te, isso é urgente!
Em ondas me transtorno, em ti mergulho, Singrando neste mar, forma um marulho...
5580
Em nossas tardes febres e rompantes Nos arvoredos viva primavera, Da sílfide os desejos transbordantes Vasculho diamantes. Quem me dera!
Esplendorosamente em cada toque, Aos poucos vou bebendo desta fonte, Antes que o céu de lumes já se troque Teus olhos iluminam horizonte.
Eu quero a formosura tão gentil Que trazes nos sorrisos envolventes, Neste roçar divino e tão sutil Felicidades vivem mais urgentes.
No céu em perolado desta lua, A sílfide em meu colo bela e nua...
581 Em nossa noite, a lua se apaixona E trama no luar, seu forte brilho. Trazendo nosso amor, enfim, à tona, Nos rastros deste lume, maravilho.
Me esperanço de ter um novo dia, Escapando por fim, deste marasmo. Ao sentir essa doce melodia, Mirando teu olhar, fico mais pasmo...
Eu quero nos meus versos, veros mares, Furtivos, meus desejos são insanos. Colhendo, nestes céus, os teus olhares, Vencendo toda forma de abandonos...
Reflexos irisados sobre os rios; Em meio a tantas luzes, olhos, fios...
582
Em meio à tempestade violenta Toda dor dentro d’alma se arrebenta. E invade o velho cais, tomando a praia Impedindo que o barco tente e saia.
Nem mesmo a fantasia mais me alenta, Poeira no infinito não se assenta, A lua que distante já desmaia, Tornando uma alma tênue por lacaia,
Encontra na neblina, brônzea manta, Ao léu a poesia desencanta Inebriante mar da solidão.
Nas tramas tão inglórias da paixão O verso que buscara; agora inútil Espelha a melodia amarga e fútil...
583
Em meio à tempestade tanto amei, Vagando noite e dia pude ver O quanto neste amor me dediquei E nada recebi. Quero saber:
Onde foi, meu amigo, que eu errei? Talvez por ser enorme o bem-querer. A vida nos mostrando a dura lei: O fim de quem adora é o sofrer!
Vagando pelas ruas, pelos bares Buscando em qualquer boca uma ventura, Nas ânsias tenebrosas tão vulgares
Vivendo tão somente; sem paixão... Fazendo amor sem gestos de ternura, Amigo; o que restou do coração? Marcos Loures
584
Em meio a tantos vates, eu sou mero Aprendiz de versos tolos e banais, Viver a poesia é mais que eu quero, Pois nela encontro bardos imortais.
Mas sei que ao escrever procuro esmero, E ao lado destes vários magistrais Usando da palavra, sou sincero, Expresso ora o que sinto e nada mais.
E quando me aprofundo, enfim concebo Que aquém do que pretendo, sempre bebo Das águas cristalinas que porejas
Com teu raro talento e maestria; Entre as belezas todas que alma cria As minhas fantasias vãs e andejas...
585
Em meio a tantas chamas nossas tramas Deitando em mil prazeres, o desejo, O quanto que te quero num lampejo Percebo que também já me reclamas.
Delírios sem limites e sem dramas Um tempo mais feliz ora prevejo. Do amor que se entregando sem ter pejo, Atendo ao teu chamado, mal me chamas.
Não quero ser apenas um retrato Guardado na gaveta do criado. O amor pra ser sublime e bom de fato
Além da calmaria de um regato, Precisa deste fogo anunciado, Com fúria e com carinho deflagrado... Marcos Loures
586
Em meio a tal nobreza divinal. M’abriria então, Deus, o seu portal, Guardaria essa imagem na retina... À noite tanto amor que me alucina
Morrer de tanto amor, eu sou capaz; Olhares que te vêm deusa menina; Em tal momento orgástico de paz, Te emolduram, amor, luz cristalina!
Adentrando os sonhos mais audazes Encontro esta presença sensual, Bebendo em tua pele sol e sal,
Vivendo esta loucura que me trazes Prazer insaciável me domina, E o verso sem paragem, desatina... Marcos Loures
587
Em meio a tais promessas, peço paz. Percebo que virás ao fim do dia, Vivendo e revivendo a fantasia Do todo que se mostra mais capaz
A gota que caindo, satisfaz E molda uma esperança em poesia. Do amor que a cada verso me dizia O sonho que alegria, enfim, me traz.
Girando pelas noites, um cometa Riscando o céu, trazendo a claridade Deixando no meu peito, cicatrizes.
Ao quanto em brilho intenso se arremeta Permitem reviver a mocidade, Lembranças destes tempos mais felizes Marcos Loures
588
Em meio a tais festejos na cidade Percebo uma morena sedutora Trazendo ao meu olhar, felicidade Decerto a rua em glória já decora.
No olhar desta menina, a mocidade Quem sabe faz bem feito e faz agora Um riso em que se dá sinceridade Tumultuando tudo não demora
Um corpo tão divino andando nu, Fazendo este terrível sururu Não deixa ficar pedra sobre pedra
Meu coração batendo em desvario Ao ver a moça tenta um assobio, Porém em timidez, decerto medra.
589
Em meio a mundos tristes vou gelado, Recebo uma mensagem dolorida. Dos olhos que tivera imaginado Serem a solução de minha vida,
De tudo o que sonhara, estou calado, No gosto tão amargo, despedida Vivera certo tempo apaixonado, A força de vontade combalida...
Sou quase inexpressivo, morro breve, Em busca do infinito, estou vazio. Nos olhos embotados, pura neve.
O coração sozinho vai sombrio. Amar como eu amei? Ninguém se atreve, Inverno devorando todo o estio...
5590
Em meio a meu desejo temo enchente Embora se secarem os meus olhos, Alegrias vertendo, como em molhos Talvez do triste rio, vire gente.
E abrace tão formosa criatura Fazendo destas luas novos trilhos, Das lágrimas nascendo nossos filhos, Minha alma verterá uma água pura.
Amor minha perfeita experiência De ser feliz ao menos por um dia Em seus braços meu risco de alegria
Nas suas asas próspera excelência, Porém neste dilúvio a sensação De ter enfim, pro amor, a solução... Marcos Loures
591
Em mil canções te clamo, apaixonado, Embora isto provoque algum ciúme. Tem gente que talvez sem ter perfume, Fica bisbilhotando do outro lado.
Teu corpo divinal emoldurado Reflete a maravilha feita em lume, Além do que o desejo de costume Havia em cada sonho declarado.
Mas fale bem baixinho. A vizinhança Tá cheia de voyeur mal sucedido, Ouvindo em plena noite algum gemido,
Binóculos a postos, não se cansa De tentar perceber como se faz O amor que em tempestades traz a paz... Marcos Loures
592
Em meu jardim as flores representam Amigos que colhi, jóias perfeitas. Enquanto em fantasias tu te deitas Palavras tão suaves me apascentam.
Enquanto os descaminhos se apresentam, As tramas da amizade, tão estreitas Dizendo da alegria em que me aceitas, Tristezas e lamúrias afugentam.
Perfumando minha alma solitária, A voz desta pessoa solidária Encanta e me permite prosseguir.
Dizendo quanto é belo alvorecer, Ditando em plena glória este prazer Que mostra mais tranqüilo o meu porvir... Marcos Loures
593
Em meio a teus desejos e carícias, A noite que se passa é benfazeja, Tocado pelos gozos e malícias, A pele ronda a pele e assim deseja.
Fartura que se mostra sem cessar, Reféns desta loucura; vamos juntos, Deitando nosso amor sob o luar, Nas bocas que se buscam, mil assuntos.
Trazendo esta alegria, raro dom, Anunciando assim, a clara aurora, Debaixo dos lençóis, deste edredom, Prazer interminável já se aflora.
Rondando pelas noites vaga-lumes, Encontram no teu corpo estes perfumes... Marcos Loures
594
Em mágica alegria se refez A vida num momento de prazer; Tocados por total insensatez Dois corpos num só corpo eu posso ver.
Sentindo a morenice dessa tez Roçando a minha pele, passo a crer Num Deus enamorado que te fez Mostrando em farta glória o Seu poder.
Viajo por caminhos deslumbrantes, Sorrisos em malícia provocantes Sussurros delicados, mas audazes.
Fronteiras; desconheço, e num momento Eu creio que entornando o sentimento, A um tempo satisfaz e satisfazes... Marcos Loures
595
Em luzes mais dispersas já floria O corpo que sonhara, raro brilho. Em mágicas delícias, harmonia; De todos os prazeres, vivo trilho...
A pele que me toca, em alegria, Mandando a solidão para um exílio, Tal qual, em poesia eu pressentia, Sem ter jamais sequer um empecilho...
Envolto em vibrações extasiantes, Meus dias são mais doces, cristalinos. Tomados pelos límpidos velinos,
Satélite que cerca tal planeta, Vislumbro novos mundos radiantes, Seguindo as tuas sendas, sou cometa
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Em meio a furacões, Tempestas violentas, Esbaldam-se emoções As noites passam lentas.
As horas alucinam Adentram belo cais, Carinhos me dominam E peço sempre mais.
Delírios tresloucados, Saber de mel e fruta. Nós dois apaixonados, Amor que se desfruta
E trama em festa imensa A nossa recompensa...
597
Em meio a fogos fátuos tu surgiste Fosforescência imersa em negras trevas Eros com sua seta, sempre em riste Das glebas mais agrestes, finas cevas.
Insólitos folguedos, no olhar levas, Nas névoas frias úmidas, o ar triste, Trouxeste as fantasias, bandos, levas Provando que o amor ainda insiste
Ascendendo às vertentes, raras fontes, Os sóis que emolduraste em horizontes Fascínios que se emergem das neblinas.
Dormir languidamente no teu colo, Legando à vida um rito que sem dolo Expõe a claridade nas campinas... Marcos Loures
598
Em meio a dissabores procurei Razão para viver e assim sonhar, Depois de tanto tempo procurar Apenas desencantos; encontrei.
Vagando sem destino, noutra grei, Tendo por companheiro este luar Que chega de mansinho, devagar Fazendo da beleza norma e lei.
Amor bate na porta, atinge a aorta E toma o coração; invade tudo... Divinas peripécias do moleque
Que abrindo as suas asas, vem e aporta; O rumo ao mesmo instante; logo mudo, Abrindo da esperança todo o leque...
599
Em magnitude plena, os universos Desenham raras telas no meu céu Beleza que se doura em raro véu Cantando esta emoção, faço meus versos.
Outrora duros passos tão dispersos, Buscando a cada noite um carrossel Adentra por Saturno em cada anel E vence os ventos duros e perversos.
De todos os meus sonhos, o mais puro, O porto tão seguro que procuro Depois deste oceano revoltoso.
Acima tão somente esta amplidão Mostrando com intensa sedução, Amor assim faminto e desejoso. Marcos Loures
5600
Em lágrimas meu peito, assim goteja Ao ver-te tão distante dos meus braços O gozo mais sublime se deseja Marcando a nossa noite em bons compassos.
Ouvindo uma guarânia que dizia Saudades do primeiro amor que tive Em Ypacarai, a poesia Nos braços da emoção já sobrevive.
Minha Cunhataí escute o canto Do amor em labaredas nos tomando. Numa harpa delicada, tanto encanto Uma expressiva lua nos banhando.
Beijando a tua boca, amor quiçá O dia em farta luz renascerá...
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