
MEUS SONETOS VOLUME 053
Data 05/12/2010 06:53:15 | Tópico: Sonetos
| 201
Do banco da pracinha, do jardim, Memórias de outros tempos. No quintal As roupas balançando no varal Da vida que passou dentro de mim.
O tempo foi tornado em temporal O mundo se nublou demais assim Calando toda a força do festim Até que amor, chegaste, no final.
E a ventania dura virou brisa, A paz veio tão mansa e companheira. Tua palavra amada sempre avisa
Que tudo renasceu em nossa vida. A flecha de Cupido tão certeira Refaz esta alegria, já perdida...
202
Do amor, a mola mestra, luz e encanto Espalhados pela terra em noite mansa, No quanto eu desejei já sem espanto Permite imensidão na qual se lança.
É claro que um disfarce cai tão bem Em momentos difíceis, eu não nego, Mas sem esta presença, certo alguém Caminha pela vida, amargo e cego.
A música que escuto; uma balada, Falando dos amores impossíveis, Paixão que é tantas vezes maltratada Sob olhos bem mais duros, impassíveis,
Diversa do que canta o realejo, Trazendo a paz sincera que eu desejo.
203
Do amor que tanto quero, estás concorde, Infindas alegrias tu me dás. Permita que a teu lado eu sempre acorde, Sinônimo de glória, luz e paz.
Não deixe que as tristezas eu recorde, Sabendo da emoção que amor me traz Outrora um simples pária, agora um lorde, De ser bem mais feliz, eu sou capaz.
Açoda-me a ventura de sentir Maravilhosamente o meu porvir, Nas mãos tão sedutoras da paixão.
Abrindo do meu peito, estas janelas, Encontro este deslumbre que revelas Fazendo disparar meu coração... Marcos Loures
204
Do amor que tantas vezes muda o Norte Das vidas que se entregam totalmente. Às vezes mostra a cura ou traz o corte, Mudando o nosso rumo vorazmente.
Por mais que o rio trague o seu aporte, Não muda do oceano uma corrente. Nas mãos do deus menino, a nossa sorte, Além do que se quer ou se pressente.
Beber da farta fonte, uma ventura, Que o coração audaz sempre procura Vencendo os seus temores e receios.
Seguindo, peito aberto, exposto ao vento. Sorvendo com nobreza o sentimento, Buscando do infinito, rumos, veios...
205
Do amor que sucumbiu, o mesmo traço Repete a velha cena, riso e pranto. Tomado pelo incrível desencanto, Por vezes, falsamente eu me refaço.
Um gozo já perdido agora eu caço E bebo do que fora um pouco ou tanto. Amor que se tomou pelo quebranto Aos poucos, sem remédio, eu me desfaço.
Porém se assim disfarço, vou em frente, As contas pra pagar, o riso falso. Mergulho neste mesmo cadafalso
Não tendo outro caminho que eu invente Melhor é prosseguir, boca fechada. Sabendo desde já, não terei nada... Marcos Loures
206
Do amor que se mostrou ser mais capaz Eu trago este sorriso franco e belo, No gozo da alegria a vida traz Um sentimento calmo e tão singelo. Somente o amor profundo satisfaz Portando toda a glória em que revelo
Os sonhos de um mineiro enamorado, Vestindo esta esperança em fantasia. Viver o quanto posso do teu lado Demonstra todo o bem que em que se via Um canto pelos cantos, encantado, Forrado pelas mãos da poesia
Mostrando a lua clara plenamente, Deitando sua prata sobre a gente... Marcos Loures
207
Do amor que nos tomou, forte e sincero, Um rito que se mostra encantador. Viver a plenitude que eu espero, Colhendo em teus canteiros cada flor.
Tu tens em tuas mãos tudo o que eu quero, Caminho que é deveras promissor, Intenso sentimento, outrora mero, Expressa no meu peito, este louvor.
Teu beijo delicado e tão gostoso, Teus lábios de um mais vivo carmesim Desejo deste amor que sei sem fim,
Um templo aonde um deus maravilhoso, Criou raro tesouro que é só meu, No amor que, alucinante, concebeu.
208
Do amor que nós tivemos, nem acróstico, Estúpida quimera que tempera Um coração que teima em ser agnóstico Sem óstios, hóstias, beija amarga fera.
Acendo o meu cigarro, bebo o vinho Entendo cada senda como sanha A cada passo assolo o sol sozinho O verde se espalhando na montanha.
Apanho os meus bonés espero esquife A paz celestial, o que pretendo. O amor que não se mede vai patife Em todos os meus poros mel vertendo.
Mas saiba que te quero bem, ainda. Palavra que me dizes é bem vinda...
209
Do amor que nos promete maravilhas Deslindam-se momentos tão suaves, Seguir estas estrelas andarilhas Fazer dos corações sobejas naves.
Supero com teus lábios os entraves Sabendo quanto em mim percorro as trilhas, As esperanças voam como as aves Os sonhos não respeitam, mares, milhas....
E tudo o que mais quero é ser feliz, E mesmo que eu me faça trampolim, O amor que me ofereces traz enfim
O gosto de alegria que eu bem quis. Se a gente pode ter algum futuro? Mergulho sem defesas neste escuro...
5210
Do corpo da mulher montes e vales Colinas deslumbrando paraísos. Riqueza de prazeres em detalhes, Uma escultura em toques mais precisos.
Doçuras cristalinas, os sorrisos, A divindade encontro em tais entalhes E perco totalmente os meus juízos No encontro delirante bens e males.
Ao dicotomizar delírio e dor. A fonte inesgotável a propor Um pálido desmaio em braços mansos.
No colo desta deusa, flechas, arcos, Deliciosamente aporto os barcos Sabendo temporais em tais remansos...
5211
Do beijo com certeza gostarás Pois dado com amor e com desejo. Não digo que em amor eu seja um ás, Porém deste jeitinho que eu prevejo
Com língua audaciosa sou capaz De tudo pra fazer gostoso o beijo Numa umidade imensa e bem voraz. Trazendo pra nós dois louco lampejo.
Descendo pela boca, no pescoço, Depois vou passear pelos teus seios, Abaixo da cintura é um colosso.
Num alvoroço intenso sem receios, Após eu me encantar com a virilha, Chegar ao ponto mágico, tua ilha... Marcos Loures
5212
Do barro inerme, surge a poesia Em toda magnitude, feita amor, Nas mãos deste absoluto Criador Que tanto desejou a amada cria.
Momento de suprema fantasia Aonde com carinho de escultor Com olhos de um sublime agricultor Iluminou a Terra antes sombria.
Poeta magistral que assim, em glória Do vazio transforma toda a história, Ao ver que a criatura, agora avança
Temerária qual fera a Terra, Sangrando este soneto a cada guerra, Guardou no último verso; uma esperança! Marcos Loures
213
Do amor que emoldurou em ti princesa A tela mais sublime em gozo e glória, O corpo se entregando em sobremesa, Mudando o torpe rumo desta história.
Mergulho no teu colo, esta vontade De ter o teu amor bem junto a mim, Razão de poder ter felicidade, Num sonho que não pode ter mais fim,
Tu tens este poder de seduzir Deixando-me à feição que tu quiseres Sem nada na verdade pra impedir Este banquete é feito em mil talheres.
Adentro em perfeição novos caminhos Pensando nos teus beijos e carinhos... Marcos Loures
214
Do amor que em poesia, a vida trilha Recolho cada brilho extasiado. A vida sem te ter perdendo a quilha Naufraga nos meus erros do passado.
De tudo o que eu sonhara há tanto tempo O amor me permitiu realizar Vencendo qualquer medo ou contratempo Ultrapassando a praia invado o mar.
O norte tantas vezes tão distante Sem bússolas, perdida, a minha nau, Porém um timoneiro triunfante Ancora neste porto sensual
E se farta de toda imensidade Vivendo em plena luz, felicidade... Marcos Loures
215
Do amor que nos emprenha de prazer Deixando a solidão audaz tão só, O canto quando encanta deixa ver Distante nesta estrada, todo o pó.
Um coração que fora solitário Ao ter tanto carinho se refaz. Do quanto o medo foi autoritário Amor se fez presente e mais capaz.
A paz que ele professa se espalhando Em todos os momentos, já permite Viver além de tudo sempre e quando Um mundo sem fronteias ou limite
A lua derramando argênteo tom Fazendo rebrilhar um sonho bom. Marcos Loures
216
Do amor que me domina, simples presa Que tenta disfarçar em novas cores, Recebo de teus olhos tal beleza Emoldurando assim jardins e flores,
A vida vai levada em correnteza, Deixando para trás os dissabores, Na senda divinal, dois sonhadores Que tentam se afastar de uma tristeza.
O sol que na manhã cedo fulgura, Matando as madrugadas ledas, frias. No toque sensual doce ternura,
As mãos se percorrendo, fantasias, Tomados pelo encanto da brandura, O dia traz o sonho por moldura...
217
Do amor que enfim se aflora no meu peito Cevado com carinho em bela lavra, Deixando-me deveras satisfeito Em forma de desejo e na palavra
Que mostra em um momento raro sol Brilhando em negra noite sem estrelas, Seguindo estrela guia, meu farol, Eu posso, simplesmente concebê-las.
Um beduíno encontra em sua tenda Amor em odalisca mais bonita, Encanto se transforma em bela lenda E um coração em chamas já se agita
E vibra a campesina sensação Da vida que é refeita em cada grão...
218
Do amor que enfim se aflora no meu peito Cevado com carinho em bela lavra, Deixando-me deveras satisfeito Em forma de desejo e na palavra
Que mostra em um momento raro sol Brilhando em negra noite sem estrelas, Seguindo estrela guia, meu farol, Eu posso, simplesmente concebê-las.
Um beduíno encontra em sua tenda Amor em odalisca mais bonita, Encanto se transforma em bela lenda E um coração em chamas já se agita
E vibra a campesina sensação Da vida que é refeita em cada grão... Marcos Loures
219
Do amor que a gente quer eu te garanto Que nada impedirá qualquer desejo Sabendo que encontrei tamanho encanto Um dia mais bonito eu já prevejo.
Eu quero que este amor que é tanto, tanto Resuma todo o sonho que eu almejo Vivendo esta emoção sem ter quebranto Teremos muito além de um relampejo.
Por este sentimento, amada eu velo, O amor é vencedor deste duelo No qual quem cedo ganha é revoltado.
Encontro a poesia que me trazes Na lua que mudando suas fases Mantém o nosso céu iluminado. Marcos Loures
5220
Do amor eu teço, agora, cada veste, Queimando o que já fora uma mortalha, De todo este prazer que tu me deste As armas para a luta, vil batalha.
Atento a cada passo, vou em frente; Sem nada que me prenda, solto o sonho, Preciso que tu saibas claramente O quanto que te quero e já proponho.
Vencer as mais difíceis cordilheiras Levado pelas mãos da fantasia. As almas prosseguindo são romeiras Bebendo a fonte rara da alegria.
Na visceral vontade de te ter O quanto é necessário o bem querer. Marcos Loures
221
Do amor em turbulência, relampejos, Formando ao mesmo instante a tempestade. Sem rumo, vou entregue aos teus desejos, Esqueço de mim mesmo e, na verdade
Os sofrimentos chegam e sobejos Impedem que se tenha a claridade, Momentos mais felizes são lampejos O amor já não traduz tranqüilidade.
Percebo que a tormenta se aproxima, Deixando em polvorosa o coração Que segue sem saber da direção
A ser tomada pela nossa estima. Destino que sonhei segue em aberto, A chuva torna fértil meu deserto?
Marcos Loures
222
Do amor em plenitude, eu sou amante, Caminho sem ter dúvida esta estrada Que segue sem temores para diante, E forte no meu peito sempre brada,
Mostrando uma alegria a cada instante, E a vida já trazendo iluminada. Embora tantas vezes inconstante Sem ter amor a vida vale nada.
O canto deste amor me contagia, Clareia em luz intensa cada dia Numa emoção completa e mais perfeita.
Meu peito enamorado te procura, Encontra enfim teu rastro em noite escura E a lua enamorada assim se deita... Marcos Loures
223
Do Amor em plenitude que proponho, Eu quero usufruir a cada dia, Se nele eu posso ver o que eu queria É realização de antigo sonho.
Quem tanto, ultimamente, foi tristonho Merece pelo menos a alegria Que é dada com certeza na alquimia Do jogo que contigo, ora componho.
Nas torres mais sublimes, catedrais Erguidas com esmero e precisão, Amor emite logo os seus sinais.
Quem ama, decifrando estes enigmas Arranca do passado seus estigmas Encontrando afinal, libertação... Marcos Loures
224
Do alpiste da esperança o meu repasto Por vezes só causou a decepção. Carrasco deste sonho, sem senão O tempo em versos tolos se faz gasto.
Não tendo mais sequer algum emplasto Ferida se transforma. Vejo o não, E dele vou fazendo o meu refrão, Matando o coração, outrora casto.
Eu vejo o teu sorriso de ironia, E nele desfiando a poesia Novelos de discórdias e temores.
Revolvo o meu passado e nada vejo Senão o pesadelo de um desejo Herdeiro das mentiras, dissabores... Marcos Loures
225
Do alpendre dos meus sonhos vejo a vida Diáfana expressão tão instigante, Por vezes dolorida ou fascinante No carrossel que gira em gozo e lida.
Aprendo a conceber a despedida Vivendo a fantasia de um instante, Microscopicamente ou qual gigante Na luta por vencer ou já perdida.
Refém do meu anseio, medo e dúvida, Uma alma muitas vezes tola e lúcida Cumprindo cada etapa sem sentir.
Mergulho dos umbrais dos meus castelos, Vou ceifando ou lavrando e meus rastelos Jamais sabem dos frutos do porvir...
226
Dizias desta voz em desafino, Perdoe o meu ouvido anda entupido, O peito pelas traças carcomido Herdou de cada sonho, o desatino.
Se eu vasto ou se pequeno, não domino Sequer eu adivinho este estampido, Tem algo com suspiro e com gemido, Mas cá pra nós deixei de ser menino.
Pergunto a quem já foi se quer voltar, O espelho não me diz de céu e mar Apenas desta ruga que não deixo.
O beijo não vingou; somente o soco, Marcando num momento de sufoco Quebrando o meu nariz, cortando o queixo...
227
Dizia Jorge Ben sobre um surfista Que pobre solitário e sem ninguém, Sabia decifrar sinal que vem Da noite enluarada. Não desista.
A vida de quem ama é de um artista Que aguarda na estação pegar um trem Depois de perceber que nada tem, Não compra mais à prazo. Só à vista.
Na dança das cadeiras, restou um. Fui eu que, por perder o foco e o zoom Fiquei feito pateta nesta espera.
Amiga tua dor me causa espanto, Banho de arruda quebra este quebranto Vá logo antes que acabe a primavera! Marcos Loures
228
Do amor que em perfeição, divino rito Eterno reviver de uma esperança No quanto em nosso amor eu acredito Expresso a cada verso, temperança;
Disperso. Tantas vezes caminhei Universos distantes, mar imenso. Agora que em teus sonhos mergulhei A cada novo dia eu me convenço
Que enfim, depois de tanto agora eu tenho Um mundo mais pacífico e sincero, Estrelas no meu peito, eu já contenho, Sabendo perceber o que mais quero.
A sorte de viver se bendizia Querida, neste amor com maestria
229
Do amor que em amizade transbordou, Eu sinto uma harmonia benfazeja, De toda a paz que em vida se deseja, Apenas quem amou já conquistou.
Amor em amizade ele ensinou Trazendo o bem sublime que se almeja Perdão que tantas vezes demonstrou, Vontade soberana que assim seja.
Os cânticos divinos de louvor, O riso bem mais franco da criança Uma alma é bem feliz se for mais mansa
Entregue, sem limites ao amor. Pois, Oxalá, Jesus, Brahma ou Tupã Espalha sobre nós bela manhã. Marcos Loures
5230
Do amor que assim me dás, amor eu gero Perpetuando o moto mais sensível. A vida se apurando com esmero Proporcionando um gozo tão incrível.
Passível de vencer qualquer porteira Ateia fogaréus em cataclismos. Além da insensatez já corriqueira Mergulha sem temores, mil abismos.
Parceiros em dueto; nada cala A voz que amor emana em poesia. A maciez que agora nos embala Pressente em mansidão um novo dia.
Meu último suspiro num soneto A ti dedicarei, eu te prometo!
231
Do amor que agora trago, de verdade, Espalho os seus sinais no mundo afora, O quanto a nossa sorte revigora A paz que renasceu, tranqüilidade.
Não quero mais saber de ter saudade, Deixando uma tristeza já de fora Percebo que serei feliz agora Colhendo finalmente a liberdade.,
Sou teu e cada vez mais me convenço Do quanto descobri tesouro imenso Nos braços da mulher que eu encontrei.
Singrando os oceanos da paixão, Um timoneiro encontra a direção Fazendo da alegria a sua lei.
232
Do amor que a liberdade em versos clamo, Ocupo o pensamento o tempo inteiro, É planta que concebo pelo ramo, Eu amo o teu amor alvissareiro.
Liberto o sentimento e não reclamo, Pois sei quanto quiseste este janeiro. Ao ter-te novamente, sempre tramo Amor que desejei mais verdadeiro...
O amor que sempre canto é todo teu, A pena mais cruel é a saudade... Meu coração insano, pois ateu,
Deixou de ser incréu, te conhecendo, Amor que trouxe o mel da liberdade, Sentidos mais diversos, percorrendo...
233
Dizendo desta senda de onde eu vim A voz em alegrias já me ampara Sentindo o teu respiro junto a mim Em noite preciosa e sei tão rara,
Percebo esta alegria e vou assim, Buscando no teu corpo a luz mais clara. Amor que nos guiando até o fim, Em versos e desejos se declara,
Percebe quanto é duro ter ciúme, Espinho que disfarça um bom perfume, Negando os nossos velhos, mansos credos.
Mas quem em confiança tece a teia Prefere imaginar a lua cheia Deixando para trás antigos medos... Marcos Loures
234
Dizem que esta distância matará Amor que sei imenso, inesquecível... Ao fim o nosso tempo chegará Amor igual ao nosso, assim, incrível.
Todos os pensamentos são pra ti. Cruzando tantos mares sem naufrágio. Pois saiba meu amor que estou aqui, Amor que é sempre forte e nunca frágil...
Estás dentro de mim, mesmo distante, É tudo o que sonhei a vida inteira. Por certo em tua luz tão deslumbrante Encontro esta emoção mais verdadeira...
Não tema nem distância nem saudade, Te juro meu amor é de verdade!
235
Dizem que a pedra é dura, mais duro é o teu coração; ela é dura, na verdade, mas não faz ingratidão.
Quantas vezes busquei o teu amor Entre ruas, estradas e caminhos... Nada encontrei. Restando este temor De jamais reviver os nossos ninhos... Eu fui teu companheiro, teu amigo, Mas logo me deixaste sem ninguém. Quem dera reviver amor contigo, Mas nada, nem à noite nunca vem... Eu sou o que sobrou de quem amas-te, Apenas um resquício que caminha, O tempo e a solidão, tanto desgaste, Pensar que em algum dia foste minha... Mas resta uma esperança, uma ilusão, A que tu reconheça ingratidão! A trova é da região do Nordeste de Minas
236
Divino, sem limites, sedutor, O canto que me trazes bem amada, No encanto deste verso eu vou compor Depois da dura lida, a bela estrada.
Renasce em meu canteiro a rara flor, Espécie magistral feita em florada De todo o raro encanto sou gestor Minha alma se mostrando enamorada.
Anseio por teus seios tão sublimes E quero que este amor tu sempre estimes, Pois nele uma verdade transparece.
De ti cativo sigo a vida inteira, Amor se torna enfim minha bandeira Teu corpo catedral, canção e prece. Marcos Loures
237
Divinas fantasias são as lavras Aonde o puro Amor faz a colheita, Revelações em forma de palavras, Nossa alma se permite assim, refeita
Alçar os altos píncaros dos sonhos, Andina cordilheira, alpinos montes, Os versos se tornando mais risonhos, Alvejam antes negros horizontes.
Paixões, altares mágicos de luz, Aportam tresloucando e nos elevam. Solares estações; amor conduz, Constantes emoções que jamais nevam.
Nos fâneros, na tez, erotizados, Cumes de emoções sendo alcançados... Marcos Loures
38
Divinas explosões; doces e amenas Espocam nesta noite maviosa Aguçam dos vizinhos as antenas E deixam toda a rua em polvorosa.
Felizes dois amantes, dança e festa Melindres são deixados porta afora O fogo que se espalha cedo atesta Do quanto amor nos cura e revigora.
Chacoalha a nossa cama, arrasta os pés Bagunça o meu coreto em reboliço. O barco soçobrando o seu convés Prenunciando o gozo que cobiço.
Atiro-me em teus braços, trapezista, Sem ter seque platéia que me assista Marcos Loures
239
Divina putaria que começa Num sarro bem gostoso, minha língua Lambendo o teu pescoço sem ter pressa, Até te desnudar e em cunilíngua
Atiça e te excitando faz a festa, A tua bucetinha bem melada, Abrindo para mim divina fresta Sugando o meu caralho, penetrada
Me xingas e me mordes, bem sacana Cavalgas teu corcel e pedes mais, Até que a porra invada a tua xana Selando a maravilha em bacanais.
Comer o teu cuzinho, e esta buceta, E tudo começou numa punheta...
5240
Divina a sensação de recebê-las, Carícias que me encharcam de alegria, Vibrando totalmente por contê-las Tramando esta emoção, pura magia. As noites prazerosas que revelas, Permitem vislumbrar um claro dia.
Roçando a tua pele, devagar, Beijando os seios fartos, rara glória Invado e vou liberto por teu mar, Sabendo que trarei nossa vitória, Descubro em cada ilhota, onde ancorar Mudando todo o rumo desta história.
Adentro teus caminhos, belas sendas, Enquanto os meus segredos, sei, desvendas... Marcos Loures
241
Diversos; os caminhos percorridos Na busca de somente um beijo teu. São chuvas, tempestades e alaridos, Desterros que meu peito conheceu.
O amargo coração de um ledo ateu Teimando em nossos lábios ter unidos Num mágico e fantástico himeneu Desígnios que eu sonhara enfim cumpridos
Vaguei por tantos mares, cordilheiras, Abismos e soturnas madrugadas; Além das fantasias costumeiras
As últimas senzalas e correntes, Palavras finamente desenhadas Marcadas por cinzéis agora crentes...
242
Dizer-te quanto quero estar contigo Parece um pleonasmo, redundância... Amor quando se faz em abundância É tudo o que desejo e assim prossigo
Vencendo com vigor qualquer perigo, Realizando os meus sonhos desde a infância. Minha alma sem ter nada que ora canse-a Caminha mais altiva em prol do abrigo.
E beijo a doce brisa que me trazes, Amor fortalecendo nossas bases Permite que se veja no horizonte
O sol em cujo lume se desponte O dia que julgara inalcançável. E agora sei tangível e tocável... Marcos Loures
243
Dizendo, nos meus versos meu amor; Cantando essa cantiga que não cansa. Meus olhos rebrilhando em tal fulgor; Tão longe, meu querer, por certo, alcança...
Eu quero te encontrar junto comigo, No tempo que amanhece; no futuro... É tudo, com certeza, o que persigo. Amor que se criou com tanto apuro...
Meus versos são tristonhos sem te ter. Apenas são gemidos e lamúrias. Revolvo os universos. Te querer Abranda um coração imerso em fúrias...
Amada, tanta coisa por falar... Em todas as palavras, uma: amar!
244
Dizendo tão somente por que veio Amor em nosso peito se deleita, Vivendo sem destino e sem receio, A gente se completa enquanto deita.
No quanto assim mergulho amor já sabe E mostra toda a glória num segundo Na vida de quem ama sempre cabe O bem que se irradia pelo mundo.
Do jeito que vier, eu nada temo, Estampo em meu sorriso, tal vitória De todos os momentos, o supremo, Transforma calmamente nossa história.
Assim, a cada dia, nova estrada Expressa a noite imensa, enluarada
245
Dizendo ser possível, paraíso Um tempo de sonhar bom e contente, Amor é um moleque sem juízo Que tantas vezes grita, impertinente.
Roçando em tua boca, o meu sorriso, Prevê que a vida traga, novamente, O mundo sem maldades, que enfim biso Depois de tanto tempo, finalmente.
Sou teu e te desejo amada amante, Na força deste amor, tão cativante Mostrando toda a glória do querer.
Eu tenho esta certeza inabalável Do amor em fantasia interminável Tomando em alegria cada ser... Marcos Loures
5246
Dizendo do que tive, neste trato Esboço tantas vezes reações Por vezes calmarias e explosões Realço em meu caminho inútil fato.
Olhando o que se fez fiel retrato As águas vão caindo aos borbotões, As lágrimas expressam os perdões, Na quebra tão comum de algum contrato.
Riscando de uma agenda tantos nomes, No escuro do caminho logo somes E escondes o que fora outrora trilho.
O tempo me ensinando a caminhar, Permite que uma estrada eu possa achar, Legando ao meu passando este empecilho. Marcos Loures
247
Durante tanto tempo, amor guerreiro, Tomando o coração fez suas leis, De todos os que eu tive, amor primeiro, Levando a mais total insensatez.
Nas tramas deste sonho feiticeiro Perdendo a mais completa lucidez Ainda estou sentindo o doce cheiro Daquela que se foi, e assim se fez
Meu último desejo, meu suspiro, Saudade me cortando como um tiro. Não deixa que eu respire calmamente
Ardendo sem sequer um lenitivo, Agora eu me percebo qual cativo Na chama da saudade, de repente. Marcos Loures
248
Durante tanto tempo procurei Em meio a tantas cartas, o endereço De quem torna mais bela a minha grei, Por isso, fique aqui, amor eu peço.
Unidos pelo fogo da paixão Que tanto nos aquece em noite fria, No amor que é benfazejo, a redenção, Formada pelo encanto em poesia.
Eu quero ser de ti, como um farol, Embora saiba ter em ti tal brilho, No fundo, sou apenas girassol, Seguindo de teus olhos cada trilho.
Amar sem ter limites nem perguntas, As almas gemelares andam juntas.
249
Durante tanto tempo indiferente, Distante, quase mudo, o coração. Da sorte nessa vida, bem descrente, Com medo do que fora uma paixão.
Ao ver-te, tudo muda de repente, Explode dentro em mim uma emoção. Qual fora um forte sol, vivo e nascente. A vida se entornou, satisfação...
Um brilho de esperança no horizonte, Remoça minha vida, em mansa fonte, Trazendo em teu sorriso, toda a graça.
Não sofra meu amor, querida amante, Não deixo de querer-te um só instante. A dor que agora sentes, logo passa...
5250
Durante tanto tempo imaginei Que o mundo terminasse logo ali. Tão distantes caminhos que deixei, De tão grande esse mundo, me perdi.
Pessoas que julgava que existiam Por trás do grande mar ou da montanha. Decerto meus caminhos não veriam, Embora uma vontade assaz tamanha.
Percebo como é bom poder te ter Amiga que talvez eu nunca veja. Minha alma emocionada sabe haver A beleza de outra alma que deseja.
Existimos, portanto isso é real, Embora, ouça dizer: É virtual!
251
Durante tanto tempo imaginara Um templo onde pudesse em rica prece Fazer com que este canto que perece Ainda permitisse a voz mais clara.
Cenário que ora vejo desampara E apenas o vazio se oferece, A flor que solitária, enfim, fenece, Fornece para o mel, essência amara.
As hastes sem bandeiras nada dizem, Agrisalhadas vozes negam ecos. As sanhas se perdendo em ermos becos,
Sem as cores sublimes que o matizem O céu se torna cinza e vai sem brilho Tornando inútil prado que ora trilho...
252
Durante tanto tempo eu Te neguei, Pensando ser possível ser feliz Distante dos Teus passos, Tua lei São erros de um estúpido aprendiz.
Decerto em descaminhos eu sangrei, Tentando ver a luz num céu mais gris, Porém quem foi na vida Rabi, Rei Traduz em humildade o que eu mais quis.
Viver a plenitude de um Amor Que traz a quem se perde Luz e Cor Fazendo da alegria, eterna prece.
Minha alma tanta vez em rebeldia Agora em Glória e Paz, santa harmonia, Te pede mil perdões e Te agradece! Marcos Loures
253
Durante tanto tempo eu te chamei Usando subterfúgios, mas não vinhas, As minha noites foram tão sozinhas Tornando bem mais grises minha grei...
Castelos da ilusão.... Quis ser teu rei, Desejos e vontades todas minhas... Porém em seca, mortas tantas vinhas Apenas o vazio eu encontrei...
Carrego já comigo há tantos dias, O amor que tanto eu quis, mas tu fugias, Esquivando-se de olhos sonhadores
Que miram cada passo que tu dás, Há tempos esperança tola jaz Buscando em teu olhar, seus refletores... Marcos Loures
254
Durma em paz, amada Que o sonho virá A alma sossegada Sabe desde já
Tanto medo enfada, A fada dirá Na noite estrelada O amor brilhará
Neve do passado Marcas de um inverno... Estou ao teu lado
Durma em paz, querida, Vento manso e terno, Muda a nossa vida... Marcos Loures
255
Duras as leis do amor e da amizade, Apenas as consigo adivinhar Sei que elas não permitem claridade Ofuscam cada verso que eu cantar.
Meus lábios quando osculam os teus lábios Convidam para a noite em bom festim, Segredos dos amores, toscos... Sábios? Impedem que tu venhas para mim...
Mas, entretanto, quando me desejas, Eu sirvo-te, cativo deste encanto. E qual u’a fera louca tu me beijas Deixando por completo o manso manto.
Quem dera descobrir esses mistérios Que tecem neste amor, vários critérios...
256
Durante uma balada eu conheci A moça mais bonita do pedaço, Aos poucos, de repente eu descobri Pegadas desta deusa, cada passo.
Chegando num momento, estou aqui. No verso sem ter nexo que hoje eu faço Falando do que sinto- amor- por ti, Pedindo tão somente beijo, abraço.
Botei anúncios tolos nos jornais, Notícias? Não mais tive, o que fazer? Somente me lembrar e querer bis
Mas mesmo que eu não veja nunca mais, Aquele minutinho de prazer Bastou para dizer: eu fui feliz!
257
Durante todo o tempo, imaginava Um dia mais feliz que nunca vinha, Na dura caminhada, vã, sozinha, O amor se demonstrara como trava.
Porém quando em teus braços, ardor, lava, Minha alma da alegria se avizinha, Saber que no final serás só minha Trazendo em tuas mãos o que eu sonhava.
Cerzindo em esperança cada verso, Recolho o que sobrou, antes disperso Refaço a fantasia dos retalhos
Do que no meu passado foi alguém. Agora que ilusão, aos poucos vem, Nos solos dos meus sonhos, assoalhos...
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Durante toda a vida; minha amante Capaz de revoltar um mar tão manso. Descubro no seu corpo atroz remanso Tornando a solidão bem fascinante.
Por mais que em avidez já se adiante O tempo que jamais vivi, alcanço A clara nebulosa que afianço Se torna assim contígua e mais distante.
E mesmo sendo enfim paradoxal, Nas tétricas imagens, fantasia. Palavras que carrego em meu bornal
Soando em formas várias, sem sentido, Buril que ao lapidar carinho e agrido, Esculpindo do nada a poesia...
259
Durante muitos anos, conta a lenda Uma índia delicada e mais faceira, Ao fugir lá da aldeia, encontra a tenda De um homem se fazendo companheira
Amante tresloucada, que desvenda A sorte da paixão mais verdadeira, Que acende em qualquer peito uma fogueira. De nua se cobriu em seda e renda
Ficando bem mais bela, em mil colares, Beleza que tão logo já domina E a fama se espalhando logo medra
Aquela que invejosa, fez de altares A cama do pajé, pai da menina, Que em troca transformou menina em pedra.
LENDA DA PEDRA MENINA REGIÃO DO CAPARAÓ...
5260
Durante muitos anos eu pensei Ter como fosse um cais ou porto amigo O colo desta serra em que entranhei Amor deixando ali o meu umbigo
Às vezes quero crer que tanto errei Pensando ter em paz, um claro abrigo. Agora tão distante desta grei, Visualizo ausência e desabrigo.
O trigo que plantei negando o pão Esconde totalmente a podridão. Enfim, nada terei deste lugar.
Apenas o vazio como herança Arranco dos meus olhos tal lembrança Olhando para frente, encontro o mar... Marcos Loures
261
Durante muito tempo qual cometa Errante que retorna; vai e vem, Procuro inutilmente por alguém Não me importando um erro que eu cometa
Rompantes; acumulo e perco a meta Sem noites desfrutadas com meu bem, Porém nem mesmo a ausência me contém; O sonho sempre foi minha muleta
Vassalo das estúpidas estrelas, Nem mesmo em céu mais claro posso vê-las, Somente as adivinho e nada mais.
Sendo infortúnio antigo companheiro, Fronteiras da loucura, enfim eu beiro Meus versos são inúteis e banais...
262
Durante muito tempo eu tentei aprender A conjugar o verbo amar, mas não podia A noite na minha alma em lágrimas dizia Que nada neste mundo exprime um bem querer.
Porém ao te saber, eu pude enfim rever Conceitos que eu já tive em total agonia Mal sabendo que amar é feito de alegria Embora uma tristeza expresse o não poder
Estar contigo agora e te abraçar querida, Mas vale sempre a pena o sonho que ele traz Por isso é que te quero e isso me satisfaz;
Razão que justifica a nossa própria vida Segredos que contém sua conjugação Decerto só descobre a quem se dá a paixão... Marcos Loures
263
Durante muito tempo eu procurei A luz que me trouxesse a placidez De um mundo onde o amor sem escassez Pudesse dar o quanto eu já sonhei.
Em mares tão diversos naveguei, Ao nada descobrir o amor desfez Trazendo novamente a lucidez, Eu digo que em verdade, enfim, cansei.
E quando eu já pensava estar perdido, Sem lumes que pudessem me guiar, Encontro, num segundo, o teu olhar
E vejo o velho sonho renascido. Assim ao te seguir a vida afora, A noite em farto brilho se decora... Marcos Loures
264
Durante muito tempo acreditei Poder te seduzir com belos versos. Decerto, na verdade eu me enganei, Vivemos em planetas tão diversos.
Se a luz deste luar eu já roubei, Teus olhos se mostraram mais perversos, No mar de tantos sonhos mergulhei, Porém os meus sonetos vão dispersos.
Constelações em mares siderais, Imagens que eu julgara magistrais, Perdidas, vão vagando sempre ao léu.
Não canso de chamar tua atenção: A cada novo intento, o mesmo não. Que faço se não sei dançar o Créu? Marcos Loures
265
Durante tanto tempo eu quis te ver Entrando pela sala, devagar. E assim quando vieste conhecer Aquele que não cansa de sonhar
Vontade tive, até de enlouquecer Perder-me em cada raio de luar Num misto quase angústia com prazer Senti a minha casa iluminar...
Meus braços estendidos te ofertei Os olhos quase em lágrimas; mostrei. Porém numa ironia me sorriste
Deixando minha casa, num instante. E o sonho que eu pensara, triunfante, Morreu neste segundo, só e triste...
266
Durante tanto tempo eu procurei Apenas um remanso, tão somente, No prazer sem sentido, uma semente Que tolo, inutilmente, assim cevei,
Sabendo perecível esta grei Por vezes disfarçado num demente De tanto que se ilude, sempre mente Castelos que criei; eu derrubei...
A plenitude é mais que simples gozo Quem foge; no hedonismo nada tem. O vazio depois tudo desdisse...
Na paz do Meu Senhor, toda a verdade, A única e real felicidade, O resto, companheiro é vã tolice...
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Durante tanto tempo em minha vida Pensara ser possível nova sorte. Da estrada em pensamentos percorrida Mudando num momento, rumo e Norte.
Encaro as tempestades sem guarida Sem ter uma esperança por suporte. A mão que me acarinha traz ferida Aprofundando sempre cada corte.
Nascido nos sertões lá das Gerais, Em meio aos mais temíveis vendavais, Nas noites o luar por lampião
Os olhos procurando quem me queira, Deixando a solidão, velha bandeira Espero a luz imensa na amplidão... Marcos Loures
268
Durante tanto tempo desejado Caminho vislumbrado nos teus braços, Ouvindo deste amor divino brado Eu sigo em fantasia nossos passos.
Atravessando noites, madrugadas Espero do teu lado o alvorecer Usando nossos gozos com escadas Encontro a maravilha no prazer
Adentro os oceanos mais temidos, Velejo em calmarias tão constantes Amores em sussurros e gemidos Os pensamentos livres, galopantes
Sentindo este delírio costumeiro Aporto no teu corpo o meu saveiro. Marcos Loures
269
Durante tanto tempo a vida em treva, Na frialdade imensa de um granito, O passo que tentara já se entreva E teima em não cumprir nem sina ou rito.
A sorte no meu peito faz a ceva E mostra em teu olhar, meu infinito, Amor que prometeste tão bonito, À doce fantasia sempre leva...
Quem veio de outros dias mais atrozes, Esquece dos seus medos tão ferozes, Embarca os sonhos em luxúria e cio.
Entregue às sem limites sensações De corpos em ferozes convulsões, No paraíso em terra que desfio...
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Durante muitos meses me entreguei À sórdida missão de um menestrel Que faz do romantismo o seu papel Tentando a fantasia ter por lei.
Em tanto pedregulho me espinhei, Um beijo feito em coice do corcel, Que aos poucos se apagando o fogaréu, Romântico lirismo? Eu me estrepei!
Se o verso que hoje eu faço inda capenga Não posso conceber tal lenga-lenga, Chamando de meu louro este urubu.
Bonita poesia musicada Repete esta canção apaixonada: Diz no seu refrão: VÁ TOMAR NO CÚ! Marcos Loures
271
Durante a vida inteira sem saber Se um dia eu poderia ser feliz, Do malmequer só pude receber Notícias que quem ama nunca diz.
Cansado de somente conhecer, Cada mulher que tive falsa, atriz, Até que no final de tanto crer Apaguei os meus sonhos, frágil giz.
Procurei pastor, padre, pai de santo Fiz promessa subindo de joelhos Os olhos tão tristonhos e vermelhos
Apenas tive em troca, desencanto, Pensando que o amor foi pro vinagre, No fim; quando eu te vi, fez seu milagre! Marcos Loures
272
Durante a tempestade no deserto Em meio ao temporal feito em areia, Sob o sol implacável que incendeia, É o que o meu coração vai mais desperto.
Sempre em dificuldades eu me alerto Sabendo que terei na lua cheia A placidez da chama que se ateia No amor em amizade, peito aberto.
Que venham as procelas, vencerei Fazendo de um Amor a minha lei, Enfrento em calmaria o furacão
Usando como leme uma alegria, Montado no corcel da fantasia Mantendo sempre o rumo e a direção... Marcos Loures
273
Durante a noite intensa que sonhara A lua incandescente atrás dos montes, Avermelhado sonho em que despontes Fagulha de ilusão que assim me aclara.
A par desta beleza fina e rara, Tentando vislumbrar tais horizontes Usando de emoções, supremas fontes, Alucinado brilho me antepara...
Mas sei que isso não passa de armadilha Desta aguardente amarga que alma trilha, Qual frágil mensageira da esperança...
E quando chegar enfim, o novo dia, A luz que anteriormente me aquecia Será tão simplesmente uma lembrança...
274
Durante a noite inteira eu quero ter Teu corpo junto ao meu, delicioso, Realce em luz sublime, o bem querer Profana nossa cama em risco e gozo.
Penetro com firmeza, cada toca E quero-te inteirinha para mim, O amor que insanamente nos enfoca Recende com delícias, vinho e gim.
Dançando nossa dança preferida, Reféns deste desejo que não cessa. Amor que nos tomando toda a vida É mais do que talvez simples promessa.
Façamos o que temos de direito Deixando para trás o preconceito... Marcos Loures
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Durante a noite inteira eu mergulhei Na doce sensação que reproduz Beleza sem igual, profana luz Da Musa que em vermelho, procurei...
Quem dera em seus castelos ser o rei, Um sonho em fantasia que propus, Deixando para trás a amarga cruz De quem fez da tristeza sua lei.
Dançando nos salões das esperanças A festa recomeça a cada passo. O amor acompanhando este compasso,
Teus pés divinalmente, quando tranças Orquestram maravilhas, neste espelho Reflete o Paraíso, ele é vermelho!
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Durante a minha vida falsos guizos Convites para festas da ilusão. Às vezes obedeço alguns avisos Porém na maioria, esqueço o não.
Abismos que cavei, sempre imprecisos Metáforas servidas, vinho e pão. Omissos sentimentos forjam risos Do velho diabético o fardão.
Recolho cada parte que cortaste E nada poderia dar prazer Senão a solidão, doce contraste
Amiga tão serena e mais constante. Expondo o que restou, tu podes ver Percalços deste fútil, delirante... Marcos Loures
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Durante a minha vida eu percebi Que os erros cometidos se repetem. O mundo seja lá ou mesmo aqui É feito de idiotas que competem...
É claro que é preciso maestria, O tempo não perdoa quem se cala, Porém a cada luz que eu percebia Mais ofuscada estava minha sala.
Servir aos mais estúpidos prazeres, Vencido pelo tal lugar comum, Depois de tantos bens tu receberes Verás que no final restou nenhum.
Somente o amor liberta, esteja certo, Sem Deus e sem perdão? Resta o deserto...
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Dulcíssima presença que me encanta Daquela que se deu em noite mansa, A voz da poesia vem e alcança, Na força que se mostra intensa e tanta.
O amor que nos domina e me agiganta Trazendo ao sonhador tal esperança De vida mais tranqüila em temperança, Por sobre as grises brumas se alevanta.
O olhar que se aproxima, rara conta, Além de uma ilusão já se desponta Tornando menos densa esta atmosfera.
Promessa de um belíssimo raiar De sol que nos domina e, devagar, Um novo amanhecer, sereno, gera... Marcos Loures
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Durante este sufoco que passamos, Eu juro, aprenderei logo a nadar. Enquanto em fantasia navegamos Verdade vem depressa maltratar.
E quando tempestade provocamos, Mergulho sem juízo em pleno mar. Depois de certo tempo, quando amamos, Eu sinto este desejo nos tomar.
Tremendo sem parar um só segundo, De tantas fantasias eu me inundo Pensando num orgasmo tão fantástico
Mas logo eu reparei, não foi bem isso, Mulher que tanto quero e que cobiço Estava tendo um forte ataque asmático....
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Caro Marcos venho dar-lhe as boas vindas Sua ausência muito nos preocupou Felizmente sua angústia está já, finda Sua saúde está bem, tudo acabou
Os seus amigos aqui deste Recanto Te aguardavam com bastante ansiedade Pois já faziam falta os encantos Dos teus sonetos, sua especialidade
Ao vê-los novamente aqui postados Rendemos graças pelo seu retorno Ao grande Deus, por ter sua vida preservado
Tu és bem vindo nobre amigo e poeta Com seus sonetos preenchendo este entorno De alegria, razão de, estarmos em festa.
COM CARINHO NATHANPOETA 16de abril de 2009
Durante alguns momentos eu pensei Que inútil fora a minha caminhada A noite que sonhei ser estrelada Em névoas tão profundas encontrei.
Da morte; o seu semblante decifrei, Julgara ter ausente outra alvorada, De tudo o que busquei, somente o nada Tomava no horizonte a minha grei.
Mas quando ouvi a voz do seresteiro Chamando para a vida, eu percebi, Toda esta maravilha que há em ti,
Meu grande camarada, companheiro. Luzeiro que permite que se veja O que minha alma sonha e mais deseja...
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Durante alguns momentos eu julguei Que tudo desabava em minha vida, E quando vi a sorte, assim perdida, O céu enegrecido em minha grei,
A luz de teu olhar, eu encontrei, E nela, com certeza uma saída, E dando a solidão já por vencida Um tempo mais feliz, imaginei...
Por vezes não consigo acreditar No tanto que foi bom, comigo, o Pai, E mesmo quando a noite escura cai
Recebo esta magia num luar E passo acreditar que sou feliz, Contendo no meu braço o Amor que eu quis...
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Dourando então a senda de onde eu vim O amor ao qual querida me acostumas, Vicejas bela rosa em meu jardim, Florindo o meu caminho em que perfumas,
Vertendo o teu amor dentro de mim, Adentro um mar imenso, alvas espumas, Bebendo deste lábio carmesim, Manhã alvorecendo perde as brumas
E vejo o sol imenso a me tocar, Nos braços da mulher que eu quero amar Vencendo em alegria, a madrugada.
Num novo alvorecer que assim se cria Tomando o nosso céu plena magia, Um sol iluminando a nossa estrada... Marcos Loures
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Dourando em harmonia as novas trilhas Abrindo do passado os vãos sombrios. As almas antes sós, vãs andarilhas Feridas fatalmente nos seus brios
Recebem com alento um sonho bom Aonde se percebe uma alegria Mudando totalmente o velho tom No qual a nossa sorte, enfim se urgia.
Surgia neste sonho em plena paz O riso da esperança, uma ilusão, Mostrando ser possível e capaz Nas tramas de um amor, revolução!
Porém ao acordar e ver de perto, Miragem volta a ser triste deserto...
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Dourando ao sol teu corpo minha amada Na pele bronzeada, meu desejo... Vestida da nudez tão decorada, Na boca carmesim, ânsia de beijo...
O sol lambendo as pernas; extasiado, Os seios desnudados, belos montes... O vento vai roçando sem pecado Arrepiando todas belas fontes...
Ao ver tal maravilha; não disfarço, Aos poucos me invadindo uma loucura. Me enlevo em tal cenário, descompasso, E beijo tua boca com ternura...
A tarde assim passando, sol e céu, Me farto da delícia deste mel...
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Dourando a madrugada em tal beleza, Um sol em magnitude inebriante Tomando a nossa noite num instante Estende sua mão, açoda a presa.
Nas tramas deste amor, rara nobreza, Trazendo um rumo em paz e mais constante. Outrora a vida fora tão maçante Agora, sinto a força em correnteza
Que emana das paixões ilimitadas. A claridade espalha nas calçadas Antecipando um dia inesquecível.
Esplêndidas grinaldas desfraldadas Embora em sentimento perecível Bandeiras da esperança desfraldadas... Marcos Loures
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Dourado que vendias, era cobre. Não tive tanta sorte em minha vida, Teu ar de soberana, sempre nobre Escondia tão somente uma ferida.
Eu continuo alegre e mesmo pobre Minha alma está lavada e bem curtida, Prefiro uma aguardente em paz bebida Do que um vinho caro que soçobre.
Acordo de manhã, lavando o rosto, Sinal do que eu vivi ainda exposto Demonstra que em verdade eu fui feliz.
Ao contrário daquela que se fez Estúpida, boçal, sem lucidez, Trazendo tão somente cores gris... Marcos Loures
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Douradas em loucura e maravilhas Quebrando estas redomas do passado, Não vejo em meu caminho mais as ilhas Distantes deste mar novo e encantado.
A carapaça eu rompo com sorriso, Tocado pelas mãos de uma amizade. A cada novo dia mais eu friso O quanto é necessária a liberdade
Que às vezes se mostrando tão distante Parece-nos difícil de encontrar. Enquanto um sol profuso e radiante Expressa a fantasia em luz solar.
Sabendo e percebendo tal poder, Na força da amizade eu passo a crer... Marcos Loures
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Dourada pelas mãos do bem-querer A fantasia em paz nos decorando. Dançando a noite inteira ao bel prazer Erguemos nossos olhos flutuando.
Do cálice divino eu vou beber, Na orgástica emoção se revelando O quanto é fabuloso assim viver, Desejos e carinhos inflamando
Deitando sobre nós farta alegria O sol amanhecendo num bom dia Permite que se veja sempre assim
Raríssima expressão de luz intensa A marca da esperança é tão intensa Dizendo desta senda de onde eu vim. Marcos Loures
289
Dou nó em pingo d’água quando cismo Em ter quem já se foi e não quer mais. Se apenas vi restar algum abismo, O barco não se esquece deste cais.
Não vou dizer que isto é proselitismo, Tampouco ateio fogo aos milharais, No amor não caberá mais egoísmo; Paixões não são momentos vãos, banais.
Embananado sigo a procurar A moça que partiu com o luar Deixando apenas sombras, leves rastros.
Eu queimo na esperança de encontrar E volto novamente a me encharcar Nas luzes dos amores, fúteis astros...
5290
Dotô então pérdoe esse imbecil Nascido no sertão lá da Gerais. O má, que estes meus óio nunca viu Decérto é muito belo, até dimais.
Criado ao deus-dará, eu sô um bixo, Bebeno água da mina, sem tratá, Cumeno o que restô sô quage lixo, Na terra cumpricada di prantá.
Num aprindi falá cumo os dotô, Meus versu di impruviso uma bobage, Só falam do que vi na paisage
Coiendo, as isperança cumo frô Mais Deus qui deu o sór sem tê bestage Prantô no coração, perdão e amô! Marcos Loures
291
Duetos em momentos mais diversos Versando sobre sonhos, seios, sanhas, Vencendo as cordilheiras e as montanhas Vagando tão solícito, universos.
Às vezes são malditos ou perversos, Em outras delicados, doces manhas, Enquanto em poesia tu me ganhas Os olhos da esperança vão dispersos.
Revejo o que sonhei dentro de ti, Amar o quanto posso e muito além, Por vezes se a saudade insiste e vem,
Eu tento resgatar o que perdi, Agarro tuas mãos e num bolero, Desfilo no infinito, o que mais quero... Marcos Loures
292
Duas cruzes cravadas no meu peito. Amores que jamais esquecerei! Não tenho nem temi, nem peço o jeito, Nas ondas do remanso fui teu rei!
Teu vestido dourado está desfeito, Não quero um madrigal porque já sei, Teus dentes vão cravados... Fino, estreito O mundo que levavas , mas roubei!
Terei nos meus fantasmas, fantasias... Farturas e faturas prá pagar Fraturas, suas curas, infelizes...
Um gosto amargo, trouxe velhos dias, Um pôster representa esse luar As bocas que sangrei... Das meretrizes Marcos Loures
293
Dourando o acinzentado dos passados Deitando sobre nós os belos sóis, Trazendo em teus cabelos caracóis Brilhantes diamantes derramados.
Nos tons destes mares azulados, Não quero que sejamos quais atóis. Colhendo de teus olhos meus faróis Caminhos tão diversos vislumbrados.
Eu quero e necessito desta luz, Que aos poucos me domina e me conduz Ao manto constelar de raro brilho.
Vivendo cada dia mais feliz, Eu tenho e já recolho o que bem quis, Calando o coração tão andarilho... Marcos Loures
294
Dourando nossa vida em amor pleno Tesouros que encontrei; nosso caminho. Antídoto perfeito pro veneno Exposto em cada curva, cada espinho. O resto de meus dias; vou sereno, Bebendo do teu corpo o doce vinho.
Carpira por momentos mais diversos, A vida se mostrando em sortilégios. Os dias que se foram mais perversos, Negando para a sorte, os privilégios Agora a mansidão invade os versos Em cantos mais suavas, finos, régios.
Não vejo outra saída, nem pretendo, Nos braços deste sonho, eu vou vivendo... Marcos Loures
295
Dos sonhos nada resta, nem o dia. Creria em algum rito se inda houvesse O olhar emoldurando a mesma prece Estampa a madrugada amarga e fria.
Enquanto o coração te fantasia O amor que tanto quis, a vida esquece Por mais que na alvorada recomece Não pude mais conter esta sangria.
Jogado sobre as pedras, sentimento, Espinhos vão formando esta coroa A voz que do passado inda ressoa
Trazida vez em quando pelo vento Dizendo do que outrora foi teu sonho, Matando a poesia que componho...
296
Dos seios vou fazendo o doce ninho Selando com ternura o nosso caso. O amor que desconhece frio, ocaso, Invade o coração, vem de mansinho.
Liberta o sentimento, passarinho Não sabe respeitar horário ou prazo E tanto quanto o quero já me aprazo, Sereno passageiro aqui me alinho
Traçando o meu futuro junto a ti, Veredas tão fantásticas vislumbro, Enquanto nos teus raios eu me alumbro
Após a primavera eu conheci Florada de alegria e de esperança Que em plena poesia enfim me alcança... Marcos Loures
297
Dos versos que sem pé fazem cabeça Tropeços são perfeitas expressões, Em cristalinas águas, a promessa Deserta as mais sublimes emoções.
Se a luz em desengano foi caprina, No fundo não tem graça nem beleza, Eu quero o colo manso da menina. O resto que virá, não tem surpresa.
Mas cabra quando berra, em seu ruído Arruinando a pobre poesia Vestindo este casaco tão puído Não sabe discernir se é noite ou dia.
Apenas de orelhada e sem talento, Vociferando asneiras, pobre vento... Marcos Loures
298
Dos versos que em loucuras tu compunhas Diversas fantasias e sonetos, Nos corpos que se lanham; dentes, unhas, Nas peles parcerias e duetos.
Riscando o teto estrelas multicores, Aéreas borboletas vão libertas, Na cama fecundando belas flores, As janelas e a porta estão abertas.
Milhares de crisálidas preparam O amanhecer supremo da esperança. Enquanto as maravilhas se declaram, Performática e rara nossa dança.
Embalos repetidos não nos cansam, Apenas recomeçam sempre avançam. Marcos Loures
299
Dos velhos botequins da antiga Lapa, O cálice dos sonhos se explodiu, Espatifado gozo, o que se viu Nem mesmo a lua imensa ainda escapa.
Invés de teu carinho, soco e tapa, Amor vai preparando torpe ardil E o quase se tornando bem mais vil, Matando uma ilusão, some do mapa.
Fronteira entre loucura e sanidade, Abrindo esta janela, a liberdade Estende o seu tapete, e morre pálida
E quando o tempo diz do novo sol, A chuva vai tomando este arrebol, Negando qualquer chance de crisálida...
5300
Dos sonhos, dos amores; catedrais! Altares de ilusões, templos senis. Recebo as tempestades ancestrais E finjo qual em guizo, ser feliz.
Mortalhas que me deste, peço mais, Dos cânceres floridos quero o bis. Emergindo do nada invado o cais E lambo tuas pústulas gentis.
Nos gládios e nas foices riso e tento. Na cama cada ogiva em explosão Verter a fantasia ainda tento
Mas nada além dos templos enganosos. O lábio congelado em podridão Gargalhas inclemente nossos gozos...
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