
MEUS SONETOS VOLUME 052
Data 05/12/2010 06:51:29 | Tópico: Sonetos
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Deus me livre dos vates de intelecto Jamais eu suportei a falsidade, Distante deste grupo e seu aspecto Eu só quero encontrar felicidade.
Não quero o meu repente tão infecto, Quero que noutro mar minha alma nade, Cansado de seguir tão tolo séquito Rompi com os pudores qualquer grade.
Meleca no nariz, um cagalhão Se eu faço ou se desfaço, não importa, A cor da fantasia que se aborta
É cinza, mas aceso o meu fogão O prato que eu fizer, eu mesmo como, O livro que escrevi? Sequer um tomo!
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Deu cócegas nas mãos dos deputados Aumento de salário? Ganham pouco. Eu vejo em cada olhar, pobres coitados. Pois para ser político – só louco.
Auxílio paletó, tanto assessor, Trabalham pra carái. Tu não vês isso? É tudo bom sujeito, sim senhor! Eu falo com certeza e sem enguiço.
Viver lá em Brasília, sem ter mar, Desculpe, mas decerto isto é um saco. É tanta papelada pra assinar Depois dizem que levam pro buraco
Esta Nação que veio com defeito. “Mamãe, não quero ser sequer prefeito”. Marcos Loures
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Diante dos teus olhos, tudo muda, A dor que sempre vinha, não vem mais... No brilho que transmitem, tanta ajuda, No lume dos teu olhos, plena paz!
Os olhos que recendem tantas luzes, Irradiam caminho mais escuro. Mostrando onde se encontram duras urzes. Promessa tão feliz de bom futuro...
A claridade brota e vem direto Tornando os olhos meus bem mais brilhantes. Nos olhos da ternura e manso afeto, Inundações divinas e constantes.
Teus olhos são tão plenos: claridade. Te peço, nosso amor: felicidade!
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Diante de um momento duro e fero, Amor vai nos tomando em seu feitiço, É tudo na verdade, o que mais quero, Refaço em nosso amor, o brilho e o viço,
Nos braços deste amor, eu me tempero, E um mundo mais ameno, enfim, cobiço. O sonho pelo qual me regenero E ao mesmo tempo encanto e me enfeitiço
Amor se derramando em forte chama, Mudando num segundo toda a trama. Expressa em perfeição uma esperança
Benquisto pelos deuses, eu garanto Tomado totalmente por encanto Quem tem no seu amor toda a fiança Marcos Loures
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Diante de beleza, imensa, tanta, Calado, não consigo mais falar Recebo em cada raio do luar O brilho que me entorna, e me agiganta.
Tu tens a formosura que me encanta; Jamais eu deixarei de te adorar. Minha alma extasiada sempre canta Em doce serenata a te buscar.
Eu quero teu perfume em cada verso, Recendes a milhões de belas rosas. As estrelas imitam-te, invejosas,
Vagando em mil tiaras no universo, Perdidas, sem destino, morrem cais, São flores sem perfume e nada mais...
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Diante de beleza, imensa, tanta, Calado, não consigo mais falar Recebo em cada raio do luar O brilho que me entorna, e me agiganta.
Tu tens a formosura que me encanta; Jamais eu deixarei de te adorar. Minha alma extasiada sempre canta Em doce serenata a te buscar.
Eu quero teu perfume em cada verso, Recendes a milhões de belas rosas. As estrelas imitam-te, invejosas,
Vagando em mil tiaras no universo, Perdidas, sem destino, morrem cais, São flores sem perfume e nada mais...
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Destoa com um resto de esperança A foto em alegria sobre a mesa, O quanto desta vida que se preza É presa do que trago na lembrança;
Quem tem uma ilusão como fiança, Não sabe usufruir da sobremesa, Por mais que se imagine em rua mansa, Açoda com mais força a correnteza.
Ao menos, já desfruto do pomar Aonde tantas vezes quis arar Deixando este abandono no passado.
Quem sabe se colhesse um belo fruto, O dia não se mostre assim tão bruto, E mude, num momento, o velho Fado. Marcos Loures
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Destino tão cruel... são duros os meus fados! Os sonhos de mudança em teus braços levaste. O tempo se passou e nunca regressaste. Agonizo sem ter o bem dos teus cuidados...
Os males que deixaste, em mim são redobrados. Ó Deus, não acredito, o quanto tu mudaste! Um vaso que se quebra, a luz que carregaste. Os dias sem teu canto, em vão, desesperados!
O sal da minha vida, o pranto que vivi; A sorte que não veio... O que restou, aqui Um homem retraído, o manto da saudade.
Dobra-se um triste sino em homenagem tétrica O verso que te faço, embalde, perde métrica Na trilha do destino, eu vou, sem claridade! Marcos Loures
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Destino sempre prega tanta peça, Embora muitas vezes surpreenda Na vida quase nada que te impeça Recebes com carinho em tua tenda.
Porém se amores mostram suas caras, E mordem como fossem violentos. Os sonhos mais difíceis anteparas Em busca dos divinos, bons ungüentos.
Vivendo deste amor qual peregrino Que trama sem saber do seu caminho. Amor por ser amor, faz seu destino. E nele mesmo incrusta fim e ninho.
Ao menos se escutasse minha prece Mas tolo coração, não obedece!
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Destino relegara-me à tristeza, Onde jamais a lua penetrasse. Fechando toda porta pr’a beleza. Somente o vento frio, enfim, passasse...
Destino relegara-me ao vazio, Da noite que jamais terminaria. Sabendo que no inverno sem estio, Depois de certo tempo, morreria...
Destino não previra uma chegada, Em meio a glaciais caricaturas; Dos olhos tão sutis desta alvorada, Tramando a maciez nas desventuras...
Reconheço esse espectro em esplendor, Reflexo dos teus olhos, meu amor!
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Deu bicho carpinteiro em minha cama, Não é que eu possa levantar depois... Dever a cada dia sempre chama, Vontade de saber mais de nós dois...
O amor que a gente quer, já fez goteira Caindo este telhado, desabrigo. Pensei em ti ter visto a companheira Que protegesse, amiga, do perigo
Que trama a solidão. Caricatura Daquilo que pintei no pensamento, Mas de fato escondeste a criatura Tentando sonegar conhecimento.
Porém depois de tudo, resta engasgo, A foto que me deste, falsa, eu rasgo. Marcos Loures
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Desvendo na nudez em que me exponho Os atos insensatos que prometo. Os barcos; nos teus mares, sempre ponho, Neste oceano inteiro, me remeto...
Deslinda-se a verdade que preciso, Nos atos impensados e sedentos. Procuro pela paz no paraíso, Encontro a tempestade, os tormentos...
Recebo teu abraço, seios túrgidos, Urgidos nossos sonhos de prazer. Os raios que vieram; fortes, fúlgidos, Espalham em nossa cama e quero ter...
Revoltos os desejos, gritos roucos. Na busca dos amores tensos, loucos...
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Destróis sem perceber a velha estrada, E deixas tanto espinho como rastro, Os barcos da ilusão perdendo o lastro, A morte deste amor, anunciada.
Um sortilégio apenas que me enfada, Mulher que fora outrora estrela, um astro, Por entre as tuas sendas eu me alastro E chego finalmente ao mesmo nada.
Aos poucos, tu mutilas a esperança, Matando o que restara na lembrança Sacrílego caminho; mau, ladino.
Derramas o vazio que a mão traz Seguindo sem olhar sequer pra trás, Gerando sem perdão um desatino.
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Destoucando os cabelos tão dourados Em raios tão divinos vem aurora, Transformando esses sonhos esperados Em prisão mais dorida e tentadora...
Acorda minha amada com seus raios Lembrando que é chegada essa partida. Cavalos esperando, mansos baios, De novo recomeça a nossa vida...
O tempo que tivemos já passou, Meu canto continua tanto quanto Aquele que em espanto já cantou, Não resta nem a sombra do quebranto.
Assim amor, renasce nossa vida, Na aurora que marcou a despedida...
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Destino já previsto num oráculo Da morte sem remédio ou solução À vida me prendendo este tentáculo Não deixa mais restar uma ilusão
A sorte se fazendo em espetáculo Fantástica eloqüência, esta visão Guardado num incrível tabernáculo Ao fim de tudo a morte em tentação.
Qual Acrísio nos braços de Perseu Joguete do destino sem remédios. O fim ao tramitar tantos assédios
Prepara tão somente a treva e o breu. Nos Argos de minha alma; o fim predigo Procuro a fuga, tento e não consigo.
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Destino há muito tempo, outrora decidido Eu sigo o meu caminho envolto em treva e dor. Uma ilusão me acossa e mostra em tal vigor Melhor seguir em frente, e mesmo que iludido
Recebo alguma luz, destino a ser cumprido. E mesmo que inda venha a chama do pavor, Eu posso enfim dizer, eu conheci o amor! No canto que ora faço um mundo repartido.
Bebendo desta fonte eu vejo renascer Num brilho ao fim da noite um claro alvorecer. E faço deste brilho, apoio para os passos
Que firmes, eu darei, na busca da verdade, Sentindo este calor que é feito em amizade Encontro finalmente a luz em finos traços
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Destino desfolhando os nossos sonhos, Em vendavais procuram calmos portos. Rumando por caminhos mais risonhos, Os cais em temporais vagam absortos.
A força que permite que a raiz Encare mesmo a noite terebrante O pensamento expondo por um triz, Estende sua mágica constante
Que faz com que o amor mesmo calado Permita um novo encanto a se mostrar. Não importando mais qual o calado O barco sempre encontra onde aportar
Entrego o coração em brotação. Granando na sublime tentação.
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Destes meus olhos tristes, cadê brilho? A morte, sobremesa, sobressalta... Horizontes distantes já polvilho, A lua transbordando intensa, incauta;
Meu barco naufragando, o tombadilho... A dúvida cruel me prende, assalta, Como posso seguir meu rumo e trilho? A corja que me beija, podre malta...
Não posso consumir um vero orgulho, O resto do que somos não tem fim... Meu coração não passa dum entulho,
Meu sonho, castelar, desmoronou... Espreito teus convivas sem festim, Me resta mal saber que nada sou...
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Deste-me solução para os problemas? Vingaste tantos erros que cometo... À parte do que foram os meus lemas Aos olhos delicados me remeto...
As cortes dos amores são supremas, Veneno sempre foi meu amuleto... As discussões merecem novos temas, Não quero que me caces, teu espeto...
Herdades que não tive nem desejo, Campinas que estriaram essa escarpa. Me deste solução para esse beijo,
No fundo não sabias mais meu nome... No rio que pescastes cadê carpa? A sombra desse amor depressa some... Marcos Loures
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Deste corte profundo por herança Na boca ensangüentada beijos, riso, Carpindo cada aborto da esperança Vencidos os meus sonhos sem aviso.
A dor é minha cota de fiança Os cardos enfeitando o paraíso O gesto sem sentido da criança No passo vacilante que repiso.
Mas vejo que se perde esta amargura No doce da vontade da morena Nos olhos bem mais verdes da ternura
No tempo que amacia qualquer pranto, No vento da promessa que me acena Com jeito tão sereno em raro encanto.
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Deste barco do amor perdi a quilha Sem rumo, não se ancora nos tormentos. Como posso aportar nessa tua ilha Se não tenho sequer rosa dos ventos?
Me faltam condições de suportar As dores e mazelas mais terríveis. Por isso, meu amor; vou navegar Nos mares que me forem mais possíveis.
Os ventos que me trazem ao teu cais São ventos mais suaves, calmaria. Eu peço teu destino e quero mais, Em paz quero viver a cada dia...
Nos limos que criaram os meus passos, Parado nos teus olhos, nos teus braços
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Destas dores antigas que carrego, Depois de tanto tempo em solidão, Nos braços de quem amo, enfim navego, Tocado pela força da paixão. Quem fora, antigamente quase cego Percebe, nos teus olhos, a amplidão!
E faço deste amor, estrela guia, Tramando um sol intenso em minha vida. Dançando em emoção, a sinfonia Que um dia pensei morta, assim, perdida. Dourando o meu cantar em fantasia, Luzindo uma esperança mais querida.
Vibrando de alegria, encontro em ti, Amor que tantas vezes, persegui. Marcos Loures
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Destino que pensara ser traçado Em outras dimensões, divinos cimos Agora ao encontrá-lo destroçado Percebo quantas vezes nos ferimos.
Com mãos ensangüentadas foi traçado O rumo que em desejos, nós abrimos. O tempo vai incólume e passado Distante dos caminhos que seguimos.
Agora ao ver a tarde esmorecendo A morte sem remédios se anuncia. De tudo o que vivi, eu vou tecendo
A rede feita em ódio; luta e intriga. O pouco que tivemos de alegria, Mostra tua presença ali, amiga...
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Destino que em ternura agora selas, Em tantas esperanças me fascina A vida traz as rugas e as mazelas, Porém uma alma livre se imagina
Em meio a tantas cores, aquarelas, E tenta disfarçar, sorrindo, a sina, Imagens que eu sonhei em novas telas No olhar do amor, beleza descortina,
Assim vou prosseguindo rumo ao dia, Na luz que cada verso me irradia Deixando para trás noites escuras.
No quanto eu sou feliz e não renego Encontro nos teus braços aconchego Um vale de emoções, fartas branduras... Marcos Loures
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Destino preparando cada troça Às vezes me pegando de surpresa No fogo que queimou minha palhoça Quem fora caçador agora é presa.
Bebendo uma cachaça no boteco Eu vejo as belas pernas, rijas coxas, Em pensamento; amigo, eu sempre peco. Porém as esperanças ficam coxas
E nada do que eu quis se realiza, Nem mesmo qualquer sombra de prazer. Vivendo tão somente de uma brisa Sem nada pra sonhar ou pra comer.
Eu sinto que talvez não tenha cura, No amor que se fez mais bela moldura...
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Destino na saudade desaguando Fazendo do meu canto, uma novena, O mar já tão distante toma a cena E todo este cenário vai mudando.
Ao litoral sem pressa vi chegando De todo o pensamento o que me apena, Na lua que se deita tão morena Os raios de esperança prateando.
Espinhos que carrego em minha pele, Lembrando de que o mar sempre repele Aquele que não sabe navegar.
Ferrado; desde moço, eu perco o passo Nas veias vai pulsando inda o cangaço, A fome de viver adentra o mar.
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Destino meus caminhos ao vazio Depositando em versos esperanças. O quanto nada sinto eu mesmo crio Enquanto tresloucada, não avanças.
O sangue que se escorre num sombrio Momento perfazendo as alianças Tocando bem mais fundo principio E te convido logo para as danças.
Do velho sentimento que carrego Não tenho nem sequer mais precisão, Cardume sem um líder morre cego
A vida sem qualquer explicação Perdendo o timoneiro não navego Naufrago bem distante da emoção...
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Dessas velhas tristezas diluídas Nas almas que morreram sem perdão. As sombras siamesas, nossas vidas, Procuram pelo vale da emoção.
Somos ermos, herméticos e famintos. Da pedra que nos fez, tantas rudezas. Desejos qual vulcões morrendo extintos. Vencendo nossos medos e defesas...
Não quero me insurgir contra este fado, Nem quero me olvidar destes castigos. Quem fora tempestade leva um fardo. Sabendo das escoras e perigos...
Mas sinto que talvez tenha a saída. Seguir sem temer nada em nossa vida!
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Despudoradamente e mente caça A perna torneada da morena Andando pela rua, pela praça Desejo juvenil ao velho acena
E o quanto quando sendo me ameaça E faz quase não sabe, finge a cena. O tempo não parece mais que passa E o velho renovado em coxa plena.
Que faço se não traço mais a pausa E agora antigo lobo em andropausa Invade a minissaia, pensamentos...
Os olhos vão famintos, sem pra que, Procuro por meus guias, mas cadê? Quem dera se estes dias fossem lentos... Marcos Loures
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Desponta a estrela d’alva, tu te vais, A noite se perdendo, não te tenho... Bem sei que tudo; sempre fui capaz, Mas tenho que voltar para onde venho...
Tu és meu esplendor, minha esperança, Tu és a fantasia que sonhei... Mas sei que quando o dia já te alcança À solidão que tinha, retornei...
Amada toda a noite és minha glória, Amada o nosso dia é de saudade. Noturna a nossa vida, nossa história, O sol vem nos matando, em claridade...
Brilhando em raios frios, o luar, Aquece um belo sonho, faz amar...
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Despido dos meus medos e pudores Eu quero-te desnuda em noite mansa, Num gesto mais audaz a gente alcança Dos céus que imaginamos, esplendores.
Tramando em poesia estes louvores Enquanto um Paraíso em esperança, A boca mais voraz em ti se avança Querendo desfrutar raros pendores.
Por onde fores guarde este poema, Pois feito em alegria, eu te garanto, Além de simplesmente alguma algema
O amor que nos atando é todo nosso, Trazendo em harmonia cada canto, Um sentimento lúdico que endosso... Marcos Loures
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Despido dos desejos mais ferozes, De amores e paixões desenfreadas Matando estes cruéis, duros algozes; Das sortes sem paz, desencontradas.
Meus sonhos se libertam, vão velozes Na busca por auroras, alvoradas, Sem medo dos tormentos mais atrozes Das dores que se morrem, tão cansadas...
O viço adolescente que refaço No verso e na esperança de verdade Por onde meu caminho, amiga, eu traço,
É feito deste brilho que não cessa, Além de toda a força da promessa, Todo o poder imenso da amizade...
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Desperto, e de repente nada vejo. Minha visão turvada por temor, Sabendo que não sabes do desejo Que temo traduzir por novo amor.
Meu peito qual algoz sabe a desfeita Que sempre todo amor, no fundo traz. De tanta virulência a tez refeita Procura por um novo capataz?
Não vejo mais saída ó coração, Tu gostas de sentir-se amordaçado. Embarco na armadilha da ilusão, Embora creia esteja vacinado.
Nas sombras desta noite em que caí, A sorte é que no fim, sobrevivi....
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Desperto nos teus braços, doce amante, Abençoaste a vida em riso manso. Decoras meu olhar com deslumbrante Beleza que em ternuras busco e alcanço.
Refém da formosura, num instante Percebo ser possível um remanso. Que acolha meus delírios e me encante Trazendo em paz imensa, o meu descanso.
Viajo por teu corpo, sei teu mar, Vislumbro quanto é belo o bem amar. Singrando cada ponto de partida,
Avanço sobre margens, praia, areia, E de repente o mar já se incendeia Numa procela insana e tão querida...
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Despertas meus desejos mais profundos, Provocas sensações de amor voraz. Querendo mansamente ter teus mundos Em beijos, teu carinho tão audaz.
Despertas meus desejos tão insanos, E mostras num sorriso insensatez. Vivemos sem temores, sem enganos, Penetro belas sendas, vez a vez.
Vieste dar razão à minha vida Salvando o que se fora sofrimento. A sorte em tuas mãos quer que decida Em doce sedução cada momento.
Despertas as vontades, meus desejos, Paixão que me inebria em loucos beijos... Marcos Loures
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Desperta, amor, em mim tanto desejo Em chamas, crepitando, me convida Ao bailado fantástico que vejo Sendo a trilha sonora de uma vida.
Perene sensação de uma brutal Felicidade imensa que me toca De forma salutar e sensual No beijo que roubei de tua boca...
Cativas-me e, cativo, sempre busco No teu colo o perfeito diamante Lapidado de um sonho onde me ofusco Ao ver a tua face deslumbrante...
As asas deste amor são verdadeiras Aliadas. E sempre companheiras...
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Desta moral burguesa, a falsidade Se faz a cada dia mais insana. Distantes dos grilhões, a liberdade Em versos e nos gestos já se explana Mostrando que talvez uma amizade, Verdade que se exprime soberana,
Não possa mais conter hipocrisia Nem mesmo misturar-se com mentiras. Ao me lembrar de Amanda que dizia Dos corpos estirados pelos tiras, Jogados pelas ruas, carnes frias, Percebo que também tu logo atiras
Talvez não entendi palavra amiga. Quem sabe se eu fingir, enfim consiga?
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Desta cilada tola nós saímos Deixando a teimosia no passado, Por quantas vezes temos de bom grado O rumo que, diverso, decidimos.
Olhando as cordilheiras, vejo os cimos Aonde o amor se esconde disfarçado, No vento que nos toca tão gelado, Os passos tropeçando em velhos limos.
Se for preciso sonhar, siga em frente Não tema os dissabores que virão Apenas quem se dá de coração
Encontra o seu caminho, finalmente, Assim do labirinto tão prosaico, A vida é tecelã deste mosaico... Marcos Loures
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Desta fruta tão doce, coração, Nascida no pomar de uma esperança Regado com as mágoas da paixão. Podado com as dores da lembrança; Granado com as cores da ilusão No mel que se faz velho e tão criança.
Desta fruta eu espremo todo o sumo Experimento goles e mais goles. Recebo o meu caminho em novo rumo, Sem dores e sem medos que consoles. Mergulhos impedindo qualquer prumo Deixando nossos corpos bem mais moles.
Vem comigo que a festa não demora, Só come desta fruta quem namora...
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Desse ser que me invade, escuridão, As horas se passando nas gargantas, Tomando todo o gosto em arranhão, Ao ver o meu olhar, tu logo espantas E busca do que fora a solução Não vejo nem mais dias, fomes tantas....
Inverno vem chegando de mansinho Menino quis pião, caiu rodando, O velho engaiolar de passarinho Minha alma estilingada no desando Do que faz esperança ser um vinho Que tomo sem saber, me embriagando...
Nem mais um novo tempo em que disfarce A marca desferida em minha face...
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Dois corpos que se tocam num volteio, Girando a noite inteira. Como eu quero! Sentindo coladinhos boca e seio No ritmo sedutor deste bolero.
Angústia,solidão. Não mais receio, Encontro junto a ti tudo o que espero Entregue à maravilha deste enleio Delícias em desejos, bom tempero.
Vivendo tal ventura, não me canso Contigo, alcanço espaços siderais, Nos lábios, sem pudores, sensuais
A busca sem limites por remanso Que traga no horizonte deste encanto Estrelas diamantinas, nosso manto... Marcos Loures
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Dois corpos que se irmanam e interagem Formando em harmonia seus destinos, São como passageiros na viagem Passando por caminhos diamantinos.
Desejos tão ferozes e ladinos, Decoram e azulejam a paisagem Com brilhantes fantásticos e finos.
Santidade voraz, maliciosa, Colheita divinal, deliciosa, Sacrários entre sedas e cetins.
Oráculo que há tempos prenuncia Bendito amanhecer de um claro dia Ensolarando enfim, belos jardins...
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Dois corpos entre chopes e conhaques Assíduos serviçais da hipocrisia As sinas assassinas; leves baques Enquanto quem demora não porfia
Usando nos botecos sujos fraques Arranco a meia noite e crio o dia À noite nos convida aos roubos, saques, No meio dos salões, joalheria.
Angélica figura desdenhosa, Mereço pelo menos tua rosa Que há tanto resguardada vira espinho.
Bicudos que se beijam, somos nós, Mortalha da ilusão perdendo o cós Os pássaros retornam para o ninho...
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Doída, a minha voz desesperada Deixando bem distante uma ternura A marca da tristeza afigurada Mostrando tão somente a desventura
Restando em nossa vida quase nada, A noite ressurgida em treva, escura, A sorte em outros tempos bem fadada, Agora vai mudando de figura
E traz desesperança como marca, Naufraga em solidão a minha barca Em portos tão funestos ancorados
Os gozos de quem sempre quis bem mais, Distante de teus braços, perco o cais Remansos em tormentas, alagados... Marcos Loures
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Doçura de teus lábios, minha amada! Promessas de luares sobre a terra. Tantas vezes sonhei, não deu em nada, A vida prometeu a paz na guerra.
Amor que traz carinho, também ferra; Amor que traz aurora e madrugada Desmaia no luar detrás da serra, A mão que acaricia anda cansada...
Não quero o sofrimento que vivi Na ausência da mulher que cedo quis... A verdade da vida estava em ti.
Ao mesmo tempo inteira e por um triz, Me trazes tanta mágoa e sou feliz. No doce de teus beijos, Iraci... Marcos Loures
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Doces manhãs, infância vai distante... Subindo em todas árvores, quintal. A minha avó, sorrindo nest’umbral. Meus dias mais felizes; viajante
Do tempo, essas saudades delirantes, São companheiras santas, festival Das minhas brincadeiras. No Natal Os presentes guardados, numa estante
Da memória, trazendo meu sorriso... Amor passando, célere, preciso. Quem me dera viver eternamente...
As flores do jardim não mais existem, As dores entretanto, sim, resistem... Eu era tão feliz. Hoje, semente... Marcos Loures
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Doces lembranças guardo do passado, Dum tempo tão feliz em plena glória. Sentindo-me, por ti, tão bem amado, Jogado nos arquivos da memória...
Trazendo em largos dias, tanta paz. Vivendo o que queria ser vivido. O quadro na parede, o sonho traz, Sabendo que jamais vai esquecido...
Erguendo, das saudades, uma taça; Num brinde de esperança pro futuro. Não deixe, meu amor, bolor e traça; Reacenda esse quadro tão escuro...
E vamos renascer, nosso presente, Amor que sempre fora mais contente...
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Dois filhos tão diversos; concebeu Mater original: Abel, Caim, Depois de ser expulsa do jardim, Na inveja do mais velho, padeceu.
A mão de um assassino, fratricida, Na fúria sem motivo; à traição Tirando o bem maior de seu irmão Caim rouba de Abel a própria vida.
E sendo, por castigo, deportado, Saindo da presença de Jeová Encontra em Nod aquela que será
A mãe de Henoc que ao ser assim gerado Distante do Senhor não reconhece A invocação de Nome feita em prece...
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Dois corpos que se tocam, turbulências Benditas num momento inesquecível. A força da paixão, cruel, incrível Não admitindo estranhas ingerências.
Jamais verás no amor incoerências, Um sentimento assim, incorruptível Cabendo sem limites o incabível Fazendo ao Paraíso, diligências
Saltimbancos dos sonhos, passageiros Alados da noturna maravilha. Amores cultivados, verdadeiros
Espelhos de nós mesmos, carrosséis. Seguindo pareados esta trilha Dois loucos andarilhos, mas fiéis... Marcos Loures
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Do sonho de te ter, determinado, Reféns das emoções maravilhosas, Depois de tantos erros, no passado, Aprendo a cultivar perfeitas rosas,
E alçando este infinito, vou ao lado Das asas deste amor, sempre formosas. Depois de um rumo incerto, quase errado, As horas vão passando gloriosas
E a voz que me ordenando, eu obedeço, Imerso na paixão, não sei tropeço... E sigo cada rastro desta senda,
Amor que em emoção tudo desvenda Ao dar a solução aos meus problemas, Aflora em meu cantar, felizes lemas. Marcos Loures
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Do sol que nasce até que a lua chegue, Promessas radiantes são mentiras... Nos braços permiti que o dia pegue. As hóstias que comungo em vão atiras...
Preciso enfim achar quem me carregue O peso de viver exige liras... A nuvem vem e cobre, a vida segue. O tempo se reparte em várias tiras...
Manhã que me deixaste, meu problema Nas horas solitárias fiz meu verso... A mansidão das águas, velho tema...
O sol se repartindo traz segredo. Das torpes valentias do universo O sol que vai brilhando me traz medo... Marcos Loures
152
Do sol posso dizer que tem nos ventos As duras tempestades, fogo intenso. E nelas muitas vezes quando eu penso Não posso adivinhar os seus intentos.
Porém a lua mostra por momentos Um variar freqüente e tão imenso. Por isso, minha amiga estou propenso A crer que no correr dos sentimentos
O sol ao encontrar-se com a lua Deitada esplendorosa, plena e nua Decerto irá raiar felicidade.
Assim como no eclipse, eu te garanto Que a terra se embebendo em tanto encanto Receberá suprema claridade.
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Do silêncio refaço cada passo Por horizontes cegos e sem mar. Carpindo o que me fora, descompasso Quedando tanto tempo sem falar. Do corte tão profundo adaga e aço, O que resta de mim vou te mostrar...
Um cheiro de café refaz do medo E lembra mãe e filhas tílias, roças. O gosto da saudade meio azedo Mostrando quantas lágrimas empoças, Acordo novamente assim, bem cedo
E parto para o quando sem talvez, Cadencias meus olhos... perco a vez...
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Doces lagos; amores e poeta... Fumaças e fogueiras, esperança! Vida que em si mesma se completa No amor, a prometida e bela dança.
Amar sem sofrimento é minha meta, Repleta de verdades sem lembrança. Curva determinada pela seta, Asceta procurei virar criança...
No amor, a solidão é sobremesa; Teus costumes e vícios, respeitei. Quem brincava rainha da incerteza
Escadas das estrelas despencou... Mal sabes o caminho desta grei O sol da liberdade? Nem raiou...
155 Doce veneno em noite plena traz Total insensatez, puro hedonismo, A boca enternecida é mais voraz Amor não se permite em egoísmo.
Lambendo nossas pernas, mar em ondas As línguas desvendando tais fronteiras Os dedos penetrando, loucas sondas, Estrelas que guardei nas algibeiras
Redomas que rompemos vida afora Resíduos de nós mesmos espalhados Nos lumes e no brilho que decora Espaços toda noite pesquisados.
Farturas entre fátuas esperanças, Delícias que me dás enquanto alcanças... Marcos Loures
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Doce quimera que há tempos me rondando Descreve em mansas faces, graciosas, Perfumes soberanos, belas rosas, E o vento tão suave, calmo e brando.
Aos olhos da esperança se mostrando, Nas sendas mais sublimes e formosas, Fugindo das tempestas belicosas Um novo alvorecer vai se formando...
Assim sonhei em vão durante meses, Pensara ser feliz, mesmo que, às vezes As sombras retornavam. Quando esparsas
Matavam plenilúnios por instantes. Dos passos que hoje sei, cambaleantes, Apenas tão somente, duras farsas... Marcos Loures
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Doce manhã nascendo nas janelas... Aberto o peito, porta e residência... Os medos vão usando tais flanelas Que embalde não me levam inocência...
Nos raios deste sol, cedo revelas, O brilho que me trouxe essa aparência. Num vendaval procuro mar e velas, Nos olhos das montanhas, transparência...
Nas cores deste prisma matinal, Regente natureza se embeleza. É mágica serena e principal.
Deslinda-se manhã do meu desejo.. A vida certamente tanto preza, Permite engalanada um puro beijo... Marcos Loures
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Do vinho, o delicado e bom buquê, O mágico sorriso da menina Que sabe dominar e desatina, Sem ter nem perguntar como e por que.
Saber entre as estrelas, de você, A fonte generosa, a doce mina, Mudando num segundo a minha sina, Beleza sem igual na qual se crê.
Folia, fogaréu, festa e reisado, O velho coração apaixonado Decifra os seus sinais, estrela guia.
Confirmo esta verdade a cada dia, Vivendo a poesia do seu lado, Clarão sobre esta noite vã, sombria...
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Do vértice, meu salto, sem vertigem... Nos cumes altaneiros, cordilheiras, As buscas destruíram paisagem... Pertuitos que s’abriram nas ribeiras,
Por onde se adentraram, corredeiras, As mostras do que fomos, u’a visagem! Os medos enxovalham as bandeiras, Os tédios retiraram toda aragem...
Nas pedras que carcomo sou voraz, Nas lutas que derroto meu fantasma, A boca que semeia Satanás,
É a mesma que devora sangue e plasma, As tocas que aprofundo sem ter pás, As marcas que deixei-te d’um cloasma!
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Do vento que ora roça os teus cabelos, Chamados para a noite em festas feita; Deste amor, obsessão, quase que seita Sentidos e juízos. Pra que tê-los?
Fantasmas que eu carrego, pesadelos, Enquanto a poesia nos aleita, Legando à solidão simples espreita. Derretem-se as antigas neves, gelos...
Celebro sem pensar no descalabro Que outrora dominara toda a cena. As portas da emoção de novo eu abro,
Nem mesmo uma saudade me envenena. Erráticos temores morrem parcos, Momentos delirantes, novos marcos... Marcos Loures
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Do velho carcará sequer as penas, O tempo vai mudando devagar, A gente que namora quer apenas Que ninguém possa enfim, incomodar.
Sonhando com as tardes mais serenas, Não quero e nem preciso te contar De estrelas que brilhando douram cenas E mostram quão sublime é se entregar
Aos raios deste encanto que não cessa Viver é muito além de uma promessa Nas asas deste amor, a liberdade.
Não quero nem ter gota de juízo, Nos olhos deste encanto eu me matizo, Seguindo a cada passo, claridade...
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Do teu caminho conheci segredo Dos mansos passos luzes, brilhos, paz... Penas que foste embora logo cedo, Deixando apenas a lembrança audaz
De uma guerreira impávida, sem medo. Tanta tristeza minha noite traz! Na vida eu merecia um outro enredo. Será que prosseguir, eu sou capaz?
Pois quando enfim chegar o triste inverno, O coração vazio, quieto e triste. Amor que merecia ser eterno;
Jóia entre tantas jóias, a mais rara, À dor da punhalada não resiste A ausência deste amor que se foi, Iara...
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Do sonho que se mostra por inteiro Apenas os detalhes; não recordo, Seguindo teu perfume, em cada cheiro Amor vai penetrando e sobe a bordo. Do barco imaginário e derradeiro, Nos braços de quem amo; agora acordo.
E vejo que em verdade eu sou feliz, Não quero e nem consigo disfarçar, Amor vem clareando um céu tão cris Derrama sobre nós belo luar. Do quanto que te quero e peço bis, Jamais me cansarei, enfim de amar...
Ao ver as folhas secas pelo chão, Do outono que entranhei, colho o verão... Marcos Loures
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Do quase que doía e não dói mais O prazo terminando, sigo em frente Erguendo-me diante os vendavais O amor bateu, correu, se fez descrente.
Os versos que escrevi foram boçais, Mas nada do que sonho faz contente Quem tenta e recomeça sem jamais Fazer o mesmo trilho novamente.
Atalhos procurando, chego a ti, Arranco cada espinho. Sou sarcástico. O riso que não quero, este de plástico
Às vezes vem de lá, outras daqui. Matuto coração apaixonado, Durante tanto tempo, abandonado... Marcos Loures
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Do quanto que me adora mente e jura, Mas deixa o coração em plena festa; Na boca que me beija sem tortura A sorte que se quer e já se empresta.
Colado em tua pele, tatuagem Vencendo a tempestade que virá Areia movediça dá coragem Desejo sempre e tanto desde já.
Saltando sobre colchas de retalho Bacante se mostrando toda nua, O grito em fogo intenso; eu logo espalho E o tempo de sonhar se perpetua.
Serpentes que te entranham e te rabiscam Desejos e prazeres se confiscam... Marcos Loures
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Do quanto nosso amor mal resolvido Pudesse transformar pedra em carinho. O quase com certeza e não duvido Demonstra este vazio em que me alinho.
Teria com vagar um novo ninho Se o verso fosse ao menos dividido, As cordas arrebentam-se do pinho, E o vento vem bater em meu ouvido
Falando do que foste e não teimaste, Amor quando se mostra em tal desgaste Maltrata com vigor ingênuo peito.
Mas sei ser minha culpa, nada mais, Usando subterfúgios tão banais Os erros que cometo; sempre aceito... Marcos Loures
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Do quanto em dividendos nós teríamos Arfantes madrugadas? Quero bis. Desejo pelo qual nos debatíamos Explícita vontade que mais quis.
Folguedos e armadilhas; traz o amor. Decola e num segundo já nos trai. Cuidado, companheiro, com o andor, Que a casa é muito frágil, logo cai.
Dos sonhos de menino, trago ainda, A bela que pensava adormecida, Ou mesmo a Cinderela pobre e linda, Mudando de cenário, a minha vida
Mostrou que, no final, morro burguês, Prazer? Quando demais, é um por mês...
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Do quanto é mavioso o meu jardim Em pétalas diversas, coloridas, Recebo o benfazejo vento em mim, E as horas sempre passam distraídas.
As cordas se rompendo até o fim, Farturas em palavras decididas, Nas cores tão diversas, vou assim, Somando as nossas contas divididas.
E esboças num sorriso com fartura, Um gesto em sincronia, uma ternura, Fazendo com que a vida, enfim, se arrume.
No cume deste olhar tão emblemático, O gozo do prazer cego e temático Adentra o infinito em teu perfume. Marcos Loures
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Do quanto amor é nosso; raro emblema Que mostra a perfeição de um sentir puro. Rompendo com vigor qualquer algema Nos braços deste sonho eu me depuro.
A rosa que adentrara na janela. Modinha que o poeta deslindou Perfume que eu roubei da moça bela Durante tanto tempo me entranhou.
Do quanto eu te agradeço Bittencourt Toda a ternura feita em melodia, No lusco fusco abaixo este abajur E a noite vai singrando em poesia.
O sonho pequenino se agiganta Minha alma enamorada, agora canta...
em homenagem a SÉRGIO BITTENCOURT, CITAÇÃO DE MODINHA
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Do porco que comi larva terrível, Passeia no meu corpo e quer regaço. O jeito é conviver com dor incrível Que trago no pulmão. Não me desfaço
Do verme como praga inconcebível Figura que me mata de cansaço. Não posso acreditar, mas é tangível Mantenho desde sempre estreito laço.
Se fosse solitária, tudo bem. A tênia que carrego agora tem Mania de grandeza. Que destino!
Comendo como um boi não me sacio, Sem seca, temporal, inverno estio, A peste dominou meu intestino! Marcos Loures
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Do pico da Bandeira, o coronel Olhando para os servos idiotas, Abrindo deste inferno tais compotas Achando assim divino, o seu papel.
Arrota sobre o povo, rasga o véu E toma em suas mãos as pobres rotas Daqueles que buscando suas cotas, Suportam a cangalha tão cruel.
Os olhos sanguinários deste demo, Que impera e com certeza nunca temo, Arreganhados cevam servidão
Balburdia balbucia-se calada A gente pequenina amordaçada Entregues ao chicote do leão...
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Do peito que em tempestas já soçobra Uma expressão terrível quase agônica O quanto fui feliz agora cobra A sorte em nova face arquitetônica.
A tônica do amor repetitivo, Expressão nefasta agora trama. Do quanto que já fui de ti, cativo, A melodia amarga os tons e exclama.
Descendo pelos ralos, esperança, Esgota-se no mangue da ilusão. Esgotos e sarjetas, nova dança Mudando ao fim da noite, este refrão...
Minha alma desdenhada e carcomida, Nas mãos a fantasia apodrecida... Marcos Loures
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Do pecado e veneno que bebemos Em versos e delírios sem limites Espelhos onde sempre nós nos vemos Reféns de outras loucuras e palpites.
Não quero nem impeço que acredites No fogo deste inferno que teremos Nem sinto nem desejo que limites As hóstias que não temos nem comemos.
Só falo deste amor, santo consórcio, Que é feito de ternura imensidade, Embora no passado, o meu divórcio,
Demonstre para a falsa santidade Pecado que envenena quem não ama Matando em nascedouro a vida, a chama..
Em homenagem ao Papa Bento XVI
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Do sertão das Gerais trago a saudade Fazendo madrigais, louvando a lua, A luminosidade continua Porém ficou distante a claridade.
Nos portos de um amor pura verdade Lacustres esperanças, terra nua, Imagem que se fez em veleidade Saudade com a noite compactua.
Do sertão destas Minas, meu tesouro, Na cabocla serena uma malícia Das bocas esfaimadas, a carícia,
Dos sonhos um perfeito ancoradouro, Mineiramente chega à minha porta Saudade mansamente; fundo, corta...
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Do riso de ironia, o sofrimento No altar que se professa incandescência A boca que se oferta em penitência Transforma qualquer beijo em excremento.
Nos braços deste sonho eu me arrebento E entranho o que pensara previdência, A morte em mais sublime providência Explode em fogo fátuo e violento.
A pele se desfaz; velha carniça Amor qual fora areia movediça Em claras ventanias furiosas,
As mãos da fantasia que se frustra A podridão eterna assim se ilustra, Nas tramas deste amor, impiedosas... Marcos Loures
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Do que talvez pensara ser um fim, O pleno recomeço desta história. Seja em Nairóbi, Roma, até Pequim, A lua tem seus quês de merencória
Convida pro vermute e para o gim, Perdendo assim a linha divisória Já não me importa mais por onde vim, A porta se quebrou, sobrou escória.
Bicudas no lirismo: mato a lua Moleca que se entrega e continua Fazendo dos românticos: reféns.
Eu sigo os rastros tolos que deixaste Que nos condenam sempre a tal desgaste Não deixam nem mais sombras de onde vens... Marcos Loures
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Do micro ao macrocosmos, viajando Paisagens repetidas; tenho visto, E nisso e só por isto, sei que existo, Sabendo desde sempre como e quando.
Retrato insofismável, mesmo brando, Das tantas expressões que agora listo, Nós somos vida e morte, um ser que é misto Não nato, tão apenas transformando
Os átomos que existem no universo Bem antes de existirmos, água e sal. Do pó que fomos feitos, tão diverso
Ao mar que dentro do útero carrega À morte sobre a terra, a pá de cal, Eterno ressurgir do ínfimo ao mega.
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Do meu verso piegas fiz o rancho Aonde poderia te esconder. O velho coração deveras ancho Esgota toda fonte de prazer.
Fazendo da emoção a guardiã Que toma os meus segredos e me salva, A lua dos meus sonhos amanhã Virá bem mais bonita imensa e alva.
Saber do doce beijo da mulher Que o peito enamorado busca e quer, Macias suas mãos, olhos anis...
Rasgando qual Vinícius rasgaria O velho coração já se inebria Medonha fantasia faz feliz...
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Do menino que fui ainda resta O sorriso que teima em persistir. Por mais que a vida mostre-se funesta Uma esperança doura o meu porvir.
Sem nada que hoje possa destruir Criança que resiste agora atesta Sabendo cada passo conduzir Vencendo os mil perigos da floresta
Das dores e dos medos, desencantos Espalho pelas ruas os meus cantos E neles permaneço em franca luz.
Vertendo uma alegria em meu olhar Buscando em mansidão poder levar Mais leve, a cada dia, a minha cruz... Marcos Loures
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Do menino que fomos; nada trago, Perecem os meus sonhos, fantasias. A vida se mostrando sem afago, As noites, madrugadas, são sombrias.
Quem dera a placidez tomando o lago Aonde voam livres, poesias, Porém tanta aridez de um mundo vago, Professa sob o sol, palavras frias.
As ânsias de uma vida bem melhor, Que tanto delirei que sei de cor, Sucumbem à verdade mais tenaz.
Quem tanto desejou; nada consegue, Sem ter uma alegria que inda regue, A seca sem remédio, a vida traz...
5181
Do mel de tua boca eu sempre quero Voraz, calmo, sereno, audaz... Perfeito. Sentindo o teu perfume quando deito Encontro a maravilha que eu espero.
A vida traz um vento às vezes fero, Mas quando em regozijo eu me deleito Aguardo que tu venhas ao meu leito, Assim nesta alegria/amor prospero.
As roupas pelo chão são testemunhas, Dos sonhos que comigo tu compunhas Em ritos desejados e carnais.
Destino feito em êxtase divino, Contigo meu amor eu me alucino Querendo toda noite sempre mais...
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Do paraíso em vida eu me avizinho Sabendo que encontrei felicidade, Bebendo cada gota deste vinho, Encontro finalmente a liberdade.
No colo de quem amo eu já me aninho Deixando para trás a falsidade Mudando claramente o meu caminho Eu sinto ser possível claridade.
Mantendo o passo firme, inexorável, Imerso em fantasia demonstrável A cada novo dia a dor se esquece.
Apenas lamentando a dura sorte Que traz no peito amargo e já sem norte Quem pensa que em amor, cedo padece
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Do pão que sobrou faça uma mironga, Assim como do amor eu fiz saudade. Nos pés deste menino, o velho Conga Nos olhos do senhor, ansiedade...
Não quero mais olhar de songamonga Tampouco algum sinal de falsidade. Ouvindo tão distante uma milonga Dançando o sentimento, na inverdade.
Sem ter o que dizer de nosso caso Que chega finalmente ao seu ocaso No decurso de prazo, se esvaiu.
Na colcha de retalhos que nós fomos Saudade enaltecendo raros gomos, De um jeito bem mais nobre e mais gentil... Marcos Loures
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Do outono que entranhei, colho o verão E dele cada fruto em meu quintal. As aves vão voltando em migração As roupas vão secando no varal Por mais que venha agora outra estação O ritmo deste amor é sempre igual.
Usufruindo sempre deste fogo, Amor me fortalece e me conquista, Vibrando tão somente no teu jogo, A praia do meu barco já se avista E vendo este farol vou desde logo Querer do amor bem mais que algum turista.
Não posso resistir à tentação, Do fogaréu intenso, este vulcão...
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Do nada que trouxeste; tudo levas; Deixando para trás o que plantamos, Distante da emoção que desfrutamos, Apenas as tristezas sei que cevas.
Por mais que tantas vezes sei que nevas Quebrando do arvoredo tantos ramos, Eu sei que na verdade já tentamos Fugir das solidões, amargas cevas.
A culpa, na verdade está comigo, Um velho condenado ao desabrigo Não tem como saber de um manso cais.
A sina deste insano sonhador, A cada novo dia vem compor O fato de ter sempre este jamais.
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Do jeito que pensei e sempre quis Fazendo das palavras, canivetes Ao vaso já quebrado me arremetes, Enquanto a esperança é meretriz.
O quanto necessito ter um bis, Esconde sob a manga tais confetes O som que mal ouvindo, tu repetes Não deixa um ser humano ser feliz.
A lua do sertão, a linda flor Os riscos costumeiros de quem sonha, Não tenho mais juízo, o destemor
Arranca qualquer medo do meu peito. Sem ter montanha, morro de vergonha, Mas tendo-te ao meu lado. Satisfeito... Marcos Loures
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Do gozo faço a minha adubação Colhendo as flores belas do futuro, O quanto que se mostra mais escuro É tudo o que preciso: tentação.
Na ação já tresloucada, a sedução Que farta; não concebe sequer muro, Do fogo em explosão eu já em curo, Negando o meu adeus, arribação.
O prazo de viver não se conhece, Sequer o quanto temos pela frente, Por isso não se esqueça de repente
Do quanto a vida, enfim, nos oferece, Na boca delicada, carmesim, Recolho o teu perfume de jasmim... Marcos Loures
188
Do fogaréu intenso, este vulcão Trazendo o teu sorriso tão ardente, Promessa calorosa de um verão No quanto te desejo, amor se sente. Atenda ao meu chamado, coração E venha me fazer, bem mais contente.
Somando nossos corpos, infinitos Expondo num momento o paraíso. Usando dos prazeres, nossos ritos Permitem um caminho mais preciso. Os dias do teu lado são bonitos Expressam fielmente este sorriso.
Agora que encontrei felicidade Eu sinto a cada dia mais saudade... Marcos Loures
189
Do dourado tão límpido que trazes Neste olhar que me encanta qual farol Lunar que não disfarça suas fases E brilha neste astral bem mais que o sol; Eu quero tal tesouro no momento Mais feliz que percebo em minha vida Acostumada a todo sofrimento Que faz com que esta luz seja querida. A sorte me enganara em tantas duras Ilusões. Percebendo o teu olhar Deslumbrando essas noites tão escuras Incendiando as águas do meu mar, Estou agradecido só por essa Sorte que me deste, amor à beça...
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Do corpo mais perfeito e sensual Vislumbra o coração com mais verdade Embora seja vária a realidade Eu teimo na viagem triunfal
No beijo e no carinho ritual Percebo a mais sublime liberdade Matando pouco a pouco uma saudade Do amor eu faço um traço casual.
Amar-te em tal insânia, simplesmente Não tendo qualquer forma de cobrança Em ti eu mergulhando plenamente
Não vejo mais fronteiras, somos um. Amor não se divide em modo algum, Em ti encontro a minha semelhança... Marcos Loures
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Do corpo de quem amo, eu sou grileiro, Vasculho cada ponto, sequioso. Sentindo dos desejos cada cheiro, Invado na procura deste gozo.
Permita que me faça teu posseiro, Vivenciando o sonho mavioso, De ser de quem mais quero por inteiro, Trabalho mais audaz, meticuloso.
Preâmbulos, deixemos pra depois, Matemos a vontade de nós dois, Sem medo, sem juízo e sem pudor.
Os rios que se encontram, mesma foz, Traduzem o que somos, fortes nós, Atados pelas tramas deste amor... Marcos Loures
192
Do mármore a dureza delicada. Esculpis uma estátua majestosa. Eriges com firmeza engalanada De forma tão sutil, maravilhosa.
Estátua dedicada ao deus do amor E feita com total dedicação. Amada como é bom o teu pendor, Em cada talhe mostras perfeição.
Assim como brindamos sem temores Nas horas que restamos mais sozinhos. Deixando que se morram os pudores, Usamos um cinzel pleno em carinhos...
Louvamos deste jeito a divindade, Vasta sofreguidão, lubricidade...
193
Do mar o belo marulho, Nos olhos da cobra verde Meu peito carrega entulho Quero descanso na rede
Da vida, tanto barulho P’ra nada. Nunca mais hei de Tentar um novo mergulho. Água me basta p’ra sede!
Basta de tantas mentiras Nunca mais me diga nada Coração? Deixaste em tiras!
Minha voz anda cansada De tanto destilar liras Deixadas por minha amada! Marcos Loures
194
Do mar malicioso este ciúme Que toma o coração apaixonado, Lambendo tuas pernas... Azedume Me tomando, deixando-me de lado.
Sentindo o teu sabor e teu perfume O mar vai se tomando, extasiado, Bem mais forte nas ondas que o costume, E todo o litoral 'stá ressacado...
Eu vejo toda a cena, enraivecido. Quem dera ter ventura do oceano... Aos poucos, me sentindo mais vencido
Retiro-me da praia. De repente Ouvindo a tua voz, mudo de plano, Mergulho em teus carinhos, totalmente...
195
Do lixo que surgi não mais carrego Senão a fedentina que te trago. O passo sem sentido morre cego, A louca serventia de uma afago...
Quem dera a mansidão de rio ou lago, Não posso, mas teimoso inda navego, Bebendo a poesia em cada bago Às tontas maresias eu me entrego.
E vibro com prazeres mais discretos, Embora sobre a tenda sei concretos A casa não suporta um terremoto.
O gesto da milícia aterroriza Enquanto não sobrar sequer a brisa O amor fica distante, vão, remoto... Marcos Loures
196
Do lado que me cabe desta rua
Não há sequer no mundo que convença
Minha alma a desistir, e continua
Até que meu desejo enfim te vença.
As horas se passando, são eternas,
Os raios do luar, te possuindo...
Quisera ser um deles nestas pernas
Marcando de prazer minha morena
Distante, bem distante vou pedindo,
Abra as portas; te juro... Vale a pena! Marcos Loures
197
Do lado ocidental, fétido lixo... Das marcas das torturas sem sentido. As trevas são restolhos, olho fixo. A fome esmiuçada, sem partido..
O canto de teu povo, mais prolixo, Traduz a velha forma dum olvido. Nas paredes do peito, logo afixo Cartaz, mensagem ,texto nunca lido!
Escuto nas canções tantas derrotas Destinos se cruzando, tontas rotas, As vozes que te cantam se esmorecem...
Do lado acidental vidas padecem... Esperanças transitam noutras cotas; Do lixo ocidental, as flores crescem!
198
Do labirinto imenso, é a saída Amor que nos transforma em poesia. Tomando nossa sorte em harmonia, Esquece toda a dor da despedida.
A mão que me acarinha traz a vida A quem não mais pensava em alegria. É tudo como em sonho eu mais queria, Tua presença amiga e tão querida.
Vagando por teu corpo, lua e estrela, Rainha dos meus versos, sedução. Eu necessito e sempre quero tê-la
No acorde delicado da canção Que fale deste amor tão verdadeiro, Guia dos meus desejos, feiticeiro...
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Do jeito que pudesse não valia Se a cria não se cria nem faz festa. Amor quando se dá em revelia Incêndio declarado na floresta.
Em favos vou bebendo a fantasia E nada depois disso, ainda resta, O mar que não me deu Marta ou Maria Em ondas tão diversas desembesta.
Cantando por cantar apenas isso, Do mágico momento o teu feitiço Fez tudo pra que a gente inda sonhasse.
Meu coração não passa de um babaca Amor quando teimoso sempre empaca Mostrando em ironia uma outra face... Marcos Loures
5200
Do barco que se foi, dura inclemência Tornando este cenário mais sombrio. O amor se disfarçando em penitência, Inverna num segundo todo o estio.
Tomado pelas mãos de uma demência, Um tempo mais feliz não fantasio, O gozo emoldurando esta excrescência Das farpas e das grades, mortes fio.
Buscando uma anuência da ilusão, Vertendo em tantas lágrimas meu Norte, Apenas aguardando o fundo corte
Que trama num silêncio, a solidão, Espero, finalmente o salto, o bote Cravado no meu sonho até que esgote... Marcos Loures
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