Pessoa ainda não morreu

Data 04/12/2010 16:20:10 | Tópico: Poemas

Pessoa ainda não morreu
Almada ainda não morreu
mas aquele que finjio e não viveu
por não acreditar no sonho, morreu.

Pessoa tinha um império
Almada uma catedral
e o homem de hoje
não sabe de onde surge
e acordar é ficar sempre mediocre, viver
sempre fraco e morrer sempre igual.

Pessoa não tinha nenhuma pátria
Almada nenhuma belesa enaltecia
masa agora os que tem voz
ficam herois em causas vazias.

Pessoa não tinha filosofia
Almada tinha contradição
e houve outro que cantou sublime
o amor de um país infeliz e bruto
esse crime de se ter fome e não
se saber a sabedoria desse enorme pão
da nossa alma em viagem, poesia
onde a coragem não fica mais nos livros.

Pessoa ainda não morreu
Salazar quem dera
Bocage é essa comédia
o riso que falta aos que usam a moeda
valor com que se compra a pátria merda.

Pessoa ainda não morreu
Botto tinha aquela mania
e Eugenio outra mania tinha
e cada qual essa parte sensual
de uma bandeira pénis que se levanta, essa pátria
orgasmo que da lusitana feira apregoa
o nacional e ridiculo pasmo.

Pessoa era muitos
Flobela era só
e Sebastião foi o rei menino
de uma nação pó.

Pessoa, Almada
o Gama e as Indias
ainda a madrugada
dos mares navegados em nada.

Grandes talvez
neste nosso passado
desenhado em circulo.
Pessoa podes morrer
Almada podes tentar.

Ainda falta acordar portugal.

lobo 010





Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=164242