
MEUS SONETOS VOLUME 050
Data 04/12/2010 07:20:22 | Tópico: Sonetos
| 01
Desejo que incendeia; acesa chama, Que toma nossos corpos, nos invade. A tua voz sedenta já me chama, Não posso resistir. Amor quem há-de? Enveredar meu mundo em tua trama Vem logo, não permita que se tarde Tanta alucinação em nossa cama, Amor que nos sustenta, queimando, arde... Vestidos da nudez tão desejosa, Amor tão envolvente e vigilante, Na forma sensual e tão gostosa, Da fêmea tão esguia e delicada, Vivemos neste templo, amor bacante Minha alma na tua alma seqüestrada...
02
Desejo que este amor invada o coração E marque carinhoso, em cicatriz risonha Deixando para trás qualquer desilusão E a glória- ser feliz - nos teus braços se ponha,
Desejo que o sorriso, em mansa sensação Afaste do caminho a dor fria e medonha Desejo, minha amiga, o lume do perdão Que ensina ao caminheiro o rumo em que se sonha.
Que a vida te proteja ou sempre te alivie Que o mundo a cada dia ensine a ser feliz Que mesmo num inverno o tempo sempre estie
Que saibas enfrentar o riso e a tempestade, Que o manto da verdade afaste a falsidade Desejo, finalmente, a ti, tudo o que eu quis...
03
Desejo que esta festa seja eterna E traga sempre a luz que me irradias, Enquanto existirem poesias Uma alma encantadora não se inverna.
No teu aniversário, amor lanterna Guiando cada passo em alegrias, Sabendo decifrar, caminhos, vias Que levem à paisagem calma e terna.
Vencer em paz qualquer dificuldade, Cevando a cada dia esta amizade Que traz a quem conhece-te o prazer
De ter a luz suprema feita em glória, Razão de se poder crer na vitória Do amor e num louvor o enaltecer... Marcos Loures
04
Desejo que a verdade te agracie Com os beijos delicados deste amor Que nada neste mundo te resfrie Intensos os desejos com fervor...
Acostumaste a voar sem ter as alas Que, em veros versos sempre mentes. As luas que pretendes açoitá-las Penetram calmamente nossas mentes.
Mas foges destes brilhos sem saber Embora somos feitos deste sal, A vida que transtorna cada ser, Em dívidas da sorte, no final...
Na dúvida que corta nosso canto, Abrace nosso amor, em puro encanto
05
Desejo o teu sorriso, o teu prazer, Com toda sutileza necessária. Salivas e suores vou beber Na fonte delicada e temerária
Embalsamando os sonhos de alegria, Vertendo em gozo pleno, com preguiça. Vivendo esta fantástica euforia Rasgando a tua roupa, o fogo atiça.
Balanço destas ondas, teus quadris, Encaixes tão perfeitos, prazerosos, Repito e novamente peço bis Usufruindo assim de loucos gozos.
Desejo tão somente eternidade Nas tramas deste amor/felicidade...
06
Desejo tão profano que nos move Nas línguas que se buscam, destempero. A vestimenta inútil se remove Neste carinho enorme, com esmero.
Exploro cada ponto, sem perguntas, A silhueta exposta, nua e bela. As mãos que se percorrem, leves, juntas, Toda a loucura em gozo se revela.
Degusto cada gole do teu ser, Entranho teus mistérios e segredos. Nesta cascata amada, teu prazer, Delícias que me encharcam, boca e dedos...
Em cada gota encontro tal magia, Inundação divina de alegria...
07
Desejo tão profano e animal Tomando nossos corpos, vou faminto... Sorvendo este prazer de mel e sal, Em cores variadas eu me pinto E sinto o teu perfume sensual, Me inebriando sempre teu absinto...
Tu danças, cavalgadas, noite ardente. Na febre que nos toma, loucas horas... Sentindo em tua boca cada dente, Carinhos, mais carícias, tu me imploras... E a cama se tornando mais fervente Mais vezes, muitas vezes... me decoras...
E sinto tua gula mais audaz No amor que a gente fez, e quero mais...
08
Desejo tão errante te procura Estamos tão parceiros e distantes. Na borda do caminho da amargura Nas curvas das montanhas deslumbrantes...
Devíamos amar tão simplesmente Quanto respiramos, sem perguntas... As mãos se deslocando totalmente Seriam bem mais fortes, quando juntas...
As pedras que carrego tão pesadas Entranham em meus ossos, não me largam. Os sonhos de manhãs mais orvalhadas Em tantos palavrões mordem, afagam...
Mas saiba que eu te amei, porquanto te amo, Por isso, dessa ausência, eu te reclamo!
09
Desejo tão aflito de te ver Sentir o teu perfume nas narinas, As minhas mãos suadas; te estender, Nesta delícia sempre me alucinas; Meus lábios te querem percorrer Descobrir belas grotas, fontes, minas...
O calor que me invade, tentação, Nesta angústia gostosa, te sentir. Do teu corpo no meu, sofreguidão, Um desejo tão grande a prosseguir Nessa noite extasiada de paixão Nossos gozos a ponto de explodir...
Esperando tão tenso; meu desejo Só se acalma no teu primeiro beijo... Marcos Loures
10
Desejo tanto este amor Que se faz a cada dia Transformado em poesia, Traz somente a bela flor,
Vou contigo aonde for O meu sonho, a fantasia Verso a verso recompor Todo o canto que existia
E que o vento da saudade Muitas vezes, tempestade Fez virar areia e pó.
Sinfonia feita encanto Espalhando canto a canto Não quer ninguém mais só... Marcos Loures
11
Desejo que tu venhas já sem medo, Com toda uma explosão em fogo intenso. Ardendo no teu corpo, faço enredo Do amor que tanto quero, sempre imenso.
Não deixe pra depois, vem logo agora, Não quero mais deixar de ser feliz. Se tantas vezes minha alma inda chora É por que não teve amor que sempre quis.
Arder em tuas chamas, ser teu homem, E penetrar teus sonhos com vagar, Eu quero que meus braços já te tomem Prometo uma alegria assim te dar.
Deixando as diferenças para trás Querida, o que eu mais quero: amar demais... Marcos Loures
12
Desejo nesta espera ser feliz Esparso meus delírios pelo vento... De tudo que na vida sempre quis, Eu guardo teu amor no pensamento...
Espero tanto bem, nosso futuro, Em flóreas sendas tramo meu caminho, Amor que sempre fora assim tão puro, Não posso permitir ser mais sozinho...
São tantas ilusões aqui cravadas, Esplendorosamente, meu tesouro... As horas sempre vãs, desesperadas, Aguardam outro tempo, pleno em ouro...
Amada me perdoe se não traço As letras deste amor em pleno espaço..
13
Desejo meu querido companheiro Que o mundo se aproxime do teu sonho. Num gesto mais sincero e verdadeiro, Meus barcos nos teus braços sempre ponho.
Na rosa que plantamos num canteiro Promessas dum porvir bem mais risonho. Que o amor este divino feiticeiro Afaste a solidão. Eu te proponho
Que leve bem mais leve a tua vida. Num mundo mais gentil e sem segredos, Distante das tristezas, velhos medos...
Na sorte que desejo repartida, Um tempo assim refeito e sem maldade, Em todo este poder de uma amizade.
14
Desejo mergulhar meu corpo em ti, Usufruindo o gozo mais audaz. Colhendo este prazer que enfim senti, De tudo o que quiseres ser capaz.
Alçando meu desejo em tuas fontes, Umedecidas ávidas, sedentas, Entrando em grutas, furnas, belos montes, Fornalha em explosões tão violentas.
Fazendo de teu corpo, o meu altar Aonde possa sempre desfrutar Do paraíso em vida toda noite.
A fogosa amazona galopando Corcel que na loucura se entregando Sentindo tua boca como açoite...
15
Desejo mais profundo e sensual Roçando o nosso corpo, devagar, Não tendo sequer pressa de chegar Adentro este caminho sem igual.
Quem dera se pudesse um imortal Tivesse eternidade a me tocar, Voando em liberdade até chegar O gozo mais perfeito, triunfal.
Sementes espalhadas pelo chão, Causando ao reflorir, revolução, Tomando num momento, céu e mar.
Arando com carinho cada lavra, Usando o dom do sonho e da palavra Sabendo quanto é bom, decerto, amar. Marcos Loures
16
Desejo já pedindo que te veja Batendo na janela do meu quarto. Além de todo o bem que se deseja Se faz assim desejo sempre farto.
Não vejo outro caminho que não seja Aquele que me leva ao mesmo fato Não falte esta vontade onde sobeja Imagem resguardada num retrato.
No afeto que nos toca, não se engana, É feito de carícias com certeza. Desejos que se mostram deste jeito,
De forma mais audaz e soberana Na certa se entregando cama e mesa, No fundo o que desejo? Satisfeito... Marcos Loures
17
Desejo esta nudez que sem receios Adentra no meu quarto em noite mansa. Com túrgidos mamilos, belos seios, Nas tramas enlouquece em cada dança.
Aos poucos percorrendo os teus veios Prazer inigualável já se alcança, Com força e com ternura os meus anseios Sobre tua nudez, amor descansa.
Qual Vênus maviosa, que em Carrara Com mármores e perlas esculpida. Em tua beleza alva, fina e rara
Trazendo para a Terra argêntea lua, A boca te procura, distraída, E louca, se estremece ao ver-te nua...
18
Desejo encontra em ti um manso albergue E enquanto tu não vinhas eu sonhava Com toda a fantasia que persegue Aquele que sem gêiser quis a lava.
Asperges teu perfume por aí, Dos ais que tanto faz ou pouco fez Buscando o que deveras não perdi O coração cedendo à insensatez
Mergulha nos ciúmes, tramas falsas, O cais segue distante, frágil porto, Não tendo mais cargueiros nem as balsas Descalço esta emoção, e semi-morto
Abranjo com meus olhos o infinito, E volto à sensação, frio granito... Marcos Loures
19
Desejo desvendar cada mistério Que escondes entre as pernas bronzeadas, Fazendo deste gozo, ministério Em meio a mil lambidas e chupadas.
Alçando a cada orgasmo um mar sidério, Deixando tuas minas esporradas, Na foda mais gostosa, um caso sério, As horas vão passando assim, safadas...
Eu quero ter teu grelo em minha boca, Sarrando o teu rabinho, meu caralho, Sabendo cada ponto, cada atalho
Entrando mais faminto em cada toca, Vem logo que eu te quero toda minha, A deusa sem vergonhas, bem putinha...
20
Desejo desse amor tão mais bonito que trama tantas noites sem receios, ardendo tanto amor, em manso rito, beleza, tanto beijo, ardentes seios.
o sol riscando brilhos neste azul percorre tantos sonhos mais felizes. estrela que navega norte e sul, tramando desta vida seus matizes...
eu quero ser feliz, não mais me importo com tempos, tempestades e temores. apenas me entregar ao manso porto que mostra tanto brilho nos amores.
amada como é bom estar contigo, proteges destas dores, do perigo...
21
Desejo desnudar teus belos seios, Intumescidos, loucos e sedentos, Nos toques mais suaves, meus anseios, Fragrâncias delicadas, pensamentos...
Entrar por tuas minas e teus veios, Calando meus caminhos mais sedentos, Deitando em teus cabelos, meus enleios, Meus dedos te percorrem, calmos, lentos...
Nos rumos que me levam aos mistérios Que tento desvendar, tua nudez... Sabendo desfrutar gozos etéreos.
Carnais estes meus sonhos mais intensos, Sangrando assim, total insensatez... Momentos deliciosos, livres, tensos....
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Desejo o teu desejo desde agora, Melífera esperança de prazer. Delírios que sobejos posso ver No corpo que em ternuras já se aflora.
Beijar a tua boca sem demora Sentir a tua pele, posso crer Que mesmo tão distante te saber, O fogo anunciado revigora.
Ao ter tua nudez, ser todo teu O gozo deste encanto se verteu Nas veias deste insano trovador.
E quando em explosão, num frenesi, Orgástica loucura vejo em ti, Derrame prazeroso de um amor... Marcos Loures
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Desejo o que desejas; meu amor. Verter nosso prazer no mesmo jogo, Que é feito sem vergonha e sem pudor, Ardendo com certeza, insano fogo.
Do amor que a gente faz, encantador, Na sanha de te ter, mas venha logo, Não quero te perder, quero propor Se necessário, falo mesmo em rogo
Que seja a companheira inseparável Nas noites, madrugadas e manhãs, Na fonte do desejo inesgotável,
Palavras e delícias, bons afãs Suores, ferormônios, loucos cios, De beijos e carinhos mais vadios... Marcos Loures
24
Desejo o que desejas tão somente, Vivendo cada sonho em luz intensa. O amor quando promete a recompensa Valoriza decerto esta semente
Plantada em nosso peito, toma a mente E nela com carinho a gente pensa Ganhando esta alegria que é imensa, Do fruto magistral que se pressente.
Vieste harmonizando os meus caminhos Usando como adubo, amor, carinhos E sabes que cevaste muito bem
Mudando a direção da minha história, Encontro nos teus braços luz e glória Preconizando a luz que o dia tem... Marcos Loures
25
Desejo nos tomando em tempestade, Das gotas desta chuva, um rio intenso, Formado em caudalosa imensidade Que faço se somente em ti eu penso? Amor vai me tomando de verdade Num temporal divino, louco e denso...
As águas vão rolando em cachoeiras, Inundam arrebóis, vales e margens, As noites mais vorazes, sem geleiras Permitem calorosas, as viagens, As bocas se procuram sorrateiras Invadem outros rumos e paragens...
E nesta enchente louca do desejo A paz tão esperada, já prevejo... Marcos Loures
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Desejo neste teu aniversário Felicidade plena em mansa paz. Do mundo que se mostra temerário Espero que consigas ser capaz
De ter amor, que é sempre necessário, E quando em perfeição nos satisfaz. Um dia a dia calmo e solidário Trazendo a imensidão em sonho audaz.
Presente em tua vida uma alegria Que viva, já permite um sonho brando. A sorte renascendo a cada dia
E os lumes da esperança decorando O céu com harmonia em azulejo, É tudo, minha amiga que eu desejo!
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Desejo aos meus amigos muito amor E a paz tão redentora enquanto vida. Antes do final, sempre um sonhador; Quero felicidade dividida
Entre todos aqueles cuja dor Por um momento cala uma saída, Numa delicadeza, mansa flor, Em perfumes e luzes revertida.
Que não se preocupem mais comigo, Carrego minha cruz e não reclamo. A vida, com certeza é um perigo
Inda mais se negamos dono ou amo. E saibam, companheiros, fui feliz Das chagas e feridas, cicatriz...
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Desejo a ti: feliz aniversário Que a vida te sorria mansamente. O mundo tantas vezes temerário Talvez se modifique totalmente
O sino rebimbando, o campanário Está comemorando, pois pressente Que este dia trará ao calendário A marca de mudança e de repente
Se o homem perceber que nesta data Alguém já poderá nos mitigar A dor que se demonstra todo dia,
Assim a vida mostra e me arrebata Trazendo mil motivos pra brindar Com toda uma emoção, tanta alegria...
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Desejo à flor da pele nos tomando, Entregues ao sabor do forte vento, Dando vazão assim ao sentimento, Querida com certeza estou te amando...
Perdendo a direção e sem comando, Nem mesmo alguma fuga ainda tento, Bonança feita em forma de tormento. Um vendaval fantástico audaz e brando.
Teu corpo como um cais tão aguardado, Delírios cometidos sem pecado, Da carne, seus apelos e vontades.
Farnéis abastecidos de prazer, Sacias minha fome, posso crer Que enfim conhecerei felicidades... Marcos Loures
4930
Desejar cada momento Do teu lado, meu amor, Coração batendo lento Descompassa em tal fervor
Tanto amor que me atormento, No teu verso encantador, Vou sentindo a mão do vento Balançando cada flor
Ser só teu em noite clara, Nosso amor que se declara Ninguém pode mais calar;
Ao te ter bela e desnuda, Meu amor: um Deus me acuda! Dá vontade de te amar...
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Desejo desfrutar da mesma fonte Que tanto me seduz quando me excita Descendo pêlos, montes, horizonte A fonte tanto doce quão bonita..
Mergulho nesta fonte com vontade De estar por todo o tempo com você, Vivendo meu prazer com liberdade, Liberto, lhe procuro mas cadê?
Dançando nossa dança mais profana Na cama que queremos neste instante. Amada como é boa dor que explana E trama tanta fonte delirante...
Entrando nessa fonte sem pedir, Vivendo nosso amor, neste ir e vir...
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Desejo de te ter inferno e céu, Cravando em tua boca meu carinho Com fome e com ferrões te dou o mel No látego desejo, de mansinho...
Respiro-te veneno e clorofila, Sugando todo o doce que amargaste, Na guerra, em plena luta, vais tranqüila Do jeito em que na paz me infernizaste...
Somas que dividem, multiplicam, No prisma genial da sedução, Contradições fantásticas explicam O fogo da loucura e da paixão...
Meu bem, na calmaria desta noite, Te quero mel e fel, num doce açoite...
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Desejo de ser teu; bela menina, Na força soberana deste amor Que espalha em nossos sonhos, mar e flor, Ao mesmo tempo sangra e nos domina.
Intensa fantasia a se compor Além do que a razão já determina. Mudando a direção, transforma a sina, Deixando uma emoção solta ao sabor.
Nos ventos que se fazem temerários, Nos olhos que compõem uma alegria, O quanto este querer demais se urgia
Demonstra quão possível ser feliz. Buscando comum foz, mesmo estuário, Contigo eu tenho tudo o que bem quis... Marcos Loures
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Desejo cada parte do teu ser Embora tantas vezes nada eu diga. Se trazes teu carinho com prazer Certeza de que em mim amor se abriga.
Não posso e não consigo te esquecer E quero que esta vida assim prossiga. Bebendo desta fonte, podes crer, Mas venha, por favor e então me diga
Se queres meu carinho e meu desejo Na cama, no quintal ou neste quarto Amor não é somente um relampejo
Precisa de constância e, na verdade, Contigo todo o sonho que eu reparto, Trará para nós dois; felicidade! Marcos Loures
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Desde a primeira vez quando te vi, Desejo alucinante me tomou. Ao te encontrar, em ti eu me perdi Meu mundo nos teus braços, naufragou...
Eu quero-te, não nego esta vontade, De ter teu corpo nu junto comigo, E desfrutar prazer, felicidade, Tendo em teu colo, todo o meu abrigo...
E penetrar teus vales devagar, Teus seios em meus lábios... mansamente... Descendo minhas mãos até chegar
Tua umidade amada, sempre quente... Beber desta fonte, assim, termal... Sorvendo cada gota, sensual...
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Desculpe se te ofendo, minha musa; Por vezes me esqueci do teu ciúme. Não fiques assim tonta, tão confusa; Não posso mais viver sem teu perfume.
A noite se demonstra cega, obtusa Se não estás. Me perco num queixume, Se foges de meus braços. Ó cafusa , Meus olhos necessitam do teu lume!
Tens no sangue, beleza duma Iara, De princesa africana esta linhagem. Rainha dos desejos, da coragem,
A vida te ilumina, jóia rara! Amar e desejar-te: doce sina! E m’honras com teus beijos, Albertina!
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Desculpe se repito o mesmo tema, Falar de amor parece ser bem fácil, Embora, necessário ter, da gema A sensação dourada de ser grácil. Não vejo amor tão simples como um lema Por mais que tantas vezes eu disfarce-o Não mudo, nos meus versos, nem um trema, Nem quero e nem permito que isto embace-o; Portanto, meu amigo, mil escusas, Se tantas vezes canto em mesmo tom, Prefiro me encantar com belas musas, E demonstrar, sem medo, as emoções; Não digo que isso seja ruim ou bom, Que responda Vinícius ou Camões!
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Desculpe se pareço-te sarcástico, Sou fruto deste mundo que me deste... O rosto que fingiste segue plástico, O medo de viver gerou a peste.
Nos saltos que tentei, pareço elástico, O franco atirador, foi simples teste... O prazo já venceu, isso é fantástico, O tomo que hoje li, foi inconteste...
Recebas um carinho como um tapa, Dilaceres a mão que não te roça, Dos livros que te dei, sabes a capa,
As hortas se definham, sem verduras... A casa que vivemos, é palhoça, As noites que me deste são escuras... Marcos Loures
39
Desculpe se pareço sensual, Amiga, na verdade eu nada sinto, Senão uma certeza aonde minto, E faço por fazer meu ritual
De simplesmente andar noutro bornal, Aconchegado ao corpo onde pressinto Calor que se quiser, virando absinto Trará um longo porre genial.
Porém como um falsário que se entrega Aos mares de um corsário sem pudores, No fundo minha amiga, as minhas dores
Caminham sem destino em rota cega. A par do que não sou eu reconheço Que a falta de visão gera o tropeço.
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Desculpe se o lirismo te incomoda, Estúpidas palavras que eu te digo, Num canto que faz fora de moda Encontro ainda um resto, um fim de abrigo.
O tempo não descansa e sempre roda Não tendo mais o visgo em que me ligo Talvez a solução se faça em poda Matando um verso inútil, tão antigo.
Mas teimo nessa imensa babaquice Que sei que te incomoda, minha amiga De tudo o que eu disser e já te disse
No romantismo tolo me arremeto E falo desta forma vil e antiga Fazendo um arremedo de soneto.
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Desditas esquecidas no passado, Em noites que vieram; mas não foram... Querendo teu amor sempre ao meu lado, Meus dias, t’as promessas comemoram...
Não vejo mais ausências nos meus passos, Nem vejo mais as trevas que vivíamos, Nem temo mais dilúvios nem fracassos; Amores que, te juro, nem sabíamos...
Eu sinto remoçar meu coração, Depois de tanto tempo sem ter nada... Vivemos nosso amor, sem solidão, Entregue nos teus braços, minha amada...
Eu quero o gosto doce do prazer Que nos teus lábios sei reconhecer...
42
Desdita Azar. Se dita; Sangrar.
Maldita; Teu mar Reflita Luar...
Que a sorte É vária; Meu Norte
Verdade Hilária... Quem há de?
43
Desdenho esta notícia que me trazes Falando de um momento que passou, A lua se derrama em quatro fases, Porém a nossa lua já minguou
Enquanto em outros sóis te satisfazes Eu vejo em que buraco amor entrou Os gestos muitas vezes são falazes, Atesto o que decerto não mais sou.
Retenho as tuas marcas tatuadas, Somente cicatrizes, nada mais. Decoro dos amores tabuadas
E tenho a solidão por sobremesa. Por mais que estes meus versos são banais Não quero ser somente caça e presa... Marcos Loures
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Desdenhei os teus sonhos e recados... Pela vida, cruel e indiferente... Os olhos que te viram, vão cansados A morte se aproxima, lealmente...
Os bosques do prazer, incendiados... Sobraram carcará, lobo, serpente, Vivendo nas penúrias destes cardos. Sonhar deixou de ser vital, urgente...
As asas do albatroz não mais sustentam Meus braços, sem querer perdendo o vôo. Os medos que tivemos não agüentam,
Os erros cometidos, não perdôo... Desculpe, por favor, tanto desdém... Os restos que carrego, sou ninguém! Marcos Loures
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Desde que em mim nasceste simplesmente Eu cuido com presteza e sentimento. Não quero te perder tão de repente, Só quero proteger-te deste vento...
Nasceste flor bonita do cerrado, Granaste nesse amor num novo fruto, Tu sabes como estou apaixonado, Do amor e do desejo, sim, desfruto...
Ó flor que imaginei, flor ideal; Não deixe que esse frio despetale; És bela e teu sorriso divinal Que o amor que já brotou nunca se cale!
Do fruto que colhemos, nossos sonhos, O gosto de outros dias mais risonhos...
46
Desde que ela se foi não tenho vida, Escute, por favor, amigo meu. Aquela que eu pensava tão querida Aos poucos, no meu mundo, se perdeu...
Levada pelo vento da paixão, Deixou aqui por dentro quase nada, Não creio que eu encontre solução, Minha alma aqui ficou, abandonada...
Não vejo mais prazer e nem vontade, Nas coisas que fazia com prazer, Amar como eu amei, tanta verdade; Perdido nesta angústia vou morrer...
Desculpe se me mostro por inteiro, Amigo é pr’essas coisas, companheiro
47
Desde a primeira vez, quando te vi; Percebi que jamais te esqueceria... Depois, vivendo amor tão grande em ti Conheci, com certeza, uma alegria. Em todo o teu carinho percebi Que a vida, neste instante, sorriria. Pois todo o bem da vida estava ali, Ao lado da mulher que eu bem queria... Nossa primeira noite num motel, As roupas espalhadas... Belo sonho Levando em fantasias para o céu... Os corpos misturados... Que prazer! O dia mais feliz e mais risonho... Nossa primeira vez; como esquecer?
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Desculpe se eu pequei, foi erro meu Assumo meus defeitos, mas te adoro! Meu barco no teu cais já se perdeu Amor que tanto quero; agora imploro.
Quem dera se pudesse ser Romeu, Defeito que carrego; isso eu deploro, Impedem que a pureza invada o céu. Amor que tu declaras, comemoro...
E sinto bem mais próxima uma esperança De ter um dia, enfim, felicidade. A noite em poesia já se avança
Riscando o véu das nuvens um cometa Traçando neste espaço a claridade. Trazendo pros meus sonhos: Julieta.
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Desculpe se eu errei; minha querida, Não posso mais ficar sem ter teu canto. Teu brilho em si, redime minha vida, Tu és toda a certeza de um encanto. Não penso numa triste despedida, Te quero, muito além das forças. Tanto! A mão que te acarinha, distraída, Perdeu-se... O que fazer deste meu pranto? Amar também se faz no perdoar, Os erros cometidos, tão imensos, Servirão p’ra aprender a te adorar De forma contundente, muito além... Meus dias vão passando mortos, tensos, Até à morte luto por teu bem!
4950
Desculpe se demoro meu amor O medo de temer a tempestade Na peste que repente já me invade A morte se repete sem pudor.
Nas hordas espalhando tanto horror Que nunca mais terei a liberdade Sem ter a lua vago na cidade A mocidade traz prazer e dor.
Se bebo não concebo nem recebo Amor que se traduz em tanto sebo Meus livros esquecidos para espanto
Depois que tu vieste, na fogueira Se todo dia for segunda feira Prefiro demorar um outro tanto! Marcos Loures
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Desculpe se chamei-te de criança, Defesa, simplesmente, nada mais, Guardando o teu sorriso na lembrança Com medo de, na vida, perder paz,
Chamar-te para a festa e para a dança Que à gosto a nossa vida sempre traz. Só sei que há tanto tempo amei demais Vibrando no meu corpo uma esperança
De ser além de tudo, teu amado, É sonho que trará um sofrimento A quem por tanto amor já foi marcado.
Propostas amorosas? Por favor; não! Eu sei que a solidão, este tormento, Maltratará demais o coração...
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Desculpe por amar-te tanto, tanto. Às vezes te sufoco, me perdoe. O amor que nos recobre, doce manto, Permite que esta voz, ao longe, ecoe.
Assíduas emoções que nos libertam Sentidos aguçados, gozo pleno. Enquanto vãs tristezas nos desertam Eu obedeço ao teu sublime aceno.
Carrego nos bornais do pensamento Estrelas fascinantes que ora espalhas Vencer com alegria tal tormento, Sobejas fantasias nas batalhas.
O amor que causa sempre este alvoroço Transmuda o meu destino outrora insosso...
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Desculpe meu amor, mas acontece... Depois de tanto tempo eu percebi Que a vida em nosso amor já se esvaece E longe, bem distante, estou de ti...
Não adiantam rogos, sonho e prece O amor que sempre tive, enfim perdi. Somente este vazio agora cresce Tomando o coração. Eu te esqueci...
Se pudesse mentir e te enganar Mas não creio ser justo. Estou tão frio. É duro te dizer: não sei amar...
Por isso meu amor, eu vou-me embora Levando este meu peito tão vazio, Bem sei que em tanta dor o amor já chora...
54
Desculpe meu amor se te mostrar A face que não sabes que inda tenho. O gosto da amargura em meu olhar Mostrando a realidade de onde venho.
Eu venho dos famintos campos tantos, Nas terras das Gerais, exploração. Sem seca mas distintos desencantos Mostrando essa dureza em nosso chão.
Do povo tão sofrido, quase gado, Vivendo na cruel semeadura. Achando que viver é triste fardo, A pedra que cultiva, sempre dura.
Eu venho das montanhas brasileiras No sonho e na minha alma, as trincheiras!
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Desculpe companheiro se inda insisto, Falando deste peso feito cruz, Eu na verdade tento, e assim resisto, Mostrando este caminho pleno em luz,
Dizendo deste irmão, querido Cristo, Aquele que chamaram de Jesus, Por quem em desamor foi tão malquisto E ainda depois disso me conduz
Marcado pelas chagas da vingança, Trazendo para todos, esperança! Fazendo da amizade o maior pleito
Em voz tão mansa a todos Ele disse A vida sem amor, leda tolice. Felicidade plena é um direito Marcos Loures
56
Desculpas pra poder te ver de novo, A cada dia invento, e não me escondo. Às vezes sei que causo algum estorvo Depressa, vou meu mundo recompondo. Meus olhos te procuram pela casa, Na sala, no banheiro, em nosso quarto. Ao vê-la tal loucura vem e abrasa Não largo um só segundo, não me aparto. Eu quero estar bem perto nunca nego, Tu és minha vontade de viver. Sem ti, caminho a esmo, quase cego, Tu és a claridade. Como ver Se não te tiver aqui teu brilho e lume. A flor que nasce em ti, puro perfume...
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Desculpa se não tenho tal doçura Nem a brandura sempre requerida Por quem sonhando sempre com ternura Encontra tal rudeza em sua vida.
Embora radical com alma pura; Espero que a palavra proferida Não trague nos teus olhos amargura. Perdi minha finesse de saída...
Sou qual um lavrador, mão calejada Foram tantos espinhos recebidos Minha alma em sangue e dor foi destilada,
Não tenho a maciez que tu querias. De tanto que meus pés foram feridos, Te falo deste amor, sem poesias....
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Descubro; estou por ti, apaixonado Sentindo esta presença pela casa Além de um simples sonho que me abrasa, Um lago em mansidão glorificado
Andara em solidão; preocupado Porém uma alegria não se atrasa A vida finalmente já me apraza, Sabendo que terei sempre a meu lado
A boca desejosa em lábios quentes, Os braços em carinhos envolventes Servindo como guia e bom suporte
Contigo eu já me sinto descoberto, Nos laços desta trama em passo certo, Eu não quero sequer medo de morte. Marcos Loures
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Descubro por que ganhas e dominas Os jogos sensuais que te proponho, Bebendo fartamente dessas minas, A vida vai passando como um sonho.
As rotas da esperança, peregrinas Afastam qualquer dia mais medonho. No quanto com meus lábios tu combinas Um quadro mais sublime em ti componho.
Distante das ferrugens dos salões Desfila em passo manso pelas ruas. Sabendo conquistar sem ser esnobe.
O coração balão em festa sobe, Vagando por espaços, ganha luas Soltado pelas mãos feitas paixões... Marcos Loures
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Desculpe se não tens por mim, amor, Bem sei que tantas vezes me enganaste Dizendo que em teu peito sonhador Meu sentimento intenso era guindaste Que te elevava ao céu com esplendor. Mas cedo, esta cascata que turvaste Em todas as mentiras, sem pudor, Que logo, muito cedo me falaste. Mas mesmo assim te busco em cada sonho, Meu versos sem resposta fica triste, De amar; jamais, meu bem, eu me envergonho Pois sei que mesmo em tanta ingratidão, Um resto de emoção inda persiste, Pois é teu, sempre teu; meu coração!
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Desculpe se não tenho um palacete, A casa na verdade é de sapê Meu verso às vezes chato, é um cacete, Mas canto meu amor, e ele é você;
No amor é necessário um capacete, Procuro pela casa, mas cadê? Não tendo outro caminho que eu encete Confete, eu te confesso, ninguém vê.
Aceita um pré-datado? Ou no cartão, Quem sabe mesmo um vale-refeição, Perdoe, mas não tenho nem trocado.
Esmolo este carinho que não dás, Apenas desejava alguma paz, O amor que a gente fez, foi mal-passado... Marcos Loures
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Desculpe se não creio em teu narciso, Espelhas os defeitos e mentiras... A cor desses acordos não preciso, As sedas desfarei todas em tiras...
Por vezes mais sincero e tão conciso, No campo das estrelas não atiras. Nas verves e nas lavras perco o siso. Esqueço dessas musas e das liras...
Deliro nos meus cantos? Falsidade... Meus versos imprecisos e falsários... Vendetas e conchavos: claridade?
Não sei se me pressinto ou desfaleço. No mundo dos poemas, meus armários... Não falo dos amores: não mereço! Marcos Loures
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Descreve o pensamento um ato nobre Que mostre qual poema, o meu destino, Sonhando com palavras descortino O sol que com prazer já nos recobre.
E tendo esta certeza, mesmo pobre O velho coração vira um menino, Por mais que tantas vezes me amofino Enfrenta o campanário em triste dobre.
Ariscos os meus dedos no teclado Falando deste sonho abençoado De ter a maravilha de poder
Usando desta força mais tenaz Que o verso em seus detalhes já nos traz Aprendo finalmente o que é viver...
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Descrença traz no bojo esta tristeza Sem ter algum alívio que permita Alguma imagem lúdica e bonita, Embora a vela permaneça acesa.
A sorte desdenhosa me despreza Ulula a ventania, o mar se agita A lúbrica sonata já me incita E em pesadelos, bebo a correnteza.
Corpo inerte, viúvo da ilusão, Das procelas soturnas da saudade, Apenas desespero e nada mais.
Entregue aos dissabores da paixão, O sol me transportando à realidade, Naufraga uma esperança, nega o cais... Marcos Loures
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Descoradas roseiras, vã procura... As trevas negrejando toda luz... Não posso completar a noite escura, O campo da discórdia serve a cruz...
Nossa bandeiras vestes da candura, Nesse momento audaz, clamam Jesus. O rumo dos remendos da ternura, Não vencem nas estradas cada pus...
Mentiras e verdades são dolentes, São plenas dos repastos dos demônios... Nascemos navegando sim, mecônios...
Morremos nossos ares nos pulmões. Os gestos mais noturnos, indecentes, Soturnos, vasculhamos os porões...
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descompassado e tolo coração, refém deste desejo insuperável; caminho que procura, interminável, ao fim trará decerto a solidão.
eu vivo sem saber se é sim ou não resposta que sonhei ser agradável, do solo que pensara ser arável, o tempo não deixou vingar um grão.
mereço, por acaso, tal destino? os olhos mareados são sinais do quanto se mostrando em desatino
os dias jamais foram favoráveis. seriam mais amáveis rituais se as águas fossem mansas e potáveis... Marcos Loures
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Descobrir as cascatas maviosas Depois das curvas todas deste rio, Se o jeito é sepultar as minhas rosas, Jardim de outro quilate eu fantasio. O quanto ainda sejam ardorosas As noites que espantaram medo e frio.
No parto da ilusão, fórceps usei, Abrolhos abortados, gestação. Penumbra se tornando amarga lei, O beijo da mulher, fornicação, Mascaro o que em delírios resgatei No fundo o barco perde a direção
E volta ao mar que um dia, revoltoso Negou ao marinheiro porto e gozo...
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Descubro os meus cadáveres nas ruas Vagando pelas sombras tão silentes Enquanto nas penumbras envolventes As hordas tão funestas andam nuas.
Intensas gargalhadas continuas E vestes garatujas impudentes As esperanças sempre impertinentes Naufragam frágeis naus, velhas faluas...
Neste arcabouço tolo, o ser humano, Que teima em se sentir o soberano Eu vejo retratada esta miséria
O fardo que trazemos pesa tanto, E nele proferindo o desencanto A estúpida paisagem vã e etérea... Marcos Loures
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Descubro a tua pele Desnudo-te em completo Vasculho e me repleto Ao corpo que me atrele
E nua se revele, Banquete predileto, Eu sou o seu objeto Cavalo que se sele
E monte sem descanso, Bravio, louco e manso Sereno ou insensato,
Galopando em estrelas Nas ânsias, convertê-la Raspando todo o prato...
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Descubro a bela fonte e seu segredo, Tesouros escondidos sob a saia, No samba de meus sonhos, tal enredo Encontra a luz da lua que desmaia
Forrando meu caminho desde cedo, Que a sorte deste jogo nunca traia Do amor que se fez sonho, reza e credo, Mulher deusa, cativa, rainha, aia.
Num esplendor o brilho do adereço, Aplausos sempre fartos da emoção. O quanto que eu te quero, não tem preço,
Revejo este desfile vencedor, Nas cordas da guitarra ou violão, O ritmo deste sonho, encantador. Marcos Loures
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Descrita há tantos anos, uma lenda, Falando de princesas e castelos, Amor que tudo sabe, já desvenda Arando uma esperança em bons restelos...
Na aduana da vida, não sonega, Dedicação perfeita que se exige No amor quando em verdade e paz se entrega A um mundo mais sublime nos erige.
Ebúrneo sentimento intransigível, Amor não tem limites, segue à risca Embora tantas vezes intangível, Um vôo cego decerto sempre arrisca.
Eterno renascer da juventude, Nas horas mais difíceis, meu açude... Marcos Loures
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Descrevo uma tangente pela vida, Centrípetos desejos me atraindo Enquanto pouco a pouco vou fluindo Deixando esta esperança em despedida.
No vértice dos sonhos, me deslindo, Do eterno labirinto, uma saída Há tanto desejada, esvaecida Refém destes caprichos da libido.
Prescritos, mas sensíveis, resolutos, Ofuscam meus olhares, velhos lutos Com qualquer ventania, estou em paz.
Querências se propagam nessas veias, Que enquanto distraída me incendeias Na chama que convida e satisfaz. Marcos Loures
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Descreveste o poeta como alguém Que vive além da dor e da alegria, Perfeito fingidor como dizia Pessoa em sua trova, e muito bem.
Canteiros de saudade, a vida tem, A mão que cultivava a fantasia Irmã de uma palavra fugidia Antevendo este vento que inda vem.
Plantando em raros versos framboesas, Florindo em perfeição tantas belezas Os sonhos, a amazona em glória encilha
Eu faço este soneto em homenagem Àquela que dourando a paisagem Virou sinônimo de luz: Cecília! Marcos Loures
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Descendo pela bela cachoeira As águas tão cruéis deste meu pranto. Inundam com certeza, todo canto. E trazem solidão da vida inteira.
Na pedra que maltrata, a corredeira Produz tanta beleza em seu encanto. Porém amor se foi, e o desencanto, Despenca nessa pedra verdadeira.
Rolando com as águas, que lagrimo, Deveras não terei mais um descanso. Meu sonho, ser feliz, já não alcanço, Distante da mulher que tanto estimo.
As lágrimas escorrem com o rio. E o que sobrou do amor, morre de frio... Marcos Loures
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Descendo o Pantanal numa chalana Passando por remansos, corredeiras Vontade de chegar é soberana Saudades são cruéis e matadeiras.
Distância de quem amo, desumana, Desejos em palavras verdadeiras; Meu peito apaixonado não se engana Encara; se preciso, cachoeiras...
Quem teve nesta vida uma paixão Entende este meu verso enamorado. Um coração ferido e maltratado
Por tantas desventuras. Solidão, Já sabe quanto é dura esta demora Na espera de rever quem tanto adora...
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Descendo nas ladeiras da cidade, Em meio aos casarios mais antigos. O gosto benfazejo da saudade, Passando pelas ruas e postigos, Vivendo nosso amor em liberdade, Os pesadelos mortos, sem perigos...
Atrás da porta aberta, escancarada Encontro esta donzela que partiu Em busca da roseira amargurada Com gosto de vergonha em ser gentil, Restando tão somente um quase nada Daquilo que se fora mais sutil.
As nuvens que se formam em tormentas, Traziam minhas tardes quentes, lentas...
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Descendo esta ladeira da esperança Vendendo amendoim em cada esquina, O corpo ainda frágil da menina Durante a noite; nu, prepara a dança
Vendido como bala, em bares trança, A sorte se mostrando peregrina Pedra de crack agora determina O corte do futuro, podre lança.
Olhar que mira ao longe, louco, bóia A mente se confunde em paranóia E tudo o que pudesse morre em nada.
Milhares de cadáveres, sarjetas, Expostas nas calçadas, as ninfetas Moldando a juventude abandonada...
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Descendo escada estreita, catedral, Procuro por teus passos, minha amada... Nas hordas que te cercam, festival De flores primaveram tal escada.
Umbral entreaberto e colossal, Deixando-me entrever manhã raiada... Nos lagos um nenúfar tão banal Demonstra u’a beleza na florada...
Nas selvas e florestas te procuro... Encontro tão somente esse luar.. Criança que não tem medo de escuro,
Meus sonhos nessa estrela que te enfeita, Não posso e nem consigo descansar, Buscando t’a beleza, flor perfeita! Marcos Loures
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Descendo a correnteza da esperança Uma amizade mostra-se potente. Um sonho mais divino sempre alcança Alçando um bom sorriso faz contente
Quem fora sofrimento sem remanso, Quem fora só tristeza em agonia. Um coração perdido sem descanso Espera o renascer de um novo dia...
Por isso, meu amigo, esteja certo Que todos nós aqui comemoramos. Que bom que estejas sempre aqui por perto Assim mais uma vez nós celebramos
O dia em que completas mais um ano Conosco, com prazer tão soberano...
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Descobrem mil mistérios e segredos, As ânsias que se moldam nesta entrega, Ungindo com prazeres nossos credos, O quanto que se quer jamais se nega.
Parceiros desta estranha jogatina, Aonde não se sabe um vencedor, Enquanto em doce insânia desatina Componho em teu jardim espinho e flor.
No embalo desta festa anunciada, O corpo que se entranha em belo porto, Varamos sem limites, madrugada, Até que ao recomeço eu me reporto
Farturas de colheitas, gozos, riso... Expressão que me resta: paraíso... Marcos Loures
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Descobre no teu corpo; ancoradouro Em doces aventuras juvenis, Chamando por Tormenta o bravo mouro Encontro nos teus lábios o que eu quis.
Em lutas tão diversas, meu tesouro Está no teu olhar. Vou por um triz No inclemente sol árabe me douro Arabescos formando em bel matiz
Nos mares cipriotas, meu destino, Voltando a ser de novo este menino Que um dia imaginou tanta aventura.
Acordo e quando vejo tal beleza Na vívida miragem, a princesa Proporcionando enfim, rara ternura... Marcos Loures
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Descobre em tuas sendas, ricos veios, Quem sabe a dançarina inesquecível Bailando em liberdade, sem receios Inebriando sempre em luz incrível.
Os passos desta dança bem ritmados As coxas se tocando, mãos passeiam. Desejos e vontades são rimados O quanto que se querem; já se anseiam...
Revelações em formas tão iguais, As línguas passeando, mais sedentas, Os toques tão macios, sensuais, Ao mesmo tempo negas quando atentas.
Depois as roupas viram testemunhas, Dos versos que em loucuras tu compunhas... Marcos Loures
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Descerram constelares, cada véu Os astros que invejosos tanto admiram Um bardo sonhador, um menestrel Na lira usando versos que te miram
E falam da beleza sem igual, Divina perfeição em brônzea tez Na terra descoberta por Cabral O porto mais seguro? Insensatez...
Desvendo tuas trilhas, bandeirante E vejo um Eldorado ao meu dispor. A fonte que se entrega, deslumbrante Já tem no meu prazer, seu tradutor.
O nó que nos uniu; se corrediço Não nega nem impede o belo viço. Marcos Loures
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Descendo pelos rios caudalosos Que levam da montanha para o mar Prazeres que fizeram maviosos O tempo de viver e de sonhar.
Eu quero ter comigo os mais formosos Desejos que te aquecem, desfrutar De todos estes sonhos deliciosos De poder tuas matas desbravar...
Eu não somente quero, mas aflito Espero ansiosamente cada toque Que faça meu viver em novo enfoque
Por certo mais gostoso e mais bonito Usufruir de cada sensação, Trazendo para o mar, inundação... Marcos Loures
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Descendo pelas curvas deste rio, Deixei meu coração em uma delas. Agora com meu peito tão vazio, Que faço com o amor dessas estrelas?
Não posso mais subir essa cascata Nem posso navegar, perdi meu barco. Talvez se eu penetrasse a densa mata... Danado do Cupido entesa o arco...
Meus olhos cheios d’água, mais problema, O rio vai se enchendo em enxurrada... Que faço então Meu Deus desse dilema Ou seco minhas lágrimas ou nada...
Querida vem depressa, vem amar... Somente teu carinho vai salvar!
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Descendo pela estrada tão umbrosa, Hordas de passarinhos rumorejam. As horas vão passando e se negrejam Prevendo a noite imensa e tenebrosa.
Apenas pirilampos que vicejam Tornado esta passagem luminosa As cores tão distantes se desejam Restando então espinhos, morre a rosa.
Solidão me encontrando em indolência Moldando em meu caminho uma impotência Capaz de não deixar restar mais nada.
Porém ao perceber tal soledade Encontro todo apoio na amizade E a vida se transforma, iluminada...
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Descambo em outra andança por um triz, Farrapos estendidos na janela. Melífera ilusão não pede bis, Nem mesmo esconde ausência de aquarela.
Das celas tão profanas, a masmorra, Nas selas dos meus sonhos, liberdade, Selando uma emoção que me socorra Talvez insira enfim, tranqüilidade.
Iníquos quanto inócuos os meus dias, Intactas maravilhas; não mais vejo. Amor se vinculando às agonias Ensangüentado vinho que porejo.
Dos louros da vitória, sequer sombra, Fantasma feito amor, decerto assombra... Marcos Loures
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Desbravo mil caminhos em meus sonhos Na busca pelo amor que tanto eu quis. Quem sabe noutros dias mais risonhos, Eu possa finalmente ser feliz...
Às vezes mal percebo o quanto a vida Se mostra dadivosa para mim. Num labirinto imenso, uma saída Parece que surgindo, até que enfim...
Ouvindo o teu chamado, largo tudo E corro sem olhar sequer prá trás. Rebentas armadura e sem escudo Me entrego num segundo e sou capaz
De ver felicidade, finalmente, Tomando o coração, o corpo e a mente.
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Desbaratando a trama dos sentidos, Erguendo as velhas taças neste brinde. No encanto que este olhar manso deslinde Destinos entre sanhas já cumpridos.
Assanham teus cabelos, doce brisa Que enquanto me apascenta diz do amor, Poder que sempre foi transformador, Chegando mansamente, não avisa.
E toma toda a sala, quarto e copa, Do barco sendo proa, vela e popa Comanda, timoneiro, nossa vida.
A cada novo dia se renova, E mesmo quando posto assim à prova Demonstra em alegria a sobrevida... Marcos Loures
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Desate a fantasia deste dia Que finge que não veio nem virá. Roubando se puder, qualquer magia Da noite em que deixei amor por lá.
Receba nos teus dedos, poesia, Preveja que a saudade chegará Desarme, no final, tua alegria; Que nada deste dia brilhará...
Mas sinto o teu sorriso companheiro, Qual fosse algum resquício do que fomos. Amiga. Se me entrego por inteiro
E não somente apenas partes, gomos, É por que pressinto a salvação Na face da amizade e do perdão...
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Desalentado, busco essa princesa, Que me deixou tristonho há tantos dias, Matando cruelmente, as fantasias, Deixando assim nenhuma luz acesa.
Meu coração deságua na represa Que construíste. Mentes melodias, Deixando minhas noites tão mais frias... Meus olhos se cegando em tal beleza...
Vagueio pelas noites sem luar, A vida foi soturna, quero o mar; Mas o mar tão distante, sem marés.
Nas ondas que me trazem tal saudade, Desalentado, fujo; mas, maldade, Meu barco naufragou, podre convés...
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Deságuo nos teus cios, meus desejos De toda a plenitude feita em gozo, Dos deuses que nós fomos, mar formoso Intenso em loucos, doces, raros beijos.
Os dias que se passam, mais sobejos, Sabor que encontro em ti, sempre gostoso, Teu toque tão gentil e carinhoso, Distante de temores, duros pejos.
Vencendo a solidão, triste marasmo, Desfruto a maravilha de um orgasmo Em senda assim florida e majestosa.
Delícias de saber, mulher divina, Que a noite em fantasia te domina, E em cada beijo meu, a deusa goza... Marcos Loures
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Deságua nesta ausência, amor, de ti; Um mar em esperanças navegado, Do todo que buscara; agora eu vi Um dia em claridade anunciado.
Teus olhos radiantes já me guiam Levando por estradas promissoras, Momentos prazerosos quês e criam Palavras benfazejas, redentoras.
Vontade de querer e estar contigo, Razão que agora eu vejo para a vida. O quanto que eu te desejo e já consigo Saber da fantasia amanhecida
Nos braços carinhosos deste alguém, Felicidade, eu sinto e quero, vem...
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Desafio um cantador A cantar com tal encanto Com seu canto encantador Dominando cada canto
Se portanto tem valor Não me esqueço do teu pranto, Entretanto é tentador Ter teu corpo como manto.
Se me espanto com teu verso Sou perverso e já revido, Se este som vaga disperso
Vou imerso na poesia Que de noite, não duvido Vira estrela que me guia...
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Descanso em teu regaço meus anseios, Inebriante oásis que encontrei Tomando num instante a triste grei Vertendo maravilha em belos veios.
Pousando o meu delírio em fartos seios, O amor que procurava sendo a lei, No mar deste regaço mergulhei Tornando os sofrimentos vãos, alheios...
Numa explosão de gozos magistral, Perfume delicado e sensual Invade a nossa casa, a sala, o quarto...
E após esta fantástica viagem, O sol vai dominando esta paisagem E encontra-me deitado, lasso e farto...
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Descansar em teu colo, minha amada, Depois desta batalha; dia-a-dia, Amiga, companheira e camarada, Tu és meu par perfeito na alegria,
Na dor e na tristeza. Abençoada A mão que me conforta em poesia. Prossigo me encantando, na jornada Que traz felicidade e harmonia...
Meus olhos tão cansados de um vazio, Na busca por mim mesmo, autofagias.. Na mansidão serena, como um rio
Deságuo nos teus braços, és me mar, É sol que me aquecendo em noites frias, Permite que eu conheça o vero amar...
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Descansando nos braços da morena, Eu me lembro da loura que deixei. Mulata, eu gostaria de ser rei, Beijando essa boquinha tão pequena...
Amor, quando é demais, logo envenena. A campina que passo e que passei, Muitas vezes sem rumo, desviei; A saudade, de longe inda me acena.
Tenho tanto perguntas sem resposta, No fundo, todo mundo sempre aposta, Num amor que era pouco e se acabou...
Mas não quero saber se estou ou vou, Nem sequer me interessa o que passou... Eu quero, tão somente, a quem se gosta...
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Descansando no colo da morena, Na rede de teus braços meu amor, Vontade de ficar contigo acena, Me perco em teu carinho tentador.
Saudade quando muito me envenena Tomando da alegria o bom sabor, Vem logo, que eu te espero, bem serena Morena, com teu jeito sedutor...
Açucena bonita do jardim, Morena meu amor é todo teu, A cena que guardaste para mim,
Vem plena de calor de carinho, Serena, do meu mundo se perdeu, Que pena, mas voltei a ser sozinho...
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Derramas teu prazer por sobre mim, Nos lábios que se fazem mais abertos Enceto esta vontade que é sem fim, Alago com carinho tais desertos.
Os dias se mostrando sempre assim Lençóis jogados longe, descobertos Vivendo esta loucura quero sim Que o tempo nos encontre bem despertos.
E que tomando o néctar, todo o maná Que emanas de teu corpo deslumbrante, Na fome que jamais se aplacará
Na silhueta esguia e provocante Nudez imaginária em fantasia Fetiches santa insânia em euforia... Marcos Loures
5000
Derramas em total sensualidade Vontades que extasiam e dominam, Enquanto em ti encontro a liberdade Desejos mais audazes alucinam.
Sem medo e sem pudores, na verdade, Delírios os teus beijos determinam, Do lado de quem amo, eternidade, Em tramas sedutoras que fascinam.
Na mágica expressão de nosso amor, Prazer que se mostrando em pleno ardor, Império dos sentidos, mil ardis.
Arder em tuas chamas tão somente, Vivendo o nosso amor imensamente Dizendo ao fim de tudo: eu sou feliz! Marcos Loures
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