
MEUS SONETOS VOLUME 048
Data 04/12/2010 07:06:48 | Tópico: Sonetos
| 4701
De tanto que tramei em solidão O verso vai saindo qual espirro, Falar de poesia e de perdão Só serve quando, amor, eu já me embirro...
Teimoso como um asno que se empaca Não deixo mais chegar a ventania... Nos gumes que conheço dessa faca Sentidos que se perdem, poesia...
Vagando nas vacantes cercanias, Cerrando tais fileiras com a sorte, Encaro assim, portanto as alegrias, Como um belo prenúncio para a morte...
No fundo faço versos por fazer, Buscando um bom motivo pra viver!
4702
Depois de tanto tempo, dor, procela; Vestígios do que tive no passado, O tempo bem mais calmo se revela, A vida se mostrando de bom grado.
Enquanto caminhei desamparado, As cores se misturam numa tela, À solidão, meu sonho sempre atado, Meus olhos refletindo os olhos dela...
Caleidoscópios, ópios, ócios, vãos.... Mutantes paisagens, cortes. Mãos Emoldurando à luz da hipocrisia
Cenários desdenhosos e vazios. O ocaso de minha alma em versos frios, Jazendo sem sentido a poesia...
4703
Depois de tanto tempo sem te ver, Vieste na manhã trazendo o frio. Angústia e sofrimento. Passo a crer No mundo em fantasia que não crio.
Bebendo do meu copo, uma aguardente, Tocando com teu corpo a minha pele. No fundo, com saudades, de repente, Aos braços que ofereces já compele
Meus olhos e meus lábios que procuram Um lenitivo apenas e não têm As horas passarão e se misturam Sentimentos que mostras e que vêm
Lamber a minha boca, que indefesa Entrega-se ao amor, luz e tristeza...
4704
Depois de te perder sem ter motivos, Movido por um sonho, te acompanho. Me apanho procurando sempre vivos, Altivos os desejos, perco e ganho...
Arranho essas desculpas que te peço Impeço com palavras mais distância, Ganância de viver traz o tropeço Mereço meu descanso em tua estância.
Estanco essa sangria no meu peito Do jeito que puder, não quero mais. A paz que me deixava satisfeito, Direito de saber te amar demais...
Mais vida pretendi no nosso caso, Que acaso renasceu do triste ocaso....
4705
Depois de tantos dias, vou insone; Buscando a realidade que perdi. Mergulho na saudade, triste cone, Em plenos pesadelos, me emergi.
Nos crivos da paixão nunca passei, Nas garras da esperança não sou nada. Nos pântanos, minha alma desejei, Desnuda, plena em sangue decorada...
As flores que quisera não brotaram Espinhos apontados para mim. As lâminas do amor que me cortaram Aos poucos não restou nada no fim.
Por isso minha amiga vou disperso, Dedico ao teu apoio, esse meu verso...
4706
Depois de tantos anos, noves fora, A gente volta a ter a maré cheia. Do encanto que esta vida se assenhora, A chama deste sonho me incendeia.
Eu vejo o que queria e desde agora, A vida nada teme nem receia Se eu chego mansamente, sem ter hora, Surpresa novamente o fogo ateia.
Aclamas com carinhos as carícias, Sabendo desta entrega com malícias Em vícios, precipícios e mergulhos.
Sem nada que proíba o nosso vôo, Um canto mais feliz que agora entôo Arranca dos caminhos, pedregulhos... Marcos Loures
4708
Depois de tantos anos te esperando, Eu sinto o teu respiro junto a mim. Agora este bafejo ardente e brando Queimando de desejos, sei enfim.
Teu corpo no meu corpo, eu sinto ousando Caminhos que se querem, sempre assim. Tua nudez divina provocando, Atiça esta vontade. Quero sim!
Adoças minha boca com teu mel, Retiro mansamente cada véu Até poder te ver completamente.
Balbuciando versos desconexos, Em tramas sensuais os nossos sexos Se buscam em delírios, vorazmente...
4709
Depois de tanto tempo nesta fila Na espera da morena mais charmosa, Bebendo tanto gim, tanta tequila; (Até que a fila, juro, era gostosa)
Olhar que se em veneno me destila; Perfuma meu canteiro em pura rosa. Pois quando Deus te fez em rara argila Deixou-te mais faceira e vaidosa.
Mas nada disso importa ao coração Depois da beberagem sem limite. Sou vítima talvez da sedução,
Ou quem sabe, boto a culpa neste gim. Só sei que não te peço mais palpite Amor, uma ressaca que é sem fim...
4710
Depois de tanto tempo meu asilo Se encontrando nas pernas da esperança A mão desta menina mostra a mansa Vontade de viver bem mais tranqüilo
Se quero ou se não quero seu estilo O que manda é o que trazes na lembrança A pedra que me atira não alcança Amor nunca se compra nem por quilo.
O corte se aprofunda nos meus pés Escapo por um triz, vou de viés E não saúdo mesmo que me implores.
As dores que carrego: tonelada! Depois deste caminho não há nada Nem quero que este exílio meu decores... Marcos Loures
4711
Depois de tanto tempo em lama e treva, Vagando pelo mundo em duro rito, Vivendo sem carinho em triste leva Rendido ao pesadelo mais maldito.
Nem mesmo uma esperança se releva De uma dor retumbando amargo grito, Sem sonhos e desejos, sem reserva. O peito empedernido num granito...
Percebo em tua boca mais voraz, Promessa de outro mundo mais risonho. Recendes ao perfume tão audaz,
Que trama na luxúria um louco cio. Deitando nos teus seios, belo sonho, Tomando um coração antes vazio..
4712
Depois de tanto tempo em ditadura Tem gente que não pode ouvir falar Se a dita com firmeza está mais dura Vem logo um paspalhão que quer brochar
Por mais que a noite tenha sido escura Não queiras impedir a luz solar, Desculpe, meu amigo, isso é frescura Deixa a meninada em paz, trepar.
É coisa de imbecil que não percebe Que o sol rebrilhará, nada o impede Se eu gosto de falar ou ler besteira
Ou outro tem delírios em que bebe A luz que a fantasia nos concede, O sol é muito forte pra peneira... Marcos Loures
4713
Jurei não amar ninguém, Mas eu confesso a fraqueza, Não é tanto minha a culpa Como é da natureza.
Depois de tanto amar, em minha vida,
Jurei que nunca mais queria alguém.
Essa jura que fiz ficou perdida,
Depois que te encontrei; meu grande bem...
A cada nova luz já percebida
Sabendo que a saudade logo vem,
Pensei que essa vacina recebida;
Efeito prolongado eu sei que tem,
Não deixaria mais ficar doente.
Bobagem! O amor sempre me venceu...
Bastou eu te encontrar, tão envolvente,
De novo, num momento de fraqueza
Meu coração agora é todo teu.
A culpa é da danada natureza!
4714
Depois de tantas noites; fatigado, Buscando nas estrelas fantasia, O sonho que tentara bem mirrado, Quase sem sentir uma alegria.
Ao ver que tudo sempre fora vão, Ao ver os olhos mortos de quem quis. A vida me prepara uma emoção, Prossigo em meu destino, ser feliz.
Nos gestos mais sutis, minha esperança, Não teme mais a morte nem a dor. Fazendo com a glória uma aliança, Um brilho no meu peito sofredor.
E quero essa alegria derramando, Por sobre toda a terra, esparramando...
4715
Depois de tantas manhãs Procurando-te querida A vida sem amanhãs, Não mais achando a saída
Minhas noites, tristes, vãs Pensando ter já perdida As doces horas louçãs Que encontrei em minha vida
Adormecem tão tristonhas. Quem passara por searas Coloridas e risonhas
Agora morrendo em tristeza, Procurando manhãs claras, Já se perde em incerteza...
4716
Depois de tantas idas pelas ruas Buscando por tabaco e por cachaça, Decerto tu pensaste que flutuas... Amor, a vida sempre descompassa.
E não é farsa este baile que prometo Pode ser até sonho, mas, quem sabe? De todos esses erros que cometo Mais um ou outro sempre sei que cabe.
Agora vou colher a primavera, Plantada nas esquinas, nos faróis... Da vida quase nada mais se espera, A não ser nossas tramas nos lençóis...
Abelhas, doce mel, e ferroadas, Amor, a nossa cama, as madrugadas...
4717
Depois de tanta luta, amor em paz É tudo o que deseja o caminheiro, Enquanto a fantasia ainda traz Da sorte que perdeu, aroma e cheiro,
O rito esta esperança contumaz Decide um novo passo. No veleiro Dos sonhos a emoção já satisfaz, Mergulho nesta insânia e vou inteiro...
Não posso me queixar de minha vida, Que mesmo nos momentos tortuosos, Mostrou estes caminhos virtuosos,
Dos tantos labirintos, a saída. Do vértice vislumbro este horizonte Por mais que amor, moleque, sempre apronte!
4718
Depois de tanta dor tanta tristeza Fazendo do abandono o meu repasto, Te chamo; companheira para a mesa, Embora o coração já velho e gasto.
Permita que te fale, em sutileza Do gosto que teria se me afasto Dos olhos encantados da princesa No beijo sem critério, e tão nefasto...
Sou antes, sigo sendo e sem depois... A luz que me guiava foi pro brejo, Neste silêncio opaco de nós dois,
Apenas o que resta são meus cacos... Não digo que esta sorte besta, invejo, Meus argumentos sim, são muito fracos...
4719
Depois de tal batalha num contraste A gente faz amor como se fosse Alguém que procurando pelo doce Prepara pra enfrentar qualquer desgaste...
Amor quando tão forte qual guindaste Vencendo qualquer coisa que inda acosse De todo coração tomando posse, Do jeito e da maneira que ensinaste...
Seria uma tolice se eu não visse Tentando pelo menos ser o vice Depois de ter lutado sem descanso.
Amar sem ter amor? Esquisitice. No fundo não suporto tal bobice Coloco o meu boné aonde alcanço...
720
Depois de tanto tempo sem te ter, Vazia a minha cama, sem carinhos. Meus olhos quase cegos, pobrezinhos, Distantes do desejo e do prazer.
Tua presença, mansa a me envolver Refaz destes meus dias tão sozinhos, Em chamas, ardentias, nossos ninhos. É bom estar contigo e me perder
Nos braços e nas pernas, nos teus seios. Em meio a tais delícias, devaneios... E a vida se demonstra mais gentil.
Tu és a minha glória e redenção. Banquete que se fez em sedução, Num céu de brigadeiro, azul anil.
721
Depois de tanto tempo sem ninguém Não tenho mais do amor, sequer o faro, O tempo se tornando tão amaro, Negando uma esperança que não vem.
Carrego no meu peito este desdém E disso faço o sonho em desamparo, Amor vai se tornando bem mais raro E apenas o vazio me contém.
Nos rios quase secos da esperança, Apenas um sorriso na lembrança Da perna caminheira, resta o coto.
E disso faço um traço e já desvio Mostrando em duro inverno, sem estio O coração exposto, amargo e roto. Marcos Loures
722
Depois de tanto tempo procurar Alguém que me entendesse e me quisesse Vagando por estrelas, céu e mar Achei que neste mundo não houvesse
Ninguém me entendesse. Até achava Que o mundo já não tinha mais por que. Ardendo num desejo como lava Procuro, reprocuro; mas cadê?
A sorte que pensara tão ingrata Coloca o teu sorriso no caminho, Minha alma na tua alma se retrata
Agora já não vou seguir sozinho... Esqueço da tristeza e dos meus ais, Somente no teu corpo encontro a paz!
723
Depois de tanto tempo pelas ruas, Nadando no vermute e no traçado, Rodando em tantos bares, com mil luas, Nos olhos deste céu apaixonado,
Nas bocas que morderam, cegas, cruas, Estrelas mergulhando do meu lado, Vestidas de ilusões ou seminuas Cigarros e fumaças, revés, fado...
Dos anjos e pecados, coxas, pernas... Mulheres, confusões, seios, delitos, Noites que se foram tão eternas
Em plena solidão acompanhada. Depois de tantas guerras e conflitos, Te encontro do meu lado, bem amada...
724
Depois de percorrer tantos espaços Na busca de mim mesmo eu percebi Que tudo o que eu queria estava em ti, Por isso é que estreitando nossos laços
Caminho nesta senda a largos passos Chegando em pensamento estou aqui Tocando com carinhos, os teus braços Vivendo todo o sonho que pedi.
Vazios em meu peito, não mais vejo Sabendo quão profundo este desejo Eu posso me dizer, tranquilamente
Do quanto sou feliz somente por Conter dentro do peito raro amor No brilho deste sol que se pressente... Marcos Loures
725
Depois de penetrar este portal Recolho tanta estrela, ganho o sol, Cabelos desfilando em caracol, Visagem mais perfeita, sem igual.
Cenário, com certeza magistral Ganhando em maravilha este arrebol, No teu olhar magnífico, o farol Beleza se espalhando, triunfal.
Prevejo conseguir realizar Os sonhos que não canso de sonhar Matando o que eu vivera, amargo e fero.
Só posso te dizer, falo e repito, No encanto que se mostra mais bonito, Eu tanto te desejo... Ah! Como quero Marcos Loures
726
Depois de penetrar a maravilha Que trazes escondida sob a saia, Adentrar com vontade nova trilha Molhada; umedecida. Mar e praia
Areias escaldantes. Bela gruta Aberta escancarada em minha frente. Querendo com vontade, sem ser bruta Que todo bom caminho experimente.
Tu sabes quão gostoso é poder ter Meu falo bem guardado nesta toca. Bem sôfrego prometo, vou meter
Até te ver gozando e derramar O leite que tu queres nesta boca Que engole sem deixar nada sobrar...
727
Depois de minha morte, queira Deus, Que alguém ainda fale no meu nome, O tempo que a memória em vão consome Traz sempre a sensação de um vago adeus.
O verso que eu quisera luz em breus Aos poucos na distância, sei que some. A fama é fantasia e sem renome A estrela não atinge os apogeus.
Mas sei que pelo menos pra quem amo, Esta lembrança o tempo não desfaz, A voz que outrora fora tão mordaz
Trará ao pensamento um frágil ramo, Cuidado com ternura brotará, Gerando eternidade desde já...
728
Depois de estar fechado pra balanço, O velho coração se deu inteiro. Se um novo amanhecer eu quero e alcanço, O amor se faz perfeito mensageiro.
Eu quero teu carinho e te afianço Que nele encontro o rumo verdadeiro, Chegando devagar ao teu remanso, Na dança prometida, vem teu cheiro.
O amor que quer do amor, correspondência Não pode ficar sempre na pendência De um sonho tão mutável quão danoso.
Vencendo os meus terríveis desenganos, Os olhos que te buscam fazem planos Imersos no delírio deste gozo...
729
Depois de dias duros e perversos Vagando pelas noites, botequins, Aguando com saudade os meus jardins, Sangrando plenamente em frios versos,
Olhares sem destino, vãos, dispersos, Buscando dias calmos, noites cleans Vestindo uma esperança feita jeans Jazendo nos caminhos tão diversos
Eu calo a melodia que não fiz, Meu pranto feito imenso chafariz Banhando em sortilégio a nossa vida,
Amor que não se aprende no colégio, Ditando o mais sublime privilégio, Quem sabe tanto amor nunca duvida.
730
Depois de cultivar as raras flores Percebo a podridão como perfume. Os medos vão chegando num cardume E deixam bem distantes meus amores.
Os olhos desta fera, refletores Que cegam quando trazem triste lume, A vida se perdendo num queixume, Saudades tão vorazes, tramam dores.
Palavra que recebo mais sombria, Somente irão restar as negras trevas, Matando em nascedouro uma alegria,
Prenúncios malfazejos de meu fim, A morte na saudade faz as cevas As covas vão se abrindo dentro em mim...
731
Depois de conhecer escura senda Tanto titubear, trôpegos passos A lua rasga o céu, e assim desvenda Mistérios que formavam outros traços.
Vestindo uma esperança em nobre renda Alinho o meu amor noutros espaços. A sorte vai mudando a sua agenda E pinta de alegria teus abraços.
O coração desfraldo e solto ao vento Palavras de carinho e de ilusão. Poeira vai tomando, logo, assento
E a vida me remoça o coração. E um novo caminhar, querida, eu tento, Fazendo no passado, uma incisão... Marcos Loures
732
erto tempo sem saber Como poder falar em versos soltos, Buscando nas discórdias do meu ser, Como cabelos longos, mais revoltos.
Os versos que me ajudem entender Em mágicas palavras tão envoltos, Fazendo a poesia renascer. Em ritmos mais suaves, desenvoltos...
Assim o meu soneto ressurgido Faz parte dos meus planos, não se iluda. Depois de perceber a dor do olvido,
De como essa incerteza nunca ajuda, Meu canto se tornou, deveras leve, Depois de rebuscado, quem me leve...
733
Depois de caminhar em noite fria, Catando os meus pedaços pelo chão. Tentando descobrir a direção Aonde se perdeu minha alegria.
O amor que fora meu, sem garantia, Fugindo pelos dedos desta mão, Naufrágio da infeliz embarcação Apenas um fantasma que me guia...
Teu hálito transforma-se em bafio, O riso que não tenho, fantasio E morro em cada esquina, pouco a pouco...
Vencendo amargo espectro do passado, Cegando um coração enamorado Antes que o sol me encontre insano, louco...
734
Depois de saciada nossa sede; Exaustos, descansamos mais um pouco, Na cama, numa esteira ou numa rede... Recomeçar depois, amor tão louco
Que faz da fantasia a realidade, Que torna uma alegria nosso mote. Do amor que a gente vive de verdade Entorno todo o mel, lambuzo o pote
E somos caminheiros incansáveis Em buscas das diversas sensações Delícias são demais! Intermináveis! Explodem nas vontades, nas paixões...
Devoras, fera insana e me inebrias... Nas noites, nas manhãs, todos os dias...
735
Depois de procurar um grande amor Nos bares e bordéis desta cidade, Vivendo tão somente da saudade Distante de carinhos, sem calor.
Um velho passageiro sonhador Em desencanto quer felicidade. Às margens do caminho, mato a flor, Apenas o vazio ora me invade.
Quem sabe se eu pudesse, num rompante Buscar outro destino e num instante Chegar à Vênus, deusa da beleza
E ter o que sonhei, amor intenso, Nos braços desta Diva eu sempre penso, Vencendo em pensamento, a correnteza...
736
Depois de procurar sem resultados Carinhos entre tantas, nada tendo, Ouvindo o teu chamado, vim correndo, Vencendo no caminho espinhos, cardos.
Teus versos, mensageiros delicados, Que aos poucos, claramente já desvendo, A vida se mostrando sem adendo, Permite novos sóis anunciados.
O teu abraço, irmã e companheira, Um ímã que me atrai e me conquista, Presença que apascenta; tão benquista,
Da qual minha alma plena ora se inteira É tudo o que sonhei e nada mais, Na perfeição de encantos divinais...
737
Depois de procurar inutilmente Os rastros desta tal felicidade, Nas ruas e nos bares da cidade A vida em turbulência é que se sente.,
Saveiro que se perde em claridade, O tempo foi cruel e fatalmente O fim que se aproxima faz demente Quem tantas vezes quis a liberdade.
Mereço ser feliz? Creio que não. Protótipos de sonhos que criei Fazendo da esperança a minha grei
Tentando preservar ao menos grão. Ouvir a tua voz me traz alento. E, juro, ser feliz ainda tento... Marcos Loures
738
Depois de perder rumo e perder vez Em ruas e botecos, cabarés, Chutado em bofetões insensatez, Sangrando pelos olhos, pelos pés,
Encontro o que me resta de altivez E vago pelo quarto de viés. No gosto desta boca a lucidez Em forças e correntes, mil marés.
Amamos novamente pelo chão Das ruas e senzalas descobertas. No gesto em que recatas a paixão
Se mostra assim deitada, bancarrota. Do fogo que atiçamos nas cobertas, Amor vai se perdendo em nova rota.
739
Depois da noite escura um belo sol, É tudo o que desejo em minha vida, Abrolhos que cevaste no arrebol, Uma ilusão a mais se vai, perdida.
Dos ritos da alegria, um girassol, Porém a realidade a ser cumprida Demonstrando esta ausência de farol Impede que eu vislumbre uma saída.
A natureza expressa uma verdade Na solidão diária que me invade Resposta ao que procuro, propicia.
Herdar do temporal, uma bonança, Enquanto a tempestade ainda avança, Persiste com certeza esta harmonia.
740
Depois da cachaçada que tomamos Eu via duas fêmeas mais gostosas. No canto desta rua que encontramos Havia este jardim pleno de rosas...
Ali naquele instante nos amamos, Tu gritas bem mais alto quando gozas. Beijamos, namoramos e sarramos, As horas que passamos, maviosas...
Depois eu reparei que a sorte grande Quem sabe, bom mineiro, desconfia. Tocavas com carinho minha glande
Já dando com fantástico carinho. Porém o mato deu tanta alergia E a rosa me mostrou porque do espinho...
741
Depois da amarga curva do caminho, Enganos coletados, tantos vários. Ouvindo os mais diversos campanários Andanças que já fiz, sempre sozinho.
Procuras incessantes, desalinho, Em passos muitas vezes temerários A solidão fazendo aniversários O tempo sonegando um raro vinho.
Tua presença surge num repente, Apascentando a dor que é inerente A quem buscando amor já se perdeu.
A noite se promete em alvorada, Ao ter tua presença anunciada No sonho que se deu tão teu e meu... Marcos Loures
742
Deparo tão somente com anzol E preso no seu fio, perco o sonho. A vida vai passando em ar medonho Decerto não terei de novo o sol.
Ao longe, bem distante este farol, Ao menos na esperança em que componho Pensando ter nas mãos, sublime escol, Porém o que me resta é tão bisonho.
Relendo cada verso que escrevi, Percebo que; iludido, estava ali Um mundo que queria em face amena.
Distante da verdade eu não sabia, Que tudo fora apenas poesia. A vida em realidade me envenena... Marcos Loures
743
Dentro do pensamento em liberdade Ao revolver as sobras do quem dera, Percebo que não tenho a claridade Das sombras do que fora a primavera. Nas gretas dos desertos, mesmo tarde, Além do que pensara que se espera Um resto de uma luminosidade Gargalha de tocaia, vira fera. Oásis da incerteza do que fui, Nos passos meio a esmo, mesmo súbitos, Castelo feito areia, logo rui, Mas sinto o teu bafejo, boca aberta, Meus sonhos são de ti, perfeitos súditos, Inundas de esperança alma deserta...
744
Depois da tempestade quero e vem Alagação no peito de quem ama, Dilúvios apagando qualquer chama, Não levo com certeza mais ninguém.
Notícias tão diversas do meu bem, Mentiras espalhadas nesta trama, Deitando a solidão em minha cama, Vazio tão somente é o que se tem.
No quarto nem sequer um burburinho, Ausência de calor e de carinho, Destoa com um resto de esperança.
Decerto quem procura e jamais acha Abrindo dos segredos cada caixa, Alegria se omite e não se alcança. Marcos Loures
745
Depois da tempestade esta bonança Que trazes em teus versos me garante Que a vida se tornando deslumbrante Espalha esta semente de esperança
Aguando o coração com temperança. Permite que eu prossiga ao mesmo instante Em que fortalecendo em luz constante Aplaca qualquer dor e traz festança
No peito de quem sabe quanto quer O amor tão magistral desta mulher, Rainha dos meus sonhos, deusa e diva.
Assim ao perdoar os meus engodos, Renasço bem mais forte destes lodos, Deixando a fantasia sempre viva. Marcos Loures
746
Depois da noite intensa que tivemos, Momentos de loucura e de prazer. De todas as vontades nós bebemos, Vivendo cada sonho pra valer.
O barco da esperança alcança os remos E traz decerto um belo amanhecer, Que eternamente disto, desfrutemos, Usufruindo amor, quero viver.
Ternuras entre raios deste sol, Farturas de delírios. Mil delícias, Sorrisos de desejos e malícias
Brincadeiras debaixo do lençol. Manhã vem debruçando sobre nós, Calor que em fúrias toma, tão feroz... Marcos Loures
747
Demonstra o vento às vezes disfarçado O leve balançar de cada folha, Quem dera se eu tivesse alguma escolha Eu ficaria aqui, sempre ao teu lado.
O dia transcorrendo mais gelado, Rompendo da emoção a simples bolha A lágrima que o olhar, às vezes molha Demonstra entardecer anunciado.
Vazio sem ter sombras de um alguém Que possa mitigar meu sofrimento, A noite em mãos vazias logo vem
Tornando o meu caminho mais incerto, Que faço se prossigo contra o vento, Seguindo em rumo insano este deserto. Marcos Loures
748
Demonstra esta grandeza em que me encantas O amor que pouco a pouco nos domina, As dores que passamos, sei, são tantas Porém esta alegria me fascina
E mostra ser possível novo dia Ao lado de quem sempre procurei, A voz que entoa a bela melodia Espalha fantasia em nossa grei.
Eu quero estar contigo e não disfarço Vertendo em esperança o meu caminho, Vencendo a solidão, ganhando espaço Nos braços deste encanto eu já me aninho.
O dia com certeza é mais risonho, Seguindo cada passo deste sonho.
749
Demonstra em sintonia, o nosso encanto, O quanto tanto quero o teu amor. Vestindo do sorriso, o leve manto, Bebendo gota a gota este licor.
Nos olhos de quem quero, eu me agiganto, Decerto sou eterno vencedor. Legando ao meu passado qualquer pranto, Um novo canto; agora, irei compor.
Usando o teu carinho em estribilho, Uma alegria serve de refrão, A melodia vai sem empecilho,
Um hino em tom maior, felicidade. O verso se bordando em emoção, Expressa em cada rima, a liberdade... Marcos Loures
750
Demonstra em perfeição, felicidade, O verso que se mostra mais capaz Mostrando a fantasia tão voraz Que sempre se permite em liberdade.
Não quero conceber a falsidade Que um dia, em ventania sem ter paz Lembrança como algoz, decerto traz Tramando a mais temível tempestade.
Eu quero ser somente o companheiro Que segue passo a passo, o tempo inteiro A estrela que me guia pela vida.
Um dia talvez saiba quanto eu quero Amor que se demonstre mais sincero Trazendo sem temores, a saída... Marcos Loures
751
Demônios que me acordam, companhias Que há tanto me perseguem. Sinto falta Enquanto a fantasia enfim me assalta Tentando amenizar terríveis dias.
Imagens que retornam, tão sombrias, Espectros velha súcia, amarga malta, Banquete em mesa fúnebre, na lauta Refeição que, sarcástica, servias.
Um bálsamo que acalme, está distante, Prodígios da loucura, embalsamando O olhar que antes tentara radiante
Entrego-me. Sem forças, eu desisto.. Cansado de buscar um vento brando, A alma em desamor, clama Mefisto... Marcos Loures
52
Dentro de mim, buscando a solução Pras dores que apoquentam minha vida, Depois de ter sofrido o furacão Achando que não tinha mais saída,
Percebo minha amiga, em tua mão, Que a sorte inda não fora decidida. Quem tem uma amizade, nunca em não Encontra sua senda a ser cumprida.
Assim, ao deparar com teu abraço, Mais forte um caminheiro em cada passo Adentra pelas hostes da esperança.
E o vento bem mais calmo me garante Que tudo será manso doravante E um futuro em bonança já se alcança...
53
Dentre todas as tosas de ilusões Apenas as melhores foram nada, Fremindo o desejar, plenos pulmões, A velha escadaria derrubada.
A fé vence distâncias e emoções, Quem sabe no final, uma guinada, Da festa não sobraram nem rojões. A corda; há muitos erros, esgarçada.
Acordo e vendo a mesma velharia, Esboços desperdícios a granel. Os fósseis emolduram meu corcel,
Percebo ser inútil montaria, Pereço em versos tolos, abissal. Carpir sobre o cadáver? Bom final... Marcos Loures
54
Dentre todas as flores, a mais bela Que um dia desbotou, perdeu a cor, Mulata que assanhada se revela, Pois é, falaram tanto...Desamor.
Do imenso Mirai, sublime tela Pintada com seu verso encantador. Nas mãos deste sambista uma aquarela Belíssimo cenário a se compor.
Laranja amadurece em seu talento Dulcíssimo prazer, sumo divino Perdoem minha audácia neste intento
Tentando traduzir a poesia Que escuto desde os tempos de menino Num tom mago e sutil, melancolia... Marcos Loures
55
Denote aos dois cativos, liberdade A barca naufragada em pleno mar. Se o vento se transborda em tempestade Eu posso o meu futuro trafegar
Vendendo uma pobre alma rompo a grade Inércia vou vencendo devagar Devendo o que não pago, falsidade Se mostra sempre firme a gargalhar.
Verás o que deveras não devia Se à vera a vida fosse bem mais fácil. Indócil coração um fóssil grácil
Merece pelo menos a alforria. Agônico e patético me exponho Um trágico imbecil lerdo e bisonho... Marcos Loures
56
Denotam este amor des’perançado Os fardos que inda trago em meu bornal, Fazendo da esperança um ritual, Deixando as velhas roupas do passado.
Atento ao teu lamento em alto brado, Arcando com meus erros, bem ou mal Seguindo num caminho desigual Futuro noutra sanha vislumbrado.
Lutando tenazmente e com afinco, A porta semi-aberta busca o trinco Enquanto o vento adentra na janela.
O quanto eu desejei e nada vinha, Pensando que, talvez, tu fosses minha, O sonho este corcel liberto, sela...
57
Denigrem o sentido da amizade E matam por palavras ou por crenças. Cegando, mesmo em plena claridade, No sangue de outro irmão, as recompensas.
Eu creio neste amor em liberdade, Bem mais que a simples cura de doenças, Milagre bem maior, fraternidade Traído pelas frias desavenças.
Amor que tanto encanta quem mais ama, Permite se manter acesa a chama De toda uma esperança para a Terra.
Tocando o coração em bem profundo, Espalha uma alegria pelo mundo, Numa emoção sincera ele se encerra. Marcos Loures
58
Demonstrará em farto amor a trilha A ser seguida um pouco a cada dia. Abrindo destes barcos, a escotilha Entenderei o que sonhar dizia
Amor não necessita de apostilha, Demonstra por si mesmo a fantasia Rezando com presteza essa cartilha A vida bordará em poesia
A lavra que se trama em precisão. Regando com carinho a plantação Decerto rara flor em meu jardim.
Numa expressão que me traduza luz Dois corpos neste idílio seminus Traduzirão o que desejo enfim... Marcos Loures
59
Demonstra quão divino este jardim Do jeito e da maneira que tu vês Transborda o que melhor existe em mim, Usando tantas vezes tais clichês
Nas colchas em crochês de uma esperança Nas rendas ou cetins, seda, organdi. Um tecelão em versos tenta e trança O quanto de beleza encontra em ti.
O vasto mar aonde num naufrágio Eu mergulhei desejos e vontades, O amor velho avarento cobrando ágio Com juros cobra sonhos, claridades.
Mas pago de bom grado, até repito, Toando um libertário brado em rito...
760
Delírio incomparável, mil loucuras Rolando em tua cama, noite afora. Prazer que alimentando revigora Imerso entre desejos e ternuras.
Depois de tanto tempo em vãs procuras Meu corpo no teu corpo, sem demora A boca tão profana já te explora E bebe destas fontes, claras, puras.
Descubro a maravilha nas veredas Ardendo em fogaréu, peço, concedas Cada momento insano de prazer...
A todo instante eu quero sempre mais Mergulho nos teus mares sensuais Vontade tão gostosa de se ter... Marcos Loures
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Deliciosamente nua em pêlo Abrindo a bucetinha para mim Te quero bem safada, faz assim, Sem medo, sem pudor, divino apelo.
Lambendo com tesão, seu belo grelo, Chupando a xoxotinha, começo ao fim, Rabinho rebolando, quero sim. Depois da tua xana, vou comê-lo
Abre bem devagar, senta em meu colo, Te fodo sobre a cama, sobre o solo, E faço o que quiseres minha puta.
Eu sei que tu desejas tanta porra, Venha com tesão minha cachorra Encharco no final, a tua gruta... Marcos Loures
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Deliciosamente nua em minha cama, A fêmea sensual se entrega inteira, O gozo mais intenso se proclama Balançando com fúria esta roseira.
Lambendo meu caralho, puta e dama, Da forma mais gostosa e costumeira, No amor sem ter mistérios, não faz drama Magia sedutora, feiticeira.
Penetro com furor sua buceta, Adentro sem perdão em cada greta Até sentir seu gozo derramado
Num átimo viajo ao paraíso, E a deusa transpirando num sorriso Demonstra o seu desejo saciado...
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Deliciosamente molhadinha, Buceta raspadinha e tão cheirosa, A gente só sossega quando goza, Te quero nesta noite inteira, minha.
Tu pagas um boquete devagar Lambendo a minha pica com perícia, Sorrindo com teus ares de malícia Pedindo, pra na xana eu colocar.
De quatro, nos requebros mais febris, Querendo o que é direito, pede bis E a gente faz da foda um ritual
Aonde se percebe a maravilha Deste caminho insano que se trilha Gulosos neste louco carnaval. Marcos Loures
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Delícias vão brotando enquanto deitas Espreitas em tocais, tocas sanhas, Das massas maravilhas quando feitas Desvendam os segredos das montanhas
As monjas escondendo seus pecados, Esponjas engolindo cada marca Nos olhos velhos dias, novos fados Recados a saudade sempre abarca.
Atraco no teu cais embarcações Do tempo que se foi quer voltar, Apenas procurando soluções Senões eu já cansei de procurar.
Saudade renovando o que se fez Transtorno em que se nega a lucidez..
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Delícias que me dás enquanto alcanças... No caminho dos deuses encontrei Aquela que por séculos busquei, Chamando sem juízo, para as danças.
Princesa deste reino: o bem querer. Numa alameda cheia de perfumes Nos olhos perfeição de belos lumes, Vontade de te ter e de saber.
O rumo das estrelas percorri Sabendo meu amor que estás ali; No rastro do cometa, luz e cor,
Mulher que por encanto um deus criou Que em tramas sem limites demonstrou O quanto sou feliz contigo, amor. Marcos Loures
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Demônios povoando o dia-a-dia, Matrizes indeléveis da loucura. Na ronda interminável que se cria A boca desdenhosa me tortura.
Espúrias madrugadas, fantasia Irônica presença da ternura. O olhar que se dissimula uma alegria, Qual faca pontiaguda, me perfura.
Diversas sensações, de gozo e dor, Melífera explosão, inútil senda, Segredo que jamais alguém desvenda
Mortalha se cobrindo em fel e flor. Carpindo este cadáver que hoje sou, Apenas o vazio me restou! Marcos Loures
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Demônios espalhados neste céu Uivando em noite dura e temerária A morte sempre soube, é necessária, Numa vendeta suja e mais cruel.
Expondo o meu sorriso no bordel, Puteiros de minha alma salafrária Na cor desta esperança podre e vária O gosto que me resta – amargo fel.
Quem sabe a luz frenética de um sonho Riscando o meu olhar cego e medonho Permita algum resquício de alegria.
Nos lagos, placidez inalcançável Um caminheiro audaz vai incansável Bebendo o que do amor inda haveria...
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Demônio disfarçado, imita Deus E ri dos descaminhos em que entranho O coração faminto, velho estranho, Prepara sem disfarce um novo adeus.
Quem dera se eu pudesse, louva-deus Com fúria e com desejo assim tamanho, Fazendo em tua pele um fundo lanho Fomentos de delírios quase ateus.
Na imensa servidão que ora apresento, O amor ao não cumprir seu grande intento Esboça a mais cruel caricatura.
Satânica expressão num duro infausto, Mefisto em ironia beija Fausto, Sarcástica delírio se afigura... Marcos Loures
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Dementes, insensatos e terríveis Os dias sem te ter aqui comigo. Legado ao desespero e desabrigo, Meus passos são bizarros, impossíveis.
Meus olhos seguem vagos, impassíveis Percebem nesta ausência, tal perigo Que torna os velhos sonhos incabíveis Matando estes desejos que persigo.
A solidão penetra no meu cerne, Verão a permitir que já se inverne E o peito transtornado na nevasca
Que toma meus sentidos totalmente Sonhando com amor que se pressente Virá: bonança após dura borrasca... Marcos Loures
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Dementes os sentidos que te prendem Atendem entre dentes e mordidas Ácidas as peçonhas que pretendem As serpes sempre são mal resolvidas...
Vestidos de bizarras tempestades Que mentem tão somente quanto tentam Sombrias as fagulhas de inverdades Que logo quando nascem, me atormentam.
As carnes em dentadas dilaceras Passando pelos dentes afilados, Recebo os teus bafios, quais de feras Destroços que desejas desfiados.
Não temo mais teu hálito nefasto Pois tudo o que já fomos, nem pro gasto... Marcos Loures
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Delitos espalhando tentações As mãos vão procurando os seus caminhos, Abrindo calmamente estes botões Brotando o bom prazer em vários ninhos. As flores em diversas plantações Perfumam muito além dos seus espinhos.
Espio cada furna desta senda, Expio meus pecados no teu jogo. Amor que tudo sabe e já desvenda Acende com vigor o nosso fogo. O resto da viagem? Pura lenda, O quanto de desejo em ti me afogo.
Não pago mais os erros cometidos, Os juros que paguei, vão incluídos... Marcos Loures
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Delitos e delírios; cedo cria, O gozo das paixões em luz profana. A mão que acaricia mais humana Estende nos dedos poesia.
O bem de farto amor nos propicia Propícia solução que não engana Nas ganas de prazer a alma cigana Emana tão somente esta alegria
Segredos mais profundos, dizem mar, Em abissal mergulho adentro em ti Aonde tantas vezes me perdi
Vestígios do que sou vou procurar. Entremeando luzes e matizes, No amor nos tornaremos mais felizes... Marcos Loures
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Delírios entre risos, gargalhadas Gemidos e sussurros, horas plenas. Estrelas em teu corpo derramadas Apreciando tontas estas cenas...
Mil rondas em torrentes provocadas Por bocas que se querem, envenenas Com tramas sem juízo, descaradas, Orgástica emoção, revive Atenas.
Nos toques mais famintos me sacias, Rasgando este infinito fantasias Num átimo perdidos, nos achamos
Confronto que traduz tanto conforto Afrontas entranhando cada porto Nas sendas quando insanos, desbravamos...
Marcos Loures
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Delírios de um amor que tanto eu quis, Viceja uma esperança no meu peito De um dia, finalmente ser feliz, Eu penso ser talvez, o meu direito.
Quem traz do seu passado a cicatriz De um sonho em amarguras já desfeito Tão temeroso nunca pede bis. Caminho que perdeu jamais refeito.
Mas sinto finalmente vir a brisa Que tomando o cenário já me avisa Que agora eu poderei saber enfim,
Sabores que alegria, em festa traz Vivendo amor perfeito feito em paz Chegando em plenitude para mim... Marcos Loures
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Delícias no teu corpo eu sei que tenho, Tua nudez completa, tentação. Lambendo tua xana, com empenho, Explodo, minha amada, de tesão.
A boca nos teus seios, nossa foda, O gosto da buceta mais divina. Na cama, uma volúpia já me açoda, Vontade de comer minha menina.
O teu cuzinho lindo, sem segredos, Tua xereca, o grelo tão gostoso, Encontro no teu corpo meus enredos, E bebo da xaninha todo o gozo.
Te quero bem vadia, uma cachorra, Meu gozo em tua boca, tanta porra...
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Delícias nesta boca eu saboreio, Sorvendo cada gota mato a sede, Descendo minhas mãos alcanço o seio, De todos os desejos, teia e rede.
Sentindo o teu olhar tão provocante, Num brilho sem igual, maravilhoso. A gente se decifra e num instante, Encontra este horizonte mais vistoso.
Sabores delicados que entorpecem, Qual fora alucinógeno, o carinho Ao qual; os meus delírios obedecem Inebriante como um raro vinho
Os céus que antes já foram, frios, grises, Refletem tais momentos tão felizes... Marcos Loures
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Delícias em insânia usufruídas Fluidos misturados, nosso jogo. Bailados entre sanhas repartidas Ardências sem juízo, mesmo fogo.
Num ir e vir, sem tréguas, incansáveis Até que em explosões, nos encharcamos Dos gozos maviosos, incontáveis De todos as delírios, somos amos.
Enquanto tu me mordes devagar, Teus seios em meus lábios, tuas pernas. Orgástica vontade a navegar Em tantas labaredas, loucas, ternas.
Açoitas com teus dentes minhas costas, Do jeito sem limites, que tu gostas... Marcos Loures
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Deliciado ao som de tua voz, Sentindo o teu perfume no meu rosto... O medo do que fora duro, atroz, Essas marcas sulcadas por desgosto.
Querendo perceber da vida após As dores que o passado havia imposto, No sentimento brusco e mais feroz, O peito sente o frio de um agosto...
Em languidez deitada do meu lado, Tua nudez traduz volúpia tanta.. Prometo-te meu canto enamorado,
Anseios te buscando, tensos, mudos, A silhueta exposta, nua, encanta, A pele acetinada nos veludos...
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Delícia que se toma em incerteza Um indomável sonho que aprisiona Em supetão impede uma defesa Ao mesmo tempo doma e se faz dona
Do quanto que inda tenho de só meu, Paixão não quer saber, inda duvida. De tudo que tivera e se perdeu, Não quer e nem permite que divida.
As dívidas pagando com meu sangue, O gosto quase podre da maçã. A praia se perdendo neste mangue Bendita solução para o amanhã;
Na mansa corredeira uma explosão, Causando a mais feroz inundação. Marcos Loures
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Delícia que se faz; doces ardências Que adentram nossos jogos noite afora. Amor não tem sequer conveniências A cada novo instante mais se aflora.
Ganâncias e delitos, indecências, Fugazes emoções a qualquer hora Às vezes simulando em indigências E florescência rara nos decora.
Demências disfarçadas, gozo pleno, Mendicâncias em ritos e pedidos, Urgências sobrevindo em mar sereno.
Os dedos adivinham seus espaços, Tateiam e vislumbram claros traços Entoas sinfonias em gemidos... Marcos Loures
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Delícias que eu encontro sobre a mesa, Bebendo teu licor maravilhoso, Depois sorver com calma a sobremesa, Num corpo delicado e tão gostoso...
Vibrando meu amor em tal beleza, Recebo de teu mel, em pleno gozo, Sabor extasiante, com certeza, Total sofreguidão, voluptuoso...
Aguça o paladar tanta vontade De enfim comer do prato principal. Chegar assim à tal saciedade,
Banquete tão fogoso e sensual. Matando minha fome, em qualidade Que sei ser absoluta, sem igual...
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Delícias que desfruto junto a ti Na foda mais gostosa, meu amor, No meio destas coxas conheci Caminho fabuloso, encantador.
Comer tua xaninha todo dia, Botar bem devagar, te penetrando. Bendita seja a nossa putaria, Lambendo o teu grelinho, te chupando.
Os cios se completam num orgasmo Volúpias entre tantas sacanagem, A vida desse jeito, sem marasmo, O gozo desenhando a paisagem.
Em Búzios, Ipanema, um Eldorado, Divino, sensual e bem safado... Marcos Loures
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Delícias que desfruto do teu lado, Delitos cometidos, sorrateiros. Desejo sem pudor e mais safado Intensos fogaréus, tão costumeiros.
Teu corpo em minha cama desnudado, Magias entre colchas, travesseiros. No gozo intensamente anunciado, Momentos de luxúria, feiticeiros.
São tantos os fetiches, fantasias... Orgástica explosão que jamais cansa, As horas sem limites e vadias,
Na trama que se dá e não sossega. Estrela que nos toca, nua trança Iluminando assim a nossa entrega... Marcos Loures
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Deixaste uma saudade tão bonita Que muitas vezes lembro por querer, Quem sabe se outra dose se repita E venhas como um raio de prazer Trazendo teu olhar, tua pepita Que faz a minha sorte renascer...
Anos passaram, tantos que nem sei, Só sinto que te quero, amor demais. Nesta saudade doce eu mergulhei. Não te esqueci, meu bem, enfim, jamais... Amar como ninguém, por certo amei, A porta deste amor não fechei mais..
Nas cores deste sonho me decoro, E posso enfim, dizer; amor te adoro!
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Deixaste meu amor em total crise Que mesmo que existisse novo sonho Amor quando escondido na marquise Em terremotos morre mais medonho...
Vencendo a tentação das outras saias, Que saem de repente no verão, Calor que me sufoca novas praias, Depois de tanto tempo de emoção...
Recebo teu carinho, como o vento, Que amaina meu calor em meu sossego, As pernas não me deixam pensamento, Não temas não terei nenhum apego...
Meu canto te procura, mas não caça, Viver na noite escura, uma cachaça...
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Deixaste como herança estas lacunas, Vazios no meu peito sonhador. Dos mares nem areias quiçá dunas, De pântanos se fartam, medo e dor.
Quem dera a placidez destas lagunas, O céu em fantasias muda a cor. Ouvindo o cantar belo das graúnas, Rendido às emoções de um novo amor...
Porém nenhum alento a noite traz. O vento que julgara mansa brisa Numa borrasca impede ancoradouro.
Jazendo nas angústias, perco a paz, Enquanto a morte chega e já me avisa: - Jamais verás nem ilhas, nem tesouro.. Marcos Loures
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Deixaste cada passo demarcado Nos rumos deste pobre coração Durante muito tempo magoado, Riscado pelas tramas da paixão;
Pesado, se arrastando bandeado, Ferido pelas farpas da ilusão. Depois das marcas fundas do passado, Encontro nos teus braços proteção.
Assim amiga sigo estas pegadas Deixadas pelo amor neste meu peito, Auroras reluzentes alvoradas,
Nascendo em sol brilhante o meu futuro, Mostrando quanto o amor – pleno direito- Clareia em noite mansa um céu escuro... Marcos Loures
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Deixaste amargo gosto em minha vida, Na despedida foste nada mais. Nas escaras que trago, Satanás, A morte não seria dividida...
Meu passado, presente, despedida. Cada vez mais espero capataz, Troco meus olhos, peço, ao menos paz... A solidão cavando essa ferida...
Eu não sei de camélias nem de rosas... As moitas de capim cobrem as flores. Não misturarei versos soltos, prosas...
Cantarei o que sempre me negaste, Ávido perseguido, sem amores, A morte me seduz, belo contraste!
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Deixarei suas curvas rio amado, De suas águas claras, vou ausente. Formado em tanta lágrima, pressente, Que a seca irá chegar sem dar recado.
De tanto que chorei desesperado, As mágoas alimentam tal corrente Que forma, de tristezas, a nascente Do rio que deságua no passado.
Alimentado pela tua ausência, O pranto da saudade nunca pára. Viver sem te encontrar é penitência.
A lembrança de tua companhia Jorrando nas cascatas, vida amara, Salgando todo o mar de uma alegria...
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Deixa-nos, lentamente, em carne viva A dor de se saber um sonhador, O mundo nos matando já nos priva Do dia que tentara em vão compor,
Minha alma tolamente tão altiva, Sem ter um Paraíso a te propor, Fazendo da esperança sua ogiva À vida, mesmo inútil, dá louvor.
Cadenciando o dia, chego à noite, E enquanto a solidão cruel me acoite Eu tento disfarçar com um sorriso.
Ao ver que nada disso mostra o rumo, Depois de certo tempo eu me acostumo E as desculpas banais; economizo...
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Deixando-se levar pela torrente Um sábio coração não teme nada, A porta da alegria escancarada Cravando em nossa pele cada dente.
O vento que se mostra de repente Entrando em nossa vida, na rajada Expressa uma paixão desenfreada Que a bússola dos sonhos não pressente
A rosa do ventos se danando O dia em convulsão se anunciando, Trazendo a cada olhar perplexidade.
Enchente transbordando o ribeirão, Nas braças deste amor, inundação Mudando em temporal, tranqüilidade... Marcos Loures
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Delicada silhueta, Caminhando sem olhar Para os olhos de um poeta Que não cansa de sonhar.
Se Cupido traz a seta Tão preciso o seu mirar, Minha vida se completa Quando à tua se entregar.
És o templo do desejo Meu altar, minha paragem, Amor feito um relampejo
Vai mudando a paisagem, Tudo aquilo que eu almejo Não será simples miragem? Marcos Loures
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Deleites entre gozos e delírios, Uma explosão de luzes multicores, Deixando no passado tais martírios Na cama se espalhando mil fulgores.
Decifro teus sinais, tuas vontades, Ao penetrar defesas, sigo em frente, Enquanto em meu calor sei que tu ardes Vulcânica explosão, amor pressente.
O prato predileto, a mesa posta, Banquete anunciado com fartura. Tua nudez sublime, agora exposta, Deitando sobre nos, real loucura,
A gente não se cansa deste jogo, Brincando e nos queimando em vivo fogo. Marcos Loures
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Deixei minha alma presa em tuas mãos, Morena tão formosa, flor tão bela, Meus dias sem teus dias passam vãos, A vida em teu sorriso se revela.. A mulher que me encanta está distante, Mas mesmo assim não canso de querer, Te peço o teu amor a cada instante, Sem ele como poderei viver? O vento num lamento já me disse Que é triste tanto amor não andar perto É como se uma estrela assim se visse Em meio à noite clara de um deserto... Se um bem te vi pousar nos teus umbrais, Sou eu que estou mandando meus sinais...
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Deixei meu capetinha no caminho, Estava com saudades dos meus versos Que falam de emoção. Neste caminho Não sinto os passos soltos e dispersos.
Beber de sua boca, o doce vinho Catando os cacarecos mais diversos Enquanto nos amores eu me alinho, Refaço com doçura os universos
Aonde eu descobri a sedução Da boca carmesim de uma morena. Que tanto me seduz e já me acena
Mostrando deste encanto a dimensão Que possa sem desvios me levar Aos raios prateados de um luar... Marcos Loures
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Deixe que o olhar do mundo sempre veja O brilho de teus olhos, minha amada. Que a natureza sempre te proteja Dos ventos e das curvas desta estrada.
Ouvindo esta saudade que não larga O medo de perder quem tanto amei. Não deixe que pressinta quão amarga A noite em que sozinho me encontrei.
Teu colo sempre sirva dum alento Que busco em cada dor que conhecer, Não deixe que eu pressinta o sofrimento Que traz a noite em cada entardecer.
Deixe que todo mundo saiba, enfim, Do amor que trago, imenso, sem ter fim...
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Deixando para trás, o medo e a cruz, Penetro o campo santo da esperança, O manto que me cobre, reproduz, A sorte em glória plena, uma aliança.
Medonhos pesadelos que se assomam, Aos olhos dos que seguem solitários. Meus braços nos teus braços já se tomam Formando paraísos solidários.
O quanto quero ter e sempre busco, Permite que eu te fale, com certeza. Da luz que se não se faz em lusco-fusco, Tocando a madrugada, real beleza.
Meus dias em teus passos prosseguindo, Promessa do amanhã, deveras lindo... Marcos Loures
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Deixando para trás um triste adeus Eu vou seguindo em busca da alegria Que encontro em profusão nos olhos teus, Mostrando o tanto quanto eu bem queria
Na claridade intensa, mato os breus E sinto ser possível esta harmonia Mudando estes destinos teus e meus Trazendo em claridade um novo dia.
Palavra que traduz felicidade, Um sentimento nobre em luz intensa Na solidariedade a recompensa
Ao traduzir assim uma amizade Permito-me dizer que sou capaz De ter um sonho calmo, manso, em paz...
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Deixando para trás tristeza e guerra Não posso lamentar o meu futuro, Se o dia se mostrou bem mais escuro Um sonhos mais gentil, a vida encerra.
Alheio aos meus fantasmas, subo a serra Das doces fantasias e procuro Um solo menos árido ou impuro Aonde possa enfim arar a terra.
Saber que este otimismo uma tolice, Do quanto a vida o sonho já desdisse, Permite que eu me sinta abandonado.
Mas tendo o meu olhar neste horizonte, Por mais que a realidade ainda apronte Eu trago o meu olhar iluminado! Marcos Loures
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Deixando para trás qualquer tropeço Macabras ilusões foram dispersas, Além do que desejo e sei mereço, As horas são benditas, mas diversas, Não tendo tudo aquilo que ofereço, As dívidas que trago são perversas.
Mas versas sobre sonhos em teus cantos, Encantos profanados muitas vezes. Vestindo da alegria velhos mantos Não quero em nosso amor deuses ou reses, Reveses encarando sem ter prantos, Espelho o quanto queres e desprezes
Amor não tendo mais sequer algemas Riqueza que se encontra em raras gemas. Marcos Loures
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Deixando para trás qualquer conceito Amor já sabe e reconhece a dor Levando em prece com firmeza, o andor Adentrará com braço forte o peito
Saber da luz é conceber direito Dado a quem ama em proteção, calor O quanto eu sinto mostrará que amor Invade a vida penetrando o peito
Cravando setas proporciona o brilho Do qual transformo num momento em vida Franca vitória ao perceber saída
Traz solução e com carinhos trilho Lançada a sorte que é sutil e arisca, No coração selvagem que se arrisca Marcos Loures
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