
CEGAMOS TODOS
Data 03/12/2010 20:40:06 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Caminho por entre escombros e paredes e arranco aos olhos a ferida, para que possa ver alguma beleza aqui.
Mendigos intransigentes, estendem a mão etérea, no vazio de nossas consciências e de nossos problemas caseiros.
Muralhas caem, desfazendo castelos antigos, só nós, que somos pomposos demais, mantemo-nos de pé, ante a peleja.
É que o «coto» é precioso demais e é preciso procriar e ter descendentes, que sigam nossos passos nos lustrosos vitrais.
Homens sem membros, percorrem a cidade, com esforço, dirigindo-se para os escritórios, como olhos de mosca.
Estatuetas e quadros, nos pregos das paredes, exibem, para que todos vejam, a sua glória mumificada e poeirenta.
Aqui só entram os familiares e os filhos incestuosos – é impossível haver misturas de sangue, só a congeminação é possível.
Estes são os novos patrões, que dão lugar ao imiscível, e o lápis azul funciona de novo, para rasurar o que não lhes interessa. É a inquisição no seu mais alto expoente, que controla os jornais, televisões e rádios, num retrocesso a Salazar.
Jorge Humberto 03/12/10
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