
MEUS SONETOS VOLUME 046
Data 03/12/2010 06:59:10 | Tópico: Sonetos
| 4501
Da boca benfazeja e tão formosa O beijo se disfarça e quase foge, O rumo desta noite presunçosa; Trazer tantas estrelas neste alforje Chamado coração. Neste embornal Carrego todos, vários sentimentos Do amor que prometia sensual Agora se esgarçando perde o vento Se torna burocrático demais, Apenas escolhemos nossas armas Amor vai se esvaindo sem ter paz, Envolto em milhares desses karmas Que pesam sobre nós tal qual a cruz, Restando tão somente a fraca luz...
4502
Da dura ventania, apenas resta a brisa Tocando na janela aberta do meu peito. O bem que eu procurara; agora, já me avisa Que o rio voltará depressa pro seu leito.
E vejo em plenilúnio, o céu quando me deito Nas luzes desta lua, a vida se matiza E a cada novo dia, amor aromatiza Trazendo a mansidão me deixa satisfeito.
Aos poucos aprendi que a dor é necessária, Pois mostra que alegria é sempre temporária E toda a maravilha existe num contraste
Fazendo-nos sentir, mais forte a correnteza Que trama ao fim de tudo, a luz que me embeleza Sanando em redenção o mais duro desgaste.
4503
Da dor um diadema me circunda, Um fardo que carrego; inesgotável Amor é tantas vezes intragável Nem sempre em alegria ele redunda.
A mão que acaricia se aprofunda E rasga, simplesmente o imaginável Sorriso muitas vezes amigável Esconde a gargalhada vagabunda.
Mas gosto do prazer, isso não nego, Talvez no gozo dê algum nó cego, Quem sabe, encontrarei libertação.
Na opaca luz dos olhos de quem ri, As tramas da serpente eu descobri, Jamais serei Raimundo ou solução... Marcos Loures
4504
Da dor que me elegeu como parceiro Num casamento quase que perfeito, Em flores dediquei meu verdadeiro Canto que se mostrara satisfeito.
Meus versos que se encantam com a dor, Também vão procurando uma saudade. Se falo deste caso com amor, A dor vem me nublando a claridade.
Mas sei que no final ela me vence Convence e me deixando a solidão Que é tudo neste mundo que pertence Ao pobre e distraído coração.
O que fazes aqui, minha querida? Mudar todo o destino em minha vida?
4505
Da deusa que em meus sonhos concebi Persigo cada rastro que deixou Caminho que deveras deslumbrou, A beleza sem par que eu conheci,
Sem freios, num momento chega a ti, Pois devo, e disso eu sei, tudo o que sou A quem durante a vida me guiou E vejo, com certeza bem aqui.
Agradecer a Deus a companhia De quem ao demonstrar tanta alegria Acolhe com carinho e com afeto.
Um homem pra ser forte de verdade Reconhece a total fragilidade, Por isso, nos teus braços me completo. Marcos Loures
4506
Da chuva que teimosa não se esgota Nublando toda a Terra, traz em águas Imagem destrutiva e sempre rota Tramando no meu peito tantas mágoas.
Retratam cada parte deste sonho Que agora eu posso ver em pesadelo. O barco noutro mar, teimoso eu ponho E sei que assim jamais irei revê-lo.
Mas tento, num instante olhar o céu, Sonhando com o azul que nunca veio. Galopa o pensamento qual corcel Buscando a liberdade sem receio.
Olhando para a noite uma utopia: A lua se espalhando invade o dia.
4507
Da calma em um momento, a tempestade Formada pelo fogo da paixão Arrasta com volúpia, um furacão Restando quase nada; já me invade
Tomando com total voracidade, Ardendo em minha pele, meu tesão, Neste redemoinho uma explosão Com toda esta loucura, tal vontade
De ter teu corpo nu, paradisíaco Amor que se permite afrodisíaco Insânias entranhando. Vento audaz,
Da fome que bem sei insaciável Da sede em fonte imensa, inesgotável Do fogo que consome e satisfaz...
4508
Da bola muitas vezes dividida Sem ter sequer desculpa, caio fora. Se a gente com prazeres se demora O fogo dissimula outra saída.
Por mais que a solidão ainda agrida Um velho coração não comemora Sabendo que incerteza se assenhora Do que restou de bom da nossa vida.
Seguir o rastro claro de uma estrela Que amor com toda força já revela Usando da alegria que buscamos
É tudo o que desejo. Convenhamos- A sorte volta a ser, quem sabe; bela Agora que deveras encontramos. Marcos Loures
4509
Da boca que beijei em noite clara Sequer sobraram sombras ou resquícios Quem sabe sejam lúdicos, fictícios Momentos em que a vida me enganara.
Distante deste rio, esqueço a vara E volto aos meus antigos precipícios Dos sofrimentos gozo os seus ofícios E galgo o mesmo nada que encontrara.
Esboço, agora insone, a reação, Na mítica e complexa sedução Das cordas em bemóis desafinadas.
Esgueiro pelas ruas, seus esgotos, E em meio vagos sonhos, quase rotos, As manhãs que virão; abandonadas. Marcos Loures
4510
De que valem meus versos sem ação... O medo tantas vezes me transtorna, A massa silenciosa faz o pão, A gralha vendilhona vem, deforma...
Meus versos vão perdidos pelo vento, Diversos espetáculos revejo... Promessas de melhora... Sofrimento. A gralha encarniçada dá um beijo...
Meus versos incansáveis mas remotos, Espreitam por verdades encobertas... Quem fora num retorno, terremotos.
As chagas que deixaram vão abertas... Aos jovens as lembranças, simples fotos, Meus versos servirão enfim de alertas? Marcos Loures
11
De mármore; coluna trabalhada Na sala e no teu quarto, mansa espalha... A manhã ao chegar traz, orvalhada, O gosto desse dia de batalha,
No gesto que me mostra a caminhada, No corte e nesse fio da navalha... Vou amar-te e no fim não terei nada, A não ser essa mágoa que me orvalha...
Rocio se anuncia um novo dia. Nas areias o mar, onda se espraia. Quem me dera viver da fantasia.
Da morena, ventando erguendo a saia, Tesouros espalhados, poesia... Nosso amor invadindo toda a praia... Marcos Loures
12
De Lourdes para Loures, flores belas Em trovas e sonetos, dois parceiros Enquanto em alegria sonhos selas Os dias nascerão alvissareiros.
Encontro em teus poemas mil estrelas, Sentidos tão reais e verdadeiros Beleza em poesia tu revelas, Momentos delicados, costumeiros.
Mineiros companheiros de poesia Sangrando pelos dedos fantasia Rondando as Musas todas, nossa festa.
Tu sabes que eu admiro cada verso Que fazes traduzindo este universo Que farta maravilha à vida empresta...
PARA A GRANDE POETISA SILVIA de Lourdes ARAÚJO MOTTA
13
De lágrimas, meus olhos vão vestidos, Destinos solitários já traçados, Meus dias lá se vão, apodrecidos, Os rumos sem ter nexo, desgraçados
Sem direção, caminhos que perdidos Depois de tantos dias disfarçados Permitem que não sejam esquecidos Os dias de tristezas demarcados
O vazio da vida me tomando Total insensatez por companheira Os sonhos e esperança desabando
Palavras são cruéis, isso eu garanto, A solidão me toma e vem inteira Bebendo cada gota do meu pranto... Marcos Loures
14
De guerreiro feroz qu’apascentaste Não resta nem sequer sombra ou pedaço, Metade do que foi para o espaço Sem dúvidas tu sempre provocaste.
O que fazer de uma árvore sem haste, A fronde é necessária. Se um ricaço Agüenta uma porrada ou embaraço, O pobre se condena ao vil desgaste.
Mas não suportarei qualquer chacota, Este terno, filho único, amarrota A mão que chicoteia não se esquece.
O certo é que me deste de lambuja, A foto do passado é garatuja E o peito em desamor não sabe a prece... Marcos Loures
15
De finíssimas rendas, lingerie Que vestes nesta noite tão ansiada, Desejos explodindo... Estou aqui Tentando vasculhar cada pegada
E descobri o mapa do tesouro Em busca desta mina que entontece Sabendo que terei as jóias d’ouro Debaixo desta capa que enlouquece.
Se nessas transparências adivinho A forma tão gentil desta morena, Eu quero ter o gosto do carinho Que a lingerie sugere e que me acena.
Permita que eu desfrute deste sonho, Em que querer demais, já te proponho...
16
De dores e de bênçãos, divisória A força que suplanta céu e mar Meu sonho de amizade é feito em glória, Sem medos que nos possam maltratar,
Mudando num momento nossa história, Alçando a liberdade de um luar. Quem dera se eu pudesse sem vanglória De toda esta alegria desfraldar.
Assim, talvez não venha dor profana, Que mata e; muitas vezes, desengana. Supera com firmeza, medo e intriga.
No encanto que se mostra em clara luz O nobre sentimento se conduz Nos passos de meu sonho, minha amiga. Marcos Loures
17
De Deus a mais sublime semelhança Amor muda o cenário, traz a luz. Enquanto o verso manso sempre alcança O brilho, farto amor o reproduz.
Entrego o pensamento à liberdade Alçando a mais perfeita redenção. Amor quando se mostra de verdade Decerto se faz sempre a solução.
Vencendo em calmaria a correnteza, Eu tenho dentro em mim, a força plena Que trama com delícias a beleza Aonde um bem sublime já se encena.
Distante da saudade que emparede, Deitando meu amor em mansa rede.
18
De pétalas de rosa, onde me aninho; Fizemos um canteiro de esperança. Enquanto a noite cai, amor avança Tomado por desejos e carinho.
Meu canto sem te ter, triste e sozinho, Morria sem sentidos, pobre dança. Amor ia esquecido sem lembrança, Das rosas tão somente cada espinho...
Agora, a redenção de teus desejos, Fez-se tão soberana em minha vida. Marcado por teus lábios, doces beijos,
Percebo que serei bem mais feliz, Pois tenho minha sorte decidida, Amor que imaginei e tanto quis... Marcos Loures
19
De pétalas de rosa uma coberta Na lúdica emoção que nos conquista, A porta da alegria estando aberta Permite que se tenha a bela vista
Aonde se percebe imensidão, Brilhando no horizonte a plena lua. Versejo sobre tal transformação Da deusa que se entrega bela e nua.
Recebo este bafejo de alegria Decerto da bonança algum sinal, Tomado pela forte ventania Num gesto de convite sensual
Vislumbro no teu corpo este Eldorado, Tesouro tantas vezes, procurado... Marcos Loures
20
De onde pusera sonho barco e nau Perdendo todo o rumo em desespero. Fazendo de meu verso a pá de cal Na qual nem me disfarço nem tempero.
Planando neste céu sou sol e sal, Distante do que temo e não mais quero, Meu sonho na alameda tropical É quase uma paixão ou corte fero.
Não temo e nem pretendo essa piedade Que é quase que um disfarce da alegria. Se dane teu carinho, uma amizade.
Não quero mais saber de algum consolo. Se tenho minha voz e a poesia, Os pés em podre lama eu sempre atolo...
21
De onde nasce o amor? Não sei, te juro... Amor nasce do encanto, da magia? Muitas vezes nascendo em peito duro, Aos poucos, bem devagar, me amacia...
Como chega o amor? Devagar, lento? Na fúria das tormentas, alucina... Amor vem ao sabor de cada vento? Fragilidade imensa que domina...
Amor é sentimento doloroso Que trama com prazer um belo duo. Fazendo na tristeza, imenso gozo, Pesando no meu peito, já flutuo...
Amor, pressentimento de esperança; Atado aos nossos pés, levanta, dança...
22
De novo retornei a ser criança Envolto nos teus braços, noite amena, Depois de ser escravo da lembrança A sorte benfazeja, amor acena.
No verde dos teus olhos, esperança, Delícia só se encontra na morena, Menina, reconheço cada trança, A flor da minha sorte, uma açucena...
Não falo e nem reclamo da velhice, Apenas recomeço dia a dia, Amor que me invadiu sempre me disse
Que o tempo recomeça a cada instante, Na boca carmesim uma alegria, No corpo da morena amada amante...
23
De noite recomeça a zumbilança Que não pára jamais de incomodar. Do meu sangue este bicho faz festança, Mas não basta, ele tem que me acordar.
Zumbindo o tempo todo já me cansa A luz, acendo e nada de parar. Porém um dia, eu tenho esta esperança Tudo com certeza vai mudar.
Pois já que não bastou inseticida Nem mesmo o cortinado resolveu Tampouco dar tabefe, até sopapo,
A coisa vai ficar bem resolvida Se Deus ao atender pedido meu Um dia transformar-me em gordo sapo...
25
De Noé, seus herdeiros se espalhando Criando reinos vários, capitais, E os povos assim vão multiplicando, Habitam paisagens desiguais.
Nemrod, homem valente de Javé Um grande caçador; serve de exemplo, O grande defensor que traz na fé Erguido com firmeza imenso templo.
Famílias tão diversas, mil linhagens, Que guardam em Noé, o patriarca, Ao manterem-se unidos pelos gens Daquele construtor da divina arca,
Após a tempestade, a dispersão, A cada herdeiro cabe uma nação...
26
De alguns vários fantasmas que me habitam, O sexo juvenil, sempre escondido, Em tantas ilusões, bem mal servido Ainda nos meus sonhos, vêm, palpitam.
Desejos que morreram, mas que gritam Na cripta do cadáver revolvido Nas noites infantis. Houvera sido Momentos e resíduos que exercitam
A juventude feita quase em pó, Mas velho safardana não tem dó E o coração sacana se apaixona.
O fruto apodrecido traz semente Que mostra; quase ao fim, amor urgente, Melancolicamente, vou pra zona...
27
De carinhos sublimes desejoso, Querendo esta presença iluminada De tanto que eu vivera receoso, Encontro nos teus braços, doce Fada Um mundo mais feliz e venturoso, Depois de tanto espinho em minha estrada.
Vivendo nosso amor a cada instante, Dourando nosso dia em fantasia. Amor que se fazendo mais prestante, Garante toda a glória que eu queria. Num sonho que se mostra deslumbrante Concebo amanhecer divino dia.
Contigo eu sou feliz, isto eu garanto. Coberto por teus braços, belo manto. Marcos Loures
28
De cada vez mais firme procurar Saída para as dores que carrego, Invado num momento o teu luar E bebo do teu rumo, feito cego.
No rum de tua boca, me embriago, Sentindo o teu perfume pelos ares. Tomando de teu corpo cada trago, Estendo o meu prazer a raros mares.
A moça poetisa se mostrando A deusa que eu queria em minha vida, A fonte dos desejos me entornando A glória de encontrar clara saída.
Assim um navegante benfazejo Encontra o cais perfeito em teu desejo. Marcos Loures
29
De cada nova noite nem restolho... As pútridas certezas me minaram... Vazio, perfurando, cego um olho; As luzes que brilhavam se acabaram...
Tranquei meu coração com um ferrolho. Vis emanações fátuas soçobraram... Em meu caminho feito em puro abrolho Espinhos, pedregulhos. Já roubaram
Toscos sonhos. Ofusco meus delírios. Mártires se pretendem meus martírios... Me deste os teus transtornos por herança!
Sorvi desses matizes, cores tétricas. Meus versos se perderam sem ter métricas. A morte me rondando, vil criança!
30
De bruços, nesta cama, estás deitada; As tuas costas sempre tão macias... As minhas mãos nas costas desnudadas, Percorrem sem juízo... As fantasias Nos tomam, novamente arrebatadas Prometem mais delícias e alegrias...
Abraça-me, enlaçando em tuas pernas, Meu corpo no teu corpo se entrelaça As horas de prazer são quase eternas, Me prendes com as coxas... Sou t"a caça, Em tão sofreguidão, volúpia terna, Arranhas minhas costas... Vida passa
Assim em nossa cama, noite afora... Até que o sol se mostra e o dia aflora...
31
De bar em bar noturno peregrino Noctâmbulo vagando pelas ruas Nas sarjetas conheço o meu destino Da carne em podridão, palavras cruas;
Destilo o meu veneno, bebo a sobra E nisto me inebrio o tempo todo, Rastejo nos botecos, réptil, cobra Arrasto-me entre pedras, trevas, lodo...
E cuspo nesta boca que me beija Exponho o sentimento e na nudez Minha alma tão vadia já se aleija E torpe, vomitando insensatez
Sandices? Acumulo tempo afora. E da carcaça podre, a vida aflora Marcos Loures
32
De apagares a chama da paixão Usando os mais diversos subterfúgios Tramando sempre a mesma solução Negando em ironia meus refúgios,
Estou cansado, amiga, e te garanto Que tudo o que disseste noutro dia, Além de não causar sequer espanto, Já não provoca mais hemorragia.
Gerindo o meu futuro com presteza, O amor jamais sossega enquanto exala O doce aroma feito em sobremesa, Deixando cada rastro em minha sala.
Vassalo da esperança sigo em frente, Vencendo o teu sarcasmo incoerente...
33
De amores vou perdido pelo mundo Percorro tantos astros que nem sei. De tudo que te falo, já me inundo, Da vida que sem tréguas eu busquei.
Paixão que me arrebata e me domina Não deixa nem sequer achar o rumo. Perfumando tua alma cristalina Retendo dos prazeres todo o sumo.
Amar demais passou a ser a meta Que traz o meu caminho mais florido Por isso em minha voz, canta o poeta Sem amor nada faz sequer sentido.
Amores percorrendo os universos Vibrando nos desejos dos meus versos!
34
De amores que me fez o teu corcel Sangrando o coração, gozo supremo, Tirando a tua roupa rasgo o véu E chego num segundo, ao mar extremo Aonde com certeza nada temo, Vibrante fantasia, fogo e mel,
Afãs que desejamos em fartura, Fechando os olhos vejo-te comigo, Abarco os teus delírios com ternura E sabes que estarei sempre contigo, Vivendo nesta insânia se afigura Altar feito em delírio que persigo.
Assim, peles atadas sem pudores, Roubando do luar, loucos fulgores. Marcos Loures
35
De amores nada sei, querida amada, Apenas eu percebo os seus sinais, Vagando em solidão na madrugada Só sei da solidão, terrível cais.
Minha alma em tua alma emoldurada Aguarda teu carinho e pede mais. Na boca que te espera, bela fada, Vontades e desejos. São demais.
Crisálida esperança toma o peito, Transforma todo sonho em realidade. Eu quero o teu amor de qualquer jeito
Do beijo que me deste, uma saudade, Tomando o coração traz paraíso No toque mais suave e mais preciso.. Marcos Loures
36
De altares da esperança, um bom suporte Mostrado neste incêndio em noite plena. Fosforescente gozo que envenena E ao mesmo tempo entranha riso e corte.
A música que entornas, bem mais forte, No corpo levitando em mão serena. Porquanto te busquei a cada cena, Sabendo desde então da minha sorte.
Estrelas rutilando em profusão, Arcanjos, querubins, asas abertas, Num frêmito fantástico, emoção
Chocalha em guizos fartos, a alegria. Enquanto calmamente tu despertas, Mal percebes a luz que se irradia... Marcos Loures
37
Das terras estrangeiras o meu sonho Em forma de mulher encantadora; Das dores que carrego, redentora. De todos os caminhos, mais risonho.
Quem teve tanta dor, mundo medonho; Já sabe que ao te ter a vida aflora E jamais deixará quem tanto adora. Nada quero saber e te proponho
Que vivas, do meu lado, o que me resta Abrindo meu futuro. Na seresta Onde sempre estivemos, par constante,
A nossa melodia nos levanta. Com bela voz , Amor sempre encanta... Deixa-me ser, da vida, novo amante!
38
Das tantas valentias que menti; Ao menos fui poeta por um dia. Enquanto a gente mata a fantasia Ressurjo no que outrora, em vão perdi
Se tenho o meu destino junto a ti, A culpa e desta lua que fulgia Armando o bote, estúpida sangria Que tantas vezes, trêbado, bebi.
Perigo em cada curva, desconheço, Vereda que entranhada não esqueço É parte do caminho rumo ao nada.
Vendendo meus grilhões, me libertei. Os templos mais nefastos desenhei Colhendo ao meio dia a madrugada...
39
Das rosas e do espinho, num rosário, Perfumes exalando em sofrimento, Do amor que se fazendo num calvário Ao mesmo tempo luz e desalento.
Amor neste rosal, um relicário Rasgando a minha mão em um tormento Mudando o meu caminho, temerário Amor se reproduz e segue o vento.
Uma rosa se entrega ao colibri, E esconde em suas pétalas uma arma, Nem mesmo o puro amor logo a desarma.
Agora, finalmente eu percebi Beleza tão singela e traiçoeira Guardada numa lúdica roseira...
40
Das retinas cansadas, meus delitos... Não quero perceber esta saudade, Nem quero mais sonhar sonhos aflitos, Nem me perder : total ansiedade.
Teus passos são meus rastros, mas restritos Às tardes que te perco: liberdade! Demoras a voltar? Nos infinitos Procuro; embora eu saiba, seja tarde.
Meus dedos dedilhando uma canção, Lembrando do teu corpo/violão Encontra estes acordes dissonantes...
Meus versos são mordazes e gentis... Quem dera se pudesse ter teu bis; Porém os dias seguem quais mutantes...
41
Das pétalas sangrantes que levava, Colheita de um canteiro mal cuidado. O amor que tanto tempo ela esperava, Apenas um caminho malfadado.
A cada novo dia, a velha trava Falando dos enganos do passado Surpresa que esta vida resguardava Invés de algum perfume, espinho e cardo.
Quem dera se pudesse recolher A flor que imaginara, a mais bonita. Um sonho que invadindo sempre excita
Tramando da alegria este prazer Distante de seus olhos. Tentação. Porém o amor negou tal floração...
42
Das pedras insensíveis do caminho, Dessas mansas ribeiras sem destino... Não quero me encontrar jamais sozinho. Nem quero mergulhar, ser assassino,
Cortar os pulsos, livre sem ter ninho, As ondas me levaram, desatino... Os portos que deixei, já me definho... Vou de banda, pesado, torto, esquino...
Misturando essas dores com prazer, Vivendo simplesmente por viver... Não quero combater minhas tristezas,
Nem quero mergulhar nessas represas, Onde escondes fatal impaciência. Amar é destruir toda ciência!
43
Das palavras; ourives que eu invejo Um nobre sonetista em versos belos. Usando em maestria teus rastelos Talento sem igual em ti eu vejo.
Ao ler os teus poemas um lampejo De intensa claridade, passo a vê-los Tesouros valiosos que ao contê-los Encontro a perfeição que tento, almejo.
Servidos num banquete, as iguarias Que trazes em sublimes poesias Saciam os que sabem degustar.
Amigo; me permita esta heresia Que a mão de um repentista agora cria E em versos tão banais a te louvar....
44
Das velhas tempestades que passei, As sortes e presságios tão obscuros Prometem velhos céus bem mais escuros Em nada do que tive, me encontrei.
Ao homem que resiste à mansa lei Certeza de momentos bem mais duros. Porém aos corações suaves, puros, A imagem deste Pai, supremo Rei...
Nocivas tempestades, furacões, Nas mãos de quem se entrega ao Seu poder Que é feitos dos amores e perdões
Transformam-se em bonança e calmaria. O olhar tão generoso eu pude ver Derramando estas bênçãos da alegria.
45
Das velhas emoções que sonegamos Estendo no quintal o sol e a lua. A sorte meretriz já nem atua Enquanto em desvario nos amamos.
Não sendo mais cativos, pedem amos As almas que caminham nesta rua, O verso sem sentido continua Arborizando os céus que desenhamos.
Herdando quais satélites o brilho Da estrela que demonstra um andarilho E antigo coração, faca entre dentes.
Mosaicos espelhares que se nexo, Mostrando que em cenário mais complexo Retratos de nós dois são congruentes. Marcos Loures
46
Das velharias toscas, noves fora, Sobraram dez mil réis e nada mais. O beijo da pantera não demora, Quem dera se nós fossemos mortais.
Coroando a festança com sangrias Urgindo ser feliz, não temo a pressa; Estrelas que buscamos são vadias E a noite em plena luz já recomeça;
Repare no cangote da morena, Poesia maior; inda não vi. E quando com tesão; a moça acena O Paraíso em vida é logo ali...
Dadaísmo, cubismo ou aforismos Morena no meu colo? Cataclismos...
47
Das trinta mil sementes que plantei Durante estes dois anos, no recanto. Belezas sem igual eu encontrei, Fartando-me de luz em raro encanto.
Bem mais do que sonhara, debrucei Meus olhos sobre amores, raro manto No qual por tantas vezes, tropecei, Temendo, na colheita algum quebranto.
Eu agradeço a tantos que não posso, Sem ser injusto, citar nome aqui E em todos, maravilhas eu bebi
Por isso é que repito enquanto endosso Com todo o meu ardor de repentista Louvores que hoje faço a cada artista. Marcos Loures
48
Das trevas que vivemos, no passado; Das dores incrustadas, sem alento. Tremula nosso sonho extasiado, Salvando da tormenta num momento...
Escuto tua voz tão redentora, No meio da tempesta que aproxima. Uma amizade em paz, tão duradoura, Retoma meu caminho em mansa estima...
Mereço uma amizade tão profunda? Por vezes me indagando sem resposta, Da solidez que sempre se oriunda, A vida em amizade é mesa posta.
Amigo, me perdoe se fugi, Os mares me trouxeram, eis me aqui!
49
Das noites sepulcrais, revivo, pasmo; Grilhões que me maltratam, são quimeras... Vivendo num caótico marasmo, Não quis a parcimônia com que esmeras
Os casos teus de amor. Entusiasmo Contido, sentimentos sem panteras Nem garras, sem dentadas nem sarcasmo. Amor que não promete loucas feras!
Distante de teus olhos, alma exora... Presume teu perdão, com galhardia. Preciso refazer meu mundo agora,
A dor desta saudade me alucina! Não deixe-se acabar a fantasia, Rebenta tais grilhões d’amor Cristina!
50
Das noites que tivera; sim me lembro, Dos olhos tão tristonhos e distantes; Duros dias sofridos de setembro, O peso desta vida nos semblantes...
Passando por momentos dolorosos, O peso da saudade machucava... Os sonhos se tornaram pavorosos. Um mar de solidão se aproximava...
Mas quando te encontrei, tudo mudou. Teus olhos de promessa e de aconchego, Vazio coração reflorestou Da tempestade e dor, fez-se o sossego...
Setembro que me trouxe uma quimera, Termina nos teus braços, primavera!
51
Das Ninfas que desnudas, já se banham Nos lagos tão distantes do meu sonho, Encantos e desejos, eu proponho, Porém desilusões torpes me entranham.
As néscias madrugadas que me apanham Num flagrante momento mais bisonho, Fantasiam um mundo tão risonho... Trevas da realidade, sempre ganham...
Áureas sensações, somente enganos. Ao olhar sonhador, escuridão Penumbras dentro da alma, tão somente.
As nuvens que dos céus tomam os planos, Sobejas em terrível multidão, Acordo, solitário, novamente... Marcos Loures
52
Das montanhas mineiras, proteção; A mãe que nos pariu e nos consola. Nas mãos a mansidão de uma viola, Nos olhos alegria e compaixão...
Riqueza se contrasta com sertão, A voz que libertária até se imola, Enquanto em poesia, a alma decola, Vagando pelo etéreo, na amplidão...
Orgulho que em seu povo já se entranha, Mirando muito além de uma montanha Sabendo quanto é belo este horizonte.
Se às vezes me envergonho; brasileiro, Meu peito vangloria-se, mineiro, Bebendo desta imensa e férrea fonte...
53
Das minhas sensações tu és senhora, A dona de meus sonhos, de meus passos, Te quero minha amada, sem ter hora, Deitado calmamente nos teus braços Desfruto deste amor que, sem demora, Amarra a minha vida nos teus laços...
Tinindo no infinito um som veloz, Cometas percorrendo nosso beijo.. O gosto de te ter, ser tua foz Aquece todos sonhos que pré vejo. Ouvindo em minha cama, a tua voz, Aumenta por demais o meu desejo..
E sinto-te rolando em nossa cama, No fogo que se explode em forte chama...
54
Das minhas esperanças, o regresso Voltando das batalhas, duras lutas. O quanto eu te ofereço, agora eu peço, E sei que temerosa, já relutas.
Presságios que tivera; traiçoeiros, Marcaram cada dia em tua vida. Deitando a solidão nos travesseiros A travessia; eu sinto, está perdida.
Mas tendo alguma luz ao fim de tudo, No túnel feito em tempo e temporal. Do quanto que desejo, resto mudo, Olhando imenso mar, descomunal.
Sonhando com desditas e falências, Eu penso ter cumprido as penitências... Marcos Loures
55
Das Minas Gerais Eu trouxe este sonho De ter sempre mais, Um mundo risonho,
Aonde jamais Vivesse tristonho, Já me satisfaz Amor que proponho.
Falar de amizade De queijo e de broa A felicidade,
Tão perto revoa, Na roça e cidade, Eta coisa boa!
56
Das mágoas que causei-te, meu amor, Guardadas num recanto da lembrança. Vencendo as tempestades sem pavor, Vivendo simplesmente da esperança.
Alcanço teu olhar e já me aparto, Me afasto de teus lábios, mas te quero... Amor que se partiu deseja um parto, Renovo os sentimentos, sou sincero...
Amada essa certeza me acompanha, Eu quero me entregar aos teus caminhos.. Nas águas desta vida amor se banha E sonha com montanhas de carinhos...
Desculpe se te causo algum rancor, Querida; peço; aceite o meu amor!
57
Das ondas deste mar intensidade Que tanto desejei em nosso amor, Deixando a sensação de um bom torpor O quanto de prazer diz da vontade.
Enquanto a areia branca uma onda invade Deitando junto a mim já vem compor Paisagem deslumbrante ao meu dispor Delírio em meio a tal serenidade.
Somemos os pedaços, união, Venceremos dilemas e procelas Enfrentaremos juntos o tufão
Do amor que agora em luzes queres, selas, A tenra maravilha de saber, Ter toda a paciência pra colher!
58
Das nuvens que enegrecem nosso céu, Dos raios e trovões que nos assustam, A natureza cumpre seu papel Bem mais do que tristezas já nos custam.
Ao ver-te aborrecida, ensimesmada; Pergunto-te qual causa tem a dor; Por vezes me respondes quase nada Mas sei quanto tu sofres tal temor;
Da vida que querias mas não veio, Das tempestades tantas que passaste. Perceba, minha amiga, que o esteio Da vida, posso até dizer uma haste;
Que sempre nos apóia e nos transforma: Numa amizade; amor já toma forma...
59
Das noites tão frias Sozinho no quarto, Promessa de dias, Que penso e descarto
Sem ter alegrias De dores tão farto, Porém me darias Carinhos de fato.
Amiga agradeço A sorte que dás, Será que mereço
Todo esse carinho, Que sempre já traz Calor em meu ninho...
Marcos Loures
60
Deitando meu amor em mansa rede Não quero mais problemas nem rancores, A boca que se entrega em tanta sede Procura nos teus lábios sedutores
A fonte inesgotável de prazer, Fazendo de teu corpo porto e cais. À noite lado a lado eu posso ver Momentos fabulosos, magistrais.
Estampas num sorriso o que tu queres, Recíprocas vontades, disso eu sei. Festança no banquete em mil talheres Durante a vida inteira, amor; busquei,
Do amor que feito luz em nós incide Já tenha uma certeza, não duvide.
61
Deitando junto a ti carinhos tantos, Vontade de ficar sempre ao teu lado, O olhar há tanto tempo enamorado Vislumbre sem igual, fartos encantos.
O amor que emoldurando belos cantos Permite acreditar que, do passado Futuro fabuloso anunciado Vencendo com ternura vis quebrantos.
E a gente não consegue disfarçar O quanto nosso amor já nos faz bem, E quando o amanhecer sublime vem
Tocados pela intensa luz solar, Sentimos quanto é bom poder dizer Do amor que nos mantêm em seu poder...
62
Deitando esta vontade, claramente Escrevo no teu corpo meus prazeres. Sentindo todo o fogo num repente, Esqueço os meus problemas e afazeres.
Amor que não se aprende no colégio, De fato é nosso prumo, nossa meta. Amar é com certeza um privilégio, Quem dera se eu pudesse ser poeta,
Cantar o nosso amor que não tem fim, Razão de minha vida. Determina O rumo que encontrei, melhor pra mim Na fome insaciável que alucina.
Vibrando de prazer e de loucura, Amor, o meu destino, já moldura... Marcos Loures
63
Deitando em teu leito Amor mais voraz Estar satisfeito Mas querendo mais.
Mansinho, com jeito, Amor que me traz, Carinho perfeito, Corajoso, audaz.
Carícias e beijos, Vulcão, relampejos Querendo te ter,
Demais, teu prazer, No gozo, sedento, Amor violento. Marcos Loures
64
Deitando em nossa cama maravilhas Esqueço dividendo e crediário Amor em loucas sanhas, riscos, trilhas, No fogo que se mostra um bem diário.
Balões rondando a noite, em tal festança, Quadrilhas dançarinas, claras francas, O quanto nós trançamos nossa dança Depois de certo tempo me desancas.
Tomando em tua boca o meu quentão Salvo conduto encontro em tuas pernas, No jogo que se faz ebulição As horas sem limites são eternas.
Asperges fantasias nos meus olhos Encontro as alegrias, colho em molhos... Marcos Loures
65
Deitando sobre a relva da esperança Amor tanto nos salva quanto embuste. Por mais que a gente queria até deguste Cupido faz a mira e joga a lança.
Enquanto a poesia nos alcança O amor além de tudo o que mais custe Fazendo em nossa vida tal ajuste Motivo mais sublime sem pujança.
Preparando o seu bote não nos deixa Vencendo em alegrias qualquer queixa Madeixas da ilusão nos recobrindo.
Abrindo o coração sempre contigo, Não tendo sequer tempo pro perigo Eu vejo um novo dia audaz e lindo... Marcos Loures
66
Deitando sob estrelas, lua mansa, Amor já determina a caminhada Enquanto a fantasia aqui se alcança A boca desejando ser beijada.
Além do que pensara uma esperança Imagem desta Deusa desfraldada A Musa dos meus sonhos, na lembrança Adentra em emoção a madrugada.
E vejo o amanhecer tão deslumbrante Do lado de quem sempre desejei. Que tudo seja sempre fascinante
Diante deste corpo magistral O amor nos ensinando traz em lei Encanto com certeza, sem igual... Marcos Loures
67
Deitando nos teus braços meu remanso Cabocla sertaneja, um gozo, um riso. De tudo o que eu mais quero eu afianço Está neste teu corpo mais preciso.
Ventando sobre nós a mansidão O campo se promete em verde intenso. Vencendo toda angústia e solidão No quanto eu sou feliz agora, eu penso.
Fumando o meu cigarro, o peito aberto, Alertas entre espreitas e tocaias, Do rumo que pensara ser incerto Encontro finalmente mar e praias
Deitando o nosso amor em lua cheia Castelos construídos são de areia...
68
Deitando no teu colo com ternura, Sentindo a luz chegar à minha vida, O vento da esperança me murmura Palavra tão macia e decidida.
Clarão que iluminando a noite escura, Demonstra a sorte plena e mais querida Vencendo a caminhada amarga e dura A cada nova etapa já vencida
De quem tendo o seu mundo desbravado Tem o canto ao amor já consagrado Em versos e palavras redentoras.
Sabendo do final de cada história Ao pressupor assim farta vitória Encontra na amizade tais escoras. Marcos Loures
69
Deitando neste chão, te peço colo, Embora nada mais tão obsoleto Fingir que tão sozinho já me enrolo, Não passo, sem te ter, simples inseto.
Mas vejo nos teus olhos a promessa De termos espalhados nosso sonhos. De tudo que carrego, uma remessa, Levando por caminhos mais risonhos...
Acordo sem teus braços e me queixo De amor que não possuo mas desejo. Rolando nestas águas, triste seixo, Espera ansiosamente por um beijo.
Que tanto prometeste mas negaste, Amor para crescer pedindo uma haste
70
Deitando meu prazer em teu prazer Vibrando de emoção e de alegria Sabendo o quanto é bom poder viver Amor que nos fartando a cada dia
Permite sempre um novo amanhecer No gozo da perfeita sintonia. Querida é necessário te dizer Do amor que há tanto tempo eu bem queria.
Sacio meus desejos e vontades, Enquanto te aconchegas junto a mim. Nos olhos de quem amo, claridades
Que trazes com sorrisos. Sendo assim Que Deus sempre te faça a companheira Que um dia imaginei; a derradeira... Marcos Loures
71
Deitado nos teus braços, tão serenos, A noite vai passando calmamente. Distante dos perigos, dos venenos, Meu barco singra o mar e assim pressente
Os cais que tanto quis, bem mais amenos Vivendo em calmaria, de repente, Sabendo: ser feliz se faz urgente, Percebe deste amor, os seus acenos..
E vai sem ter nem dúvidas nem medos, Na busca pelo sonho mais audaz De ter na vida inteira a plena paz.
Sabendo conhecer os meus segredos, Afasta para longe, a tempestade, Amor a traduzir felicidade ! Marcos Loures
72
Deitado no teu colo, olhos fechados, Querendo teu amor e proteção... De tantos os caminhos machucados, De tanta e tão profunda decepção...
Eu peço teu abraço e teu consolo, Eu quero tua boca tão macia. Na doce mansidão, gostoso colo. Tem tudo o que procuro; a fantasia.
Amiga derradeira; tão querida... Teus braços acalantam meu cansaço. Durante boa parte em minha vida, Nossa amizade foi de intenso laço...
Te quero tão eterna, todo dia. Amiga e tão amada poesia!
73
Deitado no colchão, macias plumas Espumas e sensíveis sedas, rendas... Meus versos em delírios tudo esfumas Nos risos e nos gozos, oferendas...
De tantos espetáculos vestígios Deixados nesta cama sem cuidado... Amores que se foram já prodígios Aos poucos vai ficando mais calado.
Mas sinto teu amor, sempre singelo Em torno dos meus sonhos, seus contornos. Refletem nosso caso, vivo e belo, Mas órfão, precisando mais adornos...
E sinto que também pensas assim, Queremos novas danças, mais festim...
74
Deitado neste leito perfumado, De rosas, alecrim; logo reclinas. Me sinto em teu aroma, apaixonado, Essências maviosas, tão divinas...
Soltando teus cabelos, bela crina; Descubro na nudez, os teus mistérios... A boca tão fremente; desatina; Esquece de cumprir quaisquer critérios....
Eu pouso em tua boca um longo beijo, Suspiros de ventura e de prazer. Sonhando com teus lábios eu versejo E tenho tanta coisa por dizer...
Falar de meu amor, tão deslumbrante, Embarco neste sonho delirante!
75
Deitado em teu regaço tão macio Ouvindo esta canção que me acalanta, As águas vão descendo pelo rio, Aguando em suas margens, cada planta, Assim como este sol que esquenta o frio Assim como a saudade não me espanta, Meu coração batendo tão vadio, Sentindo o teu carinho já se encanta E se acomoda manso no teu colo, Sentindo tuas mãos nos meus cabelos, Os sonhos mais bonitos vou vivê-los Fechando os meus olhos, me consolo... E sinto que sou forte, teu guerreiro, Teu par, amante, eterno companheiro...
76
Deitado em minha cama um baby doll, Envolve tuas formas generosas. No bronze que ganhaste sol a sol, As carnes se mostrando belicosas,
Cantigas e mandingas de arrebol, Soando em tua boca; maviosas Repito cata-vento e girassol E bebo de teu corpo, água de rosas.
Abrindo este botão da camisola, Eu abro o teu botão rosa vermelha. Recebo o teu perfume em que se embola
Os cernes desta noite em poesia. Acendes com teus lábios a centelha Da lua que se entrega mais vadia...
77
Deitando em minha cama, mansamente, Trazendo toda a dor duma ilusão; Que viera e se fora, totalmente, Deixando em arremedo, o coração...
Deitando em minha cama, doce momento; Numa explosão de sonhos e desejos... A vida que se foi, duro tormento, Ressurge em tal loucura, nossos beijos...
Deitando nos meus sonhos, abandonos... Trocamos nos olhares, nossas vidas. Até que a madrugada traga os sonos, Recuperamos luas esquecidas,
Amores esquecidos, maltratados... E num milagre de amor; ressuscitados!
78
Deitando do teu lado, eu me recolho E tramo mil vontades de prazer. Na janela trancada com ferrolho O vento vem sedento receber
Perfume que tu trazes, cada molho, Vagando a noite inteira a nos dizer Que a sorte nos mirando com seu olho Garante sempre amor e bem querer...
Querida assim percebo e mal disfarço, Ciúmes te garanto que ocultei Em sentimento vago e tão esparso
Abraço fortemente enquanto entrego Meu mundo nos teus laços, pois achei Em ti, amor no qual enfim sossego...
79
Deitando calmamente sob o monte, Sentindo o vento calmo da promessa, O sol brilhando intenso no horizonte, Beleza de um momento se confessa.
Fazendo com o Céu, perfeita ponte, Não vejo mais motivo que me impeça De ser o que sonhara e que desponte Um dia soberano. Vamos nessa!
Sorrindo em alegria, vago o tempo Tragando cada gota de esperança. Um novo paraíso já se alcança
Depois das cordilheiras- contratempo. E um canto em acalanto vai tomando A noite em que sonhei, te namorando...
80
Deitando calmamente no teu colo, Depois desta batalha sem ter fim. Forjando nova vida deste solo, Plantando tanta luz de amor em mim..
Granulo uma esperança formidável Nos versos irmanados, tu e eu. Ouvindo teu carinho, tão amável, O medo de morrer, enfim, morreu...
E quero ser semente que engravida A vida sem temores que propomos; Tristeza nada faz, morre esquecida, E como da alegria, tantos gomos.
E quero lambuzar-me neste sumo Perder, no teu quintal, meu senso e rumo...
81
Deitando a solidão em minha cama Esconde logo a lua que inda teima, Do amor que fora um dia guloseima Vivendo em descaminho, perco a trama.
Apenas a saudade vem e chama Tristeza no meu peito sempre queima Trazendo para o olhar a velha teima, Que cisma em maltratar enquanto inflama.
De todos os duendes, gnomos, fadas Que um dia povoaram os meus sonhos, O vento traz em outras baforadas
O rosto tão somente de ninguém; Em meio a versos tristes e medonhos, Agora tão vazia a noite vem. Marcos Loures
82
Deitados nesta rede ou numa esteira, A tarde desfilando seus azuis Distante o rádio toca um velho blues, A noite se anuncia alvissareira.
Dois corpos que se tocam com carícias Detalhes descobertos pouco a pouco, O gozo prometido, manso ou louco, Entregues sem temor, fartas delícias.
Realces de sobeja precisão, Amor anunciando inundação Sem margens que limitem correntezas.
Nas doces corredeiras, mil cascatas, Embrenho sem pudores tuas matas E encontro estas fantásticas belezas..
83
Deitado sobre as pedras; vejo a lua Eterna soberana, no horizonte, Derrama suas luzes pelo monte E como deusa impávida flutua.
A lenda das sereias se cultua Na areia prateada, bela fonte De todos os desejos. Nesta ponte Presente com passado continua...
E as ondas, o marulho... Céu e mar. Certeza de dormir e de sonhar, As conchas são colares perolados
E a moça se debruça sobre mim, Andrômeda, mergulho e vejo enfim Tesouros por Netuno abençoados...
84
Deitado sobre a areia nessa praia, Roubando cheia lua, o seu luar. O vento mansamente, tudo espraia, Deixando meu amor me navegar...
Presença carinhosa destas ondas, O canto deste mar; traz a sereia, Mil luas todas plenas tão redondas, Brindando tanta prata nessa areia...
Eu sinto teus desejos aflorados, Nos beijos que pedi; doce umidade, Amores reproduzem; delicados, O que sempre pedi: felicidade...
Eu quero me integrar nesta paisagem, Mirando em teu olhar, bela visagem...
85
Deitada no divã em sua alcova Espera com frescor, alegremente. A vida que na vida se renova Revolta, transtornando tolamente...
Pertence aos teus encantos branca lua. Divina em placidez angelical, Espelha essa beleza quase nua Caminha em minha cama, sensual...
Amada nos vergéis por onde passas, Espalhas tantos brilhos delirantes, Mal vejo os teus passos, pois disfarças, Em meio a tantas sendas verdejantes...
Amada nas estradas e cascatas, Despontam tuas luzes, serenatas...
86
Deitada nesta sala, adormecida Te vejo ressonar, tão calmamente... Amada que se fez bem mais querida E deita em minha cama, minha amante...
Ao ver sua nudez, já descortino Futuro tão tranqüilo que preciso... Amor que me invadiu desde menino, Agora reconheço em paraíso...
Eu quero te tocar cada segundo Sabendo que não tenho mais tormento Em cada nova senda me aprofundo Da boca irei sorver o meu provento...
Amando quem sonhara em juventude, Assim amar demais; mais do que pude...
87
Deitada nesta cama me provocas Com teus doces sorrisos sensuais Qual fera que procura em tantas tocas Nas suas explosões mais animais...
Derramo meus anseios nos teus seios Sem medo nem receios do que espero. Os olhos se permeiam, devaneios, Em todos os sentidos me tempero.
Eu quero o turbilhão dos teus perfumes Que encharcam meu desejo, te beber. Nas horas mais dolentes sem queixumes O teu orvalho em brasa vou sorver.
Invado tuas matas, arvoredo, Esqueço o que passei, e me enveredo...
88
Deitada na verdura do arvoredo, Desnuda sob o sol, desfalecida... Espera por carinho desde cedo, Aguarda uma esperança adormecida.
Eu sinto que tu queres tanto amor Que não posso te dar, nem receber. Teus braços que sei plenos de calor, Abraçam essa vontade de viver...
Mas amo teu amor e teu desejo, Desejo teu amor bem junto ao meu. Meus lábios aguardando por teu beijo, Teu beijo que em lábios se perdeu...
E chamo calmamente por teu nome, Entre as estrelas, nua, a lua some...
89
Deitada na minha cama, Em tremendo reboliço Acendendo logo a chama Meu amor florindo em viço,
Recomeça logo a trama, Que é feita em louco feitiço, Moreninha, amor te chama, Vem comigo que eu te atiço.
E te atirando pro leito, Em cetins, nosso dossel, Meu amor tão satisfeito
É caminho para o céu, Mas venha de qualquer jeito Desde que entorne teu mel...
90
Deitada entre meus braços adormeces, Adornas minha casa, bela dama. Tecendo no teu corpo raras preces, Acende neste outono a nossa chama.
Vasculho por segredos, tua pele, Encontro as mais suaves maravilhas. A cada novo ponto que revele O quanto são divinas tuas trilhas
Percebo que não tenho mais saída, Sou teu e nada além. Vivo feliz. Em tuas mãos entrego a minha vida. Prazeres que se buscam, peço bis.
E assim amor se faz devagarinho, Suavemente e manso, com carinho... Marcos Loures
91
Deitada, quase nua, toda exposta... Nessa janela aberta tantos sonhos... Distraída, merece toda aposta Dos corações vibrantes, tão risonhos...
Eu sonho com seu corpo transparente. Maldades da janela, meu desejo... Quem dera ser vizinho, até parente, Desta beleza toda que hoje vejo...
Menina não maltrate tanto assim... Deitada nesta cama ...Que tortura! Transborda quase tudo, que há em mim. Nos sonhos desta moça, u’a aventura...
Daria; na verdade, todo um mundo.. Entrar naquele quarto, um só segundo!
92 Deitada sob a lua, nua em pelo, Coberta pelos raios desta lua, Ao vê-la não resisto ao teu apelo E a saga de querer-te continua...
Te beijo, delicado e desejoso, Meus lábios percorrendo teus caminhos Até te conhecer, voluptuoso Sorvendo cada toque, mil carinhos...
Na areia, sob a lua, sob o sol, Coberta por meu corpo, alas abertas, Eu sou teu mensageiro, o teu lençol
E trago mil prazeres, não se espante. As nossas peles nuas, descobertas, Entornam-se em delírios, neste instante... Marcos Loures
93
Deitada num dossel, és virginal, A deusa dos amores te deu luz! Montado em meu corcel, no longo astral, Caminho transtornado. Me seduz
O lume que emanaste neste umbral Do castelo dos sonhos. Andaluz Cavalo a me levar, na sideral Trilha, o teu brilho sempre me conduz!
A vida, sem demora me deu vez, O campo das estrelas no infinito... A morte de meu mundo se desfez,
O tempo sem querer me deu seu rito. Emocionado solto um berro, um grito, Envolto em tal pureza, minha Agnes...
94
Deitada no jardim, qual flor mais bela, O sol vai bronzeando tua pele. Olhando-te o desejo me compele Nesta nudez divina que revela
Um quadro magistral em rica tela, Quem dera se meu corpo ao teu se atrele E o tempo por momentos se congele No amor que assim cavalga, sem ter sela.
Não vês minha chegada, nem percebes Que estou perto de ti, tão distraída... Num beijo delicado, sigo as sebes
E toco tua carne, assim querida. Com um sorriso manso me recebes E toda a resistência está vencida...
95
Deitada no divã enlanguescida O vento ter assoprando, delicado... Percebo esta delícia em minha vida E me sento; sereno, do teu lado.. Sentindo as vibrações que logo emanas Roçando o teu cabelo com meus lábios... Depois de minha ausência por semanas, Meus dedos te vasculham; são bem sábios... E quando, ao perceber que te entregaste Aos meus carinhos; beijo tua boca, Percebo que também o desejaste E a tarde terminando, nua e louca... Mulher por quem sofri, amei; um dia, Amante, deusa e musa: poesia!
96
Dei um chute no saco de Cupido! Cansado desta peste que não pára. É seta que me fere e desampara, Inda se ri, safado pervertido!
Não quero mais um beijo deslambido De quem com ironia me escancara Sorriso com sarcasmo e se faz cara, Num gesto em desamor envilecido.
Fazendo que não quer o que deseja Mostrando sob a saia um cadeado. No beijo que pensei tivesse dado,
Um dardo sem juízo já me alveja E vendo o resultado desta farsa Percebo no moleque, o teu comparsa.
97
Defesa de mineiro é o come quieto, Porém nós somos mais que algum objeto, O fato mais real e até concreto É que não trago aqui mais desafeto.
Se às vezes eu sou franco e até direto, No quase cometido me arremeto, E faço das palavras de um soneto As cinzas que sobraram do meu teto.
Jamais suportaria algum decreto, Que trague desde sempre corte ou veto, Prefiro ter morrido quando feto.
Caminho pelas ruas, vou discreto Buscando o meu futuro mais dileto Nas mãos do velho engano, o predileto...
98
Deitada em sua cama, tanto sonha; Carinhos prometidos, delicados... A noite se deseja mais risonha, Trazendo seus amores ansiados...
Na seda dos lençóis, perfumes, rendas, O gosto deste amor que sempre quis. Sonhando um beduíno, oásis, tendas. Percebe que não custa ser feliz...
Detrás de uma cortina, a clara lua, Vem invadindo o quarto, mansamente... Beijando sua pele quase nua Roçando a camisola transparente.
Olhando extasiada para o céu, Sonhando com amor do seu corcel!
99
Deitada em solidão no apartamento Espera quem se fora há tanto tempo, Depois de tão cruel apartamento O dia vai passando em contratempo.
Não tendo mais palavras pra dizer, Esquecida num canto desta casa, Apenas encontrando algum prazer No jogo de esconder a dura brasa.
A moça se permite em mil delírios Pensando no que fora e não voltou, Amores na verdade são martírios Há dias que, percebo, ela notou.
Em nome da amizade, eu te garanto, Ajudo a dirimir teu triste pranto...
4600
Deitada em meio a sedas e cetim Espera ansiosamente pela lua Que sobe pela escada plena e nua, E lambe sua boca. Sempre a fim
De todo este prazer que chega enfim Depois de tanto tempo em vaga rua, Matando o seu desejo, ela flutua E entrega-se com fúria. É bom assim.
Saber da companheira mais fogosa, Fomentos de loucuras e vontade Sorvendo com delírio em claridade,
A lua junto dela, maviosa, Lábios abertos mãos em liberdade, Num ato de loucura, a moça goza...
|
|