
MEUS SONETOS VOLUME 043
Data 02/12/2010 08:14:44 | Tópico: Sonetos
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Converto cada verso num verão Que os olhos não verão amor jamais Há mais do que talvez uma versão Versando sobre mares mata o cais.
Casebres entre as sebes do sertão Ser tanto quanto eu quis e nunca mais, Quermesses e promessas negação Ação que em reação fere demais.
Embaralhando os passos, lassos laços Nos aços dos punhais os teus olhares Arejas nas arestas feitas braços
Cadarços desamarras no tropeço Se impedes o que peço teus luares São mais do que pretendo e até mereço... Marcos Loure
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Convertes nas veredas tropicais, Os sonhos que tiveram nossos pais. Barqueiro que jamais esquece o cais, Velejas seus veleiros, pedes paz...
A morte não percebe e tanto faz, Amar quem já amei, penei demais.. Carpidas tantas mortes, imorais, Mentias quando vias seus sinais...
Os olhos que não cegam pedem mais; América procura ser capaz, Os rios que perdi mananciais,
Os medos que causaste vis, boçais. Os trastes que legaste são portais O continente, nova vida traz... Marcos Loures
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Conversa sempre assim mal resolvida Depois de tanto tempo gera o nada. A noite vai passando e na calada Escuto esta mentira repetida.
A farsa se entranhando em nossa vida, Derruba com certeza alguma escada, Jogando o sentimento na calçada Encontra a velha paz tão distraída.
Amor necessitando de um apronto Esclarecendo tudo ponto a ponto, Senão sinto apagar-se a velha chama
No amor que já se fez mal entendido O dia com certeza é mais comprido, Deitando a solidão em minha cama. Marcos Loures
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Convenço-me; decerto eu tenho sorte Perene sensação de medo apóia O fato de saber distante a jóia Que um dia me trará profana morte.
Sereia que se nega ao manso corte, Regressa e como fosse paranóia, Minha alma transparente não mais bóia E encontra no vazio quem suporte.
Brincando com a lúdica esperança Amarga-se a ventura de não ser, O vértice dos sonhos não se alcança
Somente por talvez ainda crer No quando que não veio nem virá, O amor procuro aqui, ei-lo acolá... Marcos Loures 5
Conturba enquanto acalma toda a gente O corte tão suave da navalha O fogo que se mostra de repente Num momento maior assim se espalha.
Não vendo sequer credo, cor ou raça Amor é tempestade redentora. Vigia enquanto toma toda a praça Felicidade intensa e sofredora.
Algoz que amaciando nos domina, Estrela desabada em noite escura; Transborda em mar imenso a calma mina, Amaciando a pedra outrora dura.
Amor sem ter juízo, em sanidade Permite que se mude a humanidade... Marcos Loures
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Contrariando toda previsão Que há tempos se mostrou desfavorável, O solo com certeza mais arável Permitirá divina plantação.
Amor que se traduz em plena ação Não deixa algum segredo inviolável, O certo sobrepõe-se ao improvável E a gente bebe o manso ribeirão.
Cardumes seguem líderes, eu sei, Por isso é que te sigo em toda grei Estrela sedutora que me guia.
Acordo de manhã e te procuro, E mesmo que eu encontre algum apuro Depuro o coração com poesia...
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Contorno de teus lábios sobre mim Marcando com batom, a minha tez. Delícia de viver amor sem fim, Tatuado por total insensatez
A marca de teu beijo, carmesim, Mostrando quanto amor a gente fez A vida inteira imersa num festim, Lembrado com carinho em toda vez
A marca de teus lábios representa A rota de um amor sem ter limites. Amor que não aceita mais palpites
Paixão que nos tomou, tão violenta. Minha alma desejosa assim flutua E beija a tua pele, inteira... nua. Marcos Loures
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Contorno com meus sonhos o infinito E chego, finalmente aos braços teus, Depois de tanto tempo, em frio adeus O amor se renovando, agora eu fito.
Da dura compleição deste granito Que um dia se mostrou nos olhos meus, Na crença da existência deste Deus Na força deste encanto eu acredito.
E vivo tão somente por poder Saber que existe em ti tanto prazer, A Musa dos meus versos, minha amada.
Aos céus vou galopando num segundo, Raiando em teu olhar, o amor profundo, Ao Éden desejado, rumo e escada... Marcos Loures
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Contigo, amor, irei onde quiseres, Teus passos seguirei por toda a vida. Persigo assim teus rastros, caracteres, Pois sei que decifrei sorte perdida. Aguardo-te do jeito que vieres, Pra sempre tu serás bem recebida,
Não sabes quanto quero o teu querer? Não sabes que não vivo mais sem ti? Momentos tão fogosos de prazer Contigo, minha amada eu conheci. Não posso mais pensar sequer viver Sem ter tua presença sempre aqui.
Vivamos nossos dias sem temores Tomando em nossos corpos, bons licores...
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Contigo seguirei para onde fores, Embora continues tão distante, O final se aproxima ao mesmo instante Deixando entre seus passos, mil horrores.
Pudesse amenizar as minhas dores, Procuro na gaveta algum calmante, Por mais que a tempestade se agigante, Ainda teimo em campos, perco as flores...
Nas mágoas que carrego, esqueço as rosas, Que outrora imaginara tão viçosas E agora, vão murchando no jardim.
A angústia me entorpece e me alivia, Na morte vejo a paz e a noite fria Espalha seus granizos sobre mim...
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Contigo pelas praias do desejo, Espero a chuva mansa e num respingo Beber a maravilha de teu beijo, Das dores do passado assim me vingo.
O mar em mansas ondas nos tocando, Ouvindo este marulho, uma alegria, Andorinhas desfilam, vão em bando, Numa esperança igual, amor nos guia.
Mãos dadas, olhos fixos no futuro, Dois pássaros libertos da gaiola, Não temem mais o céu, mesmo que escuro, Minha alma junto a ti, quer e decola
Chegando ao farto brilho no arrebol, Reflexos delirantes deste sol...
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Contigo partirei buscando sendas, Nos campos, nas estradas, nas procelas. Meus olhos não suportam tantas vendas, A vida escapará de tantas celas...
Contigo partirei, por novas lendas, Nas noites que sonhamos, todas belas... No frio do deserto, velhas tendas, Nas rosas que plantamos, amarelas...
Contigo partirei minha querida, Percorro procurando nossa vida... Retiro tantas urzes do caminho...
Abraço a fera noite que me veste, Contigo partirei d’onde vieste, Contigo nunca mais serei sozinho!
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Contigo irei por onde caminhares Trilhando as mesmas sendas, ermos prados. Os passos não serão desencontrados. Por todos os destinos e lugares.
Profana serventia em lupanares Dos sonhos que vivemos com bons grados E mesmo quando inúteis, fenestrados, Os tetos entre lumes, constelares...
A noite que sombria, sempre traz O vento da agonia; insegurança, Teu rosto em harmonia e temperança
Numa expressão pacífica é capaz De dar o lenitivo necessário, Vencendo um pesadelo temerário... Marcos Loures
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Contigo eu tenho tudo o que bem quis, Um velho trovador escuta a voz Do amor que se mostrando dentro em nós Transforma este marujo em aprendiz.
Grumete da esperança, eu sou feliz Mesmo sabendo ser amor algoz Retiro dos meus olhos ledos pós Esqueço a mais temida cicatriz.
Maturidade traz experiência? Eterna juventude não se cansa Fazendo rebrotar a mocidade.
Por mais que alguém traduza por demência O amor se renovando em confiança Permite perceber felicidade... Marcos Loures
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Contigo eu estarei a cada verso, Nos sonhos que te embalam, fantasias. Por mais que o mundo seja vil, perverso, Eu dourarei teus passos, alquimias...
Derramas no infinito do universo O brilho das sublimes poesias, Unindo sentimentos tão dispersos Encanto incomparável, sempre crias...
Amor que engrandecendo, me agiganta Vontade de te ter, querida, é tanta Que nada impedirá, tenha a certeza.
O passo decidido, vou em frente, Na fonte deste amor, onipotente Trazendo todo encanto que se preza... Marcos Loures
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Contigo eu consegui tudo o que quis Um velho caminheiro, outrora triste, O amor; agora sinto que persiste Mudando um velho céu, novo matiz.
Quem sempre se julgara por um triz Percebe que esperança inda resiste No amor que eu encontrei e sei que existe Em cada novo dia, peço bis.
Vestindo meu sorriso nos meus lábios, Os sentimentos magos, doces, sábios, Fagulham e latejam, coração.
Qual fora uma verdade que ocultasse A vida não permite mais disfarce Rondando toda noite, em sedução...
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Contigo eu aprendi como viver, Depois de tropeçar em tantos erros, Vislumbro o mais sublime amanhecer No sol que surge sobre os altos cerros, Erguendo o meu olhar eu posso ver Aprisionadas dores, firmes ferros.
No aço do punhal que me ferira, Há tempos esquecido sobre a mesa. O amor acende em fúria, eterna pira Deixando para outrem qualquer tristeza. A terra em carrossel, não pára e gira Mudando o rumo desta correnteza
Sabendo neste amor, a direção, Enfrento com destreza, o furacão. Marcos Loures
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Contigo debruçando em lua bela, Nos raios de luar já nos banhando Seguindo o teu desejo, guia/estrela; Sentindo esta vontade anunciando
O fogo da paixão que se revela Despindo, bem sabendo aonde e quando Puder ter a loucura que se atrela Em nossas noites tesas, nos guiando...
A boca te sugando se completa Nos lábios mais audazes e gostosos, Tua nudez se mostra mais dileta
Rainha dos desejos prazerosos, E a natureza em festa se repleta Em convulsões, delírios, nossos gozos...
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Contigo a vida inteira, ficar junto, É disso que eu preciso e te asseguro, Não tenho em minha vida, novo assunto, Vivendo o nosso amor, sincero e puro.
Escuros que deixei há tanto tempo Decerto descaminhos conhecidos. Dispenso com franqueza o contratempo, Em paz os meus algozes convertidos.
Extremas ilusão tanto maltratam Enquanto a realidade é sempre crua. Porém os sentimentos se resgatam E a vida, sem remédios, continua.
Não quero em nosso amor mais ingerências Já basta de torturas, penitências... Marcos Loures
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Contigo a vida ganha novo viço, Encontro finalmente o que buscava. O amor interminável que eu cobiço Não sabe em seu caminho, qualquer trava.
Em plena liberdade, prosseguimos, Sem nada que nos cale, nem impeça. Timões dos nossos barcos; conseguimos Trazer na mesma rota, peça a peça.
Alvissareiro sonho que desfruto A cada novo dia, mais te quero, Bendito seja sempre o caro fruto No amor que em minha vida é bom tempero.
Sabendo dos janeiros que passamos, Libertos, sem grilhões, senões ou amos. Marcos Loures
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Conterrânea de Uberaba Dos teus versos eu sou fã, A saudade não desaba E renasce de manhã
No palacete ou na taba, Renovando o seu afã, Feito bicho de goiaba Com vontade de maçã.
Coração mineiro tem O tamanho deste trem Que sempre, à tardinha sai,
Mensageira da esperança Nos teus versos com pujança O meu peito grita : UAI... Marcos Loures
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Contente deste amor que o peito abriga Em meio a tantas luzes que passamos. Querida, me permita, então que diga, Do quanto que vivemos, nos amamos...
Não tenha mais o medo que impedia Os passos que precisas conhecer. E venha, vamos juntos para o dia Que teima e necessita amanhecer.
Não vejo que tua alma se acovarda Entendo teus momentos sem coragem, A noite que virá inda se tarda Podemos começar nossa viagem.
Eu sei dessas amarras, não reclamo, Aos poucos vou dizendo que eu te amo!
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Contendo todo amor que outrora eu quis Senhora dos meus sonhos, amante amiga, Do medo não restou nem cicatriz, Ausência não passou de mera intriga.
O tempo de sonhar se faz agora, Coletando as estrelas mais distantes O quanto em maravilha se decora Fazendo das tristezas vis farsantes.
Bem antes do que tenho em alegria, Andara pela vida, simplesmente, Ao ter bem junto a ti vital magia Felicidade plena se pressente.
Vivendo com certeza, raras glórias. Arcando com meus erros e vitórias.
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Contendo em minhas mãos esta esperança Menina bem travessa faz a festa, O quanto que eu já tive, a vida gesta Deixando o bom sabor de uma festança.
Uma esperança a mais amor alcança E adentra qualquer pântano ou floresta Loucuras de prazer, amor atesta E a noite se permite vir mais mansa.
Joguete dos sentidos, riso e pranto, Do quanto necessito, eu não me espanto Escravo consciente da paixão.
Na força imorredoura deste sonho, A cada novo verso eu te proponho Fartura de esperança e de emoção. Marcos Loures
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Contemporâneo como uma vitrola, O velho coração de um trovador; A faca que tão velha não se amola, Jardim que, sem adubo, mata a flor.
Guardando as ilusões nesta sacola, O vento nunca esteve ao meu favor, Desejo de sonhar, o tempo imola, E nada restará. Nem vou propor.
Seria o verso tolo de um poeta, O inerte companheiro de viagem. O quanto a fantasia me completa
Servindo como encosto, inda me guia, Por mais que as esperanças não me trajem Componho este fantasma em alegria.. Marcos Loures
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Contemplo o teu olhar, e vejo o brilho Do sol que sempre estampas num momento. Vencendo toda a dor e o sofrimento, Percorro em santa noite, um doce trilho.
A vida disparando o seu gatilho Nesta paixão que entorna em sentimento, Deixando para trás, ressentimento, Embrenho em teu olhar sem empecilho.
Não falte para nós amor e sonho, Em versos dedicados, sempre ponho Meu barco nos teus mares, meu destino.
Depois de certo tempo, sem domínio, Vivendo loucamente tal fascínio, Refaço a mocidade, sou menino... Marcos Loures
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Contemplando-te esqueço de querer A mim mesmo me perdendo em tal beleza Que faz todo o sentido se perder Nos braços de quem fora, com certeza Aquela que deu gosto ao meu viver Matando qualquer fonte de tristeza..
Não tenho mais palavras, minha amada Tu és tudo o que quis sempre na vida. Ao sentir os teus passos nesta escada Percebo que esta sorte resolvida Dará numa manhã, nova alvorada Depois da noite imersa, e sem saída...
A nau que no teu corpo encontra o mar, Agora pode, livre, navegar...
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Contêm os paraísos que eu alcanço, Teus olhos radiantes e estelares. E neles garantia de um remanso Depois de vagar só por tantos bares.
O coração batendo bem mais manso Encontra refletido nos luares O brilho deste sonho em que descanso Sabendo benfazejos tais altares.
Na mansidão imensa deste lago Amor preconizando cada afago Permite que eu me entregue, prisioneiro.
Se à sombra deste sonho amada eu vivo, Eu quero ser do amor sempre cativo Sentindo este prazer mais verdadeiro. Marcos Loures
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Contando na chegada, com teus braços Do que já fora outrora um vago esboço Fortalecendo a vida em novos traços Permite que se veja tal colosso.
Nas sendas delicadas do porvir, Ao pressupor assim real grandeza Sem nada que me impeça de seguir A vida descortina a fortaleza
Que toma a nossa vida e brilhará Certeza que se mostra sem igual, Permite que se sonhe desde já Prazer de intensidade magistral.
Dourando de esperança esta amplidão, Amor já pressupõe libertação. Marcos Loures
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Contagem regressiva para o fim, Apenas uns minutos e termina. Restando alguns momentos para mim. Cuspindo e gargalhando, velha sina
De quem há tanto tempo quis assim. A mão que se fez podre me alucina Prefiro que isto tudo chegue enfim. A mente sem limites rebobina
Um backup cansativo e sem proveito. Lançando um vago olhar sobre o meu leito A merda em que vivi se refletindo
Nos farrapos expostos no colchão, Quem nasceu e viveu seu tempo em vão, Em liberdade, enfim, vai se esvaindo...
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Construo para os céus, enorme escada, E sei de cada abismo que me espera. Apascentando assim terrível fera, O jeito é refazer a caminhada
Que leva inutilmente ao mesmo nada, Secando qualquer fonte/primavera, A casa que sonhei virou tapera E a moça do sorriso, desdentada.
Enquanto a procissão já serpenteia, A lua que pensara ser tão cheia, Não passa de um riscado mal traçado.
Chegar ao fim da vida deste jeito, Amigo? O que me resta não aceito, E insiste em caminhar sempre ao meu lado...
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Constelação perdida em plena imensidão, Esquecida no céu, carrega tantas luas... O meu olhar vazio imerso na amplidão, Buscando por alguém: tolas lembranças tuas...
Noctâmbulo desejo, andante coração, Mulheres que eu amei, imagens belas, nuas... A noite se demora, alma, constelação... Meu pensamento voa... Amada... Já flutuas...
Na seara florida, as pétalas da rosa... Nos campos, o brilho... A lua, mansa, chama. Abre seus braços... Louca, a lua vaidosa,
Prateada e tão bonita, esconde o triste breu... Noturna sinfonia, arde, me queima, inflama. Pobre constelação esquecida, sou eu... Marcos Loures
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Consorte, uma princesa assim pensava, O mundo não seria montaria... A sorte que por certo imaginava, Jamais ela deixou romper o dia...
No fundo, das histórias que sonhava, A vida era sonora melodia. Mas pobre da princesa, se calava Diante de qualquer tonta magia...
De fadas, seu castelo, abandonado. A sorte quiçá nunca mais se chega. A Fera que pensava fosse um fardo,
Era, em verdade, sua companheira... A vida que pensava brincadeira, Ebúrnea e agourenta, negra pega... Marcos Loures
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Conservo o teu perfume extasiante, O cheiro desta pela que me atrai. Rolando em nossa cama, delirante, Meu pensamento voa, inda me trai.
Eu vejo esta beleza alucinante Em cada verso meu. A noite cai. Não deixo de pensar um só instante, De ti restou apenas um bonsai
Deixado nesta sala da ilusão, Como um retrato vivo deste amor Que foi a perdição e salvação.
Mas amo-te eterna e mansamente Estás dentro de mim. Nenhum temor Impede que eu te chame, novamente...
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Conquistar teu amor! Meu mais dileto feito... Andavas toda nua em um sonho divino. Guardadas no meu peito, as ânsias dum menino. O mundo em harmonia, amor mais que perfeito!
Pensava que era Deus; a deusa no meu leito... A noite em fantasia, o riso em desatino... Na tua boca o gozo... Em sonho me alucino! Não tinha nem sequer a sombra de um defeito.
Porém, a vida ensina a quem nunca cultiva. A chaga que te mostro, exposta em carne viva, Demonstra que fui tolo agindo sem pensar.
Perdi a quem amava, a quem eu tanto quis, Minha alma se transtorna, estou tão infeliz... Amor que conquistei, não soube conservar!
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Conquanto tenho tido tanto alento Nos braços de quem muito amor me guarda. A vida se transforma e o pensamento Nos traz a noite imensa. Visto a farda Do sonhador constante, num momento; Por mais que a solidão, deveras, arda; Encontro em teu carinho meu sustento. Amor quando é demais, mesmo que tarda Trará a solução para os problemas. Não deixe que emoção nunca se extinga, Amor, o meu tesouro em ricas gemas. Fazendo de meu sonho a doce lavra Plantando uma ilusão que nos respinga No verso, na canção e na palavra...
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Conluio de vontades sensuais, Flutuas nos desejos mais audazes, Enquanto em fogo intenso, amores trazes Eu quero desfrutá-los, sempre mais.
As horas que passamos, nunca iguais Momentos de ternura, mas vorazes Eu sei que, satisfeita, satisfazes, Delírios sem limites, canibais.
Troféus nesta bailado inesquecível Intensos fogaréus, céus alcançados. As línguas vão servindo como arados
Além do que pensara ser possível, O amor ensandecido não sossega E estrelas entre as pernas sonha e pega... Marcos Loures
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Conheço uma doutora, lá de Iúna Que deixa todo mundo boquiaberto, Nos versos o encanto da graúna, Que bom que mora bem aqui por perto...
Eu fico bem Alegre em te dizer; Amiga nos teus versos tal beleza Que nos dá sempre vontade de viver Acabam com a dor e com tristeza.
Aqui todos conhecem a dentista Que trata com carinho e paciência, Também já reconhecem esta artista Que tem, na poesia, competência...
Tirando-lhe o chapéu não me domino, Mil vivas para Karla Leopoldino!
Para Karla Leopoldino, grande odont óloga e poetisa
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Conheci-te, por certo, em outras eras... Andávamos dispersos pelo mundo. Perdidos conhecendo tais quimeras Que tornam nosso amor cão vagabundo...
Expostos, conhecemos tantas feras... Turbilhão miserável, giramundo... Nos palácios, mansões, grutas, taperas Rodamos universos... Eu me inundo
Do destino cruel que nos separa. A rosa que plantamos nos jardins, Em outras terras surge, rosa rara...
Os anjos que escutamos, querubins... As horas que passamos tristes fins. Na noite que dormimos sós nevara!
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Conheci num verão, u’a moça forte, Dentes e seios rijos, camponesa... Minha vida era triste, sem ter norte, Mas nada reparei, sequer beleza...
Os seus olhos castanhos, belo porte; Sorria, mansamente, sem tristeza. Estrada me levou, profundo corte; As curvas dessa vida, luz acesa.
Parti para Sergipe, Propiá, Muitos anos fiquei por lá; A moça adormecida na lembrança ...
N’outro dia sonhei com tal morena... A campesina bela e tão pequena... Me lembrei do seu nome; era Esperança!
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Conheces meus defeitos, mesmo assim Não me deixaste só na tempestade. Por mais que me encontraste já no fim Fizeste bem valer nossa amizade... Depois de tanta dor, encontro, enfim, A tão ansiada vida em liberdade... Perdido neste mundo, num confim, Recebo em teu calor, sinceridade... Amigo não se encontra por aí São pérolas tão raras, disso eu sei. Por isso, companheiro, digo a ti Nos versos; admirado e com respeito, Que eu agradeço a Deus, pois encontrei Alguém que me compreende desse jeito...
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Conhecer os caminhos , as bandeiras Saber de cada estrada e seara. As defesas em lutas derradeiras, Desfrutar da pepita bela e rara.
Penetrar casamatas e trincheiras, Convidando teu corpo, amada, para As guerras, novas danças nas esteiras, Nada; nem a distância nos separa.
Nos lençóis, no sofá ou no quintal. Bebendo à nossa glória mil champanhas, No vale, na montanha, no curral.
Descendo por teus rios, matas, mar. Adentro finalmente nas entranhas Conhecer... conquistar... colonizar...
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Conhecer as mulheres? Quem me dera... São esfinges complexas, puro enigma, Desta tão mansa flor uma pantera, A mulher nunca tem um só estigma...
É por vezes macia e tão dolente, Envolvente se quer, depois repele... Tão confusa te fala claramente, Nos carinhos suaves, pura pele...
Se tem a sutileza quer conquista, Amor tão sereno e tão simplório... Acredite se queres dar na vista, Mas que jamais invada o território...
A mulher sempre sabe o que mais quer... Inda mais na presença da mulher!
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Conhece em mansidão, doces caminhos Cantando uma alegria em tom maior, Pensando nos teus beijos e carinhos, Teus seios, tua boca e teu suor,
Deitando em nossa cama, sedas, linhos, Caminhos do teu corpo, eu sei de cor. Encontro nos teus braços, belos ninhos, De todos os meus sonhos, o melhor.
Vivendo em cada noite, um paraíso, Entrego-me aos teus beijos, teu sorriso Deixando para trás a falsidade.
A paz que eu tanto quis agora eu vejo, Além de simplesmente um bom desejo Um novo amanhecer em liberdade... Marcos Loures
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Conhece desde sempre o velho cais, A barca da ilusão na qual navego, Não tendo na esperança algum apego Eu quero da alegria muito mais.
Os dias que passamos informais Permitem que eu vislumbre enfim sossego, A solidão pedindo então arrego Não voltará, Deus queira, aqui jamais.
Conheço desse jogo, suas manhas, Amor tem nas incríveis artimanhas Uma arma que se mostra mais potente.
Porém quem reconhece o seu perfume Acende em seu caminho, claro lume Deixando-se levar pela torrente... Marcos Loures
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Congela o dia-a-dia em semi morte, Lembranças que carrego de nós dois. Por mais que uma esperança inda se aporte Não vejo nem sequer se houve depois.
Saudade refletindo neste espelho Imagens de momentos já passados, E mesmo que sabendo estar mais velho Os olhos no que fomos, congelados.
Sem ter mais ilusões, em nada creio, Entregue e sem defesas, tolamente, A bússola se perde, e noutro veio O passo se tornando reticente.
Viver deste cadáver que ontem fui. O tempo vai voando, mas não flui... Marcos Loures
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Confusos, os meus passos dão tropeço, O quanto na verdade quis e fui, De ter felicidade não se imbui Quem tenta ter além do que mereço.
A face da esperança quebra o gesso, Fratura a fantasia; e tudo rui, A roupa que eu usara o tempo pui, E o campo da ilusão não tem começo.
Quem dera se eu tivesse este endereço, No fim, minha palavra não influi, O rio busca a foz e manso flui,
Paradas entre curvas, nada meço, A cargo dos meus sonhos, perco a rota, E a blusa que eu usei, já se amarrota... Marcos Loures
50
Confuso, vou seguindo atordoado, Sem rumo e sem destino vou ao léu. De todas as mentiras, tão cansado Amor que se fazendo mais cruel
Às vezes num sorriso disfarçado Engana quando esconde o doce mel, Deixando o gosto sempre amargurado De quem me lambuzou somente em fel.
Eu quis uma mulher que enfim me desse Carinhos e palavras benfazejas, Que faço pra conter tamanho abuso?
Não adiantam rezas nem as preces Atordoar-me é tudo o que desejas, Deixando-me deveras tão confuso... Marcos Loures
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Confuso eu mal percebo a luz estonteante Que deixas como rastro, andando pela casa, Concebo em fantasia, alvissareiro instante Na doce sensação do fogo ardente em brasa.
Ao permitir que assim, querida eu já me encante Neste momento raro a vida então se apraza Acompanhando o passo, eu sigo-te hesitante Parece que este tempo, em um momento atrasa
Mas logo recomposto, entrego-me ao desejo, E tanta maravilha, em luz, amada eu vejo. Sentindo o respirar de quem se fez tão rara
O coração sem rumo, aos poucos se dispara, Além do que julgara amor me satisfaz Trazendo para a vida, encanto feito em paz...
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Confusão decidida num segundo. E vamos recordar o que foi fado. Não deixes, na parede, esse recado. Senão eu não prossigo nesse mundo...
Profusão do que tanto sei profundo, Na maresia quero ser salgado. Valentia e maré trazem pescado, Mundo redondo, mundo tão rotundo...
Marionete sim, e sou movido; Na sensação, dever quase cumprido... Mesma impressão do amor sendo problema
E se fosse sertão, seria emblema; Mas nada mais será, a vida rema. Amor que foi de araque, vai perdido...
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Conforta-me não ter medo de morte Mas quero muito além de um simples verso. O quanto que seguira vão, disperso, Sem ter nem almejar um novo norte
Agora cicatrizo antigo corte Do tempo mais audaz, porém perverso, E sobre nosso amor, inda converso Falando deste sonho sem aporte.
Quem sabe noutro espaço e dimensão A sorte tome nova direção Calando a sensação dessa amargura.
Assim, proliferando a fantasia, Embrenhe em minhas tréguas a alegria E poesia intensa, leve e pura.
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Conforme nos meus sonhos, procurei Eu tenho esta alvorada mais querida Após as dores tantas que passei, Os medos que invadiram minha vida,
Agora que, feliz, eu te encontrei, Do labirinto, encontro uma saída, No mar de tanto amor, eu mergulhei Deixando a dor distante e já vencida.
Eu quero que tu saibas deste encanto Da noite constelada em claro manto Eu faço o meu cantar, além de um rito
Um hino dedicado ao pleno amor, De todas as batalhas vencedor Vencendo em mansidão, duro granito... Marcos Loures
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conduzido, querida, por teus braços deitando no teu colo um acalento, sentindo a mansidão de um doce vento que deixa em nossos corpos riscos, traços.
Ao estreitar assim profundos laços, não deixo de cantar um só momento, amor vai me tomando o pensamento comanda, sem ter pejo os nossos passos.
Sou teu e nada mais me importará senão seguir teus rastros pela vida. Eu sinto que talvez encontre já
a sorte que pensara estar perdida, no amor que a gente sente brilhará a estrela reluzente, enlanguescida... Marcos Loures
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Condena a nossa vida a tal desgaste O tempo quando inútil e mal cumprido, Olhar que mostrar mais decidido Encontra o que decerto tu legaste.
A dor em alegrias traz contraste, E invade mais cruel qualquer sentido. O passo que se mostra decidido Percebe esta beleza que criaste.
Mas que em sentimentos tão diversos, Invade destruindo os universos Na busca sempre insana por um bem,
Descobre num segundo esta verdade Distante do poder de uma amizade Vazio tão somente é o que se tem. Marcos Loures
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Concordo, pois é fato o que tu dizes, Mas creio que o soneto não tem jeito, Em meio a tempestades e deslizes, Tremendo comichão sinto no peito.
Fazendo outros poetas mais felizes, Sem rimas eu me dou por satisfeito, Da métrica, somente cicatrizes, Modernidade agora e sempre espreito.
Não creio nos triângulos quadrados, Nem mesmo nos retângulos redondos, Porém os versos andam malfadados,
Assim como os amores de hoje em dia, Ouvindo dos meninos seus estrondos, Sem música resiste a poesia? Marcos Loures
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Concordo quando dizes que eu não presto Que o verso que eu te faço e repetido, Do quanto que eu desejo recebido, O resultado eu sinto que é funesto.
Traduzindo decerto cada gesto Eu vejo o que não tive repartido Repatriado sonho diz olvido Da nossa qualidade eu não atesto.
Se eu testo ou se esse texto vai sem nexo O que me importa é ter o teu carinho, Embora a solução de tudo: o sexo,
É mais complexo sempre se emoção Mistura com amor nesse cadinho Fazendo em alquimia uma explosão... Marcos Loures
59
Concordo plenamente, meu amigo, Porém às vezes perco a paciência, Tem gente que ignorando o que é decência Não sabe respeitar, eis o perigo.
Se gostam ou não gostam eu nem ligo Não sou poeta e sem tal incumbência Eu gosto de brincar com a cadência Fazendo do soneto um bom abrigo.
Não posso compreender como tem gente Que agindo como um tolo adolescente, Implica com vigor com quem se aquieta.
Problema psiquiátrico? Estou certo. Meu coração se encontra sempre aberto Por isso não serei, jamais, poeta!
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Concordo e embaixo assino Nós somos parecidos Temos um só destino, Embora repartidos.
O jugo do assassino Os gritos não ouvidos. Imenso desatino. Laços jamais partidos.
De Espanha e Portugal A faca no pescoço, Macabro ritual
Impede o novo sol Nações num só esboço Distante do espanhol... Marcos Loures
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Concordo e assino embaixo o que tu dizes, Querido companheiro em poesia. Enquanto na amizade se recria O sonho, já não cabem tais deslizes.
Eternos sonhadores e aprendizes, Parceiros da fantástica alegria Que molda com delírio um novo dia, Deixando para trás as cicatrizes.
Na força da amizade é que se vê O brilho da esperança e seu porquê Raiando dentro em nós imenso sol.
Que tua claridade nos permita Saber que na amizade, esta pepita Espalhe-se em tesouro no arrebol... Marcos Loures
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Concebo-te rainha deste sonho Que tramo em bela noite enlanguescente, Viver cada momento; te proponho, Fazendo desse amor nossa nascente.
Que traz tanta beleza em esplendor E trama a claridade que preciso. Transformar, querida, o nosso amor, Nesse imenso portal do paraíso...
Eu quero te cantar a vida inteira Sem ter preocupação, apenas ser. Amada, nossa luz é verdadeira, Permite e dá beleza ao meu viver.
Escute esse cantar dos passarinhos, Nas mãos que te recobrem de carinhos... Marcos Loures
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Concebo o novo mundo em amizade Mas tenho que saber me prevenir Do coice que tu dás tão à vontade Apenas, tão somente pra ferir
Quem sabe desfrutar da liberdade Respeita este direito de ir e vir, Caminho pelas ruas da cidade Sem medo do que tenha no porvir.
Mas não me cansarei de ser assim, O amor quando floresce no jardim Perfuma a mão que acolhe e dele gosta,
Enquanto a poesia sempre adubas, Mostrando as suas garras, dentes, jubas Deixando aonde passas, mera bosta... Marcos Loures
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Concebo o nosso caso em temperança Embora a tempestade caia bem. Quem tem desejos fartos por herança Procura a noite inteira por alguém
Que traga e seja a fonte inesgotável Aonde a solidão não tenha vez, A boca que se mostra insaciável Permite sem juízo, insensatez.
Uma expressão faminta em cada olhar Catando a poesia que espalhaste, Chegando sem ter tempo de voltar Amor em lua mansa faz contraste
Aguardo a calmaria feita em fera, Quem dera se viesses, primavera.
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Concebo frios versos sem sentido... Esmerando-me, atroz, procuro cismas... No mar que sem tormentas nunca abismas, Olhar tenso, pretende estar perdido...
Houvesse tanta voz, vaso partido. Meu mar sempre teria cataclismas, Nos pântanos permeio convertido, As vozes intercalam mil sofismas...
Nos pares e patentes, vou pendente, Esquizofrenicamente desejo. Clavículas quebradas, absorvente
Famélicas dentadas pedem beijo... Não falo me consolo e nem versejo... Se tento me detenho e vou doente... Marcos Loures
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Comprei uma casinha num recanto Aonde a vizinhança era tão boa, Porém para o meu grande e amargo espanto Encontrei rachadura na canoa.
Vizinho que se mostra em desencanto, Sem ter o que fazer, gentinha à toa De toda a maravilha deste canto Com dor de cotovelo já destoa.
E o tal bisbilhoteiro, me garante Ainda tem perfil indefinido, Falando enfim que é homem, mas duvido
Sem ser nem educado ou elegante, Binóculo na mão, ou mal descambe Ou veste fantasia, enfim... de Bambi... Marcos Loures
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Comprazem de total insensatez Disfarces que mentiste neste baile... Espero pela dança e minha vez, Fugazes as carícias pedem braile...
Girando pelo mundo girassol, Há muito mais mistérios que pensei... Imagino um cansaço morto ao sol, Jorrado das saudades que deixei,
Liberto meus fantasmas no poema, Mas canções favoritas do cancão. Nas matas sertanejas meu dilema
Ouvindo as fantasias volto ao chão. Pressinto melodias, velho tema, Quebrando sem porque meu violão! Marcos Loures
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Compondo uma esperança em puro amor, Destroços rebentando do meu peito. Abortando em botão matando a flor, Deveras nada esteve do meu jeito.
Vazio que sobrou, nada compor, Amor morrendo assim tão imperfeito. Soçobra meu navio em plena dor. Do vago que restou, um nada feito.
Mas vejo uma alegria em pleno breu. Um gosto de ilusão, do sonho meu. Bonança que se fez da tempestade.
Tocando o coração, fico contente. Da sensação de paz, mais docemente, A força benfazeja da amizade...
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Compartilho dos sonhos de quem amo, Desejos tão iguais em amizade. De uma árvore, parelho cada ramo Vencendo lado a lado a tempestade.
Nas horas mais difíceis eu te chamo, Pois sei que encontrarei a liberdade E a cada novo passo sempre tramo Certeza de viver sem falsidade.
Não tendo mais palavras pra dizer O quanto é necessário o bom abrigo Pressinto que encontrei raro prazer
Que é feito deste braço bom e amigo. Permita ao fim de tudo agradecer O fato de poder seguir contigo...
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Compartilhar dos sonhos e desejos Que fazem nesta vida a maravilha. Em sentimentos vários e sobejos Locupletando enfim esta partilha Louvando a todo instante com vicejo E fomentando amor em nobre trilha.
Ao ser já seduzido, um colibri Procurando por néctar em cara flor, Da senda iluminada que há em ti Recebo com carinho, este frescor. Já não concebo o tanto que senti, Apenas o que quero recompor
Nas pétalas divinas sem espinhos Aroma penetrante nos caminhos... Marcos Loures
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Companheiro da fera inebriante:amor; Por vezes me esqueci que as mágicas mulheres Guardam cada segredo em diversos talheres Nas gavetas do sonho, em cálices de dor.
Muitas vezes estranho o mistério da flor Carnívora. Também fazes o que quiseres Nas tocaias. Inseto, a presa, se não queres Depois de mastigada expulsas com vigor.
Porém a perfumada e olorosa rosa, Absoluta malícia esperando ansiosa Que um colibri se chegue e carregue seu beijo
Para outra rosa, assim num cio delicado O pobre beija flor foi, sem perceber, fado. Olinda; serei flor, colibri ou desejo? Marcos Loures
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Compadre, venho aqui falar de tudo O que passei, perrengues, nesta vida. A flor que imaginara ver crescida Agora vai deixando um rastro mudo.
Não ouço mais a voz de quem, contudo, Um dia se mostrou minha saída, Eu sei que na verdade eu não me iludo, Porém não percebi que a despedida
Seria dolorida assim, demais. Não quero vê-la enfim, pois nunca mais Irei amar com força e com vontade.
De todos os caminhos que encontrei, Garanto que jamais imaginei Sentir num duro peito, esta saudade...
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Compadre que esta sorte seja tanta, Que a vida lhe sorria sem usura Que nada mais que venha cedo espanta A chuva da promessa em santa cura.
No meio da tristeza a lua encanta E faz a plenitude da ternura A ave fazendo ninho forte canta E a manta te protege em noite escura.
Aqui neste sertão do deus dará A festa anda no bico do canário. O dia mais feliz que chegará
Trazendo para todos tantos bens Batuca num festejo os parabéns No dia em que fizeste aniversário.
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Como um replay eu jogo novamente Se eu ganho ou perco, já venci. O tempo não importa, plenamente Ondeio o meu prazer dentro de ti.
No corpo da morena um ópio, um vício Recendes à total insensatez No abismo incontrolável, precipício Bebendo toda a lua de uma vez.
A dois se fez esplêndida batalha Aonde o vencedor vencido está Perfume pela casa que se espalha Eternamente em nós mergulhará.
Do sol que tu me dás cedo matizo Um novo amanhecer em que diviso. Marcos Loures
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Como um pobre navegante Que se perde em pleno mar, Desta taça transbordante Hoje eu vou me embriagar,
E bebendo a cada instante Do prazer que eu quero dar O teu corpo provocante, Penetrando devagar.
Num fúria sem limites, Naufragar em loucos braços, Só te peço que acredites
Neste amor que prezo tanto, Estreitando nossos laços, Do teu corpo faço um manto...
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Como um jasmim em alva vestimenta, Surfando sobre as nuvens, plena lua. Apascentando, nobre, esta tormenta Que há tanto no meu peito se cultua.
Arestas aparando, trazes vida Àquele que se perde em desventuras. Palavra carinhosa proferida Deixando mais distantes tais agruras.
Elevas teu olhar sobre o horizonte Embebe-me de luzes fartas; belas. E ao ter tua presença aqui, defronte, As emoções descrevem raras telas
Aonde se percebe tal beleza Que entornas quais pegadas com destreza...
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Como um farsante, o tempo me enganara; Deixando um sentimento assim exposto. Amar é discernir a jóia rara Dessa bijuteria do desgosto.
Eu sinto em nosso amor, a raridade Que vale toda a luta mais feroz. Trazendo do brilhante a claridade Faz o meu coração bater veloz.
Qual perla que crescera com a dor, Amor que sempre foi ardido ungüento. Ardis que prepararam com vigor Por pouco não destroem sentimento.
Mas sinto que este amor é mais tenaz. Vencer as tempestades, foi capaz...
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Como um cão, obedeço aos teus desejos... Rosnando a quem agride, te maltrata. Carrego meus fantasmas, seus lampejos, Nos ossos que enterrei. Dor em cascata,
Recebo teu carinho, espero os beijos, Mas nada vem, então, levanto a pata, Lambendo mansamente... Tenho pejos,
Mas nem reparas, segues teu caminho... Quieto, pálido, ladro...estou sozinho. Adormeço deitado à sua porta.
Essa prisão eterna me alucina... A cada dia, torpe, me domina... Quem me dera, Senhor, te visse Morta!
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Como um antigo sonho realizado Servindo ao Meu Senhor sem o temer. Sabendo ser passível de pecado Aquele que não tem pleno poder.
E quando, arrependido, perdoado, Não ser somente escravo do prazer, Mas ter o olhar em paz, iluminado, Tocado pelas ânsias do viver.
Romper qualquer algema que inda exista, E tendo uma alma pura, qual de artista, Beber da eterna fonte, fantasia.
Rasgar os preconceitos, ser liberto, Vencendo as tentações deste deserto Que alma sem cuidado, sempre cria...
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Como seria bom cantar amor. Não esse amor carnal que me domina, Nem esse amor utópico se for, Apenas amor lírico, de sina.
Amor que nunca teima nem seduz, Amor que não me queima, nem maltrata. Que brilha, simplesmente, me traz luz. E nada mais deseja, nem destrata.
Amor com sobriedade, maciez. Amor sereno e frágil, fortaleza... Sem pele, sem frescor, amor de vez. Tão solitariamente na beleza.
Solidário, sincero, sem temor. Sem nada mais além que o próprio amor
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Como queria ter-te aqui querida, Poder comemorar mais este dia De luz que me ilumina a triste vida, Distante de meus olhos, fantasia...
Bem sei que tua sina foi cumprida Trazendo para o mundo uma alegria Tão rara. Mas a tua despedida, Quebranto que desfez tanta magia...
Bem sei que estás no Céu, tão bela estrela, Que guia cada passo que eu tomar. Contigo, o bem supremo, em puro amar
Lição que me ensinaste, tão bonita... No teu aniversário, avó Carmita, Meus filhos deveriam conhecê-la....
PELO ANIVERSÁRIO DE MARIA DO CARMO COUTINHO LOURES, QUE DESDE 21 DE ABRIL DE 2000 VIROU MAIS UMA ESTRELA NO CÉU...
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Como posso fechar esta fatal ferida? O tempo vai matando, em nós, a inocência. Em vão eu rezo aos céus, pedindo por clemência. A dor inebriante, invade e nos convida
À tentativa errante, o ser feliz na vida. Ordena, o deus amor, a dura penitência. O látego cruel promete tanta ardência Vejo-te na chegada, esperas despedida...
O corte que fizeste, o fio desta espada; Depois que despediste, a vida trouxe nada. Nem chuva que refresque e nem a mansa brisa...
A vida se resume em aflição e penas. As noites nunca mais serão calmas, serenas. Por que feriste assim, quem tanto amou, Marisa? Marcos Loures
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Como posso dizer? Sou mais feliz Estando aqui contigo, minha luz... Depois de viver tanto por um triz Hoje sei que quanto amor seduz!
Antigamente, a vida era vazia Não tinha nem sorrisos nem a paz. Corria entre meus dedos, a alegria... Felicidade? Nunca ter, jamais...
Porém, quando chegaste a minha vida, A todas as tristezas dei adeus. Por isso é que te peço isso querida Não deixe que se acabem sonhos meus...
Sou mais feliz que sempre imaginara Vivendo em teu caminho, jóia rara...
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Como posso compor tal desalento, A vida não permite enfim, meu luto... Vivendo por viver, sei do tormento, O medo por sentença, imenso, bruto...
Nas pranchas que surfaste, peço o vento, Amor que não merece sequer fruto... Do beijo que trocamos, diz, nojento; Por quantas vezes mentes e eu refuto!
Nas vezes que fingiste, morta à míngua; Nas portas dos castelos mentes farda, Mordendo, venenosa, a própria língua,
Derrubas por querer, abaixo a guarda... Não posso perdoar, pois sei que é tarde, Olhar que machucaste, sangra e arde...
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Como posso cantar nessa gaiola? Já não tenho horizontes nem futuro. A dor que me castigam, vem, assola, As pernas se quebraram, triste muro...
Liberdade, meu peito pede esmola, Mas negas... Prisioneiro deste escuro, Procuro me encontrar... Fizeste escola, Não tenho minhas asas, sou anuro...
Não consigo equilíbrio, vou voar? As cadeias me prendem, me torturas... As noites que se foram, ditaduras...
Onde e como consigo meu cantar? Nos colos desta serra que hoje vejo, Ali, reside todo o meu desejo! Marcos Loures
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Como os anjos, furtivo, o teu olhar, Buscando nesta alcova por carinhos. Deixando de, quem sabe, me buscar. Sabendo que viver empenha ninhos.
Eu te darei, morena que desejo, Beijos tão frios quanto a lua. Fazendo em cada sonho, meu ensejo, De ver tua beleza quase nua,
Andando pela sala e pelo quarto. Chegando essa manhã te encontrarei, Depois de tanto amor, por certo farto, Deitada em meu dossel, fazendo a lei
Que diz do amor eterno e desejado. Dourando todo o sonho, extasiado...
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Como o verão, ardente, fero, aceso, A juventude se passou, fulgor... O sol nascente a me trazer vigor, Pensando sempre em escapar ileso...
Nunca podia, ao menos, leve peso, Saber navalhas que me cortam, dor... Outono veio, procurei amor... Que me encontrou lento, pesado, obeso...
Amor procura no frescor remédio. O brilho opaco, renuncio à vida... Nas horas todas, me restando o tédio...
Quem dera a volta no romper da aurora... A tarde cai, noite a cegar, perdida... Cada cicatriz a marcar, aflora... Marcos Loures
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Como o rio pra nascente Meu amor sabe o caminho Ao granar esta semente Já não vou seguir sozinho,
Todo amor que a gente sente Se irmanando com carinho Traz o coração contente Ilumina o nosso ninho.
Tanta coisa por dizer Tanta coisa pra falar Meu amor, o teu prazer
É gostoso de encontrar, Tanto amor quero viver, Pois eu vivo só pra amar.
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Como ignorar, querida, esta presença Gostosa de quem quero aqui comigo. Desejo passear no céu contigo Depois pegar estrelas, recompensa.
Vagar em paraísos, noite imensa, Usando tuas pernas como abrigo Dos sonhos mais incríveis que persigo, Sem termos nem criarmos desavença.
Apenas esconder-me dentro em ti, Guardando em teu prazer, os meus anseios. Brincando levemente com teus seios
De um jeito mais fogoso, estar aqui Sentindo o teu perfume o tempo inteiro, Nas mãos do nosso amor, bom feiticeiro... Marcos Loures
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Como fosse uma forma de aliança Juntei meus cacarecos, fui a ti. Destino mais ingrato que eu cumpri Fingindo fazer parte da festança.
Enchendo em fantasia a minha pança Tantas mentiras bobas eu bebi, Ressuscitando o morto que vesti Na paz que eu procurei sem confiança.
Um velho carcomido por um verme, Desnudo eu já te chamo para ver-me, Não quero te assustar, mas sou assim.
Molambo em gargalhada, corpo exposto, As rugas vão tomando o velho rosto, Espelho na sarjeta o que há em mim.
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Como farei sem ter os olhos teus? As trilhas que percorro, tão nubladas, Envoltas nestas trevas, negros breus, Por medos e torturas assombradas,
Começam, de repente, a renascer... Sem teus braços, as pernas que vacilam, Nos passos que esqueci como aprender. As dores que em minha alma se perfilam...
Os medos que ressurgem bem mais fortes... A fria solidão já mostra as caras. Das cicatrizes brotam novos cortes, Formando dentro da alma mil escaras...
Amada me responda, por favor, O que farei da vida, sem amor!
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Como falas assim, que estou distante? Se existes dentro em mim, cada segundo. Se vivo dentro em ti, por todo instante O que une, amor, é tão profundo A mesma luz se entorna, deslumbrante E guia nossos passos pelo mundo...
As asas libertárias deste amor Douraram-se no canto da esperança. Louvando para sempre o destemor Amor se fez mais forte e com pujança No campo da batalha, nossa flor Vencendo mil canhões em aliança.
Se estou dentro de ti e tu em mim, Iremos desta forma até o fim...
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Como eu te quero! Tanto, tanto assim... Nas horas mais benditas, nosso amor... Trazendo todo encanto para mim Vibrando em nossa vida com vigor.
Florando minha vida em teu jardim Num dia mais feliz e sedutor Guardando esta esperança até o fim De ser eternamente um sonhador.
Eu quero e te desejo boa sorte, Não deixe que a distância nos destrua. Amor que necessita ser mais forte
Que toda tempestade que vier, Na placidez imensa de uma lua Teus braços carinhosos de mulher..
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Como está tão distante minha amada! Faz tempo que procuro e não te vejo. Procuro-te na noite enluarada No sol desta manhã, no meu desejo, Na tarde que surgiu; triste e nublada, Na chuva dentro da alma que prevejo Procuro o meu amor, não vejo nada Saudades do sabor do nosso beijo... Eu sinto alguém em minha porta, Com tanta força, quase que arrebenta. Num salto, logo pulo não me importa Que tenhas me causado sofrimento. Minha alma em desespero não agüenta! Vou ver; respiro fundo... Era o vento...
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Como é possível, Pai, falar de Amor Se eu vejo a cada dia, esta injustiça Formada pelas garras da cobiça, Matando quem é frágil, sem pudor.
Quem tem uma vingança por louvor Prepara o coração, e encara a liça Nesta odiosa face, a dor mestiça Da carne que se mostra a decompor.
A fome que se espalha no planeta, O tiro de fuzil ou de escopeta A Terra sangra aos poucos, agonia...
Enquanto houver mordaça e vil açoite O sol não nascerá, na eterna noite, Inútil será a minha poesia... Marcos Loures
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Como é doce morrer em pleno mar, Um velho timoneiro tem por sonho Depois de tantos anos, navegar, Enfrentando oceano mais medonho,
Navio de esperanças ancorar Num porto que se mostre mais risonho, Durante a tempestade velejar, Os olhos no futuro? Não mais ponho...
Cansado desta luta tão inglória, A lua sempre a mesma, merencória Sem forças, me entregando à ventania.
Quem dera se eu amasse novamente... A vida se agrisalha e, de repente, O vento da ilusão? Pura agonia... Marcos Loures
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Como é difícil, Pai, saber da vida... Esqueço do passado, do futuro, Transcorrendo o meu tempo, nau perdida... Traspasso espaços, subo neste muro.
Os sinais da manhã, noite vencida; Claridade vencendo todo o escuro... Brincando com meus medos, minha lida Sorridente. Nas queda, nem fraturo
Os meus sonhos, seguindo meu cantar... As alvoradas claras. Vou buscar Paz, decididamente, nada mais.
Roubando toda manha da manhã, Desta antiga e serena cortesã; Meu futuro e passado, deixo atrás!
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Como é difícil Pai, seguir Seus passos. Na eterna vigilância necessária Vencer a tentação tão temerária, Cevando na Amizade firmes laços.
Atento a cada bote da serpente Que vive dentro em nós e nos devora, E quando o Amor vencendo, vem e aflora Seguir com a alma pura e penitente.
Deixar toda a vaidade no caminho, Beber da eternidade em cada irmão, Que o justo nunca faça burburinho
Mantendo em todos gestos, humildade, Usando do Amor pleno e do perdão, Fazendo, sempre oculta, a caridade... Marcos Loures
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Como é difícil falar disto que sinto, Palavras vão fugindo... O medo vem, Mas nesta embriaguez, qual fora absinto; Delírio me queimando; e sinto bem.
Dizer que não me atrai? Ah! Eu não minto, Como é gostoso amar e ter alguém! Teu rosto no meu sonho, sempre pinto Mil cores e matizes... Sei também
Que sentes o que sonho e disso gostas, O fogo me queimando; sol... Areia... A mão que acaricia minhas costas.
É preciso falar da sensação Que; tomando-me inteiro, me incendeia Neste misto de amor e de paixão?
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Como é bom poder contar contigo Em todos os momentos, companheira, A vida nos maltrata, bandoleira E traz em cada curva, outro perigo.
O sonho que deveras eu persigo De ter uma mulher que já me queira, Na cama que se entregue por inteira, E me tenha decerto como amigo.
Tal conjunção perfeita que é meu sonho Encontro do teu lado, amiga amante, Mulher que sei, bonita e deslumbrante,
Além de me fazer feliz, risonho É base necessária em cada passo, Por isso eu te amo tanto e nem disfarço. Marcos Loures
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Como curar, de amor, a tal ferida; Que invade terebrante e não me deixa. Se sinto se esvaindo a própria vida, Amor quando demais, traz sempre queixa.
Não posso contra amor, sem resistência, Nem posso com a dor que amor me traz. Deveras é preciso paciência, Lutar contra esse amor não sou capaz.
Entregue na batalha, sem defesa, Entregue nos teus braços, fogo ardente. Eu sinto que te quero com certeza, Vencendo que de amor era descrente.
Querida; todo amor que vale a pena, De penas e de luzes, pinta a cena...
4300
Como é bom contemplar teu belo rosto, Ao vê-la, assim, passando pelas ruas; Sentindo-me por certo, bem disposto, Enquanto teus caminhos; continuas.
Meus olhos acompanham cada passo, Sonhando com teus braços junto aos meus. Tentando não consigo, mas disfarço, Teus olhos que pedi, em prece a Deus.
A vejo tão solene e tão gentil, Numa passada mansa e tão sublime. Amor que se formara, quer ardil, De forma que aprisione quem estime.
Eu sonho com teus beijos, tua chama; Deitada sorridente, em minha cama!
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