
Esquinas Onde te Perdi
Data 02/12/2010 02:55:34 | Tópico: Poemas
| [O poeta estava errado: depois de ter perder, eu não te encontro em tempo algum...]
Esquinas, quantas esquinas... e não posso te dizer... não posso — para o meu desespero, para aumentar a minha dor — te dizer onde, na confusão dos meus sentimentos errados, eu te perdi... te deixei ir...
Agora, é tempo de choro sufocado... E a nossa vida se acabou assim: tu não me tens e choras, e lamentas... Eu não te tenho, e lamento, e choro... Juntos, pusemos tudo a perder.
[E para meu maior horror de viver, as marcas do amor são fundas... nunca, nunca me esquecerei daqueles instantes em que, sorrindo, te amei tão profundamente, como jamais sonhei ser possível!]
Estou desgraçado para sempre; estas marcas me queimam por dentro... Para sempre estarei olhando a tua figura no vazio do espaço cheio de gente que só me aturde.
Dias há em que vou pelas ruas... os vidros escuros do carro fechados, vou chorando baixo, soluçando baixinho, até que a dor se amenize um pouco, num gole de uma qualquer bebida...
E sigo por essas ruas... vou a lugares onde estivemos — busco uma catarse que sei ser impossível: uma claridade para o meu olhar neblinado! Aqueles dias são agora um sonho que bateu asas por sobre os escombros da construção de nossas vidas!
Passou o amor, esmaeceu-se o desejo, a sede? Então, que vibração é esta a percorrer-me as veias, e a me confirmar que és a única, a definitiva? Repito: eu sei que estou desgraçado!
[Penas do Desterro, 21 de junho de 2010]
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