
MEUS SONETOS VOLUME 029
Data 27/11/2010 06:33:16 | Tópico: Sonetos
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Ao dar-me este prazer da contradança Não sabes da alegria que causaste, Ao refazer assim minha esperança, A vida; num momento, iluminaste.
Desejos tão ardentes... Como eu quero Beijar a tua boca e te tocar. Dançando no compasso de um bolero, Perceba esta emoção em meu olhar.
Imagino nós dois num transatlântico Sozinhos, sob os raios do luar. Um sonho delicado e tão romântico O mundo inteiro em festa, a nos mostrar
O amor em seus acordes, sedução; Na melodia intensa da paixão....
2
Ao dar uma bicuda na saudade Mandei o teu retrato para as favas, Por mais que tu teimosa ainda lavas As roupas que esqueci, não mais me enfade.
Ferrolho em minha porta, no umbral grade Se insistes desta forma mais agravas As ondas que julguei outrora bravas, Ondim já despachou, eis a verdade.
Sapeias, bisbilhotas e não vês Que tudo nesta vida tem porquês E neles justifico assim, meu ato.
Comprei gato por lebre, fui otário, Agora me livrar, mal necessário, Não pagar pra sempre mico e pato...
3
Ao dar-me a sensação de tal brandura Erguendo-me, sutil, por longos ares A noite se emoldura na ternura, Trazendo a inconstância dos luares.
Tuas mãos amicíssimas. Candura Que se harmoniza em todos os altares. A mansidão que trazes, fina alvura, Aumenta a sinonímia para amares.
Elfo; flutuas. Zéfiro, me acalmas... Nas janelas abertas dos amores, Acaricias, plena, mãos e palmas.
Emanas tal perfume que estas dores Não restam sobrepondo aos velhos traumas. Borboleta; revoas sobre as flores...
4
Ao começar, mil beijos carinhosos Vontade de ficar ali do lado, Sorrisos e desejos generosos, Olhando para o céu, apaixonado... As mãos se procurando, os orgulhosos Olhos boiando, lindos campos, prado... Dizeres quase nunca espirituosos, Amando e tão feliz por ser amado... Depois, a tarde vem já se esmaece, E aos poucos diminui e quase morre, Amor já se acabando pede prece Menino-amor, começa assim brincando, Depois de certo tempo? Sai chorando... 5
Ao entrar dei com a porta nos batentes E vi maliciosa a bela moça Sentada com olhares penitentes, Ao mesmo tempo rindo em mansa troça.
Olhando de soslaio, em tons ardentes, Marota se mostrando pra quem possa Ao ver os seus peitinhos transparentes Vontade, ela bem sabe, me alvoroça.
Fingindo que, depois, nada percebe Deste olhar esfaimado que recebe Continua sentada bem quietinha.
Desejos aflorando em seus mamilos Intumescidos. Quero, enfim, senti-los, Porém tão bem disfarça a safadinha...
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Ao Eldorado em sonhos, dá partida O sentir que nos toma em noite imensa. A barca da esperança de saída Espera ao fim da vida a recompensa.
Se eu te amasse, a sorte distraída Buscando em outra senda a luz intensa Deixando uma ilusão na despedida Sem glória ou fantasia que convença.
Ao contar as estrelas em que espalhas Teus rastros pelas ruas e calçadas, Adentro em alegria as madrugadas
E embora eu vá nos fios das navalhas Sabendo deste amor, não temeria Nem mesmo a solidão, barca vazia...
7
Ao desprezares logo quem molesta E impede que tu sejas mais feliz, Meu coração se faz em plena festa, Tu mostras que não és uma aprendiz.
A vida em outros dias, sempre testa A quem agindo assim cedo nos diz Que amor quando em respeito já se empresta À fonte luminosa, ao chafariz
Porém ninguém maltrata impunemente O amor que nos transforma em atitude. Devemos perceber que o impertinente
Destrói felicidades num segundo. Que a glória de viver logo transmude E inunde em amizade o nosso mundo. Marcos Loures
8
Ao desejar a ti, felicidades O faço com sinceras esperanças. Tu sabes cultivar as amizades Mantendo para sempre as alianças Que trazem para tantos as verdades Mantidas nestes elos: confianças.
Ao dizer assim a ti, meus parabéns, O faço com franqueza e alegria Nas horas mais difíceis sei que vens Tornando bem mais simples nosso dia. Que a vida te retorne em muitos bens O amor que nos dedica; o que eu queria.
Feliz aniversário meu amigo, Que a sorte esteja sempre assim, contigo.
9
Ao derramar meu leite em bela gruta Num êxtase profano, louca entrega, Teu corpo no meu corpo já se esfrega E a mão te vasculhando segue astuta.
Trepamos noite inteira e só se escuta Gemidos e sussurros. Quem navega Por mares bem mais úmidos se apega, Delícias de uma amante, santa e puta.
Gozamos tantas vezes, noite imensa, Depois na madrugada repetimos, Teu ânus prêmio dado em recompensa
Teus lábios, língua, açoites colossais. Prazeres e salivas; repartimos, Porém em louca fome, como mais...
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Ao entrar mansamente Aonde tanto quis O tempo mais feliz A vida se desmente E o todo, num repente Marcando em tom mais gris A sorte em cicatriz E nisto estou contente Expresso esta emoção Em dias que trarão A sorte procurada Depois de certo encanto A vida hoje garanto Talvez não trague nada.
11
Ao entrar mansamente em nosso quarto Abraçando teu corpo, devagar, A dor por que passei eu já descarto E venho totalmente me entregar.
O sonho que contigo, amor, reparto Demonstra esta beleza que é contar Com quem a gente adora, até que; farto, Deitando no teu colo, descansar...
O tempo não me importa, estás aqui Comigo. Com certeza eu sou feliz. Curando qualquer corte e cicatriz
Refaço tantas horas que perdi Na espera por alguém com quem pudesse Converter em verdade meu sonho e prece..
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Ao êxtase supremo, a nossa vida Mergulha insanamente e busca além Da simples e fantástica saída Sabendo quando o fogo em noite vem...
Recebo a tua boca em chama e brasa Jóia que se queria se vislumbra Enquanto a poesia nos embasa A luz arrebentando esta penumbra.
Belíssima paisagem que se dá Rolando mil estrelas pelo chão, Amor se refletindo encontra cá Um raio mais sublime em emoção.
Deitando sobre nós a luz solar, A brisa matinal vem me tocar
13
Ao erguer os meus olhos sonhadores, Rondando teu sorriso e tua boca, A febre me queimando em sede louca Não tínhamos talvez tais dissabores;
As marcas indeléveis dos amores, A cama que vivemos foi tão pouca, A voz a me chamar, teimando rouca, Não fomos nem sequer quais amadores
Ao erguer minhas mãos postadas, prece... Não pergunto a que vens nem se virás, Amor que não viveu, cedo fenece,
A porta deste altar chamado vida, Espreita verdadeira, pede paz. Na chave desta porta, despedida...
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Ao erigir a Deus interno altar, Sementes espalhadas no meu peito, Poder de um Ser Maior, agora aceito E bebo da alegria até fartar...
Quem sabe tal caminho vislumbrar Aquece de emoção seu frio leito, E tendo o coração tão satisfeito, Cabendo dentro em si, o imenso mar.
Sentir Tua Presença, amado Pai, Durante a tempestade que ora cai, É poder perceber uma saída
Aberta nos desígnios do perdão, No afeto que nos mostra cada irmão Neste miraculoso dom da vida...
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Ao esculpires com palavras, vejo Maravilhosas telas que tu crias Gerando as mais sublimes fantasias Mensagem deslumbrante neste ensejo.
Além do que talvez fosse um lampejo, Dourando o meu caminho, as ardentias Permitem que se encharque de alegrias A fina sensação, real desejo.
Usando os velhos signos, arte e brilho, Harmônica emoção tomando a cena, Tua arte se mostrando sem igual
Expressa sutilmente este estribilho Moldando uma expressão suave, amena, Estrela constelar, a principal!
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Ao escutar teu nome, porventura, Não posso me olvidar do que passamos... Pois sempre misturamos com ternura As velhas dores que jamais negamos,
O nosso amor no coração murmura Velhos rancores... Nunca mais deixamos De maltratar amor por desventura... Quantas palavras duras nos cortamos!
Matamos primavera. Cadê flores? Amor que assim se fez nunca prossegue, Mas deve ser tratado com pudores.
No outono de minha alma tudo morre... Por mais que já tentamos quem carregue, A culpa é de quem fere e não socorre!
17
Ao esgarçares lúdicas promessas Legando a solidão, tão vil herança, Demonstras os teus pântanos, vingança E a podridão que tramas me confessas.
Espectro formidável que às avessas Expõe em suas garras quando avança Em tétrico langor, desesperança, E toda noite impávida, regressas.
Incontidos tormentos que em procelas Espalhas pela casa. Amarga sina Devastação suprema. Desde agora
Percebo as armas todas. Não revelas A tua compleição, fria assassina, Porém minha alma lúbrica, te adora...
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Ao estender meu peito sobre o teu Na madrugada fria, quase morta, Senti que meu destino se perdeu No colo que onde meu sonho, manso, aporta.
E decididamente fui feliz. Embora melancólico meu mundo, Pois com certeza, és tudo o que já quis Com teu olhar tão calmo e tão profundo.
Tens a doçura calma de que sabe Que apesar deste sonho tão imenso De ser livre; que quase não me cabe, Do modo de viver que é mais intenso.
Depois de tanto vôo e tanto pouso, No teu colo é que encontro meu repouso
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Ao expor a minha alma sonhadora Talvez ainda cause algum espanto, Sem medo, desafio este quebranto Retorno ao pesadelo sem demora...
O barco sem destino desancora Navega solitário em campo santo, Mergulha no vazio. O desencanto A cada novo intento já se aflora.
Sou triste, nada além de um passarinho Que o tempo, mais cruel, engaiolou. Cansado de seguir buscando um ninho,
As asas, desamor já depenou. E agora o que fazer? Sem as algemas Dos céus apenas raios e problemas...
20
Ao êxtase da entrega ilimitada Dois corpos são unidos num só lance. Reféns de uma paixão desenfreada Ateiam tempestade no romance,
Mulher desnuda assim, tão desejada Percebe com delicia esta nuance Tal qual a lua ao sol, em fúria dada, Num eclipse total já quer que avance
A noite em tentação quase profana, Sem medos e nem culpas, velas soltas, Os dedos, doces lábios não se cansam.
A lua feita em brasa, doidivana, Aos mares em marés altas, revoltas, Já sonha enquanto os corpos sempre avançam...
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Ao falar desse amor que tu me negas, A morte vaticino, perco a paz... Não quero parecer, mas sou piegas. A vida é conseqüência que se traz
Dos sonhos e esperanças. Nas adegas Da minha alma, um só vinho tanto apraz.. Minhas noites, meus medos que navegas, Morrer sem teu amor, serei capaz!
Na tarde solitária, sem notícias, Os ventos, tempestades, são primícias... Não te verei jamais, Ó doce Lara...
Teus olhos sorridentes, ironia... A noite que perdi pensei, podia, Amanhecer teus braços, noite clara...
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Ao farto amanhecer eu me arremeto! Irmão da tempestade, sem alento, Das dores, o parceiro predileto, Vivendo a cada dia um vão tormento.
A vida preparando em despedida Da fria cimitarra o fundo corte, A sombra da esperança esvaecida Negando ao fim de tudo rota e norte.
Vivendo sem razão e sem porquês A dura solidão já me entranhou. Eu quero que me entendas, mas não crês No quanto o coração; amor criou.
Na leda fantasia eu posso ver, O sonho, pouco a pouco se perder.
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Ao fim da tarde em prantos percebia O quanto é necessário ser feliz. A vida tantas vezes, meretriz, Afaga enquanto corta, traz sangria.
Talvez se inda restasse uma alegria Tivesse novamente o bem que eu quis. Porém eternamente um aprendiz, Perdido não encontra sol e dia.
A mão de uma pessoa soberana Que traga apoio enquanto cambaleio, Mostrando qual caminho para o veio
Aonde a boa sorte não me engana Permite que imagine a liberdade Alçada nos clarões de uma amizade...
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Ao fim da tarde triste sem te ter Não posso descuidar um só segundo, Se tudo o que inda quero é poder crer No que restou outrora de um vão mundo
Nas cínicas palavras me aprofundo, Girando o tempo inteiro. Se viver Atento ao que não pude conhecer Desato qualquer laço velho e imundo.
Seria um vagabundo e tudo bem, Servindo a quem vivendo sempre aquém Num gesto em que transita hipocrisia.
Escárnios entre toscas gargalhadas, Por mais que ainda estejam degradadas Imagens mais suaves a alma cria...
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Ao fim da tarde, sinto no crepúsculo Saudade de quem foi e não voltou. Amor que em tanto tempo foi maiúsculo Agora só lembrança, o que restou. O coração não passa de um corpúsculo Que ausculto bem distante... e não parou...
A pedra da saudade vai rolando E traz ponta cabeça, o meu futuro. De novo quase estou me desatando Mas vem a solidão, revolta o escuro. Amor chega ligeiro e tocaiando Me pega neste salto atrás do muro.
Deixar isso de lado? Não compensa, Quem sabe chegue um dia, a recompensa...
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Ao fim desta jornada Amiga eu mostrarei A pele tão marcada Das lutas que travei, A pele maltratada A dor, cicatrizei...
Verás que também eu Lutei pra ser feliz, Meu mundo se perdeu, Depois, tive o que quis, Meu coração ateu Um eterno aprendiz...
Profunda, a tal ferida, Que temos pela vida...
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Ao fogo da vontade, me compele O cheiro que se emana, delicado, Do corpo que em nudez já se revele, Caminho a ser sabido e desbravado.
Mergulho em cada ponto deste mapa, Nadando enfrento a dura correnteza, A noite prazerosa não me escapa, Garante o meu banquete e sobremesa.
Depois de conhecer cada detalhe, Nirvanas eu desfruto a cada dia. Meu barco em tuas ilhas, sacro encalhe Trazendo para a vida, a poesia.
Chegando devagar, a glória alcanço O coração batendo calmo e manso.
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Ao golpe desferido pelo tempo Nas desditas eternas, nas arenas, Por vezes encontrando um contratempo Nas lágrimas que fingem tolas penas.
Descubro que o amor é sempre assim, Começa com desejos e carinhos, “Carinhos e carinhos sem ter fim” Depois de certo tempo: Enfim, Sozinhos!
Renascem os amores, depois morrem. Renascem os amores, noutro tom... Amores renascidos não socorrem, Renascer o mesmo amor? Raro dom...
Só sei que dessas lutas que travamos, Só resta o tanto quanto nos amamos!
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Ao homem não bastava crer no Pai Precisaria então chegar ao céu, Soberba deste povo sempre o trai Ao fim resta a cidade de Babel,
Usavam com certeza una linguagem, E todos se entendiam muito bem, Porém arquitetando esta bobagem Intensa confusão, decerto vem.
E assim como um castigo de Javé, Dos herdeiros diversos de Noé Idiomas inúmeros brotaram,
E as tribos que surgiram desde então Com o preço da falta de união Os erros dos estúpidos pagaram...
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Ao irmos caminhando Depois de tantas quedas Enquanto tu enveredas Caminho bem mais brando Presumo desde quando A vida não mais seda E assim ao tanto veda O passo desejando A sorte benfazeja E mesmo que isto seja Apenas um alento, Vencer vicissitudes E tanto ainda iludes Que outro cenário eu tento.
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Ao irmos caminhando vida afora Nos carinhosos braços da esperança. Perfume delicado, em ti, aflora Recende a meu jardim, em temperança. Querer o teu amor, pra sempre, agora, Um sonho em que minha alma, triste, amansa.
Tu és a redenção de minhas dores Que a vida, traiçoeira, acumulava. Vulcânica erupção trouxera horrores Inundação feroz de fogo e lava. Por isso mesmo irei aonde fores Contigo a boa sorte, enfim me lava.
Cansado de sofrer em solidão, Encontro nos teus braços, solução...
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Ao lado de quem tanto desejei, Tentara ser feliz. Tola ilusão... Inverno vai tomando o meu verão, E o céu se torna assim, escuro e grei.
Durante tantos anos eu sonhei, O amor me parecia solução. Canteiro ao abortar a floração Sonega o que eu, estúpido, sonhei...
Fazer da poesia o meu alento, Expondo o coração ao sentimento Procelas ao final da caminhada.
Do todo que buscara; só existe O homem amargurado; ledo e triste, Que aprende a conviver com este nada...
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Ao largo de emoções que se fazem Tripudiando sobre o que eu pensara, Mesmo se vazias inda trazem Adaga que penetra em noite amara.
Melindres que oriundam de um descaso; Marcam. As evidências são claras, Levando o pensamento para o ocaso, E muitas vezes, falas e disparas
Quando instintivamente tu rebates As faces caricatas das mentiras. Por mais que não perceba, tu rebates E deixas por herança simples tiras.
A tua auto defesa, caro amigo, É simplesmente a busca de um abrigo..
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Ao ler este fantástico poema Meu verso em timidez, apenas canta Beleza tão sublime que me encanta Aconchegado sob um raro tema.
E verdadeiramente a luz me emblema Tocado pela fonte, imensa e tanta A poesia em ti já se agiganta Trazendo com vigor dourada gema.
Lapidas as palavras, sentimentos, Com esplendor além do imaginável, Espalhas tanta vida pelos ventos,
Tu és, da poesia, Dama e Diva Talento sem igual, e insuperável, Estando na verdade mais que viva...
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Ao ler estes meus versos, meu amigo, Perceba toda dor de uma paixão, No campo deste amor, sou joio e trigo, Sou mudo quanto entôo uma canção.
Um sentimento assim, ambivalente, Permite tanto alívio e sofrimento, Talvez se, enfim, chorasse de contente, Soubesse como é bom beber o vento.
Andar em liberdade dolorida, De amar e não poder ser o que quero. No amargo deste mel de minha vida, O sol com tempestade não venero.
Amigo, então, perceba a solidão Tempero em minha vida... Solução?
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Ao ler os teus poemas; percebi Que tudo em minha vida foi inútil, Qual fosse um simples réptil chego a ti E vejo que o que escrevo é tolo e fútil,
Rasgando o que pensei ser poesia, Vasculho nas gavetas do passado E enquanto a solidão já me vicia Um velho coração abandonado
Não posso discutir, sou bem estúpido, E mesmo que inda tenha alguma chance Um ermo sentimento se faz cúpido E impede que meu sonho ainda avance.
Capaz de recolher alguma flor No devaneio insosso de um amor?
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Ao ler teus belos versos, imagino Do que é capaz a nossa inteligência, E venho com fervor, com eloqüência Dizer quanto eu a admiro e me fascino
Tomado belo brilho cristalino E sei quanto é difícil esta incumbência, Por isso é que te peço com clemência Perdão pelo soneto pequenino.
Sou tão somente um mero trovador Que vendo a bela lua, em tanto amor Deixou-se embriagar por tal beleza.
Seguindo os raios claros que espalhaste Com minha sombria alma num contraste, Calo-me em frente à estrela em tal grandeza...
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Ao ler teus versos fico emocionado Sabendo do talento que tu tens, Quem dera se eu pudesse estar ao lado De quem espalha em vida tantos bens.
Amigo, me desculpe estou cansado Dos vários e diversos, quais e quens O dia vai passando em tanto enfado Até que em alegria sempre vens,
Com verso tão divino, engalanado Marcado por beleza em vários gens, Trazendo para todos belo prado,
Sem vícios, sem defeitos, mas marcado Te digo e te confesso por poréns Num enxame de verso em pé quebrado
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Ao ler teus versos soltos pela casa, Arsênico, eu bebi em cada frase, Embora tantas vezes, dura brasa, Não vejo mais motivos que me apraze
O tempo na verdade não se atrasa Nem mesmo me permite que me abrase Tentando disfarçar que na tua asa A morte não permite que se atrase.
Nas vespas de teus lábios, meu remédio, Nas térmitas que invadem meu jardim, Amor que se tornou imenso tédio,
Afoga uma esperança e traz no fim O beijo da serpente, num sorriso, Fazendo deste inferno, um paraíso...
40
Ao leres os meus versos, meu amor, Perceba quanto quero te querer. Falando deste amor por onde for Sem teu amor, amor, não sei viver...
Amor que me sustenta, amor divino. Amor que me maltrata, amor cruel. Amor que percebera cristalino, Amor que me enlevando, leva ao céu...
Amor que invadindo a alma de amor cura Na cura deste amor, amor me dás. Amor que me clareia, amor, ternura, Em pleno amor encontro amor e paz...
Amor, amor, amor, amor e mais amor. Amor, não tenho mais amor prá por...
41
Ao me arrastar vazio Pudesse adivinhar Aonde em que lugar O sonho eu desafio Vagando pelo fio E sei do caminhar Nefasto a se moldar E nisto em desvario, Num átimo mergulho E sei do pedregulho Ao fim deste afluente E a sorte se traduz Na dor intensa, a cruz Que vejo plenamente. 42
Ao maltratar meu pobre coração, Tu deverias ter algum cuidado, O fardo que carrego desde então Traduz cada agonia do passado.
Alforje abarrotado: solidão, O beijo falsamente anunciado, O gosto da maçã, em podridão, Do amor a sombra amarga do pecado...
Velejo em outros mares, timoneiro Que sabe deste vento costumeiro Jamais conceberia algum naufrágio...
Porém, como surpresa esta procela Aos poucos me tomando já revela O quão a fortaleza se faz frágil...
43
Ao mar se entrega areia displicente, E em cada onda se deixa penetrar, Assim como este mar, também a gente Em toda sedução bem devagar
Aos poucos me deixando mais contente, Depois de tanto ser, tanto me dar, Um cristalino gozo que se sente, Na areia em ondas sempre a se esbaldar.
Promessas e perdões, risos e festas, Em profusão delírios e vontades. No sentimento enorme em que tu gestas
Uma esperança audaz e maviosa, Distante das procelas e saudades, Cultivo em nosso amor: olores, rosas...
44
Ao me arrastar qual louco, te agarrei E te levei comigo, dei afeto, As costas já desnudas arranhei Vibrando no teu corpo; fui completo... E nada do que somos duvidei, Não permiti nem medos, nenhum veto, Imerso neste mar eu embarquei Pelo teu corpo nu, fui recoberto... E fomos noite afora, sem paragens, Dois viajantes cegos sem limites, Fazendo nos sentidos, as viagens Que partem sem temor ao infinito. Não te contenhas, solte-se assim... Grites... O nosso amor profano, enfim, bendito...
45
Ao me deliciar com teu corpo sedento, Vencendo o teu pudor, bebendo maravilhas, Abrindo do teu barco as portas e escotilhas Entregues à loucura, intenso sentimento.
Por tanto que eu te quero, enfim eu me apascento Entrando sem fronteira em cada porto ou ilha, Estrada em fantasia aonde o gozo trilha E encanta-se, supremo, exposto ao forte vento.
Decoro com minúcia os pontos mais profundos, Movendo os teus quadris engoles meus delírios. Cessando com volúpia os meus velhos martírios.
Dois cães na madrugada, insanos vagabundos, Fazendo do prazer um ato inconseqüente, Mudando este cenário um par farto e demente...
46
Ao delicado toque da esperança Delirios entre risos e sonhares E quando perceberes e notares A vida se traduz em aliança A noite com ternura nos alcança E sei destes desejos meus altares E nisto quanto mais me confirmares A sorte a cada dia nos alcança Vencer os desafios, ser feliz Ousando muito além do quanto eu fiz Tentando tão somente ter enfim Imagem deste encanto sem igual Momento tão sublime e magistral Vivendo a plenitude dentro em mim...
47
Ao me dizer adeus, mal percebeste Castelo desabando em movediça Areia que decerto tu me deste Depois de tanto tempo nesta liça;
Amor que se perdendo desperdiça A chance de viver na qual se investe O sonho de uma vida que enfeitiça Aquele que ilusão tanto reveste.
Mas tenho uma certeza que a saudade Virá só me trazer boas lembranças De tantas maravilhas nas andanças
Por mares, por estrelas e cometas. Eu quero só guardar felicidade Assim será contigo, me prometas...
48
Ao me encontrar na solidão completa, Me imaginado tão distante, errante... Eu me lembrei de teu cantar poeta, A minha vida, um transformar constante
Que busca em nosso amor; uma outra meta: Não mais viver somente pelo instante. Felicidade; amiga predileta Mal percebi que estava ali, adiante.
Em feminina forma me beijavas, Nossas carícias, estelar princesa... Não percebi que logo eu te encontravas.
Nos teus cabelos refletindo luzes De uma esperança sempre tão acesa Disfarçada, aos prazeres me conduzes...
49
Ao me entregar à musa dos meus versos, Completamente nu; sem ter defesas, Vagando por galáxias, universos, Em magnitudes tantas, correntezas...
Meus sonhos que parecem ser dispersos , Unidos num só canto sem ter presas, São monotonamente bem diversos, Pretendem só manter luzes acesas...
Ó Musa estou entregue nos teus braços, E danço em teus desejos, meus sentidos; Os cinco misturados, mas esparsos...
No Canto que em beleza se anuncia, Da Musa divinal; nossos ouvidos Felizes escutando-te POESIA...
50
Ao me ver da velhice, seu refém Percebi que a beleza não tem data. Tantas vezes na vida quis alguém, A sandice nevou, quase me mata...
Agora que morrendo sem ninguém Percebi que essa dor já não maltrata. Não espero decerto um grande bem, Alegria não jorra nem cascata...
Arvoredos sem flores também vivem, Os alívios se encontram nestas rugas. Minhas dores amores não convivem
Agasalho a friagem sem ter medo. Não pretendo milagres e nem fugas, A velhice me trouxe esse segredo...
51
Ao me veres chorando assim querida, São enchentes que na alma me transbordam. De tanto amor que eu tive em minha vida, Às vezes são saudades que me abordam...
Carrego um oceano sem tamanho De dores e tristezas, cicatrizes... Por vezes, das lembranças tanto apanho Que esqueço como nós somos felizes...
Mas saiba que contigo eu aprendi Que a vida vale a pena ser vivida De todo que há de bom que está aqui, Com certeza a lição foi aprendida.
Então vamos, saltar por sobre o muro Da dor, e seguir; livres ao futuro
52
Ao meio dia, o sol deveras quente Adentrando a janela queima lento. Imagem deste amor quando ao relento Sangrava em minha vida tolamente.
Lutando pra viver vou novamente, Poeira no meu peito toma assento, Porém ainda sinto o forte vento Que um dia me deixou quase demente.
Os olhos da morena, sensuais, Renascem neste horário, em duro sol. Um dia, esquecerei, e assim não mais
O brilho de uma estrela fulgurante Que serve para todos de farol, Retornará, decerto, deslumbrante...
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Ao menos esperança é necessária A quem por tantas vezes vai sozinho. O quanto de alegria e de carinho Perdido nesta estrada temerária.
A luz da fantasia é tão primária. Não tendo em ti espelho vira espinho E quando da saudade eu me avizinho Minha alma volta a ser celibatária.
Não quero em minha vida outra pessoa, A chuva renitente qual garoa Não deixa o sol nascer, a vida passa.
O tempo de sonhar já se esgotando O barco sem ter porto naufragando Amor vai se esvaindo na fumaça.
54
Ao menos percebeste ser possível, Amiga, um novo rumo em tua vida. Se a gente se entregar e ser vencível Vencemos, no final, nem Deus duvida.
Estrada vislumbrada, tão incrível Capaz de demonstrar qual a saída Buscada em noite frágil, mas cabível Nos olhos de quem pensa estar perdida.
Alagas com teu choro o quarto e a sala, Mal sabes quando amor assim resvala Prepara o coração para outra sanha
Alado o sentimento ganha espaço, É só seguir a estrela passo a passo, Que tu verás ao fim, lua e montanha...
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Ao menos se eu pudesse te falar Dos meus caminhos tortos, mas honestos. Amores tantas vezes manifestos, Errático satélite a vagar.
Guardando a liberdade noutro hangar Os tempos sempre foram mais funestos, Não soube decifrar sequer os gestos Tampouco soluções preconizar.
Azar de quem jogou sem ter cacife, Restou como consolo, um torpe esquife E o fardo tão pesado deste karma.
Não quero ser joguete em tuas mãos Os dias que vivemos, todos vãos, A dura realidade me desarma...
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Ao menos tive um pouco de alegria E te agradeço o gozo de um momento Que nunca mais saiu do pensamento Justificando assim, a poesia.
A boca que em desejos não temia Nem mesmo a força intensa desse vento; Paixão. Ao se entregar ao movimento Das ondas novo encanto percebia.
Amar e ser feliz? Tudo o que eu quero... E mesmo que enfrentando um sonho fero Não canso de tentar, seguindo em frente.
Quem sabe num minuto o tempo mude O sol resolva vir em plenitude. O amor chegando intenso, novamente...
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Ao mesmo instante dizem: nunca mais As vozes do passado que me atentam, O quanto foi difícil ver o cais! Miragens, olhos tristes sempre inventam
Tentando reviver o que passou. Refaço o meu caminho e nada vejo, Nem mesmo ainda sinto quem eu sou Escravo da vontade, do desejo,
As noites são insones, na penumbra Apenas teu retrato vai e vem. Alguma luz decerto se vislumbra. Levanto esperançoso. Nada tem
Senão esta saudade feita em chaga. A solidão que amarga, atroz, me afaga..
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Ao mesmo tempo beijas e me afagas E quase que me afogas em loucuras. Nos mares dos prazeres... Tantas vagas Revoltas com torturas em ternuras,
Depois sem ter motivos, me desdenhas, E ris desse meu jeito de te amar. Mil faces em disfarces; já desenhas A dor que tanto gostas de sangrar.
Bebendo do teu mel, eu não concebo Por que me trazes fel e me envenenas... De todo esse carinho que recebo O que sobra senão as duras penas?
Mas quero o teu amor, minha centelha Assim como uma flor deseja a abelha...
59
Ao mesmo tempo entorna e me alucina Ninguém me engana e nem tampouco salva Da selva busco em relva, cais e mina, Contente; eu vou seguindo sem ressalva.
Apraze cada frase que me dás Alegra sem ter regra a negra noite. Deleite do que enfeite satisfaz, Sorriso em ironia vira açoite.
Os pés que se entortando dão meu rumo Estendes teus retalhos na janela. Cascalhos do que fomos; sempre assumo, No prumo de costume a paz revela
Girando em trama e cama, vida afora, Eu quero desde sempre e mesmo agora.
60
Ao mesmo tempo mostra em belo viço Belezas que provocam nosso vício, Causando então gigante reboliço Levando-nos decerto ao precipício
Num ar que é tantas vezes mais mortiço Errante e sem destino desde o início. Mas sempre num divino compromisso Dominar totalmente é seu ofício.
Amor que se faz forte em plenitude É feito de emoções em louca paz. Mesmo que venha lúdico amiúde
Na realidade deve ser capaz De se adaptando ter outra atitude Quando outro vento, instável vida traz.
61
Ao mesmo tempo presa e caçador, Não temo a tempestade que virá, Sabendo que teremos desde já A força insuperável deste amor.
Colhendo em harmonia fruto e flor O sol mais fortemente brilhará, A doce fantasia mostrará O rumo que tentamos recompor.
Um homem feito em fé, luz e carinho Não perde, com firmeza, o seu caminho, Durante o temporal, teimando insiste.
Sabendo do horizonte claro e belo Usando da esperança qual rastelo, O velho caminheiro não desiste.
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Ao mesmo tempo sonho e desiludo Contudo não me canso de sonhar, Tragando a noite inteira neste bar, O quanto que me impedes, mais ajudo.
Não tendo o que perder eu vou com tudo, Miúdo o coração que não tentar. Às vezes mais depressa ou devagar, O rumo a cada instante, eu sei que mudo.
Amar, amara senda que me adoça, No quase que perdi, decerto eu ganho. Na cama a mais sutil e bela moça
No cheiro da menina a tentação. Amor é sentimento muito estranho, Molhando, acende o fogo da paixão...
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Ao mesmo tempo sonho e me maltrato Fazendo em solidão versos ateus. Meus olhos inda miram teu retrato, Espelhos de minha alma que são teus
O dia se tornou cruel de fato, Apenas me restando o triste adeus. Na ventania imensa, o meu regato Procura renascer momentos meus.
E assim, seguindo a sombra de mim mesmo, Caminho e tantas vezes; vou a esmo Pensando na longínqua e fria glória
Recebo o vinho amargo da saudade Ceifando o que pensei ser liberdade Tornando a minha vida merencória...
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Ao mesmo tempo sorvo e sou servido Sorvetes de nós mesmos, vulva e falo. Num ato em que se mostra resolvido Na boca que se ocupa mais eu falo.
Prazer de se sentir e ser sentido Depois com fúria imensa, não me calo. No espasmo violento eu não duvido Balança esta roseira treme o talo.
Num jogo onde jamais há vencedor Apenas um empate mavioso. Um rio que se esvai mais devagar
Levando a cachoeira a se compor De um liquido profano e fabuloso. É recebendo amor que irás me dar...
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Ao misturar essências tão perfeitas, Delírios em delitos e pecados, Olhares tanta vez extasiados Enquanto tu me encantas e deleitas.
As normas sem limites sendo aceitas Permitem passos, laços, braços dados Lançando a nossa sorte guardo os dados E quero estar contigo quando deitas.
Meandros e fronteiras conhecidos, Nas tramas entre rumos concebidos Bebidos com total sofreguidão.
Conluio entre dois corpos tão sedentos Mudando a direção dos velhos ventos, Encharcam com prazer a embarcação...
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Ao mitigar o pranto e consolar Uma alma sem destino, feita em dor, A mão que chega mansa, a demonstrar Toda a pureza imensa, vero amor,
Mostrando-se capaz de aliviar E dar um novo alento ao sofredor, Que sabe e necessita se irmanar, Cuidando com carinho desta flor
Um raríssimo espécime que resta, Justificando a glória de viver. Na mansidão se sente tal poder.
Não faz nem rebuliço nem quer festa Existe tão somente e nada cobra. Demonstra-se mais firme se soçobra...
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Ao mundo deslumbrante em mil delícias Que Deus permita esta viagem mansa, Ao semear em nosso amor carícias Um lavrador colheita rara alcança
Assim também eu procurei fartura Quando na ceva, mergulhei inteiro. Mão delicada ao cultivar ternura Colhe perfumes neste amor canteiro.
Ondas do mar, recifes de coral, Na noite clara de luar, eu vejo A tua imagem refletindo astral
Além das brumas claridade imensa, Moldando assim, em plena luz, desejo Encontrarei a névoa menos densa...
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Ao mundo que entre nós vai se mostrando, Adentro o pensamento libertário. O céu de uma esperança iluminando O vento que já foi mais temerário, Agora o novo dia anunciando, Demonstra um paraíso relicário.
São vários os motivos, te garanto, Que fazem deste sonho, realidade. Cevando em nossa vida tal encanto Decerto encontrarei felicidade. Eu quero te dizer que eu te amo tanto Além do que é possível, na verdade.
Nas tramas deste amor eu sigo em frente, No fogo que me faz calmo e contente...
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Ao mundo resta apenas a esperança, Depois de tanto tempo em desvario, Secando desde a fonte, um manso rio, A foz tão caudalosa não se alcança.
O homem com total auto-confiança Matando a natureza desde o cio Tornando este planeta mais vazio, Só deixa pro futuro, a vã lembrança
Das águias e das águas. Algas, gases, Cenário devastado, nada sobra. Enquanto a poesia se desdobra,
Os poderosos sempre tão vorazes Destilam dos cadáveres, seu vinho, Deixando só escombros no caminho...
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Ao olhar assim de frente A menina mais formosa, Coração vai de repente, Num momento fica prosa,
A tua boca tão quente A tua face formosa Tanta vontade se sente, Bobear a gente goza.
Eu te quero em minha cama, Nos lençóis, seda e cetim, Acendendo a minha chama,
Deitadinha para mim. Meu amor depressa chama, Para o amor que não tem fim..
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. Ao olhar os reflexos espelhados Nos rostos que quem tanto maltratei Percebo os passos tortos quando andei Vencido por desejos malfadados.
Olhares tantas vezes magoados, Fazendo da tristeza, a minha grei, Empáfia de quem quis sonha ser um rei Gritando com quem ama em altos brados.
Sou verme e ao ver-me assim eu me liberto, Vontades sem limites, eu deserto E passo a ter apenas a certeza
De quem viver em paz traz liberdade Sabendo a plenitude da amizade Conheço a magnitude da beleza...
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Ao oscular a face empresto à traição O gosto verdadeiro em consciente fato No gládio em que me encontro um último retrato Em busca desperada- eu sei – de punição.
Eu sei que muita vez é grande a sedução Que se mostra em covarde e desnecessário ato Secando toda a fonte e matando o regato Trazendo para a vida, a própria negação.
Assim é que funciona a harmonia do jogo Aonde um traidor é quase sempre um santo. Mas vejo em ti querida, uma exceção à regra.
Na força da amizade o verdadeiro fogo Que emana de minha alma e mostra puro encanto Iluminando assim a noite outrora negra...
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Ao passares pelas ruas ladrilhadas Emana teu perfume, lembras rosa, Seguindo neste aroma, quais pegadas Encontro-te radiante e tão formosa. As horas de tristezas já passadas Mostrando que esta sorte deleitosa Ergueu-se das fortunas destroçadas Trazida pela mão mais venturosa Daquela a quem amara num segredo, Em sonhos endeusara a vida inteira Salvando-me do eterno e mau degredo, Curando estas feridas com carinho, Na mansidão perene e verdadeira, Forrando com olores nosso ninho...
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Ao passares, cobiçada pelas ruas, Não vês o meu olhar quase faminto. Acendes um vulcão que esteve extinto Dando a impressão, querida, que flutuas.
Sem olhar para trás tu continuas E em cada passou teu, meus sonhos pinto. O que pensam de um velho tão distinto Imaginando a moça toda nua?
Bem sei que não teria qualquer chance Mas te agradeço, enfim, de qualquer jeito. Sentindo em cada passo num nuance
Que a vida permanece resistindo E o sonho com certeza é meu direito. E o mundo, enfim, deveras, é tão lindo...
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Ao perceber bonança nos teus versos Recebo uma esperança no meu rosto. Concebo em aliança os mais diversos Sentimentos profundos; e assim posto
Unir os corações antes dispersos Junto contigo, amor, estou disposto Lançando um desafio aos universos De termos paraíso recomposto.
Quem sabe em amizade, amor ou ambos; A vida seja fácil de viver. Sozinhos, corações viram molambos
Rastejam pelo mundo em solidão. Na sede por amor e por prazer Se perdem sem calor ou emoção...
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Ao perceber no espelho a fria imagem Que aos poucos se esvaindo, nebulosa, Trazendo bem no fundo da paisagem Uma caricatura tão jocosa,
Ainda que os reflexos já se trajem De luzes num mosaico, a vista glosa Deixando fragilmente uma miragem Que mesmo assim confusa inda é vistosa.
Porém um rudimento de sorriso Irônico demonstra-se impreciso Em tons agrisalhados. Mas quem há de
Dizer do embotamento em que se dá A falsa percepção que desde já Traduz em agonia, a mocidade!
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Ao perceber que estavas tão a fim De estar comigo, amada eu bem sabia, Que toda esta surpresa para mim, Não duraria mais que um simples dia.
Por mais que a vida faça e se desdobre E mostre saborosa novidade, Alegria tão curta é a desse pobre Que sonha poder ter felicidade.
Porém eu agradeço este momento, Aonde foste deusa e cortesã Quem dera se este tempo fosse lento, E não houvesse nunca um amanhã.
Mas mesmo assim, guardando a bela cena, Eu te garanto, amor, valeu a pena!
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Ao perceber teus passos nessa escada, Taquicardia tenho, fico tonto... Minha alma fica toda alvoroçada, Os meus olhos brilhando... Já me apronto.
Espero mais solene essa chegada. O tempo se arrastava nem te conto, A vida parecia desastrada... Agora que te tenho e que estou pronto,
Não fico de tocaia, nem calado... O mundo me parece, faz sentido... Tanto esperei... Quero viver ao lado
Dessa mulher, minha esperança e luz... Nessa alegria, amor foi convertido, As minhas horas, tua mão conduz...
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Ao perceber vazios e lacunas Eu tento conhecer cada pedaço, Vencendo a tempestade, areia e dunas, No mar da fantasia, riscos traço.
Singrando no horizonte estas escunas Eu vejo decifrado cada passo, Distante placidez de outras lagunas Meu rumo pela vida, eu mesmo faço.
Desfaço antigos nós de olhos fechados, E beijo a ventania, com prazer. Por raios e relâmpagos cercados,
Os sítios da esperança são assim, Fugazes fogos fátuos posso ver Gêiser intermitente dentro em mim...
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Ao perder qualquer noção Do quanto pude e, nada A sorte ainda evada Dos dias que verão Apenas solidão E nisto outra alvorada Já tanto desejada Agora em novo não. Areias, praias,.mar Pudesse navegar Nos braços de quem busco Vencendo o medo e o caos Ainda em velhas naus O porto mais velhusco.
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Ao perder a noção de tempo e espaço, Sem medo de saber-me apaixonado. Fortalecendo sempre cada laço, Querendo estar contigo do teu lado.
Decifro no teu corpo, passo a passo, O rumo que será nosso aliado. Derramo nosso amor, venho e te abraço Querendo ser por ti, somente amado.
Paixão que nos tomou em poesia, Formando imensidão de sonhos tantos. É forma de cantar em harmonia,
Cedendo mansamente aos teus encantos, Que bom saber da glória deste Fado, De ser assim, teu par e namorado...
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Ao preparar seu bote já me espera A fria solidão, velha parceira. Inverno que adentrou a primavera Hiberna uma ilusão, amarga esteira.
O quanto que eu pensava enfim poder Sorrir depois da enchente que encontrara Aguando meu canteiro eu pude ver, A flor que se mostrou divina e rara.
Porém a vida trama num falsete E mata o que pensei ser esperança Da festa prometida, sem confete Acaba num momento o riso e a dança.
Catando o que restou desta ilusão Exponho nestes versos, coração...
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Ao procurar abrigo nos teus braços Sabia que podia já contar Com toda a garantia destes laços Tão fortes que ninguém pode apartar.
Consolo para os tristes pensamentos No apenamento duro de minha alma, És garantia certa dos momentos Onde nem a beleza já me acalma.
Suave, o teu perfume, companheira Recende a um jardim de alfazemas, Por mais que se persiga a vida inteira, Douradas garantias destas gemas
Que formam estas pedras lapidadas Duma amizade sempre de mãos dadas...
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Ao procurar amor que já me desse Esperança de ter contentamento Depois de tanta reza; tanta prece, Encontro teu olhar; meu manso alento...
Amores que já tive; insatisfeito, Que tanto me feriram e sangraram. Agora que te encontro, amor perfeito; Meus dias, com certeza, iluminaram...
Verdade que por vezes és distante, Mas eu te encontro sempre que preciso. Nas horas mais doridas, és constante. O sofrimento nunca manda aviso...
Amiga nos momentos mais diversos, Dedico meu amor em tantos versos...
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Ao procurar encontrar entre as estrelas Os rastros que me levem num instante Aos passos deste amor tão deslumbrante Que em forma de carinhos já revelas.
As noites transmudadas ficam belas Se trazem nosso amor belo e constante, Que é feito em sintonia. Num rompante, Partimos mar afora, abrindo as velas
E as asas em nudez, desejo e gozo, Tramando este passeio mais gostoso Por entre tantos astros, luas, sóis...
Encontro então os rastros que deixaste Nos perfumes que, amor, tu espalhaste Por sobre nossa cama e seus lençóis....
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Ao prosseguir a minha caminhada Encontro uma calçada tão formosa Em pedras tão bonitas, ladrilhada Paisagem sem igual, maravilhosa.
Ao lado dessa rua um bosque em flor Aonde posso ver um divino anjo, Calado; solitário busca amor, Porém a vida mostra em triste arranjo
Vazios nos seus olhos, dura sina, Enquanto ladrilhava em esperança Buscando ter os sonhos da menina, O medo num tormento, o pobre alcança.
No bosque que se chama solidão, Um anjo chora só, sem coração...
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Ao recordar os dias que passamos Em meio a tão diversas maravilhas, Divinas emoções por onde trilhas, Momentos sem igual nós preparamos.
Se a cada novo brilho realçamos As noites sem mentiras e armadilhas. Envoltos nesta trama sem guerrilhas, Dilúvios, temporais já provocamos.
Acesas lamparinas desde antanho, A cada novo tempo, um outro ganho Felicidade assim, ninguém se esquece.
Façamos reviver cada segundo, Do amor que a gente tem, maior do mundo, Que apenas conheceu quem o merece...
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Ao renascer do esgoto que me deste, Sem ter mais esperanças, morro assim. O amor que não bebi, louco estopim, Espalha sobre o campo, frio e peste.
Abismo como herança, solo agreste Jamais florescerá novo jardim, Do quanto de tristeza existe em mim, Sem sonho ou solução que amor empreste.
Ambíguas emoções, alívio e dor, Atento aos dissabores; sobrevivo. Pressinto o meu final, mas não me queixo.
Enquanto a vida trama em dissabor, O olhar que permanece mais altivo Não representa; amigo, algum desleixo...
93
Ao ressurgir o amor Depois da tempestade O quanto nos invade Cenário aonde eu for, Vislumbro sem pudor Amor que nos degrade E dita a realidade E nisto é multicor. Ocaso de minha alma A sorte não acalma E nada mais teria, Produzo a solução Nos dias que virão E mata a fantasia.
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Ao ressurgir o amor em nossos peitos, Fizemos deste sonho, uma certeza, De toda a fantasia em nossos leitos, Bebendo todo o rio e a correnteza.
Lutamos pelo amor, e nossos pleitos Nos dão toda a magia da beleza E assim, versos unidos, satisfeitos, Jamais da dor seremos simples presa.
Vencendo as armadilhas do caminho, Não temos mais as pedras, nem espinho. Sofremos, mas vertemos emoções.
Unindo nossos mundos tão distantes Fizemos destes dias deslumbrantes Alentos para os pobres corações...
95
Ao riscar os espaços Procuro alguma luz E sei o que traduz Momentos duros, lassos Em dias mais escassos O todo reproduz Cenário onde faz jus Legando velhos traços. Gerando o dia a dia A sorte se faria E o tanto não pudera Vencer a velha espera Em turva fantasia. 96
Ao riscar os espaços versos soltos Penetram por janelas, abrem portas Vencendo mares loucos e revoltos No cais do nosso amor tu vens, aportas.
Amar e ter um sonho: ser feliz, Mostrando o bom caminho a se seguir, Meu coração te prova e pede bis, Eu quero do teu lado prosseguir
E ter o alvorecer bem mais bonito, Nos raios deste sol que nos guiou Do amor em que se cumpre cada rito Estrela radiosa já brilhou
E trouxe uma esperança gigantesca, Na aragem da manhã, tão calma e fresca...
97
Ao riscares, da agenda, o telefone De quem tanto te quis e inda te quer, Deixaste cada noite ser insone, Lembrando o teu perfume de mulher...
Quem dera ser imune ao sofrimento Legado como herança. Tal tristeza Tomando, com vigor meu pensamento, Minha alma a se mostrar tão indefesa...
Apenas um momento... quem me dera... Sentir o teu aroma junto a mim, A flor que um dia trouxe a primavera Inverna, em solidão, todo o jardim...
Quem sabe, noutra vida tu virás Trazer a quem tanto ama, alguma paz...
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Ao rolar esse rio em mil cascatas, Nas curvas, bambuais e lambaris... Respondem tantos sóis as belas matas. Ladrilhos e jardins: eu fui feliz?
Os olhos dessas águas, mansas pratas, As margens não se inundam por um triz... Das belezas divinas, águas pratas Matas, cascatas, rio velha atriz...
No reflexo das mágoas, sua tiara... Procuro em alta fímbria meu destino... Mergulho tocaiando bela Iara...
Se espalha com total insanidade, Causando furioso desatino. Na fúria das enchentes, tempestade...
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Ao rolar esse rio nas cascatas, Nas curvas, bambuais e lambaris... Respondem tantos sóis as belas matas. Ladrilhos e jardins, não fui feliz...
Os olhos dessas águas, mansas pratas, As margens não se inundam por um triz... Das belezas divinas, tantas natas, Matas, cascatas, rio velha atriz...
No reflexo das mágoas, sua tiara... Procuro em alta fímbria meu destino... Mergulho tocaiando bela Iara...
Se espalha com total insanidade, Causando furioso desatino. Na fúria das enchentes, tempestade...
2900
Ao saber que te faço mais feliz Trazendo um acalento em dias duros, Ajudando a subir íngremes muros Portando para o céu melhor matiz,
Brotando esta alegria, tanto eu quis Levar a claridade em dia escuro, No sentimento nobre, pois tão puro Emoldurando amor, ser aprendiz.
Versar sobre este mundo benfazejo Que sinto renascer em nossos passos. Ajuda a recompor em belos traços
Um tempo mais gentil que enfim prevejo. Galgando em sonho intenso, a liberdade Que é base para ter felicidade...
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