
MEUS SONETOS VOLUME 028
Data 27/11/2010 06:27:19 | Tópico: Sonetos
| 2701
Andando sobre as nuvens, boca e beijo, Cultuo essa beleza rara e santa. Sob a blusa... Teus seios... Antevejo A viagem que alucina e que me encanta... Sentindo o teu arfar me convidando Ao nosso mais divino desenlace, Me vejo, calmamente desnudando E peço com carinho que me abrace. E tudo se transcorre, corre a noite; Em pétalas aberto este botão. Meu mundo nos teus mares... Vem, acoite E guarde sem temores, a emoção De sermos muito mais que simples mentes Unidos pelos corpos... Inclementes...
2
Andando tão incerto pelas ruas, Vagando neste mundo duro e frio. Correndo pelas noites, caço luas, E, sem motivos, tanto choro e rio...
Às vezes já me pego, assim, cantando; Por outras, emoções me tomam tudo. Vivendo sem esperas, esperando. Ao mesmo tempo enorme e tão miúdo.
Voando em pleno solo, caio aos céus. Navego tantos mares, sem saveiro. Exponho minha faca, arranco os véus. Mergulho das montanhas, vou inteiro...
Meus versos; vou jorrando aos borbotões, Nos braços desmedidos das paixões...
3
Andara certo tempo, qual perdida, Sem rumo, sem caminhos, sem seu norte. Irmã dos sofrimentos, sem a sorte De quem já procurou amor na vida.
Nas brumas de seus olhos, despedida, Destino mais cruel, profundo corte. Espera calmamente pela morte, Uma alma já cansada, sem saída...
Porém um olho mágico se vê Por trás da porta sempre mal fechada, Permite-se, com isso, que se crê
No renascer da vida, iluminada, E surpreendentemente uma emoção Revela-se nos olhos da paixão...
4
Andar por tanto tempo sem destino, Guardando no meu peito este segredo. Morrendo pouco a pouco, desde cedo. Sabendo que no fim, não extermino
A dor desta vontade de um menino Que teve em cada queda, um mundo ledo, O gosto da saudade: amaro, azedo, Mascarado em sorriso quase fino.
Se tanto me amofino e nada faço, A culpa pode ser somente minha? Se trôpego mal ando e me embaraço
Talvez tenha por sorte, na verdade, O que resta de mim, em ti se aninha Amiga. O que me resta. T’a lealdade...
5
Andar sempre ao teu lado, uma fortuna Que Deus me reservou dádiva santa. Saber que em ti achei amor, ternura Mal sabes quanto enfim, isso me encanta.
Meu verso então seria tão vazio. Somente de lamentos e tristeza. Porém no mundo belo que assim crio Encontro mil motivos pra certeza
De ser agora um homem mais risonho, Cantando nos poemas meu afeto. Viver na realidade um raro sonho,
Seguindo este caminho mais dileto Faz parte da alegria em que me exponho, Por isso tanto amor que te proponho...
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Andava pelas ruas sem destino, Bem sei que nada tinha nesse mundo... Perdido vou seguindo e nem me atino Em tanto sofrimento, mar profundo...
Chegaste prometendo a salvação Nos braços e nos beijos me entreguei... Depois de tanto tempo de ilusão, Em vão eu percebi o quanto errei...
Querias simplesmente uma vingança De um bem que já se foi e não voltou. O que fora semente de esperança Por ter faltado amor, logo gorou...
Amada mesmo assim eu te agradeço! Me fizeste mais feliz do que mereço!
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Andarei por ti todos os caminhos, Nas aldeias e nos campos, estrelares... Meus olhos vagabundos pedem ninhos... As pernas fatigadas querem lares.
Na lareira aquecendo dores, vinhos. Pela janela aberta, mil luares. Serenatas distantes, plangem pinhos... Corcel dos meus amores nos altares...
Vasculho pelos ares, não estás, Teu canto se repete em minha mente, Meus sentidos vazios, peço paz.
Ando desfiladeiro, cordilheira; O mundo inebriaga num instante Vontade de voar a terra inteira!
8
Andara tanto tempo em luz sombria Invernando esta dor dentro de mim. Somente um tristeza em agonia Matando pouco a pouco, tudo enfim... Quem dera se soubesse onde alegria Escondera um sorriso, mesmo assim Esperança voltava noite e dia Anunciando uma glória. Bem no fim... Ao te ver, percebi que estava ali A total redenção de minha dores, Depois de tanto tempo que perdi Procurando nos bares, luas, trilhas... Nos jardins infinitos, tantas flores, Mais que todas, sozinha amor tu brilhas!
9
Andava por aí, a passo solto Buscando perceber por que este vento Deixando o meu cabelo mais revolto, Causava tanto mal. Isso eu lamento. Mas saiba que encontrei, nisso me escolto, Belezas em poemas, sentimento.
Marujo que não sabe como é o mar? Lavrador que não viu jamais enxada? Poeta que não sabe o que é amar? Desculpa, meu amor; não tá com nada. Cegueira não percebe que o luar Já deixa a terra toda iluminada...
Mas volto pros teus braços depois disso. Pro nosso mundo brega, meu cortiço..
10
Andava por aí, Sem mesmo perceber O quanto em desprazer Deveras percebi E quando chego a ti O todo do meu ser Esvai e no querer O tanto resumi Vagando sem destino Enquanto me fascino Presumo este final O ocaso se aproxima Mudando todo o clima Traduz um ritual.
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Andava semi-nua a deusa maviosa, Por onde ela passava um rastro de beleza. Estrela salpicava o andar desta princesa. O rastro que deixava olor de bela rosa...
Eu, pobre aventureiro, em vida mansa e prosa, Ao ver a tal princesa, a dama de nobreza Rara em desfile tal, passei a ter certeza, A vida, ato divino explode venturosa...
Bem sei que não consigo imaginar a cena, Quando Deus luminoso esculpiu a pequena Obra prima que passa enfeitiçando a rua.
Só posso agradecer por estar vivo então, Aplaudindo de pé, um pobre coração, Por Paula enlouquecido, a deusa semi-nua!
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Andávamos libertos pelas ruas, Dois párias, vagabundos, cães sarnentos As carnes quase expostas, semi-nuas Os olhos procurando os alimentos.
À noite embriagados, sob as luas Do amor e do desejo mais sedentos. Nas asas das loucuras se flutuas Verás toda a delícia destes ventos.
Jornais são nossas fronhas, travesseiros Lençóis, toda a nudez sem ter castigos. Nas valas e nas fendas bons abrigos;
Larápios, sem vergonhas, trapaceiros, A vida quase morte por um triz, E a puta sensação de ser feliz!
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Andorinha perdida faz verão? As cores que roubei de um falso arco íris. Num prisma repetido na amplidão, A refração impede que me atires.
As forças se refletem no perdão. Nos sonhos mais felizes, eras Íris, Mas tudo não passou de uma ilusão. Meus olhos embotados, vagas íris.
Solução pode ser, rima jamais... Andorinha não pode mais voar... Suas asas cortadas, sem Raimundo...
Mundo, mundo, me inundo e sou capaz, Andorinha não tem onde chegar! Como é vasto e cruel nefasto mundo!
14
Ando com a macaca ultimamente, Não quero e nem suporto mais frescuras Palavras que tu dizes tão obscuras Confundem totalmente a minha mente.
Enquanto o amor que dizes se desmente Por falta de carinhos e ternuras, As horas do teu lado são escuras, As juras que tu fazes? Francamente...
Soçobra o meu navio no teu mar, A gente faz de conta. Fingimento. O amor que se entregou por um momento
Teimando porém prestes a acabar Não sabe decifrar mais os sinais, Que deixas nos caminhos. Infernais...
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Andei por essa vida qual sonâmbulo! Verti, da realidade, todo o senso... Sorvi da crueldade esse preâmbulo A transmudar nossa vida em imenso
Deserto. Nos cigarros, caranguejo; Nessas minhas manhãs inconcebíveis, Restando tão somente um vil desejo: Penetrar teus desertos mais temíveis!
Andei por essa vida sem remédio, As dores tão constantes causam tédio... As fúnebres lembranças, solidão...
Tetânicos espasmos, coração... Nem a fé acompanha mais meus passos... A morte, sorridente, mostra os braços!
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Andei por certo triste, esperava teu perdão... A chuva maltratando esse pobre andarilho... No peito disparando um louco coração... As roupas te cobrindo, encontro este espartilho...
A lua vai brilhando adoça esta amplidão... Quem fora doce mãe, procura pelo filho... Luar que sempre brilha, inteiro, no sertão.. A vida procurando, encontra um novo trilho.
As hortas que plantaste, as verduras morreram... Nas hordas que levaste os medos sobrevivem... A noite que nevara, os medos percorreram...
Andei por teu caminho, estrelas não brilhavam... Nos beijos que te dei, destas tristezas vivem. Na lua que surgira, embalde procuravam...
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Andei distantes vales e montanhas Nas sombras de um passado doloroso. Sentindo uma agonia nas entranhas Perdendo uma esperança, morto o gozo A vida foi por sendas tão estranhas, Sem ter um só momento mais gostoso.
Um deserto terrível parecia Sem fim, somente areia em tempestade. Calada toda a sorte e fantasia, Distante de saber felicidade, Meu tempo se passando em agonia, Vivendo na cruel insaciedade.
Vieste redentora amada amante, Meu mundo renasceu no mesmo instante
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“Andei cantando a minha fantasia” Na busca deste amor puro e sincero Que sempre me demonstra a poesia De ter no teu amor tudo o que quero...
Marcando minha vida em tua vida, Buscando a solução destes dilemas, Sabendo que terei sem despedida, Os nossos beijos, tantos, como lemas.
Eu vi o teu retrato no meu sonho, Eu vi a tua face bem marcada, Eu vi o nosso mundo mais risonho, Eu vi o nosso canto livre, amada...
Espero que tu venhas, de repente Trazendo todo amor, que se pressente...
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Andávamos nos vales procurando, Em meio a tantas urzes, brancos lírios... O céu como escultura, nos levando, Envoltos em carícias e delírios...
O vento que soprava manso, brando, Em teus olhos belezas qual colírios, Buscava, sem saber que estava amando. A vida não deixava crer martírios...
Montanhas e seus cumes azulados, O verde desses campos e esperanças... Beleza sem igual, divinos prados.
Deus, com toda certeza em orações Guardou a nossa imagem nas lembranças... Num hino tão divino aos corações!
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Andávamos nas noites, cães vadios, Rolando entre as esquinas e os motéis, Trilhando sem limites nossos cios Em risos, gozos, sacros e cruéis.
Animalescamente unindo os fios Arcanjos indecentes, mas fiéis, De pedra, os travesseiros mais macios, Orgasmos desfrutados, sangue e méis...
Nossas noites profanas, redentoras, Nossos corpos desnudos pelas ruas, Entranhando luares e velando,
Fatídicas ternuras pecadoras, Nos banquetes carnais, as bocas cruas, Cães vadios nas noites; se entregando...
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Angelical formato majestoso Que sempre me iludiu, agora vejo. Foram tantos momentos de desejo E jamais esperava pelo gozo
De poder me sentir tão orgulhoso Por roubar desta deusa um simples beijo! Lembrando deste fato então versejo. Meu mundo não se mostra tenebroso...
Nos céus que te procuro nunca estás, Na mão que me acarinha mais audaz Eu sinto essa presença que inebria...
Embora me pareça algum delírio Em tuas asas alvas, puro lírio, Mergulho na infinita fantasia!
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Angelical formato De um sonho sem igual Ousando em ritual Aonde desacato O medo e assim resgato Da sorte o triunfal Momento menos mal Enquanto a paz constato, Vencendo os meus temores Seguindo aonde fores Encontro a sorte enfim, E vago sem sentido O quanto decidido Amor dentro de mim.
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Anoiteceu, vibra um sentimento Que faz com que me perca sem temer. Avanço como um louco, o pensamento Colado no teu corpo, no teu ser...
Te Beijando e também sendo beijado Suaves os carinhos sem ter medo. O gosto e a delícia do pecado Inventam num segundo outro segredo.
Amor me transportando, tonto, ao céu, Arranca tua roupa e nada fala, A noite te prometo, seu corcel, Será da mais sublime e nobre gala.
Os sonhos que sonhamos neste quarto, Amor de tanto amor, dormindo farto...
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Anjo noturno em asas deslumbrantes, Andando nos meus sonhos, brancas ruas. Os olhos, dois perfeitos diamantes, As asas descobertas, carnes nuas.
Sementes espalhadas em rompantes. Um anjo que me entorna bocas cruas, Em sombras tão bonitas, radiantes... Mulher que angelical, assim flutuas...
Virando-te do avesso, sexo e gozo, Na dor transcendental de ser assim Desejo que se fez voluptuoso,
Ardendo em sonhos loucos,sede e brasa. Segredo meus anseios, cedo ao sim. Desfruto de teu corpo, minha casa...
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Angelical presença nos meus sonhos; Mulher que me fascina totalmente. Por ti, tantos momentos mais risonhos, Penetram coração, sentidos, mente...
Quem dera enveredar tantos caminhos, Nas rendas e nas sendas, sedas, mansas... Vivendo nosso mundo em descaminhos, Trazendo em nossas margens, luas, danças...
Eu quero teu amor, não mais duvides; Aos poucos, sentimentos aumentando. Futuro em tuas mãos, isso decides, E saibas que estarei sempre te amando...
Vencendo minhas dores do passado; Só quero te encontrar aqui, do lado...
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Aniversariante, eu te desejo Querida, a festa plena desta vida. Futuro mais feliz; quero e prevejo Deixando qualquer dor em despedida.
Um mundo mais gentil; decerto almejo Perceba o quanto, amiga, és tão querida, Aproveitando então o feliz ensejo Minha alma; eu vou te expondo desabrida.
Por mais que seja dura uma batalha Não deixe esmorecer tua vontade. Uma esperança vem e te agasalha
Vencendo com louvor a tempestade. Que o brilho desta data se repita E a luz desta esperança te reflita.
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Aniquilado sonho expondo uma alma Herética manhã não disse nada. Um beijo de mulher enamorada Às vezes tumultua ou mais me acalma.
A fauna que desfila na janela, Mecânicas diversas espalhando, Queria ter um sol ao menos brando Que a velha poesia me revela.
Selando o meu cavalo, vou à toa, Porém minha alma tola ainda voa Atrás de um velho sonho aniquilado.
Carcaças dos meus cantos são canhestras Palavras que tentei julgando destras Escorrem dos meus dedos, engelhados...
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Angústia! O pensamento não disfarça E esvai toda alegria que encontrara. A sorte prometendo outra trapaça Mostra a felicidade longe. Rara...
Uma ilusão que sobra já se esgarça Qual fora um porto triste em vida amara, A vida parecendo dura farsa Abrindo no meu peito funda escara...
A solidão voraz que se propaga Deixando tão somente um sonho atroz. Meu barco se perdendo, em forte vaga,
Silêncio vai tomando a minha voz. A luz que iluminava enfim se apaga, E a dor vai invadindo, mais veloz...
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Angústia se transforma em meu remédio... No frio em que profanas, sem saber... A noite me permite teu assédio, O mundo que vivemos, vai morrer...
Em troca me darás terrível tédio... A chave me levaste, sem querer... Saltando da janela deste prédio, Num cântico, em promessas quero crer...
Os passos doloridos da existência Vontade de gritar, chamar teu nome... Nas raias da loucura em vil demência.
O vento que trouxeste, congelou. A noite que chegava, agora some. Errante procurando, quem eu sou?
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Angústia e solidão, num triste adeus A vida não devia ser assim. A seca vai chegando dentro em mim Buscando cada noite os olhos teus.
O amor que se perdeu, sonhos ateus Imersos em vermute, vodcas e gim Trazendo desde agora amargo fim, Matando os sentimentos, tolos, meus.
Virás noutro momento, assim espero, Adocicando um dia frio e fero Qual fênix renascendo em brilho farto
Vazios que legaste como herança, Apenas me restando uma esperança Dourando a escuridão deste meu quarto...
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Anseio por carinhos e atenção, Um beijo tão somente me bastava. Ouvindo o que me diz o coração Queria arrebentar porteira e trava
Tomando assim em minha direção, A vida que esperança já me dava, Quem sabe assim teria solução A dor que em minhas lágrimas se lava.
Acordo solitário e de manhã O sol da fantasia se escondeu. O gosto desejoso da maçã
Há tempos esqueci, sigo distante Do amor que um dia crera ser só meu E morre infelizmente a cada instante...
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Anoto num caderno os desenganos, Que a vida já me trouxe, esteja certa Porteira quando esteve sempre aberta, Negava os meus caminhos, velhos planos.
Os erros cometidos são humanos, A morte se aproxima em hora incerta, Enquanto a poesia me deserta Escondo as ilusões em falsos panos.
Matar o sentimento, ser assim A flor que se despede do jardim, O barco que sem âncora quer cais.
Ouvindo a voz suave da manhã, Percebo a minha história amarga e vã Qual corvo repetindo: nunca mais
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Anônima emoção que entorpecendo, Esquiva-se das luzes. Jaz na treva Inerente. Amargura me envolvendo, Ao meu retrato podre já me leva...
Carcaça que na vida fui tecendo Carcomida imagem que inda neva Na especular miséria em que me vendo A dor que me acompanha, assim, longeva.
Satânica vontade de esganar, Rasgar o meu cadáver, trucidar, A carne decomposta, inútil, pálida...
Das moscas e das larvas, companheiras, As bocas que me escarram das bicheiras, Aguardam em torpor, uma crisálida...
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Anseio tua vinda Estrela matinal Alçando outro degrau A noite é tão bem-vinda Ao todo se deslinda Um passo desigual, Amor antes venal A sorte se faz linda. Esqueço qualquer corte E quando além aporte O barco da esperança Meu canto se traduz Na farta e rara luz Aonde o passo avança.
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Anseio tua vinda, todo dia, Espero o teu carinho, doce afago. Tua palavra acalma, uma alegria, Na placidez gostosa deste lago.
Tu és o meu desejo em fantasia. Sorver-te calmamente trago a trago, Numa delícia plena em sintonia. Um sentimento pleno, forte, mago..
Eu quero ter comigo o teu carinho, Deitar-me no teu colo, ser inteiro. Fazer de teus desejos o meu ninho,
Pulsando bem mais forte, sinto e vejo, Um sonho que se torna verdadeiro, Que, aos poucos vai tomando meu desejo...
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Antíteses expressam a paixão! Metade que te adora já sorri Enquanto em outra parte a negação Traduz o que em verdade concebi.
Não quero e te desejo a cada instante Renego tua luz, mas sou falena. O vento que me tortura num instante Esconde a brisa mansa e tão serena.
Fartura traz a seca e me deserta, Fragilidade emprega força imensa; Estrada sonegada vai aberta Na fome que se aplaca, a recompensa.
Neste agridoce fruto sobre a mesa, Delícia que se toma em incerteza...
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Antíteses encontro nesta vida, São tantos paradoxos, reconheço, Às vezes esperança já perdida Renasce num segundo de tropeço.
Nas horas de um encontro, a despedida, Recebo, eu sei bem mais do que mereço, A dor que cicatriza uma ferida O fim da estrada é sempre um recomeço.
Momentos tão difíceis preconizam O refazer de forças que agonizam, Terra fertilizada por vulcão.
Assim, a liberdade necessita Da morte, sofrimento de alma aflita Aduba-se esta flor, na podridão...
38 Antiqüíssimo amor, recendes frígio! Vestal e quase implume sentimento... Conflitos inerentes ao litígio Que vives; a causar tanto tormento.
Conservas das quimeras tal vestígio Que forma cicatrizes: sofrimento! Viver sem ter ciúmes: um prodígio. Amores nunca são disperso vento...
Às vezes, convulsivos, outras manso, É verbo que adjetiva minha vida... Sentido vero e pleno não alcanço.
Contornos femininos, mas tão másculo; Forma testosterônica traz básculo Nas dores que carregas. Louca brida!
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Antigas paralelas que se tocam Não são mais afluentes, mas confluem Buscando a mesma foz, já desembocam Nem mesmo as corredeiras inda influem
Diversas margens marcam as viagens, Floradas entre seca/inundação, Mutantes são por certo, as paisagens, Um sonho pareado em construção.
O mar que se aproxima traduzindo Imensidão do amor deveras lindo Que faz com que esta vida seja assim...
Unindo nossos passos, claridade, No enlace bem mais firme, a liberdade Das dúvidas terríveis; surge o SIM...
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Antiga companheira, a solidão, Persegue cada dia que vivi. Ternuras que cedi, num furacão Se tornam... Dos tornados me esqueci,
Mas, companheira amada me diz não! Me acompanha lá longe estando aqui E a sigo, obediente como um cão! Por tantas vezes quase que a perdi!
Mas, sorrateiramente se revolta, Ordenando cruel o seu retorno... Tentando ser feliz, mas a dor volta.
Negando a liberdade,vivo em torno. Antiga companheira, tenha dó! Pelo amor do bom Deus, me deixe só!!!
41
Antes que a solidão provoque o corte Ao entalhar minha alma, inda ressoa Uma esperança altiva que revoa Poupando-me decerto, enfim da morte.
A vida é bem melhor p’ra quem é forte Mostrando tantas vezes ser tão boa Mudando, num segundo nossa sorte, Trazendo a placidez de uma lagoa.
Porém quando em tempesta, é dura a vida, Difícil vislumbrar qualquer saída Se temos nossos dias infecundos.
Mas ao nos agregarmos com vontade Nos laços bem mais firmes da amizade Bastam para mudar poucos segundos...
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Ansiosamente, eu busco esta harmonia Decantada nos sonhos mais felizes. Durante a caminhada, os meus deslizes Transformaram a antiga fantasia.
Ilusão que me causa dor e azia Trazendo ao meu olhar tantas reprises, Quebrando sem piedade cores, gizes, Fizeram esta cena, assim sombria.
Molduras que hoje cercam garatujas Permitem que dos sonhos, corras, fujas Deixando este vazio tão somente.
Talvez eu merecesse melhor sorte. Restando algum alívio para o corte, Embora o sol se mostre sempre ausente...
73
Ânsias temíveis, lúbricos desejos. Belas imagens, límbicas lembranças. Saudade de viver nossos os doces beijos, Guardados para sempre, em confiança.
Não vejo mais recreio sem te ter, Não tenho mais anseio pelas chamas. Embora meu receio, possa ver, Deitando nos teus seios, loucas tramas...
Eu quero a solução da plena sorte, Sem ter tristes, aspérrimos espinhos. Depois de ter levado tanto corte, Aguardo de teu colo, tantos ninhos...
Não quero minhas lutas tão inglórias, Amor que pede amor, nossas memórias...
74
Ansiamos o retorno de quem temos Amor em um rosal que nunca morre, Além do que hospedamos; nós queremos A mão que apascentando, já socorre.
Os olhos que na essência nos transportam Aos mares nunca outrora imaginados, Amores em navalhas quando cortam Transtornam totalmente os nossos Fados
A fome de querer vira fartura Nos braços de quem sinto ser tão minha, Adorna minha vida com brandura Quando em volúpia a sorte se avizinha
E traz a radiante primavera Ao coração que há tempos tanto espera...
75
Ao abrir totalmente o coração Ficando sem defesas, me entreguei Sentindo este poder, devastação Já quase; nem meu nome, nada sei...
Somente o vento forte da paixão Ao qual me submeti na dura lei Onde todos já perdem a razão, Assim também vencido, me portei.
Agora o quê que eu faço? Não sou mais Aquela fortaleza que julgara Abrindo o coração perdi a paz
Nem mesmo sei quem sou não reconheço Em cada novo passo nada ampara, Meu medo inusitado de um tropeço...
76
Ao abrir as janelas do meu quarto Apenas um espectro, nada mais... Espreito de soslaio nos umbrais E a sensação de aborto nega o parto.
Por tanto que te amei; de ti me aparto, E bebo as serenatas, madrigais, Perdido entre campinas, milharais, O sonho: ser feliz: logo descarto
E tento respirar um ar suave, Porém ao caminhar revejo o entrave Que há tanto não permite mais um passo.
Acendo os refletores da ilusão, Do amor, somente a mesma negação Ocupa em minha casa, todo o espaço...
77
Ao abrigo de um mar maravilhoso Vencendo mil tritões sonho sereias, Enquanto em amor farto me incendeias Cavalgas meu desejo em ar fogoso.
Amor por ser assim, tão caprichoso, Invade a fortaleza por ameias Só peço é que deveras sempre creias Num sentimento nobre e melindroso.
Ao gozo da alegria de poder Viver intensamente cada dia Criando um novo tempo posso ver
O quanto é necessário descobrir. Sentindo a mão suprema em poesia, Amor; jamais alguém vai impedir...
78
Ao abrigo das chuvas e tempestas, Erguendo a fortaleza que proteja A vida em alegrias tão sobeja Permite no final, delírios, festas.
Porém as amarguras indigestas, Diversas do que o coração almeja Enquanto a fantasia relampeja Apenas solidão, ausência gestas...
E assim vagando só sem ver que o sol Ainda clareando este arrebol Persiste em teimosia, astro nobre,
Prossigo o descaminho que em herança Restou do que eu julguei ser esperança, E agora, em frágil tenda me recobre...
79
Ao abrires – volúpia- os teus caminhos Adentro com total insanidade, Penetro em cada canto com vontade Querendo inebriar-me com teus vinhos
Roubados em altares toda tarde Deitando nos lençóis, sedas e linhos, Na fúria dos desejos sem alarde Amores e prazeres são vizinhos.
Meus dedos percorrendo tua pele, Mucosas, umidades, convulsão Em arrepios goze se revele
E trame novamente esta viagem Divina que em profana embarcação Resgata uma procela em louca aragem...
80
Ao abrires caminho Por entre as tempestades Enquanto além invades Aqui decerto alinho Meu passo antes sozinho Agora rompe grades E nisto não degrades O quanto eu me avizinho Do todo em cada verso E sei quando disperso O todo mais audaz, E o canto noutro prumo Ao menos quando assumo Traduz o que já traz.
81
Ao abrires a boceta de Pandora Não deixaste sequer uma esperança, Sabendo quem te quer e já te adora A vida trouxe o nada por vingança.
Quem sabe com certeza faz agora Não deixa este vazio como herança Buscando o meu caminho vou embora Nem mesmo uma tristeza na lembrança.
Amar de novo, eu quero e vou tentar Cevando em alegrias meu pomar Colhendo cada fruta com carinho.
Não vejo a solidão em minha reta, Felicidade plena, franca meta Dourando em paz suprema o meu caminho...
82
Ao bem que se mostrando sem igual O coração se faz doce e cativo, Nas tramas deste sonho eu sobrevivo E bebo cada gota, triunfal
O amor faz da alegria um ritual, Do quanto sou feliz jamais me privo, Erguendo o meu olhar, prossigo altivo Já sei desta aventura o seu final.
Após perambular a vida inteira Na busca sem limites, verdadeira Cansado da mesmice de um adeus,
Depois de conhecer o duro inverno, Atravessei os pórticos do inferno, Chegando depois disso aos braços teus.
83
Ao beber desta fonte, eu me inebrio; Sinto que a poesia se avizinha Da rua que pensara ser a minha A estrada de brilhantes; sonho e crio.
Um anjo faz do bosque outrora frio Chamado solidão, mudando a linha Estrada fascinante em que se aninha O coração que fora tão sombrio,
Bebendo a claridade lapidada Por tuas mãos, poeta sem igual, Nas calçadas aguando este floral
Com a alma entre belezas cultivada, E ao ver tanta ternura e tanto ardor Floresce em paz meu peito sonhador...
84
Ao beber cada gota deste vinho Que apodreceste em torpe adega vã Melhor fosse seguir sempre sozinho Buscando sem destino, este amanhã
Um traste que não sabe mais carinho, Tristeza tem em mim seu terno afã Da fonte da esperança, um burburinho Qual fora uma alegria temporã
Não vejo mais pegadas nem teus rastros Os olhos procurando em vão mil astros Rastreio o que deixaste e nada vejo..
Apenas o vazio como herança Hiberna no meu peito esta esperança Matando o que restou de um vil desejo...
85
Ao acordar percebo-te comigo, Serpenteando em beijos; minha pele. Eu tento levantar, mas não consigo, Num sentimento breve que revele
Desejo que pressinto ser cativo. Dançando sobre mim, se delicia Recomeçando tudo. Então, passivo, Me entrego ao teu querer, que me vicia...
De novo percorremos esta estrada Que leva-nos ao êxtase do gozo. A noite continua na alvorada Num moto,assim, contínuo; prazeroso.
Depois de saciada, me sorris, Palavras delicadas e gentis...
86
Ao arrancar a língua deste sapo, Deixaste um velho príncipe banguela. Enquanto a poesia se revela, O amor que me legaste virou trapo.
A casa quando é feita de sopapo Ao vento não resiste, pobre dela. Carinho não é simples bagatela Amor não é somente um bate-papo.
Apalpo sobre a blusa os belos seios Descendo minhas mãos, encontro os veios. Porém quando gargalhas me cerceias.
Eu pego minha abóbora e retorno Antes que sole o bolo, apago o forno E volto a solidão destas candeias...
87
Ao arrancar meus olhos, pude ver Enfim o que se fez mais relevante. Na sutileza imensa do elefante Percebo minha carne apodrecer.
Vencido pelo quase, ao mesmo instante Vendido nas esquinas, cada ser Do quanto que não era passa a ser O nada vezes nada acachapante.
Percebo quão ainda é fedorenta A turba tão cruel quanto imbecil. Falar de uma amizade te apascenta?
Melhor fechar o vidro do teu carro, Aí vem um molambo semi-vil Ou jogue em cima dele, tire um sarro...
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Ao cair deste véu A bela deusa nua Ousando em carrossel Além volve e flutua Minha alma em farto céu Também amor cultua E vejo este farnel Transcendo então à lua. Esvaio em verso e riso E sei do mais preciso Caminho aonde eu sinto, O amor em tal domínio E nele este fascínio Traduz talvez o instinto.
89
Ao cair deste véu, santa nudez Mostrando a silhueta mais perfeita, A mão que te procura enquanto deita Buscando em seu caminho, insensatez.
A vida que trouxera uma aridez Promete em tempestade e se deleita Da plena sensação, estando afeita, Prefácio desta história que se fez
Em doces méis, espreitas, caça e presa, Na noite mergulhada em tal beleza Estrelas descaindo em nossa cama.
Recebo o teu prazer em riso e gozo, Amor que sempre foi tão prazeroso Acende sem limites louca chama...
90
Ao caminhar insone pelas ruas, O corpo vai expondo as cicatrizes, Os dias se passaram mais felizes, As horas foram mortas, ledas, nuas...
A lua se desnuda onde flutuas E pinta a tentação noutros matizes, Dançando em minha cama são atrizes No picadeiro imenso quando atuas...
E finges num sorriso, ledo engano, Desesperadamente não disfarças, Vou farto, embriagado e soberano,
Na peça que encenaste, nada vejo.. Apenas sentimentos quando esgarças, Por ironia aumentam meu desejo...
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Ao calar-se a orquestra mal me vias, Estávamos distantes, mas tão perto. Compassos e desejos repartias, Me deixando sozinho em meu deserto.
Sabia que fazias por ciúmes, As sombras que deixavas pelo chão; Depois de tantas noites, seus queixumes, Enviesada forma de expressão...
Bem sei que nos meus lábios tu te entregas, Embora derramando tanto charme. Depois de alguns momentos já me negas, Querendo me deixar em louco alarme.
Mas quando a noite cai, estamos sós... Misturas de desejos, nossos nós...
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Ao canto que se tenta Ousar um pouco além Do quanto nos convém A vida mais sangrenta E quando se apresenta A sorte em tal desdém Aos poucos dita e vem Vencendo esta tormenta. Venais ensaios vejo E sei que num lampejo A vida quis bem mais Do quanto merecia A sorte em fantasia Ou dias mais banais.
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Ao canto que se mostra em puro encanto Tanto quanto eu sonho já desejo. Não tema meu amor qualquer quebranto Sabendo deste manto em que prevejo
O beijo mais gostoso; seca o pranto, E mostra o quanto quero e sempre almejo, Nas telhas destes sonhos, no amianto, Os olhos da esperança num verdejo.
O campo que se fez em brilho farto O parto que não nega o quanto é belo No vento que trouxeste me revelo
Um sonho que jamais, amor, descarto. Somando nossos passos, belos ritos Tocando belos céus, pois infinitos...
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Ao circunavegar em desvario Perímetros marcantes, maviosos, Agônicos momentos, santo cio, Inclino novos planos, nossos gozos.
Traçando sinuoso, úmido rio, Penetro por caminhos mais formosos, Nas sinuosidades sempre crio, Mil vértices em rumos belicosos.
Embrenho geométricas figuras Os círculos, triângulos e retas, Nos côncavos; enceto tais ternuras
Deitadas paralelas, ato explícito, Que desenrola em voltas mais completas Amor sem ter juízo quase ilícito...
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Ao celebrar em rito este missal Que sempre em preconceito se faz farto. Distância que tu crias, abissal, Levando ao descaminho em que me aparto
Do rumo que mostraste no final, A sorte é que no fundo eu já descarto Opinião marcada por boçal Sentimento do qual eu não comparto.
Negando a salvação para um “doente” Que médico imbecil tu me saíste. Depois já não reclame se, descrente
Eu fujo do diabo em que vestiste Todos os que negam teu poder, Amigo, por favor, vá se catar!
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Ao chorar pelo amor que foi embora Nas curvas deste frio minuano, Não sabe como é bom te ter agora, Sem medo, em meu carinho, sem engano. A tarde desdenhada sempre chora Quando se percebeu em abandono...
Menina aqui te espera tanto abrigo, Numa tapera simples, mas repleta Dos sonhos que te querem mais comigo, Nos versos em que faço se completa A vida que te peço e não consigo Falar de outra maneira mais dileta.
Verão comigo traz eternidade, Morena, meu amor é de verdade...
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Ao cobrires de sonho O quanto quis audaz E nada mais se faz Senão quieto eu componho O rito mais bisonho Num passo mais tenaz Tentando um contumaz Caminho que proponho Vestindo esta quimera A sorte desespera E gera apenas isso, O medo se desenha A vida em leda senha Deveras não cobiço.
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Ao cobrires de azul esta nudez Que tanto desejei a vida afora, Escondes a beleza de uma tez Que quero ansiosamente. Vem agora
Que a noite vem chegando e toda vez Que a lua extasiada já se aflora Eu lembro-me do amor que a gente fez, Meu corpo em tua cor veste e decora.
A brisa lentamente me cercando Dizendo que virás e não demoras, Minha alma se levanta flutuando
Espera esta presença desejada... Estou aqui sozinho há tantas horas, Na espreita desta noite azulejada...
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Ao cobrires de paz O amor que quero Ousando ser sincero A sorte sempre traz O rumo onde se faz O passo mesmo fero E quando destempero O tom se faz audaz, Esboço reações E nisto tu compões O canto onde se quis Vencer a sorte rude E nisto o quanto ilude É tosco chamariz.
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Ao colo de quem amo já me achego Dormências e repousos, doce dança. Ao restaurar a lépida esperança Deixando para sempre de ser cego.
Esta amaurose na alma não carrego O brilho deste amor, logo me alcança Trazendo toda sorte de mudança No mar em maravilhas que navego.
Amor raro buril, um instrumento Cerzindo dentro da alma luz tamanha. Lambendo calmamente, frágil vento
Em tempestade insana me acompanha. Nas águas mais divinas já se banha Tomando sem descanso, o pensamento...
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